Gelo!

janeiro 23, 2018

Vi essa imagem no Face da minha ciberamigo Chris Boese. É foto de um estrada no Alaska neste mês de janeiro de 2018. Para mim, viajar por uma estrada assim é assustador. Foto é assunto nada tem a ver com educação ou tecnologia. Mas, eu a trouxe para cá, pois neste Boteco sempre há uma boa hora de recreio. E sem recreio não há boas aprendizagens.

 

gelo

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Leitura e sentido

janeiro 22, 2018

 

Ao ler, construimos sentido. Esse um dos aspectos marcantes da semântica. O sentido não está dado, ele é elaborado a partir de informações disponíveis e dos esquemas que elaboramos previamente para ler o mundo. Essa incrível capacidade de criar sentido pode ser verificada num experimento muito popular, o de misturar as letras intermediárias das palavras num texto. Quem sabe ler e tem bom domínio do idioma em que o texto está escrito, entende sem problemas coisas aparentemente estranhas como o escrito que aparece em figura deste post. Se você tem domínio razoável do inglês não enfrentará qualquer problema para ler e entender o que está escrito. Boa leitura.

 

txteo

Tecnologia e Gente

janeiro 13, 2018

tecnologia

Sempre conto história de uma frase da Doutora Allison Rossett, grande nome da tecnologia educacional, irritada com a fala de um reitor de universidade brasileira que falava sem parar sobre os maravilhosos equipamentos que ele havia comprado para a TV Educativa da sua instituição. No evento eu atuava como intérprete ad hoc. E a Allison não se aguentando, disparou””Jarbas, dia a este senhor que tecnologia é uma questão de cabeça, não de máquinas e equipamentos”.

A figura que trouxe para cá ilustra bem o que minha amiga da San Diego State University tentou ensinar ao reitor. Há outros paralelos que podemos traçar aqui. Um deles é uma observação de Alan Kay: “a música está em gente capaz de criança-la, não no piano”. Mas, acho essa observação do fotógrafo mais expressiva ainda: a arte do cozinheiro não está no fogão…

Valor do Trabalho

janeiro 13, 2018

 

Gostaria de escrever um texto denso sobre o assunto. Mas, no momento, estou ocupado com outras coisas e tenho pouco tempo para postar aqui no Boteco. De qualquer forma, trago pra cá este vídeo expressivo. E ele me emocionou logo no começo, quando o ator fala sobre o saber do pedreiro. Meu pai era pedreiro.

Discurso de paraninfo

janeiro 6, 2018

Trabalho é arte

janeiro 6, 2018

Tecnologias do não

novembro 28, 2017

escovao

Li em algum lugar que muitos avanços tecnológicos são descritos em desfechos que começam por um NÃO. E a negativa descreve o fim de alguma habilidade até então necessária. Cabe um exemplo. Antigamente, azulejos, antes de serem assentados. ficavam vários dias imersos n’água. Era comum ver em canteiros de obras enormes tambores, cheios de água, onde os pedreiros colocavam os azulejos que iriam usar. Isso era necessário porque azulejos secos dificilmente permaneceriam nas paredes. Eles precisavam de muita umidade para serem fixados decentemente. Mas, além da permanência em barris, os azulejos exigiam outros saberes dos pedreiros. Eles eram assentados com cuidado e, no geral, os profissionais davam leves pancadas nas peças até que cada uma delas se acomodasse sobre a massa e ficasse no prumo esperado. Nos velhos tempos, exigia-se dos azulejistas capacidade de avaliar o grau de umidade dos azulejos, assim como de avaliar a qualidade da massa preparada pelo servente: exigiam-se também gestos finos para assentar cada peça, e um bom ouvido para sentir por meio daquela pancadinha se a peça estava bem acomodada.

Nenhuma das velhas técnicas dos azulejistas é mais necessária. Não é preciso deixar as peças dormindo em barris de água. Não é preciso preparar massa para assentar azulejos. E aquelas pancadinhas que ofereciam feedback sobre qualidade do assentamento são apenas uma lembrança de velhos profissionais. Hoje, uma massa pré-preparada é espalhada sem muito cuidado pelas paredes e os azulejos, secos, são praticamente, colados na superfície. Com as novas técnicas, NÃO é mais preciso umedecer azulejos, preparar massas, treinar o ouvido para interpretar as famosas pancadinhas. O profissional que assenta azulejos hoje NÃO precisa mais de muitas habilidades que compunham necessariamente o repertório de bons azulejistas. As novas técnicas de assentar azulejos eliminaram muitas habilidades. Podem ser descritas com vários “não é mais necessário”.

Abri este post com a imagem de um escovão. Esse instrumento, tão comum nas residências de outrora, saiu de cena. Como muitos talvez nunca tenham visto um escovão, é preciso acrescentar aqui outra história de tecnologia que resultou em vários NÃOS. Nos velhos tempos, pisos de madeira e, às vezes, de cimento precisam ser encerados. O superfície do piso era cuidadosamente limpa. Depois disso, com um pano, flanela de preferência, espalhava-se cera por toda a superfície. Mas, a cera não se entranhava na madeira ou no cimento para dar o esperado brilho. Era preciso fricciona-la até que ela penetrasse na superfície. Isso podia ser feito com enceradeiras elétricas, máquinas com um pequeno motor que fazia girar escovas sobre o piso até que a gente ficasse satisfeito com o brilho obtido. Mas tais máquinas eram caras. Famílias pobres não tinham grana para compra-las. A solução era pois a de um substituto que com certa força bruta pudesse encerrar o piso até que o desejado brilho aparecesse. E o substituto era o escovão. Um instrumento de ferro, bastante pesado, com escovas que a dona ou dono de casa fazia deslizar sobre os tacos ou a superfície de cimento vermelhão. Os escovões sumiram. São hoje peças de museu. E ninguém mais precisa encerrar pisos. Nas superfície de madeiras aplica-se cascolac ou sinteko. Para manter a limpeza do piso basta varreção e aplicação de um pano úmido. O vermelhão praticamente desapareceu e deu lugar a cerâmicas brilhantes que dispensam uso de cera. Hoje NÃO é mais preciso encerrar o chão, usar enceradeiras, ou usar escovões. Saber encerrar superfícies é uma habilidade que se foi…

Se considerarmos o introdução das novas tecnologias de informação e comunicação, podermos desfilar um grande numero de NÃOS. Não vou examinar todas as possibilidades. Fico com apenas numa que despertou meu interesse numa conversa incidental sábado passado (25/11/2017).

Um amigo, tecnófilo de carteirinha, estava com o celular na mão numa festa em que a gente queria mais era colocar a conversa em dia. Mas, gente como ele, não consegue guardar o celular em nenhuma circunstância. Aproveitei a situação para dizer que não gosto de celulares. E uma das razões para meu desgosto são aquelas teclinhas onde a gente tem que dedar textos. Aquelas teclinhas não foram feitas para gente idosa como eu. Meu amigo disse que NÃO é mais preciso digitar textos em computadores ou no celular. Já há, segundo ele, um aplicativo que aceita ditados e converte fala em texto. Outro amigo, velho jornalista e editor, observou que fala e texto são idiomas diferentes. Transcrição de fala não resultará em bom texto. Nosso amigo tecnófilo ignorou o argumento e comentou que com novas tecnologias o antigo texto tem mais mesmo é que morrer. Em outras palavras, num futuro bem próximo, NÃO será mais preciso saber escrever.

Como disse, não pretendo examinar muitos casos de “não é preciso mais”  que decorrem das novas tecnologias da informação e comunicação. O caso da escrita já é um bom ponto de partida para gerar reflexões. Exames de outros NÃOS serão necessários para que a gente saiba que habilidades estamos perdendo. Espero que muitos de nós não aceite o desfecho passivamente. Espero, por exemplo, que a escrita de boa qualidade ainda seja uma habilidade respeitável no próximos tempos, mesmo que algum aplicativo consiga escrever por nós.

PLATO: uma revolução educacional

novembro 27, 2017

 

plato

Acabo de ler resenha de livro recente sobre o PLATO (Programmed Logic for Automated Teaching Operations), um sistema que, por meio de terminais, permitia usos compartilhados de softwares educacionais. O PLATO, baseado em grandes computadores, acabou sofrendo concorrência das iniciativas que resultariam na internet. A resenha examina tal questão e tem como alvo aspectos tecnológicos, não examinando virtudes e defeitos do uso educacional de computadores inaugurado pelo PLATO.

Quando estudei, em 1983, Computer Education no meu mestrado em Edtech na San Diego State University, o PLATO já era coisa do passado. Os computadores pessoais começavam a ocupar a cena e a gente trabalhava com o Apple IIe. Mas, de certa forma, o PLATO estava muito presente em nossa formação. Muitos software educacionais criados para o velho sistema eram ótimos e foram adaptados para computadores pessoais. Uma dessas adaptações aconteceu com um program de simulação em história da Mesosamérica, o Aztlan. Anos depois, minha equipe do Programa de Informática e Educação produziu uma versão do Aztlan para o português. Nossa versão fez grande sucesso entre os educadores que começavam a experimentar uso de computadores em educação na segunda metade de 1980. Cumpre notar que as versões originais do PLATO eram, geralmente, mais sofisticadas que as versões que foram produzidas para computadores pessoais.

Interessados pela matéria sobre o PLATO podem ir até clicando aqui.

Santo e Luigia Barato

novembro 1, 2017

A qualidade da imagem não é das melhores, mesmo assim trago para cá registro da chegada de meus bisavós italianos, Santo e Luigia Barato, à cidade de São Paulo em 19/12/1890. Neste dia eles deram entrada na hospedaria dos imigrantes. Alguns dias depois seguiriam para uma fazenda de café na Serra da Mantiqueira, região de Guaxupé, MG. Não tenho dados muito seguros de onde moraram. Sei que na última fase da vida eles estavam em Itirapuã, SP, onde tinham um pequeno sítio. Meu bisavô descansa no cemitério dessa pequena cidade paulista. No mesmo túmulo está meu avô, Luis Barato, e meu pai, Joaquim Santos Barato.

Fotocópia de registro da passagem de Santo e Luigia Barato pode ser encontrada no site do Museu do Imigrante. Vejam a imagem aqui.

 

 

santo barato

Projetores de slides

outubro 9, 2017

slide

Eles sumiram da paisagem e até da memória. Mas, de 50 a 80 foram uma tecnologia de comunicação importante.

Vi a primeira projeção de slides em 1963, em apresentação de um médico abonado da Franca, contando suas aventuras de viagem à Europa. As fotos eram ótimas e o doutor sabia contar histórias cativantes.

Em 1976 vi uma projeção de slides muito criativa num show em Aracaju. O artista que a preparou sincronizava música com imagens, numa projeção que sobrepunha fotos com efeitos de fades sugerindo movimento. Me disseram que naquela apresentação eram utilizados oito projetores.

Finalmente, quero destacar coleção de slides que vi na San Diego State University em meus tempos de mestrado. Um ex-aluno da casa produziu, em 1979, coleção de slides que era mostrada aos estudantes de tecnologia educacional como exemplo. Num produto que sincronizava imagem e som, o autor, um negro alto, com voz profunda de barítono, e longas barbas brancas, contava a história da tecnologia educacional. A narração era muito criativa, numa história de nossa disciplina contada com linguagem do Gênesis. O autor atuava como Jeová…

Grande problema técnico dos projetores de slides era a lâmpada, sempre sujeita a se queimar por causa do super-aquecimento.

No geral, o uso de projetores de slides era burocrático, pouco tendo a ver com o três exemplos de sucesso que apresentei atrás. Assim como computadores ou outros recursos de TIC, os projetores de slides precisavam ser utilizados na perspectiva de tecnologia educacional correspondente à fórmula TECNOLOGIA = INSTRUMENTO + IMAGINAÇÃO.