Alinhado e metáforas tácitas

abril 27, 2022

Reproduzo texto que publiquei no Face

Em post passado falei que não gosto do uso do termo alinhado, muito comum hoje no campo de gestão de empresas. Meu comentário revelou uma das muitas minhas ojerizas com certos modismos no campo da linguagem. Mas meu desgosto não para por aí. Há algo mais nessa história. Vou comentar isso nos próximos parágrafos, num texto com cara de ensaio curto, mas que aqui no Face é chamado de textão. Se você está com tempo e paciência, siga em frente.

Os usos de alinhado nos discursos da organizações me lembra um velho e ótimo texto de Donald Schon: Generative Metaphor: A Perspective on Problem-Setting in Social Policy, publicado em ORTONY, Andrew (Ed.). Metaphor and Thought. Cambridge: Cambridge University Press, 1979.

Schon comenta que no campo das políticas sociais é preciso examinar as metáforas utilizadas em discursos sobre os fenômenos. Tal análise requer muita atenção porque quase todas as metáforas utilizadas são tácitas. Ou seja, não têm o seu sentido explicitamente revelado. As pessoas as usam como se elas tivessem significado literal.

Não vou comentar o texto de Schon. Em parte porque não tenho competência para tanto. Em parte porque nosso assunto aqui não é política social. Vou apenas aproveitar ideias do autor para examinar como o termo alinhado sugere um metáfora tácita, não apenas um modismo.

Quando alguém fala em alinhado ou alinhamento numa organização o que está por trás dos termos é a ideia de caminho correto, pelo menos no ambiente em que tais expressões aparecem. Quem não está alinhado deve ser corrigido (colocado no bom caminho) ou demitido.

O discurso do alinhamento não garante que as pessoas sigam o bom caminho. Convém exemplificar isso. Na maioria das organizações educacionais é preciso estar hoje alinhado com a pedagogia das competências. É isso que diz a legislação, planos de cursos, literatura pedagógica, discurso de educadores que estão em postos de gestão, teses de doutorado etc. Mas, em sua atuação do dia a dia boa parte dos professores não está alinhada com a pedagogia das competências. Por isso, diz-se que os mestres devem ser reeducados ou punidos.

Outro exemplo que poderíamos explorar é o alinhamento em usos das novas tecnologias educacionais. Deixo isso aos cuidados do leitor.

Metáforas tácitas são uma versão de realidade que não aceita oposição. Não há chance de se pensar que o não alinhamento dos professores com a pedagogia das competências deve levar os gestores a considerar dúvidas quanto ao suposto bom caminho. Alinhamento é a única perspectiva em vista.

Sei que precisaria desvelar muito mais a metáfora subjacente a alinhamento. Talvez um dia eu embarque numa análise mais aprofundada. Por enquanto fiz apenas um registro para não deixar que pensem que não gosto do termo alinhamento apenas porque ele é um modismo.

Reportagem sobre blogs

abril 2, 2022

Em 2009, um jovem jornalista me procurou para conversa sobre tecnologia educacional. Acabei sendo referência de um moço que hoje deve estar trabalhando no UK. No link que segue, uma tese de mestrado sobre blogs na educação, matéria que ele fez comigo para a revista Carta na Educação aprece na página 200 e seguintes:

Avaliação de reação

fevereiro 21, 2022

AVALIAÇÃO & AVALIAÇÃO DE REAÇÃO

OBSERVAÇÕES SOBRE AVALIAÇÃO

  1. determinar medida de tecidos (modo antigo)
Caixa de Texto: Pmaria

Pjoão

Proberto

Questão (comercial): comprar por qual medida (av.)?

vender por qual medida?

ê conceito: Fidedignidade

Caixa de Texto: Com que rigor ou consistência um instrumento mede aquilo que mede.
  • numa prova de ensino elementar o uso do conceito ANIMAL MAMÍFERO é avaliado com a seguinte questão:

Veja as três figuras e nomes abaixo. Faça um X sobre a figura que corresponde a um animal mamífero.

Caixa de Texto: figura

Caixa de Texto: figuraCaixa de Texto: figura

               pato                     vaca                galinha

Questão: acerto ou erro vão me dizer se a criança domina ou não domina o conceito de animal mamífero?

Conceito: Fidedignidade e Validade

Validade: este instrumento mede o que ele pretende medir?

  • Efeito Howthorne

No campo de medidas para melhorar produtividade, pesquisadores de Howthorne fizeram um trabalho para determinar associação entre luminosidade/produtividade. Conversaram com operárias, perguntaram pela luminosidade, ouviram reclamações, aumentaram luminosidade, obtiveram mais produtividade. Nova conversa, mais luz, mais produção. Nova conversa, menos luz, mais produção.

Conversa

Mais luz                    mais produção

Conversa

Menos luz                    mais produção

Mayo conseguiu mostrar que a relação não era luz   ê  produtividade, mas sim atenção pessoal ê produtividade

Caso implica Conceito de Validade

  • Que instrumento escolher?

Vocês querem medir luminosidade. Que instrumento escolher?

  1. fotômetro
    1. medidor de calor
    1. balança

ê a escolha do instrumento tem relação com o conteúdo daquilo que se quer avaliar/medir.

Caso implica Conceito de Validade

  • Muita gente critica o desempenho dos universitários no show do milhão.

O que é que se avalia no tal show?

. capacidade de raciocínio?

. capacidade de síntese?

. capacidade de análise?

. capacidade de memorização?

. capacidade de compreensão?

. capacidade de aplicação?

. capacidade de processar/transformar informação?

ê qualquer pergunta do Humilhão avalia exclusivamente memorização de dados/informação.

ê Humilhão não é válido para a avaliação de qualquer outra dimensão de saber.

            suas provas e/ou instrumentos de avaliação são válidos para avaliar

análise

síntese

transformação

generalização

compreensão

aplicação

criatividade

capacidade de aprender a aprender?

AVALIAÇÃO DE REAÇÃO

  1. O que você pode  (e deve) fazer com o resultado das respostas à seguinte item de avaliação:

. Dê um anota de 1 a 5 para o nosso material didático.

Se a média for 2 ê

Se a média for 5 ê

Se a média for 8 ê

O que quer dize a média 2?

Item é válido e confiável?

  • Que material você usaria para tomar decisões sobre conforto ambiental?

Respostas a uma pergunta no questionário de reação?

Medidas obtidas por meio de aplicação de tabelas que determinam níveis desejáveis de adequação ergonômica.

O que é mais confiável?

  • Você já viu repórteres fazendo perguntas como as seguintes?
  • O governo vai aumentar em 100% o imposto sobre uso do ar. O que você acha disso?
  • A editora não quer mais pagar os direitos autorais do Quixote para o Miguel Cervantes. Você acha que o autor deve processar a editora?

No geral, o público dá respostas. A veracidade não é posta em dúvida. No plano das opiniões, não queremos ser ignorantes.

  • Caso clássico de manipulação de opinião. Coordenadores de aplicação de um teste visitam salas. Numas, nada falam. Noutras, num canto, manifestam seu desagrado pelo aplicador do teste. No final, há uma avaliação sobre desempenho dos aplicadores. Adivinhem quem obtém mais pontos?

ê Opinião pode ser contaminada.

  • Caso clássico: Pigmaleão Vai à Escola. No final de um processo de rotulação dos alunos, os resultados correspondem aos rótulos atribuídos no começo.

ê Rótulos podem influenciar (favorável ou desfavoravelmente) resultados.

CUIDADOS NA ELABORAÇÃO DE QUESTIONÁRIOS DE AVALIAÇÃO DE REAÇÃO

  1. Evitar questões “objetivas”.

respostas tendem a contaminação, expressão de saber (apesar de ignorância) etc.

  • Limites de questão única.

provavelmente sem qualquer validade e fidedignidade.

  • Utilizar fórmulas que não revelem claramente as intenções avaliativas.
  • Trabalhar com baterias
  • Utilizar instrumentos que facilitem respostas.
  • Tentar representar os modos de expressar opinião da clientela.

MELHOR OPÇÃO: AVALIAÇÃO DE TRAÇO, UTILIZANDO DIFERENCIAL SEMÂNTICO.

  1. Bateria de 20 questões por traço
  2. Algumas questões (5) com pontuação inversa.
  3. Linguagem coloquial e correspondente ao universo vocabular da clientela.
  4. Conclusão sobre um único traço.
  5. Facilidade de respostas (duração em torno de 5 minutos no total).

Etc.

UMA PROPOSTA CONCILIATÓRIA

  1. Instrumento com 15 questões.
  • Escala de 5 pontos
  • Aceitação de 3 traços, medidas por 5 questões cada.

CONCEITUAÇÃO

Avaliação de reação

 basicamente é uma escala de atitude e serve para situar como o cliente viu a atividade.

é elaborada com a utilização de afirmações que retratam a fala do cliente; nunca inclui questões diretas e/ou objetivas pois essas tendem a sugerir respostas esperadas, não o que o cliente de fato sente.

– a escala deve ser genérica ê proporcionando usos para várias atividades ê assim será possível fazer comparações entre eventos.

                         enfatizar que avaliação de reação é “científica” quando é possível fazer comparações.

n possibilidades:

  • mesmo evento/público diferente
    • evento diferente/mesmo público
    • evento diferente/público diferente

X variações no tempo, etc.

Educação e individualismo 1

fevereiro 17, 2022

Venho pensado muito sobre o tema nos últimos dias. Tenho a intuição de que o problema deve ser examinado a partir de rigorosa análise epistemológica. Ainda não consegui fazer isso, nem sei se sou capaz de fazê-lo. Mas, registro minhas impressões aqui na esperança de que amigos possam me ajudar.

Há uma face do individualismo em educação, evidenciada pelo sistema de notas e pela competição. Isto, porém, é muito superficial e muito distante de uma amarração epistemológica digna do nome. A eliminação de notas e da competição não acaba com o profundo individualismo que existe na educação, apenas o mascara.

Um caminho que podemos seguir é o de examinar alguns pressupostos que estão por trás de propostas educacionais. Um deles é o entendimento de que o conhecimento é “adquirido”. Esse pressuposto indica que conhecimento é um bem que pode ser comprado pela freguesia. Leva mais conhecimento para casa quem tiver mais recursos (inteligência, capacidade de estudo, atenção concentrada etc.). Esta concepção estabelece uma diferença brutal entre os educacandos e justifica fracassos, além de promover a ideia de meritocracia.

Outro pressuposto é o de que aprendemos solitariamente conteúdos de conhecimentos, não aprendemos em sucessivas elaborações sociais do saber. Aqui estamos no campo das metodologias. Acho que duas abordagens muito populares em termos metodológicos, a ativa e de competências têm fundo individualista. Reparem no meu acho… Eu preciso elaborar mais a coisa para mostrar como a minha desconfiança pode se converter em certeza.

Já fui longe demais e mal toquei no problema. Preciso de mais tempo para examiná-lo. Preciso, principalmente da colaboração dos amigos.

Buscadores na Web

fevereiro 7, 2022

Acabo de ver um pequeno texto que relaciona diversos buscadores na Web. Eles estão voltados para áreas específicas e podem ser boas fontes para que a gente encontre artigos, papers e livros de interesse. Copio o dito texto.

Google is so powerful that it “hides” other search systems from us. We just don’t know the existence of most of them.

Meanwhile, there are still a huge number of excellent searchers in the world who specialize in books, science, other smart information.

Keep a list of sites you never heard of.

www.refseek.com – Academic Resource Search. More than a billion sources: encyclopedia, monographies, magazines.

www.worldcat.org – a search for the contents of 20 thousand worldwide libraries. Find out where lies the nearest rare book you need.

https://link.springer.com – access to more than 10 million scientific documents: books, articles, research protocols.

www.bioline.org.br is a library of scientific bioscience journals published in developing countries.

http://repec.org – volunteers from 102 countries have collected almost 4 million publications on economics and related science.

www.science.gov is an American state search engine on 2200+ scientific sites. More than 200 million articles are indexed.

www.pdfdrive.com is the largest website for free download of books in PDF format. Claiming over 225 million names.

www.base-search.net is one of the most powerful researches on academic studies texts. More than 100 million scientific documents, 70% of them are free

Corpo e mente: par equivocado

janeiro 17, 2022

Os pares antitéticos mente/corpo, ou, na versão materialista, corpo/cérebro, fazem um mal danado para nosso entendimemto sobre o saber. Há várias obras que buscam mostrar que as coisas não se passam desta forma. Uma dessas obras é The World Beyond Your Head, de Matthew Crawford. Dela, trago o seguinte trecho em tradução ligeira:

>>> Pensamos através do corpo. A principal contribiçao desta escola de pesquisa psicológica (Embodied Cognition) é a de colocar a mente de volta no mundo, ao qual ela pertence, depois de séculos sendo presa em nossas cabeças. A fronteira de nossos processos cognitivos não pode ser definida pela superfície de nosso crânio, nem, de modo mais geral, de nosso corpo. Os processos cognitivos estão distribuídos pelo mundo em que agimos (p. 51)

Imitação e aprendizagem do fazer

janeiro 15, 2022

Educação profissional. Aprender por imitação?

Acho que a velha explicação de que aprendemos o fazer por imitação precisa ser reexaminada. Este é um tema que quero estudar mais. Por enquanto, produzo aqui um textão que mesmo que não seja lido por ninguém, é uma iniciativa que me ajuda a aprender e/ou a explicitar coisas que sei mas andam dormindo nalguma gaveta da minha memória.

Se tiver tempo e coragem, leia…

É comum dizer que no campo do trabalho manual, assim como em práticas esportivas, as pessoas aprendem por imitação. Diz-se que aprendizes observam o que o mestre ou perito faz e começam a imitá-lo. Esta é um visão que coloca as habilidades no campo motor e sugerem um aprender mecânico ou, se quiserem, uma aprendizagem por ensaio e erro. Se a gente considerar os recentes desenvolvimentos no campo das ciências cognitivas, essa história de aprendizagem por imitação é um baita equívoco.

A ideia de imitação sugere uma sucessão de atos de cópia até se chegar à reprodução de algo igualzinho ao original. A analogia para tanto é a de que, no campo das habilidades, funcionamos como máquinas xerox. A cópia perfeita ocorre assim que conseguimos regular bem a máquina.

Vou examinar aqui uma coisa bem simples, pintura de paredes. De acordo com a ideia de aprendizagem por imitação, o noviço observa o profissional experiente e o imita até se tornar um pintor de paredes competente. Se já tentou pintar paredes, você talvez concorde comigo de que a tal aprendizagem por imitação não explica o que de fato acontece. Sua copiagem de um mestre pintor na verdade não funciona . Você faz, aparentemente, o que ele faz: pega um rolo, mergulha-o numa lata de tinta, retira o rolo da lata, dá um batidinha na borda da lata, começa passar o rolo na parede. Tudo parece igual ao que o perito faz. Mas, os resultados são muito diferentes. Na parede pintada pelo profissional não há falhas. Na parede que você pintou a superfície pintada não é uniforme. Outra coisa, o mestre pinta como pouco esforço, seus gestos são fluentes. Você, pelo contrário, esforça-se muito e fica cansado logo. A “teoria da aprendizagem por imitação” dirá que você tem que praticar mais para corrigir gestos e chegar à perfeição.

Uma explicação que, como já disse, vê a aprendizagem de habilidades como um ajuste do mecanismo (do corpo) para reproduzir o comportamento imitado.Tento uma explicação diferente. Na verdade você não imita o que o mestre faz. Você parte de um modelo para construir sua própria aprendizagem. O pintor mergulha o rolo na lata de tinta; você também. Ele, porém, “sente” quando a quantidade de tinta no rolo é adequada, você não. No seu caso, haverá muita ou pouca tinta no rolo. Se você reparar bem, não é sempre que o pintor experiente dá aquela batidinha na borda da lata. Ele faz isto eventualmente. Você, por vias da dúvida, faz sempre. Você, como o pintor, passa o rolo sobre a superfície da parede, mas parece que a tinta não “pega”. No caso do seu mestre, a tinta pega e deixa a superfície pintada uniforme.

Na medida em que o aprendiz de pintor avança em suas tentativas de deixar sua parede igualzinha a do profissional acontecem algumas coisas que um observador externo não consegue ver. Tal observador vê os gestos e compara-os com os gestos do mestre. Escapa-lhe o que você, o aprendiz, vai elaborando a partir do modelo. Não há dúvida de que o modelo é importante, mas há outros elementos que entram na história. Nos próximos parágrafos, vou considerar alguns deles.

Um dos elementos a considerar é a ferramenta, no nosso caso o rolo. O uso de ferramentas estende suas capacidades corporais. A ferramenta, entre outras coisas, “resiste”. E essa resistência da ferramenta lhe ensina. No começo, a ferramenta é um corpo estranho. Para pintar bem é preciso que ela, o rolo, comece a fazer parte do seu corpo. Os ajustes que fazemos em seu uso resultam de interações que nos dão resposta sobre o objeto da ação, a pintura. Não há imitação que substitua a aprendizagem que resulta de repetidas respostas que nos dá a ferramenta. O mestre também aprendeu assim e continua a aprender, mesmo que tenha alcançado domínio “ótimo”do uso da ferramenta.

Há mais elementos a considerar. Um deles é a matéria prima, a tinta. Para pintar bem, você precisa “senti-la”, tanto no momento em que molha o rolo, como no momento em que ela aparece na superfície da parede. Assim como a ferramenta, a matéria prima “resiste”. [Faço uma nota para posterior confirmação. O que estou chamando aqui resistência dos objetos que uso na pintura guarda relação com o conceito de “affordance” desenvolvido por Gibson e por outros autores da psicologia ecológica. Preciso estudar mais tal referência]. Assim como a ferramenta, a tinta ensina.

Outro elemento a considerar é a superfície da parede. Ela também resiste no sentido em que estou utilizando esta palavra aqui. Essa resistência não é apenas física, ela é, ouso dizer, dialogal. A superfície conversa comigo em minhas tentativas de pintá-la. Aprendo com suas respostas.

Vale registrar a observação de minhas experiências prévias no mundo entram no jogo. Aprender a pintar irá variar de pessoa para pessoa, pois cada uma delas traz para a pintura uma experiência pessoal de mundo. Não vou elaborar muito isso aqui. Deixo apenas a lembrança de que experiência anterior precisa ser considerada.

O quadro ainda não está completo. Pintar é um atividade que aprendo e desenvolvo numa comunidade de prática. Companheiros de aprendizagem/trabalho apreciam o que faço, comentam, me dão dicas.O mesmo se passa com o mestre. A aprendiza de habilidades tem dimensões sociais que precisam ser consideradas. Aprender a pintar – assim como aprender qualquer outra habilidade – não é um ato individual desvinculado do sentido que a pintura tem para outros pintores e para as pessoas que dela se beneficiam.

Tento finalizar com uma síntese. Não se aprende habilidades por imitação. O que um mestre faz é um modelo que pode guiar a aprendizagem. Mas, o modelo não é “copiado”, ele desencadeia um processo no qual se aprende com outros ensinantes: a ferramenta, a tinta, a superfície da parede. Esses ensinantes não produzem efeitos imediatos; são precisas repetidas experiências com eles para aprender.

O que acabo de escrever é ainda uma análise inicial sobre aprendizagem de habilidades, considerando as sugestões recentes das ciências do conhecimento. É preciso ainda aprofundar a questão. Uma abordagem cognitivista de habilidade pode explicar, por exemplo, a inovação, pois o aprendiz não imita mestres, mas constrói seu próprio conhecimento. E, no processo de aprender, pode ter relacòes diferentes das do mestre com as “affordances”.

Ética e estética em educação profissional

dezembro 4, 2021

Um dos lançamentos do meu Fazer Bem Feito aconteceu, anos atrás, no Conselho Nacional de Educação. Para o evento, preparei um roteiro, destacando alguns aspectos que poderiam chamar atenção para o conteúdo do livro. Tal roteiro ficou muito tempo entre meus guardados. Resolvi compartilhá-lo agora, pois acho que ele é uma bom ponto de partida para conversas sobre valores em educação profissional e tecnológica.

Fazer Bem Feito

Em vinte minutos não é possível oferecer um painel bastante completo do estudo que realizamos para a UNESCO, nem apontar todos os aspectos que merecem atenção no livro. Optei por apresentar alguns aspectos que podem provocar maior interesse e/ou um levantar de sobrancelhas de quem estuda e reflete sobre valores em educação.

Escolhi um caminho dividido em dois tempos. No primeiro tempo apresento dois casos exemplares. No segundo, apresento três direções que me parecem interessantes.

Antes de ir para os casos, uma observação. No estudo que fizemos, procuramos não ficar apenas na ÉTICA. Procuramos também examinar ESTÉTICA e AXIOLOGIA. Cumpre reconhecer, porém, que a tentação de ficar apenas no campo da ética é muito grande.

Estrutura geral:

Dois casos:

  • A moça que amava o uniforme da escola.
  • O menino que acariciava madeira

Três direções:

  • Espaços de aprendizagem são essenciais no desenvolvimento de valores.
  • A aprendizagem, de conceitos, competências, valores é um empreendimento coletivo, por isso é de fundamental importância a comunidade de prática para que os alunos se façam trabalhadores.
  • O fazer das instituições profissionais sugerem que o desenvolvimento moral dos alunos é orientado pela ética do cuidado.

Casos

Caso 1: A moça que amava o uniforme da escola.

Curso de salgadeiro. Senai do Porto, Cuiabá. Escolhi a turma que tinha cinco deficientes visuais. Conversei longamente com uma moça de quarenta e poucos, cega desde os dezenove. Alegre, de bem com a vida. Amava dançar. Feliz no curso. Aprendendo muito e cobrando uma política complementar para o PRONATEC: fonte de financiamento para que os salgadeiro pudessem comprar equipamentos profissionais. O ambiente de trabalho/aprendizagem  no Senai do Porto é ótimo. De primeiro mundo, diriam alguns. Além disso, os alunos tinham diversos apoios para que pudessem frequentar o curso. E o Senai forneceu uniforme, um camisa bem transada, com nome da escola e do curso. A moça me disse que vestia aquela camisa com maior orgulho. [A camisa representava todos os cuidados que ela estava recebendo]. A revelação foi inesperada. Alguém talvez esperasse um discurso de caráter econômico, de expectativas quanto a ganhos que o trabalho de salgadeiro poderia trazer. Mas, a moça quis falar sobretudo sobre seu orgulho de voltar à escola, ser publicamente reconhecida como estudante em uma instituição de respeito.

Como diz Mike Rose, citando fala de um aluno adulto que teve uma segunda chance escolar:

“VOCÊ É CAPAZ DE SE DESCOBRIR ALGUÉM QUE NUNCA IMAGINOU SER.”

O caso dessa aluna me permite tirar o foco do aluno e propor reflexões sobre valores no plano institucional. Oportunidade para falar sobre arquitetura e educação. Sobre respeito que transparece naquilo que as instituições oferecem como condições materiais d trabalho/aprendizagem em EPT.

Muito o que falar sobre a moça e o orgulho de uma adulto que volta à escola e encontra condições muito dignas para aprender.

Caso 2: O aluno que acariciava madeira.

Curso de marcenaria. Oficinas artesanal e industrial exemplares. Alunos aprendem fazendo uma obra a cada semestre. Vi a turma desenvolvendo um rack. Comecei a prestar atenção num aluno muito pequeno, apesar de seus 16 anos, que às vezes não conseguia alcançar o painel de controle das máquinas. Ele havia feito um emenda de madeira no fundo do seu rack. Ficou perfeito. Leigos não conseguiriam ver a emenda. Ele passava continuamente a mão sobre a emenda, num gesto de carícia e admiração. O professor chegou. E ele também acariciou a madeira. Muitas leituras para o gesto. Mas vou resumir a ópera: no gesto o menino pequeno revelava admiração pela obra.

Estética e ética num mesmo evento. Compromisso. Engajamento. Admiração. Autoestima. Respeito pela obra. Fazer bem feito, mesmo num fundo de móvel que ninguém vai ver.

Direções

Recomendações. Políticas. Indicações didático-pedagógicas.

  1. Espaços de trabalho/aprendizagem. Em EPT necessariamente espaços de trabalho/aprendizagem. Importância fundamental da arquitetura, das ferramentas, dos insumos, das obras. Os valores estão entranhados em tais espaços e nas tramas que neles ocorrem. Sem tais espaços, temos uma EPT pobre, precária, sem dignidade. Um chamado para considerar arquitetura e educação em conversas sobre valores.
  2. Comunidades de prática. Ao entrar num curso de EPT, caso a aprendizagem aconteça em oficinas, o aluno ingressa numa comunidade de prática [prática social] que tem obras no horizonte. Não aprende o QUE. Aprende a SER. Não aprende simplesmente a faze móveis, aprende a ser marceneiro.
  3. Ética do cuidado. Cuidado com quem? Cuidado com o que? Quem: companheiros e beneficiários. Que: a obra, as ferramentas, o ambiente [meio ambiente e ambiente profissional], os insumos.

NTIC’s: uma visão crítica

dezembro 2, 2021

Novas tecnologias costumam ser apresentadas como um evangelho. São vistas como redentoras. A isso, alguns autores dão o nome de tecnofilia, uma nova religião. Os fieis não admitem qualquer crítica. Algumas vezes, as críticas não têm muito fundamento e os crentes da tecnologia as rejeitam com razão. Mas, há críticas bem fundamentadas. uma delas apareceu num livro chamado Blog Theory, de Jodi Dean. Gostei muito da obra e a resenhei. A resenha apareceu no Boletim Técnico do Senac. Mas, já faz algum tempo. Por isso resolvi reproduzi-la aqui.

DEAN, Jodi. blog theory: feedback and capture in the circuits of drive. Malden, MA: Polity Press, 2010. 153 p.

Novas tecnologias da informação e comunicação (NTICs) ganham espaço cada vez maior na vida cotidiana. Essas tecnologias são vistas como avanços desejáveis, pois os ganhos que trazem em termos de ampliação do conhecimento são imensos. Tal interpretação do papel das NTICs tem uma dupla face. De um lado, ela entende que produção e acumulação de saberes é um processo contínuo e cumulativo. De outro, ressalta a necessidade de se adotarem as mudanças que as mais recentes tecnologias trazem. Comentários nos meios de comunicação e em produções acadêmicas tendem à tecnofilia. Ao mesmo tempo, a aceitação entusiasmada das NTICs tem muitos traços de ingenuidade.

O pensamento hegemônico sobre as novas tecnologias da informação e comunicação sugere que sociedade e indivíduos têm conhecimento cada vez maior, que a educação dará um salto de qualidade e que a prática política ganhou grandes espaços de exercício da liberdade. Tais conclusões não são fruto de análises aprofundadas das NTICs. São, muito mais, consequências de crenças que ignoram qualquer análise crítica dos novos meios de comunicação.

Blog Theory, obra de Jodi Dean, contesta o pensamento hegemônico. Examina o fenômeno dos blogs, tentando perceber o significado dessa prática comunicativa na sociedade e para os blogueiros individualmente. A autora, porém, não se restringe aos blogs. Na verdade, realiza uma análise mais ampla, incluindo em seu estudo outras práticas comunicativas que ganharam espaço expressivo na web.

A intenção de Dean é analisar criticamente as NTICs a partir de uma tradição que busca entender o significado e impactos sociais das tecnologias, assim como a maneira pela qual as forças hegemônicas se apropriam das ferramentas de comunicação. Ela procura superar o nível das aparências para desvelar o que está acontecendo nos planos coletivo e individual. Há mudanças. Mas, que mudanças estão acontecendo em modos de ver a vida, no plano dos valores, na vida política, no plano epistemológico? Respostas a essas perguntas balizam o caminho percorrido por Dean.

A autora reconhece que analisar criticamente as NTICs não é tarefa fácil. A atualidade das análises é efêmera, pois as novas redes de comunicação são turbulentas, sempre mutantes. Muitos de seus aspectos definidores desaparecem em pouco tempo. A obsolescência de equipamentos e ferramentas é extremamente acelerada. Por esses motivos, livros que abordem criticamente os novos meios de comunicação correm o risco de ficarem desatualizados assim que chegarem às livrarias. Por outro lado, utilizar a própria web para registrar aspectos críticos em blogs e outros ambientes de publicação digital é providência vã, pois o conteúdo não merecerá a devida atenção.

Dean mostra que os livros desempenham papel importante na elaboração e no registro de análises críticas. Sugere que as mídias digitais não conseguem substituí-los em tal função. Conclui que eles continuam a ser o veículo mais adequado para articular análises que evidenciem as consequências mais profundas das NTICs.

O funcionamento da Internet, segundo a autora, mostra a emergência do capitalismo da comunicação. Esse fenômeno vem recebendo diversos nomes, com destaque para “sociedade da informação”. No entanto, quase sempre os analistas ignoram o capital como o maior interessado na produção, na circulação e no uso de uma commodity intangível que vem mudando as relações entre as pessoas, a formação de identidade e os modos de ver o mundo. Para Jodi Dean, “o capitalismo marca a estranha convergência da democracia e do capitalismo em redes de comunicações e mídias de diversão” (p. 4).

Para mostrar os desdobramentos ideológicos do ambiente mediático de nossos dias, Dean examina como movimentos de esquerda com raízes nos anos 1960, acreditando em virtudes intrínsecas das redes de comunicação, acabaram caindo em armadilhas e passaram a defender valores que criticavam. Para ela, esse é o caso, por exemplo, dos novos comunalistas. Estes, ao abraçarem promessas libertárias da Internet, aliaram-se aos adversários de outrora – as forças armadas, o capital, a burocracia –, promovendo ideias neoliberais e justificando a flexibilização do trabalho e outras decorrências de um capitalismo no qual se entranha a comunicação.

As observações de Jodi Dean sobre aspectos ideológicos promovidos no e pelo uso das redes digitais nada têm a ver com teorias conspiratórias. A autora examina as práticas comunicativas correntes e nelas encontra características que não são evidentes para usuários e entusiastas das novas mídias. Ela busca caracterizar que cultura e sociedade estão sendo construídas naquilo que se convencionou chamar de “sociedade da informação”.

Na produção e circulação de informações, a autora vê um fenômeno que precisa ser considerado: o fenômeno da reflexibilidade. Este, em síntese, é caracterizado por uma circularidade, na qual informação gera mais informação, sem qualquer referência a realidades que não integrem as redes digitais. No plano individual, a reflexibilidade gera comportamentos análogos aos da obsessão pelo jogo. Usuários de redes sociais entram em um circuito que não privilegia conteúdos, mas o constante uso de veículos de informação.

Nos planos axiológicos e epistemológicos, Jodi Dean sugere que a utilização das novas mídias caminha na direção do declínio da eficiência simbólica. Ou seja, as pessoas deixam de ter uma referência sólida para julgar a informação. Vale tudo. Em blogs e outros meios de expressão digital, acredita-se que todas as opiniões sejam válidas. A tendência reforça traços de relativismo já presentes na cultura ocidental antes do advento das redes digitais. No caso dos valores, há um esvaziamento de referências aceitas coletivamente. No caso da ciência, há uma crença de que todo e qualquer saber é equivalente. O resultado dessas maneiras de ver é que banalidades sem fundamento e afirmações ancoradas em investigações sistemáticas em nada diferem. São informações que entram no circuito, reivindicando tratamento igualitário.

Predomina na rede digital impulso para o uso, não importando outros fins. A lógica do sistema é a de um consumo cada vez mais avassalador de informações, não pelo valor intrínseco destas últimas, mas pelo sentimento de participar de um processo informativo que não cessa. A comunicação constante é uma obrigação. Mais ainda: uma obsessão. É preciso comunicar-se, não importa para quê, nem o que comunicar.

Dean consagra um capítulo inteiro à questão do afeto (Affective Networks). A autora observa: “O capitalismo da comunicação manda nos divertirmos, ao mesmo tempo que nos adverte de que não estamos nos divertindo o bastante, ou tão bem como os outros. Nossa diversão permanece frágil, arriscada”(p. 92).

A ordem para nos divertirmos aparece de diversas formas. Uma delas é a de sentir-se membro de uma comunidade que, segundo a autora, “é uma comunidade sem comunidade”. Contraditoriamente, as redes facilitam a superação do isolamento, embora as pessoas continuem isoladas. Outra forma é a da repetição. Faz-se a mesma coisa o tempo todo. Não importa o significado do que é repetido, mas sempre a repetição, em um ritmo cada vez mais envolvente. Repetição e redundância é o nome do jogo. Isso já era característico nos meios de comunicação de massa que chegaram um pouco mais cedo que as redes digitais. Essa circunstância foi e é largamente utilizada em publicidade na TV.

Convém, mais uma vez, recorrer ao texto da autora:

“A dimensão aditiva da comunicação pela comunicação marca um excesso.Esse excesso não é novo significado ou perspectiva. Ele não se refere a um novo conteúdo. Em vez disso, advém da repetição, agitação ou emoção por mais. Na duplicação reflexiva da comunicação, a diversão incorporada à comunicação pela comunicação desaloja intenção, conteúdo e significado. O extra na repetição é diversão, a diversão que é capturada no impulso e na diversão expropriada pelo capitalismo da comunicação.” (p. 116)

A meta, como já se disse, é a de usar a rede. E usá-la à exaustão. O discurso ideológico justifica tal uso com promessa de mais conhecimento. Mas, conforme diz a autora, “quanto mais conhecimento incorporamos, menos sabemos”. Na verdade, o que predomina é a circulação de informação, não a sua apropriação pelos usuários. Uma das consequências disso é a falta de ação. Em vez de agir, busca-se mais informação. Os resultados encontrados não satisfazem. Por isso, mais informações são procuradas. Esse processo não tem fim, e estar nele é fonte de prazer. A produção de informação com características de reflexibilidade é uma criação dos usuários. Eles acabam produzindo o ambiente em que vivem, pois as conexões estabelecidas no interior do sistema configuram as pessoas. Gerar informação, consumi-la, reproduzi-la, dentro de um loop, substitui busca de sentido, de significado; é tudo que se quer.

Apesar do título de seu livro e de ter um capítulo dedicado aos blogs, estes não são o foco de Dean, mas, sim, as práticas mediáticas que se tornaram comuns com a chegada dos recursos digitais. A autora faz menção às características técnicas dos diários eletrônicos e examina as analogias mais comuns que são utilizadas para defini-los. Ela, porém, não se prende a visões mais tradicionais. Para além de aparências óbvias de blogs como diários eletrônicos ou formas de expressão de um novo jornalismo, Jodi Dean mostra como a prática deles está a serviço da expressão da subjetividade.

A autora vai buscar nas práticas epistolares do antigo Império Romano, assistida por estudos realizados por Michel Foucault, analogias para iluminar o sentido da escrita em diários eletrônicos. Revela que as correspondências produzidas pelos latinos tinham acima de tudo características de auto-escrita. A arte de escrever cartas era vista como um elemento de reflexão. Nesse sentido, importava pouco o que comunicar. Importava o próprio exercício de produzir as cartas, mesmo que estas não fossem enviadas aos seus destinatários. Essa é uma descoberta intrigante. O ato, a prática era mais importante que o escrito. E é isso o que acontece com os blogs: valem para eles as observações feitas para todo o sistema de comunicação digital. Eles são uma alternativa de ingresso na ciranda interminável de gerar e consumir informação, pouco importando o conteúdo. Também concretizam o sentimento de participação no qual se acentua a dimensão afetiva. Não são, assim, diferentes de qualquer outro formato que facilita a participação dos usuários na Web.

Blog Theory é um livro denso e exigente. A autora, para desenvolver seus argumentos, recorre a uma ampla literatura, influenciada principalmente por Lacan. Cada capítulo da obra mereceria uma resenha própria para que não se perdessem elementos importantes das análises feitas por Dean. Porém, os registros aqui feitos são suficientes para situar a obra e sua importância em áreas relacionadas com informação e comunicação. Importa assinalar como Blog Theory sugere novos modos de ver as NTICs em educação. O estudo de Dean mostra que aproveitamentos de qualidades aparentes da web para finalidades pedagógicas não podem acontecer de modo ingênuo. O predomínio de práticas de comunicação pela comunicação é um traço que deveria merecer análises críticas dos educadores. Usos educacionais das NTICs, caso ignorem uma visão crítica, irão apenas facilitar ingresso dos alunos em circuitos comunicativos que desconsideram conteúdos e significados.

Informação Profissional

novembro 30, 2021

Em 2019, preparei um curso, Orientación Laboral, que faria parte de um programa de especialização de profissionais de formação profissional, na Universidad Nacional de Lanús, Argentina. Veio a pandemia e o programa acabou não acontecendo em 2020, como o previsto. Acho que passou a oportunidade e a universidade não mais oferecerá o programa, ou então haverá um atraso muito grande em sua realização. Provavelmente outro professor assumirá o curso e fará um programa diferente do meu.

Para quem tiver algum interesse em informação profissional, publico aqui rascunho do meu curso.

Curso: Orientação Laboral

Professor: Jarbas Novelino Barato

Justificativa

Muitas vezes a busca por oportunidades de trabalho é desinformada. Estudantes do ensino médio, jovens em busca do primeiro emprego e trabalhadores desempregados pouco sabem sobre as tendências gerais do trabalho e sobre condições que poderiam melhorar suas possibilidades de acesso ao emprego. Tal situação resulta em dificuldades para se encontrar trabalho e para escolher caminhos adequados de capacitação profissional.

No campo da educação, desenvolveu-se uma prática conhecida como orientação profissional voltada para jovens dos últimos anos do ensino médio. Essa prática, baseada em técnicas psicológicas, buscava identificar que carreiras poderiam ser mais indicadas para os jovens estudantes. Tais carreiras eram sempre relacionadas com formação de nível universitário. Configurou-se assim uma tradição de orientação voltada para os filhos da classe média nos momentos que precediam ingresso dos estudantes no ensino superior.

Em orientação profissional utilizou-se com muita frequência de testes psicológicos para identificar ocupações mais adequadas para os jovens que estavam terminando o ensino médio. Ainda há aplicação de testes em alguns programas, mas estes não têm a mesma importância que tiveram no passado. Mas, ainda predomina a ideia de que certas qualidades inatas podem ser identificadas para direcionar a preparação profissional dos jovens. Ignoram-se quase sempre determinações sociais e históricas sobre o engajamento das pessoas no mercado de trabalho.

A capacitação profissional relacionada com atividades de orientação laboral são principalmente aquelas que exigem formação em nível universitário. Capacitações de nível básico ou médio não costumam ser consideradas. Entre outras consequências, isso leva jovens e suas famílias a não considerarem caminhos de preparação para o trabalho que não passam pelas universidades.

Estudos sobre o trabalho vêm mostrando que o desemprego é maior entre os jovens. E mais: apontam que dificuldades de acesso ao trabalho são muito maiores entre os jovens das camadas mais pobres da população (no Brasil, por exemplo, o percentual de jovens mais pobres desempregados fica na faixa dos 30%). O fenômeno é mundial e atinge tanto países desenvolvidos como países em desenvolvimento. Agências internacionais como a OIT e a UNESCO vêm estudando o fenômeno e propondo programas que possam apoiar os jovens na busca de trabalho e no acesso a oportunidades de capacitação profissional. O mesmo vem acontecendo em diversos países que adotam políticas públicas para enfrentar a questão do desemprego juvenil.

Há diversos critérios para definir a faixa de idade dos jovens trabalhadores. Adotaremos aqui o critério de que tal faixa abrange a população dos 16 aos 29 anos, pois é nessa faixa de idade que o desemprego é mais agudo. O limite inferir, 16 anos, é a idade mínima que a maior parte dos países considera para ingresso no mercado de trabalho. O limite superior de 29 anos separa o segmento de jovens do segmento de jovens adultos, faixa dos 30 as 39 anos, que têm índices de desemprego mais próximos da média geral.

Aos jovens desempregados mais pobres falta informação sobre trabalho e oportunidades de capacitação profissional. Falta também informação sobre os mecanismos de ingresso em empregos do mercado formal, sobretudo em empresas modernas. E esses jovens, geralmente, não recebem orientação laboral durante seus estudos no ensino médio e nos anos subsequentes à sua formação escolar.

O desemprego juvenil é agudo e os jovens mais pobres costumam não ter informações seguras sobre caminhos do trabalho. Por essa razão, este curso elegeu como alvo principal estudos sobre a situação dos jovens desempregados e ações de orientação laboral que possam apoia-los na busca de trabalho e de oportunidades de capacitação profissional. Dados os limites de tempo para nossas atividades, elegemos como foco principal do curso as questões de informação profissional. Entendemos que a informação profissional não é apenas produção de materiais sobre oportunidades de trabalho. Entendemos que a informação profissional deve ser um processo interativo no qual os jovens interessados tenham um papel ativo, e não apenas o de meros receptores. Esta, aliás, é uma orientação presente em vários projetos das organizações internacionais, órgãos de governo e organizações da sociedade civil.

A abordagem de orientação laboral que escolhemos buscará subsidiar a atividade prática do curso: a elaboração de um produto de informação profissional voltada para um grupo específico de jovens mais sujeitos ao desemprego. Esperamos que com isso os alunos tenham uma iniciação bem fundamentada sobre ações de orientação laboral que possam ser desenvolvidas para os jovens que mais têm dificuldades de encontrar caminhos para o trabalho decente em suas vidas.

Objetivos

  • Definir formação profissional e tecnológica em suas decorrências de atividades voltadas para obras.
  • Identificar tendências do trabalho que influenciam destinos profissionais
  • Examinar relações entre educação, formação profissional e trabalho.
  • Examinar possíveis resistências ao trabalho manual.
  • Analisar situação de desemprego juvenil, relacionando-a com educação, classe social e gênero.
  • Identificar tenências de desemprego dos jovens na América Latina, particularmente na Argentina.
  • Descrever programas de combate ao desemprego juvenil, desenvolvidos por órgãos das Nações Unidas.
  • Identificar os principais métodos de orientação vocacional e laboral.
  • Descrever as linhas gerais do método clínico de Bohoslavsky.
  • Definir as direções das abordagens sócio-históricas em orientação vocacional e laboral.
  • Distinguir orientação laboral de orientação ocupacional.
  • Mostrar a importância da informação profissional para os trabalhadores.
  • Relacionar as direções do trabalho decente propostas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) com escolhas ocupacionais que possam ser feitas pelos trabalhadores.
  • Relacionar formas de transição entre escola e trabalho.
  • Descrever como participação em programas de aprendizagem instrumenta a orientação laboral.
  • Indicar estratégias que podem colaborar com a superação de preconceitos quanto a ingresso de mulheres em ocupações em que predomina a presença  masculina.
  • Mostrar direções de orientação laboral que integrem em suas atividades tratamento equitativo com relação a gênero.
  • Descrever estratégias que integram ensino e orientação para o trabalho em cursos secundários.
  • Indicar como a orientação laboral pode se integrar a programas de capacitação profissional.
  • Produzir materiais informativos que possam auxiliar trabalhadores em processos de escolhas ocupacionais.
  • Relacionar medidas que podem ser desenvolvidas para integrar a orientação laboral em ações de educação permanente dos trabalhadores.
  • Citar arranjos que podem ser desenvolvidos na educação secundária para que os alunos tenham informação sobre trabalho e universo ocupacional.
  • Relacionar as principais tendências de orientação laboral.

Programa

  1. Saber do trabalho e educação
  2. Capacitação profissional em escolas
  3. Capacitação profissional no trabalho
  4. Saberes do fazer e educação
  • Desafios diante dos câmbios de paradigmas produtivos e tecnológicos.
  • Trabalho vivo X trabalho morto
  • Trabalho, sociedade e valores
  • Inserção laboral e desenvolvimento profissional
  • Projetos de integração escola trabalho
  • Programas de aprendizagem e orientação laboral
  • Objetivos da orientação laboral
  • Visão tradicional da orientação laboral
  • Visão informativa da orientação laboral
  • Métodos, ferramentas e técnicas
  • Abordagens tradicionais
  • Abordagem clínica
  • Abordagem sócio-histórica
  • Aspectos objetivos e subjetivos da orientação
  • Limites da orientação ocupacional
  • Orientação profissional X orientação para o trabalho
  • Orientação profissional e classes sociais
  • Orientação profissional e gênero
  • Recursos pessoais: motivação, autoestima, capacidades, destrezas, atitudes
  • Biografias educativas e laborais
  • Trabalho, educação e escola
  • Experiência profissional e capacitação profissional
  • Orientação laboral e formação contínua dos trabalhadores

Orientações para o trabalho prático

O trabalho prático será a elaboração e aplicação de um produto de informação profissional. Esse produto, preferentemente, deverá ser um material que utilize a internet como plataforma de publicação e de interação dos orientandos com informações previamente selecionadas.  Para organizar as dinâmicas de acesso e interação com as informações escolhidas sugerimos dois modelos, WebQuest ou WebGincana. Um e outro modelo, se usados adequadamente, garantem interação dos alunos com as informações e aprendizagem colaborativa. Os alunos do curso poderão escolher outros modelos que tenham também as características de interação e aprendizagem cooperativa dos dois modelos sugeridos.

A prática aqui proposta será elaborada por grupos de dois ou três alunos. E ela terá quatro momentos distintos:

  • Escolha do segmento de trabalhadores ou candidatos a emprego que será objeto da experimentação do material de informação profissional.
  • Elaboração e publicação do material na internet.
  • Aplicação do material com uma amostra representativa do segmento escolhido.
  • Relatório da aplicação.

No que segue, descrevemos em linhas gerais cada um desses momentos.

Escolha do segmento de trabalhadores ou candidatos a emprego. O curso irá priorizar estudo sobre jovens, na faixa dos 16 aos 29 anos, que enfrentam maiores problemas para conseguir emprego. Esse grupo populacional pode ser dividido em vários segmentos, tais como:

  • Estudantes de escolas de periferia que frequentam o último ano do ensino secundário e que pretendem ingressar no mercado de trabalho assim que terminarem seus estudos.
  • Jovens que já terminaram há algum tempo, um ou dois anos, seus estudos secundários, mas não conseguiram ainda emprego definitivo.
  • Jovens que já terminaram o ensino secundário e estão engajados no mercado informal de trabalho.
  • Jovens que já trabalharam no mercado formal por algum tempo, mas que se encontram desempregados há mais de três meses.
  • Trabalhadores assistidos por alguma organização governamental na busca de emprego (supõe-se que exista na Argentina algo equivalente aos Centros de Apoio ao Trabalhador-CAT’s que recebem desempregados e os orientam para oportunidades de trabalho ou de capacitação profissional).
  • Jovens com mais de 16 anos que não concluíram o ensino secundário e encontram-se no mercado buscando trabalho.
  • Mulheres jovens que podem buscar capacitação profissional em ocupações atualmente exercidas majoritariamente por homens. Entre tais ocupações merecem destaque: marcenaria, mecânica de automóveis, soldagem, programação de computadores.

A lista aqui apresentada é apenas um exemplo de possíveis segmentações da parcela jovem da população que mais enfrenta problemas de desemprego. Os alunos do curso poderão fazer outras escolhas, baseadas em seus conhecimentos ou em questões que gostariam de aprofundar.

A escolha do segmento para o qual o grupo irá produzir material de informação profissional deverá ser justificada. Além disso, características gerais do segmento escolhido deverão ser descritas. Finalmente, será preciso mostrar que necessidades de informação têm o segmento escolhido. Essa justificativa deverá ser um trabalho escrito com cerca de cinco páginas.

Elaboração e publicação do material na internet. O material, obviamente, cobrirá apenas aspectos limitados das necessidades de informação da clientela selecionada. Estima-se que a produção do material exigirá cerca de vinte horas de dedicação do grupo e deverá ser um produto cuja aplicação possa ser feita em cerca de três horas. O professor, na medida das necessidades, dará apoio á produção.

Aplicação do material com uma amostra representativa do segmento escolhido. O material deverá ser aplicado a uma amostra do segmento escolhido. A aplicação poderá ocorrer in loco – numa escola, numa organização social que presta assistência a jovens trabalhadores, num sindicato, num órgão de governo que presta assistência a trabalhadores etc. Poderá também ser aplicado via internet, desde que se consiga adesão de um grupo representativo da clientela.

Para a aplicação será preciso preparar um instrumento simples de registro para recolher opiniões da clientela escolhida e para avaliar resultados.

Relatório de aplicação. Após a aplicação do produto, o grupo deverá elaborar um memorial técnico para mostrar resultados da aplicação e adequação ou inadequação do trabalho desenvolvido. Além disso, convém apresentar uma conclusão em que se registre como o grupo viu a experiência e como esta pode indicar caminhos para novas iniciativas de informação profissional:

Avaliação

A avaliação do curso será efetivada por meio de apreciações do trabalho prático. Serão considerados especificamente: a Justificativa, o Produto e o Relatório de Aplicação. Para cada um deles, serão utilizadas rubricas com definição dos critérios a serem considerados e os níveis (quatro) de satisfação atingidos. Para efeito de aprovação, os grupos de trabalho precisam alcançar, em cada instrumento, média equivalente pelo menos ao terceiro quartil de satisfação. Se necessário, os resultados obtidos serão convertidos em notas e menções adotadas pelo programa na universidade.

Os três instrumentos de avaliação –  rubricas específicas para Justificativa, Produto, e Relatório Final – serão apresentados aos alunos no começo do curso.

Se possível, a elaboração de rubricas será desenvolvida com participação dos alunos.

Referências bibliográficas

ACEVEDO, Marleny, PRADA, John e ÁLVARE, PAULA. (2008. La educación para el trabajo de jóvenes em Colombia: mecanismo de insersión laboral y equidad?  Bogota: Fundación Carolina CeALCI. [https://www.fundacioncarolina.es/wp-content/uploads/2014/07/Avance_Investigacion_23.pdf]

ANDRADE, Carla.  (2008). Juventude e Trabalho: Alguns Aspectos do Cenário Brasileiro Contemporâneo. IPEA Mercado de Trabalho – 37 – novembro, 2008. [http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/4077/1/bmt37_09_juventude_e_trabalho.pdf ]

ANDRADE, Josemberg; MEIRA, Girlena e VASCONCELOS, Zandre. (2002). O processo de orientação vocacional frente ao século XXI: perspectivas e desafios. Psicol. cienc. prof. vol.22 no.3 Brasília Sept. 2002. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932002000300008 ]

ARGENTINA. (sd). Talleres de Orentación Laboral (TOL): Propuestas de trabajo para el capacitador. Ministerio de Trabajo, Empleo y Seguridad Social. [http://trabajo.gob.ar/downloads/formacioncontinua/TOL_Propuesta_para_el_capacitador.pdf ]

BARATO, Jarbas. (2016). Trabajo, conocimiento y formación professional. Montevideo: OIT/Cinterfor. [http://www.oitcinterfor.org/sites/default/files/file_publicacion/trab_con_fp_jarbas_web_0.pdf]

BARATO, Jarbas Novelino. (2015). Fazer bem feito: valores em educação profissional e tecnológica. Brasília: UNESCO. [https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000233600]

BELL, Donnalee e BENES, Krista. (2016). Improving de School-to-Work  Transitions of Youth in Canada: A Scoping Review. Ottawa: CCDF-FCDC. [https://cica.org.au/wp-content/uploads/School-to-Work-Transitions-A-Scoping-Review-FINAL.pdf]

BIAVASCHI, Constanza et ali. (2012). Youth Unemployemnt and Vocational  Training (Discussion Paper nº 6890). Forschungsinstitut zur Zukunft der ArbeitInstitute for the Study of Labor. [http://ftp.iza.org/dp6890.pdf]

BOCK. Silvio. (2018). Orientação Profissional para as Classes Pobres. (2018). São Paulo: Cortez.

BOCK, Silvio. (2014). Orientação profissional: A abordagem sócio-histórica. São Paulo: Cortez.

BOHOLASVSKY, Rodolfo. (2015). Orientação Profissional: A estratégia clínica. São Paulo: Martins Fontes.

BOHOLASVSKY, Rodolfo. (1976). Orientación Professional – La Estrategia Clínica. Buenos Aires: Nueva Vision.

BONELLI, Angela. (2003). La orientacion como proceso. Buenos Aires: Bonum. [https://books.google.com.br/books?id=vbqfc1vsYaQC&printsec=frontcover&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false]

BREWER, Laura. (2013).  Enhancing youth employability:What? Why? and How? Guide to core work skills. International Labor Organization. [  https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—ed_emp/—ifp_skills/documents/publication/wcms_213452.pdf]

BREWER, Laura. (2005). Jóvenes em situación de riesgo:La función del desarollo de calificaciones com vía para facilitar na incorporación al mundo del trabajo. Ginebra: Oficina Internacional del Trabajo.  [https://www.oei.es › historico › etp › jovenes_situacion_riesgo_oit]

CALIENDRO, Marco e SCHMIDL, Ricarda. (2016). Youth unemployment and active labor market policies  in Europe.  IZA Journaal of Labor Policy volume 5, Article number: 1 (2016).[ https://izajolp.springeropen.com/articles/10.1186/s40173-016-0057-x]

CARON, Patrick e CHATAIGNER, Jean-Marc(Coord.).  (2017). Un défi par la planète: Les objectifs de développment durable em débat. Marseille:  Institute de Recherce pour le Développement. [http://horizon.documentation.ird.fr/exl-doc/pleins_textes/divers19-05/010071145.pdf]

COSTA, Janaina. (2007). Orientação profissional: um outro olhar.  Psicol. USP vol.18 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2007. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642007000400005 ]

CRUZ-MANTE, Loree (coord). (2011). Guiding Youth Careers: A Handbook  for those who help young jobseekers. Manille: International Labor Office. [https://www.ilo.org/skills/pubs/WCMS_154445/lang–en/index.htm ]

CRUZ-MANTE, Loree. (2011). L’Orientation Profisionnelle des Jeunes: Manuel À l’intention des ceux que aident les jeunes. Manille: Bureau Internationale du Travail. [https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—ed_emp/—ifp_skills/documents/publication/wcms_154479.pdf]

Diseño de un Manual de Servicios de Orientación Vocacional con un apartado específico para atender las necesidades de jóvenes. (2015). Ecuador: Oficina Internacional del Trabajo. [https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—ed_emp/—ed_emp_msu/documents/projectdocumentation/wcms_448447.pdf ]

EHRLICH, Irene; CASTRO, Fernando  e SOARES Dulce Helena. (2000). Orientação Profissional: liberdade e determinantes da escolha profissional. Revista de Ciências Humanas, Florianópolis : EDUFSC, n.28, p.61-79, out. de 2000. [https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/viewFile/24001/21477  ]

ESTADO DE SÃO PAULO. (2008). Caminhos do Trabalho (conjunto de vídeos interativos).  São Paulo: Secretaria de Emprego e Trabalho do Estado de São Paulo.

FERRETTI, Celso. (1992). Uma Nova Proposta de Orientação Profissional. São Paulo: Cortez.

FERRETTI, Celso. (1976). A mulher e a escolha vocacional. Cadernos de Pesquisa, n. 16, 1976. São Paulo. [http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/1787]

GALVAN, Estefania e SANCHEZ, Ana Belén. (2016). La Inserción Sociolaboral con jóvenes em situación de riesgo de exclusión social: papel del Educador Social. Revista de Educación Social. Número 23. TEMA: EXPERIENCIAS, INVESTIGACIONES. 26/7/2016. [http://www.eduso.net/res/23/articulo/la-insercion-sociolaboral-con-jo ]

Informe de Seguimiento de la EPT em el Mundo. Los Jóvenes y las Competencias: Trabajar com la Educación. (2012). Paris: UNESCO. [https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000218083]

INGOLD, Tim. (1999). Three in One: On Dissolving the Distinction Between Body, Mind and Culture. (Working Paper). University of Manchester. [http://lchc.ucsd.edu/mca/Paper/ingold/ingold2.htm ]

Jeune chômeur-euse? Mes droits. Un petit guide pratique. (s.d.). Berne: UNIA. [https://www.unia.ch/uploads/media/Brosch_Jugendarbeitslosigk_fr_web.pdf]

JACINTO, Claudia (Coord.). (2013). Incluir a los Jóvenes: Retos para la educación terciaria técnica em América Latina. Paris: IIPE-UNESCO.  [https://www.buenosaires.iiep.unesco.org/es/publicaciones/incluir-los-jovenes]

KIS, Viktória. (2016). Work-based Learning for Youth at Risk : Getting Employers on Board.OECD. [http://www.oecd.org/education/skills-beyond-school/Work-based_Learning_For_Youth_At_Risk-Getting_Employers_On_Board.pdf]

LISBOA, MD.(2008). Orientação vocacional/ocupacional: projeto profissional e compromisso com o eixo social. In ZANELLA, AV., et al., org. Psicologia e práticas sociais. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. [http://books.scielo.org/id/886qz/pdf/zanella-9788599662878-17.pdf]

LUCCHIARI, Dulce Helena (Org.). (2017). Pensando e Vivendo a Orientação Profissional. São Paulo: Summus Editorial.

MAURA, Viviana. (2004). La orientación profesional y Currículum Universitario. Barcelona: Laertes.

MAURA, Viviana. (2006). La formación de competências profesionales en la universidad. Reflexiones y experiencias desde una perspectiva educativa. Revista de Educación, 8 (2006). Universidad de Huelva. [https://core.ac.uk/download/pdf/41563302.pdf]

MAURA, Viviana. (2003). La Orientación Professional desde La perspectiva Historico Cultural Del Desarollo Humano. Revista Cubana de Psicología, Vol. 20, No. 3, 2003. [https://docplayer.es/12354902-La-orientacion-profesional-desde-la-perspectiva-historico-cultural-del-desarrollo-humano-dra-viviana-gonzalez-maura-cepes-universidad-de-la-habana.html ]

MAY, Brian (Chair). (2018). Experiential Learning  and Pathways to Employement for Canadian Youth. Ottawa: Canada House of Commons. [https://www.ourcommons.ca/Content/Committee/421/HUMA/Reports/RP10078738/humarp12/humarp12-e.pdf ]

MJELDE, Liv. (2016). Las propriedades mágicas de la formación em el taller. Montevideo: OIT/Cinterfor. [http://www.oitcinterfor.org/publicaciones/formacion_taller ]

MOORE, David. (1999). Toward a Theory of Wok-Based Learning. (Working Paper). Columbia Unversity.

POCHMAN, Marcio. (2004). Educação e trabalho: como desenvolver uma relação virtuosa? Educ. Soc. vol.25 no.87 Campinas May/Aug. 2004. [http://www.scielo.br/pdf/es/v25n87/21462.pdf ]

RIBEIRO, Marcel. (2011). Juventude e trabalho: construindo a carreira em situação de vulnerabilidade. Arq. bras. psicol. vol.63 no.spe Rio de Janeiro  2011. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672011000300007]

ROBERTSON, Peter. (2013). The well-being outcomes of career guidance. Br J Guid Counc. 2013 Jun; 41(3): 254–266. [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3756630/]

RODRIGUES, Aline Hofmann e JCOBY, Alessandra Rodrigues. (2013). A importância da orientação profissional no processo de escolha para o mercado de trabalho. (documento de trabalho). Faculdades Integradas de Taquara – FACCAT. [https://psicologia.faccat.br/blog/wp-content/uploads/2013/11/Aline.pdf ]

ROSE, Mike. (2016). Mentes Trabajando. Uma valoración de la inteligência del trabajador estadounidense. Montevideo: OIT/Cinterfor. [http://www.oitcinterfor.org/publicaciones/mentestrabajando_rose]

ROSE, Mike. (2015). De Volta à Escola: Porque Todos Merecem uma Segunda Chance na Educação. São Paulo: Editora SENAC.

SALVIA, Agustin. (2013). Juventudes, problemas de empleo y riesgos de exclusión social: El actual escenario de crisis internacional en Argentina. Friedrich-Ebert-StiftungDepartamento Política Global y DesarrolloHiroshimastraße 28 | 10785 Berlin. [[http://wadmin.uca.edu.ar/public/20180423/1524491373_Juventudes]

SPARTA, Monica. 2003), O desenvolvimento da orientação profissional no Brasil. Rev. bras. orientac. prof v.4 n.1-2 São Paulo dez. 2003. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-33902003000100002 ]

ZIMMER, Melanie J. e MORTIMER. (2006). Adolescent Work, Vocational Development and Education. Rev Educ Res. 2006 Dec; 76(4): 537–566. [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1832157/ ]

ZIMMERMANN, Klaus et alii. (2013). Youth Unemployment and Vocational Training. Bonn: NOW.[ http://ftp.iza.org/dp6890_final.pdf]

WICKERT, Luciana. (2006) Desemprego e Juventude: Jovens em Busca do Primeiro Emprego. Psicologia Ciência e Profissão, vol. 26, núm. 2, junio, 2006, pp. 258-269Conselho Federal de PsicologiaBrasília, Brasil. [https://www.redalyc.org/pdf/2820/282021740008.pdf ]

WENGER, Etienne. (1999). Communities of Practice: Learning, Meaning na Identity. Cambridge: Cambridge University Press.

WILLIS, Paul. (2017). Aprendiendo a Trabajar: Como los chicos de la clase obrera consiguen trabajos de classe obrera. Buenos Aires: Akal.

Referências em webpages

Há, em páginas web, um número muito grande de informações sobre assuntos relacionados com o curso, produzidas por agências internacionais, especialistas, instituições de educação profissional, emissoras de TV etc. Essas páginas podem ser apenas textuais, ou podem ser textos combinados com vídeos, ou vídeos. Elas podem ser uma fonte interessante sobre orientação laboral. Não é fácil, porém, selecionar as melhores páginas web sobre o assunto. Para tanto, é preciso fazer um paciente trabalho de garimpagem. Isso pode ser bastante demorado. E a tarefa, preferencialmente, deve ser um empreendimento de grupo.

Fiz uma seleção preliminar de webpáginas que podem ser interessantes para o curso. Elas, porém, ainda não foram devidamente avaliadas. São uma mostra do que pode ser encontrado na internet. Representam apenas um primeiro esforço no sentido de selecionar os melhores recursos da rede www que possam enriquecer um painel de informações para o curso. No que segue, indico as páginas selecionadas e comento brevemente cada uma delas.

  1. As dificuldades dos jovens no mercado de emprego de Portugal

https://pt.euronews.com/2015/03/10/as-dificuldades-dos-jovens-no-mercado-de-emprego-de-portugal

Comentário. Portugal é uma dos países que enfrenta uma das maiores taxas de desemprego dos jovens. A matéria, em vídeo e texto, apresenta uma reportagem sobre o assunto. Na parte final do vídeo, apresentam-se dados sobre a questão na Irlanda. Pode ser mais uma referência para comparar com nossos países na América latina.

  • Canadian Journal of Career Development

http://cjcdonline.ca/archives/

Comentário. A revista Canadian Journal of Career Development é uma publicação de acesso gratuito. Eu a selecionei porque prováveis interessados poderão percorrer os números da publicação e buscar matérias no campo do desenvolvimento profissional.

3.      Chômage des jeunes et stabilité sociopolitique au Cameroun de 1990 à nos jours

https://www.researchgate.net/publication/301502202_Chomage_des_jeunes_et_stabilite_sociopolitique_au_Cameroun_de_1990_a_nos_jours

Comentário. Texto de comunicação feita no Congresso Internacional Sobre Desemprego Juvenil na África. Dados e comentários se referem a um país, Camarões. Mas, a análise vale para outras partes do mundo, pois o problema é global.

  • Entrevista com Silvio Bock

http://www.nace.com.br/doc/entrevrj.pdf

Comentário. Silvio Bock é uma das referências em orientação vocacional no Brasil. Nessa entrevista ele esclarece diversos tópicos sobre a matéria, mostrando avanços na linha de uma orientação que leva em conta a abordagem sócio-histórica.

5.      Estratégia Clínica Rodolfo Bohoslavsky artigos e trabalhos de pesquisa

https://www.trabalhosfeitos.com/topicos/estrat%C3%A9gia-cl%C3%ADnica-rodolfo-bohoslavsky/0

Comentário. Coleção de resenhas, artigos e trabalhos escolares sobre a obra de Rodolfo Bohoslavsy.

6.      Giovani e lavoro: il futuro negato. Cosa possiamo fare

Autor: Angelo Romano

Comentário. A página traz um artigo que eu poderia relacionar nas referências convencionais. Mas, como a matéria está publicada em página web, preferi relaciona-la aqui. O autor comenta a situação dos jovens italianos no mercado de trabalho. São bastante interessantes os gráficos sobre taxas de ocupação por faixas de idade. Vale imaginar ou elaborar gráficos semelhantes para nossos países na América Latina.

  • Giovani e lavoro, prospettive per il 2019

Comentário. Artigo mostrando como está atualmente a situação de trabalho dos jovens italianos. Para o articulista é uma das piores da Europa. Vale comparar com a Espanha e a Grécia. Recorro ao exemplo italiano para mostrar que a questão do desemprego juvenil é universal, embora seja mais dramática nos países mais pobres.

8.      Guidance: supporting youth to manage their careers.

https://www.cedefop.europa.eu/et/toolkits/vet-toolkit-tackling-early-leaving/intervention-approaches/guidance-supporting-youth-manage-their-careers .  

Comentário. Recurso produzido pelo CEDEFOP (Centre Européen pour le Développement de la Formation Professionnelle). O material se destina a jovens, educadores e pais. Busca mostrar que a formação profissional pode ser um caminho interessante para os jovens. Da página web é possível acessar material informativo produzido em word, abordando diversos temas sobre orientação profissional para jovens.

  • Jeune chômeur-euse? Mês droits. (publicação de um sindicato suiço)

Comentário. O UNIA, sindicato suiço, tem uma publicação interessante para orientar os jovens sobre os problemas do desemprego. Este material está também listado nas referências bibliográficas. Vale ver o material para se ter uma visão a partir de interesses dos trabalhadores. Copio trecho em que a publicação define desemprego juvenil:

Le chômage des jeunes peut prendre différentes formes: pas d’emploi, pas de place d’apprentissage, pas de place de formation, pas d’emploi stable, pas d’emploi à plein temps, etc. Cette brochure permet de comprendre les grandes lignes de l’assurancechômage et de l’aide sociale. Elle décrit les démarches à entreprendre, elle explique ce qu’il faut faire et ce qu’il faut éviter, les droits et les devoirs des jeunes chômeurs et chômeuses.

  1. O jovem e o desemprego

 Comentário. Matéria especial do Jornal da TV Cultura, Fundação Padre Anchieta. Além de dados de reportagem, o vídeo apresenta as opiniões do economista Ladislaw Dowbor (professor da PUC) e do pesquisador Rafael Urbano. As informações dos dois convidados dão uma ideia de como anda o desemprego juvenil no Brasil. Há muita semelhança entre o que acontece no país e em outras partes da América Latina.

11.  Orientação vocacional – entrevista com o orientador Silvio Bock

Comentário. Entrevista com Silvio Bock. A conversa é encaminhada a partir de perguntas de alunos que estão tentando iniciar estudos na universidade. No geral, as respostas de Silvio Bock mostram necessidade de informação profissional em processos de escolha. Infelizmente a qualidade do vídeo não é muito boa.

  1. Plataforma de recursos da OIT, versão em espanhol.

https://www.ilo.org/global/topics/dw4sd/themes/lang–es/index.htm

Comentário. A Organização Internacional do Trabalho tem uma plataforma informativa sobre o trabalho, incluindo desemprego, questões de gênero, emprego juvenil. Da plataforma é possível navegar para os temas de interesse de quem busca informação sobre trabalho e educação.  Percorri inicialmente a plataforma em francês e inglês. Depois percebi que a mesma tem uma versão para o espanhol. Isso pode facilitar utilização do recurso em nossos estudos.

  1. Plataform de Resources: Emploi des Jeunes. https://www.ilo.org/global/topics/dw4sd/themes/youth-employment/lang–fr/index.htm

Comentário. A página é uma seção da Plataforma de Recursos da OIT (Organização Internacional do Trabalho). O conteúdo examina a questão do grande desemprego dos jovens e remete a vários recursos produzidos no âmbito da OIT sobre políticas públicas, sugestões e estudos que podem ser interessantes para compor painéis de como encaminhar a orientação laboral, sobretudo para as camadas menos privilegiadas da população.

  1. Proportion des jeunes qui ne sont ni en emploi, ni étudiants ni en formation (taux de jeunes NEET)

Comentário. Essa página da OIT comenta a questão dos jovens que nem trabalham, nem estudam (jovens nem-nem, em português; jóvenes ni-ni, em espanhol). A matéria discute como as estatísticas são elaboradas e qual é a dimensão do fenômeno nem-nem no universo do trabalho. O tema certamente é importante em orientação laboral, pois o número de jovens que nem trabalham nem estudam é muito grande no mundo todo. E esses jovens são uma clientela bastante específica para ações de orientação laboral.

  1. Revista Brasileira de Orientação Profissional

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1679-339020180001&lng=pt&nrm=iso

Comentário. Selecionei o site da Revista Brasileira de Orientação Profissional porque a publicação é de acesso livre e pode ser uma fonte interessante para pesquisar textos sobre a matéria. Me parece que a linha da publicação está mais voltada para uma orientação profissional que tem por objetivo assistir jovens que estão às vésperas de ingresso nas universidades.  Mesmo assim, vale percorrer números da revista para verificar se há matérias mais próximas de orientação laboral,

16.  Solving global youth unemployment

Comentário. O vídeo é uma das produções do hoje bastante popular TED (Technology, Entertainment, and Design). Copio o texto que aparece no Youtube sobre a fala da confenrencista:

Mona Mourshed has led engagements across the world in Asia, Europe, South America, the Middle East, and the United States, supporting school systems and vocational higher-education institutions to improve students’ skills, their chances of finding jobs, and their day-to-day lives. Her most recent work, focused on youth unemployment, is unlocking the global conundrum of high levels of joblessness among young people and a shortage of job seekers with critical skills. In order to tackle this looming global issue, Mona has assisted in the design, implementation, and reforming of strategies to improve student outcomes in schools; one program nearly doubling literacy rates to 86 percent at the primary-school level in four years.

Minha impressão é de que Mona Mourshed sugere que o desemprego pode ser superado por meio de educação. Esse é um ponto de vista que precisa ser mais discutido. De qualquer forma, a fala de Mona é uma referência interessante de opinião sobre a relação entre educação, juventude e desemprego.

  1. Tackling Youth Unemployment: Bridging the Skills Acquisition Gap

Comentário. Esse é um material promocional da ARC, organização que promove formação profissional técnica em articulação com o setor privado, governos e ONGs. Aparentemente coloca a culpa do desemprego na ausência de educação dos desempregados. Essa é uma interpretação que merece críticas. Mas, vale ver o material para verificar como um dos entendimentos sobre educação profissional é proposto e desenvolvido.

  1. Un jeune sur quatre au chômage? 

https://www.lumni.fr/video/un-jeune-sur-quatre-au-chomage

Comentário. Vídeo bastante didático sobre o desemprego juvenil. Serve de ilustração para conversas sobre formação profissional, mercado de trabalho e dificuldades dos jovens para conseguirem emprego.

  1. Vocational Training in Kyrgyzstan

Comentário. Reportagem sobre formação profissional no Quirziquistão. Selecionei esse vídeo como uma curiosidade. Mas, a matéria contém informações interessantes sobre formação profissional.

  • Youth Unemployent: Skills Development and Training

https://www.ilo.org/youthmakingithappen/Topics/01.html

Comentário. Página que apresenta exemplos de diversos países no encaminhamento sobre emprego e formação de jovens. Essas informações são apresentadas sinteticamente num quadro que resume direções dos projetos.

  • Resumos de obras sobre orientação profissional

https://www.studocu.com/en/document/pontificia-universidad-catolica-argentina/orientacion-vocacional/summaries/resumen-final-orientacion-vocacional/2813956/view

Comentário. Material elaborado por aluno de curso sobre Orientação Profissional na PUC Argentina. Os textos trazem resumos de alguns trechos de bibliografia sobre a matéria.

  • Aula de Rodolfo Bohoslavsky no Brasil

Comentário. O psicólogo e educador argentino. Rodolfo Bohoslavsky, autor de Orientación Profesional – La Estatégia Clínica, trabalhou no Brasil. Esse material registra uma das aulas de Bohoslasvsky na Universidade de São Paulo.