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Informação Profissional

novembro 30, 2021

Em 2019, preparei um curso, Orientación Laboral, que faria parte de um programa de especialização de profissionais de formação profissional, na Universidad Nacional de Lanús, Argentina. Veio a pandemia e o programa acabou não acontecendo em 2020, como o previsto. Acho que passou a oportunidade e a universidade não mais oferecerá o programa, ou então haverá um atraso muito grande em sua realização. Provavelmente outro professor assumirá o curso e fará um programa diferente do meu.

Para quem tiver algum interesse em informação profissional, publico aqui rascunho do meu curso.

Curso: Orientação Laboral

Professor: Jarbas Novelino Barato

Justificativa

Muitas vezes a busca por oportunidades de trabalho é desinformada. Estudantes do ensino médio, jovens em busca do primeiro emprego e trabalhadores desempregados pouco sabem sobre as tendências gerais do trabalho e sobre condições que poderiam melhorar suas possibilidades de acesso ao emprego. Tal situação resulta em dificuldades para se encontrar trabalho e para escolher caminhos adequados de capacitação profissional.

No campo da educação, desenvolveu-se uma prática conhecida como orientação profissional voltada para jovens dos últimos anos do ensino médio. Essa prática, baseada em técnicas psicológicas, buscava identificar que carreiras poderiam ser mais indicadas para os jovens estudantes. Tais carreiras eram sempre relacionadas com formação de nível universitário. Configurou-se assim uma tradição de orientação voltada para os filhos da classe média nos momentos que precediam ingresso dos estudantes no ensino superior.

Em orientação profissional utilizou-se com muita frequência de testes psicológicos para identificar ocupações mais adequadas para os jovens que estavam terminando o ensino médio. Ainda há aplicação de testes em alguns programas, mas estes não têm a mesma importância que tiveram no passado. Mas, ainda predomina a ideia de que certas qualidades inatas podem ser identificadas para direcionar a preparação profissional dos jovens. Ignoram-se quase sempre determinações sociais e históricas sobre o engajamento das pessoas no mercado de trabalho.

A capacitação profissional relacionada com atividades de orientação laboral são principalmente aquelas que exigem formação em nível universitário. Capacitações de nível básico ou médio não costumam ser consideradas. Entre outras consequências, isso leva jovens e suas famílias a não considerarem caminhos de preparação para o trabalho que não passam pelas universidades.

Estudos sobre o trabalho vêm mostrando que o desemprego é maior entre os jovens. E mais: apontam que dificuldades de acesso ao trabalho são muito maiores entre os jovens das camadas mais pobres da população (no Brasil, por exemplo, o percentual de jovens mais pobres desempregados fica na faixa dos 30%). O fenômeno é mundial e atinge tanto países desenvolvidos como países em desenvolvimento. Agências internacionais como a OIT e a UNESCO vêm estudando o fenômeno e propondo programas que possam apoiar os jovens na busca de trabalho e no acesso a oportunidades de capacitação profissional. O mesmo vem acontecendo em diversos países que adotam políticas públicas para enfrentar a questão do desemprego juvenil.

Há diversos critérios para definir a faixa de idade dos jovens trabalhadores. Adotaremos aqui o critério de que tal faixa abrange a população dos 16 aos 29 anos, pois é nessa faixa de idade que o desemprego é mais agudo. O limite inferir, 16 anos, é a idade mínima que a maior parte dos países considera para ingresso no mercado de trabalho. O limite superior de 29 anos separa o segmento de jovens do segmento de jovens adultos, faixa dos 30 as 39 anos, que têm índices de desemprego mais próximos da média geral.

Aos jovens desempregados mais pobres falta informação sobre trabalho e oportunidades de capacitação profissional. Falta também informação sobre os mecanismos de ingresso em empregos do mercado formal, sobretudo em empresas modernas. E esses jovens, geralmente, não recebem orientação laboral durante seus estudos no ensino médio e nos anos subsequentes à sua formação escolar.

O desemprego juvenil é agudo e os jovens mais pobres costumam não ter informações seguras sobre caminhos do trabalho. Por essa razão, este curso elegeu como alvo principal estudos sobre a situação dos jovens desempregados e ações de orientação laboral que possam apoia-los na busca de trabalho e de oportunidades de capacitação profissional. Dados os limites de tempo para nossas atividades, elegemos como foco principal do curso as questões de informação profissional. Entendemos que a informação profissional não é apenas produção de materiais sobre oportunidades de trabalho. Entendemos que a informação profissional deve ser um processo interativo no qual os jovens interessados tenham um papel ativo, e não apenas o de meros receptores. Esta, aliás, é uma orientação presente em vários projetos das organizações internacionais, órgãos de governo e organizações da sociedade civil.

A abordagem de orientação laboral que escolhemos buscará subsidiar a atividade prática do curso: a elaboração de um produto de informação profissional voltada para um grupo específico de jovens mais sujeitos ao desemprego. Esperamos que com isso os alunos tenham uma iniciação bem fundamentada sobre ações de orientação laboral que possam ser desenvolvidas para os jovens que mais têm dificuldades de encontrar caminhos para o trabalho decente em suas vidas.

Objetivos

  • Definir formação profissional e tecnológica em suas decorrências de atividades voltadas para obras.
  • Identificar tendências do trabalho que influenciam destinos profissionais
  • Examinar relações entre educação, formação profissional e trabalho.
  • Examinar possíveis resistências ao trabalho manual.
  • Analisar situação de desemprego juvenil, relacionando-a com educação, classe social e gênero.
  • Identificar tenências de desemprego dos jovens na América Latina, particularmente na Argentina.
  • Descrever programas de combate ao desemprego juvenil, desenvolvidos por órgãos das Nações Unidas.
  • Identificar os principais métodos de orientação vocacional e laboral.
  • Descrever as linhas gerais do método clínico de Bohoslavsky.
  • Definir as direções das abordagens sócio-históricas em orientação vocacional e laboral.
  • Distinguir orientação laboral de orientação ocupacional.
  • Mostrar a importância da informação profissional para os trabalhadores.
  • Relacionar as direções do trabalho decente propostas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) com escolhas ocupacionais que possam ser feitas pelos trabalhadores.
  • Relacionar formas de transição entre escola e trabalho.
  • Descrever como participação em programas de aprendizagem instrumenta a orientação laboral.
  • Indicar estratégias que podem colaborar com a superação de preconceitos quanto a ingresso de mulheres em ocupações em que predomina a presença  masculina.
  • Mostrar direções de orientação laboral que integrem em suas atividades tratamento equitativo com relação a gênero.
  • Descrever estratégias que integram ensino e orientação para o trabalho em cursos secundários.
  • Indicar como a orientação laboral pode se integrar a programas de capacitação profissional.
  • Produzir materiais informativos que possam auxiliar trabalhadores em processos de escolhas ocupacionais.
  • Relacionar medidas que podem ser desenvolvidas para integrar a orientação laboral em ações de educação permanente dos trabalhadores.
  • Citar arranjos que podem ser desenvolvidos na educação secundária para que os alunos tenham informação sobre trabalho e universo ocupacional.
  • Relacionar as principais tendências de orientação laboral.

Programa

  1. Saber do trabalho e educação
  2. Capacitação profissional em escolas
  3. Capacitação profissional no trabalho
  4. Saberes do fazer e educação
  • Desafios diante dos câmbios de paradigmas produtivos e tecnológicos.
  • Trabalho vivo X trabalho morto
  • Trabalho, sociedade e valores
  • Inserção laboral e desenvolvimento profissional
  • Projetos de integração escola trabalho
  • Programas de aprendizagem e orientação laboral
  • Objetivos da orientação laboral
  • Visão tradicional da orientação laboral
  • Visão informativa da orientação laboral
  • Métodos, ferramentas e técnicas
  • Abordagens tradicionais
  • Abordagem clínica
  • Abordagem sócio-histórica
  • Aspectos objetivos e subjetivos da orientação
  • Limites da orientação ocupacional
  • Orientação profissional X orientação para o trabalho
  • Orientação profissional e classes sociais
  • Orientação profissional e gênero
  • Recursos pessoais: motivação, autoestima, capacidades, destrezas, atitudes
  • Biografias educativas e laborais
  • Trabalho, educação e escola
  • Experiência profissional e capacitação profissional
  • Orientação laboral e formação contínua dos trabalhadores

Orientações para o trabalho prático

O trabalho prático será a elaboração e aplicação de um produto de informação profissional. Esse produto, preferentemente, deverá ser um material que utilize a internet como plataforma de publicação e de interação dos orientandos com informações previamente selecionadas.  Para organizar as dinâmicas de acesso e interação com as informações escolhidas sugerimos dois modelos, WebQuest ou WebGincana. Um e outro modelo, se usados adequadamente, garantem interação dos alunos com as informações e aprendizagem colaborativa. Os alunos do curso poderão escolher outros modelos que tenham também as características de interação e aprendizagem cooperativa dos dois modelos sugeridos.

A prática aqui proposta será elaborada por grupos de dois ou três alunos. E ela terá quatro momentos distintos:

  • Escolha do segmento de trabalhadores ou candidatos a emprego que será objeto da experimentação do material de informação profissional.
  • Elaboração e publicação do material na internet.
  • Aplicação do material com uma amostra representativa do segmento escolhido.
  • Relatório da aplicação.

No que segue, descrevemos em linhas gerais cada um desses momentos.

Escolha do segmento de trabalhadores ou candidatos a emprego. O curso irá priorizar estudo sobre jovens, na faixa dos 16 aos 29 anos, que enfrentam maiores problemas para conseguir emprego. Esse grupo populacional pode ser dividido em vários segmentos, tais como:

  • Estudantes de escolas de periferia que frequentam o último ano do ensino secundário e que pretendem ingressar no mercado de trabalho assim que terminarem seus estudos.
  • Jovens que já terminaram há algum tempo, um ou dois anos, seus estudos secundários, mas não conseguiram ainda emprego definitivo.
  • Jovens que já terminaram o ensino secundário e estão engajados no mercado informal de trabalho.
  • Jovens que já trabalharam no mercado formal por algum tempo, mas que se encontram desempregados há mais de três meses.
  • Trabalhadores assistidos por alguma organização governamental na busca de emprego (supõe-se que exista na Argentina algo equivalente aos Centros de Apoio ao Trabalhador-CAT’s que recebem desempregados e os orientam para oportunidades de trabalho ou de capacitação profissional).
  • Jovens com mais de 16 anos que não concluíram o ensino secundário e encontram-se no mercado buscando trabalho.
  • Mulheres jovens que podem buscar capacitação profissional em ocupações atualmente exercidas majoritariamente por homens. Entre tais ocupações merecem destaque: marcenaria, mecânica de automóveis, soldagem, programação de computadores.

A lista aqui apresentada é apenas um exemplo de possíveis segmentações da parcela jovem da população que mais enfrenta problemas de desemprego. Os alunos do curso poderão fazer outras escolhas, baseadas em seus conhecimentos ou em questões que gostariam de aprofundar.

A escolha do segmento para o qual o grupo irá produzir material de informação profissional deverá ser justificada. Além disso, características gerais do segmento escolhido deverão ser descritas. Finalmente, será preciso mostrar que necessidades de informação têm o segmento escolhido. Essa justificativa deverá ser um trabalho escrito com cerca de cinco páginas.

Elaboração e publicação do material na internet. O material, obviamente, cobrirá apenas aspectos limitados das necessidades de informação da clientela selecionada. Estima-se que a produção do material exigirá cerca de vinte horas de dedicação do grupo e deverá ser um produto cuja aplicação possa ser feita em cerca de três horas. O professor, na medida das necessidades, dará apoio á produção.

Aplicação do material com uma amostra representativa do segmento escolhido. O material deverá ser aplicado a uma amostra do segmento escolhido. A aplicação poderá ocorrer in loco – numa escola, numa organização social que presta assistência a jovens trabalhadores, num sindicato, num órgão de governo que presta assistência a trabalhadores etc. Poderá também ser aplicado via internet, desde que se consiga adesão de um grupo representativo da clientela.

Para a aplicação será preciso preparar um instrumento simples de registro para recolher opiniões da clientela escolhida e para avaliar resultados.

Relatório de aplicação. Após a aplicação do produto, o grupo deverá elaborar um memorial técnico para mostrar resultados da aplicação e adequação ou inadequação do trabalho desenvolvido. Além disso, convém apresentar uma conclusão em que se registre como o grupo viu a experiência e como esta pode indicar caminhos para novas iniciativas de informação profissional:

Avaliação

A avaliação do curso será efetivada por meio de apreciações do trabalho prático. Serão considerados especificamente: a Justificativa, o Produto e o Relatório de Aplicação. Para cada um deles, serão utilizadas rubricas com definição dos critérios a serem considerados e os níveis (quatro) de satisfação atingidos. Para efeito de aprovação, os grupos de trabalho precisam alcançar, em cada instrumento, média equivalente pelo menos ao terceiro quartil de satisfação. Se necessário, os resultados obtidos serão convertidos em notas e menções adotadas pelo programa na universidade.

Os três instrumentos de avaliação –  rubricas específicas para Justificativa, Produto, e Relatório Final – serão apresentados aos alunos no começo do curso.

Se possível, a elaboração de rubricas será desenvolvida com participação dos alunos.

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Referências em webpages

Há, em páginas web, um número muito grande de informações sobre assuntos relacionados com o curso, produzidas por agências internacionais, especialistas, instituições de educação profissional, emissoras de TV etc. Essas páginas podem ser apenas textuais, ou podem ser textos combinados com vídeos, ou vídeos. Elas podem ser uma fonte interessante sobre orientação laboral. Não é fácil, porém, selecionar as melhores páginas web sobre o assunto. Para tanto, é preciso fazer um paciente trabalho de garimpagem. Isso pode ser bastante demorado. E a tarefa, preferencialmente, deve ser um empreendimento de grupo.

Fiz uma seleção preliminar de webpáginas que podem ser interessantes para o curso. Elas, porém, ainda não foram devidamente avaliadas. São uma mostra do que pode ser encontrado na internet. Representam apenas um primeiro esforço no sentido de selecionar os melhores recursos da rede www que possam enriquecer um painel de informações para o curso. No que segue, indico as páginas selecionadas e comento brevemente cada uma delas.

  1. As dificuldades dos jovens no mercado de emprego de Portugal

https://pt.euronews.com/2015/03/10/as-dificuldades-dos-jovens-no-mercado-de-emprego-de-portugal

Comentário. Portugal é uma dos países que enfrenta uma das maiores taxas de desemprego dos jovens. A matéria, em vídeo e texto, apresenta uma reportagem sobre o assunto. Na parte final do vídeo, apresentam-se dados sobre a questão na Irlanda. Pode ser mais uma referência para comparar com nossos países na América latina.

  • Canadian Journal of Career Development

http://cjcdonline.ca/archives/

Comentário. A revista Canadian Journal of Career Development é uma publicação de acesso gratuito. Eu a selecionei porque prováveis interessados poderão percorrer os números da publicação e buscar matérias no campo do desenvolvimento profissional.

3.      Chômage des jeunes et stabilité sociopolitique au Cameroun de 1990 à nos jours

https://www.researchgate.net/publication/301502202_Chomage_des_jeunes_et_stabilite_sociopolitique_au_Cameroun_de_1990_a_nos_jours

Comentário. Texto de comunicação feita no Congresso Internacional Sobre Desemprego Juvenil na África. Dados e comentários se referem a um país, Camarões. Mas, a análise vale para outras partes do mundo, pois o problema é global.

  • Entrevista com Silvio Bock

http://www.nace.com.br/doc/entrevrj.pdf

Comentário. Silvio Bock é uma das referências em orientação vocacional no Brasil. Nessa entrevista ele esclarece diversos tópicos sobre a matéria, mostrando avanços na linha de uma orientação que leva em conta a abordagem sócio-histórica.

5.      Estratégia Clínica Rodolfo Bohoslavsky artigos e trabalhos de pesquisa

https://www.trabalhosfeitos.com/topicos/estrat%C3%A9gia-cl%C3%ADnica-rodolfo-bohoslavsky/0

Comentário. Coleção de resenhas, artigos e trabalhos escolares sobre a obra de Rodolfo Bohoslavsy.

6.      Giovani e lavoro: il futuro negato. Cosa possiamo fare

Autor: Angelo Romano

Comentário. A página traz um artigo que eu poderia relacionar nas referências convencionais. Mas, como a matéria está publicada em página web, preferi relaciona-la aqui. O autor comenta a situação dos jovens italianos no mercado de trabalho. São bastante interessantes os gráficos sobre taxas de ocupação por faixas de idade. Vale imaginar ou elaborar gráficos semelhantes para nossos países na América Latina.

  • Giovani e lavoro, prospettive per il 2019

Comentário. Artigo mostrando como está atualmente a situação de trabalho dos jovens italianos. Para o articulista é uma das piores da Europa. Vale comparar com a Espanha e a Grécia. Recorro ao exemplo italiano para mostrar que a questão do desemprego juvenil é universal, embora seja mais dramática nos países mais pobres.

8.      Guidance: supporting youth to manage their careers.

https://www.cedefop.europa.eu/et/toolkits/vet-toolkit-tackling-early-leaving/intervention-approaches/guidance-supporting-youth-manage-their-careers .  

Comentário. Recurso produzido pelo CEDEFOP (Centre Européen pour le Développement de la Formation Professionnelle). O material se destina a jovens, educadores e pais. Busca mostrar que a formação profissional pode ser um caminho interessante para os jovens. Da página web é possível acessar material informativo produzido em word, abordando diversos temas sobre orientação profissional para jovens.

  • Jeune chômeur-euse? Mês droits. (publicação de um sindicato suiço)

Comentário. O UNIA, sindicato suiço, tem uma publicação interessante para orientar os jovens sobre os problemas do desemprego. Este material está também listado nas referências bibliográficas. Vale ver o material para se ter uma visão a partir de interesses dos trabalhadores. Copio trecho em que a publicação define desemprego juvenil:

Le chômage des jeunes peut prendre différentes formes: pas d’emploi, pas de place d’apprentissage, pas de place de formation, pas d’emploi stable, pas d’emploi à plein temps, etc. Cette brochure permet de comprendre les grandes lignes de l’assurancechômage et de l’aide sociale. Elle décrit les démarches à entreprendre, elle explique ce qu’il faut faire et ce qu’il faut éviter, les droits et les devoirs des jeunes chômeurs et chômeuses.

  1. O jovem e o desemprego

 Comentário. Matéria especial do Jornal da TV Cultura, Fundação Padre Anchieta. Além de dados de reportagem, o vídeo apresenta as opiniões do economista Ladislaw Dowbor (professor da PUC) e do pesquisador Rafael Urbano. As informações dos dois convidados dão uma ideia de como anda o desemprego juvenil no Brasil. Há muita semelhança entre o que acontece no país e em outras partes da América Latina.

11.  Orientação vocacional – entrevista com o orientador Silvio Bock

Comentário. Entrevista com Silvio Bock. A conversa é encaminhada a partir de perguntas de alunos que estão tentando iniciar estudos na universidade. No geral, as respostas de Silvio Bock mostram necessidade de informação profissional em processos de escolha. Infelizmente a qualidade do vídeo não é muito boa.

  1. Plataforma de recursos da OIT, versão em espanhol.

https://www.ilo.org/global/topics/dw4sd/themes/lang–es/index.htm

Comentário. A Organização Internacional do Trabalho tem uma plataforma informativa sobre o trabalho, incluindo desemprego, questões de gênero, emprego juvenil. Da plataforma é possível navegar para os temas de interesse de quem busca informação sobre trabalho e educação.  Percorri inicialmente a plataforma em francês e inglês. Depois percebi que a mesma tem uma versão para o espanhol. Isso pode facilitar utilização do recurso em nossos estudos.

  1. Plataform de Resources: Emploi des Jeunes. https://www.ilo.org/global/topics/dw4sd/themes/youth-employment/lang–fr/index.htm

Comentário. A página é uma seção da Plataforma de Recursos da OIT (Organização Internacional do Trabalho). O conteúdo examina a questão do grande desemprego dos jovens e remete a vários recursos produzidos no âmbito da OIT sobre políticas públicas, sugestões e estudos que podem ser interessantes para compor painéis de como encaminhar a orientação laboral, sobretudo para as camadas menos privilegiadas da população.

  1. Proportion des jeunes qui ne sont ni en emploi, ni étudiants ni en formation (taux de jeunes NEET)

Comentário. Essa página da OIT comenta a questão dos jovens que nem trabalham, nem estudam (jovens nem-nem, em português; jóvenes ni-ni, em espanhol). A matéria discute como as estatísticas são elaboradas e qual é a dimensão do fenômeno nem-nem no universo do trabalho. O tema certamente é importante em orientação laboral, pois o número de jovens que nem trabalham nem estudam é muito grande no mundo todo. E esses jovens são uma clientela bastante específica para ações de orientação laboral.

  1. Revista Brasileira de Orientação Profissional

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1679-339020180001&lng=pt&nrm=iso

Comentário. Selecionei o site da Revista Brasileira de Orientação Profissional porque a publicação é de acesso livre e pode ser uma fonte interessante para pesquisar textos sobre a matéria. Me parece que a linha da publicação está mais voltada para uma orientação profissional que tem por objetivo assistir jovens que estão às vésperas de ingresso nas universidades.  Mesmo assim, vale percorrer números da revista para verificar se há matérias mais próximas de orientação laboral,

16.  Solving global youth unemployment

Comentário. O vídeo é uma das produções do hoje bastante popular TED (Technology, Entertainment, and Design). Copio o texto que aparece no Youtube sobre a fala da confenrencista:

Mona Mourshed has led engagements across the world in Asia, Europe, South America, the Middle East, and the United States, supporting school systems and vocational higher-education institutions to improve students’ skills, their chances of finding jobs, and their day-to-day lives. Her most recent work, focused on youth unemployment, is unlocking the global conundrum of high levels of joblessness among young people and a shortage of job seekers with critical skills. In order to tackle this looming global issue, Mona has assisted in the design, implementation, and reforming of strategies to improve student outcomes in schools; one program nearly doubling literacy rates to 86 percent at the primary-school level in four years.

Minha impressão é de que Mona Mourshed sugere que o desemprego pode ser superado por meio de educação. Esse é um ponto de vista que precisa ser mais discutido. De qualquer forma, a fala de Mona é uma referência interessante de opinião sobre a relação entre educação, juventude e desemprego.

  1. Tackling Youth Unemployment: Bridging the Skills Acquisition Gap

Comentário. Esse é um material promocional da ARC, organização que promove formação profissional técnica em articulação com o setor privado, governos e ONGs. Aparentemente coloca a culpa do desemprego na ausência de educação dos desempregados. Essa é uma interpretação que merece críticas. Mas, vale ver o material para verificar como um dos entendimentos sobre educação profissional é proposto e desenvolvido.

  1. Un jeune sur quatre au chômage? 

https://www.lumni.fr/video/un-jeune-sur-quatre-au-chomage

Comentário. Vídeo bastante didático sobre o desemprego juvenil. Serve de ilustração para conversas sobre formação profissional, mercado de trabalho e dificuldades dos jovens para conseguirem emprego.

  1. Vocational Training in Kyrgyzstan

Comentário. Reportagem sobre formação profissional no Quirziquistão. Selecionei esse vídeo como uma curiosidade. Mas, a matéria contém informações interessantes sobre formação profissional.

  • Youth Unemployent: Skills Development and Training

https://www.ilo.org/youthmakingithappen/Topics/01.html

Comentário. Página que apresenta exemplos de diversos países no encaminhamento sobre emprego e formação de jovens. Essas informações são apresentadas sinteticamente num quadro que resume direções dos projetos.

  • Resumos de obras sobre orientação profissional

https://www.studocu.com/en/document/pontificia-universidad-catolica-argentina/orientacion-vocacional/summaries/resumen-final-orientacion-vocacional/2813956/view

Comentário. Material elaborado por aluno de curso sobre Orientação Profissional na PUC Argentina. Os textos trazem resumos de alguns trechos de bibliografia sobre a matéria.

  • Aula de Rodolfo Bohoslavsky no Brasil

Comentário. O psicólogo e educador argentino. Rodolfo Bohoslavsky, autor de Orientación Profesional – La Estatégia Clínica, trabalhou no Brasil. Esse material registra uma das aulas de Bohoslasvsky na Universidade de São Paulo.

Oficinas e Conhecimento: resumo em inglês

novembro 25, 2021

Em meu livro Oficias e Conhecimento há um resumo da obra, em português. Pedi para minha filha Nara Cardoso Barato verter o resumo para o inglês. A versão em idioma gringo não foi aproveitada na edição do livro. Mas, se alguém quiser apresentar minha obra para gente que não fala português, pode vir até aqui e ver o abstract.

Oficinas e Conhecimento: Um desafio para atuação e capacitação de docentes em educação profissional e tecnológica.

Abstract

This book presents a summary of the findings of a research on the work of vocational training isntructors who teach techniques on working skills, and on student performance in workshops, laboratories, and in the classroom. This study aims to assess how instructors teach in workshops and how students learn in such environments, as well as in laboratories and in the classroom. Based on the survey results, this work suggests multiple aspects that could be part of a didactic method focused on work-based learning, and it provides tools that might contribute to the training of vocational training teachers.

Traditional didactic methods do not consider workshops as a knowledge-based experience, as opposed to the knowledge shared in school environments, or classrooms. The idea that there is a split between theory and practice is predominant. The first, which derives from classroom-teaching, is considered the foundation of practice. The latter, developed in workshops, is considered a means to apply theory, and being deprived of any epistemological status. The data of this study suggest a different direction. They show that actions, activities, and the act of making are a kind of knowledge that does not come from theory, but presents its own epistemological status. To understand how this kind of knowledge emerges one must consider how teachers and students operate in workshops.

In workshops, knowledge is developed through the production of works. Environments, tools, labor standards, and the community values of practice (social practice) are all elements that mediate knowledge, aiming at the production of works. The goal of workshops is to produce works, not explanations. This feature of knowledge in workshops suggests a completely different dynamics than that of didactic methods in the classroom. The survey results show a work-based learning dynamics – the predominant dynamics in workshops –  which indicates the need of creating a new didactic method concerned with the production of works.

This study suggests that in order to train workshop instructors one must consider the act of making as knowledge, and not as a means to apply technology and science. It also suggests the need of a deeper understanding of an epistemology that goes beyond antithetic pairs such as theory/practice, knowledge/ability, mind/body. However, this book does not focus only on exploring epistemology. Based on the assumption that learning is a function of different types of knowledge, it suggests that learning and working come from knowing how to make things, and not form generalizations that can be applied to various situations. As a result, the context is an important element to consider when dealing with work-based knowledge. By studying what happens in workshops, precious indications of meaningful contexts in work-related learning have arisen.

During the survey, and by observing activities in workshops of different professional areas, the research has shown many interesting aspects of the construction of work-based knowledge by teachers and students. It has shown that technique is a type of knowledge linked to results and its practitioners see it as art.  It has shown that students see the work they do, even though they might be beginners, as a way to belong to a community of practice. It has shown that teachers, even those who do not hold a degree in pedagogy, do find ways to assess students performances, based on work-related knowledge. It has shown many didactic solutions that derive from learning how to work.

The survey in which this book is based on points to a pedagogy, created by workers, that is proper to workers´ education. Such pedagogy needs to be highlighted so that teachers who teach or will teach working techniques do not turn workshops into school environments, influenced by pedagogies that were born in classroom-teaching experience.

Formação profissional de jovens na América Latina

novembro 16, 2021

Hoje participei de conversa sobre o tal de novo ensino médio. A conversa buscou situar qual é a do quinto itinerário, flexão voltada para a educação profissional. Na minha opinião a reforma proposta será um tremendo fracasso. As escolas se organizarão para fazerem o que já fazem, atendendo formalmente a reforma. Farão o velho com versão do novo. No caso da formação profissional, as propostas serão bobagens para enganar a freguesia.O ensino médio é parte do ensino básico. Fatia-lo, com essa história de vários itinerários formativos, retoma diferenças que irão penalizar ainda mais os pobres que conseguem chegar ao secundário. A proposta de profissionalização ignora completamente o que vem ocorrendo em nosso país, o aumento cada vez maior da formação técnica pós secundária. Sobre isso, sugiro olhada em estudo que fiz para a UNESCO, numa publicação que inclui também análises da questão no México e na Colômbia: Incluir a los jóvenes. Retos para la educación terciaria técnica en América Latina:

http://www.iiep.unesco.org/fr/incluir-los-jovenes-retos-para-la-educacion-terciaria-tecnica-en-america-latina-12865

Seção B, o lugar dos medíocres

novembro 14, 2021

No meu tempo de menino, os quatro anos do ensino fundamental eram chamados de ensino primário. Minha escola de ensino primário foi o Grupo Escolar Coronel Francisco Martins, o Coronel, na Franca, SP. Eu morava a dois quilômetros e meio do Coronel e nunca tinha entrado numa escola. Minha mãe, no primeiro dia de aula, quis me levar. Bati o pé e disse não. Fui sozinho para a escola e não sei mais como encontrei minha sala de aula. Mas, lá estava eu, aluno de Dona Elza, excelente alfabetizadora. Meus pais, sempre com dificuldade para pagar o aluguel, mudaram de casa. Essa segunda casa de meus tempos escolares ficava um pouquinho mais perto do Coronel. Mas, o preço do aluguel ainda era alto para as posses do meu pai. Mudamos de novo, para uma casa que ficava num bairro muito afastado na Franca da minha infância, a Santa Cruz. Ir ao Coronel passou a me exigir uns quatro quilômetros de caminhada.

Logo aprendi a ler e tinha boas notas. No primeiro ano sempre fui aluno da seção A e melhor leitor da turma. Eu e o Wilson sempre éramos escolhidos para ler em voz alta diante do inspetor escolar quando este visitava nossa sala de aula. No final de ano ganhei o prêmio de leitura da classe, uma biografia de Zumbi de Palmares. Foi o primeiro livro que li an vida.

Contei ali atrás a breve história de minha educação no primeiro ano de escola e disse que sempre estive na seção A. Isso precisa de explicação. No grupos escolares, as salas de aula eram mobiliadas por carteiras duplas, em três fileiras. Cada fileira recebia um rótulo de seção, A, B ou C. Na seção A ficavam os alunos com alto desempenho escolar, com notas iguais ou superiores a 8,O. A seção B era ocupada por alunos medianos, com notas de 6,0 a 7,5. Finalmente, alunos com notas inferiores a 6,5 tinham como destino a seção C. Podia existir movimentação de alunos de uma para outra seção. Isto, porém, era uma raridade. Desde a primeira hora a gente era classificado e ganhava como destino uma seção que seria nosso lugar o ano inteiro. Hoje diriam que a força do rótulo era maior que possível capacidade do aluno.

Minha vida escolar mudou no segundo ano primário. Logo no começo, Dona Mariana, nossa professora fez um teste para classificar os alunos que chegavam à sua classe. Meus resultados foram péssimos. Minha mãe foi chamado á escola, pois, segundo indicava o teste, eu teria sérias dificuldades para cursar o segundo ano. Até hoje não sei para onde foi meu bom desempenho escolar do primeiro ano. É provável que nos dois meses e meio de férias seu tenha regredido. Passei o tempo todo sem ler e escrever. Meu universo familiar não era letrado. Além de Zumbi dos Palmares, existia apenas outro livro em casa, um velho volume de geografia que fora usado no terceiro ano da escola rural cursada por meu pai. Ou talvez, Dona Mariana fosse muito rigorosa e não soubesse como lidar com meninos pobres que chegavam à sua sala de aula. Não sei como venci a incompetência indicada pelo teste da Dona Mariana. Mas, algumas semanas depois de começadas as aulas fui para a seção B e lá fique até o final do ano. Não houve sobressaltos nos anos seguintes, na terceira e quarta série do primário fui um cidadão da seção B. Tinha um desempenho que me afastava do grupo dos fracassados, a seção C, mas nada fazia para ingressar no mundo dos bons alunos, a seção A. Moral da história: fui um aluno medíocre durante três quartos de minha vida escolar no Coronel.

Educação e saberes do trabalho

novembro 14, 2021

ROSE, Mike. O Saber no trabalho: valorização da inteligência do trabalhador. Trad.  de Renata Lúcia Bottini. São Paulo: Ed. Senac São Paulo, 2007, 253 p.

Descritores do conteúdo do trabalho, sejam eles análises ocupacionais ou definições de competências, ignoram dimensões importantes dos saberes dos trabalhadores. No geral tais descritores padecem de sérios limites por causa de modos de ver as profissões e de metodologias que não levam em consideração as tramas cognitivas e sociais demandadas pela execução de qualquer trabalho. O resultado são modos de ver a atividade produtiva, sobretudo aquela que requer uso das mãos, como uma prática desprovida de inteligência. As conseqüências disso no campo educacional consagram o famoso erro de Descartes, a divisão insuperável entre mão e cérebro, corpo e mente. Mike Rose, professor da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), procura superar esse modo tradicional de ver o saber dos trabalhadores em livro cuja tradução brasileira recebeu o título de O Saber no Trabalho..

Mike Rose  cresceu entre ferroviários e foi criado por uma mãe que sustentou a família com seus ganhos como garçonete. Ele chegou à universidade por meio de mecanismos de inclusão que favoreciam estudantes das camadas populares. Esses acidentes biográficos ajudaram-no a construir uma abordagem do trabalho que faz  emergir toda a riqueza da inteligência presente em profissões como as de garçonete, cabeleireira, carpinteiro. E tal abordagem é bem diferente daquelas que alicerçam análises ocupacionais ou definições de competências.

No primeiro capítulo, o autor penetra no mundo dos serviços de restaurante a partir de uma análise cuidadosa de entrevistas realizadas com sua mãe e com outras garçonetes de restaurantes populares americanos, complementadas com a bibliografia disponível sobre a profissão. E Rose vê muito mais que competências e habilidades no trabalho das garçonetes. Vê um rico exercício da inteligência que decorre da dinâmica dos fazeres necessários aos serviços de restaurantes. Boa parte dessa dinâmica é invisível para analistas centrados em aspectos observáveis do trabalho. Não fica evidente para esses observadores, por exemplo, estratégias utilizadas para otimizar movimentos num fluxo de atendimento que contempla oito mesas de clientes que chegaram em tempos distintos e têm demandas muito diferentes de serviços, ou estratégias de memória para relacionar pedidos e gostos de clientes num horário de rush no qual cada garçonete atente simultaneamente a cerca de trinta pessoas. 

No segundo capítulo, o autor analisa a profissão de cabeleireira com base em encontros com profissionais de diversos tipos de salões de beleza. O resultado é bastante parecido com o obtido a partir da conversa com as garçonetes. Nos três capítulos seguintes, Rose estuda profissões da área de construção civil. Mas desta vez suas observações não foram feitas a partir de diálogos com profissionais experientes. Ele examina o saber de profissões como as de encanador, eletricista e carpinteiro acompanhando o cotidiano escolar de estudantes e professores. E as análises, no caso, mostram o fluxo de um saber que não cabe na forma dicotômica do par teoria e prática. Ao descrever discurso e práticas dos estudantes, Rose mostra desdobramentos estéticos e éticos que análises convencionais do trabalho ignoram completamente.

O sexto capítulo foi construído a partir de duas biografias de trabalhadores: um supervisor de linhas de montagem, uma soldadora que ensina seu ofício num curso de nível tecnológico. O supervisor formou-se em atividades do chão de fábrica. A soldadora aprendeu seu ofício em cursos técnicos e tecnológicos. Ambos, porém, vêem o saber do trabalho a partir de uma cultura operária. Nos capítulos finais, Rose procura articular toda a riqueza de suas análises de profissões manuais, algumas delas de status social muito baixo, com a elaboração do saber. Para isso recorre a estudos contemporâneos no âmbito das ciências cognitivas. E repara que tais estudos, cada vez mais, tornam inadequado o tratamento dicotômico do saber em teoria e prática, conhecimento e habilidade ou fundamentação e execução. Para mostrar que boa parte das considerações que estigmatizam o trabalho manual, o professor da UCLA acompanhou, no regime de residência de um hospital, a formação de cirurgiões. Uma das conclusões de Rose é a de que o fazer-saber de médicos cirurgiões tem uma natureza que pouco difere do fazer-saber de carpinteiros. Ocorre, porém, que o trabalho médico tem um status muito elevado na sociedade americana,circunstância que valoriza as técnicas de cirurgia sem considerar sua natureza de saber em ação.

A escolha da profissão de garçonete como ponto de partida para os estudos que resultaram no livro não foi determinada apenas pela biografia do autor;  Rose escolheu a garçonete como um ícone de seus estudos porque essa profissão é vista nos Estados Unidos como atividade que requer pouca inteligência e quase nenhuma capacitação. Referências á garçonete são muito parecidas com as afirmações que se fazem no Brasil com relação ao pedreiro. Num e noutro caso, ambas a profissões são vistas com destino para pessoas de limitadas capacidades intelectuais. Toda a riqueza dos saberes exigidos pelas duas profissões acaba ficando invisível. Num certo sentido, os próprios trabalhadores que exercem tais ofícios são invisíveis. Essa invisibilidade acaba ocorrendo por causa dos pressupostos a partir dos quais pesquisadores e analistas abordam o trabalho manual. A invisibilidade do saber profissional no caso é conseqüência de uma escolha metodológica. Saberes, tradições, visões de mundo e valores elaborados pelos trabalhadores em seus fazeres profissionais acabam não entrando na pauta de investigação dos pesquisadores. Sobram apenas habilidades mensuráveis e objetivamente descritíveis.

O aspecto central do livro de Mike Rose é a interação entre o trabalhador e sua obra. O autor desvela a relação entre o profissional e a vontade de realizar um trabalho bem feito. Este modo de ver não reduz o saber trabalhar a habilidades ou competências, a parcelas de conhecimento desvinculadas de compromissos sociais e da satisfação de produzir. Certamente esta orientação para a obra pode ser muito promissora para investigações  sobre conteúdos do trabalho e para orientações metodológicas na área de educação profissional.

Jarbas Novelino Barato