066. Desafio Bola ao Chão

Em 2009 criei diversas propostas para eventos educacionais destinados a apresentar para educadores ideias sobre possibilidades de desafiar alunos com tarefas que os envolvesse em estudos significativos de conteúdos importantes e saber. As propostas que criei subsidiavam um programa da TV Escola que se chamava Desafio Escolar. Há grandes ou pequenas diferenças entre minha proposta original e a realização televisiva. Essas diferenças são explicadas por opções do roteirista que, nem sempre, utilizava as pistas que eu havia sugerido ou a restrições de produção. Algumas vezes, as mudanças eram feitas para acomodar o que eu havia sugerido às ideias educacionais, quase sempre tradicionais, dos realizadores. Em alguns programas, por exemplo, ressaltavam-se cobrança de memorização de fatos. Cabe reparar que em programas de TV, cobrar decoreba caracteriza o ambiente escolar nas escolinhas do Chico Anísio e do Golias. Em alguns casos, a realização final do programa resultava em produto que eu não assinaria.

Nos créditos do programa sou apresentado como consultor pedagógico. Esse termo não descreve o que eu fazia. Na verdade, meu papel no caso era o de criador de uma proposta de aprendizagem com toques de inovação. Quem vê hoje meu nome nos créditos fica com a ideia de que meu papel era o de dar consistência pedagógica à criação de profissionais de TV.

Quase todos os desafios que criei ainda estão no ar. Alguns resultaram em produções bastante fieis ao que propus. Outro, nem tanto.

trago para esta página texto de minha proposta original e indicação para o programa de TV Bola ao Chão.

 

Bola ao Chão
Jarbas Novelino Barato
17/12/2009

Antes de delinear a proposta, aqui vai um papo inicial com produção e escola realizadora.
Este desafio elege como foco uma área que não poderia ficar esquecida. Faço tal observação porque não é muito comum colocar atividades físicas num projeto como o nosso. Em parte, a ausência da educação física se deve a dificuldades de criar desafios significativos no campo dessa disciplina. Estamos, portanto, numa aventura que é um meta-desafio de criar um desafio no campo da inteligência cinestésica.
Acho que os professores de educação física da escola realizadora deverão colaborar bastante para que a gente consiga bons resultados. As idéias de Bola ao Chão precisam de muito apoio para dar certo.
No desenvolvimento de Bola ao Chão os alunos deverão estudar regras e estratégias de três esportes de campo e quadra: futebol, futebol americano e futsal. Tal estudo será feito com a intenção de compreender os porquês das regras e a dinâmica do jogo. Para enfrentar o desafio, além de conhecimentos sobre os esportes citados, os alunos deverão desenvolver habilidades de análise e planejamento, considerando encantamentos que jogos devem proporcionar, qualidade do espetáculo resultante do esporte inventado, e demandas de caráter físico colocadas pela dinâmica do jogo.
Não há garantia de que o jogo inventado vá ser interessante. O que se pretende é oferecer para os alunos uma oportunidade de criarem um novo esporte e sentirem no processo como é preciso ser criativo para inventar esportes como o nosso futebol ou o futebol americano.
Na escola escolhida para a realização deste desafio deverá existir uma boa quadra esportiva. Além disso, escola realizadora e produção deverão providenciar todo o material de que os alunos irão precisar para inventar e praticar o jogo Bola ao Chão.
Parte 1: Introdução
Como de costume, o desafio precisa ser contextualizado. Alunos e expectadores precisam entender o significado do desafio. Vamos então ao início de conversa.
Tudo pode começar com um jogo de futsal na quadra da escola. Os jogadores podem ser alunos do próprio estabelecimento, mas não precisam necessariamente pertencer à equipe que vai enfrentar o desafio. Fora da quadra um grupo de alunos vê o jogo e torce, incentiva os atletas, comenta a partida. Um tempo técnico com o treinador dando instruções de estratégia pode ser registrado, pois conversa sobre estratégia é um assunto que será muito comentado no processo deste desafio.
Do jogo na quadra pode-se passar para uma cena na qual os alunos que enfrentarão o desafio falam livremente sobre esporte (aquele papo normal sobre como um time pode melhorar seu desempenho ou sobre como o técnico da nossa seleção deve escalar a equipe para a próxima copa). Essa conversa será acompanhada pelo âncora do programa. Ele poderá fazer perguntas sobre os conhecimentos esportivos da turma. Quantos esportes eles acompanham? Que esportes dão bons espetáculos de TV? De que esportes mais gostam? Que esportes praticam? Que esportes gostariam de conhecer mais? A conversa pode ser ilustrada com imagens dos esportes mais populares.
Depois das primeiras cenas atrás sugeridas, o âncora, um professor, ou um comentarista de esportes introduzirá assuntos sobre esporte e espetáculo. Exemplos sobre mudanças nas regras do vôlei poderão ser comentadas. E quase todas as mudanças havidas foram feitas para tornar o vôlei mais espetacular, mais televisivo. Outras informações podem ser comentadas e ilustradas: cotas de TV dos clubes de futebol, o Super Ball americano (um dos espetáculos mais badalados do mundo), olimpíadas, esportes raros etc.
Toda a conversa sobre esporte e espetáculo servirá de gancho para situar o desafio. E este será apresentado como segue.
[Uma alternativa interessante para o programa seria um vídeo com os componentes do Cartão Verde conversando sobre a proposta e propondo o desafio. O cenário para isso seria o próprio cenário do Cartão verde. Faço esta pequena nota sem saber se essa possibilidade existe. Mas acho que o pessoal da Fundação Padre Anchieta pode considerar a proposta. A alternativa daria ao desafio boa visibilidade televisiva]
As redes de televisão estão interessadas em novos jogos. Querem mostrar novidades. Querem apresentar outros espetáculos que não os esportes tradicionais. Aí está a oportunidade para gente como vocês que gosta de esporte, gosta de espetáculo e quer inventar algo que pode ir para a televisão.
Vocês ficaram interessados particularmente numa proposta sugerida por um grande comentarista de esportes [se possível, este comentarista deverá ser alguém conhecido nos meios esportivos; o ideal é que ele apareça num vídeo propondo o desafio] acredita que o desafio que ele inventou pode dar origem a um jogo muito interessante. Talvez tal jogo não se converta num esporte popular, mas ele certamente será um espetáculo muito engraçado. O desafio proposto pelo comentarista e que vocês querem enfrentar é descrito da seguinte forma:
Para pessoas inventivas e que gostam de esportes, está no ar o desafio de criar o Bola ao Chão, um novo jogo de quadra. Para criar tal esporte é preciso respeitar as seguintes orientações básicas:
• A bola do jogo sempre deverá estar em contato com o chão. Bolas levantadas implicarão em reversão, ou seja, a equipe que levantar a bola perderá o domínio da mesma para o adversário.
• A bola poderá ser movimentada por qualquer região do corpo, exceto pés e partes inferiores das pernas (as extremidades que vão dos tornozelos aos joelhos). Contatos de pés ou partes inferiores das pernas com a bola serão punidos como faltas.
• O jogo deverá acontecer numa quadra cujas dimensões corresponderão a cerca da metade da extensão de uma quadra de basquete.
• A prática do novo esporte deverá assegurar a possibilidade da formação de equipes mistas (homens e mulheres).

As orientações básicas deverão integrar as regras do jogo. Uma parte do desafio será a de criar e escrever tais regras. Mas atenção, o comentarista estabeleceu que Bola ao Chão não poderá ter mais que quatorze regras.
Outra coisa. O comentarista sugere que três esportes devem servir de inspiração para o Bola ao Chão. Esses esportes inspiradores são: o futebol, o futebol americano e o futsal. Atenção! Inspiração não tem nada ver com cópia. O que se quer é que o novo esporte tenha dinâmica. E os três esportes sugeridos pelo comentarista são bem dinâmicos.
Jogos são para ser jogados. Por isso, a segunda parte do desafio será a disputa de uma partida de Bola ao Chão de acordo com as regras que vocês criarem.
Parte 2: O Processo
Se possível, o início do processo deverá ser ilustrado por uma sequência de imagens mostrando cenas de jogos. Se isso não for possível, pode-se ilustrar o começo de conversa com cenas de alunos jogando na quadra da escola, desta vez com os participantes do desafio atuando com “atletas”. Numa ou noutra opção, as orientações sobre o processo deverão ser ambientas na quadra ou num ambiente esportivo (nada de sala de aula ou biblioteca…).
O grupo deve ser então convocado para saber o que deve ser feito para desenvolver o produto esperado neste desafio. Os componentes do time podem ser chamados para o banco do técnico onde estará a comissão técnica do desafio (o âncora e os professores envolvidos). Na cena podem ser utilizados todos os instrumentos que técnicos usam para dar instrução para os atletas (prancheta, pequeno quadro negro ou branco, laptop).
A comissão técnica fará um comentário geral sobre o processo. Dirá que a equipe deverá estudar as regras dos três esportes indicados: futebol, futebol americano e futsal. Para tanto os alunos deverão se dividir em subgrupos. Cada grupo ficará responsável por um dos esportes a serem estudados.
[Os professores da escola realizadora devem selecionar previamente material a ser estudado – livros de regras, sites da Web e vídeos. ]
Para inventar jogos é preciso pensar em dinâmica, uso do espaço, formas de pontuar, tipos de arbitragem, quantidade de atletas por equipes etc. Talvez convenha que algum professor de educação física converse com os alunos sobre esses aspectos á titulo de lembrança do que deve ser observado nos esportes que serão estudados.
Da quadra, já separados em subgrupos de estudo, os alunos deverão se dirigir para locais de estudo (biblioteca, sala de leitura, laboratório de informática). Cenas de estudo dos alunos deverão mostrar o que rola. Eventualmente o âncora poderá perguntar aos alunos o que estão vendo e se eles já tem idéias de como criar o novo jogo.
Para seguir uma tradição dos meios esportivos, as sínteses que os alunos irão elaborar no estudo de cada esporte serão apresentadas num “congresso técnico”. Essa apresentação irá subsidiar a fase seguinte, a criação do novo esporte.
Idéias para criar o novo esporte poderão ser discutidas num brainstorm onde valerá tudo. É bom fazer esse brainstorm na quadra, pois muitas das idéias propostas poderão ser ilustradas com movimentos e uso de bola no campo de jogo. Depois do brainstorm, um professor de português poderá ajudar os alunos a elaborar um roteiro de regras, colocando as idéias principais num quadro negro ou branco. A partir daí os alunos elegem uma comissão de redação que irá escrever as regras de Bola ao Chão. Para encurtar caminhos, a comissão de redação pode receber plenos poderes. Isso evitará que a discussão sobre regras ocupe um tempo do qual não poderemos dispor.
Uma vez que as regras estejam prontas, a equipe toda volta para a quadra e começa a treinar Bola ao Chão. O treino deve ser dirigido por um técnico. [Se for necessário, serão convocados para os treinos mais atletas que a equipe de criação].
A segunda parte pode terminar com cenas de treinamento no novo esporte.
Parte 3: Uma Partida de Bola ao Chão
Chegou o grande dia, Bola ao Chão vai para a quadra para ser jogado. Duas equipes devidamente uniformizadas entram na quadra e disputam uma partida de Bola ao Chão. Um comentarista esportivo (aluno ou profissional convidado) narra e comenta a partida. Ao fazer isso, explica algumas das regras do jogo para os ouvintes e expectadores. O produto final é o de um vídeo dos principais momentos da partida.
No final, atletas são entrevistados e opinam sobre o novo esporte. Depois a equipe inventora também é entrevistada para falar sobre o que criaram e o que aprenderam no enfrentamento do desafio. Professores e expectadores também devem ser entrevistados para falar sobre os resultados da experiência. Tudo pode terminar com mais cenas da partida com comentários finais do âncora do programa.
Bola ao Chão
 

 

Aqui vai o link para o vídeo do programa:

 

 Bola ao Chão

 

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