Archive for janeiro \31\UTC 2011

Egito em busca da liberdade 2

janeiro 31, 2011

Tentei acompanhar os acontecimentos no Egito via CNN. Infelizmente, a TV internacional dos gringos não está fazendo jornalismo. A maior parte do tempo, o que aparece na CNN são reportagens sobre sobre os “perigos” que gente comum anda correndo nestes dias. As entrevistas realizadas sugerem que “gente comum” é sinônimo de classe média alta. Nenhum morador de favelas do Cairo apareceu na famosa TV planetária.

Ao ver a CNN fica-se com a impressão de que os manifestantes não são gente comum, mas ativistas que colocam em risco a segurança no Egito.

Grandes veículos da mídia americana andaram boicotando a Al Jazeera, a rede internacional de TV com raízes árabes. Em vão. Internet e satélites permitem que se veja a Al Jazeera em toda parte do mundo.

Acho que a fonte mais confiável de informação sobre o que anda acontecendo no Egito é a TV árabe de alcance internacional, em sua versão em inglês. Por essa razão, decidi acompanhar a Al Jazeera. O melhor meio de fazer isso é seguí-la via Twitter em @AJEnglish.

Pio recente da TV árabe sobre declaração dos militares egípcios dizendo que não usarão de violência contra seu povo é um exemplo de jornalismo comme il faut. Junto com essa notícia há um vídeo com fotos expressivas das manifestações.

Egito em busca da liberdade

janeiro 30, 2011

Este é um blog sobre blogs, tecnologia educacional e comunicação. Mas o dono deste Boteco toma partido. E no momento, toma partido ao lado daqueles que lutam por liberdade na velha terra dos faraós. Assim, para marcar posição, mesmo que algumas pessoas achem que essa conversa não cabe num blog “educacional”, trago para cá um vídeo emocionante do que está ocorrendo estes dias no Egito.

Por que não te retuito

janeiro 30, 2011

Em pio recente @davepeck indica um texto interessante sobre razões para não retuitar. O texto, curto, pode ser encontrado em:

Para facilitar a vida de quem não arranha o inglês, fiz uma tradução livre do conteúdo do texto indicado pelo Dave. Espero que seguidores meus no Twitter vejam a mensagem.

Não te retuito por que:

1. Tu pediste. Se tu escreves pios interessantes ou indicas links para bons recursos, naturalmente vou querer compartilhá-los com meus seguidores. Se tu tens de pedir, aí tem. É como dizer: “Sei que não é interessante, mesmo assim preciso de sua ajuda para fazer a roda girar”.

2. Não te conheço. Sim, nós nos seguimos mutuamente, mas nunca nos encontramos. Ou talvez tenhamos nos encontrado uma ou duas vezes, mas esses encontros nada tiveram a ver com “amizade”. Nossos encontros não são motivo para que eu passe a fazer circular teus pios.

3. Teu conteúdo nada tem a ver com minha turma. Não vou torrar a paciência de meus amigos com assuntos que eles não apreciam.

4. Não quero encher computadores de meus amigos com spams. Se retuitar muitas mensagens desinteressantes para meus seguidores, estarei produzindo spams. Não quero isso pra eles. Não quero isso para mim, por melhores que sejam tuas intenções.

5. Teu conteúdo é chato. As pessoas só retuitam coisas que acham úteis e/ou interessantes. Antes de escrever um pio, perguntes: meus seguidores vão achar isso interessante? Sei que há exceções, mas se tu desejas ser retuitado isso é essencial.

6. Teu pio é longo. Facilite minha vida. Não tenho tempo para editar textos de 140 caracteres.  Tenhas certeza de que teus pios sejam curtos o suficiente para o “RT”, o texto original e o nome do retuitador. Nesse sentido, nenhum pio deve ultrapassar  123 caracteres, dimensão máxima para RT’s sem qualquer necessidade de cortes na mensagem original.

Internet é consequência

janeiro 30, 2011

Vi uma indicação do @MarioAsselin para situar discussões sobre novas mídias que vale a pena ser conhecida. A obra mostra que certos recursos educacionais (aqueles que antigamente a gente chamava de audiovisuais) nasceram na esteira do capitalismo industrial. Mostra também que as atuais TIC’s dão continuidade ao projeto de recursos identificados com as “necessidades” do mercado. A referência indicada pelo Mario Asselin pode ser encontrada em:

Dois ícones da informática

janeiro 29, 2011

Em minhas recentes andanças pela Web, procurando referências sobre The Oregon Trail, encontrei material que associa dois ícones da informática: a simulação criada por três jovens professores de Minnesota e o Apple IIe. Doctor Kamenev (provelmente um nome de fantasia) colocou no Youtube vídeos com uma rodada completa de The Oregon Trail numa versão para a famosa máquina da empresa da maçã. Kamenev roda o programa a partir de um emulador do MacIntosh para o Apple IIe.

O que é mostrado nos vídeos é uma partida completa do jogo. O material é ótimo para duas coisas: conhecer como funcionava o velho Apple IIe, verificar concretamente como a simulação se desenrola em The Oregon Trail. Infelizmente, o que se vê é um jogo jogado. Para experimentar a simulação na sua versão dos inícios de 1980 seria preciso ter uma daquelas maravilhas da Apple ou um MacIntosh com emulador. De qualquer forma, o VT é um documento importante para quem queira estudar uma das simulações mais criativas no campo da tecnologia educacional.

Antes de colocar aqui o vídeo, quero destacar alguns dos comentários que o acompanham no Youtube.

No comentário mais recente, um professor que conheceu The Oregon Trail, versão Apple IIe, em seus tempos de estudante, diz que  em sua escola  ainda há antigas máquinas guardadas em caixas. Recentemente, ele colou uma delas para funcionar e rodou com seus alunos The Oregon Trail. Tudo funcionou a mil maravilhas. Máquina fantástica. Software idem. Segue cópia integral desse depoimento.

I loved this game when I was in school. Now, I work for a school system, and years ago we boxed up our AppleIIe’s and AppleIIgs’s….. but if you pull one out of storage, they STILL WORK. Including those old Oregon Trail disks. NICE! Amazing machines, terrific game. Farmer mode on this game is still hard, I think that it’s not possible to guarantee a win on that setting no matter how good you are at it, there’s always a chance to lose even if you make no mistakes.

IgnatzKolisch 1 ano atrás

Kamenev, em resposta à observação sobre o Apple IIe, nota que a velha máquina continua fantástica e ainda pode ser aproveitada. Segue cópia integral do que ele disse.

I actually dug up an Apple IIe with a monochrome monitor when I was in high school. It was great. We didn’t have any game disks, but we dicked around satisfactorily. Unfortunately, some silly people who didn’t know what an old computer looked like poked around in it and broke it. I fixed it, but then they broke it again — for good. Such a shame.

DoctorKamenev 1 ano atrás
Alguém comenta que na escola em que estudou os Apple IIe ainda estavam ativos em 1993. Essa observação é muito boa. No Brasil, muito antes do citado ano, organizações educacionais haviam aposentado o Apple IIe, alegando que a máquina era ultrapassada. Vi isso acontecer no Senac e na Unicamp. Tentei lutar contra, mas os informatas de um e outro lugar me viam como um ser atrasado incapaz de apreciar a maravilha daqueles IBM’s PC que começavam a invadir o mercado. A dispensa precoce do Apple IIe no Brasil é um exemplo de nosso comportamento perdulário com relação à tecnologia, vítimas que somos de um novidadismo já denunciado por Lévi Strauss quando viveu por aqui.
Eis mais uma cópia integral de comentário feito por espectador do VT:
AAH! So funny, our school in ’93 had about thirty Apple IIs with the monochrome monitor and a thing on the wall filled with those huge floppy disks. Computer time was mental, 26 kids squabbling over one disk; Oregon Trail. This game was like the pinnacle of our day.
Eu poderia discorrer mais sobre o encontro dos dois ícones da informática. Mas, creio que o amável leitor quer ver o vídeo. Aqui vai a primeira parte.
Disquetes do velho Apple IIe não tinham grande espaço de memória. Por essa razão, quando se tratava de programas longos, era preciso dividir o conteúdo em vários disquetes. Na simulação em curso, depois de andar uma boa parte do caminho, os participantes tinham que trocar o disco. Vamos, portanto, para a próxima etapa. Antes de seguir em frenter, observo que Kamenev à medida em que joga o jogo vai tecendo vários comentários, alguns deles meio irritantes. Pronto? O segundo disquete será mudado. A aventura continua.
Kamenev não deve ser americano. O sotaque é evidente. Os comentários continuam a ser irritantes. Mas esse é o preço a pagar para acessar a versão Apple IIe de The Oregon Trail. E a história continua no próximo segmento.
Finalmente a última parte. Doctor Kamenev chegou ao Oregon, com algumas perdas, mas com relativo sucesso.
Opinião. O material aqui divulgado pode ser interessante para quem anda pesquisando usos de computador em educação. Pode também ser utilizado na formação de professores que estejam se preparando para mais aprender sobre relações entre informática e educação.

Computadores, simulação e história

janeiro 28, 2011

No ensino de história, uma boa alternativa para que os alunos compreendam conteúdos complexos é o uso de simulações. Muitos professores faziam isso antes do advento do computador. Em 1988 participei de um congresso internacional de usos de computadores em educação no qual um professor inglês apresentou Nero is Dead. Na época da apresentação, uma simulação em computador estava sendo construída. Mas, até então, o professor, docente de história numa escola secundária da Inglaterra, fazia a simulação no papel. A situação que ele criou era, em resumo, a seguinte: Nero acaba de falecer, o próximo imperador ainda não foi escolhido, você (um coletivo de alunos) é general de uma província distante, com sua folha de serviço e com a adesão de seus soldados pode começar uma campanha para chegar ao trono imperial, alianças com outros generais e com os senadores serão necessárias, conhecimento de toda a política do Império também é uma necessidade, há outros concorrentes, o caminho é longo mas você pode vir a ser o próximo imperador.

A versão original de Nero is Dead era constituída por um roteiro com muitas alternativas que dependiam de decisões dos pretendentes ao trono. O professor atuava como um administrador do jogo. Na versão que estava sendo elaborada na época, a administração do jogo passaria a ser feita pelo computador. Infelizmente não pude acompanhar o desfecho de Nero is Dead, mas o modelo guardava semelhanças com outros jogos que foram criados nos anos de 1970 e 1980 para simular eventos históricos importantes.

Outro exemplo de simulação para ensino de história é Aztlan, aventura de um líder de um pequeno povoado asteca que pretendia ser imperador. A primeira versão de Aztlan foi elaborada no âmbito do projeto PLATO, uma experiência de timesharing no uso de grandes computadores em atividades de ensino iniciada nos anos de 1960. No começo dos anos de 1980 apareceram diversas versões de Aztlan para computadores pessoais. Conheci uma delas. Era um programa para o Apple IIe e fazia parte do acervo de softwares da secretaria de educação de San Diego. Na década de 1990, minha equipe de informática e educação no Centro de Tecnologia Educacional do Senac São Paulo desenvolveu versão do Aztlan para o IBM PC: Aztlan – A saga de um governante asteca. Tal versão foi utilizada durante bastante tempo por escolas públicas paulistas. Aztlan era um material que incentivava os alunos a estudar a história da Mesosamérica. Escrevi o livreto que acompanhava o software em tela. Reproduzo aqui um trecho das minhas explicações:

A SIMULAÇÃO

Aztlan é um software de simulação bastante simples. Ele propõe um jogo: governar, se possível com sucesso, uma cidade-estado do império asteca. É adequado para trabalhos em grupo, pois a dinâmica da tomada de decisões não é uma característica embutida no software, mas resultado do processo de discussão de pessoas (um coletivo deve assumir o papel de governador do distrito) que se vêem obrigadas a resolver certos problemas para alcançar metas bem definidas.

Neste processo de discussão, os participantes, quase certamente, entenderão certas particularidades da civilização asteca: importância de um comércio baseado na agricultura, particularmente na cultura do milho; controle local de certas variáveis(armazenamento e produção de alimentos, relações comerciais com vizinhos, governo da cidade), dependência de fatores externos (política imperial, natureza, deuses). O entendimento dessas particulariddes, depois que se utiliza o software, provavelmente despertará o interesse dos participantes pela história da Mesoamérica. Variáveis controladas pelos participantes, dentro de certos limites, como plantar, armazenar alimentos, alimentar a população, e comprar ou vender terras, caracterizam problemas a serem resolvidos. Variáveis aleatórias, tais como sistema de impostos imperiais, chuvas, secas, terremotos, nascimentos e mortes, humor dos deuses, valor de mercado das terras, invasões e migrações espontâneas, são fenômenos que sugerem hipóteses quanto a relações de causa e efeito e alimentam a escolha de estratégias de ação.

Meu texto sobre a simulação era formal e enxuto. Esperava-se que os professores chegassem intuitivamente a idéias de uso jogando previamente o jogo. Ou seja, uma de nossas sugestões era a de que um grupo de docentes experimentasse concretamente o modelo para criar climas favoráveis de aplicação com seus alunos.

Nos anos de 1980 apareceu um outro software de simulação que merece destaque, a série Decisions/Decisions. Tom Snyder, o criador da série começou a trabalhar com uma simulação no papel. Ele atuava como um administrador do jogo, propondo caminhos e mostrando consequências de acordo com decisões que os alunos iam tomando. Posteriormente o modelo migrou os Apple IIe. Snyder criou diversas simulaçõpes na área de ciências sociais. A mais famosa delas era uma história que envolvia decisões sobre o meio ambiente.

Resumo aqui o roteiro do trabalho que Snyder criou para abordar questões ambientais: cada grupo de alunos atua como prefeito de uma cidade;  antes de começar o jogo, o gupo lista por ordem de importância as prioridades do prefeito; o jogo começa com uma situação-problema: um belo lago da cidade amanhece com toneladas de peixes mortos; a partir da mortandade dos peixes, o prefeito precisa escolher um caminho para eliminar a poluição; congruentes com a escolha do prefeito haverá consequências; consequências podem gerar novos problemas que exigirão novas decisões; eventos novos surgem: tratamento do lixo, por exemplo; poluição provocada pelo lixo exige mais decisões; depois de diversas rodadas de decisão chega a hora fatal: haverá eleições na cidade e o prefeito é canditado à reeleição; desfecho: o prefeito pode ou não ganhar as eleições, o resultado do pleito decorre de suas decisões e do acaso; no final, o programa apresenta um relatório de governo e produz uma tabela com os pontos que o grupo obteve para cada prioridade; além da avaliação do computador, o programa oferece aos participantes uma oportunidade de auto-avaliação. A cada rodada de decisão, o prefeito pode recorrer a especialistas (nas primeiras versões, a opinião dos especialistas sobre cada tópico era constituída por livretos com pequenos trechos sobre cada assunto que deveria ser considerado; esses livretos representavam um economista, um político, um cientistas, um ambientalista). A simulaçãoera multidisciplinar.

Parece que a série Decisions/Decisions continua a ser aperfeiçoada e publicada. Vejam, por exemplo, Decisions/Decisions – Energy and Environment.

Comecei este post com a intenção de apresentar mais uma informação sobre a simulação The Oregon Trail (que completa quarenta anos em 2011). Mas, como entrei em muitos detalhes sobre outras simulações, vou parar por aqui. Apresentarei novas informações sobre The Oregon Trail noutra ocasião.

The Oregon Trail, o filme

janeiro 28, 2011

No post anterior registrei o aniversário de quarenta anos do software educacional The Oregon Trail. Além disso, resumi a história desse famoso produto de tecnologia educacional. E aprovetei a ocasião para insistir na idéia de que o melhor uso de computadores na educação acontece quando se trabalha com simulações de qualidade.

A partir do pio do @berniedodge no Twitter indicando matéria sobre os quarenta anos do The Oregon Trail, andei um pouco pela Web para ver como o assunto vem sendo abordado no ciberespaço. Encontrei muita coisa. Fiquei surpreso. Conheço Oregon Trail desde 1982, mas não tinha a real medida da importância desse produto na história da tecnologia educacional. Vou repartir com os fregueses deste Boteco algumas das minhas descobertas. Começo por The Oregon Trail – Official Trailer.

Faz poucos dias que a Half Day Today! colocou no ar o trailer de um suposto filme baseado no mais importante jogo educacional de todos os tempos, The Oregon Trail. Winda Benedetti, especialista em jogos em computadores, observa que o vídeo game The Oregon Trail daria um ótimo filme de aventura. Ele tem todos os ingredientes de uma boa história. Tem personagens marcantes. Tem elementos atraentes de drama. O trailer mostra tudo isso. Pena que o filme ainda não foi realizado.

No trailer aparecem alguns elementos que fizeram de The Oregon Trail uma das criações mais interessantes de tecnologia educacional desde os anos de 1970. As decisões iniciais dos pioneiros no momento de organizar a viagem revelam sonhos, dúvidas, frustrações, desafios, e até episódios cômicos. O trailer mostra para quem não conhece o jogo como, desde o início, os participantes se envolvem com a aventura, assumem papéis, tomam decisões fundamentadas em conhecimento. Algumas das situações típicas da viagem também são destacadas. Uma delas ressalta aspecto que sempre foi observado em usos do software: os “pioneiros” matam muito mais caça do que a quantidade de carne que podem carregar. Os realizadores do vídeo brincam com algumas situações que podem ser tratadas com certo humor. Num quadro, por exemplo, aparece uma cena cômica relacionada com uma das variáveis randômicas que podem aparecer no jogo: “Sally está com desinteria”.

Não vou tecer mais comentários sobre o vídeo realizado pela Half Day Today! . Acho que já é hora de oferecer ao amável leitor a oportunidade de ver essa delícia que é The Oregon Trail – Official Trailer .

Simulações em educação: exemplo clássico

janeiro 26, 2011

Hoje, um pio de meu amigo @berniedodge no Twitter informa que The Oregon Trail completa quarenta anos em 2011. A história dessa simulação clássica ilustra a associação entre tecnologia educacional e computadores desde uma época em que a máquina se comunicava conosco por meio de formulários cuja impressão acontecia em monstrengos barulhentos. Vale a pena conhecer um pouco da história de The Oregon Trail e de seus impactos nas escolas públicas do EUA e do Canadá.

The Oregon Trail é o nome de uma trilha percorrida por pioneiros que partiam do Leste americano para o velho Oeste em busca de terra e vida nova. A aventura de percorrer mais de 3.200 kilometros, atravessando terras inóspitas, desertos, montanhas e rios perigosos acabou gerando um clássico de literatura juvenil nos Estados Unidos. O historiador Francis Parkman Jr. escreveu, na metadade do século XIX, a descrição de sua aventura pessoal pela trilha dos pioneiros que saíam do Leste para o território do Oregon. O livro, The Oregon Trail, converteu estudos históricos numa aventura que conquistava os leitores. Até hoje a obra de Parkman Jr é lida com entusiasmo e admiração.

No começo da minha adolescência li um livro de história cujas características guardam semelhança com The Oregon Trail: Os Irmãos Leme, do escritor Paulo Setúbal. Assim como Parkman, Setúbal narra uma história verídica num ritmo de romance. Esse modo de escrever fascina os jovens e os leva a se interessar por História.

Faço aqui uma referência literária porque tenho certeza de que os criadores do programa da simulação que vai completar quarenta anos em 2011 conheciam a obra de Francis Parkman Jr. E, de lambuja, me lembrei de dar algum destaque para Os Irmãos Leme, livro que a garotada da sétima série deveria ler nos dias de hoje. Falar nisso, o livro de Paulo Setúbal está disponível para cópia livre na Internet.

Mas vamos ao assunto do título: simulações em educação. Por muitas razões que não convém listar agora, as simulaçoes perderam terreno em usos dos computadores para fins educacionais. Mas, continuam a ser a solução que melhor pode aproveitar as virtudes da máquina para criar ambientes formidáveis de aprendizagem. The Oregon Trail, o programa cuja criação completa quatro décadas é um exemplo clássico nessa direção.

A coisa toda começa com um jovem professor, Don Rawitsch, que queria encontrar formas de consquistar interesse de seus alunos para o estudo da História. Na república em que morava, numa tarde, Don desenhou numa longa tira de papel a trilha percorrida pelos pioneiros de Independence, no  Missouri, a Willamette Valley, no Oregon. Depois disso, ele dividiu todo o território da trilha em pequenos quadrados. Em cada quadrado, anotou coisas tais como: picada de cobra, roda quebrada, etc. Aparentemente, Don estava desenhando um ambiente que poderia ser convertido num jogo de tabuleiro.

No final do dia, chegaram à república, os colegas de Don, Bill Heinemann e Paul Dillenberger, dois outros jovens professores. O trio começou a discutir o desenho e a imaginar que jogo poderia ser desenvolvido. Um deles perguntou: a gente pode fazer isso no computador? E resposta foi sim. E da resposta, o trio partiu para o desenho e codificação do programa.

O trabalho dos três jovens professores precisa ser bem entendido no tempo. Em 1971, o uso de computadores se dava por meio da rodagem de um programa e pela emissão de listagens impressas. Nada de telas, de som, de imagens. Por isso, a primeira versão de The Oregon Trail era um programa que ia produzindo folhas de texto com resultados do andamento do jogo.

Antes de continuar com a história do desenvolvimento da famosa simulação em foco, preciso registrar aqui algumas características de The Oregon Trail. Em linhas gerais, a simulação é um jogo de decisão. No ponto de partida, Independence, um grupo de pioneiros faz uma série de escolhas antes de iniciar a viagem: decide como aplicar certa quantidade de dinheiro para aquisição de meios de transporte, munição, remédio, alimentos. Decide também qual a profissão do líder do grupo. Essas decisões precisam ser bem pensadas. Um carroção muito pesado, por exemplo, tornará a viagem muito lenta. O grupo de pioneiros, já na partida, deverá fazer escolhas estratégicas. Além disso, será preciso observar clima e condições meteorológicas, tipos de territórios a serem  percorridos, saúde dos membros do grupo.

Em The Oregon Trail, os participantes precisam estar atentos para as variáveis em jogo. Precisarão ainda ter consciência de que variáveis podem manipular e de que variáveis entrarão na história por obra do acaso.

No caminho, as coisas vão acontecendo de acordo com as decisões tomadas e de acordo com as probabilidades de ocorrênciados de fenômenos naturais (chuva, doenças, neve, seca, acidentes com os carroções e animais de tiro). E a cada ocorrência será preciso tomar novas decisões (sair para uma caçada, acampar, utilizar balsa para atravessar um rio, etc.).

Volto à história. Don utilizou o programa com seus alunos. O trabalho não foi fácil. Na sala de aula, um único terminal com impressora estava conectado ao computador central (um mainframe). Cada equipe de “pioneiros”, um grupo formado por três alunos, podia utilizar o computador, de meia em meia hora. Na falta de imagens, os alunos desenhavam num mapa toda a trilha e anotavam onde estavam no percurso de acordo com os relatórios que o computador ia emitindo. Apesar das condições precárias, o entusiasmo dos alunos foi imenso. Todos chegavam bem antes do horário escolar. Todos saiam muito depois do último sinal.

No final de 1971, Don apagou o programa no computador central e conservou apenas uma listagem com os códigos de primeira versão de The Oregon Trail. A experiência foi para a gaveta até 1974, ano em que a Secretaria de Educação de Minneapolis criou um projeto para incrementar o uso de computadores nas escolas públicas. Don Rawitsch acabou ingressando no citado programa, dadas as suas habilidades de programador. Um dia ele se lembrou da simulação que havia engavetado. Resolveu reavivar The Oregon Trail. O programa foi aperfeiçoado e colocado numa rede que facilitava acesso de todas as escolas públicas do estado do Missouri. O ambiente continuava muito parecido com o de 1971. Nas escolas havia apenas um terminal com impressora. Cada terminal estava conectado com o mainframe, e os alunos faziam um uso compartilhado do programa, com intervalos de tempo para cada grupo envolvido com a “viagem para o Oregon”. No final da década (1978) The Oregon Trail migrou para uma máquina revolucionária, o Apple IIe (conheci tal versão no meu mestrado de tecnologia educacional na SDSU em 1982). A partir de então, a simulação passou a rodar em computadores pessoais. Novas versões foram aperfeiçoando o original. Por razões empresariais, o software acabou perdendo impulso na metade dos anos de 1990. Mas, até hoje, ele ainda é usado em escolas americanas e, recentemente, apareceu uma versão do jogo para celulares (uma versão com menos méritos educacionais e com mais características de jogo para diversão).

Em seus quarenta anos de vida, The Oregon Trail chegou à incrível marca de 65 milhões de exemplares vendidos ou distribuídos mundo afora. Ele é, de longe, o software de simulação educacional mais utilizado no mundo. Recentemente dei uma olhada em meu exemplar de The Oregon Trail. É uma versão para DOS, criada no início dos anos de 1990, que, infelizmente, não roda em computadores de hoje.

Interessados poderão ver uma bela história da saga de criação e desenvolvimento de The Oregon Trail num artigo recente de Jessica Lussenhop. Para tanto, basta clicar no destaque que segue abaixo:

O que é educação para Pepe Mujica

janeiro 20, 2011

Ao ler o título deste post, muita gente vai perguntar: quem é Mujica?  Resposta: presidente uruguaio.

Faz umas três semanas que recebi do meu amigo e irmão de fé Sigfredo Chiroque e-mail com registro de fala de Pepe Mujica sobre educação. Texto lindo. Num trecho, Pepe que provavelmente não conhece a obra de Mihaly Csikszentmihalyi, utiliza uma das idéias centrais do psicólogo húngaro-americano. Diz o presidente do Uruguai: “Pessoas que trotam pela Rambla entram numa espécie de êxtase onde não há mais cansaço, mas apenas prazer.Creio que se passa o mesmo com a cultura e o conhecimento. Chega-se a um ponto em que estudar, ou investigar, ou aprender já não é mais um esforço, mas puro prazer”. Clássica teoria do fluxo nos termos de Csikszentmihalyi.

Mas, não planejei este post para mostrar coincidências entre a fala de Pepe Mujica e boas teorias sobre interesse e motivação. Planejei este post para divulgar o texto enviado pelo Sigfredo. Aqui vai, portanto, a fala inteira do presidente do país irmão.

Dijo José Mujica  (Presidente de Uruguay):

Ustedes saben mejor que nadie que en el conocimiento y la cultura no sólo hay esfuerzo sino también placer.

Dicen que la gente que trota por la rambla, llega un punto en el que entra en una especie de éxtasis donde ya no existe el cansancio y sólo le queda el placer.

Creo que con el conocimiento y la cultura pasa lo mismo. Llega un punto donde estudiar, o investigar, o aprender, ya no es un esfuerzo y es puro disfrute.

¡Qué bueno sería que estos manjares estuvieran a disposición de mucha gente!

Qué bueno sería, si en la canasta de la calidad de la vida que el Uruguay puede ofrecer a su gente, hubiera una buena cantidad de consumos intelectuales.

No porque sea elegante sino porque es placentero.

Porque se disfruta, con la misma intensidad con la que se puede disfrutar un plato de tallarines.

¡No hay una lista obligatoria de las cosas que nos hacen felices!

Algunos pueden pensar que el mundo ideal es un lugar repleto de shopping centers.

En ese mundo la gente es feliz porque todos pueden salir llenos de bolsas de ropa nueva y de cajas de electrodomésticos.

No tengo nada contra esa visión, sólo digo que no es la única posible.

Digo que también podemos pensar en un país donde la gente elige arreglar las cosas en lugar de tirarlas, elige un auto chico en lugar de un auto grande, elige abrigarse en lugar de subir la calefacción.

Despilfarrar no es lo que hacen las sociedades más maduras. Vayan a Holanda y vean las ciudades repletas de bicicletas. Allí se van a dar cuenta de que el consumismo no es la elección de la verdadera aristocracia de la humanidad. Es la elección de los noveleros y los frívolos.

Los holandeses andan en bicicleta, las usan para ir a trabajar pero también para ir a los conciertos o a los parques.

Porque han llegado a un nivel en el que su felicidad cotidiana se alimenta tanto de consumos materiales como intelectuales.

Así que amigos, vayan y contagien el placer por el conocimiento.

En paralelo, mi modesta contribución va a ser tratar de que los uruguayos estudien

LA EDUCACIÓN ES EL CAMINO

Y amigos, el puente entre este hoy y ese mañana que queremos tiene un nombre y se llama educación.

Y miren que es un puente largo y difícil de cruzar.

Porque una cosa es la retórica de la educación y otra cosa es que nos decidamos a hacer los sacrificios que implica lanzar un gran esfuerzo educativo y sostenerlo en el tiempo.

Las inversiones en educación son de rendimiento lento, no le lucen a ningún gobierno, movilizan resistencias y obligan a postergar otras demandas.

Pero hay que hacerlo.


Se lo debemos a nuestros hijos y nietos.

Y hay que hacerlo ahora, cuando todavía está fresco el milagro tecnológico de Internet y se abren oportunidades nunca vistas de acceso al conocimiento.

Yo me crié con la radio, vi nacer la televisión, después la televisión en colores, después las transmisiones por satélite.

Después resultó que en mi televisor aparecían cuarenta canales, incluidos los que trasmitían en directo desde Estados Unidos, España e Italia.

Después los celulares y después la computadora, que al principio sólo servía para procesar números.

Cada una de esas veces, me quedé con la boca abierta.

Pero ahora con Internet se me agotó la capacidad de sorpresa.

Me siento como aquellos humanos que vieron una rueda por primera vez.

O como los que vieron el fuego por primera vez.

Uno siente que le tocó en suerte vivir un hito en la historia.

Se están abriendo las puertas de todas las bibliotecas y de todos los museos; van a estar a disposición, todas las revistas científicas y todos los libros del mundo.

Y probablemente todas las películas y todas las músicas del mundo.

Es abrumador.

Por eso necesitamos que todos los uruguayos y sobre todo los uruguayitos sepan nadar en ese torrente.

Hay que subirse a esa corriente y navegar en ella como pez en el agua.

Lo conseguiremos si está sólida esa matriz intelectual de la que hablábamos antes.

Si nuestros chiquilines saben razonar en orden y saben hacerse las preguntas que valen la pena.

Es como una carrera en dos pistas, allá arriba en el mundo el océano de información, acá abajo preparándonos para la navegación trasatlántica.

Escuelas de tiempo completo, facultades en el interior, enseñanza terciaria masificada.

Y probablemente, inglés desde el preescolar en la enseñanza pública.

Porque el inglés no es el idioma que hablan los yanquis, es el idioma con el que los chinos se entienden con el mundo.

No podemos estar afuera. No podemos dejar afuera a nuestros chiquilines.

Esas son las herramientas que nos habilitan a interactuar con la explosión universal del conocimiento.

Este mundo nuevo no nos simplifica la vida, nos la complica..

Nos obliga a ir más lejos y más hondo en la educación.

No hay tarea más grande delante de nosotros.

Falta um complemento: informações sobre Pepe Mujica. Sigfredo provindenciou isso também em seu e-mail. Aqui vai uma história que mostra muito bem quem é o presidente do Uruguai:

Este tipo es increible. Dias atrás escuchaba al Negro Oro hablando con Tete Coustarot que estando comiendo en un pequeño restaurant de Colonia (Uruguay) cuando se aparecio el Pepe (José Mujica  (Presidente de Uruguay)  con su mujer, en SU VW escarabajo del `81. Todo el mundo asombrado (menos los del restaurant, pues son concurrentes periodicos) Habló con todos. Todos los respetaron cuando almorzaban y al irse, saco su billetera y pagò como uno mas . Tetè llama al mozo que la estaba atendiendo y le pregunta como es que le cobraban al Presidente de la Republica.?? A lo que el mozo le contestò: si no lo hacemos, nos mata y no viene màs.

Pensà ademas que lo que ganan el como Presi y su mujer como funcionaria, le donan el 70% a su partido. Cuando le preguntaron porque , porque le debo a mi partido lo que soy y es norma. Ademas si hasta hoy pude vivir con $4.000 uruguayos, con mi Sra y yo ahora llegamos a los U$s 7.000 por mes. Para que queremos màs?
Todo un ejemplo


Galeria de gatos

janeiro 20, 2011

Como já anunciei, vou continuar a conversa iniciada em Urgente, sua gata pariu! Planejo uma série. Para tanto, vou precisar de imagens para ilustrar os posts. Alguns amigos já colaboraram. Entre eles, o grande Ivo Cambui, benemérito de gatos de rua. Na casa do Ivo, três são os felinos. Para animar outros colaboradores, coloco aqui uma foto do Ben, companheiro bichano da família Cambui.