Archive for dezembro \31\UTC 2009

Anistia para torturadores?

dezembro 31, 2009

Muita gente foi torturada e morta com requintes de crueldade por esbirros da ditadura. Cometeram crime contra a humanidade. Jobim e generais alegam que tudo foi perdoado em nome da conciliação  nacional. É esse o caminho?

Hoje, ao ver mais notícias sobre a questão lembrei-me de uma canção: Last Train to Nuremberg. Acho que ela é apropriada como proposta de reflexão sobre crimes contra a humanidade. Segue aqui a letra da dita cançao.

[Chorus (and after each verse):]
Last train to Nuremberg!
Last train to Nuremberg!
Last train to Nuremberg!
All on board!

Do I see Lieutenant Calley?
Do I see Captain Medina?
Do I see Gen’ral Koster and all his crew?
Do I see President Nixon?
Do I see both houses of Congress?
Do I see the voters, me and you?

Who held the rifle? Who gave the orders?
Who planned the campaign to lay waste the land?
Who manufactured the bullet? Who paid the taxes?
Tell me, is that blood upon my hands?

If five hundred thousand mothers went to Washington
And said, “Bring all of our boys home without delay!”
Would the man they came to see, say he was too busy?
Would he say he had to watch a football game?

Segue também VT com Pete Seaeger interpretando a citada canção.

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Música, divina música

dezembro 31, 2009

Tenho gosto musical eclético. Gosto de música. Não me prendo a escolas, países, movimentos. Gosto de música que me sensibiliza, que me diz algo, que me emociona. Talvez seja tradicionalista, pois não aprecio barbaridades com melodia e ritmo.

Para que tenham uma idéia, apresento uma das minhas cantoras preferidas, Tish Hinojosa. Texana, filha de mexicanos, Tish tem uma voz pequena, bonita, afinada. Canta quase sempre composições suas, com forte infuência mexicana, mas com um molho de tradições gringas. As letras são poesia de qualidade. As melodias não desrespeitam os ouvidos da gente.

Chega de conversa. Convido quem aprecia boa música a ver e ouvir Tish Hinojosa numa de suas delicadas canções.

Natal com os Chipmunks

dezembro 29, 2009

Eles eram famosos nos tempos em que vivi nos States. Meus filhos eram fãs entusiasmados. Vimos no San Diego Zoo show do grupo que cantava as musiquinhas dos esquilos mais amados pelas crianças (e pelos adultos também). Incluo aqui, para matar saudade, música de Natal com Alvin e cia.

Estilos de aprendizagem: fim do mito?

dezembro 26, 2009

Acompanho no Twitter mensagens do meu amigo Bernie Dodge dizendo que estudos recentes mostram que métodos baseados em estilos de aprendizagem são uma balela (a crock).

Estudo recente, Learning Styles: Concepts and Evidence,  realizado por Harold Pashler , Mark McDaniel  , Doug Rohrer , e Robert Bjork e publicado pela revista científica Psychological Science, mostra que a literatura sobre métodos baseados em estilos de aprendizagem carece de validade científica. Para economizar explicações, copio declaração dos autores do artigo em foco:

The authors of the present review were charged with determining whether these practices are supported by scientific evidence. We concluded that any credible validation of learning-styles-based instruction requires robust documentation of a very particular type of experimental finding with several necessary criteria. First, students must be divided into groups on the basis of their learning styles, and then students from each group must be randomly assigned to receive one of multiple instructional methods. Next, students must then sit for a final test that is the same for all students. Finally, in order to demonstrate that optimal learning requires that students receive instruction tailored to their putative learning style, the experiment must reveal a specific type of interaction between learning style and instructional method: Students with one learning style achieve the best educational outcome when given an instructional method that differs from the instructional method producing the best outcome for students with a different learning style. In other words, the instructional method that proves most effective for students with one learning style is not the most effective method for students with a different learning style.

O estudo coordenado por Harold Pashler, professor da Universidade da Califórnia em San Diego, mostra que o entusiasmo dos defensores das abordagens metodológicas adequadas para cada tipo de aprendizagem não é confirmado cientificamente. Um bom comentário sobre a matéria aparece em artigo do The Chronical. Na citada matéria aparecem opiniões dos mais afamados pesquisadores de estilos de aprendizagem. Alguns deles não aceitam os resultados do estudo de Pashler. Outros admitem que não há há uma passagem mecânica do reconhecimento de que as pessoas podem ter diferentes estilos de aprendizagem para a adoção de métodos específicos de ensino.

Nos comentários do Bernie e nas matérias sobre o artigo publicado em Psychological Science, há observações de que métodos voltados para estilos de aprendizagem fizeram furor nos meios educacionais e de desenvolvimento de recursos humanos. Neste último nicho, sempre sintonizado com gritos da moda, estilos de aprendizagem acabou virando uma palavra de ordem, um artigo de fé. Parece que agora, a moda que consquistou muitos pedagogos e treineiros tem uma oposição séria e bem fundamentada. Já era hora.

Método é antes de tudo uma função de tipos de conhecimento. Em outras palavras, mais que particularidades dos aprendizes, o que mais importa em processos de ensino-aprendizagem é a natureza do saber que precisa ser apropriado pelas pessoas. Essa orientação tem como base a convicção de que compartilhamos certas características de nossa espécie. Em outras palavras, qua homo sapiens, todos nós percorremos caminhos equivalentes para aprender os tipos de conhecimentos historicamente desenvolvidos pela humanidade. Isso, de certa forma, nos iguala e, por outro lado, não nega nossa individualidade. Podemos ter e temos estilos pessoais de aprender, mas essas qualidades individuais não se sobrepõem a tipos de saber.

Não há aqui espaço para mais escrever sobre o assunto. Mas quero ainda fazer uma observação. A discussão sugerida pelos comentários do Bernie é central no campo da tecnologia educacional. É muito mais importante, por exemplo, que conversas sobre qual plataforma escolher para cursos de EaD. O centro da tecnologia educacional não é constituído por artefatos. Ele é constituído por conversas sobre quem somos nós, como aprendemos, que saberes elaboramos. Sem essas conversas tecnologia educacional não faz sentido.

Levantamento de necessidades

dezembro 26, 2009

Nos meus tempos de estudante no programa de mestrado na San Diego State University, a gente gramava bastante para preparar e aplicar instrumentos de levantamento de necessidades. Uma prática sadia e necessária, embora exigente. No processo, aprendi que é indequado falar em necessidades educacionais.

Educação, no âmbito do planejamento sistemático da instrução (ISD), não é necessidade, é solução. Necessidades se definem como diferenças entre determinada situação e um estado final desejável. Exemplo:

  • Frequentadores das nossas praias deixam uma imundície sobre a areia [uma situação constatada pelo analista].
  • Frequentadores de nossas praias cuidam do lixo que produzem no local como quer qualquer pessoa decente [estado final desejável].

Será que educação é uma solução no caso da sujeira provocada por banhistas em nosso litoral? Educadores ingênuos achariam que sim. Um bom tecnólogo educacional não chegaria necessariamente a tal conclusão. Talvez dissessse a quem o contratou que, em vez de educação, a solução mais adequada seria punição (multa pesada para os sujões). E por que um analista bem treinado em ISD chegaria a tal conclusão? Fácil, já há informação suficiente sobre cuidados que os banhistas devem tomar para não emporcalhar as praias. Mais informação seria dinheiro gasto sem esperança de bons resultados. O povo já está “educado”. A hora é de punir os infratores.

O exemplo que imaginei para explicar detalhes do que aprendi no começo dos anos 80 parece simplório. Não é. Há muitos educadores que se entusiasmam por soluções educacionais, mostrando certo traço de messianismo pedagógico [do tipo: a educação tudo pode]. Isso é ruim para a educação. Há sempre quem diga que é preciso mais educação. Mas nem sempre esse é o caso. Algumas vezes as soluções são outras: punição, melhores salários, compensaçõles financeiras, comida na mesa, tratamento igualitário na justiça etc. etc.

Acho que o dito já basta para situar levantamento de necessidades no planejamento educacional. Alías, eu nem tinha intenção de entrar no mérito da questão. O que eu queria de início era informar que um dos livros clássicos sobre a matéria, escrito por minha amiga da San Diego State University, Allison Rosset, está disponível quase que integralmente no Googlebooks. Intreressados em dar uma olhadinha no material podem clicar sobre a imagem abaixo.

Entrevista no Fórum

dezembro 25, 2009

Descobri hoje que o Fórum Internacional de Educação Profissional e Tecnológica publicou entrevistas com os participantes de mesas do evento. Para registro e conhecimento, indico aqui versão da minha entrevista em inglês.

Feliz Natal, San Diego

dezembro 24, 2009

Vivi dois anos felizes em San Diego, Califórnia. E até hoje me sinto um pouco cidadão do lugar, torcedor fervoroso dos Padres. Lá tenho poucos, mas grandes amigos:Pat Harrison, Rafaela Santa Cruz, Brock Allen, Bernie Dodge, Vanda e Jim Poirier.

Dois vizinhos queridos, Grace e Mell, que adotaram meus filhos com netos já se foram. E alguns conhecidos da vizinhança, embora sem grandes laços de amizade, sempre foram gente muito fina, sempre disponíveis nas horas de precisão. No Natal, costuvam aparecer para cumprimentos e alguma lembrança na forma de bolos ou frutas.

Hoje soube via twitter que há uma canção natalina tematizada para Sunny San Diego. A letra fala de lugares de muita beleza. Se você quer curtir uma das cidades que faz parte da minha vida e ouvir uma canção natalina diferente, veja e ouça o VT aqui anexado.

Síndrome do bezerro de ouro

dezembro 16, 2009

Em recente conversa sobre celulares no Twitter, fiz referência à síndrome do bezerro de ouro. Citei meu amigo Carlos Seabra como fonte para tal expressão. No fundo, a metáfora a que me referi sugere considerações sobre o instrumentismo, aquela insistência em usar certos produtos tecnológicos com indicador de modernidade, de avanço, de progresso. E muitas vezes essa bobagem é apenas a aceitação de imposições de vendedores de bugigangas. Qualquer semelhança com o paradigmático espelhinho para enganar índios é semelhança mesmo.

Agora, revendo meus velhos guardados, notei que um belo comentário sobre a sídrome do bezerro de ouro foi feita por Donald Norman no Design of Everyday Things. O texto é de uma época em que estavam em voga os sistemas de som. Daí o exemplo analisado pelo autor. Mas, para bons leitores será fácil relacionar o que diz Norman com celulares ou qualquer outro sonho de consumo dos compradores obsessivos de ‘tecnologia’.

Traduzi o texto do Norman há muitos anos. Revi o escrito e acho que vale a pena divulgá-lo. Segue, portanto a tradução.

A ADORAÇÃO DE FALSAS IMAGENS

(A síndrome do bezerro de ouro)

Donald A. Norman

POET  p. 174-6

O designer – e o usuário – pode ser tentado a adorar a complexidade. Alguns de meus alunos realizaram um estudo sobre máquinas copiadoras de escritórios. Descobriram que as máquinas com mais funções, e muito mais caras, eram sucesso de vendas entre as empresas de advocacia. As empresas precisavam das muitas funções extras de tais máquinas? Não. Na verdade elas gostavam de colocar as máquinas na parte da frente dos escritórios perto da sala de espera dos clientes. Um show de equipamentos com luzes flamejantes e lindas telas. As empresas, assim, ganhavam uma áurea de modernidade, mostrando sua capacidade de lidar com os rigores da alta tecnologia. O fato de que as máquinas eram muito complexas para serem operadas pela maioria das pessoas nas empresas era irrelevante; as copiadoras sequer tinham que ser usadas, importava a aparência. Em tempo: os adoradores de falsas imagens neste caso eram os clientes.

Uma colega me narrou as dificuldades que ela enfrentou com o seu conjunto caseiro de audio/TV, formado por diferentes componentes que, isoladamente, não eram muito complexos. Mas as combinações eram tão difíceis que ela não podia usar o conjunto. A solução de minha amiga foi trabalhar cada operação que ela queria fazer  e escrever instruções explícitas para si própria. E mesmo com essas instruções, não foi fácil operar o aparelho. Aqui, claramente, o culpado são as interações entre componentes. Imagine-se tendo de escrever diversas páginas de instrução para poder utilizar seu próprio aparelho de som!

No caso do conjunto de audio/TV extremamente complexo, os componentes eram de diferentes fabricantes. Foram concebidos para serem comprados e usados isoladamente. Mas eu já vi complexidade igual em componentes produzidos por um único fabricante. Alguns vendedores tentam criar a impressão de que é assim que deve ser, pessoas com alguma competência técnica podem fazer com que o aparelho funcione. Não, esta atitude não é correta. O equipamento simplesmente é muito complexo, a interação entre os equipamentos é muito difícil. Não há nada particularmente avançado com relação ao equipamento de minha colega. E ela é uma pessoa razoavelmente sofisticada quanto à tecnologia – é uma doutora em ciência de computação – mas foi derrotada por um audio caseiro.

Um dos problemas com equipamentos de audio e vídeo é o de que, mesmo que os componentes tenham sido planejados com cuidado, a interação intercomponentes não é fácil. O receptor, o toca-fitas, a televisão, o videocassete, o aparelho de CD, etc  parecem ter sido planejados de modo relativamente isolado. Colocá-los juntos é o caos: uma admirável proliferação de controles, luzes, medidores e interconexões que podem derrotar até mesmo tecnófilos de talento.

Neste caso, a falsa imagem é a aparência de sofisticação técnica. Este é o pecado responsável pela complexidade extra de muitos dos nossos instrumentos, dos telefones e televisões às lavadoras e secadoras de roupa, dos painéis de automóveis aos conjuntos audiovisuais. Não há remédio aqui  a não ser educação. Você pode argumentar que este é um pecado sem vítimas, ferindo apenas aqueles que o praticam. Mas isto não é verdade. Fabricantes e designers fazem produtos para aquilo que eles percebem como  demandas de mercado; assim, se um número razoável de pessoas comete o tal pecado – e a evidência é que elas irão pecar – todos nós pagamos pelo prazer de uns poucos. Pagamos na forma de equipamentos coloridos e elegantes cujo valor de uso é quase zero.

Tortura é crime

dezembro 13, 2009

Não preciso explicar o título deste post. Ele é uma chamada para uma campanha necessária.

Está em curso pedido de assinatura de um manifesto contra a anistia aos torturadores dos tempos da ditadura.

Para mim, o recado veio do Peru. Acabo de receber pedido de  adesão à campanha por e-mail enviado pelo meu amigo-irmão Sigfredo Chiroque, do Intituto de Pedagogia Popular.

Não posso deixar de colaborar com a campanha. Segue aqui a direção do local onde é possível assinar o documento.

Não deixe de assinar.

Tecnologia na escola

dezembro 12, 2009

Em 1995 selecionei alguns sites nota 10. Entre os tais estava Reinventing Schools, obra da American Academy of Science. Um dos critérios que utilizei para incluir tal obra na minha seleção foi a invenção visual do material. Já naquela época os produtores de Reinventing School sabiam que a Web propõe um desafio comunicativo dada a riqueza de recursos que ela permite usar.

Outra virtude da webpage aqui comentada é a linguagem. A obra é escrita para conquistar o leitor, não para mostrar a imensa sabedoria dos autores. Os textos tem um tom de conversa (boa conversa). As ilustrações são leves, pertinentes, bonitas. Algumas citações podem ser ouvidas em gravações feitas por seus próprios autores. Para dar uma idéia da leveza comunicativa da obra da American Academy of Science, aqui vai o parágrafo inicial do primeiro capítulo:

Os olhos dos alunos brilham antecipadamente. Os dedos se dobram num leve arco sobre os teclados dos computadores, esperando para teclar soluções de problemas cada vez mais difíceis que aparecem diante deles na tela. O professor fica maravilhado com tanta concentração e receptividade. Mas as crianças não estão na escola, elas estão numa lan-house embarcadas num jogo eletrônico.

Durante os últimos anos não consegui acessar Reinventing Schools. Achava que o site tinha sido retirado do ar. Redescobri-o esta semana. Infelizmente as seções interativas do material não estão mais funcionando (ou será que minha incompetência não achou um meio de fazê-las funcionar?).

A obra é de 1995. Atualíssima. Os números (de máquinas, de conexões, de velocidade da Internet etc.) já não são os mesmos. Mas as direções gerais, as esperanças, as dicas, o sentido continuam fresquíssimos.

Como disse, a webpage deixou de funcionar de acordo com a proposta original (um espaço que permitia alguma interação e navegações ao gosto do freguês). Mas, todo o conteúdo original ainda pode ser visto em pdf. Vale a pena uma visita. Se você quer ver um trabalho porreta de comunicação sobre novas tecnologias da comunicação e informação para as escolas, clique sobre a figura abaixo.