050. Desafio Mesa Americana

Escrevi a proposta inicial de Desafio Mesa Americana para o Programa Caminhos da Escola, do MEC. Publico meu texto inicial aqui para que amigos possam ter idéia de como o Desafio começava.

MESA AMERICANA

DESAFIO ESCOLAR

 

Jarbas Novelino Barato

 

Começo por justificar a sugestão deste desafio oferecendo uma explicação preliminar para a produção e para a escola realizadora. A proposta procura articular uma forma cotidiana de atender a uma necessidade básica – a necessidade de alimentação – e os desdobramentos culturais de como a humanidade foi descobrindo e inventando meios e modos de colocar comida na mesa.

É interessante observar que na história humana as estratégias para obter alimento desempenharam (e desempenham) um papel fundamental na vida das comunidades, tribos, sociedades, impérios, países. Saber como nossos ancestrais buscavam fontes de alimentação e inventavam modos de tornar palatáveis vários de tipos de plantas e de animais (incluindo derivados destes como leite, mel, ovos e sangue) é fundamental para entender civilizações e rumos da história.

Em nossas mesas nos dias de hoje há quase sempre uma síntese de milhares de anos de descobertas e de invenção do engenho humano. Nosso arroz com feijão do cotidiano combina um cereal domesticado por antigos povos da China e uma leguminosa domesticada por antigos ocupantes da Meso-América. Carnes e vegetais do mesmo prato podem ser alimentos de origens diversas (América, Europa, Ásia e ilhas do Pacífico). A salada que antecedeu o prato quente também tem a mesma característica, uma imensa diversidade de folhas, raízes, talos, frutos, sementes originários de todas as partes do planeta.

Nem sempre os livros didáticos de história consideram produção de fontes de alimentos, assim como os modos pelos quais a humanidade inventou muitas e muitas maneiras de processar essas fontes em comida. Esta circunstância revela uma falta de atenção para um dos aspectos mais notáveis da cultura. Além disso, a mesma circunstância mostra como se ignora um modo muito interessante de criar sentimento de admiração no estudo da história.

Em levantamentos informais, constatei que as pessoas geralmente ignoram de onde vieram os alimentos que freqüentam nossas mesas no dia-a-dia. Ignoram, principalmente, as origens de vegetais domesticados pelos povos da América antes da chegada dos europeus ao nosso continente. É possível que essas mesmas pessoas jamais se perguntaram como seriam nossos almoços e jantares se a América continuasse isolada do resto do mundo. É possível também que elas não tenham a menor idéia dos impactos que três vegetais americanos (milho, batata e mandioca) causaram em hábitos alimentares na Europa, Ásia e África.

A finalidade maior deste desafio é a de despertar um sentimento de admiração pela inventividade humana que trouxe para nossas mesas imensa variedade de sabores. Da admiração, espera-se que os alunos comecem a se interessar por um estudo da história que parte de uma necessidade básica dos seres humanos. De modo mais específico, os processos imaginados para o desafio, assim como o produto que os alunos deverão apresentar, buscam envolver os estudantes nas particularidades da história das civilizações americanas.

Proposta para a primeira parte

O programa pode começar mostrando como nossa alimentação conta boa parte da história humana. Para tanto, pode-se começar com imagens de alimentos em ambientes que oferecem grande variedade de produtos: um mercado municipal, uma feira livre, as gôndolas das seções de alimentos num supermercado. As cenas iniciais podem também começar num outro ambiente: num restaurante que sirva comida por quilo. Neste caso, as imagens de variados alimentos serão acompanhadas de uma fala sobre a diversidade de produtos encontrados num restaurante popular.

Em qualquer dos casos de background de imagens, convém destacar os alimentos mais consumidos:

  • Arroz (China)
  • Batata (Peru)
  • Feijão (México)
  • Milho (México)
  • Trigo – pão – (Ásia e Europa)
  • Carne bovina (Ásia)
  • Tomate (América do Sul)
  • Mandioca (Brasil)
  • Banana (ilhas do Pacífico)
  • Peru (Norte América)
  • Laranja (Pérsia?)
  • Abacaxi (Brasil)
  • Mamão (Brasil)
  • Melancia (África)

Imagens de alimentos, apresentadas de modo dinâmico (talvez com virtudes destacadas por vendedores de feira…) podem ser complementadas por entrevistas rápidas sobre conhecimento que as pessoas comuns tem sobre origem dos alimentos mais consumidos. Talvez se possa avançar mais com perguntas sobre conhecimentos a respeito de que povos domesticaram trigo, milho, arroz, batata, cacau, gado bovino, porco etc. Talvez convenha perguntar para cidadãos comuns sobre a dieta de nossos índios antes da chegada dos portugueses [Fato curioso: segundo a carta encaminhada por Caminha ao rei de Portugal, o que mais causou alvoroço e medo entre os índios que visitaram as naus da esquadra de Cabral foi uma galinha…].

Outra linha de introdução ao assunto pode ser a de entrevistas rápidas com historiadores e/ou nutricionistas que possam dar informações sobre alguns dos itens mais comuns da alimentação dos nativos americanos. Aqui poderiam entrar informações rápidas sobre batata, milho, mandioca, feijão, abóbora, caju, tomate, abacaxi – a fruta que causou admiração entre os primeiros cronistas de nossa terra – pescados dos rios brasileiros.

Mais uma alternativa de introdução: entrevistas com grandes chefs de cozinha que buscam criar pratos com produtos americanos. Carla Pernambuco (http://carlapernambuco.uol.com.br/) , do restaurante Carlota, de São Paulo é profissional que faz isso com muito fundamento. Outro chef famoso que já criou pratos com produtos nativos é Francisco Ansiliero, do restaurante Dom Francisco (http://www.domfrancisco.com.br/) , de Brasília. Carla, Francisco ou outros chefs famosos podem ser bem explorados para falar sobre comida, história e cultura, destacando depois as possibilidades culinárias de alguns produtos nativos das América. Essa conversa pode dar margem à observação de que podemos encontrar nossa história na cozinha, pois esta é uma síntese de milhares de anos de descobertas da humanidade com relação a uma coisa fundamental: o que podemos colocar na mesa não só para matar a fome, mas também para ter prazer.

 Relatos históricos como After the Ice: A Global History, 20.00 – 5.000 BC exploram a fundo as conseqüências dos tipos de alimentos selecionados pela humanidade. Em fases de caça e coleta, com aconteceu em toda parte até uns 15000 anos antes de Cristo, não há fartura, mas também não há necessidade de grande esforço para produzir o pão de cada dia. Depois, em várias partes do mundo, os homens começam a domesticar plantas e animais. Aumenta a fartura de alimentos. Mas aumenta também a necessidade de muito trabalho para produzi-lo. Além disso, a relativa fartura de alimentos e a necessidade de grande número de pessoas dedicadas à produção foram estruturando os primeiros agrupamentos humanos que podem ser chamados de vilas e cidades.

Cabem outras observações. Para cuidar dos alimentos foi necessário selecionar sementes, escolher terrenos mais favoráveis para a produção. Foi necessário inventar meios de armazenar e conservar a colheita. Etc. Tudo isso pode ser visto hoje nos grandes projetos de produção de grãos, frutas, animais de corte etc. Para ver tudo isso em imagens basta ir até um CEASA e constatar que os alimentos exigem cuidados e invenções.

Outra coisa. Vale observar também que os alimentos exigem arte na cozinha. Quando nos sentamos à mesa, não queremos apenas nos alimentar. Queremos comida que agrade ao nosso paladar. Grandes chefs ou cozinheiras do trivial capricham no tempero, na apresentação. O que sabem é resultado de invenções de muitas gerações.

Nosso foco é a América. Durante milhares de anos nosso continente esteve isolado de outras partes do planeta. Os seres humanos que para cá vieram há 20000 ou mais anos atrás praticamente não trouxeram nenhuma planta ou animal de seus lugares de origem (quase certamente o norte da Ásia). Chegando às América tiveram que avaliar as fontes alimentares aquis existentes. Tiveram que observar. Tiveram que experimentar e criar. No começo caçavam e coletavam o que a natureza produzia naturalmente. Mas, por volta de 6000 antes de Cristo, começaram a domesticar algumas espécies nativas. Talvez a realização mais importante da domesticação de fontes alimentares nas Américas tenha acontecido com o milho. Esse cereal, na origem uma gramínea pouco parecida com o milho de hoje (chamada teocinte) foi continuamente transformada por um processo de seleção realizada pelos índios da Meso-América. História parecida aconteceu com a batata e a mandioca.

O que se pretende com o desafio aqui proposto é oferecer oportunidade de ver a história das Américas por meio de descobertas de seus povos no campo da alimentação. No caminho para isso certamente haverá muita surpresa. Uma delas, por exemplo, será a de descobrir que a batata inglesa é, na verdade, peruana.

Objetivos

Antes de seguir em frente, convém situar os objetivos educacionais pensados para este desafio. O que se quer com a geração de um produto final que colocará os alunos num processo de investigação bastante intenso é:

  • Estabelecer ligações entre traços culturais de hoje e o passado da humanidade.
  • Examinar a produção de alimentos como uma atividade que além de dar resposta para uma necessidade vital é dimensão importante da cultura e da economia.
  • Reconhecer os mais importantes alimentos de origem nativa (americana).
  •  Listar as contribuições das civilizações americanas anteriores à chegada dos europeus para as mesas de alimentação do planeta.
  • Experimentar concretamente como uma seleção de alimentos americanos pode ser base para um menu saudável e gostoso.
  • Desenvolver sentimento de admiração pelo contínuo desenvolvimento de civilizações, utilizando a alimentação como uma referência capaz de articular passado e presente.

Os objetivos gerais atrás formulados indicam que este desafio é multidisciplinar e envolve ciência, história, geografia, estudos sociais, culinária. Possivelmente a coordenação dos necessários estudos possa ficar sob responsabilidade de um professor de história.

O desafio

Depois de apresentar o pano de fundo que serve para justificar o que os alunos deverão realizar, chegou a hora de apresentar o desafio propriamente dito. Os alunos escolhidos para participar dessa aventura deverão se transformar em profissionais de culinária (chefs de cozinha) convidados pela EMBRAPA ou por uma cadeia de restaurantes para iniciarem a elaboração de um menu tipicamente americano. Há muitos alimentos nativos das três Américas. Alguns deles são conhecidos hoje em todo o planeta. Outros permanecem restritos a regiões bem demarcadas pela geografia ou pelos costumes.

É possível que os chefs venham a enfrentar alguma dificuldade, pois estamos tão acostumados a mesas planetárias que fica difícil pensar uma refeição sem certos produtos que vieram de muito longe (casos, por exemplo, do arroz, do trigo e da carne bovina). Haverá certamente algumas restrições. Hoje o óleo de cozinha mais comum é o de soja, mas ele não poderá ser utilizado num cardápio americano. Não há problema, não é muito difícil encontrar óleos de cozinha feitos de vegetais nativos das Américas. Basta pesquisar um pouquinho. Outro problema será o tempero. Alguém se lembrará que os navegadores portugueses buscavam novas rotas para o comércio de especiarias. Estas nada mais eram que vegetais que hoje constituem o núcleo central dos temperos utilizados em todas as cozinhas do planeta. E boa parte desses temperos não é americana, exceto a imensa variedade de pimentas nativas de diversas partes das Américas. De qualquer forma, temperar comidas nativas americanas apenas com especiarias da terra será uma parte exigente do desafio.

Já ofereci  informações suficientes para situar o desafio. Vamos a ele em termos de conversa com os alunos.

Vocês são chefs de cozinha de diversos restaurantes famosos. Sempre inventam novos pratos. São pessoas cultas que sabem combinar culinária com bom gosto, história e cultura. Vocês não são apenas cozinheiros. São artistas. São criadores. Por isso a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) convidou vocês para criarem o que está sendo chamado de Mesa América, um projeto de elaboração de menus que utilizem exclusivamente produtos de origem nativa [valem alimentos cujas origens sejam de qualquer parte das Américas, do Alaska à Patagônia].

Observação. [Se possível seria muito bom envolver a EMBRAPA concretamente no trabalho que vamos realizar, pois a empresa já fez propostas similares convidando chefs famosos para criarem menus com produtos de diversos biomas do Brasil. Se entrar na realização, provavelmente a EMBRAPA poderá fornecer alguns insumos necessários para a boa realização do desafio]. Se a ideia de ter a EMBRAPA como cliente não for realizável, a alternativa será a de sugerir aos alunos que eles estão sendo convidados por uma cadeia de restaurantes, a ser inaugurada brevemente, que quer fazer algo completamente novo: trabalhar com um cardápio exclusivamente americano. Nesse caso, embora nosso cliente seja fruto de uma ficção será preciso encontrar profissionais que atuem como possíveis contratantes dos serviços de nossos “chefs”.

Concretamente, a EMBRAPA lhes fez o seguinte convite:

Queremos que vocês escolham pelo menos dez itens de fontes de alimentos tipicamente americanos. E mais, queremos que vocês criem um menu para um jantar com os produtos escolhidos. O cardápio deverá ter uma entrada, um prato quente, sobremesas e bebidas. Em nenhuma hipótese vocês poderão utilizar produtos originários de outros continentes. A criação de vocês será nosso primeiro passo para desenvolver a Mesa Americana.

O desafio não fica apenas no que se descreveu até aqui. Vocês terão de fazer, de acordo com o menu que criaram, um jantar que deverá ser servido para pelo menos quatro pessoas.

Este desafio certamente vai dar muito trabalho. Mas será muito interessante. Além de pesquisa, ele envolverá muita conversa entre os alunos e muita ação na cozinha. Por isso será importante considerar o apoio que os alunos deverão receber para conseguirem bom resultado.

Condições para desenvolvimento do desafio

Para realizar este desafio, os alunos deverão contar com uma boa cozinha. Nas primeiras conversas havidas sobre a produção, sugeriu-se que o desafio fosse realizado por alunos de cursos técnicos do Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Distrito Federal. Se essa sugestão for concretizada, parece que será possível ter uma cozinha bem equipada para o trabalho.

Outra necessidade de apoio: os alunos precisarão contar com a ajuda de um chef famoso. Se realizada em Brasília, Francisco Ansiliero, do Dom Francisco, poderá ser convidado para ajudar os alunos. Ele é pessoa culta e grande criador de cardápios originais. Se a atividade for realizada em outra cidade, continuaremos precisando de um chef que possa incentivar nossos alunos a criarem parte de um cardápio para o projeto Mesa América. [Em São Paulo, a chef ideal para isso é Carla Pernambuco, do Carlota].

Não se espera que os alunos aprendam a cozinhar. Para isso, será preciso contar também com uma equipe de apoio na cozinha, constituída por cozinheiros e auxiliares que possam produzir os pratos indicados pelos alunos. Os alunos, porém, deverão colocar a mão na massa. Deverão ser vistos na cozinha, devidamente uniformizados, fazendo o que for possível para que o jantar com produtos exclusivos do continente americano seja um sucesso.

Parte dos produtos que os alunos escolherão provavelmente são produzidos em largas escala e até industrializados. Peru e milho, por exemplo, estão nessa condição, assim como batata,  mandioquinha, tomate e mandioca. Outros produtos, porém, se escolhidos darão um pouco de trabalho para serem encontrados. Esse é o caso, por exemplo, de carnes, silvestres. Há comércio legal de carne de capivara, mas encontrar empresas que a vendem não será muito fácil. Alguns outros produtos, embora importados, não são tão raros. Este é o caso da quinoa que pode ser encontrada em casas que vendem produtos “naturais”. De qualquer forma, é bom assegurar que prováveis dificuldades de aquisição dos produtos não tolham as possibilidades de escolha dos alunos. Cabe reparar que as sobremesas que certamente não poderão ser doces convencionais (o açúcar de cana não é produto nativo…). E é bom lembrar que o único mel que pode ser utilizado é o de abelhas nativas.

Convém lembrar que na sobremesa poderão ser consumidas frutas da terra. Talvez seja aconselhável sugerir que os alunos escolham pelo menos duas frutas que deverão integrar o cardápio que criarem.

Uma sugestão

Cheguei a pensar em incluir no desafio a circunstância de que o jantar seria julgado por um júri gastronômico de quatro pessoas. Fiquei na duvida e não inclui isso na formulação do desafio. Mas se coordenação e produção julgarem que este aspecto dramático pode acrescentar algo de interesse em termos de TV, a constituição de um júri será mais um aspecto a ser considerado pela produção e pela escola realizadora. [seria muito bom que todo o júri ou parte dele fosse constituído por chefs e críticos de gastronomia].

O processo

Depois de apresentado o desafio, entramos na segunda parte das atividades: o processo. Uma parte do processo pode ser estruturada como uma conversa entre os alunos e o chef de cozinha que for convidado para participar do programa. A conversa pode ocorrer numa cozinha, com o chef devidamente paramentado, talvez mostrando algumas de suas criações, mas sem dar pistas se os produtos utilizados são americanos ou oriundos de outras partes do mundo. Na conversa, os alunos podem fazer perguntas sobre cozinha, cultura e história.

Para este desafio criei uma WebGincana que pode animar a primeira parte das pesquisas que os alunos deverão  realizar sobre alimentos nativos das Américas. Uma WebGincana é uma forma estruturada de uso da Web para fins educacionais. Ela coloca os alunos numa situação de jogo (competitivo) pela busca de certas informações. Ganha o jogo a equipe que mais pontuar. Mas, uma WebGincana não se resume a buscar informações na Internet. Ela imita as gincanas tradicionais, propondo atividades e missões que deverão ser realizadas logo após a descoberta de resposta correta para certas questões. Atividades são realizações da equipe ou grupo de trabalho. Missões são tarefas típicas de gincanas.

A aplicação de uma WebGincana neste desafio foi pensada como forma de dinamizar a busca de informações e criar situações que podem ser bem aproveitadas em registros de TV. Mas é bom notar que a WebGincana proposta não será suficiente para que os alunos recolham todas as informações necessárias para vencer o desafio proposto. Será preciso ainda:

  • Realizar mais pesquisas na Internet, e em livros e revistas.
  • Consultar especialistas (chefs, professores de história).
  • Decidir sobre estratégias para organizar o trabalho de forma a conseguir resultados o mais breve possível.
  • Buscar, com auxílio da escola realizadora e produção, os alimentos necessários para produção do jantar.

Volto à WebGincana. O jogo proposto exige coordenação de um ou mais professores. Por isso é bom que os professores participantes dêem uma boa olhada no material antes que os alunos iniciem o jogo.

Publiquei a WebGincana no Zunal, um ambiente para produzir e alojar WebQuests. Foi preciso, portanto, fazer algumas adaptações. Melhor seria se pudéssemos  colocar a WebGincana num página Web bem acabada. De qualquer forma, a versão que coloquei no Zunal tem toda as condições de utilização num trabalho como o proposto.

Cabe aqui uma observação. Pesquisas na Internet sugerem uso de buscadores como o Google para encontrar fontes de informação. Nada contra. Mas há uma convicção generalizada entre alunos e professores de que basta escolher e reproduzir o que o Google lista. Esse modo de ver “pesquisa” não é o que sugerimos em WebGincanas. O que queremos é que o aluno leia material selecionado pelo professor/autor e nele encontre informações necessárias para dar conta do recado. Nem sempre se consegue isso em WebGincanas quando as perguntas não estão bem formuladas (e não é fácil formular questões que driblem o Google). Por essas razões, é preciso que os professores participantes, além de conferirem a correção das respostas dos alunos, solicitem que estes últimos indiquem a fonte onde encontraram a informação (assim, a indicação de fonte será condição necessária para pontuar).

Estou sugerindo aqui algumas indicações que podem ser úteis para os professores participantes. Esperam que eles leiam este texto preliminar sobre o desafio. E, para não esticar demasiadamente este subsídio, sugiro à escola realizadora e professores que entrem em contato comigo caso surjam dúvidas de como utilizar a WebGincana.

Falta indicar onde a WebGincana Mesa Americana pode ser encontrada. Aqui vai o endereço:

 

 

A realização da WebGIncana pelos alunos vai criar algumas situações interessantes para registro de TV. Em primeiro lugar haverá um clima ou de competição ou de desejo de superação. Talvez missões e atividades sejam particularmente interessantes neste sentido.

Estão previstas três atividades, realizações que dependerão de iniciativas dos alunos para criarem ou produzirem algo. A primeira atividade, vinculada à questão 1 propõe ao grupo a leitura dramática de uma lenda. Isso é um teatrinho cuja realização dependerá de imaginação dos alunos e pode gerar uma ou outra imagem interessante.

A segunda atividade, vinculada à questão 9, sugere que os alunos montem uma salada com ingredientes de produtos nativos das Américas. Isso vai exigir trabalho na cozinha, com uso de equipamentos necessários. Há aqui muitas possibilidades de fazer imagens e de gravar parte das conversas dos alunos em suas tentativas de criar uma salada apetitosa e bonita.

Observação. Produção e escola realizadora deverão deixar semi-preparados os ingredientes que possam entrar na salada. Vai aqui uma sugestão de itens:

  • Quinoa, já cozida ou em forma de farinha.
  • Batatas e mandioquinha – batata baroa (já cozidas)
  • Tomate in natura.
  • Chuchu (já cozido).
  • Abacaxi in natura.
  • Abacate in natura.
  • Peito de peru (talvez defumado)
  • Ovos de codorna (já cozidos).
  • Farinha de milho em beiju.
  • Milho em espigas já cozidas ou em embalagens industrializadas.
  • Abóbora (tipo moranga) já cozida.
  • Algum peixe já cozido ou em embalagens industrializadas.
  • Óleo de milho.
  • Palmito (in natura ou industrializado).
  • Pimentão in natura ou cozido.

Outros itens conhecidos pelo chef que dará assessoria ao programa podem ser providenciados, de acordo com conveniências da escola realizadora e da produção.

Como dispomos de pouco tempo parta a realização, será preciso que todo o material já esteja semi-processado antes da atividade que os alunos deverão desenvolver. A salada será uma invenção dos alunos. Eles decidirão que ingredientes utilizar (desde que os mesmos sejam genuinamente americanos). Não será obrigatório, portanto, que se usem todos os ingredientes disponíveis. Outra observação: bancadas de trabalho para os alunos já deverão estar previamente preparadas para a atividade, limpas e com todos os equipamentos necessários à mão. Finalmente, é conveniente que os alunos tenham apoio de profissionais de cozinha (cozinheiros e auxiliares de cozinha). Esses profissionais nada produzirão, mas darão apoio aos alunos mostrando como utilizar os equipamentos e como cortar e preparar os ingredientes. Sugere-se que salada preparada seja uma porção para duas pessoas.

A Terceira atividade, vinculada à questão 15, é o ensaio e apresentação de uma música tradicional do folklore peruano, El Condor Pasa. Para que os alunos possam ouvir uma versão da música e tentar aprendê-la, será preciso providenciar aparelho de som e CD ou fonte MP3 de alguma das versões da música.

A dinâmica da WebGincana prevê missões, aquelas tarefas típicas de gincanas tradicionais. A primeira missão, vinculada à questão 8, exigirá que os alunos entrem em contato com prováveis fornecedores de mel nativo. Sugere-se que os contatos possam ser feitos via celular. Se os alunos tiverem que buscar o item solicitado em lugar distante da escola haverá problemas para conseguir transporte. Acho que isso não precisa ser facilitado, afinal de contas estamos lidando com um desafio…

A segunda missão, decorrente de resposta à questão 10, exige que se encontre alguém que já tenha provado carne de capivara (como estamos num programa educacional, é bom anotar que a carne silvestre do caso deve ser alimento produzido por firma autorizada pelo IBAMA). Se houver dificuldade para trazer a pessoa até o local da WebGincana, pode-se pensar numa forma substitutiva: realizar entrevista com a pessoa por meio de celular, skype ou outra modalidade de comunicação eletrônica.

A terceira missão, trazer até a sala de realização da atividade uma espiga de milho, está vinculada á questão 12. Ela tem a mesma natureza que a primeira missão. A equipe precisará encontra algum fornecedor de milho in natura e meios de buscar o material em tempo hábil.

Talvez não seja possível cumprir todas as missões. Mesmo assim, a dinâmica de buscas da equipe pode ser um bom “drama” para registro de TV.

É bom que a escola realizadora estabeleça um tempo máximo para a realização da WewbGincana. Sugiro duas alternativas: duração máxima de duas horas; duração máxima de três horas.

No processo, a WebGincana desempenhará o papel de oferecer aos alunos uma visão geral do tema.  Mas ela não basta. O grupo deverá prosseguir pesquisas para realizar um bom levantamento de fontes de alimentação nativa. Nesse sentido, proponho:

  • Elaborar uma lista de pelo menos trinta itens de produtos nativos das Américas.
  • Classificar os produtos encontrados em grupos como cereais, sementes, caules, raízes, frutas, carnes, derivados etc.
  • Identificar os cinco produtos mais cultivados nos dias de hoje (tanto nas Américas como em outras partes do mundo).
  • Consultar o chef que assessora o trabalho (ou qualquer outro chef ao qual o grupo possa ter acesso) sobre modos de preparar os produtos que o grupo achar mais interessantes.
  • Discutir menus tentativos.
  • Manipular produtos que o grupo ainda não conhece.

A proposta que faço é apenas uma sugestão. Os alunos deverão ter alguma liberdade para selecionar informações e articular-se com pessoas que possam lhes passar mais informações.

Dependendo de onde for realizado o desafio, os alunos poderão consultar parentes mais velhos que possam lhes passar informações sobre alimentos nativos que façam parte de tradições culturais da região. Se o desafio for realizado no DF, certamente as famílias dos alunos conhecem alguns dos produtos mais típicos do cerrado brasileiro.

Se possível, a escola realizadora deve fazer um levantamento de empresas fornecedoras de produtos nativos (incluindo-se em tal levantamento restaurantes que tem em seus cardápios carnes silvestres – devidamente liberadas pelo IBAMA. Dependendo também de local de realização do desafio, pode-se pensar em contatos com povos nativos que possam dizer que alimentos de origem americana eles consomem.

Como este desafio tem certa complexidade, será preciso garantir um apoio efetivo da equipe de professores e de outros profissionais que deverão prestar assistência aos alunos. Finalmente, escola realizadora e produção precisarão ter bastante agilidade para garantir que todos os produtos necessários ao menu criado pelos alunos estejam na área de preparação da cozinha no momento certo.

Atividade final

A atividade final deste desafio deverá acontecer numa cozinha onde os alunos, ajudados por profissionais, estarão fazendo um Jantar para o projeto Mesa Americana. A produção envolverá decisões sobre que alimentos entrarão no menu, que receitas serão utilizadas, o que vai ser cozinhado, o que vai ser assado etc. Existirão mais conversas sobre entrada, prato principal, sobremesa e sucos.  A preparação dos alimentos em bancadas na cozinha pode render boas imagens.  Uma descrição mais objetiva das operações de preparo dependerá das escolhas feitas pelos alunos. Antes do começo da preparação, a produção precisa conversar com o chef para saber o que vale a pena ser registrado.

Preparação de alimentos pode ser atividade demorada. Por isso convém saber antecipadamente quais serão os melhores momentos para registro. Outra observação: a critério do chef, alguns alimentos poderão estar pré-preparados antes que os alunos se dirijam à cozinha para finalizar o produto.

Aspecto importante da finalização do produto será a montagem de pratos. O chef poderá sugerir aos alunos alguns toques de embelezamento do prato. Uso de certas frutas com cortes originais e utilização de flores de plantas nativas podem ser elementos de embelezamento. [Na culinária mexicana mais sofisticada há uso de flores de abóbora para decorar certos pratos; e as flores de abóbora são comestíveis; dizem que elas eram uma iguaria muito apreciada pela nobreza asteca…]

Acena final deste desafio será a de um júri à mesa apreciando o menu produzido pelos alunos. Este mesmo júri poderá realizar a avaliação final da atividade comentando o que os alunos fizeram e a idéia de desenvolvimento de uma Mesa Americana.

No fechamento do programa pode-se entrevistar alunos, mostrar cenas retrospectivas destacando imagens de produtos nativos de nosso continente. Talvez convenha ressaltar no final os produtos das Américas que hoje podem ser encontrados em mesas de todo o planeta; milho, batata, mandioca, peru, mandioquinha, abóbora.

 

 

 

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4 Respostas to “050. Desafio Mesa Americana”

  1. Introdução em eventos educacionais « Boteco Escola Says:

    […] de cada equipe envolvida no trabalho. Outro desafio sobre o qual já fiz comentário aqui foi o Mesa Americana, um convite para que os alunos produzissem um jantar exclusivamente com alimentos nativos das […]

  2. edilaine Says:

    o texto e mt grande

    • jarbas Says:

      É mesmo. Por isso, publiquei-o aqui em Páginas. Faço isso sempre com textos que escrevi para alguma projeto ou publicação acadêmica.

  3. História das Américas na Mesa | Boteco Escola Says:

    […] como tudo começou, podem ver o texto que escrevi aqui mesmo no Boteco. Para tanto basta clicar em Desafio Mesa Americana. O que lá escrevi situa bem o que eu gostaria de ver produzido na TV. Mas, na minha opinião, […]

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