Archive for agosto \31\UTC 2010

Twiteiros bavardistas

agosto 31, 2010

Quando tiver um tempo, pretendo escrever o prometido artigo para El Bazar de los Locos – @bazarlocos. Penso em analisar alguns dos tipos que frequentam a twiterlândia. Um desses tipos é aquele que os gringos costumam chamar de big mouth. Por isso, num primeiro instante, achei que o termo “boca grande” seria adequado como expressão capaz de designar numa taxonomia dos twiteiros aquelas pessoas que escrevem mais de quarenta pios diariamente. Mas, “boca grande” não é um rótulo atraente. Uma inspiração súbita me convenceu de que a melhor expressão para tanto seria o neologismo bavardista.

Para os interessados, informo que o neologismo proposto vem do francês “bavard”, aquele tipo que não para de falar, metralhando os ouvidos de pacientes ouvintes com uma sucessão de assuntos que parece não ter fim.

Como estamos na tal Sociedade da Imagem, achei que o conceito ficará mais claro a partir de um vídeo. Fiz rápido levantamento e encontrei um bebê que exemplifica maravilhosomente o ser bavardista. Vejam-no em ação e me digam se o mesmo não lembra twiteiros que não param de piar?

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Blogs: estudos e análises

agosto 31, 2010

O que é blog? Como utilizar blogs na comunicação? Na educação? Em atividades culturais? Em atividades literárias? Para quem não tem um diário na rede ou o tem mas não sabe bem porquê, é bom ler alguns textos de gente que conhece a matéria. Informações de bons pesquisadores no campo da webescrita podem nos ajudar a produzir blogs de melhor qualidade, mais transados, mais imaginativos.

Já coloquei neste Boteco alguns textos de pesquisa e estudos sobre blogs. Para refrescar a memória, aqui vai pequena lista do que já divulguei:

Há mais posts e referências sobre a matéria neste espaço. Um deles é a longa entrevista que dei numa ocasião em que o Boteco Escola ganhou alguma visibilidade:

Essas considerações foram despertadas por uma lembrança de @tiscar, blogueira de Espanha. Em pio recente ela nos lembra de um número da revista eletrônica Telos cujo caderno central foi dedicado aos blogs (incluindo um artigo da citada blogueira). Interessados poderão ver esse número especial da revista em:

Finalmente, para quem quiser iniciar-se numa discussão sobre o fim da blogosfera (?), segue uma indicação para começo de conversa:

Música e Internet

agosto 28, 2010

A televisão não tem hoje shows musicais que valham a pena. Pouco escuto rádio. Essas circunstâncias poderiam me levar a grande ignorância musical. Mas, a Santa Internet nos salva musicalemnte. Nos últimos anos, boa parte das informações musicais com as quais entrei em contato aconteceram por meio da rede mundial de computadores. Um dia desses pretendo comentar tal detalhe com mais texto e vagar.

Neste post quero apenas dar um exemplo de informação musical que me chegou via Internet. Frequento o blog do Mario. Outro dia, passando por lá, li post muito elogioso a uma cantora canadense, Jill Barber. No texto, Mario falava de um show da diva e de uma entrevista que ele conseguira com ela. O blogueiro de Montreal sempre faz boas recomendações. Por isso fui verificar quem era a cantante que ele tanto elogiara. Encontrei muita coisa no Youtube e algumas canções no Goear. Virei fã no ato. A moça tem uma voz fantástica.

Ao ouvir Jill Barber, imaginamos uma grande intérprete de blues e jazz dos anos 50 ou até mesmo de anos da primeira metade do século XX. Uma voz cheia, mais grave que aguda, um ritmo sensual sem ser apelativo, tudo muito bem dividido, um embalo pra alma. Prova de que música boa é eterna. Se você ainda não ouviu Jill Barber, aqui vai uma mostra do talento dessa jovem canadense.

Avaliação em WebQuest

agosto 27, 2010

Boas WebQuests incluem um item de avaliação autêntica. O conceito não é muito comum nos meios educacionais. Para uma aprimeira aproximação da idéia de avaliar de acordo com princípios de autenticidade, é bom dar uma olhada num pequeno texto escrito por Bernie Dodge. Traduzi tal texto em 2005 e publiquei o resultado em um dos meus blogs, o Aprendente. Amigos daqui e da Espanha reproduziram minha tradução. Como eles editaram o material em página mais interessante que a minha, remeto o leitor para:

ou

Há mais materiais sobre o assunto.  Um deles é um pequeno subsídio que elaborei para curso sobre WebQuest na Escola do Futuro/USP em 2002. Outro é a tradução de um artigo de referência sobre avaliação autêntica publicado em site do ERIC. Vou incluir esses dois materiais em Páginas deste Boteco.

Avaliações autênticas geralmente são instrumentadas por meio de um instrumento chamado rubrica. Para exercícios de elaboração de rubricas há um bom recurso em:

O que é uma WebQuest?

agosto 26, 2010

Numa entrevista divulgada pelo Youtube em 2009, Bernie Dodge fala de sua criatura, a WebQuest. A entrevista é bem estruturada e o autor apresenta com muita clareza o conceito de WQ. Vale a pena dar uma olhada e aprender com o criador do modelo.

Educação e mercadoria

agosto 26, 2010

Mercadistas, neolibs e outros atores sociais louvam o produto educação. A relação de ensino-aprendizagem é apresentada como um mercadoria a ser ofertada para clientes que dela necessitam. É claro que o discurso dessa gente não é apresentado com a crueza mercadista de vendedores de tomate. Mas, no fundo, tudo é produto, tudo é mercadoria, tudo obedece a lei de demanda e oferta. Discussões sérias sobre o tema não vão em frente. Mercadistas acusam os críticos de atrasados ou até de reacionários.

Parece que a questão pode ser colocada criticamente a partir da máxima latina “ridendo castigat mores”. Ou, seja, parece que a única saída crítica é o humor. Cheguei a essa convicção depois de ver um vídeo de Stephen Colbert, humorista gringo. Para quem quiser ver essa contribuição importante para colocar a idéia de que educação é mercadoria em seu devido lugar, segue link para o clip de Colbert:

Velho!

agosto 24, 2010

Ando sem tempo e entusiasmo para escrever. Mas, há um registro de fato recente que não posso deixar para depois. A princípio, muitos poderão pensar que o texto que segue não cabe neste espaço onde os temas principais são blogues, educação e assuntos correlatos. Leitores que chegarem até o fim talvez entendam que o registro é pertinente.

Ontem estive na sede do Senac de São Paulo, instituição onde trabalhei durante trinta anos. Fui até lá para entregar um documento pessoal no setor de RH. Tratava-se  de um papel relacionado com mudanças ocorridas num dos benefícios que a organização oferece para seus aposentados.

Na portaria do edifício, me dirigi ao balcão onde dois ou três funcionários controlam a entrada das pessoas. Apresentei-me. Disse que era um aposentado da casa e precisava entregar um documento pessoal no RH. O atendente me pediu para dizer com quem eu iria conversar e ligou para o setor correspondente. A seguir, me pediu número de RG. Passei-lhe minha carteira de identidade. O sistema revelou que eu já estava cadastrado e deve ter mostrado uma antiga foto minha feita por câmara acoplada ao computador que registra entrada dos visitantes. Mas, o moço não ficou contente com tais confirmações. Voltou a me perguntar qual era a razão de minha visita.

Voltei a informar o motivo que me trazia até a sede do Senac. Voltei a informar que era um ex-funcionário que trabalhara na casa por trinta anos. Nessa altura, o moço me pediu o envelope que eu trazia para verificação. Tratava-se de um envelope com logotipo do próprio Senac, contendo documentos de interesse pessoal. Recusei-me fazer o que ele pedia, pois achei que a solicitação extrapolava as funções dele. As coisas quase chegaram a um impasse. Temi não receber o crachá de visitante, peça necessária para transpor a catraca na entrada do saguão do prédio. Fui salvo por outro atendente que talvez já me tivesse visto no local anteriormente. Recebi finalmente o “passaporte” para circular pelo prédio.

Há muitas considerações que podem ser feitas sobre o episódio. Uma delas é a de que os aposentados, ao perderem sua identidade funcional, veem-se como gente estranha em locais onde trabalharam durante décadas. O tema é bastante comum. Por isso, não vou tomar tempo dos leitores com considerações sobre identidade e aposentadoria.

Horas depois do episódio caiu uma ficha sobre a qual quero falar um pouco. Trata-se da interatividade em conversas com velhos. Queremos contar histórias. Queremos que saibam quem somos. Mas os interlocutores não estão interessados. Preocupam-se apenas com informações de caráter funcional, necessárias para tocar o serviço.

Ao pensar sobre o ocorrido, lembrei-me de um dos capítulos de La Realidad Inventada; Como sabemos lo que creemos saber?, livro de filosofia, coordenado por Paul Watzlawick, que aborda questões relativas à construção da realidade.  No capítulo Acerca de estar sano en um medio enfermo, David L. Rosenhan faz observações que talvez iluminem o episódio que acabo de narrar.

Rosenhan coordenou  investigação na qual um grupo de pessoas “sãs” consegue ingressar em hospitais psiquiátricos diagnosticadas como ezquizofrênicas. Durante a internação tais pessoas testam diversas situações relacionadas com encontros entre profissionais de saúde e pacientes de hospitais psiquiátricos. Interessa aqui o experimento de como são consideradas as questões corriqueiras no âmbito de conversações entre profissionais e pacientes.

Questões simples, do dia-a-dia, se perguntadas por “loucos” são desconsideradas. Os profissionais de saúde dialogam com os pacientes apenas em contextos de conversas com fins terapeuticos. Em outros contextos, gente “sã” não dá bola para as falas dos “loucos”. Veja a seguir, um trecho sobre a experiência que relata conversas informais de pacientes com o médico.

O encontro se denvolve frequentemente da seguinte e estranha maneira: Pseudopaciente: “Desculpe por favor, Dr. X, pode me dizer quando posso visitar o jardim?” Médico: “Oi Dave, como vai?” [E segue andando sem esperar resposta]. (p.111)

A pergunta do paciente é ignorada e o médico não pára, continua seu caminho sem dar atenção ao perguntante. Para mostrar que os diálogos podem ser diferentes caso as perguntas sejam feitas por pessoas “normais”, Rosenhan narra encontro (com teor de conversa análogo ao de conversas tentadas por pseudopacientes no hospital psiquiátrico) acontecido nos jardins da Universidade de Stanford. Um “visitante” (pessoa “normal”) aborda um professor de mediciana apressado. Faz-lhe diversas perguntas. Apesar da pressa, o professor pára e fornece ao interlocutor respostas adequadas. Acontece, no caso, uma conversa na qual tudo o que o visitante diz é considerado e merece atenção por parte do professor.

Volto ao episódio ocorrido na recepçao do prédio do Senac. Minhas informações de pessoa idosa foram desconsideradas pelo atendente. Parece que as conversas dos velhos são ignoradas de modo muito parecido com a falta de atenção com que os profissionais veem as perguntas dos “loucos”. E isso deve nos preocupar em termos de educação. Num futuro próximo, mais que trinta por cento da população brasileira será constituída por pessoas com mais de sessenta anos. Essas pessoas, no geral, querem contar história, querem ser ouvidas. Não se contentam com conversas que ficam exclusivamente no nível das conveniências funcionais. Parece-me, portanto, que profissionais de serviços, precisam aprender a conversar com os idosos. Esse meu alerta é uma observação para os tecnófilos que andam tão aflitos com uma educação para o século XXI. Acho necessário falar de competências futuras de modo muito concreto; e uma dessas competências certamente será a de escutar os velhos com empatia. Desde já agradeço a boa disposição de jovens que souberem escutar com interesse minhas histórias de velho.

Não escrevi este post para criticar o moço do Senac. Mas, se a instituição quiser escutar um palpite de idoso que lá trabalhou  durante trinta anos, sugiro que em treinamentos de atendentes de público seja considerada a necessidade de ouvir e entender os velhos.

Victor Jara: Te recuerdo Amanda

agosto 23, 2010

Bazar de los Locos

agosto 23, 2010

Está em andamento a elaboração de livro eletrônico sobre o Twitter. Título: Bazar de los Locos. Tudo em pequenos capítulos de cerca de duas páginas. Preciso escrever minha colaboração. Mas, para tanto, ainda não achei tempo e inspiração.

WebQuest dos Insetos

agosto 20, 2010

Em 2002, quando planejamos o site de WebQuest para a Escola do Futuro da USP, resolvi traduzir um belo trabalho elaborado por alunas de Bernie Dodge, Uma Perspectiva dos Insetos. O material, voltado para alunos de 3ª ou 4ª série do ensino fundamental, é simples, bonito, bem estruturado. As autoras, dada a ausência na Web de informações adequadas ao nível escolar das crianças, elaboraram diversas páginas com conteúdos que poderiam ser bem aproveitadas por estudantes de dez ou onze anos de idade.

Uma Perspectiva dos Insetos é  WebQuest que exigiu muito trabalho de suas autoras. Exigiu também bons conhecimentos de planejamento, comunicação e programação. Por issso, é mais um exemplo que um modelo para professores que não dispõem de muito tempo para preparar propostas concretas de uso da Web em suas atividades. Em outras palavras, o material em análise funciona sobretudo como demonstração concreta de aplicação dos princípios fundamentais que devem animar uma boa Webquest.

Quando traduzi a WebQuest dos Insetos, resolvi não verter para o português as páginas criadas pelas autoras para funcionarem com Recursos em Processo (a iniciativa ocuparia um tempo que eu não tinha na época e o resultado daria muito trabalho para a equipe). Como a versão original em inglês já não está mais no ar, é impossível acessar tais páginas nos dias de hoje. O material traduzido, porém, continua  a ser referência importante para um primeiro contato com o conceito de WebQuest.

Na Web, quase sempre os sites têm vida curta. Muitas referências importantes do começo deste século já estão fora do ar. Exemplo: o site de WebQuest da Escola do Futuro da USP.

Há uns três anos, muita gente me perguntou se o material que organizamos para divulgação pela Escola do Futuro voltaria à ativa. Minha resposta foi não, uma vez que a equipe responsável pela publicação não tinha mais vínculos com aquele projeto da Universidade de São Paulo. Mesmo assim, graças a uma ferramenta chamada WaybackMachine e à inciativa do Carlos Seabra, podemos ainda acessar a maior parte dos recursos que nossa equipe criou para aquele site. Entre esses recursos recuperados está o belo trabalho sobre insetos.

Para ver tal trabalho recuperado, clique no destaque que segue: