Archive for dezembro \30\UTC 2013

Minhas origens

dezembro 30, 2013

 

Hoje consegui encontrar referência sobre meus bisavós paternos que vieram da Itália. Primeiro encontrei o registro de chegada a São Paulo do meu bisavô, Santo Barato. A seguir, encontrei referência à minha bisavó, Luigia Barato. Eles chegaram ao Brasil, já casados, em dezembro de 1890, ele com 27, ela com 25 anos, ainda sem filhos. Meu avô, Luiz Barato, e meus tios (Napoleão, Antônio, Maria e Luiza) nasceram no Brasil. Não sei quanta marca genética tenho de meus ancestrais italianos. Mas carrego sobrenome de um casal que veio do Vêneto em 1890.

Para minhas outras origens, não tenho fontes históricas confiáveis.

Minha avó Paterna, Tereza, conhecida como Fiica, tinha origem cabocla. Meus ancestrais caboclos viveram muito tempo em Minas. Creio que, no tronco português, chegaram da terrinha no final dos seiscentos ou começo dos setecentos. Presumo que se casaram ou se amasiaram com índias nos inícios de 1700. Assim, acho que as raízes portuguesas da minha avó paterna podem ser situadas no século XVII. E no mesmo século ou no seguinte houve alguns índios e mestiços na família. Traços índios eram perceptíveis em Dona Fiica.

Tenho ascendência negra por parte de mãe. A avó de minha bisavó era escrava e teve um filho com seu senhor, um fazendeiro de Passos, MG, por volta de 1860. O menino foi dado a um casal de agregados do fazendeiro e criado como liberto. Casou-se com uma mulher de cor clara (talvez cabocla, talvez galega).  Sua neta, minha bisavó, Dona Valdomira, era uma mulata clara, casada com alguém de origem cabocla ou portuguesa. Resumo da ópera: minhas origens africanas aconteceram por volta de 1840, caso a avó de minha bisavó tenha vindo da África, ou por volta de 1820, caso ela tenha sido filha de africanos.

Minha avó materna, Dona Patrocínia, aparentemente era de origem portuguesa. Ela era uma mulher de cabelos e olhos claros. Uma galega, como dizem os nordestinos. Acredito que os avós ou bisavós dela vieram de Portugal no final dos setecentos ou começo dos oitocentos. Acho improvável a presença de caboclos neste ramo da família. Resumo desse capítulo: tive ascendentes portugueses que chegaram ao Brasil por volta de 1800.

Com a evidência histórica da chegada do meu bisavô italiano ao Brasil, e com especulações que posso fazer a partir de histórias que escutei de minha mãe, sou um mestiço que carrega sobrenome vêneto e tem as seguintes origens:

·         Italiana: com data de início aqui na terra em 1890.

·         Negra: com chegada de meus ancestrais africanos por volta de 1820 ou de 1840.

·         Índia: com provável começo por volta de 1720.

·         Portuguesa (no caso da família da minha avó paterna): começo incerto, mas com uma aposta razoável de ocorrência no final do século XVII.

·         Portuguesa (no caso da minha avó materna): por volta de 1800.

Minhas especulações têm vários buracos. Não consigo determinar com mais segurança minhas origens índias. Talvez elas tenham mais raízes que as percebidas no caso da minha avó paterna, pois a dinâmica da ocupação do território em torno da Serra da Canastra, área onde viveram muitos de meus ancestrais, foi marcada por inúmeros cruzamentos de portugueses com índios. Embora haja elementos para precisar o nascimento do mulato que deu origem ao ramo da família de Vó Valdomira, é bastante difícil encontrar qualquer indicação mais segura sobre a chegado do meu avô negro ao Brasil.

Água na internet

dezembro 29, 2013

Vai faltar água. Muitos “empreendedores”, tendo em vista escassez de água potável, já se propõem a cuidar do problema, cobrando pelo serviço de fornecimento e ganhando pleno direito de posse desse recurso vital.

Sabemos que a falta d’água é um drama já anunciado faz bastante tempo. É preciso, portanto, que sejamos educados em todos os sentido quanto aos aspectos relativos ao recurso mais importante para a vida.

Em 2010, o educador Javier Escajedo organizou um material muito interessante sobre a água, utilizando o sugestivo título La crisis del agua. Recomendo aos professores uma boa olhada na obra do Javier, seja para usá-la como está, seja para inspirar-se na organização de seu próprio material.

Depois de ver o material do Javier, achei que valia a pena dar uma olhada em algum vídeo que reproduzisse a canção Planeta Água, do Guilherme Arantes. Encontrei vídeo, ilustrado com imagens, que pode ser utilizado como ponto de partida bastante motivador para conversas sobre a água.

Concert in Central Park

dezembro 25, 2013

Ontem encontrei link para vídeo completo de The Concert in Central Park, histórico show de Art Garfunkel e Paul Simon. Trago essa peça da história da música para cá, por prazer, por admiração, por achar que o evento merece ampla divulgação.

Linguística e militância política

dezembro 22, 2013

Encontrei um belo documentário sobre e com Noam Chomsky. Trago-o para cá para não perder a informação e para tê-lo a mão sempre puder vê-lo.

Arte no trabalho

dezembro 22, 2013

Faz alguns dias que minha amiga Nunux indicou um belo vídeo sobre a produção de ladrilhos. Vi muitas peças de tal piso em minha vida. Até hoje, o piso do alpendre da casa em que mora minha mãe é ladrilhado.

Ladrilhos são feitos peça a peça e exigem domínio de uma arte refinada. Até ver o vídeo eu não tinha qualquer ideia de como são feitos. Agora que sei, vou apreciar melhor antigos pisos de muitas igrejas e prédios públicos antigos.

Trago o vídeo para cá por um motivo: ele mostra, na fala de trabalhadores, os caminhos percorridos na aprendizagem que acontece no interior do próprio trabalho. Isso pode nos ajudar a compreender melhor o modelo educacional que nace da ação e da incorporação das pessoas em comunidades de prática.

A escola para amanhã segundo Tonucci

dezembro 16, 2013

Uma bela conferência do educador italiano Francesco Tonucci. Não farei comentários introdutórios. Faço apenas a indicação.

Tonucci tem diversas obras fundamentais para quem trabalha com educação de crianças. Recomendo particularmente Com Olhos de Criança.

 

Aprendizagem das crianças

dezembro 3, 2013

Acabo de descobrir um livro interessante sobre aprendizagem nos primeiros anos de vida, publicado pela UNESCO.

O epílogo é do meu amigo Steen Larsen. Cai em tentação e resolvi reproduzir o texto inteiro (de 3 paginas) do Steen.

>>>  Epilogue Steen Larsen

Allow me, for a few minutes, to present my own view. I think that is fair because I am the only one who has not been able to say anything yet. I have always been preoccupied by the question: How does it all begin? I think this is a fundamental question which for me is divided into two questions. First, astronomy: how did this universe all start? The second question is, I think, the most interesting: How do WE begin? To investigate and analyse the newborn child is to deal with beginnings. I think this is deeply fascinating. Speaking about beginnings, we in our culture learn the sentence: ”in the beginning was the Word”. I have a personal competition between philosophers who have said the most erroneous sentence in history. I would say that John the evangelist, who formulated this sentence, is my favourite candidate. I am sure that his sentence is very close to the most erroneous opinion I can experience.

I have a second candidate: Descartes, who formulated the sentence: ”Cogito, ergo sum”, -I think, therefore I exist. Descartes should have said his sentence backwards: I exist, therefore I think. Due to such misconceptions, I am afraid that we have inherited an upside-down problem. If we believe that in the beginning is the word, we will base our childcare service and education to my mind on an extremely wrong conception. It seems to 149 me that we have planted our feet so deeply in heaven that we see everything upside down. From this position, learning seems to be something conscious, formal and conceptual.

In modern psychology, we have for the past few years begun to move into a brand new area of understanding of these topics. Several years ago Benjamin Libet made some extremely interesting investigations. I shall spare you the complicated details. The main result was that half a second after a person has begun to work out an action, consciousness has begun to find out what is going on. I think this is extremely interesting. Because, it says, – and please do not misunderstand me – consciousness is a wonderful tool. We can never be without it. Without consciousness there will never be a human society. But it is not in the beginning. It is a fraction of a second AFTER the beginning. Accordingly we should say: in the beginning is the child. Let us take a look at modern research on the newborn child. I will give you one example. Condon and Sanders, at the University of Boston, directed high speed cameras down to the beds of newborn children, whose average age was 14 days. They filmed the conversation of the newborn children and the parents while the parents spoke to their children. When they played the film in slow motion, they discovered that the tiny movements that newborn children make with their arms and legs were not accidental. They were synchronised with the rhythm of the parent’ speech. The fundamental rhythm in the human language was already taken in by the little child.

The point is that speech development begins at birth. We could have figured that out without empirical research. Because we know already that 2-year-old children are able to speak. And this development did not of course start the day before. If they are able to speak at 2 years old, they have worked on it for at least 2 years. On this background we can conclude: The first year in human life, is the year, where you learn the most. The second year in human life, is the year, where you learn next most. The third year in a human life is the year, where you learn third most.

I will state the point that the newborn child is an extremely effective learning machine. One should perhaps not use the word ”learning machine”, because it is such a technical term. But it is clear what I mean by that. 150 Imagine that we took a newborn child and a professor of linguistics. Send them to the University of Peking, for example, and tell them to learn Chinese. 5 years later we arrive and examine them. Who speaks Chinese? Nobody will be in doubt of the result. But now comes the point. After we have realised that the child has learned much more effectively, we accept that the professor turns to the child and begins to teach the child how one should learn. I think this is an interesting paradox.

Let me finish this little presentation by saying that I think what we have to do now is turn the whole thing on its feet again. If we do not distinguish between formal and informal learning, we risk putting the child on its head, believing that children only learn in formal learning settings.Turn it around 180 degrees so it stands on its feet. And from this position I will address some questions to each of you here on the panel.

Link para a obra pode ser encontrado AQUI.