Archive for outubro \21\UTC 2011

Tish Hinojosa again

outubro 21, 2011

Continuo no recreio com muita música. Ouço agora uma cantora pouco conhecida por aqui, Tish Hinojosa. Ela é filha de mexicanos, nasceu no Texas e faz uma música que procura articular as tradições da fronteira. Um de seus álbuns, Frontejas, reflete os rumos da produção desta bela cantante. Sou fã incondicional. Aqui está uma das maravilhas cantada por Tish, Aquella Noche.

 

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Mais bárbarie

outubro 21, 2011

Deixo de lado educação e tecnologia por alguns momentos. Ou talvez não. Afinal de contas, superar a bárbarie, ameaça permanente, é a tarefa mais nobre da educação. E vou direto ao ponto. Hoje publiquei no meu Facebook a seguinte nota:

Vi as imagens da morte do Gaddafi. Tudo indica assassinato e atos de barbárie. O novo poder na Líbia parece não avançar em termos civilizatórios. Sai um ditador bárbaro, entra uma turba idem, apoiada por países cujo único interesse genuíno é posse dos poços de petróleo. Olhei, em vão, colunas opinativas da Folha. Em nenhuma delas há qualquer consideração sobre bárbarie que tende a continuar, com apoio da OTAN e aplausos do Obama.

Não farei qualquer comentário sobre tal nota. Apenas trago-a para cá como convite para que prováveis leitores pensem na notícia internacional de maior destaque ontem e hoje.

Teoria da Informação

outubro 18, 2011

Dias atrás este botton recebeu algum destaque na comunidade do Facebook. Margarete Barbosa, minha amiga e ex-aluna, colocou o texto/imagem no mural dela. Assim que vi o botton, fiz o seguinte comentário:

Marga, a frase não é inteiramente correta. Apesar do significado da mensagem ser sempre um construto de quem a recebe, somos responsáveis sim pelas informações que criamos. Se aceita como está, essa frase livra a cara de comunicadores que deveriam buscar maior clareza e beleza no que dizem, escrevem e figuram.

A teoria da informação de Shannon foi reduzida a uma simplificação em cursos de comunicação, pedagogia e outras graduações cujos estudantes são candidatos a produtores de conteúdos para consumo de leitores, telespectadores, alunos etc. Todo mundo aprende que a comunicação ocorre na relação emissor<>canal<>receptor, geralmente apresentada em esquemas como o que segue:

Todos os aspectos de tratamento matemático dos componentes informacionais são esquecidos. E a análise de cada elemento da tríade fica reduzida a algumas considerações rasas.

Não tenho competência para discutir a teoria elaborada por Shannon no campo da engenharia da comunicação. Mas acho que posso apresentar algumas pistas para reflexão a partir de meus estudos no campo da tecnologia educacional. E, para não ocupar muito tempo do leitor, vou fazer observações apenas sobre a questão da emissão de informações.

Ao elaborar materiais ou roteiros de comunicação para fins educacionais, sempre enfrentamos a questão do que informar e de como organizar os conteúdos a serem transmitidos. Essa não é uma tarefa simples. Estilo e vocabulário são importantes. Importantes também são as estratégias de como apresentar o conhecimento alvo. No processo surgem perguntas tais como:

  • que tipo de conhecimento está em jogo?
  • o que se espera do receptor da mensagem?
  • há alguma analogia que pode iluminar conceitos ou princípios em jogo?
  • cabe humor na apresentação?
  • é preciso ilustrar o conteúdo? com que imagens?
  • que mídia ou conjunto de mídias é mais adequado para apresentar o conteúdo?
  • há formas de trabalhar o conteúdo de modo interativo?
  • como desafiar o aluno/leitor/espectador durante o contato com o material apresentado?
  • é possível facilitar elaboração compartilhada do conhecimento por meio da informação apresentada?
  • em que medida a organização da informação facilita realaboração do saber de quem está aprendendo?
  • como a organização da informação pode ajudar aprendizes a realizarem auto-avaliação de sua aprendizagem durante o estudo do material?

Relacionei apenas algumas perguntas comuns em processos de elaboração de materiais – manuais, softwares, vídeos, páginas da internet etc. – por parte de profissionais de tecnologia educacional. Toda a preocupação desse profissional de comunicação tem como fundamento a convicção de que a qualidade da mensagem tem importância fundamental para vencer limitações do canal informativo e facilitar o trabalho de decodificação da mensagem por parte do receptor. As mesmas perguntas e preocupações entram em cena quando um professor prepara suas aulas.

Em capítulo sobre  teoria de Shanon, no livro The Information, James Gleick conta uma história que mostra, com bom humor, a necessidade que tem o emissor de apresentar as informações de modo a encantar o receptor. Faço, a seguir, uma tradução/adaptação da história contada por Gleick.

Um estranho estava numa festa em que todos os outros convidados se conheciam desde o velhos carnavais. Ele ficou intrigado com algo que rolava no recinto. Alguém dizia “72” e os demais caiam na gargalhada. Algum outro convidado dizia “29” e a sala vinha abaixo.  O estranho perguntou para alguém  mais próximo o que estava acontecendo.

Pacientemente, o informante disse ao estranho que a turma se conhecia há muitos anos. Todos compartilhavam velhas piadas. Para poupar tempo, resolveram numerar as piadas compartilhadas. Quando se encontravam, bastava dizer o número de uma boa piada. Os amigos todos dela se lembravam e o riso era fatal.

O estranho resolveu se enturmar. Em voz bem alta, para que todos testemunhassem sua integração ao grupo, disse: “63”. Ouviu alguns risinhos discretos, nada mais. Decepcionado, perguntou a seu informante: a meia três não é uma boa piada. “Não, é uma das mais engraçadas”, respondeu-lhe seu interlocutor. “O problema é que você a contou muito mal”.

Não preciso comentar a história contada por Gleick (cf. The Information, p. 249). Ela ilustra bem tudo o que já disse e poderia dizer sobre a importância de cuidados especiais na hora de produzir informações para um ou mais receptores.

Cidade das crianças

outubro 11, 2011

Aqui está um dos desenhos geniais de FRATO, o alter ego cartunista do educador italiano Francesco Tonucci. Uma das ideias de Tonucci é a de que a rua precisa se converter num local de vivência dos cidadãos. E criança, para o educador italiano é um cidadão com direitos de ter uma cidade onde possa passear, brincar, ser respeitado.

Estamos caminhando em direção contrária à indicada por Tonucci. Estamos encantados com a escola fortaleza, onde nossos filhos estarão em segurança o dia todo. Ao mesmo tempo em que elevamos física e simbolicamente os muros escolares, deixamos que as ruas se convertam, cada vez mais, em terra de ninguém, espaços pensados exclusivamente para facilitar circulação de carros. Nada de sair dos veículos-armaduras (quem pode os tem blindados). Andar na rua é arriscado. E como esta não é considerada espaço de convivência e encontros humanos, a ela atribuímos características do mal.

Nos jornais, nas conversas informais, nos congressos de educação, todo mundo aplaude medidas para tirar as crianças da rua. Ninguém se preocupa em fazer das ruas local de jogar conversa fora, brincar, encontrar amigos, inventar novos mundos, bater perna sem medo de ser atropelado, conviver.

Tonucci apresenta para nós um desafio político sério. Elevar muros das escolas é um paliativo. Instituições escolares não são destino final da maioria das pessoas. Boa parte da vida é vivida fora da escola. E as crianças não aprenderão a viver no mundo, confinadas em espaços fechados, protegidas por seguranças de terno preto e por docentes que lhes dispensam um afeto remunerado pelo estado ou pelos donos de escola.

Steve Jobs: Fala em Stanford

outubro 7, 2011

Não conhecia a fala de Jobs numa cerimônia de graduação em Stanford em 2005. Nela, o criador da Apple conta três histórias. Na primeira, apresenta os motivos pelos quais desistiu da universidade, começando com o episódio de sua adoção por um casal que não tinha educação universitária. Na segunda, apresenta a ideia de que é preciso amar o que fazemos. No jogo do amor, ele narra sua saída e retorno à Apple. Na terceira história revela que teve um câncer de pâncreas. Fala da morte e pronuncia a frase, hoje famosa, de que é preciso viver cada dia da vida como se fosse o último.

A fala de Steve é um depoimento emocionante. É também um resumo de sua biografia. É uma mensagem para os jovens. Destaco aqui a afirmação de que não devemos deixar nos levar por dogmas. Faço esse destaque porque percebo que muita gente assume certas soluções tecnológicas dogmaticamente. Uma bobagem. Mas, o pior disso é o mal que dogmáticos podem fazer no campo das aplicações das novas tecnologias de informação e comunicação.

Mesmo que seu inglês não seja muito avançado, vale a pena ouvir esse discurso bonito de Steve Jobs.

Depois que postei esta mensagem, meu amigo Antônio Morales me indicou versão da fala do Steve com legenda em português. Para benefício de quem tem dificuldade com o idioma inglês, puxo pra cá o vt indicado pelo Morales.

Shana Muller, música comme il faut

outubro 5, 2011

Hora do recreio aqui no Boteco. Neste intervalo sugiro audição de Shana Muller interpretando um dos clássicos do tango, Garganta con Arena. É pra acompanhar, cantar junto, arrepiar. Pausa em conversas sobre tecnologia e educação. Momento de pura emoção.

WebQuest na TV

outubro 3, 2011

Numa das vezes em que esteve no Brasil, Bernie Dodge gravou, por sugestão minha, entrevista sobre WebQuest na TV SENAC. Na época em que o site sobre WebQuest estava ativo na Escola do Futuro, tínhamos lá, em três segmentos, o programa completo da memorável entrevista e de uma mesa redonda (constituída por mim, Carlos Seabra e Manolo Morán) que o comentava.

Vejo agora que alguém colocou parte da citada produção no Youtube. O VT é um documento histórico e uma oportunidade para que pessoas possam ver Bernie Dodge, criador do modelo WebQuest, falando sobre sua obra.