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Classificação de conhecimentos: uma síntese

dezembro 14, 2019

No século passado tentei ensinar a meus alunos como classificar objetivos educacionais. Em minhas tentativas, escrevi pequenos textos, sintetizando informações sobre propostas de educadores como David Merrill. Segue uma dessas sínteses

 

CLASSIFICAÇÃO DE CONHECIMENTOS

E OBJETIVOS EDUCACIONAIS: SÍNTESE

Tecnologia Educacional

Jarbas N. Barato

06/99

 

  1. INTRODUÇÃO

 

  • Visão Tradicional:

 

  • apresenta um esquema geral, um documento a ser preenchido pelo professor;
  • no geral, as escolas utilizam um formulário parecido com o que segue:

 

OBJETIVOS CONTEÚDOS ESTRATÉGIAS RECURSOS AVALIAÇÃO
 

 

 

 

 

 

 

 

       

 

  • Objetivos: resultados esperados

 

  • Conteúdos: programa a ser desenvolvido (matéria)

 

  • Estratégias: técnicas e métodos de ensino a serem utilizados

 

  • Recursos: materiais e meios a serem utilizados

 

  • Avaliação: instrumentos e métodos para a verificação da aprendizagem

 

  • Críticas:

 

  • não há uma discussão mais aprofundada sobre o significado dos componentes do planejamento de ensino;

 

  • entre os componentes, objetivos é um conceito pouco estudado; trabalha-se, no caso, com senso comum;

 

  • apesar das exigências do formulário, o que fica valendo é o PROGRAMA, a MATÉRIA;

 

  • sem uma discussão do significado dos componentes, o planejamento acaba sendo uma atividade burocrática.

 

 

  1. QUAL O PONTO FUNDAMENTAL DO PLANEJAMENTO DO ENSINO?

 

  • O ponto central de planejamento de ensino são os OBJETIVOS.

 

  • Por que OBJETIVOS?

 

  • necessidade de clareza quanto a resultados esperados

 

  • definição de resultados como DESEMPENHOS DOS ALUNOS

 

ê que é que esperamos que as pessoas FAÇAM, SEJAM, MANIFESTEM?

 

  • dos objetivos dependem todos os outros componentes do planejamento de ensino.

 

 

  1. COMO ESTUDAR OBJETIVOS?

 

  • OBJETIVOS como conhecimento e como habilidades cognitivas dos aprendizes.

 

  • TIPOS DE CONHECIMENTOS: o que é que os alunos devem aprender

 

  • TIPOS DE HABILIDADES COGNITIVAS: como é que os alunos vão aprender; como é que os alunos vão continuar a aprender os CONTEÚDOS depois do curso

 

 

  1. OBJETIVOS/CONHECIMENTO

 

  • Necessidade de uma definição do que é conhecimento:

 

  • conhecimento como REPRESENTAÇÃO

 

  • REPRESENTAÇÃO: elaboração pessoal e subjetiva de experiências e informações recebidas pelos alunos

 

  • reiterando: representação é elaboração, não é gravação, não é guardar a matéria

 

  • Necessidade de classificar de modo claro os conhecimentos exigidos para um domínio competente da matéria.

 

  1. CLASSIFICAÇÕES

 

  • Parece que há diferenças entre os seguintes conteúdos:
  • tabuada (decorar a tabuada)
  • adição (realizar operações de adição)
  • números primos, naturais (distinguir, identificar)

 

ou ainda

 

  • verbos regulares (conjugar)
  • substantivos (identificar)
  • ortografia (como escrever corretamente…)
  • redação (como escrever uma descrição)
  • Constatação:
  • parece que, em cada matéria, há conteúdos que correspondem a diferentes tipos de conhecimento;
  • possivelmente não aprendemos do mesmo modo todos os conteúdos de uma matéria;
  • possivelmente uma classificação de tipos de conhecimentos poderia nos ajudar a definir melhor OBJETIVOS em educação.

 

  1. OBSERVAÇÃO SOBRE CONHECIMENTOS COMUM

 

  • Mesmo em áreas não escolares (nos botecos da vida, por exemplo) é possível constatar diferentes tipos de conhecimento.
  • São diferentes, por exemplo, os saberes necessários para responder perguntas tais como:
  • que é pinga?
  • como se faz uma caipirinha?
  • que há no boteco?

 

  1. PASSAGEM
  • MODOS DE CLASSIFICAR O SABER
  • Há muitos
  • teoria e prática
  • ciência, senso comum, religião, mito
  • coração/razão
  • objetivo/subjetivo
  • EM EDUCAÇÃO
  • Taxonomia de objetivos (Bloom, Gagné, Merrill, etc.)
  • Examinaremos a taxonomia de Merrill
  1. COMO O CONHECIMENTO SE ESTRUTURA
  • Que operações mentais realizamos para elaborar conhecimentos?
  • Merrill propõe quatro operações básicas:
  • Operação de identidade (fato)

g= fator de aceleração

  • a operação, no caso, é uma associação entre dois termos, como, por exemplo:
  • um símbolo e seu nome
  • um acidente geográfico e seu nome
  • uma data histórica

 

A                         a

 

  • Operação de classificação ou de criação de categoria (conceito)
  • a operação, no caso, é a elaboração de uma categoria geral que nos ajuda a incluir ou excluir elementos de um dado conjunto;
  • verbos usados em perguntas que supõem estruturas de conhecimento às quais damos o nome de conceitos:
  • definir
  • classificar
  • distinguir
  • categorizar
  • exemplificar
  • conceituar
  • identificar
  • conceitos incluem ou excluem casos, situações, idéias, modos de ser, elementos etc.
  • Para pensar: por que classificar é uma atividade humana importante? Pense num exemplo em que a classificação de algo faz diferença.

3)  Operações de relações causais (princípios)

  • o que um fenômeno, atitude, objeto pode provocar?
  • por que fumar prejudica a saúde?
  • por que o desemprego está aumentando?
  • por que continuam a existir casos de dengue no Brasil

etc.

  • Falamos aqui de uma estrutura de saber que exige relacionar causa e efeito…

4) Operações de relações seqüenciais (processos)

  • Falamos aqui de uma estrutura que supõe a organização do conhecimento em seqüências lógicas para se chegar a um fim.
  1. COMO O CONHECIMENTO É APLICADO
  • Tipos de conhecimentos referem-se à estruturação do saber
  • A estrutura descreve conteúdo, não diz como o que sabemos é aplicado
  • Daí: necessidade de considerar desempenhos cognitivos
  • Três aplicações:
  • memória
  • uso
  • invenção

 

  • memória ê  recupera um dado existente; é como você conferir se um item está ou não estocado

 

  • uso ê faz com que um saber existente funcione no mundo; exemplos

 

  • conceito de azedo é utilizado para recusar um alimento…
  • princípios de hierarquia são usados para não ultrapassar os limites que ofenderiam o chefe.
  • idéias de seqüência são utilizadas para resolver um problema matemático

 

  • invenção ou descoberta

 

  • um vendedor cria um novo método para abordar clientes

 

 

 

  1. COMBINANDO AS COISAS

 

  • Conhecimentos factuais são aplicados exclusivamente no nível de memória.

 

  • Não há como aplicar o conhecimento de que Brasília é capital do Brasil.

 

  • Conhecimentos conceituais podem ser memorizados, usados e inventados. Exemplos:

 

  • Posso memorizar uma definição de mamífero
  • Posso usar o conceito de ironia para interpretar uma frase de alguém
  • Posso criar (inventar) uma nova categoria…

 

  • Conhecimentos de princípio podem ser memorizados, usados e inventados.

 

  • Conhecimentos de processos podem ser memorizados, usados, inventados.

 

Tipos de conhecimento e ensino/aprendizagem

dezembro 14, 2019

Para definir objetivos e escolher estratégias de ensino é importante utilizar uma boa classificação de conhecimentos. Gosto muito da classificação proposta por David Merrill, abrangendo as seguintes categorias: fato, processo, conceito e princípio. Para introduzir conversa sobre tipos de conhecimento, criei no século passado um exercício baseado em informação do fantástico professor João Edênio do Vale. Quando foi meu professor em 1966, Edênio comentou que conhecia um pesquisador que estava fazendo estudo sobre o conhecimento que estudantes construíam nos botecos. Segue cópia do exercício que criei.

CONTEÚDOS DE CONHECIMENTO

 A SABEDORIA NO BOTECO

 

INTRODUÇÃO

Tempos atrás alguém defendeu tese sobre botecos. Coisa séria. A tese e os botecos. A hipótese – comprovada – era a de que parte da cultura genuinamente nacional é construída nos bares da vida. E mais: em boas escolas (e talvez nas más!), os alunos aprendem mais nos botecos, cantinas e bares que nas salas de aula. Por isto tudo, começo nossa conversa por um boteco-padrão. Espero que cada qual invente um boteco que valha a pena, e, a partir daí, a gente descubra coisas que no fundo já sabe…

Seremos modestos! Vamos, ao contrário da tese, examinar apenas alguns conhecimentos sobre o próprio boteco.

  1. FASE PREPARATÓRIA

A tarefa final dos grupos será a de classificar conhecimentos. Para chegar a isto, será preciso vencer uma fase preparatória, dividida em dois momentos. O primeiro momento será uma rápida composição de cenário. O segundo, um teste de conhecimentos gerais sobre botecos.

   2.CENÁRIO

Cada grupo deverá compor um cenário. Pensar o boteco. Suas particularidades. Suas atrações. A composição será livre. Única exigência: o cenário deverá ser de bom gosto. Mas, não gastem muito tempo com isso, pois você têm uma prova pela frente.

A prova de Botecologia deverá ser feita rapidamente.

 

  3.TESTE DE BOTECOLOGIA

Cada grupo deverá responder as questões que seguem. O registro das respostas poderá ser feito num papel em separado.

  • O que há no boteco?

Relacione até quinze objetos que podem ser lá encontrados.

  • Como é que você sabe que o “drink” servido ao freguês do lado é uma caipirinha?
  • Como se faz uma caipirinha?

Dê uma receita que permita a qualquer leigo fazer uma caipirinha “no capricho”.

  • O que é pinga?

Sua resposta deve ser clara e fazer com que fregueses estrangeiros não mais confundam cachaça com rum, bagaceira ou tequila.

  • Por que, durante certo tempo, a cerveja sumiu da praça?

Vá às causas do problema. Não vale dizer apenas “o fornecedor deixou de entregar a mercadoria”.

  • Quanto custa uma cerveja?
  • Que marcas de pinga você pode encontrar no boteco?
  • Quando é que a pinga provoca “fogo”?
  • Se você não pagar a conta, o que pode acontecer?

Atenção: você não é amigo do dono e o estabelecimento não pendura conta ou vende fiado.

  • Que outros nomes tem a pinga?
  • Por que mulher desacompanhada é mal vista no boteco?
  • Confira a conta. Como é que você vai fazer isto?
  • Rache a despesa. Que método sua turma costuma usar neste caso?
  • Nomeie três bons botecos.
  • Por que um “Piano’s Bar” não é boteco?
  1. FASE FINAL     

Até aqui o trabalho foi de preparação. Agora é hora de cuidar da tarefa principal. A tarefa nesta fase é de classificação.

INSTRUÇÕES

  • Classifiquem, em quatro diferentes grupos, as respostas (ou tentativas de respostas) às questões do teste. Nesta tarefa de classificação, tentem pensar na operação mental utilizada para produzir respostas para cada questão.
  • Considerei, neste exercício, quatro diferentes processos ou operações mentais utilizados na elaboração de conhecimentos. Por esta razão, estou solicitando a classificação da sabedoria botecológica em quatro categorias.
  • Para facilitar o trabalho de classificação, vão aqui algumas dicas:
  1. Coloquem a questão 1 no grupo A.
  2. A questão 2 pertence ao grupo B e a 3 ao grupo C.
  3. A questão 4 pertence a um dos três primeiros grupos.
  4. A questão 5 pertence ao grupo D.
  • Registrem numa folha de papel o resultado da classificação decidida pelo grupo, escrevendo após a letra que rotula cada categoria os números correspondentes às questões do teste. Se possível, dêem um nome a cada uma das categorias inicialmente designados apenas pelas letras A,B,C e D.
  • Escolham um relator para apresentar, em plenário, os resultados do trabalho do grupo.

Atenção: o trabalho classificatório não deve durar mais que dez minutos.

 

Ensino e Internet

dezembro 12, 2019

No ano 2000. desenvolvi um curso, Comunicação e Aprendizagem, coordenado pelo Fernando Fonseca na Fundação Vanzolini, integrando um programa de formação para professores da rede estadual de educação em São Paulo. Escrevi um texto pensando sempre na mídia utilizada. Nada a ver com papel. Nada a ver com as formas habituais de comunicação. Acho que vale a pena publicar uma parte do que escrevi então. Como todo curso tem uma ementa, vejam como me virei para fazer uma ementa que se casava com  mídia utilizada.

 

(V) Faço uma tentativa de apresentar meu curso num texto escrito para a mídia a ser utilizada. Assim em vez de apresentar uma ementa tradicional, quero sugerir um texto que se adapte às possibilidades de romper com o sequenciamento imposto pelos modelos de publicação em papel. Essa proposta exigiu que eu produzisse um escrito longo. Mas o participante não terá que ler toda minha catilinária. Caberá a ele escolher o que vale a pena ler e na seqüência que achar mais adequada. Talvez eu precisasse de mais tempo para experimentar modos de escrever para esta mídia. Mas, já que não tenho tempo, arrisco uma proposta… (V).

Quem não se comunica se estrumbica

 Abelardo Chacrinha, gênio da TV Brasileira.

Apresento aqui o meu curso Comunicação & Aprendizagem. Você deve estar curioso para saber o que é que vai ser dado. Quer saber se vale a pena estudar a matéria.

Em situações convencionais, cursos são apresentados por meio de uma ementa que resume o conteúdo e justifica a abordagem que o professor acha adequada para a sua disciplina. Tudo isso é feito numa certa ordem, com começo, meio e fim decididos pelo mestre. Em parte, tal modelo é determinado pelo meio de comunicação utilizado, geralmente o papel. Mas quando usamos uma tela de computador podemos ousar algo diferente. Podemos, por exemplo, produzir um texto cuja definição de começo, meio e fim possa ser feita pelo leitor. É essa última alternativa que escolhi para escrever minha ementa.

Não vou apresentar aqui a estrutura do curso. Vou apresentar motivos que justificam a necessidade de estudar os aspectos comunicativos da educação. Para começo de conversa, ofereço um painel com o conteúdo que desenvolvi. Esse painel tem um título e uma conclusão. A cada item, se você achar necessário, clique o título para ler o texto respectivo. Mas, de preferência, não faça isso na seqüência apresentada. Leia antes o painel todo e decida, se for o caso, por onde começar. Dessa forma você poderá ordenar meu texto de acordo com sua curiosidade e interesse.

PAINEL TEMÁTICO DE COMUNICAÇÃO & APRENDIZAGEM

q COMUNICAÇÃO

ê comunicação: colocar em comum

q DAR MATÉRIA

ê dar matéria vai na contramão da comunicação

q REFLEXÃO OU CURSO?

ê proponho mais uma reflexão que um curso

q COMPUTADORES E PRINCÍPIO DO PORCO

ê mais não quer dizer necessariamente melhor

q ENSINAR É COMUNICAR

ê vale a pena repetir: ensinar é comunicar

q IMPOSSIBILIDADE ONTOLÓGICA DE MÁQUINAS DE ENSINAR

ê ensinar é atividade tipicamente humana

q INFORMAÇÃO NÃO É CONHECIMENTO

ê informação é símbolo a espera de agentes de saber capazes de produzir significados

ê conhecimento é produção de significados

q CONHECIMENTO E SABER

ê professores devem ser especialistas em processos de elaboração do saber

COMUNICAÇÃO

Comunicar é colocar em comum um saber. Se sei e não comunico, o meu conhecimento fica aprisionado na minha cabeça. Se não sei, pouco posso aprender sem pessoas dispostas a comunicar seu saber. Parece, portanto, que a comunicação é um fator importante para aprendizagem. Ou, para dizer de outra forma,  compartilhar saberes é uma palavra chave no processo de aprender.

ê COMUNICAR: COLOCAR EM COMUM

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PRÓXIMO ITEM

DAR MATÉRIA

Parece claro e simples que ensinar é compartilhar saberes, comunicar. Mas se a gente levar em conta os papos que acontecem na sala dos professores, nossas crenças sobre aprendizagem não vão no rumo desse entendimento. Normalmente, nós professores costumamos dizer que damos matéria. Essa expressão nada tem a ver com compartilhar. Dar matéria significa passar um conteúdo já organizado, administrado em doses homeopáticas para os alunos. Se estes últimos não aprenderem, cabe-lhes a culpa principal: provavelmente não devem ter prestado atenção…

ê DAR MATÉRIA VAI NA CONTRAMÃO DA COMUNICAÇÃO

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PRÓXIMO ITEM

REFLEXÃO OU CURSO

Como vivemos numa era da comunicação e da informação , estou propondo aqui uma reflexão sobre o problema da comunicação no processo de aprendizagem. Não preparei propriamente um curso. Prefiro dizer que a Comunicação & Aprendizagem é um roteiro de reflexão para que a gente possa superar as idéias predominantes sobre o ato de educar. Se obtivermos sucesso, deixaremos de ver a educação como doação de conhecimentos.

ê PROPONHO MAIS UMA REFLEXÃO QUE UM CURSO

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PRÓXIMO ITEM

COMPUTADORES E PRINCÍPIO DO PORCO

Um grande cientista da computação, Joseph Weizenbaum (1976), diz que os informatas costumam promover o princípio do porco. Mas, o que é o princípio do porco? Simples. O porco quer sempre mais. Ele deve achar que mais é necessariamente melhor. E aí esta o seu erro. Quanto mais ele consome, mais perto fica o dia fatal da viagem para o matadouro.

Com os computadores, consumir mais e mais informação ficou fácil. E há quem diga que isso é um grande avanço. Mas o consumo de mais e mais informação não traz per se sabedoria. É apenas uma aplicação moderna do princípio do porco.

Fartura de informação pode ser coisa enganosa. Muita gente a aprecia, achando que mais informação é sinônimo de conhecimento. Mas há um engano aqui: mais informação disponível não significa necessariamente que haja melhor comunicação

ê MAIS NÃO QUER DIZER NECESSARIAMENTE MELHOR

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PRÓXIMO ITEM

ENSINAR É COMUNICAR

Muita gente descreve aprendizagem com aquisição de conhecimento. Essa mesma gente, com coerência, descreve ensino como transmissão de conhecimento. Nos dois casos, fica ausente a idéia de comunicação.

Uma abordagem comunicativa da educação não admite possibilidades de aquisição de transmissão de conhecimentos. Ela sugere a necessidade de partilhar saberes. É claro que o professor deve saber mais que o aluno. Mas nenhum aluno é ignorante, algum saber o aluno tem; se nada soubesse não poderia entender o professor.

Vale aqui, mais uma vez, o dito de Abelardo Chacrinha: “quem não se comunica…” É por tudo isso que insisto: ensinar é comunicar, é compartilhar saberes para tornar possível a tão afamada construção do conhecimento.

ê VALE A PENA REPETIR: ENSINAR É COMUNICAR

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PRÓXIMO ITEM

IMPOSSIBILIDADE ONTOLÓGICA DE MÁQUINAS DE ENSINAR

Não vou falar de ontologia. Vou apenas afirmar que ensinar não é atividade própria para máquinas. Não é correto, portanto, o termo “máquinas de ensinar”, empregado para nomear um equipamento inventado pelo psicólogo B. Skinner. Não é correto também achar que as novas e maravilhosas máquinas de nosso tempo possam ensinar. Por que? A resposta fica por conta de uma definição do que é ensino.

Ensinar é colocar em comum conhecimentos. Fazer isso exige entender e trocar perspectivas entre dois ou mais parceiros em aventuras de saber alguma coisa.  Nesse sentido, ensinar é uma atividade tipicamente humana. É possível que a gente possa falar em ensino em algumas relações entre animais não humanos. Mas, definitivamente, entender e trocar perspectivas não é uma atividade que possa ocorrer entre homem e máquina.

ê ENSINAR É ATIVIDADE TIPICAMENTE HUMANA

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PRÓXIMO ITEM

INFORMAÇÃO NÃO É CONHECIMENTO

No belíssimo romance de ficção científica Um Canto Para Leibowitz, os monges de uma ordem religiosa copiam fielmente e conservam os escritos científicos que sobraram depois de uma guerra atômica que devastou o planeta Terra. Mas os copistas do legado científico não sabem o que estão copiando. Não entendem os complicados gráficos, as fórmulas e mesmo os textos que reproduzem. Eles apenas evitam a perda da informação que sobrou dos velhos tempos.

Mas um dia surge um gênio que lê e entende a documentação científica reproduzida pelos monges de São Leibowitz. E com isso volta a ameaça à vida na Terra. O conhecimento de como fabricar bombas atômicas é recuperado e produz a última guerra do nosso planeta…

No cenário dessa história de ficção, vemos claramente que livros são armazéns de informação, não de conhecimento. Este último exige a atividade de alguém capaz de dar sentido aos símbolos copiados pelos monges. Em outras palavras, conhecimento é sempre atividade de agentes capazes de representar o mundo, a experiência etc.

ê INFORMAÇÃO É SÍMBOLO A ESPERA DE AGENTES DE SABER CAPAZES DE PRODUZIR SIGNIFICADOS

ê CONHECIMENTO É PRODUÇÃO DE SIGNIFICADOS

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PRÓXIMO ITEM

CONHECIMENTO E SABER

Neste curso vou usar o termo conhecimento num sentido restrito. Conhecer, dentro dos limites do esquema interpretativo que quero apresentar, é criar representações internas de informações e experiências vividas por sujeitos. Nesse sentido, o conhecimento é a dimensão subjetiva do saber. Ele não se confunde com duas outras dimensões de saber: a informação e a ação humana.

Penso que um novo modo de ver articulações entre conhecimento, informação e ação humana pode explicar melhor a dinâmica do saber. Confesso que esse assunto poderá ser visto como muito teórico. Mas, como já disse alguém, não há nada mais prático que uma boa teoria.

Uma visão compreensiva do saber, mostrando articulações entre conhecimento, informação e ação humana pode fornecer bons elementos para decisão relativas a ensino-aprendizagem. Pode, sobretudo, situar de modo mais equilibrado o papel da informação como elemento constitutivo do conhecimento.

Em todo essa discussão, pretendo argumentar a favor de uma visão de que os professores são profissionais do saber, não produtores de informação ou transmissores de conhecimento. Em resumo:

ê PROFESSORES DEVEM SER ESPECIALISTAS EM PROCESSOS DE ELABORAÇÃO DO SABER

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PRÓXIMO ITEM