Archive for outubro \30\UTC 2007

Boteco Escola Vira Entrevista

outubro 30, 2007

 boteco-2.png

Duas revistas de educação me procuraram para entrevista sobre blogs e educação. Uma é publicação periódica da rede Pueri Domus. Mandei o texto, mas até agora não recebi informação sobre o destino final da matéria. De qualquer forma, a revista não publicará tudo que comentei. Certamente a matéria será editada. Aproveitei a oportunidade para sistematizar algumas coisas que são pilares deste Boteco. Citei trabalhos de alunas e de ciber-amigos. Aos meus alunos, peço que apareçam no pedaço e façam os devidos comentários. Aos ciber-amigos faço também um convite para visita, sem necessidade de comentários…

O texto original pode ser encontrado ali em Páginas, com o título de

7. Blogs e Educação: Uma entrevista

A outra revista é Profissão Mestre. A edição e publicação da matéria estão em andamento. Mais à frente, depois da publicação, vou colocar a matéria na seção Páginas deste Boteco.

Geração digital nativa

outubro 23, 2007

digital-native.gifAcabo de publicar lá no Aprendente post sobre a observação de que os filhos de internet, da MTV e de outras novidades podem processar simultaneamente informações de diversas fontes (livro, computador, Ipod, TV etc.). Entre os meus alunos há quem possa falar disso a partir da própria experiência. Gostaria de ouvir vocês, turma do 4apgn. E é claro, gostaria de ouvir, via comments, opinião de todas as pessoas que já refletiram sobre o fenômeno. Para ver a matéria completa cliquem aqui.

Sem comentários… mas comentem, por favor!

outubro 9, 2007

celular-and-face-to-face.jpg

O bom papo furado

outubro 9, 2007

Algumas pessoas, ao verem a definição dos blogs como lugares de encontro para conversas, imaginam que a prosa em tais espaços deve ter a consistência de diálogos como os das obras de Platão. Pensam que os comentários a posts devem centrar-se exclusivamente no assunto sugerido, sem desvios, sem papo furado. Mas a prosa humana produzida com naturalidade não tem essa rigidez acadêmica. É desorganizada, é dispersiva. Faço essa  observação por dois motivos: 1. tempos atrás alguém me chamava a atenção (equivocadamente) para a pobre qualidade das conversas na maioria dos blogs; 2. uma leitura recente me mostrou que o entendimento da conversa como uma prática bem comportada é um erro que nos impede de apreciar a riqueza dinâmica da comunicação humana sem amarras e controles.

Para maior compreensão, passo a falar um pouco sobre o segundo motivo. Acabei de ler a tradução para o português do ótimo The Mind at Work (O Saber no Trabalho), do educador Mike Rose. A versão brasileira da obra deverá aparecer no Brasil até o final do ano graças a uma iniciativa da Editora Senac.sp, com uma apresentação deste escrevente. Assim que o livro aparecer na praça, dou um alô aqui no Boteco.

Num trecho do escrito de Mike Rose aparecem diversas considerações sobre a conversa que passo a destacar. Depois de comentar a atenção dos aprendizes para com a obra e o encanto das ferramentas como meios capazes de expressar intenções e desejos de realização humana, o autor observa:

Antes de deixar de lado esta discussão sobre o emprego de ferramentas, quero refletir sobre um elemento aparentemente não relacionado no vocabulário de trabalho usado na sala de aula do Sr. Devries [professor de carpintaria e marcenaria], um que é sempre tão presente, que muitas vezes deixa de ser mencionado: a conversa. As discussões tradicionais sobre tecnologia tendem, de várias maneiras, a separar o técnico e o social – e, com o social, o papel da linguagem. O que fica muito claro na oficina, porém, é a íntima conexão entre emprego de ferramentas, o trabalho em madeira, e a fala. A eletricista e poetisa Susan Eisenberg captura bem o fenômeno: “Trabalho e papo fuindo lado a lado/ como fios em conduite bem instalado”.

No trecho, Rose está falando de modos de comunicação que muitas vezes definimos com “papo furado” e desprezamos enquanto expressão de saberes humanos significativos. Mas essa nossa visão comum está equivocada. O papo furado é muito rico, embora sem qualquer daquelas estruturas dos diálogos que viraram literatura. Um pouco mais à frente, as observações sobre conversa continuam assim em O Saber no Trabalho:

Se pudéssemos gravar um dia inteiro da conversa informal da sala do Sr. Devries […] teríamos uma ampla variedade de tipos de assuntos: fofocas, caçoadas, comentários sobre acontecimentos do dia, manifestações de expectativas, planos e objetivos, crônicas da vida doméstica.Uma boa parte deles em tom grosseiro e agressivo. O que me chama a atenção, porém, é como essa conversa informal […] funciona como um canal aberto, rico de possibilidades cognitivas; o modo como a informação, os processos e os segredos do ofício vão e voltam nas caçoadas, nas fantasias, nas piadas sujas.

Ao finalizar suas observações sobre as conversas que rolaram na oficina de Devries nas ocasiões em que esteve observando o trabalho dos alunos de carpintaria, Mike Rose oferece a seguinte observação sintética:

E há ocasiões em que o propósito da conversa não é tão direto, mas, mesmo assim, serve a uma função cognitiva.

O que quero com tantas citações? Basicamente, quero sugerir que a metáfora dos blogs como espaço de conversação pode ser bastante enriquecida com as observações de Rose sobre as conversas fiadas dos alunos-trabalhadores em suas comunicações na oficina e campo de estágio. O que ele aprendeu na ocasião foi que o papo informal, não regulado, é um veículo natural para compartilhar saberes e sentimentos sem as amarras de falas sérias com objetivos previamente definidos. E daí? O desafio de blogueiros, no caso, é o de abrir espaço para que a conversa flua naturalmente, sem compromissos de falar  certo, mas apenas de falar para ser ouvido, para comunicar-se. Se alcançarmos tal meta, nossos blogs não serão textos certinhos e bonitinhos, mas registros de falas autênticas do mais puro papo furado.