Archive for março \31\UTC 2009

Teoria da atividade e novas tecnologias

março 31, 2009

Há um livro essencial sobre Teoria da Atividade: Acting with Technology. Fiz uma resenha do mesmo faz algum tempo. Meu texto começa com o parágrafo que copio abaixo.

Ferramentas mediam atividades humanas tendo em vista determinado objeto [objetivo]. Tal fato sugere que a concepção de ferramentas não é apenas uma questão de engenharia. Este é tema central do livro de Kaptelinin e Nardi. Ao mostrar que atividades mediadas por instrumentos tecnológicos precisam ser vistas a partir de múltiplas determinações, os autores ressaltam muitos pontos às vezes ignorados em conversações sobre novas tecnologias. Um desses pontos é certamente o papel desempenhado pela emoção. Segundo os autores, “objetos de atividades são geradores de um amplo leque de sentimentos e emoções; eles são de fato ’objetos de paixão’ e ‘objetos de desejo” (p. 262). Para chegarem a afirmações como esta, Kaptelinin e Nardi servem-se de uma visão da Teoria da Atividade (TA) que se funda em atualizações teórico-conceituais, avaliações de ferramentas e sistemas desenvolvidos recentemente, e aplicações do aparato teórico estudado em projetos de Tecnologia da Informação (TI).

Se quiser ver a resenha toda, clique aqui.

Música na escola: uma mente bem temperada

março 31, 2009

well-tempered-mind

Minha resenha do ótimo A Well-Tempered Mind: Using Music to Help Children Listen and Learn, obra que narra experiência inspiradora de educação musical,  já está disponível na Internet. Interessados podem ler o texto clicando aqui.

Pesquisa na internet e ignorância bem informada

março 30, 2009

wolfram-alpha-clean

Cibercidadãos de todo o planeta estão curiosos para saber com vai funcionar um novo buscador de informações no ambiente Web. Trata-se do Wolfram Alpha que promete grandes feitos em termos de “pesquisa na Internet”. Muita gente anda dizendo que o Wolfram vai desbancar o Google. De qualquer forma, a proposta é nova e diferente das que animaram os buscadores que utilizamos até hoje.

Desenvolvedores da nova ferramenta dizem que os resultados de busca terão qualidade muito superior à que obtemos hoje com Google, Yahoo e assemelhados. Para tanto, o Wolfram aplicará formidáveis poderes computacionais para “entender” o que o freguês procura. Resta ver como será isso. Os desenvolvedores da novidade prometem que a ferramenta estará disponível no espaço Web a partir do próximo mês de maio.

Confesso que as promessas do Wolfram me preocupam. Elas sugerem que, cada vez mais, seremos dispensados da tarefa de interpretar informações. E quando isso acontece, as coisas podem caminhar na direção de um comentário que Victor Weisskopf (citado por  Sennett em The Craftsman, p. 41) fazia  para seus alunos no MIT:

Quando vocês me mostram esse resultado, o computador entende a resposta, mas eu não sei se vocês  a entendem.

A questão não é nova. A facilidade para se conseguir informações via computador, sem ter de utilizar capacidades humanas de interpretação aparece logo no início de um artigo escrito, nos anos de 1990, pelo cientista da computação Alan Kay:

O físico Murray Gell-Mann observou que a educação no século vinte assemelha-se a ida ao maior restaurante do mundo para alimentar-se (literalmente) com o livreto do cardápio. O autor, com esta metáfora, pretendia mostrar que as representações de nossas idéias substituíram as próprias idéias; os estudantes são ensinados superficialmente sobre grandes descobertas em vez de serem ajudados a aprender profundamente por si mesmos.

No futuro próximo, todas as representações já inventadas pelos seres humanos serão imediatamente disponíveis em qualquer parte do mundo por meio de computadores pessoais “de bolso”. Mas seremos capazes de passar do cardápio para o alimento? Ou não seremos capazes de distinguí-los? Ou, pior ainda, perderemos a habilidade de ler o cardápio e ficaremos satisfeitos apenas em reconhecê-lo? [Original: Computers, Networks and Education, publicado em Scientific American, 1995, special issue: The Computer in the 21st Century. P. 148-155.]

Penso que não preciso comentar o que diz Kay. Infelizmente o tema é muito pouco discutido. Com isso vamos ficando cada vez mais informados e cada vez menos sabidos.

Arquitetura e educação: blogagem coletiva

março 30, 2009

Já faz algum tempo que venho postando aqui reflexões sobre arquitetura e educação. O tema, parece, não frequenta as faculdades de educação. Uma pena! Os significados da organização do espaço passam mensagens de muita importância, ensinam lições muito mais significativas que certas falas dos educadores.

Neste post, eu não queria fazer muitos comentários sobre o tema. Mas lembrei-me de um texto que escrevi e foi publicado num livrinho ano passado( cf. Barato, J. (2008). Tecnologia es Imaginación. in Vicent Campos y Francesc Lorens (org.). Tecnologias de la Educación: Perspectivas atuales y tendencias de futuro. Valencia: Novadors). Numa das passagens, observo:

Na década de 1930 o estudo do meio era uma abordagem metodológica muito popular nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.  Na cidade de Los Angeles, para promover estudo do meio de um modo bastante original, as autoridades educacionais planejaram vôos panorâmicos. Um avião foi devidamente preparado para a missão. Assim, alunos de escolas públicas de LA poderiam sobrevoar toda a região da cidade num programa que se chamou “To-day’s Aerial Geography Lesson”. Essa é uma boa idéia. Se restrições operacionais e de custo não fossem tão grandes, nossos sistemas educacionais poderiam ter hoje seus programas de lições de geografia aérea. Mas eu não contei ainda como o interior da aeronave foi desenhado para as lições de geografia aérea da cidade de Los Angeles.

Larry Cuban (1986) além de registrar esse episódio que acabo de resumir, ilustra o acontecido com uma foto do interior do avião. A cabine da aeronave foi transformada numa sala de aula convencional. Em vez de poltronas, os alunos estão sentados em carteiras escolares. Na parte da frente da cabine há um quadro negro. O instantâneo fotográfico mostra a professora apontado um globo terrestre. Os alunos olham para os livros didáticos sobre suas mesas de estudo ou para a mestra à frente, ninguém olha o panorama pelas janelas do avião.

Para atividades de estudo do meio, a partir de um vôo panorâmico, os educadores da grande cidade da Califórnia resolveram transformar o interior da aeronave numa sala de aula padrão. O uso de um meio de transporte capaz de mostrar ao vivo uma visão ampla do território onde viviam os alunos não resultou numa arquitetura de interiores que facilitasse o aproveitamento do recurso disponível. Ao contrário, a nova tecnologia foi submetida às idéias hegemônicas sobre espaços de aprendizagem sistematizada. O avião foi transformado numa escola. E esta transformação diminuiu sensivelmente possibilidades de aprendizagem que um vôo panorâmico poderia oferecer. Uma escola convencional voadora continua a ser uma escola convencional.

Dificuldades para reorganizar o espaço escolar podem ser observadas nas atuais soluções para usos de novas tecnologias em educação. Post recente de meu amigo Zé Antônio Kuller – Escola do Futuro? – aborda a questão com um exemplo muito claro.

Relaciono, a seguir, posts que andei escrevendo sobre o tema.

Assim que comecei a comentar o assunto, o Kuller entrou na conversa. Ele vem publicando posts sobre o assunto lá no Germinal. A  Miriam Salles comentou nossa conversa (minha e do Kuller) e deu exemplos baseados em sua experiência docente. Já temos um começo. Mas eu gostaria muito de saber a opinião de educadores amigos sobre o tema. Para tanto, estou propondo uma blogagem coletiva sobre Arquitetura e Educação. Como é preciso um tempo para refletir sobre a matéria, sugiro que a blogagem não tenha um dia pré-estabelecido, mas ocorra nos dois próximos meses de abril e maio.
Todos os amigos que passarem por aqui estão, desde já, convidados para a empreitada. Listo a seguir alguns nomes cujas opiniões o tema eu gostaria muito de conhecer.

Essa é uma primeira leva. Vou listar brevemente outros convidados (ou seriam convocados?). Solicitarei ao Kuller que promova a iniciativa lá no Germinal, com lista de gente com quem ele dialoga mais frequentemente. E, é claro, todos os amigos deste Boteco podem convocar outros amigos para a blogagem coletiva sobre Arquitetura e Educação.

Qualidade de ensino e aprendizagem

março 30, 2009

sigmaAno de 1969. Encontrei-me pessoalmente com a estatística. Eu apenas ouvira até então a palavra. Não tinha sequer idéia do vocabulário mais elementar da área: distribuição, quartil, moda, média, mediana, desvio padrão, curva normal etc. Muito menos tinha colocado os olhos sobre símbolos como o sigma minúsculo (para desvio padrão) ou o sigma maiúsculo (para somatória). Fiquei perdido. O professor, um dos estatísticos mais competentes de São Paulo, não facilitava as coisas. Muito pelo contrário, á medida que explicava a matéria minhas dificuldades aumentavam. Terminei o ano com uma nota sofrível, no limite mínimo da aprovação. Passado o susto, consolei-me com a certeza de que nunca mais cruzaria com a numerália e calculeira da tal de estatística.

Ano de 1983.  Eu cursava o mestrado em tecnologia educacional na San Diego State University. As escolhas de disciplinas a cada semestre eram muito flexíveis. Nada era obrigatório. Eu podia escolher cursos de outros departamentos e até mesmo de outras faculdades.  Elaborava o “meu” currículo com muita liberdade. Havia uma única matéria obrigatória, a Ed490 [Metodologia Científica]. Resolvi fazê-la no segundo semestre. Ao ler o programa, descobri que a 490 era pura estatística. Gelei. Fui falar com meu chefe de departamento, Pat Harrison, gente finíssima. Contei-lhe minhas dificuldades com o conteúdo. Dramatizei. Aleguei trauma incurável. Pat não cedeu, nem se comoveu. A matéria era mesmo obrigatória. Mas, ao ver meu pavor, deu-me um conselho: inscreva-se na turma da Rafaela. Fiz isso, convencido de que iria fracassar.histograma1

No primeiro dia, Rafa aplicou um teste para aferir conhecimentos da turma  sobre matemática. Fui mal. Acertei apenas trinta por cento das questões. Levei o teste para a casa. Minha mulher, professora de matemática, riu muito de minha ignorância. Me disse que qualquer aluno de sétima série acertaria tudo naquele testezinho.

Rafa ou, como dizem os registros oficiais da SDSU, Doutora Rafaela Santa Cruz partiu de nossas ignorâncias. Acalmou todos os matemófobos com eu, fez uma revisão da matemática de ginásio e iniciou sua missão de nos conduzir pelo mundo da estatística. Comecei a entender tudo. A matéria era muito fácil. Acabei me tornando um aluno A+ na Ed490. Fiquei tão à vontade que nos semestres seguintes fiz  Ed620 e Ed820, programas exclusivos para alunos do doutorado, exigindo estudos de estatística avançada (consegui licença especial para cursá-las, pois era apenas mestrando). E adivinhem quem dava tais matérias? A Rafaela, é claro!

Rafa ensinava e continua ensinando muito bem. Seus alunos aprendem. E não só aprendem; entendem a matéria e ganham autonomia na área. Mesmo zeros à esquerda em matemática como eu passam a gostar de números, fórmulas e cálculos. E, mais importante que tudo, passam a entender o significado da estatística em suas aplicações no campo das ciências sociais. Aprendi muito com a Rafa. Não fosse ela provavelmente eu não teria concluído meu mestrado na San Diego State.

Conto esta minha história pessoal por um motivo. Nos meios educacionais, falar em ensino é quase tabu. Muita gente me lembra que o ensino precisa dar lugar para a aprendizagem nas escolas. Falam da centralidade do aluno. Insistem na idéia de que o essencial é que o aluno aprenda. Profissionalmente, nos anos de 1980, passei por situações nas quais falar em ensino era quase que ato criminoso. Acho tudo isso exagero de escolanovismo que não se reconhece como tal. Escolas são instituições de ensino. Professores são (ou deveriam ser) especialistas em ensino. Quando não o são , como foi meu primeiro professor de estatística, aprendemos com muita dificuldade ou nada aprendemos, exceto aquelas manhas para tirar nota mínima nas provas. Quando o são, com é Rafaela Santa Cruz, aprendemos. E aprendizagem no caso significa entendimento, admiração e vontade de aprender mais. Rafa prova que ensino de qualidade é essencial para que haja aprendizagens significativas.

Toda essa minha conversa surgiu a partir de um post no excelente Blog de Física, do Sérgio Lima. Como o post sugere que que um de meus escritos aqui no Boteco (ver Ensinar não é Crime) puxa a corda em demasia para o lado do ensino, comecei a pensar maneiras de voltar a o assunto e retomar minha conversa com o Sérgio. Surgiram muitas idéias. Pena que não disponho de tempo para desenvover todas elas. Mas, dada minha dívida para com Rafaela Santa Cruz, resolvi dar destaque a um caso que mostra com muita clareza a importância do bom ensino para a aprendizagem.

rafaelaNa foto, Rafaela Santa Cruz é convidada a ir ao pódio para receber prêmio pelos relevantes serviços prestados à Faculdade de Educação da San Diego State University. O evento, acho eu, aconteceu na metade dos anos de 1990.

Mini WebGincana

março 27, 2009

webgincana

Seria bom ter alguma proposta para ajudar interessados a experimentar modos de produzir uma WebGincana antes de embarcar numa obra definitiva. Ao pensar nisso, me veio a idéia de propor um caminho que pode ajudar marinheiros de primeira viagem: a mini WebGincana.

Minha versão mignon de WebGincanas tem as seguintes características:

  • cinco questões que exigem respostas curtas e análise de material da internet selecionado pelo autor-professor;
  • uma atividade vinculada a uma das cinco questões;
  • uma missão vinculada a uma das cinco questões.

A mini é um exercício para que educadores possam confrontar produções, aprender uns com os outros, explorar modos de fazer. Pode ser feita em Word ou qualquer outra ferramenta bem conhecida por todos. Como qualquer WebGincana, a mini deverá ter todos os componentes recomendados:  Introdução, Desafio, Recursos, Avaliação, Conclusão, Créditos.

transpantaneira_04Para fazer um mini WebGincana, convém trabalhar com outros educadores num grupo de interesse. Como escolher um assunto pode demorar certo tempo, sugiro que coordenadores da atividade selecionem previamente o assunto a ser trabalhado. Para experimentar a idéia de imediato, sugiro  elaboração de uma mini WebGincana sobre o Pantanal. Para quem quiser embarcar na aventura, seguem aqui algumas sugestões de pesquisa sobre a região:

  • Chalana. Há uma bela música com este título. Parece que chalana é um barco. É bom conhecer um pouco mais o assunto.
  • Música e Pantanal. Sugiro considerar dois nomes muito importantes: Almir Sater e Helena Meirelles.
  • Rios do Pantanal. O Pantanal é consequência de uma bacia hidrográfica com certas particularidades. É bom, portanto, conhecer bem os rios da região.
  • Viola de Cocho. Há um instrumento típico na região, curiosidade que pode render boas questões.
  • Pirangueiro. Profissional muito procurado na região. É bom descobrir o que ele faz e qual o significado da palavra pirangueiro.
  • Transpantaneira. A estrada que corta a região pode ser ponto de partida para muitas explorações e questões.

Paro por aqui. Há muita coisa sobre o Pantanal.  Não consigo sequer oferecer uma mostra significativa delas. Mas dei um pontapé inicial.

Dois blogs dos bons

março 27, 2009

Se você está pensando em começar um blog, convém conhecer o que há de melhor na área. Blogs são espaços de conversação. Cada mensagem (post) é convite para um papo. Não basta ter o “seu” blog. Você precisa viver como um cidadão da blogosfera – o espaço virtual construído por milhões de blogueiros do planeta. Você precisa dialogar com outros conversadores dessa província da internet.

redesSua atuação na blogosfera trará novas amizades. Muitas vezes você jamais se encontrará cara a cara com tais amigos. Mas muitos deles serão mais procurados que a maioria dos amigos com os quais você se encontra no clube, na escola, no shopping, no trabalho.

Acho que minhas conversas com Miriam Salles e Doralice Araújo na blogosfera me dão a liberdade de chamá-las de amigas. Temos interesses comuns. Coincidimos em algumas convicções. Aprendemos em nossos papos. Mas não é essa amizade que me faz indicar aqui essas duas blogueiras. Indico-as por causa da qualidade de seus blogs. Eles são endereços que qualquer autor de blog deve visitar com certa frequência. Por isso, se você está começando, recomendo uma visita às minhas duas amigas.

Mas, não faça uma visita  para cumprir tabela. Percorra o local. Examine o layout. Tente encontrar os principais interesses das duas. Veja as últimas conversas que elas tiveram com frequentadores de seus espaços. Ache uma mensagem de maior interesse para você e deixe lá um comentário para começar um papo ou participar de papo já começado.

Falta colocar link para os blogs de minhas duas ciberamigas. Veja-os logo abaixo.

Objetos de aprendizagem na Unicamp

março 23, 2009

Há pouco tempo fiz aqui algumas observações e registros sobre objetos de aprendizagem. Indico a seguir onde pode ser encontrado o que já escrevi sobre o assunto.

Ferramentas intelectuais 1

Objetos de aprendizagem X ferramentas b

Objetos de aprendizagem?

Definição de objetos de aprendizagem

Objetos de aprendizagem: limites na produção

Objetos de aprendizagem ou educacionais

bdc-logoDescobri agora que há um centro de produção e armazenagem de objetos de aprendizagem na Unicamp. O projeto chama-se Biblioteca Digital deCiências (ADB) – Laboratório de Tecnologia Educacional. Há muita coisa interessante no pedaço. Todos os  materiais estão disponíveis para download e muitos deles podem ser utlizados online. Examinei os seguintes títulos:

  • Neurox, uma apresentação, com textos e animações, sobre o funcionamento de nosso sistema neuronal. Material com layout atrativo e animações que podem ajudar a entender a matéria.
  • Obesidade: nova fronteira metabólica. Texto com ilustrações que dão boa idéia decada processo metabólico explicado. O layout não é lá muito atraente.
  • Contração muscular. Texto comilustrações e algumas animações. Também não possue layout bem acabado.

Vi ainda umas duas outras produções. Acho que o acervo da ADB é uma boa fonte de recursospara professores deciência que queiram utilizar computadores em seu ofício.

Não posso deixar de fazer um reparo. As produções colecionadas pela ADB são feitas por ferramentas que permitem a confecção de materiais com certo teor do que se convencinou chamar de multimídia.  Tais ferramentas, além de texto, permitem a geração de ilustrações e animações. Estas últimas dentro de padrões bastante limitados. Muita gente acredita que tais possibilidades caracterizam uma alternativa de tecnologia educacional. Não tenho tal convicção. O resultado do uso das referidas ferramentas acaba sendo o que critícos mais radicaisdo queeu chamam de apostilas eletrônicas. Falta ao material produzido um tratamento adequado em termos de instructional design. Com isso, o que acontece quase sempre é simples transferência de velhos formatos de informação para a nova mídia. Issonão anula possibilidade de uso das produções. Mas coloca um alerta importante: é possível fazer coisas muito mais atraentes no ambiente informático.
A meu ver uma das fontes do problema que apontei chama-se ferramenta. Qualquer ferramenta computacional é uma fôrma. Toda a informação tem de se adequar aos limites pré-estabelecidos.

Histórias orais cooperativas

março 22, 2009

Recebi, em Redação Cooperativa e Histórias Infantis,  de Marli Lúcia de Freitas, indagação sobre possibilidade de utilizar técnicas de escrita cooperativa com crianças pequenas. Respondi que acho difícil tal façanha. O uso que faço da mencionada técnica exige autores bem alfabetizados. Mas, como nada sei de educação infantil, minha resposta é só um educated guess, como dizem os gringos. Gostaria muito de ser contrariado por experiências de educadores que sabem trabalhar com crianças pequenas.

childrentalkingA pergunta da Marli me sugeriu uma possibilidade que podemos chamar de histórias orais cooperativas. O modo de trabalhar com tais histórias teria estrutura parecida com técnicas de escrita cooperativa. Os autores, porém, não precisariam ser alfabetizados. Isso abriria um leque de alternativas para a construção de histórias orais elaboradas a muitas vozes e com mudanças surpreendentes na trama. Não deve ser simples fazer isso. Mas não é impossível. Gente que trabalha com podcast [Alô, Seabra, será que colaboradores seus poderiam considerar a possibilidade?] talvez consiga bolar uma dinâmica para fazer isso com crianças pequenas ou adultos analfabetos. Parece meio louco. Por isso acredito que pode dar certo.

Vida em Paris

março 22, 2009

Taís, minha filha do meio, está morando em Paris, na Maison du Brésil. Acompanha Arthur, o marido, que está fazendo parte do doutorado em física na Cidade das Luzes. Ela aproveita a oportunidade para tornar-se fluente no idioma dos gauleses. Estuda quatro horas de francês por dia.

Para conversar com parentes, amigos e gente que gosta da capital francesa, minha filha criou um blog. Se  entrar lá, você vai gostar. O texto da menina é muito  atraente. Quer ver? Entre no link que indico abaixo.