Desafios

Desafios

 

 

MESA AMERICANA

DESAFIO ESCOLAR

 

Jarbas Novelino Barato

 

Começo por justificar a sugestão deste desafio oferecendo uma explicação preliminar para a produção e para a escola realizadora. A proposta procura articular uma forma cotidiana de atender a uma necessidade básica – a necessidade de alimentação – e os desdobramentos culturais de como a humanidade foi descobrindo e inventando meios e modos de colocar comida na mesa.

É interessante observar que na história humana as estratégias para obter alimento desempenharam (e desempenham) um papel fundamental na vida das comunidades, tribos, sociedades, impérios, países. Saber como nossos ancestrais buscavam fontes de alimentação e inventavam modos de tornar palatáveis vários de tipos de plantas e de animais (incluindo derivados destes como leite, mel, ovos e sangue) é fundamental para entender civilizações e rumos da história.

Em nossas mesas nos dias de hoje há quase sempre uma síntese de milhares de anos de descobertas e de invenção do engenho humano. Nosso arroz com feijão do cotidiano combina um cereal domesticado por antigos povos da China e uma leguminosa domesticada por antigos ocupantes da Meso-América. Carnes e vegetais do mesmo prato podem ser alimentos de origens diversas (América, Europa, Ásia e ilhas do Pacífico). A salada que antecedeu o prato quente também tem a mesma característica, uma imensa diversidade de folhas, raízes, talos, frutos, sementes originários de todas as partes do planeta.

Nem sempre os livros didáticos de história consideram produção de fontes de alimentos, assim como os modos pelos quais a humanidade inventou muitas e muitas maneiras de processar essas fontes em comida. Esta circunstância revela uma falta de atenção para um dos aspectos mais notáveis da cultura. Além disso, a mesma circunstância mostra como se ignora um modo muito interessante de criar sentimento de admiração no estudo da história.

Em levantamentos informais, constatei que as pessoas geralmente ignoram de onde vieram os alimentos que freqüentam nossas mesas no dia-a-dia. Ignoram, principalmente, as origens de vegetais domesticados pelos povos da América antes da chegada dos europeus ao nosso continente. É possível que essas mesmas pessoas jamais se perguntaram como seriam nossos almoços e jantares se a América continuasse isolada do resto do mundo. É possível também que elas não tenham a menor idéia dos impactos que três vegetais americanos (milho, batata e mandioca) causaram em hábitos alimentares na Europa, Ásia e África.

A finalidade maior deste desafio é a de despertar um sentimento de admiração pela inventividade humana que trouxe para nossas mesas imensa variedade de sabores. Da admiração, espera-se que os alunos comecem a se interessar por um estudo da história que parte de uma necessidade básica dos seres humanos. De modo mais específico, os processos imaginados para o desafio, assim como o produto que os alunos deverão apresentar, buscam envolver os estudantes nas particularidades da história das civilizações americanas.

Proposta para a primeira parte

O programa pode começar mostrando como nossa alimentação conta boa parte da história humana. Para tanto, pode-se começar com imagens de alimentos em ambientes que oferecem grande variedade de produtos: um mercado municipal, uma feira livre, as gôndolas das seções de alimentos num supermercado. As cenas iniciais podem também começar num outro ambiente: num restaurante que sirva comida por quilo. Neste caso, as imagens de variados alimentos serão acompanhadas de uma fala sobre a diversidade de produtos encontrados num restaurante popular.

Em qualquer dos casos de background de imagens, convém destacar os alimentos mais consumidos:

  • Arroz (China)
  • Batata (Peru)
  • Feijão (México)
  • Milho (México)
  • Trigo – pão – (Ásia e Europa)
  • Carne bovina (Ásia)
  • Tomate (América do Sul)
  • Mandioca (Brasil)
  • Banana (ilhas do Pacífico)
  • Peru (Norte América)
  • Laranja (Pérsia?)
  • Abacaxi (Brasil)
  • Mamão (Brasil)
  • Melancia (África)

Imagens de alimentos, apresentadas de modo dinâmico (talvez com virtudes destacadas por vendedores de feira…) podem ser complementadas por entrevistas rápidas sobre conhecimento que as pessoas comuns tem sobre origem dos alimentos mais consumidos. Talvez se possa avançar mais com perguntas sobre conhecimentos a respeito de que povos domesticaram trigo, milho, arroz, batata, cacau, gado bovino, porco etc. Talvez convenha perguntar para cidadãos comuns sobre a dieta de nossos índios antes da chegada dos portugueses [Fato curioso: segundo a carta encaminhada por Caminha ao rei de Portugal, o que mais causou alvoroço e medo entre os índios que visitaram as naus da esquadra de Cabral foi uma galinha…].

Outra linha de introdução ao assunto pode ser a de entrevistas rápidas com historiadores e/ou nutricionistas que possam dar informações sobre alguns dos itens mais comuns da alimentação dos nativos americanos. Aqui poderiam entrar informações rápidas sobre batata, milho, mandioca, feijão, abóbora, caju, tomate, abacaxi – a fruta que causou admiração entre os primeiros cronistas de nossa terra – pescados dos rios brasileiros.

Mais uma alternativa de introdução: entrevistas com grandes chefs de cozinha que buscam criar pratos com produtos americanos. Carla Pernambuco (http://carlapernambuco.uol.com.br/) , do restaurante Carlota, de São Paulo é profissional que faz isso com muito fundamento. Outro chef famoso que já criou pratos com produtos nativos é Francisco Ansiliero, do restaurante Dom Francisco (http://www.domfrancisco.com.br/) , de Brasília. Carla, Francisco ou outros chefs famosos podem ser bem explorados para falar sobre comida, história e cultura, destacando depois as possibilidades culinárias de alguns produtos nativos das América. Essa conversa pode dar margem à observação de que podemos encontrar nossa história na cozinha, pois esta é uma síntese de milhares de anos de descobertas da humanidade com relação a uma coisa fundamental: o que podemos colocar na mesa não só para matar a fome, mas também para ter prazer.

Relatos históricos como After the Ice: A Global History, 20.00 – 5.000 BC exploram a fundo as conseqüências dos tipos de alimentos selecionados pela humanidade. Em fases de caça e coleta, com aconteceu em toda parte até uns 15000 anos antes de Cristo, não há fartura, mas também não há necessidade de grande esforço para produzir o pão de cada dia. Depois, em várias partes do mundo, os homens começam a domesticar plantas e animais. Aumenta a fartura de alimentos. Mas aumenta também a necessidade de muito trabalho para produzi-lo. Além disso, a relativa fartura de alimentos e a necessidade de grande número de pessoas dedicadas à produção foram estruturando os primeiros agrupamentos humanos que podem ser chamados de vilas e cidades.

Cabem outras observações. Para cuidar dos alimentos foi necessário selecionar sementes, escolher terrenos mais favoráveis para a produção. Foi necessário inventar meios de armazenar e conservar a colheita. Etc. Tudo isso pode ser visto hoje nos grandes projetos de produção de grãos, frutas, animais de corte etc. Para ver tudo isso em imagens basta ir até um CEASA e constatar que os alimentos exigem cuidados e invenções.

Outra coisa. Vale observar também que os alimentos exigem arte na cozinha. Quando nos sentamos à mesa, não queremos apenas nos alimentar. Queremos comida que agrade ao nosso paladar. Grandes chefs ou cozinheiras do trivial capricham no tempero, na apresentação. O que sabem é resultado de invenções de muitas gerações.

Nosso foco é a América. Durante milhares de anos nosso continente esteve isolado de outras partes do planeta. Os seres humanos que para cá vieram há 20000 ou mais anos atrás praticamente não trouxeram nenhuma planta ou animal de seus lugares de origem (quase certamente o norte da Ásia). Chegando às América tiveram que avaliar as fontes alimentares aquis existentes. Tiveram que observar. Tiveram que experimentar e criar. No começo caçavam e coletavam o que a natureza produzia naturalmente. Mas, por volta de 6000 antes de Cristo, começaram a domesticar algumas espécies nativas. Talvez a realização mais importante da domesticação de fontes alimentares nas Américas tenha acontecido com o milho. Esse cereal, na origem uma gramínea pouco parecida com o milho de hoje (chamada teocinte) foi continuamente transformada por um processo de seleção realizada pelos índios da Meso-América. História parecida aconteceu com a batata e a mandioca.

O que se pretende com o desafio aqui proposto é oferecer oportunidade de ver a história das Américas por meio de descobertas de seus povos no campo da alimentação. No caminho para isso certamente haverá muita surpresa. Uma delas, por exemplo, será a de descobrir que a batata inglesa é, na verdade, peruana.

Objetivos

Antes de seguir em frente, convém situar os objetivos educacionais pensados para este desafio. O que se quer com a geração de um produto final que colocará os alunos num processo de investigação bastante intenso é:

  • Estabelecer ligações entre traços culturais de hoje e o passado da humanidade.
  • Examinar a produção de alimentos como uma atividade que além de dar resposta para uma necessidade vital é dimensão importante da cultura e da economia.
  • Reconhecer os mais importantes alimentos de origem nativa (americana).
  • Listar as contribuições das civilizações americanas anteriores à chegada dos europeus para as mesas de alimentação do planeta.
  • Experimentar concretamente como uma seleção de alimentos americanos pode ser base para um menu saudável e gostoso.
  • Desenvolver sentimento de admiração pelo contínuo desenvolvimento de civilizações, utilizando a alimentação como uma referência capaz de articular passado e presente.

Os objetivos gerais atrás formulados indicam que este desafio é multidisciplinar e envolve ciência, história, geografia, estudos sociais, culinária. Possivelmente a coordenação dos necessários estudos possa ficar sob responsabilidade de um professor de história.

O desafio

Depois de apresentar o pano de fundo que serve para justificar o que os alunos deverão realizar, chegou a hora de apresentar o desafio propriamente dito. Os alunos escolhidos para participar dessa aventura deverão se transformar em profissionais de culinária (chefs de cozinha) convidados pela EMBRAPA ou por uma cadeia de restaurantes para iniciarem a elaboração de um menu tipicamente americano. Há muitos alimentos nativos das três Américas. Alguns deles são conhecidos hoje em todo o planeta. Outros permanecem restritos a regiões bem demarcadas pela geografia ou pelos costumes.

É possível que os chefs venham a enfrentar alguma dificuldade, pois estamos tão acostumados a mesas planetárias que fica difícil pensar uma refeição sem certos produtos que vieram de muito longe (casos, por exemplo, do arroz, do trigo e da carne bovina). Haverá certamente algumas restrições. Hoje o óleo de cozinha mais comum é o de soja, mas ele não poderá ser utilizado num cardápio americano. Não há problema, não é muito difícil encontrar óleos de cozinha feitos de vegetais nativos das Américas. Basta pesquisar um pouquinho. Outro problema será o tempero. Alguém se lembrará que os navegadores portugueses buscavam novas rotas para o comércio de especiarias. Estas nada mais eram que vegetais que hoje constituem o núcleo central dos temperos utilizados em todas as cozinhas do planeta. E boa parte desses temperos não é americana, exceto a imensa variedade de pimentas nativas de diversas partes das Américas. De qualquer forma, temperar comidas nativas americanas apenas com especiarias da terra será uma parte exigente do desafio.

Já ofereci  informações suficientes para situar o desafio. Vamos a ele em termos de conversa com os alunos.

Vocês são chefs de cozinha de diversos restaurantes famosos. Sempre inventam novos pratos. São pessoas cultas que sabem combinar culinária com bom gosto, história e cultura. Vocês não são apenas cozinheiros. São artistas. São criadores. Por isso a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) convidou vocês para criarem o que está sendo chamado de Mesa América, um projeto de elaboração de menus que utilizem exclusivamente produtos de origem nativa [valem alimentos cujas origens sejam de qualquer parte das Américas, do Alaska à Patagônia].

Observação. [Se possível seria muito bom envolver a EMBRAPA concretamente no trabalho que vamos realizar, pois a empresa já fez propostas similares convidando chefs famosos para criarem menus com produtos de diversos biomas do Brasil. Se entrar na realização, provavelmente a EMBRAPA poderá fornecer alguns insumos necessários para a boa realização do desafio]. Se a ideia de ter a EMBRAPA como cliente não for realizável, a alternativa será a de sugerir aos alunos que eles estão sendo convidados por uma cadeia de restaurantes, a ser inaugurada brevemente, que quer fazer algo completamente novo: trabalhar com um cardápio exclusivamente americano. Nesse caso, embora nosso cliente seja fruto de uma ficção será preciso encontrar profissionais que atuem como possíveis contratantes dos serviços de nossos “chefs”.

Concretamente, a EMBRAPA lhes fez o seguinte convite:

Queremos que vocês escolham pelo menos dez itens de fontes de alimentos tipicamente americanos. E mais, queremos que vocês criem um menu para um jantar com os produtos escolhidos. O cardápio deverá ter uma entrada, um prato quente, sobremesas e bebidas. Em nenhuma hipótese vocês poderão utilizar produtos originários de outros continentes. A criação de vocês será nosso primeiro passo para desenvolver a Mesa Americana.

O desafio não fica apenas no que se descreveu até aqui. Vocês terão de fazer, de acordo com o menu que criaram, um jantar que deverá ser servido para pelo menos quatro pessoas.

Este desafio certamente vai dar muito trabalho. Mas será muito interessante. Além de pesquisa, ele envolverá muita conversa entre os alunos e muita ação na cozinha. Por isso será importante considerar o apoio que os alunos deverão receber para conseguirem bom resultado.

Condições para desenvolvimento do desafio

Para realizar este desafio, os alunos deverão contar com uma boa cozinha. Nas primeiras conversas havidas sobre a produção, sugeriu-se que o desafio fosse realizado por alunos de cursos técnicos do Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Distrito Federal. Se essa sugestão for concretizada, parece que será possível ter uma cozinha bem equipada para o trabalho.

Outra necessidade de apoio: os alunos precisarão contar com a ajuda de um chef famoso. Se realizada em Brasília, Francisco Ansiliero, do Dom Francisco, poderá ser convidado para ajudar os alunos. Ele é pessoa culta e grande criador de cardápios originais. Se a atividade for realizada em outra cidade, continuaremos precisando de um chef que possa incentivar nossos alunos a criarem parte de um cardápio para o projeto Mesa América. [Em São Paulo, a chef ideal para isso é Carla Pernambuco, do Carlota].

Não se espera que os alunos aprendam a cozinhar. Para isso, será preciso contar também com uma equipe de apoio na cozinha, constituída por cozinheiros e auxiliares que possam produzir os pratos indicados pelos alunos. Os alunos, porém, deverão colocar a mão na massa. Deverão ser vistos na cozinha, devidamente uniformizados, fazendo o que for possível para que o jantar com produtos exclusivos do continente americano seja um sucesso.

Parte dos produtos que os alunos escolherão provavelmente são produzidos em largas escala e até industrializados. Peru e milho, por exemplo, estão nessa condição, assim como batata,  mandioquinha, tomate e mandioca. Outros produtos, porém, se escolhidos darão um pouco de trabalho para serem encontrados. Esse é o caso, por exemplo, de carnes, silvestres. Há comércio legal de carne de capivara, mas encontrar empresas que a vendem não será muito fácil. Alguns outros produtos, embora importados, não são tão raros. Este é o caso da quinoa que pode ser encontrada em casas que vendem produtos “naturais”. De qualquer forma, é bom assegurar que prováveis dificuldades de aquisição dos produtos não tolham as possibilidades de escolha dos alunos. Cabe reparar que as sobremesas que certamente não poderão ser doces convencionais (o açúcar de cana não é produto nativo…). E é bom lembrar que o único mel que pode ser utilizado é o de abelhas nativas.

Convém lembrar que na sobremesa poderão ser consumidas frutas da terra. Talvez seja aconselhável sugerir que os alunos escolham pelo menos duas frutas que deverão integrar o cardápio que criarem.

Uma sugestão

Cheguei a pensar em incluir no desafio a circunstância de que o jantar seria julgado por um júri gastronômico de quatro pessoas. Fiquei na duvida e não inclui isso na formulação do desafio. Mas se coordenação e produção julgarem que este aspecto dramático pode acrescentar algo de interesse em termos de TV, a constituição de um júri será mais um aspecto a ser considerado pela produção e pela escola realizadora. [seria muito bom que todo o júri ou parte dele fosse constituído por chefs e críticos de gastronomia].

O processo

Depois de apresentado o desafio, entramos na segunda parte das atividades: o processo. Uma parte do processo pode ser estruturada como uma conversa entre os alunos e o chef de cozinha que for convidado para participar do programa. A conversa pode ocorrer numa cozinha, com o chef devidamente paramentado, talvez mostrando algumas de suas criações, mas sem dar pistas se os produtos utilizados são americanos ou oriundos de outras partes do mundo. Na conversa, os alunos podem fazer perguntas sobre cozinha, cultura e história.

Para este desafio criei uma WebGincana que pode animar a primeira parte das pesquisas que os alunos deverão  realizar sobre alimentos nativos das Américas. Uma WebGincana é uma forma estruturada de uso da Web para fins educacionais. Ela coloca os alunos numa situação de jogo (competitivo) pela busca de certas informações. Ganha o jogo a equipe que mais pontuar. Mas, uma WebGincana não se resume a buscar informações na Internet. Ela imita as gincanas tradicionais, propondo atividades e missões que deverão ser realizadas logo após a descoberta de resposta correta para certas questões. Atividades são realizações da equipe ou grupo de trabalho. Missões são tarefas típicas de gincanas.

A aplicação de uma WebGincana neste desafio foi pensada como forma de dinamizar a busca de informações e criar situações que podem ser bem aproveitadas em registros de TV. Mas é bom notar que a WebGincana proposta não será suficiente para que os alunos recolham todas as informações necessárias para vencer o desafio proposto. Será preciso ainda:

  • Realizar mais pesquisas na Internet, e em livros e revistas.
  • Consultar especialistas (chefs, professores de história).
  • Decidir sobre estratégias para organizar o trabalho de forma a conseguir resultados o mais breve possível.
  • Buscar, com auxílio da escola realizadora e produção, os alimentos necessários para produção do jantar.

Volto à WebGincana. O jogo proposto exige coordenação de um ou mais professores. Por isso é bom que os professores participantes dêem uma boa olhada no material antes que os alunos iniciem o jogo.

Publiquei a WebGincana no Zunal, um ambiente para produzir e alojar WebQuests. Foi preciso, portanto, fazer algumas adaptações. Melhor seria se pudéssemos  colocar a WebGincana num página Web bem acabada. De qualquer forma, a versão que coloquei no Zunal tem toda as condições de utilização num trabalho como o proposto.

Cabe aqui uma observação. Pesquisas na Internet sugerem uso de buscadores como o Google para encontrar fontes de informação. Nada contra. Mas há uma convicção generalizada entre alunos e professores de que basta escolher e reproduzir o que o Google lista. Esse modo de ver “pesquisa” não é o que sugerimos em WebGincanas. O que queremos é que o aluno leia material selecionado pelo professor/autor e nele encontre informações necessárias para dar conta do recado. Nem sempre se consegue isso em WebGincanas quando as perguntas não estão bem formuladas (e não é fácil formular questões que driblem o Google). Por essas razões, é preciso que os professores participantes, além de conferirem a correção das respostas dos alunos, solicitem que estes últimos indiquem a fonte onde encontraram a informação (assim, a indicação de fonte será condição necessária para pontuar).

Estou sugerindo aqui algumas indicações que podem ser úteis para os professores participantes. Esperam que eles leiam este texto preliminar sobre o desafio. E, para não esticar demasiadamente este subsídio, sugiro à escola realizadora e professores que entrem em contato comigo caso surjam dúvidas de como utilizar a WebGincana.

Falta indicar onde a WebGincana Mesa Americana pode ser encontrada. Aqui vai o endereço:

 

 

A realização da WebGIncana pelos alunos vai criar algumas situações interessantes para registro de TV. Em primeiro lugar haverá um clima ou de competição ou de desejo de superação. Talvez missões e atividades sejam particularmente interessantes neste sentido.

Estão previstas três atividades, realizações que dependerão de iniciativas dos alunos para criarem ou produzirem algo. A primeira atividade, vinculada à questão 1 propõe ao grupo a leitura dramática de uma lenda. Isso é um teatrinho cuja realização dependerá de imaginação dos alunos e pode gerar uma ou outra imagem interessante.

A segunda atividade, vinculada à questão 9, sugere que os alunos montem uma salada com ingredientes de produtos nativos das Américas. Isso vai exigir trabalho na cozinha, com uso de equipamentos necessários. Há aqui muitas possibilidades de fazer imagens e de gravar parte das conversas dos alunos em suas tentativas de criar uma salada apetitosa e bonita.

Observação. Produção e escola realizadora deverão deixar semi-preparados os ingredientes que possam entrar na salada. Vai aqui uma sugestão de itens:

  • Quinoa, já cozida ou em forma de farinha.
  • Batatas e mandioquinha – batata baroa (já cozidas)
  • Tomate in natura.
  • Chuchu (já cozido).
  • Abacaxi in natura.
  • Abacate in natura.
  • Peito de peru (talvez defumado)
  • Ovos de codorna (já cozidos).
  • Farinha de milho em beiju.
  • Milho em espigas já cozidas ou em embalagens industrializadas.
  • Abóbora (tipo moranga) já cozida.
  • Algum peixe já cozido ou em embalagens industrializadas.
  • Óleo de milho.
  • Palmito (in natura ou industrializado).
  • Pimentão in natura ou cozido.

Outros itens conhecidos pelo chef que dará assessoria ao programa podem ser providenciados, de acordo com conveniências da escola realizadora e da produção.

Como dispomos de pouco tempo parta a realização, será preciso que todo o material já esteja semi-processado antes da atividade que os alunos deverão desenvolver. A salada será uma invenção dos alunos. Eles decidirão que ingredientes utilizar (desde que os mesmos sejam genuinamente americanos). Não será obrigatório, portanto, que se usem todos os ingredientes disponíveis. Outra observação: bancadas de trabalho para os alunos já deverão estar previamente preparadas para a atividade, limpas e com todos os equipamentos necessários à mão. Finalmente, é conveniente que os alunos tenham apoio de profissionais de cozinha (cozinheiros e auxiliares de cozinha). Esses profissionais nada produzirão, mas darão apoio aos alunos mostrando como utilizar os equipamentos e como cortar e preparar os ingredientes. Sugere-se que salada preparada seja uma porção para duas pessoas.

A Terceira atividade, vinculada à questão 15, é o ensaio e apresentação de uma música tradicional do folklore peruano, El Condor Pasa. Para que os alunos possam ouvir uma versão da música e tentar aprendê-la, será preciso providenciar aparelho de som e CD ou fonte MP3 de alguma das versões da música.

A dinâmica da WebGincana prevê missões, aquelas tarefas típicas de gincanas tradicionais. A primeira missão, vinculada à questão 8, exigirá que os alunos entrem em contato com prováveis fornecedores de mel nativo. Sugere-se que os contatos possam ser feitos via celular. Se os alunos tiverem que buscar o item solicitado em lugar distante da escola haverá problemas para conseguir transporte. Acho que isso não precisa ser facilitado, afinal de contas estamos lidando com um desafio…

A segunda missão, decorrente de resposta à questão 10, exige que se encontre alguém que já tenha provado carne de capivara (como estamos num programa educacional, é bom anotar que a carne silvestre do caso deve ser alimento produzido por firma autorizada pelo IBAMA). Se houver dificuldade para trazer a pessoa até o local da WebGincana, pode-se pensar numa forma substitutiva: realizar entrevista com a pessoa por meio de celular, skype ou outra modalidade de comunicação eletrônica.

A terceira missão, trazer até a sala de realização da atividade uma espiga de milho, está vinculada á questão 12. Ela tem a mesma natureza que a primeira missão. A equipe precisará encontra algum fornecedor de milho in natura e meios de buscar o material em tempo hábil.

Talvez não seja possível cumprir todas as missões. Mesmo assim, a dinâmica de buscas da equipe pode ser um bom “drama” para registro de TV.

É bom que a escola realizadora estabeleça um tempo máximo para a realização da WewbGincana. Sugiro duas alternativas: duração máxima de duas horas; duração máxima de três horas.

No processo, a WebGincana desempenhará o papel de oferecer aos alunos uma visão geral do tema.  Mas ela não basta. O grupo deverá prosseguir pesquisas para realizar um bom levantamento de fontes de alimentação nativa. Nesse sentido, proponho:

  • Elaborar uma lista de pelo menos trinta itens de produtos nativos das Américas.
  • Classificar os produtos encontrados em grupos como cereais, sementes, caules, raízes, frutas, carnes, derivados etc.
  • Identificar os cinco produtos mais cultivados nos dias de hoje (tanto nas Américas como em outras partes do mundo).
  • Consultar o chef que assessora o trabalho (ou qualquer outro chef ao qual o grupo possa ter acesso) sobre modos de preparar os produtos que o grupo achar mais interessantes.
  • Discutir menus tentativos.
  • Manipular produtos que o grupo ainda não conhece.

A proposta que faço é apenas uma sugestão. Os alunos deverão ter alguma liberdade para selecionar informações e articular-se com pessoas que possam lhes passar mais informações.

Dependendo de onde for realizado o desafio, os alunos poderão consultar parentes mais velhos que possam lhes passar informações sobre alimentos nativos que façam parte de tradições culturais da região. Se o desafio for realizado no DF, certamente as famílias dos alunos conhecem alguns dos produtos mais típicos do cerrado brasileiro.

Se possível, a escola realizadora deve fazer um levantamento de empresas fornecedoras de produtos nativos (incluindo-se em tal levantamento restaurantes que tem em seus cardápios carnes silvestres – devidamente liberadas pelo IBAMA. Dependendo também de local de realização do desafio, pode-se pensar em contatos com povos nativos que possam dizer que alimentos de origem americana eles consomem.

Como este desafio tem certa complexidade, será preciso garantir um apoio efetivo da equipe de professores e de outros profissionais que deverão prestar assistência aos alunos. Finalmente, escola realizadora e produção precisarão ter bastante agilidade para garantir que todos os produtos necessários ao menu criado pelos alunos estejam na área de preparação da cozinha no momento certo.

Atividade final

A atividade final deste desafio deverá acontecer numa cozinha onde os alunos, ajudados por profissionais, estarão fazendo um Jantar para o projeto Mesa Americana. A produção envolverá decisões sobre que alimentos entrarão no menu, que receitas serão utilizadas, o que vai ser cozinhado, o que vai ser assado etc. Existirão mais conversas sobre entrada, prato principal, sobremesa e sucos.  A preparação dos alimentos em bancadas na cozinha pode render boas imagens.  Uma descrição mais objetiva das operações de preparo dependerá das escolhas feitas pelos alunos. Antes do começo da preparação, a produção precisa conversar com o chef para saber o que vale a pena ser registrado.

Preparação de alimentos pode ser atividade demorada. Por isso convém saber antecipadamente quais serão os melhores momentos para registro. Outra observação: a critério do chef, alguns alimentos poderão estar pré-preparados antes que os alunos se dirijam à cozinha para finalizar o produto.

Aspecto importante da finalização do produto será a montagem de pratos. O chef poderá sugerir aos alunos alguns toques de embelezamento do prato. Uso de certas frutas com cortes originais e utilização de flores de plantas nativas podem ser elementos de embelezamento. [Na culinária mexicana mais sofisticada há uso de flores de abóbora para decorar certos pratos; e as flores de abóbora são comestíveis; dizem que elas eram uma iguaria muito apreciada pela nobreza asteca…]

Acena final deste desafio será a de um júri à mesa apreciando o menu produzido pelos alunos. Este mesmo júri poderá realizar a avaliação final da atividade comentando o que os alunos fizeram e a idéia de desenvolvimento de uma Mesa Americana.

No fechamento do programa pode-se entrevistar alunos, mostrar cenas retrospectivas destacando imagens de produtos nativos de nosso continente. Talvez convenha ressaltar no final os produtos das Américas que hoje podem ser encontrados em mesas de todo o planeta; milho, batata, mandioca, peru, mandioquinha, abóbora.

 

 

 

Desafio Educacional

Vitrine dos Direitos Humanos

 

Jarbas Novelino Barato

 

Antes de propor este desafio, aqui vão algumas considerações para a escola realizadora e a produção.

Uma das orientações mais importantes nestes tempos de fartura de informação é o de criar situações nas quais os alunos transformem informações. Tal princípio orientou as propostas até agora feitas para os programas da série desafios educacionais. Nem sempre, porém, a proposta de transformação ficou bem explícita. Neste Vitrine dos Direitos Humanos a abordagem transformativa será evidente.

Repetir ou reproduzir informações é operação que não resulta aprendizagens significativas. Mera repetição ou reprodução de informação, mesmo que feita de modo envolvente, no geral não gera aprendizagens duradouras. Mas, o problema não é só de retenção de conteúdos. Processos de memorização acontecidos de maneira muito abstrata e longe de contextos significativas não contribuem para o desenvolvimento de capacidades cognitivas superiores (análise, síntese e avaliação, na terminologia utilizada por Bloom). Por isso tudo, os ambientes de educação sistemática precisam criar situações que ofereçam para os alunos oportunidades de produzir algo novo a partir de determinado conteúdo considerado relevante.

Não pretendo me estender em considerações sobre a necessidade de transformação para que aconteça construção ou reelaboração de conhecimento. Fiz os comentários até aqui registrados na tentativa de deixar claras as intenções do presente desafio.

Há um conteúdo que precisa ser conhecido pelos estudantes: a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Tal conteúdo pode ser desenvolvido em todos os níveis de ensino, em atividades adequadas ás etapas de estudo. A sugestão que segue parece ser adequada para alunos de ensino médio.

A Declaração dos Direitos Humanos é um daqueles conteúdos que muitos educadores chamam de transversais. Ele pode articular diversas disciplinas. Na proposta que segue, sugere-se um tratamento da Declaração que poderá articular ciências sociais, história, filosofia, artes e língua portuguesa.

Leitura pura e simples da Declaração pode não engajar os alunos num processo de compreensão e compromisso com o conteúdo. Parece também que complementar a leitura com informações históricas não cria o necessário clima de envolvimento dos alunos com o conteúdo. É preciso oferecer proposta que requeira estudo do texto e das circunstâncias históricas que envolveram sua produção para produzir algo que chame a atenção de terceiros. Ou seja, é preciso colocar os alunos numa situação que os convide a produzir uma nova forma de apresentar parte ou todo o conteúdo da Declaração. Uma das formas de fazer isso é sugerir uma tarefa de transposição do conteúdo do documento das Nações Unidas para representações imagéticas. E essa não é uma proposta inteiramente nova. Alguns artistas já fizeram isso ou receberam convites para tanto. O fotógrafo João Roberto Ripper, por exemplo, produziu uma série de imagens retratando situações ainda muito distantes daquilo que a Declaração Universal dos Direitos Humanos propõe. O trabalho de Ripper aprece em publicação da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (Revista Direitos Humanos, junho/2009). Vale a pena consultar artigo no qual a citada revista mostra e comenta algumas das fotos de Ripper.

Outro fotógrafo cujas fotos são utilizadas como pontos de partida para conversas sobre direitos humanos é Sebastião Salgado. Na Internet há um registro de pedido para que o fotógrafo relacionasse algumas de suas fotos com os direitos mais básicos da humanidade. O resultado pode ser visto em

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141997000200002&script=sci_arttext.

A transição do texto para imagem exige de quem a faz uma transformação na tentativa de comunicar o mesmo conteúdo de um modo completamente diferente. [Referências sobre imagem e educação podem ser encontradas em Jornal Educação & Imagem, publicação disponível na Internet: http://www.lab-eduimagem.pro.br/JORNAL/ ]. Por essa razão, há diversas propostas de produção de imagens a partir de textos que abordam questões que precisam, além de entendimento intelectual, sensibilizarem os aprendizes do ponto de vista estético, ético e axiológico. Uma visita ao Slideshare, por exemplo, mostra que há um bom número coleção de imagens buscando mostrar os direitos humanos. [Uma parte de tais trabalhos foi realizada por alunos meus num exercício da disciplina Ética e Jornalismo].

Transformações de informações são quase sempre demandas de uso do saber fora das escolas. Profissionalmente não se busca reprodução de informações, mas a elaboração de novos arranjos informativos a partir de transformação de conteúdos disponíveis. Por essa razão, vou sugerir tarefas no desafio que, se possível, não devem se restringir a um exercício escolar. Assim, se possível, a mostra do trabalho final dos alunos deve ser exposta fora da escola. Voltarei ao assunto mais à frente quando especificar o resultado esperado neste desafio.

O conteúdo de Direitos Humanos pode parecer abstrato em sua formalização no papel. Solicitação de transformações que levem os alunos a estabelecer nexos entre os artigos de Declaração e imagens que mostrem com impacto, positiva ou negativamente, condições de vida das pessoas darão vida ao conteúdo e podem alimentar conversações interessantes (e interessadas) sobre o assunto.

Introdução

Há ainda um longo caminho a ser feito para eliminar diferenças entre desejos de vida digna para todos os seres humanos. A questão é antiga. O grande poeta Manuel Bandeira num poema curto, O Bicho, publicado em 1947, mostra dramaticamente com ainda existem situações em que as pessoas não vivem com um mínimo de dignidade:

 

 

O BICHO

Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Numa busca, na seção Imagem do Google, com a expressão “O Bicho Manuel Bandeira”, encontramos uma seleção de imagens de muito impacto que internautas escolheram para ilustrar o referido poema.

O poema de Bandeira pode ser utilizado como ponto de partida para conversas sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em termos de produção, a citada produção literária poderia ser dita por um ator ou atriz, talvez com um fundo de imagens ilustrativas. No final, uma voz em off pode sugerir que pensemos sobre as palavras de Bandeira. O poeta escreveu o que acabamos de ouvir no distante ano de 1947. Será que as coisas mudaram? Será que não existem mais seres humanos revirando o lixo para encontrarem comida?

Do poema, pode-se passar para a Declaração. É interessante notar que a proclamação da Declaração dos Direitos Humanos aconteceu em 1948, na mesma época em que o poeta brasileiro publicou O Bicho. Parece que uma humanidade que havia saído de mais uma Grande Guerra estava muito sensibilizada para adotar propostas que promovessem vida digna para todos. Mas esse desejo não era novo. Com a história, os seres humanos foram descobrindo que dignidade para todos é uma das marcas de civilização.

A Declaração já tem mais de meio século. Será que seus princípios já foram concretizados para todos? Parece que não. Seria bom descobrir o que as pessoas pensam sobre isso. Perguntas sobre o tema podem incluir indagações tais como:

  • Todas as pessoas têm o suficiente para matar a fome todos os dias?
  • A educação está universalizada? Temos escolas de boa qualidade para todas as crianças e jovens?
  • Há trabalho para todos?
  • As condições de trabalho são adequadas?
  • A tortura acabou?
  • Qualquer cidadão pode viajar para onde quiser?
  • Crenças religiosas e políticas são respeitadas pelo estado e pela sociedade?

As questões atrás relacionadas ou outras mais contundentes podem ser motivo de conversa com cidadãos comuns. Ou, alternativamente, podem ser motivo de conversa com pessoas que estudam os direitos humanos. Pode ser interessante uma conversa inicial sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos com pessoas como:

  • Mário Sérgio Cortella (PUC São Paulo)
  • Olinto Pegoraro (UERJ Rio de janeiro)
  • Paul Singer (FEA/USP)
  • Paulo Betti (Ator Rio de Janeiro)
  • Gilberto Gil

Os nomes aqui listados são apenas exemplos de pessoas que direta ou indiretamente abordam  o assunto em pauta. Há muitas outras pessoas que poderiam ser citadas. Se a produção optar por entrevista ou entrevistas pode-se considerar algum dos nomes citados ou nomes de quaisquer outros formadores de opinião que possam aparecer bem na TV.

Há imagens de impacto sobre condições de vida de muitos grupos humanos na atualidade. No noticiário global, a mais recente situação de ausência de respeito por direitos humanos básicos vem acontecendo em Darfur (região do Sudão,  África). Se possível, casos como o de Darfur ou de qualquer oura região do mundo poderia fornecer imagens de TV para comentários sobre dificuldades ainda enfrentas por povos e países.

Se adequado e a critério da produção e escola realizadora, os alunos podem começar a atividade com um jogo encontrável na Internet. Trata-se de Darfur is Dying. Caso os alunos tenham dificuldade com o idioma inglês, é possível escolher uma versão do jogo em espanhol. Darfur is Dying pode ser encontrado em:

http://www.darfurisdying.com/index.html

Volto a ressaltar que utilização do jogo é uma opção que precisa ser bem pesada por produção e escola realizadora. Professor ou professores coordenadores, no caso de uso de Darfur, precisarão conhecer bem o material e estabelecer um limite de tempo para que os alunos concluam a aventura de acordo com as regras estabelecidas.

Caso Darfur is Dying seja utilizado numa atividade introdutória, os alunos devem jogá-lo em duplas ou trios. Um uso individual do jogo não ajuda a estabelecer conversações  importantes sobre o que vem acontecendo naquela região do Sudão e de como a situação pode iluminar entendimentos sobre direitos humanos. A dinâmica do jogo certamente oferecerá oportunidades para tomadas com os alunos tentando resolver as situações que vão surgindo. Além disso, rápidas entrevistas podem ser feitas para registrar opiniões dos estudantes sobre o caso. Caberão questões tais como:

  • Você já tinha ouvido falar em Darfur?
  • Em que fase do jogo vocês se encontram? Jogar este jogo ajuda a entender a situação que a população de Darfur está vivendo?
  • Que personagem vocês escolheram?
  • O que estão aprendendo ao jogar o jogo?
  • Vocês já tem uma boa idéia de onde fica o Sudão?
  • O que podemos fazer para que não surjam mais Darfurs no nosso mundo?

As perguntas atrás listadas são apenas sugestões. Dependendo de sensibilidade do entrevistador e de sugestões dos professores da escola realizadora, a conversa sobre o jogo poderá ganhar outros rumos.

Desafio

Depois que os forem envolvidos em alguma forma de conversa sobre direitos humanos, os alunos serão avisados de que seus estudos deverão resultar numa produção. No caso, uma Vitrine sobre os Direitos Humanos.

Que contexto dará sentido ao desafio? A proposta básica é a que segue.

Uma cadeia de lojas utiliza vitrines para chamar a dos consumidores para seus produtos. As vitrines informam, atraem atenção, encantam. Algumas delas podem ser muito bonitas e são produzidas por artistas que conseguem passar mensagens por meio de imagens. Por essa razão, a citada cadeia de lojas resolveu utilizar vitrines para um fim não comercial; ela está promovendo um concurso para vitrines para “vender” temas de cidadania. Ela quer que o cidadão comum tenha oportunidade de ver, em suas lojas, mensagens significativas sobre qualidade de vida, dignidade humana, respeito pelos outros, valores éticos etc. E ela está começando por um tema sobre o qual todo mundo precisa conversar com conhecimento de causa: a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Vocês são um dos grupos que resolveu entrar na parada. Acham que podem fazer uma boa vitrine e nela passar mensagens importantes sobre dignidade humana. Conhecem a Declaração. São capazes de converter os artigos da mesma em imagens que irão sensibilizar as pessoas. Mas, antes de seguir em frente, é bom saber que tipo de vitrine a cadeia de lojas está buscando. Ela quer uma vitrine que:

  • Utilize tecnologia.
  • Seja bonita.
  • Crie impacto.
  • Chame a atenção das pessoas.
  • Comunique conteúdos de pelo menos dez artigos da Declaração.

Mais especificamente, a encomenda da cadeia de lojas é a seguinte:

Está aberto concurso para vitrine que promova a Declaração dos Direitos Humanos. Queremos uma obra que utilize tecnologia, conquiste o olhar dos passantes com imagens que chamem a atenção. A obra não pode ser poluída com muitos elementos. Em termos te tecnologia, os participantes podem utilizar imagens num vídeo ou numa sequência de eslaides de Powerpoint. Esse material deverá ser programado para mostras automáticas e contínuas do conteúdo. As imagens poderão ser produzidas pelos próprios concorrentes ou serem material selecionado a partir de imagens de uso livre da Internet.

A tela que mostrará sequências de imagens deverá estar num cenário que combine objetos e ou painéis relacionados com o assunto.

O principal meio de comunicação da vitrine deverá ser, como já se disse, uma composição de imagens. Se necessário, na tela e/ou no cenário poderão ser utilizadas algumas imagens, nunca porém o texto integral de qualquer artigo da Declaração.

Faço aqui algumas observações para a produção e escola realizadora:

  • Em termos ideais o produto que resultar deste desafio deverá se mostrado publicamente em local fora da escola [um shopping center seria o local ideal. Para tanto, será preciso que escola realizadora e produção se articulem com uma empresa que aceite promover o resultado deste desafio e atue como cliente dos alunos.
  • Em situações semelhantes de produção de imagens sobre o assunto, os estudantes utilizaram imagens pesquisadas na Internet. Pode-se fazer o mesmo no nosso trabalho, mas creio que será preciso ter cuidado com direitos autorais.
  • Há uma sugestão difícil de executar: utilizar imagens – fotos – produzidas pelos alunos. A dificuldade aqui será grande por causa do pouco tempo disponível para produção. Mas, se houver alguma possibilidade na direção de produções de imagens por parte dos alunos, teremos um ganho significativo.
  • A tarefa requerida pelo desafio envolve língua portuguesa (leitura da Declaração com levantamento dos principais temas do assunto, além de trabalho de síntese do conteúdo em poucas palavras ou frases curtas), tecnologia (uso de recursos e ferramentas para criar coleção de eslaides ou vídeo), artes (sensibilidade para escolha de imagens, equilíbrio na composição do cenário da vitrine), história (contextualização da Declaração em suas vinculações com idéias que vem de um longo passado e com as circunstâncias da história contemporânea), filosofia (a Declaração é um documento que reflete aspectos vinculados à ética, á teoria dos valores, e à uma epistemologia que mostra que o relativismo não é caminho ou solução em termos de conhecimento moral).

Desenvolvimento

Caso os alunos participantes não tenham sido identificados na fase anterior, convém iniciar registros sobre desenvolvimento apresentando os participantes. Uma tomada mostrando cada pessoa, com alguma informação em off ou com declarações dos próprios personagens com destaque para nome, série, preferências.

A execução deste desafio exigirá investigação para encontrar na Internet ou em livros uma versão completa da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Exigirá também investigações de caráter histórico. Além disso, se decidida a seleção de imagens publicadas na Web, exigirá um levantamento de imagens que possam ilustrar os principais tópicos a serem abordados pela equipe. Por essa razão, convém que o grupo divida responsabilidades sob orientação dos professores.

Pode acontecer que os alunos não consigam tomar decisões quanto à composição do cenário da vitrine no espaço de tempo disponível. Por essa razão, convém que o professor de artes (ou um artista/consultor) ajude os estudantes sugerindo possibilidades e fornecendo alguns materiais que possam ser utilizados em composições. Outra coisa que pode ser considerada na composição do cenário: se o professor de artes ou o consultor tiverem familiaridade com colagens, talvez se possa sugerir que algumas colagens possam ser elementos importantes na composição do cenário. [Uma inspiração para trabalhos com colagens é Tide Heilmeister; por isso, sugiro que o professor de artes e/ou o consultor dê uma olhada em algumas obras do Tide na Internet]

Em termos de tomadas de imagem, parece-me que as seguintes situações podem merecer registro de imagem:

  • Alunos pesquisando na Internet, procurando imagens ou referências sobre a Declaração.
  • Alunos preparando vídeo ou ppt com imagens que “falam” de direitos humanos.
  • Alunos examinando objeto que podem entrar na composição de cenário da vitrine.
  • Alunos e professores conversando sobre elaboração de produção da vitrine.
  • Cenas de montagem da vitrine.
  • Cenas de sessões de fotografia, caso a escola realizadora julgue que os alunos podem assumir tal responsabilidade.

Fase final: apreciação da obra

Na fase final, a vitrine será uma obra a ser celebrada.  Se escola e produção não conseguirem articulação com empresa que abra espaço para mostra pública da vitrine, a obra deverá aparecer em lugar de destaque no ambiente escolar. Cenas de apreciação poderão envolver os autores da obra contemplando o que fizeram, provavelmente explicando o produto final para pais ou amigos.

Tanto no caso de uma produção fora dos muros escolares como na produção intraescolar, será preciso contar com apreciadores que representem a clientela alvo de uma peça de comunicação proposta pela Vitrine dos Direitos Humanos. Cabe perguntar a esses apreciadores:

  • O que a obra comunica?
  • Que partes da vitrine mais chamam a atenção?
  • A obra emociona, chama atenção de quem passa?
  • Ao ver esse trabalho, seu interesse pelos direitos humanos aumentou?
  • Tem sugestões para outras obras sobre cidadania?

Finalmente, é bom solicitar avaliações informais dos alunos participantes e dos professores. É adequado recolher depoimentos dos alunos sobre:

  • Dificuldades encontradas no processo de elaborar um produto que desse conta do desafio.
  • Vantagens de aprender a partir de engajamento num desafio como este.
  • O que faltou durante o processo.
  • Que outros trabalhos você faria na mesma direção.
  • Acha que tem agora uma boa noção do que são direitos humanos.
  • O que mais pode ser feito para promover os direitos humanos.

 

Matemática na Avenida

 

Nome do grupo: ________________________ Professor(es):

 

Data : ___________________ Título do Trabalho: ___________________

 

Critérios Pontos
1 2 3 4
Consistência histórica.

(peso 3)

Letra do samba não tem qualquer relação com fatos históricos. Fatos históricos são relacionados, mas há alguns erros ou imprecisões. Fatos históricos relacionados são fiéis à história. Além de fiéis a história, fatos históricos relacionados são uma síntese bem feita sobre matemática antiga e Malba Tahan. ____
Estrutura da letra.

(peso 2)

Tema é abordado, mas letra do samba não tem qualquer beleza literária. Além de abordar o tema de modo claro, a letra do samba tem alguma originalidade e beleza. Tema abordado de modo criativo e correto. Além de abordar o tema de modo criativo e correto, a letra do samba tem grande qualidade literária. ____
Refrão

(peso 5)

Convencional. Não tem rimas fortes capazes de atrair atenção da “galera”. Foge do convencional. Rimas de qualidade razoável, mas não suficientes para conquistar atenção da “galera”. Rimas de boa qualidade. Provavelmente chamarão atenção da “galera”. Rimas ricas. Quase certamente a “galera” ficará atraída pela qualidade do refrão. ____
Destaques para Malba Tahan.

(peso 4)

O grande matemático brasileiro não aparece de modo destacado na letra do samba. O grande matemático brasileiro tem certo destaque, mas sem originalidade. O grande matemático brasileiro recebe destaque, com originalidade. O grande matemático brasileiro recebe destaque, com originalidade e em versos de muita qualidade literária. ____
Conteúdo de matemática.

(peso 3)

Letra do samba não apresenta nenhum conteúdo de matemática. Letra do samba apresenta conteúdo de matemática, mas sem destaque. Letra do samba apresenta conteúdo matemático com destaque. Lera do samba, além de qualidades registradas na célula anterior, aborda conteúdos matemáticos com muita originalidade. ____
Total—-> ____

Comentários dos Avaliadores:

 

Bola ao Chão

Jarbas Novelino Barato

17/12/2009

 

Antes de delinear a proposta, aqui vai um papo inicial com produção e escola realizadora.

Este desafio elege como foco uma área que não poderia ficar esquecida. Faço tal observação porque não é muito comum colocar atividades físicas num projeto como o nosso. Em parte, a ausência da educação física se deve a dificuldades de criar desafios significativos no campo dessa disciplina. Estamos, portanto, numa aventura que é um meta-desafio de criar um desafio no campo da inteligência cinestésica.

Acho que os professores de educação física da escola realizadora deverão colaborar bastante para que a gente consiga bons resultados.  As idéias de Bola ao Chão precisam de muito apoio para dar certo.

No desenvolvimento de Bola ao Chão os alunos deverão estudar regras e estratégias de três esportes de campo e quadra: futebol, futebol americano e futsal.  Tal estudo será feito com a intenção de compreender os porquês das regras e a dinâmica do jogo. Para enfrentar o desafio, além de conhecimentos sobre os esportes citados, os alunos deverão desenvolver habilidades de análise e planejamento, considerando encantamentos que jogos devem proporcionar,  qualidade do espetáculo resultante do esporte inventado, e demandas de caráter físico colocadas pela dinâmica do jogo.

Não há garantia de que o jogo inventado vá ser interessante. O que se pretende é oferecer para os alunos uma oportunidade de criarem um novo esporte e sentirem no processo como é preciso ser criativo para inventar esportes como o nosso futebol ou o futebol americano.

Na escola escolhida para a realização deste desafio deverá existir uma boa quadra esportiva. Além disso, escola realizadora e produção deverão providenciar todo o material de que os alunos irão precisar para inventar e praticar o jogo Bola ao Chão.

Parte 1: Introdução

Como de costume, o desafio precisa ser contextualizado. Alunos e expectadores precisam entender o significado do desafio. Vamos então ao início de conversa.

Tudo pode começar com um jogo de futsal na quadra da escola. Os jogadores podem ser alunos do próprio estabelecimento, mas não precisam necessariamente pertencer à equipe que vai enfrentar o desafio. Fora da quadra um grupo de alunos vê o jogo e torce, incentiva os atletas, comenta a partida. Um tempo técnico com o treinador dando instruções de estratégia pode ser registrado, pois conversa sobre estratégia é um assunto que será muito comentado no processo deste desafio.

Do jogo na quadra pode-se passar para uma cena na qual os alunos que enfrentarão o desafio falam livremente sobre esporte (aquele papo normal sobre como um time pode melhorar seu desempenho ou sobre como o técnico da nossa seleção deve escalar a equipe para a próxima copa). Essa conversa será acompanhada pelo âncora do programa. Ele poderá fazer perguntas sobre os conhecimentos esportivos da turma. Quantos esportes eles acompanham? Que esportes dão bons espetáculos de TV? De que esportes mais gostam? Que esportes praticam? Que esportes gostariam de conhecer mais? A conversa pode ser ilustrada com imagens dos esportes mais populares.

Depois das primeiras cenas atrás sugeridas, o âncora, um professor, ou um comentarista de esportes introduzirá assuntos sobre esporte e espetáculo. Exemplos sobre mudanças nas regras do vôlei poderão ser comentadas. E quase todas as mudanças havidas foram feitas para tornar o vôlei mais espetacular, mais televisivo. Outras informações podem ser comentadas e ilustradas: cotas de TV dos clubes de futebol, o Super Ball americano (um dos espetáculos mais badalados do mundo), olimpíadas, esportes raros etc.

Toda a conversa sobre esporte e espetáculo servirá de gancho para situar o desafio. E este será apresentado como segue.

[Uma alternativa interessante para o programa seria um vídeo com os componentes do Cartão Verde conversando sobre a proposta e propondo o desafio. O cenário para isso seria o próprio cenário do Cartão verde. Faço esta pequena nota sem saber se essa possibilidade existe. Mas acho que o pessoal da Fundação Padre Anchieta pode considerar a proposta. A alternativa daria ao desafio boa visibilidade televisiva]

As redes de televisão estão interessadas em novos jogos. Querem mostrar novidades. Querem apresentar outros espetáculos que não os esportes tradicionais. Aí está a oportunidade para gente como vocês que gosta de esporte, gosta de espetáculo e quer inventar algo que pode ir para a televisão.

Vocês ficaram interessados particularmente numa proposta sugerida por um grande comentarista de esportes  [se possível, este comentarista deverá ser alguém conhecido nos meios esportivos; o ideal é que ele apareça num vídeo propondo o desafio] acredita que o desafio que ele inventou pode dar origem a um jogo muito interessante. Talvez tal jogo não se converta num esporte popular, mas ele certamente será um espetáculo muito engraçado. O desafio proposto pelo comentarista e que vocês querem enfrentar é descrito da seguinte forma:

Para pessoas inventivas e que gostam de esportes, está no ar o desafio de criar o Bola ao Chão, um novo jogo de quadra. Para criar tal esporte é preciso respeitar as seguintes orientações básicas:

  • A bola do jogo sempre deverá estar em contato com o chão. Bolas levantadas implicarão em reversão, ou seja, a equipe que levantar a bola perderá o domínio da mesma para o adversário.
  • A bola poderá ser movimentada por qualquer região do corpo, exceto pés e partes inferiores das pernas (as extremidades que vão dos tornozelos aos joelhos). Contatos de pés ou partes inferiores das pernas com a bola serão punidos como faltas.
  • O jogo deverá acontecer numa quadra cujas dimensões corresponderão a cerca da metade da extensão de uma quadra de basquete.
  • A prática do novo esporte deverá assegurar a possibilidade da formação de equipes mistas (homens e mulheres).

 

As orientações básicas deverão integrar as regras do jogo. Uma parte do desafio será a de criar e escrever tais regras. Mas atenção, o comentarista estabeleceu que Bola ao Chão não poderá ter mais que quatorze regras.

Outra coisa. O comentarista sugere que três esportes devem servir de inspiração para o Bola ao Chão. Esses  esportes inspiradores são: o futebol, o futebol americano e o futsal. Atenção! Inspiração não tem nada ver com cópia. O que se quer é que o novo esporte tenha dinâmica. E os três esportes sugeridos pelo comentarista são bem dinâmicos.

Jogos são para ser jogados. Por isso, a segunda parte do desafio será a disputa de uma partida de Bola ao Chão de acordo com as regras que vocês criarem.

Parte 2: O Processo

Se possível, o início do processo deverá ser ilustrado por uma sequência  de imagens mostrando cenas de jogos. Se isso não for possível, pode-se ilustrar o começo de conversa com cenas de alunos jogando na quadra da escola, desta vez com os participantes do desafio atuando com “atletas”. Numa ou noutra opção, as orientações sobre o processo deverão ser ambientas na quadra ou num ambiente esportivo (nada de sala de aula ou biblioteca…).

O grupo deve ser então convocado para saber o que deve ser feito para desenvolver o produto esperado neste desafio. Os componentes do time podem ser chamados para o banco do técnico onde estará a comissão técnica do desafio (o âncora e os professores envolvidos). Na cena podem ser utilizados todos os instrumentos que técnicos usam para dar instrução para os atletas (prancheta, pequeno quadro negro ou branco, laptop).

A comissão técnica fará um comentário geral sobre o processo. Dirá que a equipe deverá estudar as regras dos três esportes indicados:  futebol, futebol americano e futsal. Para tanto os alunos deverão se dividir em subgrupos. Cada grupo ficará responsável por um dos esportes a serem estudados.

[Os professores da escola realizadora devem selecionar previamente material a ser estudado – livros de regras, sites da Web e vídeos. ]

Para inventar jogos é preciso pensar em dinâmica, uso do espaço, formas de pontuar, tipos de arbitragem, quantidade de atletas por equipes etc. Talvez convenha que algum professor de educação física converse com os alunos sobre esses aspectos á titulo de lembrança do que deve ser observado nos esportes que serão estudados.

Da quadra, já separados em subgrupos de estudo, os alunos deverão se dirigir para locais de estudo (biblioteca, sala de leitura, laboratório de informática). Cenas de estudo dos alunos deverão mostrar o que rola. Eventualmente o âncora poderá perguntar aos alunos o que estão vendo e se eles já tem idéias de como  criar o novo jogo.

Para seguir uma tradição dos meios esportivos, as sínteses que os alunos irão elaborar no estudo de cada esporte serão apresentadas num “congresso técnico”. Essa apresentação irá subsidiar a fase seguinte, a criação do novo esporte.

Idéias para criar o novo esporte poderão ser discutidas num brainstorm onde valerá tudo. É bom fazer esse brainstorm na quadra, pois muitas das idéias propostas poderão ser ilustradas com movimentos e uso de bola no campo de jogo. Depois do brainstorm, um professor de português poderá ajudar os alunos a elaborar um roteiro de regras, colocando as idéias principais num quadro negro ou branco. A partir daí os alunos elegem uma comissão de redação que irá escrever as regras de Bola ao Chão.  Para encurtar caminhos, a comissão de redação pode receber plenos poderes. Isso evitará que a discussão sobre regras ocupe um tempo do qual não poderemos dispor.

Uma vez que as regras estejam prontas, a equipe toda volta para a quadra e começa a treinar Bola ao Chão. O treino deve ser dirigido por um técnico. [Se for necessário, serão convocados  para os treinos mais atletas que a equipe de criação].

A segunda parte pode terminar com cenas de treinamento no novo esporte.

Parte 3: Uma Partida de Bola ao Chão

Chegou o grande dia, Bola ao Chão vai para a quadra para ser jogado. Duas equipes devidamente uniformizadas entram na quadra e disputam uma partida de Bola ao Chão. Um comentarista esportivo (aluno ou profissional convidado) narra e comenta a partida. Ao fazer isso, explica algumas das regras do jogo para os ouvintes e expectadores. O produto final é o de um vídeo dos principais momentos da partida.

No final, atletas são entrevistados e opinam sobre o novo esporte. Depois a equipe inventora também é entrevistada para falar sobre o que criaram e o que aprenderam no enfrentamento do desafio. Professores e expectadores também devem ser entrevistados para falar sobre os resultados da experiência.  Tudo pode terminar com mais cenas da partida  com comentários finais do âncora do programa.

Bola ao Chão

 

Nome do grupo: ________________________ Professor:

 

Data : ___________________ Título do trabalho: ___________________

 

Criteria Pontos
1 2 3 4
Dinâmica do jogo

(peso 3)

Bola não flui. Estrutura do jogo não favorece movimentos contínuos. Jogo fica sempre “amarrado”. Bola flui, mas devagar. Estrutura do jogo permite alguma fluência, mas no geral o jogo fica “amarrado” Bola flui com relativa velocidade. O jogo, no geral é fluente. Bola flui com velocidade, permitindo sequências longas de jogadas. Jogo fluente. ____
Regras do jogo

(peso 2)

São confusas, levando jogadores a se preouparem muito com interpretaçoes do que vale e do que não vale. Amaior parte delas é clara, mas interpretação ainda é difícil. Todas as regras são claras, mas ainda dão margem para bastante interpretação. Todas as regras são muito claras e diretas, dando pouca ounenhuma margem para interpretação. ____
Espetáculo

(peso 4)

Desenvolvimento do jogo não cria muito interesse. Nível de espetáculo é nulo ou muito pequeno. Desenvolvimento do jogo cria algum interesse. Nível do espetáculo é baixo. Desenvolvimento do jogo é interessante. Nível do espetáculo é médio. Desenvolvimeto do jogo chama a atenção. Nível do espetáculo é adequado ou bastante alto. ____
Integração

(peso 3)

Homens levam nítida vantagem sobre as mulheres por causa da concepção do jogo. Homens levam vantagens sobre as mulheres mas não de forma acentuada. Nem homem nem mulheres levam alguma vantagem por causa da concepção do jogo. A concepção do jogo elimina completamente distinções entre homens e mulheres do ponto de vista de desempenho atlético. ____
Plasticidade

(peso 2)

O jogo não favorece a desempenhos harmoniosos dos atletas. O jogo pode favorecer eventuais desempenhos harmoniosos dos atletas. O jogo favorece, na maior parte das vezes, desempenhos harmoniosos dos atletas. O jogo favorece a desempenhos harmoniosos dos atletas e pode vir a ser um espetáculo muito bonito. ____
Total—-> ____

Comentário dos avaliadores:

 

 

Luteria: oficina de produção de instrumento musical

 

Jarbas Novelino Barato

17/12/2009

 

Começo com uma explicação que pode ser útil para a produção e para a escola realizadora. Este desafio propõe que os alunos produzam um instrumento musical. Tal produção vai exigir atividades de oficina para cortar metais, cortar madeira, colar materiais etc. [essas atividades dependerão muito de escolha dos alunos], mas certamente será preciso contar com uma boa oficina e com ferramentas para cumprir a missão proposta pelo desafio.

Outra necessidade: matéria prima. Metais são boas fontes de produção de som. Para facilitar a vida dos alunos será preciso disponibilizar metais (matéria prima) em barras, cordas e/ou canos que possam ser utilizados nos experimentos que os alunos deverão fazer para construir um instrumento musical.

O processo de construção de um instrumento musical será o centro das atenções neste desafio. Mas é preciso ter em mente que a produção do instrumento precisa de uma base científica. Ou seja, antes e durante a produção do instrumento, os alunos precisarão investigar e estudar tópicos de matemática, física e biologia relacionados com som e música.

O material de estudo necessário para trabalhar este desafio deve ser selecionado pelos professores da escola realizadora. Falar nisso, a escola realizadora deverá formar uma equipe de professores constituída por músico, físico, matemático e biólogo. Música e instrumentos musicais tem tudo a ver com as áreas de saber desses profissionais. Além disso, convém que um técnico ou professor que dê apoio aos alunos nas atividades de oficina.

Volto à questão de materiais de estudo. As relações entre música, matemática, física e biologia merecem destaque em diversas páginas Web. Há até vídeos de Walt Disney sobre música e matemática, disponíveis no Youtube. Pesquisar e selecionar tais recursos são tarefas da equipe de professores da escola realizadora. Mas, para mostrar a riqueza de informações existente na Internet, dou aqui alguns exemplos

 

Música, matemática e Pitágoras:

Música e matemática

Musica e física

Música, som, ouvido

Não tenho a intenção de definir as melhores fontes para as investigações que os alunos deverão fazer. Apenas exemplifiquei a riqueza de fontes que podem ser encontradas na Internet. Os professores da escola realizadora deverão selecionar fontes de informação e ajudar os alunos a se organizarem para estudar os aspectos que serão importantes na realização do desafio. Além da Internet, é bom verificar fontes informativas em livros e em vídeos.

A proposta aqui é a de estudar a relação entre música e as ciências (matemática, física e biologia) e, a partir do estudo, construir um instrumento musical. Os alunos, portanto, deverão “inventar!” o instrumento e confeccioná-lo de acordo com suas investigações e escolhas. Não se trata de construir um dado instrumento. Essa última possibilidade já gerou algumas experiências educacionais interessantes, mas concentradas num processo de produção previamente definido. Não é o nosso caso. Mesmo assim, para conhecimento da escola realizadora e da produção, indico uma das experiências que encontrei na Web:

Este desafio sugere, entre outros, estudos sobre conteúdos tais como:

  • Aspectos matemáticos da música
  • Propagação do som
  • Ondas sonoras
  • Frequências das ondas sonoras
  • Anatomia do ouvido
  • Diferença entre música e ruído

Faço aqui uma lista tentativa de quem não domina as disciplinas que deverão estar presentes na experiência. Por isso, sugiro que a equipe de professores da escola realizadora faça uma lista dos conteúdos que gostaria de ver explorados. Essa providência irá orientar a escolha de fontes de informação e o apoio que os docentes deverão dar aos alunos.

É conveniente desenvolver este desafio em localidade que tenha luteria (oficina de produção de instrumentos musicais. A mais famosa luteria de Brasil fica na cidade de Tatuí, SP (http://www.conservatoriodetatui.org.br/). Outra localidade que tem oficina de luteria é a cidade de Manaus (http://www.oela.org.br/). Não encontrei referência em outras localidades, mas creio que há mais oficinas de luteria no país.

Passo agora para as sugestões de produção e desenvolvimento educacional do desafio.

Parte 1: Introdução

Como venho insistindo em outros desafios, o começo da história não é a informação de que a escola ou a equipe de alunos deverá realizar uma dada tarefa. Antes disso é preciso passar para os alunos (e para os expectadores do programa) o que está em jogo. É preciso situar o desafio dentro de um contexto significativo. Vamos, portanto, a sugestões de como construir um contexto capaz de dar sentido ao desafio.

O ponto de partida para a conversa deve ser um instrumento musical. Há dois instrumentos mais adequados para nossos objetivos: piano de cauda ou violão. Sei que talvez seja difícil trabalhar com o primeiro. Mas, se pintar possibilidade, seria muito bom.

Para introduzir o instrumento escolhido, será preciso contar com um musico. Vou exemplificar minha proposta pensando num violonista. Este último é mostrado executando pequeno trecho de uma peça musical (mais ou menos dois minutos). [Os alunos que vão participar do desafio estarão presentes, ouvindo e observando o desempenho do músico]. Movimentos de câmera deverão destacar a posição dos dedos do músico na medida em que a música vai sendo executada.

Logo após a execução do trecho musical, pode-se conversar brevemente com o músico. A pergunta fundamental no caso é a relacionada com as diferenças de sons que são obtidos com a mudança dos dedos sobre as cordas do instrumento.

No passo seguinte, o âncora do programa pode fazer perguntas sobre produção do som no violão para os alunos. Por exemplo: Se pressionarmos um dedo sobre a metade de uma das cordas do instrumento, o som produzido será mais alto ou mais baixo [mais grave ou mais agudo]? Os alunos serão convidados a explicar suas respostas. Depois das explicações dos alunos, o músico mostrará o que acontece. Essa cena poderá continuar por algum tempo, com explorações de diferentes posições dos dedos sobre as cordas e as diferenças sonoras obtidas.

Se possível, o ambiente de apresentação poderá ter outros instrumentos disponíveis: mais instrumentos de corda e alguns instrumentos de sopro. Tais instrumentos poderão ser explorados em termos de produção de som. Pode-se, por exemplo, instigar curiosidade perguntando-se aos alunos que instrumento produzirá um som mais agudo, um trombone ou uma flauta transversal? Com isso a conversa pode abordar diferenças entre os instrumentos e deixar no ar o que pode explicar cientificamente tais diferenças.

[Esboço de modo mais breve uma apresentação com piano de cauda. A tampa do piano deverá estar aberta. Um pianista executará trecho de uma obra musical. Movimentos de câmera mostrarão as posições de mãos e dedos do músico. Mostrarão também que cordas do piano estão sendo marteladas durante a execução. Se possível, os movimentos poderão mostrar relação entre nota mais alta ou mais baixa e comprimento da corta que está sendo martelada para produzir o som. Após a execução, o esquema de conversa poderá ser parecido com o que sugeri para o violão/violonista. Gosto da idéia do piano de cauda porque o mesmo pode dar uma ar mais espetaculoso à abertura do programa.]

Depois da criação de um contexto sobre o tema, o âncora deverá informar aos alunos que as explicações os sons produzidos pelos instrumentos tem a ver com algumas ciência que são estudadas na escola. Ou seja, a produção de música tem muito a ver com matemática, física e biologia.[ Não se trata aqui de explicar, mas apenas de enunciar as relações da música com as ciências. Essas relações deverão ser descobertas pelos alunos em processos de estudo].

Nesta altura, tudo deverá estar pronto para a apresentação do desafio. Minha sugestão é a que segue.

Vocês são um grupo de inventores. Já criaram algumas coisas interessantes, com base em conhecimentos científicos e em experimentos em laboratórios e oficinas. E a questão da música acaba de entrar em suas vidas. Um conjunto musical famoso quer surpreender seus fãs. Para isso, a banda planeja utilizar no próximo show um novo instrumento, algo que ninguém ainda viu e ouviu. E advinhem? Vocês foram contratados para criar tal instrumento. Mais especificamente, a banda fez a vocês o seguinte pedido:

Queremos um novo instrumento que produza um som legal. Deve ser algo que utilize metais. Queremos um instrumento capaz de produzir notas musicais em duas oitavas. [Se as dificuldades de produção forem muitas, até podemos aceitar instrumento que produza apenas para uma oitava]. É claro que esperamos algo com muita afinação. Esperamos também que, junto com o instrumento, vocês nos forneçam uma página(uma página mesmo, não queremos nada muito longo) com explicações matemáticas, físicas e biológicas que fundamentaram as decisões de vocês na construção do instrumento. Queremos impressionar nosso público com tais explicações…

O segmento poderá terminar com o violonista executando mais um trecho da peça com a qual o tema foi introduzido. Ou com os alunos tentando produzir sons nos diversos instrumentos que estão no local.

Parte 2: Processo

No segundo segmento do programa, o foco deverá ser o processo. E o processo compreenderá duas partes: estudo e produção do instrumento.

Tudo pode começar com os alunos verificando quais os recursos que estão à sua disposição: laboratório de informática, biblioteca, oficina. Outra possibilidade é começar com um encontro dos alunos com a equipe de professores que irá apoiar os trabalhos.

Um professor ou o âncora do programa deverá conversar com os alunos sobre planejamento da atividade. Nessa conversa, será preciso lembrar que os alunos deverão se preparar para fazer um instrumento que concretize bons conhecimentos científicos sobre som e música. Assim, o começo de atividades deverá ser uma investigação sobre matemática, física e biologia da música. Mas, como de costume em desafios, todos não deverão estudar tudo. Melhor será dividir o trabalho. Por isso, o grupo de alunos deverá dividir-se em três subgrupos para estudar as relações de música e som com:

  • Matemática
  • Física
  • Biologia

Cada subgrupo de estudo deverá produzir uma lista das principais informações que conseguir obter. Esses resumos serão materiais de consulta na fase de produção do instrumento.

Terminada a fase de estudo das informações disponíveis, os alunos deverão iniciar a produção do instrumento. Os prováveis passos de produção serão os seguintes:

  • Escolha da matéria prima com a qual trabalhar. Para tanto os alunos deverão experimentar a produção de sons dos diversos materiais disponíveis. Parta tanto experimentarão diversos tipos de metais, verificarão a qualidade sonoras de cada um deles, conversarão sobre as diferenças encontradas etc. Ou seja, farão uma investigação extensiva de tudo que encontrarem à disposição na oficina. Verificarão diferenças de sons produzidos por barras de metais (se possível, barras feitas de diferentes metais), canos (também, se possível , feitos de diversos tipos de metais), cordas de metais (tais cordas poderão ser cordas de diferentes instrumentos como violino, violão, cavaquinho, violoncelo, baixo; há que se tomar cuidado para que as cordas não sejam identificadas como partes de instrumentos já existentes já o que se quer é que os alunos investiguem o material em “estado bruto”). Os procedimentos de escolha deverão ser acompanhados para se colher observações dos alunos, diálogos, registros de produção de sons etc. No final, os alunos deverão escolher o material com o qual vão trabalhar.
  • Concepção do instrumento. Há muitas alternativas para desenhar um instrumento. Ele poderá ser um conjunto de “sinos” pendurados num suporte de metal ou madeira, poderá ser uma sequência de barras de metal ou de segmentos de cano apoiados num suporte de madeira ou plástico, poderá um conjunto de cordas fixadas num suporte de madeira, metal ou plástico. Esses exemplos não esgotam as possibilidades de invenção. Talvez os alunos queiram tentar outros arranjos. Se possível, os alunos poderão ilustrar suas propostas com desenhos esquemáticos.
  • Construção de um protótipo simples. A partir de um desenho inicial, os alunos poderão experimentar a idéia. Podem fazer um ou mais protótipos.
  • Construção do produto final. Assim que tiverem certeza do que podem e querem produzir, os alunos partirão para a fabricação do instrumento que inventaram.

O processo de produção requer  muitas providências que exigirão apoio para os alunos. Para cortar barras de metais, canos ou cordas, os participantes precisarão contar com a ajuda ou assistência de um técnico de oficina. Para determinar qual a nota musical produzida por uma fonte de som provavelmente deverão contar com ajuda de algum músico. Uma ação interessante na determinação de que nota está sendo produzida pelo material que vão processar, os alunos poderão fazer comparação entre o material com o qual trabalham e as notas musicais produzidas por algum instrumento musical (violão, flauta ou piano). Outra alternativa é a de comparar o som produzido pelo material produzido com os padrões de som de um diapasão [será preciso, portanto, disponibilizar um diapasão para uso dos alunos; parece que há diapasões digitais na Web que podem ser baixados gratuitamente]

Construir as partes do instrumento para que lãs reproduzam uma escala afinada pode ser muito difícil para os alunos. Se essa dificuldade for insuperável, eles poderão contar com a assistência de um musico que lhes dirá se cada peça produzida está produzindo o som esperado. [Como provavelmente o desafio seja realizado em localidade que tenha oficina de luteria, a escola realizadora e a produção deverão combinar os necessários apoios de profissionais da área com antecedência]

Anotei aqui alguns cuidados que deverão ser tomados. Mas não sei se anotei tudo que precisava. Além disso, não tenho condições de definir que equipamentos deverão estar disponíveis numa oficina para processar matéria prima neste desafio. Essas condições terão de ser investigadas previamente pela produção e pela escola realizadora.

Parte 3: apresentação do produto

É possível que parte do processo de produção tenha de ser mostrado no terceiro programa. Sugiro, assim, que a terceira parte comece com cenas mostrando os alunos na fase final de construção e acabamento do instrumento. Cabe reparar que os alunos deverão daqr um nome para o instrumento que inventaram. Para se ter uma idéia de nomes dados a instrumentos novos, vale uma visita ao site do conjunto argentino Les Luthiers, inventores de instrumentos informais. Eles podem ser encontrados em

http://www.lesluthiers.com/frame_instrumentos.htm.

 

Uma vez pronto o instrumento, será preciso que o mesmo seja mostrado publicamente. Uma idéia para isso é a de executar uma melodia breve e simples no instrumento. Isso poderá ser feito pelos alunos ou por um músico convidado. Uma idéia mais sofisticada é a de apresentar o novo instrumento num conjunto. Se isso for possível, o instrumento inventado poderá ser utilizado no solo de uma música acompanhado por pandeiro, flauta e violão [se a escola realizadora articular recursos locais de oficinas de luteria e conservatórios musicais, isso não será difícil. Acho importante essa idéia de execução musical pois assim daremos ao fim do programa uma cara de show.

 

 

Luteria

 

Nome do grupo: ________________________ Professor:

 

Data : ___________________ Título do trabalho: ___________________

 

Critérios Pontos
1 2 3 4
Sonoridade

(peso 4)

Som produzido  é fraco, difícil de ser escutado. Som produzido ainda É fraco, mas se aproxima de sonoridade produzida por instrumentos  metálicos tradicionais. Som produzido é equivalente ao som produzido por instrumentos tradicionais. Som produzido tem qualidades excepcionais. ____
Design do instrumento

(peso 5)

Não favorece uso. Muito difícil de utilizar. Aparentemente projetistas preocuparam-se com uso, mas é difícil utilizar o instrumento. Favorece uso. Favorece uso, e apresenta solução adequada e bem original de design. ____
Estética

(peso 3)

Forma e acabamento do instrumento não revelam qualquer cuidado com apresentação do produto. Forma e acabamento parecem ter merecido atenção, mas ainda não tem harmonia e beleza. Forma e acabamento bem cuidados, resultando em produto bonito e harmonioso. Forma e acabamento com qualidades excepcionais. ____
Musicalidade

(pés 4)

Afinação do material produzido é difícil, impedindo integração com outros instrumentos Afinação do material produzido é de média dificuldade, e a integração com outros instrumentos é de média dificuldade. Afinação do material produzido é fácil, e a integração com outros instrumentos é harmoniosa. Afinação do material produzido não apresenta dificuldade, e integração com outros instrumentos é muito boa. ____
____
Total—-> ____

Comentários dos avaliadores:

 

Matemática na Avenida

 

Jarbas Novelino Barato

São Paulo, 18/11/2009

 

Começo com uma justificativa para um desafio que terá por objetivo viajar pela história da matemática e verificar como essa ciência pode ser um conhecimento muito prazeroso. A justificativa está dirigida à escola realizadora e a produção de TV. Ela precisa ser considerada para que se chegue a um bom acordo quanto à natureza do desafio proposto.

Antes de seguir em frente, algumas observações:

  • Este texto original é ponto de partida para o roteiro. Mas sua função não é apenas essa. Ele também é um material que precisa ser repassado à escola realizadora para que esta tenha uma boa idéia de como foi que tudo começou.
  • No texto, coloquei algumas observações entre colchetes. Elas são lembranças e palpites que talvez possam auxiliar a produção ou a escola realizadora.
  • Muitas vezes passo de explicações para sugestões de desenvolvimento. Espero que esse modo de comunicar não cause problemas de entendimento.

Relações entre matemática e vida são, muitas vezes, reduzidas a indicações utilitárias imediatistas. Esse modo de promover uma aproximação dos alunos com o conteúdo de ensino da matemática não aumenta o interesse pela ciência em foco. Além disso, um enfoque exclusivamente utilitário costuma ser muito pobre em termos de uma das condições necessárias para promover interesse por qualquer área de saber: incendiar a imaginação.

Qual a saída? É difícil dizer. Mas parece que estudos da história da matemática podem despertar interesses e ascender a imaginação dos estudantes. No Brasil essa perspectiva foi explorada por um grande educador, Julio César de Melo e Sousa, mais conhecido como Malba Tahan. Ele escreveu contos e romances cujos temas principais eram problemas de matemática. O livro mais famoso de Malba Tahan, O Homem que Calculava, já chegou à 75ª edição. http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_837.html .

MalbaTahan procura mostrar problemas que envolvem as pessoas no processo de solução. Quase sempre, questões de matemática são apresentadas como situações de jogo. Nem sempre um uso imediato está no horizonte. Mas isso não importa. O que importa é o prazer de raciocinar, de se maravilhar com a capacidade humana de inventar, de criar, de reorganizar a experiência. Todas essas qualidades que articulam aspectos emocionais com aspectos intelectuais são fundamentais para promover gosto por ciência.

No processo de aprender sobre o homenageado, é bom sugerir aos alunos a exploração de alguns problemas propostos por Malba Tahan. Um deles, os quatro quatros, pode ser encontrado em : http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_quatro_quatros . É bom que um professor de matemática da escola realizadora examine os quatro quatros e mostre algumas soluções. Talvez ele possa propor problemas para os alunos resolverem. Exemplo: como obter o número 20 utilizando a proposta dos quatro quatros?

Não basta conhecer a vida do autor, é preciso conhecer algumas de suas produções. Assim, além do problema dos quatro quatros, convém pesquisar outros problemas propostos ou  registrados pelo autor [esta tarefa pode ser realizada pelos professores de matemática da escola realizadora]

Outra característica da obra de Malba Tahan é a de colocar a matemática numa perspectiva histórica. E ele faz isso maneira muito imaginativa. Recorre à história de um modo que dá sentido às descobertas matemáticas sem cair numa narrativa factual pouco atrativa.

A lembrança de Malba Tahan oferece oportunidade para um desafio com as seguintes finalidades:

  • Superar medos da matemática por meio de propostas que ativem gosto por solução de problemas e admiração por descobertas famosas na área.
  • Oferecer oportunidade para que se entendam as descobertas matemáticas na história em relações entre culturas e necessidades humanas concretas.
  • Desenvolver gosto por ciência, particularmente pela matemática.
  • Articular saberes matemáticos com outras áreas de saber [no caso, as articulações necessárias acontecerão com arte, história e comunicação]
  • Estimular uso da imaginação como elemento importante no campo de estudos da ciência.

Desenvolvimento da primeira parte. Introdução. Background.

A idéia central é a de utilizar a obra e vida de Malba Tahan (Julio César de Melo e Sousa) como motivo para superar medos da matemática e para promover estudos de história de tal disciplina. As orientações gerais quanto a conteúdo é que vão dimensionar o desafio a ser proposto. Mas, para chegar ao desafio, será preciso construir um background capaz de dar sentido ao trabalho que os alunos deverão realizar. Nas linhas que seguem procuro oferecer sugestões de com construir o dito background.

[Nota.

Segue aqui uma nota explicativa necessária. Desafios, nos termos que estamos propondo, precisam ter sentido. Precisam ser situados a partir de questões que envolvem o conteúdo em nosso mundo. O desafio não é apenas uma coisa interessante. Ele precisa ser uma coisa que tenha relação com a vida e os saberes necessários para desenvolvê-lo.

É preciso enfatizar que o desafio não pode ser alguma coisa que apareça sem ligação com um contexto de significação. Há muitas coisas interessantes que podem ser propostas como desafios. Mas é preciso articulá-las com algo que faça sentido. Caso contrário, estaremos fazendo desafios apenas para gerar atividades. O que queremos é mostrar para escolas e educadores situações que podem servir de inspiração para mudanças nos modos de ensinar e aprender.

O Papel da introdução é o de apresentar situações que dão sentido ao desafio. Não convém que este surja do nada.]

Um personagem [pequena cena dramatizada…] acaba de receber troco numa compra pequena. A moça do caixa errou. O troco é maior que a grana que ela recebeu. Estabelece-se uma conversa sobre isso. O personagem ou um narrador pode comentar que precisamos fazer contas no dia-a-dia. Afinal de contas, ninguém quer ser enganado na hora de pagar um almoço, comprar uma roupa, adquirir um objeto de desejo. Precisamos, portanto, de matemática.

Será que a matemática do dia-a-dia precisa ser aprendida na escola? Parece que não. Muita gente que faz contas em pequenos comércios ou em outras atividades profissionais aprendeu uma matemática concreta que não está nos livros. Isso foi estudado por um pesquisador americano, David Carraher,  que trabalhou muitos anos no Brasil. Em colaboração com pesquisadores brasileiros , David escreveu um livro muito interessante chamado Na Vida Dez, Na Escola Zero. Segue aqui sinopse da obra:

Existe no Brasil a crença de que a matemática pode classificar os alunos em mais inteligentes e menos inteligentes, ou os que sabem raciocinar e os que não sabem. No entanto, a matemática escolar é apenas uma das formas de se fazer matemática. Muitas vezes, dentre os alunos que não aprendem na aula estão alunos que usam a matemática na vida diária, vendendo em feiras ou calculando e repartindo lucros. Este livro analisa a matemática na vida diária entre jovens e trabalhadores que, na maioria das vezes, não aprenderam na escola o suficiente para resolver os problemas que resolvem no dia-a- dia. O psicólogo e o educador encontrarão nestes estudos sugestões sobre como olhar o raciocínio de uma forma mais independente da ideologia do saber instituído. O professor de matemática poderá descobrir que o conhecimento matemático é acessível a muitos, mas que é preciso saber como interpretar os procedimentos matemáticos desenvolvidos fora da sala de aula. (cf. http://alturl.com/ncd7)

A questão básica proposta pelo citado livro é a de que crianças e adultos utilizam uma matemática popular nas feiras, nos canteiros obras, nas padarias, nas oficinas de carpintaria etc. Mas, as mesmas pessoas que usam a matemática com sucesso no dia-a-dia vão muito mal na escola. Assim, se possível, seria bom fazer uma breve entrevista com pesquisador ou pesquisadora que possa falar sobre a contradição apontada por Na Vida Dez… O entrevistado pode ser um psicólogo familiarizado com o assunto, um bom professor de matemática, ou mesmo até uma pessoa comum que será informada sobre a tese central do livro e deverá opinar sobre a situação.

Uma dona de casa consegue mudar receitas utilizando intuitivamente regra de três. Converte facilmente uma receita original, destinada a servir quatro pessoas, para uma solução da mesma receita para seis pessoas. Mas quando confrontada com a fórmula  A:B::C:D fica sem saber o que fazer. As fórmulas abstratas muitas vezes intimidam pessoas que já dominam os princípios de certos cálculos comuns na vida cotidiana. Essa circunstância pode ser explorada na conversa preliminar do programa.

Outro tema a ser explorado para dar sentido ao desafio é a questão dos medos que muita gente tem de matemática. Conversas aqui podem acontecer com pessoas que já passaram pela escola (adultos que deixaram os bancos escolares a mais de cinco anos). Essas pessoas podem falar de seu desempenho escolar em matemática. De dificuldades. [conversas podem ser ilustradas com imagens de grandes contas ou equações como as que seguem:

 

As duas imagens são apenas exemplos. Imagens de quadros negros com fórmulas ou qualquer outra ilustração que possa reavivar imagens de dificuldades que a maior parte das pessoas tem com a matemática, seus, códigos e suas linguagens.

[Um matemático ou um físico pode escolher alguma fórmula bastante extensa  para ilustrar esta parte. Em termos de composição de imagem, pode se escolher a solução mais dramática entre: 1. Um professor que vai  enchendo o quadro com a tal fórmula – ou equação , 2. Um quadro já preenchido sendo visto por pessoas  (os alunos?)

Se for possível, convém explorar mais a questão da linguagem matemática, exata, precisa. Muitos cientistas dirão que tal linguagem precisa ser aprendida porque ela é a linguagem da natureza, como ensinou Galileu. [Sobre essa referência a Galileu, ver o site http://www.hfleming.com/confgal2.html .]

Uma terceira abordagem tem a ver com história. Uma das possibilidades de mostrar a relação com da matemática com grandes obras como as pirâmides. Fazer aquelas construções enormes requeria cálculo. Também requeriam cálculos saber em que época voltariam as chuvas, em que período os rios ficariam mais cheios, em que época os dias seriam mais longos ou mais breves. Tudo isso requer cálculo. E muitas descobertas matemáticas aconteceram por causa disso. Egípcios e outros povos antigos precisavam resolver problemas práticos matematicamente. [Vai aqui outra tarefa para professores da matemática da escola realizadora: se possível, seria muito bom que os alunos dispusessem de material que apresente alguns casos de aplicação matemática por parte de egípcios e babilônios.]

Em resumo, o início de conversa sobre o tema deve comentar o fracasso escolar na disciplina em foco, a matemática popular que dá certo, a história que levou a humanidade a inventar recursos matemáticos para resolver problemas concretos.  Interlocutores sobre esses assuntos podem ser pesquisadores no campo da psicologia da matemática, gente comum que teve dificuldade com a disciplina, gente que gosta de matemática, professores de matemática, engenheiros, físicos. A idéia é a de oferecer um painel de opiniões e sentimentos.

Outra possibilidade de apresentar o tema é a linha da matemática divertida. Nesse caso seria necessário identificar um professor que pudesse mostrar problemas matemáticos de uma forma interessante.  [Uma referência sobre essa abordagem é o livro Matemática Divertida, cf. site http://www.gradiva.pt/livro.asp?L=16037 ]

Um dos educadores que trabalha com a matemática de forma interessante é o Professor Luiz Roberto Dante, autor, entre outros, do livro Didática da Resolução de Problemas de Matemática (Editora Ática). Ela pode ser encontrado no site http://www.luizdante.com.br/ . Há outros educadores que sabem fazer certo espetáculo com números.

Outras possibilidades de criação de um backgroud que dê sentido ao desafio podem ser combinadas com o professor ou professores de matemática da escola realizadora. Mesmo que estes não tenham sugestões neste sentido, seria muito bom que participassem das conversas iniciais.

A partir de conversas sobre matemática, vida e história, será introduzida a informação de que uma matemática, divertida, curiosa e interessante foi projeto de vida de um brasileiro extraordinário, o professor Julio César de Melo e Sousa, mais conhecido por Malba Tahan. E daí se passará para o desafio. Indico a seguir a linhas gerais dessa passagem de conversas sobre matemática e o autor que será estudado.

Malba Tahan foi um professor que escreveu muitas histórias que mostram uma matemática interessante, curiosa, até divertida. Um de seus livros, O Homem Que Calculava, é um Best seller. Já foi lido por milhares de pessoas no Brasil e no Exterior [O Homem Que Calculava e outros clássicos de Malba Tahan são editados pela Record – http://www.record.com.br/ . [Talvez fosse interessante solicitar da editora uma coleção de livros do autor para serem colocados na caixa do desafio e/ou serem utilizados em ilustrações]

Uma famosa escola de samba descobriu nosso herói. Achou vida e obra de Malba Tahan tão importantes que resolveu que o autor será o tema de seu próximo desfile na avenida.

E adivinhem? Vocês foram convidados a participar da homenagem a Malba Tahan. A escola de samba quer que vocês criem um samba enredo sobre o professor que ela vai homenagear no próximo carnaval. Qual o motivo do convite. Alguém lá da escola soube que vocês são bons pesquisadores e gostariam muito de produzir algo importante sobre história da matemática e obras que apresentam a matéria de uma forma bonita e interessante. Vocês, é claro, aceitaram.

Para mais precisar o desafio, segue aqui uma formulação que deve deixar bastante clara qual será a tarefa dos nossos alunos-sambistas:

A Escola de Samba Unidos da Ciência resolveu levar para a avenida no próximo carnaval a vida e a obra de Malba Tahan. Abriu um concurso para samba enredo e vocês vão participar. Vamos então ao que a  Unidos da Ciência espera de vocês.

Ela quer que vocês escrevam e apresentem (cantem) publicamente um samba enredo que:

  • Destaque as mais importantes contribuições de Malba Tahan para uma matemática divertida.
  • Dê uma idéia de quem foi o homenageado.
  • Revele algumas das coisas mais interessantes da história da matemática no Mundo Antigo.

Mas tem de ser um samba mesmo. A escola não quer que vocês façam uma lição. Ela quer que vocês produzam uma obra de arte. Não será difícil. Vocês terão toda a ajuda que precisarem.

Antes de ir atrás da história da matemática, e da vida e obra de Malba Tahan, vocês precisarão de aulas de samba. [Entra aqui a equipe de apoio: professores de arte, português, história e matemática]. Para tanto, pesquisem primeiro o que é samba enredo na internet. Vejam letras dos sambas enredos mais famosos. Vejam como bons sambistas fazem isso. Preparem-se assim para conversar com um compositor que já fez samba enredo. A partir dos levantamentos que fizerem na internet, preparem algumas perguntas que vocês gostariam de fazer ao compositor. Por exemplo:

  1. Que tipo de pesquisa a gente deve fazer antes de começar a criar um samba enredo?
  2. Dá prá você cantar um trecho de uma grande samba enredo?
  3. Num samba enredo, é melhor acelerar ou ir num ritmo mais lento?
  4. Você acha que matemática dá samba?

[A solução ideal para desenvolvimento deste desafio seria articulação com uma escola de samba, famosa ou desconhecida. Essa escola iria à escola realizadora, ou esta última iria à primeira. Compositores e instrumentistas da escola de samba que aceitar colaborar no apoio aos alunos desafiados poderiam tocar trechos de sambas enredos da escola. Depois de uma audição assim, os alunos poderiam fazer perguntas, comentar, cantar juntos com o pessoal da escola.]

[Entre compositores famosos que fizeram sambas enredos estão Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Será que algum deles pode ser entrevistado? Será que algum deles pode cantar pequeno trecho de algum samba enredo que tenha composto? Sei que Paulinho é bastante acessível. Contar com ele seria muito motivador para a escola e para os alunos, além de conferir ao programa-desafio muito charme.]

Isso será só para esquentar os tamborins. O encontro do sambista com os alunos será uma oportunidade para que estes aprendam tudo o que puderem sobre a matéria (samba enredo). Cenas de conversa dos alunos com o sambista fecham a primeira parte do desafio Matemática na Avenida. [Se questões de direito autoral forem bem resolvidas, trechos desta primeira parte podem ser acompanhados por som de sambas enredos, e por imagens de desfile se conseguirmos licença de uso das imagens – ou se a TV Cultura tiver tais imagens em arquivo]

[ A idéia de produzir samba enredo para tratar de temas de estudo não é completamente original. Algo parecido já foi feito por um grupo de estudantes da Unicamp numa obra que se tornou um hit de rádios comunitárias. Se adequado, tal obra, O Samba da Mais Valia, pode ser aproveitado neste desafio. Para tanto, aqui vai indicação de onde encontrá-lo na internet: http://www.youtube.com/watch?v=l5Il0h5scIY ]

[Provavelmente os alunos não terão condições de compor a melodia do samba. A solução será a de convocar um sambista profissional para a tarefa. É preciso que fique claro, porém, que a letra do samba tem de ser dos alunos desafiados]

[A apresentação do samba enredo poderá acontecer só no gogó. Mas se houver possibilidade de algum acompanhamento instrumental, a atividade ficara muito amais interessante. Alguém pode alegar que os alunos poderão sentir certa timidez numa apresentação como a proposta. Espera-se que o professor de arte e o sambista convidado ajudem os estudantes a superar esta dificuldade provável]

[Há outro exemplo que vale a pena considerar. O grupo argentino Les Luthiers produziu uma versão musical do teorema de Tales. A letra da música é fiel ao famoso teorema, mesmo quando introduz lances de humor na estória. A produção dos argentinos pode ser aproveitada no nosso trabalho, pelo menos como inspiração. Sugiro que professores da escola realizadora e produção dêem uma olhada na produção dos Les Luthiers. Segue indicação de uma das versões da citada peça musical, com ilustrações construídas num projeto educacional:  http://www.youtube.com/watch?v=czzj2C4wdxY . Essa versão encontrável no Youtube tem outra característica: alunos escolheram imagens e fizeram desenhos que ilustram o teorema.]

[Anexo

Há muitas estórias sobre matemática e suas aplicações. Uma dessas estórias tem a ver com progressão geométrica e é contada em contextos da história do xadrez. Segue aqui uma das versões, encontrável na Internet  em:  http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/xadrez/historia-do-xadrez.php .

… O Rajá ficou tão encantado com o jogo que ofereceu ao brâmane a escolha de qualquer recompensa que desejasse. E o sábio pediu apenas que lhe desse a quantia de arroz colocado no tabuleiro de xadrez da seguinte forma: na primeira casa – 1 grão, na segunda – 2 grãos, na terceira – 4 grãos, na quarta o dobro de 4 e assim por diante, até atingir a última casa.

O Rajá riu da modéstia do brâmane e recebeu mais uma lição: quando os grãos de arroz foram contados, ao atingir apenas a metade do tabuleiro, todo o arroz do país estava esgotado! E viu-se que não era possível esta recompensa, porque o número de grãos era de ….

….18.446.744.073.709.551.615!

Coloco aqui a estória sobre aplicação da progressão geométrica para exemplificar algumas possibilidades que talvez sejam conhecidas por professores de matemática. Se tais estórias podem ou não entrar na roda é uma decisão do roteirista.]

 

Segunda Parte [Processo]

Uma vez que o background esteja estabelecido, e os alunos tenham sido desafiadose saibam como os sambas enredos são produzidos, chegou a hora de pesquisar o tema. Para estudos preliminares, os alunos deverão escolher uma especialização [Insisto na escolha por parte dos alunos, em vez destes serem designados pelo apresentador ou pelo professor. Na escola e na vida, escolher é sempre uma prática democrática… e democracia é coisa que se aprende fazendo]

Os temas a serem estudados podem ser explicados rapidamente pelo apresentador ou por um professor. Minha sugestão é a de que se formem três grupos para estudar:

  • Vida e obra de Malba Tahan.
  • Matemática no Egito Antigo.
  • Matemática na Babilônia.

Os temas propostos podem ser ilustrados por imagens. No caso da matemática na Babilônia, cabe mostrar relógios, circunferências, ângulos etc. (tudo que ainda hoje utiliza o sistema sexagesimal criado por eles [cf. site http://www.mundoeducacao.com.br/matematica/sistema-numeracao-babilonico.htm .)

Outras imagens interessantes neste ponto podem ser o modo como os dois povos antigos que serão estudados grafavam os números. Há na Internet referências sobre isso.

Convém acompanhar como os alunos irão aprofundar cada subtema. É preciso sugerir aos alunos o que é que eles devem produzir a partir de seus estudos e como as equipes irão trocar informações sobre seus estudos. Se adequado, o resultado dos estudos de cada subgrupo pode ser discutido com o professor para desfazer dúvidas, para receber  instruções se necessárias.

Depois dos estudos de cada equipe, o grupo todo deve reunir-se para um brainstorm sobre a estrutura do samba enredo. Talvez seja aconselhável que os professores da escola realizadora envolvidos no projeto construam uma estrutura para ajudar os alunos. Tal estrutura não é solução definitiva do problema. Deve funcionar como uma sugestão. Segue aqui um exemplo de estrutura.

A partir do que aprenderam em seus estudos, os alunos deverão construir frases para contar uma história com a seguinte estrutura:

  • Malba Tahan na Avenida (refrão)
  • Medo da matemática; mas e,a pode ser divertida.
  • Matemática dos antigos; horas e minutos na Babilônia.
  • Matemática dos antigos: contas que os egípcios faziam.
  • Tudo fácil em histórias de Malba Tahan.
  • Quem é o nosso herói.
  • Obras de MalbaTahan.
  • O Homem que Calculava.
  • Problemas interessantes.
  • Matemática dominada.
  • Malba Tahan na Avenida (refrão)

Os tópicos aqui apresentados são uma sugestão. Professores e sambista convidado poderão oferecer uma ajuda mais elaborada que essa. Para efeitos de orientação e visualização, a estrutura proposta pode aparecer num grande quadro (negro ou branco). Talvez o sambista convidado possa mostrar estrutura de outros sambas que homenageiam grandes personalidades que tem obra importante.

Cabe reparar que a letra do samba deverá ter consistência histórica e de conteúdo matemático. A criação não será apenas uma invenção livre. Ela deverá ser uma invenção com boa base “científica”.

Na fase de palpitar sobre o que colocar na estrutura do samba, aparecerão opiniões diferentes. É bom ressaltar as diferenças de opinião que forem surgindo e mostrar como os alunos decidirão o que deverá e não deverá entrar na letra do samba.

Pode ser legal ter uma comissão julgadora (formada por professores e sambistas) que julgará o trabalho preliminar dos alunos. A mesma comissão julgadora pode fazer sugestões de mudança e de melhoria.

A segunda parte do programa pode terminar com uma primeira versão do samba – letra e música. Pode ainda mostrar os alunos tentando aprender a música em ensaios livres. Ou pode mostrar o sambista compondo o samba enredo.

Terceira parte. Apresentação da obra.

O desafio propõe que os alunos criem um samba enredo que entrará num concurso da Escola Unidos da Ciência. Nesta fase, supõe-se que a obra já esteja pronta. Mas haverá ainda muita coisa para fazer. Mais ensaios serão necessários, com ou sem apoio instrumental. Talvez o sambista possa gravar uma versão do samba, e alguns ensaios sejam feitos a partir de audições da gravação. O professor de artes (música) pode ajudar os alunos em tais ensaios.

Registros de conversas sobre dificuldades para aprender o samba podem ser feitos, dando certo ar de drama aos ensaios que precederão a apresentação oficial numa situação de concurso.

Idealmente, o samba bem ensaiado, deverá ser cantado pelos alunos-compositores, acompanhados por um conjunto instrumental. Idealmente ainda, tal apresentação poderá ser feita numa quadra de escola de samba. Definitivamente a apresentação do samba não deverá acontecer numa sala de aula.

O samba deverá ser apresentado para uma comissão julgadora. Essa comissão pode ser constituída por sambistas, gente de rádio e TV, jornalistas, músicos, alunos de escolas de música, carnavalescos. Sugiro uma comissão de três jurados constituída por membros que possam ser contatados pela produção e/ou escola realizadora. No final da apresentação, os jurados deverão fazer uma rápida consideração sobre a qualidade do samba, sobretudo sobre a letra, considerando consistência científica, consistência histórica, estrutura de um samba enredo, etc. [É desejável que a comissão julgadora aprove o samba. Assim, poderemos anunciar que MalbaTahan e a História da Matemática será o samba enredo da Escola de Samba Unidos da Ciência em 2011.

Entrevistas com os alunos e professores participantes, assim como conclusões avaliativas sobre o desafio deverão ir finalizando o programa. Ao fundo, o samba de Malba Tahan será sempre uma lembrança de um desafio que os nossos alunos venceram com muita competência.

[Nota. Para dar consistência a este desafio será preciso envolver professores de matemática em todas as fases de realização. Professores da escola realizadora e mesmo de outras escolas deverão selecionar na Internet e em livros materiais que possam ajudar os alunos.]

 

Pássaros da cidade

 

Jarbas Novelino Barato

17/12/2009

Começo conversando com a produção e a escola realizadora, tal qual como fiz nos dois últimos desafios.

No processo de urbanização, muitos pássaros foram expulsos de nossas cidades. Muitos prefeitos de centros urbanos brasileiros afirmavam que árvore é coisa de roça. Por isso, em diversas cidades pequenas e médias do país quase não há (ou não havia) vegetação. Por causa disso, os pássaros desapareceram ou foram embora pro sertão. Esse é um indicador de consciência ecológica. Cidades com poucos passarinhos são centros urbanos cuja população e/ou autoridades não são amigas da natureza.

Parece-me que reflexões sobre número de espécies de pássaros nativos nas cidades não é um assunto muito explorado nos meios educacionais. Pouca gente notou que em alguns centros urbanos os pardais (que vieram da China e expulsaram pássaros nacionais das cidades) diminuíram muito ou até desapareceram. É quase certo que isso aconteceu porque as espécies nativas retornaram. Em São Paulo, por exemplo, nos bairros bem arborizados, o que mais se vê são sabiás. Raramente avista-se um pardal. Parece também que os pombos (espécie que veio da Europa) diminuíram bastante de número nos mesmos bairros. Outro fenômeno notável nos últimos anos é a presença de periquitos nas cidades. Houve tempo em que estas aves haviam sumido dos centros urbanos.

Minha impressão é a de que o aumento de arborização nas cidades trouxe os passarinhos de volta. Esse, pelo menos, parece ser o caso da cidade de São Paulo. Mais um detalhe, algumas árvores de praças e ruas são frutíferas. No caso de São Paulo, é comum encontrar nos bairros bem arborizados pitangueiras, amoreiras, abacateiros, goiabeiras. Parte dessas árvores é disseminada pelos próprios passarinhos e não necessariamente plantada pelos homens.

Fica sempre a pergunta: as pessoas estão notando que muitos pássaros voltaram? Ou será que pouca gente presta atenção nisso? Outra pergunta: será que crianças e adolescentes sabem o nome de muitas espécies de pássaros que vivem na cidade? Há mais perguntas ainda: o cidadão do centro urbano tem idéia de como pássaros de sua cidade se alimentam, se reproduzem, constroem seus ninhos? Mais ainda: será que as pessoas sabem que certos pássaros não são nativos, mas invadiram nossos espaços urbanos por alguma razão?

Outra indagação pode ser feita aqui: o que posso fazer para que o número e variedade de pássaros aumentem em minha cidade?

As perguntas feitas no parágrafo anterior mostram que nossos pássaros urbanos podem ser objetos de uma pesquisa interessante. Tanto isso é verdade que cientistas já fizeram recentemente catálogo de pássaros que vivem na cidade de São Paulo. E o número de pássaros que vivem na grande metrópole é muito maior do que a gente imagina.

Levanto questões de senso comum. Professores de ciências poderão aprofundar mais o tema. Afirmo que o aumento de pássaros em cidades tem a ver com vegetação. Talvez o fenômeno não seja tão simples. Pode ser que em algumas regiões (naquelas em que se pratica monocultura, por exemplo) os pássaros estejam sendo expulsos das áreas rurais uma vez que suas fontes de alimentação estão desaparecendo.

Há mais um tema a ser explorado. Será que regiões muito poluídas expulsam os passarinhos do lugar? A poluição elimina fontes naturais de água potável, mata vegetação. Será que os pássaros são atingidos por isso?

Uma fonte interessante sobre o tema pode ser encontrada em vídeo realizado pela TV Cultura e encontrável em:

http://www2.tvcultura.com.br/reportereco/materia.asp?materiaid=26

Com base nessas considerações sobre pássaros nos centros urbanos, há possibilidades de organizar diversas abordagens que levem os alunos a refletirem sobre ecossistemas, vida dos bichos, providências que podem ser tomadas para que muitas espécies voltem a habitar regiões de onde se afastaram.  Um modo dinâmico de fazer isso parece ser o registro fotográfico acompanhado de algum estudo que facilite a sistematização daquilo que os alunos podem aprender com a atividade.

Fotografar os pássaros parece ser um bom caminho. Isso fará com que os alunos:

  • Identifiquem espécies.
  • Comecem a observar o comportamento dos pássaros que vivem na sua cidade.
  • Utilizem um recurso hoje bastante democratizado de registro que é a fotografia digital.
  • Explorem o entorno onde vivem.
  • Comecem a organizar sistemas de classificação a partir de observações de espécies.
  • Aprendam a fotografar para propósitos científicos.
  • Aprendam a organizar processos de observação.

Fiz aqui alguns registros a partir de observações informais na cidade de São Paulo.  Esse tipo de levantamento poderá ser feito na cidade onde o desafio acontecer. Nesse sentido é bom que professores de ciências da escola realizadora façam um levantamento informal dos pássaros existentes na cidade. Além disso, os mesmos professores deverão fazer um levantamento de materiais informativos sobre os pássaros encontrados. Esses materiais podem compreender sites da Internet, livros e vídeos. Além disso, convém verificar se há na cidade sociedade ornitológica e/ou associação de observadores de pássaros.

Outra observação. Para o desafio serão necessárias muitas máquinas fotográficas. Talvez os alunos possuam equipamento. Mas se isso não acontecer, é preciso pensar um esquema de auxílio aos alunos para que estes possam fazer fotografias. Outra coisa, se necessário, escola realizadora e produção precisam oferecer um rápido treinamento sobre fotografia para os alunos.

Mais uma observação de caráter logístico. A presente proposta exige um aprender fora da escola. Sugere uma exploração da vida nos espaços urbanos. Esse tipo de aprendizagem costuma entrar em conflito com a idéia de que os alunos devem permanecer dentro dos muros escolares para aprender. Produção e escola realizadora precisarão oferecer apoio para que os alunos percorram a cidade e façam suas explorações em locais onde será possível observar diversos tipos de pássaros.

Não entendo muito de fotografia. Mas entendo que o desafio aqui proposto não é simples. Os pássaros são pequenos, confundem-se com o meio ambiente. Muitos são ariscos e voam assim que alguém deles se aproxima. Essas circunstâncias vão fazer com que os alunos se confrontem com uma situação que exigirá estratégias capazes de superar essas e outras dificuldades. Por outro lado, há na proposta um desafio para valer, numa uma atividade escolar tradicional.

Entendo que faz parte do desafio inventar estratégias que facilitem a observação dos pássaros da cidade. Mas se os alunos não conseguirem encontrar boas estratégias, produção e escola realizadora devem estar prontas para sugerir alternativas. Uma delas, por exemplo, é a de criar espaços com alimentos que possam atrair passarinhos. Em algumas praças públicas de São Paulo há umas gaiolas anti-pombos. Tais gaiolas têm grades com espaço suficientemente grandes para permitir entrada e saída de pássaros médios e pequenos como sabiás, rolinhas, periquitos, sanhaços etc. Como o alimento é colocado no interior das gaiolas evita-se que os pombos se apossem de todo o alimento e afastem do local aves menores que eles.

Outra dica: há um bebedouro muito comum para atrair beija flores. Talvez algum dos fotógrafos possa instalar um desses bebedouros em local de fácil observação e aguardar beija-flores para boas clicadas.

É possível que alguns alunos possam utilizar estratégias para atrair pássaros nos quintais de suas casas. Para isso, é provável que tenham colocar alimentos nos quintais durante alguns dias e observar se a medida irá atrair passarinhos. Medida similar poderá ser adotada no pátio da escola, caso haja suficiente tranqüilidade para que pássaros freqüentem o local.

Parte 1: Introdução

Como venho enfatizando, é preciso justificar bem o desafio a ser proposto. A justificativa geralmente é a mostra de um contexto que dará sentido ao desafio. Não se pode começar de cara com o desafio. Atividades como as que propomos nos desafios são modos de fazer com que os alunos se interessem pelo estudo de coisas muito importantes para a vida, para o trabalho, para a cidadania, para a compreensão do mundo etc. Não fazemos desafios para produzir um show ou pelo simples prazer de criar uma atividade gostosa, interessante. Ao mesmo tempo, é preciso pensar que a introdução precisa gerar boa dinâmica de TV. Vamos pois ao começo.

É bom começar com imagens de pássaros. Um beija-flor sugando uma flor. Uma gaivota andando desajeitada por um espaço a beira mar. Condores planando nas alturas. Um quero-quero fugindo da bola num jogo de futebol. Revoada de pássaros no Pantanal. Tudo isso são sugestões de imagens que já vi na TV. Há muitas mais. O que estou sugerindo é um começo imagético bonito e que sugira curiosidade, interesse, admiração. O texto ou subtexto pode ser o de comentários sobre a beleza dos pássaros.

Se possível, imagens de contraste poderiam ser utilizadas. Neste caso, o que proponho são imagens de manchas urbanas nas quais a vegetação está completamente ausente. O que se vê são apenas construções, espaços vazios sem vegetação ou com um mato rasteiro. Ou seja, espaços urbanos que tornam improvável a vida de pássaros no local. O comentário que pode seguir tais imagens é o de que os passarinhos fugiram do lugar. E por isso tudo fica mais triste.

Nessa altura, pessoas podem ser entrevistadas para saber se notam presença ou ausência de pássaros na cidade. Gente de mais idade pode ser perguntada sobre como era a localidade nos velhos tempos. Se havia mais árvores. Se havia água limpa e corrente. Se havia mais passarinhos. Crianças também podem ser entrevistadas para saber se elas notam a presença ou ausência de pássaros.

Outra fonte para entrevistas preliminares são os observadores de pássaros.  Se a cidade tiver algum tipo de sociedade ornitológica não será difícil encontrar pessoas que possam falar com autoridade de passarinhos.

Outra possibilidade para recolher informações iniciais sobre pássaros na cidade é o departamento de parques e jardins. Responsáveis pelo setor podem ser convidados a falar sobre passarinhos mais comuns nos logradouros públicos.

Outra idéia: contrapor a situação de passarinhos engaiolados com passarinhos que vivem soltos. Passarinhos em gaiolas dependem inteiramente de seres humanos. Passarinhos soltos atestam as boas condições de vida oferecidas pelos espaços urbanos.

Um último item que pode integrar a introdução é uma matéria baseada em entrevistas com crianças e adolescentes da cidade sobre seus conhecimentos sobre os pássaros da cidade. É interessante levantar quantas espécies diferentes elas conhecem, de que passarinhos mais gostam, se conhecem canto de algum pássaro da cidade, hábitos alimentares dos passarinhos conhecidos, etc.

Na introdução pode-se também registra alguma conversa sobre ecologia, apresentando os pássaros da cidade como bicho que compartilham de maneira equilibrada com os humanos o espaço urbano.

O background necessário para justificar o desafio deve ser a apresentação de um assunto “fora da escola”. No caso ora proposto é preciso ver o assunto “na cidade”. Ou seja, em termos de imagem é preciso mostrar partes da cidade onde se localiza a escola realizadora. Parques e praças, ruas arborizadas (ou não) precisam dar uma idéia inicial de qual tipo de cidade estamos falando.

Uma vez construído um background que dê sentido às atividades dos alunos, pode-se propor o desafio. Vamos a ele, numa linguagem de conversa com os alunos.

Nas praças, nos parques e nas ruas mais arborizadas da cidade, podemos encontrar diversas espécies de pássaros. Eles, de alguma forma, dividem o espaço urbano conosco. E parece que diversidade de passarinhos é sinal de boa saúde ambiental da cidade. Por essa razão, a prefeitura municipal está promovendo um concurso. Ela quer boas fotos de dez diferentes tipos de pássaros que há em nossa cidade. O conjunto de fotos escolhidas será publicado num álbum. Vocês, é claro, querem participar do desafio.

O que vocês farão? Vocês irão á luta para conseguir o maior número possível de fotos de pássaros que vivem em sua cidade. Depois disso, deverão selecionar a melhor foto de cada uma de dez espécies de pássaros que podem ser encontradas em sua cidade

Parte 2: O Processo

Sugestão de encaminhamento para a escola realizadora.

Começo com uma conversa com a escola. Esta, com apoio da produção, deverá propor aos alunos um caminho que pode facilitar a execução do desafio. Sugiro em linhas gerais passos que podem ajudar os alunos a organizarem estudo e trabalho para bem fazerem o desafio proposto.

  1. Fazer um levantamento dos nomes de pássaros conhecidos pelos componentes do grupo.
  2. Verificar se há pássaros conhecidos por componentes do grupo, mas cujos nomes não são sabidos. Nesse caso, convém pedir auxílio do professor ou de pessoas que possam nomear tais pássaros.
  3. Organizar uma lista com os nomes de dez ou mais nomes de pássaros da cidade.
  4. Dividir os pássaros da lista em subgrupos . Dividir os alunos em pequenas equipes de estudo, de tal maneira que caiba para cada equipe três ou quatro pássaros.
  5. Estudar em pequenas equipes os pássaros escolhidos. O estudo pode ser feito na Internet ou em livros. No estudo convém observar os seguintes aspectos: hábitos dos pássaros, fontes de alimentação, tempo de reprodução, local em que gostam de fazer seus ninhos, tempo aproximado de vida, distribuição da espécie pelo Brasil, cor predominante de machos e fêmeas, e quaisquer outros aspectos que os alunos julgarem interessantes. (Uma obra que pode ser consultada para tal fim é Guia de Campo: Aves da Grande São Paulo: http://birdwatch.wordpress.com/2007/11/16/analise-guia-de-campo-aves-da-grande-sao-paulo/ . Sugiro aquisição de tal obra)
  6. Entrevistar um fotógrafo para aprender algumas dicas de como realizar fotos como as solicitadas pelo desafio.
  7. Discutir estratégias de como atrair pássaros da cidade para facilitar o trabalho.
  8. Partir para campo em equipes ‘especializadas’ em determinados pássaros.
  9. Fazer as fotos e colocá-las num álbum eletrônico na Internet.
  10. Discutir em equipe o resultado e escolher as dez fotos que comporão a obra final.
  11. Decidir como apresentar as fotos (nomear os pássaros e colocar informações de interesse sobre cada um deles?)

Os passos aqui apresentados não são uma camisa de força. São uma sugestão. Escola realizadora e produção poderão decidir outros caminhos se necessários e mais adequados para o trabalho.

Sugestões para a produção

Tomadas de imagem e entrevistas com os participantes podem mostrar toda a dinâmica deste desafio. Haverá dificuldades que convém explorar (como encontrar passarinhos mais ariscos, por exemplo). Técnicas de fotografia e equipamentos deverão ser mostradas na medida em que os alunos tomam contato com elas.  A própria ação dos alunos tentando registrar fotograficamente passarinhos é uma imagem interessante. Mostras de fotos obtidas durante o processo podem ser apresentadas e comentadas pelos alunos.

Boa parte do trabalho dos alunos será feita fora da escola, em locais mais favoráveis para encontrar pássaros. Isso exigirá tomadas de imagens em parques e praças. Se possível, a presença de alguns passarinhos poderá ser registrada em vídeo.

Além de mostrar locais onde os alunos estarão à busca de pássaros, é bom mostrar equipamentos que atraem aves com a gaiola que impede a entrada de pombos e bebedouro para beija-flores.

Registros de conversas dos alunos enquanto realizam tarefas relacionadas com o desafio são outra dimensão que pode ser explorada em termos de vídeo. Repito aqui informação de material da TV Cultura que talvez possa ser aproveitado para tal finalidade:

http://www2.tvcultura.com.br/reportereco/materia.asp?materiaid=26

Mais referências

Em levantamento na Internet identifiquei algumas fontes que poderão ser utilizadas como referência neste desafio. Aponto a seguir algumas delas:

  • Observação de pássaros atrai crianças em São Paulo – Folha Online – em http://www1.folha.uol.com.br/folha/bichos/ult10006u591670.shtml
  • Recursos para observar pássaros: http://www.aves.brasil.nom.br/frame.jsp?pageToShow=/jsp/birdwatching/pt/equipments.jsp
  • Aves urbanas do Brasil: http://surucua.blogspot.com/2010/01/aves-urbanas-de-sao-paulo-14.html
  • Há, na Wikipedia, informações e fotos dos principais passarinhos que podem ser encontrados em centros urbanos. Exemplifico isso com nosso sabiá: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sabi%C3%A1-laranjeira
  • Há também registros de imagens de pássaros no Youtube. Vi uma sobre João-de-barro que é interessante: http://www.youtube.com/watch?v=gP-EUxmmMtE&feature=related
  • Rubrica para avaliar spot de rádio no desafio Sangue
  • A avaliação de desafios deve estar centrada no produto. No caso do Sangue, o que precisa ser avaliado é o spot de rádio que os alunos foram convidados a produzir. O produto, no caso, é uma evidência do que os alunos aprenderam e das capacidades que desenvolveram para transformar a informação pesquisada em algo novo e original.
  • Um dos meios mais efetivos para realizar a avaliação nos termos aqui propostos é a rubrica, um instrumento que lista quatro ou cinco aspectos a serem observados no produto final. Para cada aspecto escolhido, o avaliador descreve níveis de expectativa, do mais elementar ao mais profissional. Esses níveis podem ser rotulados por números (de 1 a 4) ou por conceitos que se relacionam com níveis profissionais geralmente associados com a criação do produto. No caso do spot de rádio, sugerimos que os níveis sejam designados por termos comuns no campo de publicidade [reparem que é uma sugestão que pode ser melhorada por quem conhece bem o campo de publicidade; fizemos uma proposta inicial com os termos estagiário, redator júnior, redator sênior e diretor de criação; não sabemos se esta é uma boa solução; melhorem-na, por favor].
  • Os pontos de uma rubrica não são notas. São referências para permitir comparações, uma necessidade na avaliação. A gente sempre quer saber como está e como pode melhorar. Um dado numérico ajuda-nos nisso. Na rubrica que elaboramos, o valor dos pontos está colocado logo após o nome da profissão que caracteriza o nível. Fizemos outra sugestão: um número entre parênteses indica peso a ser considerado para cada uma das características avaliadas. Assim, por exemplo, locução tem peso 1, fator que deve ser multiplicado pela classificação que o produto obtiver. Se o produto for considerado obra de um redator sênior , a pontuação neste traço será de 1X3. Se o produto for considerado obra de um diretor de criação em conteúdo, a pontuação neste traço será de 5X4. Esse sistema permite que o avaliador indique na matriz (rubrica) a importância relativa de cada fator a ser considerado. No nosso caso,  conteúdo é mais importante que locução.
  • Esta proposta avaliativa deverá, se necessário, ser modificada pelo professor ou professores que irão coordenar o trabalho dos alunos na aventura de enfrentar o desafio. Poderão também palpitar sobre mudanças no instrumento de avaliação o médico que encomenda o trabalho e o publicitário que será fonte de informação para os alunos. É conveniente que modificações na matriz sejam acordadas com a coordenação geral do projeto [particularmente com o Professor Jarbas].
  • A avaliação do desafio será orientativa. A rubrica é um instrumento que permite diálogos entre os autores de uma obra e os avaliadores. Estes, para cada fator considerado, classificarão a obra num certo nível. A rubrica permite que isso seja feito da maneira mais objetiva possível, considerada a descrição de desempenho típico esperado em cada nível. Isso proporciona para os alunos uma indicação clara de onde chegaram e do caminho que ainda precisam percorrer para chegar ao nível mais alto (o nível de maestria).
  • O tipo de avaliação aqui proposto não é uma prova. É uma referência para julgar nível de satisfação alcançado por um determinado produto. Os critérios a serem utilizados pelos avaliadores devem ser conhecidos pelos alunos desde o começo. Por isso, convém chegarmos logo a uma versão definitiva da rubrica a ser utilizada. Cópias delas devem ser distribuídas entre os alunos assim que eles começarem o processo de estudo e elaboração do produto esperado.
  • Quando os alunos conhecem bem o instrumento a ser utilizado, supõe-se que eles poderão dialogar de forma bastante clara com os avaliadores, pois as rubricas procuram deixar bastante claros e transparentes os critérios que serão utilizados na avaliação.
  • É bom reparar que a avaliação aqui proposta não julga diretamente nem conteúdo assimilado nem processo de elaboração do conhecimento. Essas duas dimensões são aferidas indiretamente a partir daquilo que os alunos produzem. Pode-se dizer que a avaliação por rubrica atende a um dito popular: “quem sabe faz”. Talvez essa proposta avaliativa esteja um pouco distante das práticas usuais de aferição de aprendizagem. Por isso é bom conversar bastante sobre ela.
  • A primeira versão de rubrica é uma sugestão inicial. Ela foi feita muito mais para mostrar o modelo de avaliação a ser utilizado. Espera-se, porém, que os educadores envolvidos contribuam para a sua melhoria.
  • Espera-se que as explicações deste subsídio sejam suficientes para caracterizar o modelo avaliativo proposto. Mas, se houver dúvidas é bom entrar em contato com a coordenação geral do projeto. A construção do desafio, em todas as suas dimensões, é uma obra coletiva.
  • Segue, anexada a este subsídio, a primeira versão de rubrica para avaliar o spot de rádio sobre Sangue.

Desafio 2: Abelhas Indígenas

Indicações relacionadas com a produção do programa 1

 

Jarbas Novelino Barato

30/07/2009

Para efeitos de elaboração de roteiro e de produção, segue aqui sugestões de desenvolvimento da Introdução (parte do Desafio que oferece um contexto que dará aos alunos referência de significado para o que deverão executar e para o que deverão estudar) Além da Introdução, esta parte incluirá também o próprio Desafio, ou seja, a proposta de uma obra que os alunos deverão produzir.

 

Introdução ou Contexto

Lá na Europa as abelhas estão sumindo. E há muita gente preocupada. Não só porque o mel ficou mais raro e caro. Mas principalmente porque as plantas precisam das abelhas. Sem esses insetos muitos vegetais poderão desaparecer.

Você já viu uma abelha. E talvez tome cuidado quando alguma delas aparece na borda de seu copo de refrigerante. O bichinho tem um ferrão que pode usar para se defender. E ferroada de abelha dói.

Espera aí. Será que todas as abelhas têm ferrão? O que é que você acha? Se pensou que nem todas as abelhas ferroam, acertou. Tem muita abelha sem ferrão. A gente vai ver bichinhos assim muito em breve.

Vamos agora voltar para aquelas abelhas que costumam mergulhar no seu refrigerante quando você se distrai. Como a gente sabe, as abelhas atraídas por refrigerantes ou doces têm ferrão. Essas mesmas abelhas, quase certamente, são as que produzem o mel que utilizamos como alimento.

As abelhas mais conhecidas, com ferrão e loucas por refrigerante, não são daqui. Elas foram trazidas da Europa. Por isso muitas vezes ouvimos dizer que elas são abelhas européias. Foram importadas porque produzem bastante.

Faz uns quarenta anos que um cientista, o doutor Kerr, trouxe para o Brasil um novo tipo de abelha, a africana. Os enxames das africanas ficavam presos num laboratório. Os bichinhos estavam controlados, pois o doutor Kerr sabia que se fossem soltos poderiam criar problemas. E um dia, enxames de abelhas africanas escaparam do laboratório.

Em liberdade, as africanas se cruzaram com as européias. Do cruzamento, surgiu um bichinho mestiço que produz muito mais mel que suas avós da Europa e África. Mas, há um problema: as mestiças defendem-se de modo muito agressivo. Atacam em bando animais e pessoas que julgam estar invadindo seu território. Além disso, o veneno do ferrão das mestiças é muito mais doído que o das abelhas européias. Por isso, continue a tomar muito cuidado com a abelha que está interessada no seu refrigerante. Ela pode ser uma mestiça.

Você talvez nunca tenha visto abelhas sem ferrão. Elas costumam se muito tímidas. É quase certo que nenhuma delas tenha entrado no seu copo de refrigerante. Elas são indígenas. Não vieram de outras partes do mundo. Já estavam aqui até antes mesmo que os índios.

 

Assim como as abelhas européias, as indígenas são muito importantes para as plantas. Se esses insetos se forem, com eles desaparecerão muitos vegetais. Há algum mistério nisso? Ou será que a associação entre abelhas e plantas pode ser bem explicada? Por enquanto vamos deixar estas perguntas no ar. Vocês mesmos vão descobrir as respostas se aceitarem a aventura do desafio que vamos propor.

***

Sugestões para a produção

 

Propus até aqui o tom da conversa inicial, uma introdução que tem por fim criar um contexto que dê sentido ao desafio a ser proposto aos alunos. É preciso sempre ter em mente que o papel da Introdução é o de despertar interesse pelo assunto. Seguem agora algumas sugestões em termos de produção.

A introdução/contexto pode ser ilustrada por meio de um vídeo que mostre abelhas, abelhas no refrigerante, produção de mel, abelhas buscando néctar em flores etc. Eventualmente, o VT poderia apresentar alguma entrevista com gente que entende de abelha. Poderia mostrar um apiário. Etc.

Em termos de entrevista, há uma figura muito especial, Waldemar Ribas , um dos grandes conhecedores de abelhas nativas ou indígenas. Waldemar, se não me engano, mora em Bauru, mas sempre vem a São Paulo para cuidar de um espaço que ele criou no Parque da Água Branca, um cantinho com diversas caixas de abelhas indígenas [creio que se convidado, Waldemar viria a São Paulo para falar de abelhas e para mostrar seu projeto de abelhas nativas]. O ideal seria mostrar esse cantinho do Parque da água Branca com o auxílio do Waldemar, pois ele pode abrir as caixas, mostrar as abelhas, mostrar com constroem o seu ninho, que materiais utilizam, que quantidade de mel produzem etc.

[Outra possibilidade: convidar o Waldemar para atuar como consultor na produção deste desafio]

Uma fonte importante de informação sobre abelhas é a APACAME (Associação Paulista de Apicultores Criadores de Abelhas Melíficas Européias). O site da APACAME pode ser encontrado em http://www.apacame.org.br/ .

Introdutor da abelhas africanas no Brasil, o doutor Warwick Kerr é outra fonte que mercê ser citada. Aqui está uma das menções ao trabalho dele na internet: http://cienciahoje.uol.com.br/materia/view/803 .

Uma dos cientistas que acompanhou estudos do Dr. Kerr em Ribeirão Preto é Isaias Pessotti. Referência sobre os estudos de Isaias sobre abelhas pode ser encontrado no seguinte texto escrito por uma de suas ex-alunas, Vera Otero: http://www.sbponline.org.br/revista2/vol14n1/v14n1a02t.htm

Outra fonte de informação sobre abelhas indígenas é o Laboratório de Abelhas da USP. Seria bom identificar algum pesquisador daquele laboratório que quisesse colaborar com este desafio. Na internet, o endereço do Laboratório de Abelhas da USP  é:

http://eco.ib.usp.br/beelab/

Há muito mais informações sobre abelhas nativas. Para vê-las, basta fazer uma busca no Google a partir da expressão “abelhas nativas”.

Entre as referências da Internet há um vídeo interessante que pode ser visto em

http://www.centraldocerrado.org.br/filme-projeto-de-abelhas-nativas.html/

 

 

Desafio

Segue aqui proposta de um texto de conversa com os alunos sobre o desafio.

Vocês são cinco amigos que realizaram uma pesquisa sobre abelhas nativas. Ao estudarem esses insetos, compreenderam como eles são importantes para a vida de muitas plantas. Mas descobriram também que as abelhas nativas correm perigo. Elas podem desaparecer em muitas partes do nosso país. E, como, vocês aprenderam, o sumiço das abelhas nativas irá provocar o desaparecimento de muitas plantas de nossa terra. Por isso, vocês resolveram agir. Em vez de apenas ficar sabendo, vocês resolveram lutar para que nossas abelhas nativas continuem seu admirável trabalho de ajudar as plantas a se reproduzirem.

E vocês já conversaram sobre o que fazer. Tem muita coisa que pode ser feita. Uma delas é a de ajudar as pessoas que tem chácaras ou pequenos sítios a criarem abelhas nativas [ou, pelo menos, criar condições em suas propriedades para que as abelhas indígenas não desapareçam]. Como fazer isso? Há muitas maneiras de ajudar os donos de pequenas propriedades rurais. Uma delas é a produção de uma pequena cartilha, publicada em papel ou num site da internet, mostrando as principais abelhas nativas e como criá-las.

Vocês resolveram então produzir essa cartilha.Fazer, portanto, uma cartilha útil e bonita para pequenos sitiantes é o desafio que vocês resolveram enfrentar.

Atenção: já há uma cartilha sobre o assunto. Ela foi feita pelo Ministério do Meio Ambiente. E é muito boa. Mas ela não conversa com as pessoas que vocês escolheram com leitores de seu material. A cartilha de vocês poderá ser mais comunicativa, mais próxima dos interesses dos pequenos sitiantes. Por outro lado é bom que vocês conheçam esta outra cartilha. Ela pode ser encontrada em

www.rts.org.br/publicacoes/cartilha-abelhasnativas

 

A iniciativa de vocês é interessante. Vocês já ouviram muitas vezes os adultos dizerem o que deve ser feito. Mas, muitas vezes são os adultos que precisam aprender com crianças e jovens coisas que precisam ser feitas para que o nosso futuro

A cartilha de vocês será muito importante. Ela será um livrinho ou site que mostrará para os adultos que crianças podem ajudar a construir um futuro melhor. Vocês têm pouca idade. Estão preocupados com o futuro. Por isso em sua cartilha vão sugerir a gente mais velha que conserve uma riqueza importante para vocês e para as futuras gerações.

Complemento

O que segue é uma sugestão para deixar mais claro como deve ser a cartilha que os alunos irão elaborar.Tal sugestão destina-se sobretudo à escola e aos professores.  Este material não precisa ser considerado em termos de produção da primeira parte daquilo que vai converter-se em VT. Mas acho que a informação pode ser de alguma utilidade para quem vai fazer o roteiro.

A cartilha que vocês resolveram fazer precisa ter algumas qualidades importantes. Entre tais qualidades, merecem destaque:

  • Ilustração. O material que vocês vão elaborar deve ser bem ilustrado, com fotos de abelhas e de seus ninhos.
  • O texto de sua cartilha deve ser claro, simples e direto. Deve também ser bonito. Lembrem-se de que vocês precisam conquistar os leitores. Lembrem-se de que muitos dos sitiantes com os quais vocês vão falar por meio do texto são pessoas que não entendem ou não gostam de materiais escritos muito complicados.
  • Nomes e características das principais abelhas indígenas. O número de abelhas indígenas é muito grande. Não dá para colocar todos eles numa cartilha. Por isso vocês precisarão decidir quais as abelhas mais importantes. Para não deixar a lista muito grande, escolham apenas seis tipos de abelhas.
  • Organização do texto. Uma cartilha é um material que traz apenas o essencial pra ajudar pessoas que precisam conhecer o assunto. Além disso, o conteúdo precisa ser apresentado numa ordem que facilite o entendimento dos leitores. Tudo isso é organização. E vocês deverão decidir como organizar a cartilha. Pensem no assunto. Talvez seja útil organizar o material pensando nas seguintes perguntas: 1. Como é que as abelhas ajudam as plantas a se reproduzir?, 2. Que plantas brasileiras dependem exclusivamente de abelhas indígenas para continuarem a existir? 3. O que pode acontecer se as abelhas indígenas forem extintas?, 4. Quais são as abelhas indígenas mais importantes?, 5. Como um sitiante pode ajudar as abelhas indígenas?, 6. É possível criar abelhas indígenas para extrair seu mel para fins de consumo humano? Se sim, quais as abelhas mais adequadas para isso?, 7. Como atrair enxames de abelhas nativas?, Pensem em mais perguntas interessantes. Perguntas sempre são um modo interessante de organizar informações.
  • Informações interessantes. Ao estudarem abelhas indígenas, vocês vão descobrir muitas coisas curiosas. Algumas das curiosidades descobertas podem ser utilizadas para chamar a atenção dos leitores.

 

***

No texto anterior, propus uma conversa com os alunos para dizer qual o desafio que eles deverão enfrentar. Não sei se o texto está muito bom, mas espero que ele dê uma idéia do que estou propondo. Acho que este desafio pode ser proposto para alunos de ensino fundamental, meninos e meninas de 7ª ou 8ª série.

O desafio, se possível, deve ser feito por meio de um vídeo. Se conseguirmos adesão do Waldemar, ele poderia ser o especialista a propor o desafio.

***

 

Temas curriculares associados com o desafio:

  • Nichos ecológicos
  • Papel das abelhas no processo de polinização
  • Produção agrícola
  • Biologia: insetos
  • Insetos sociais
  • Ciclo de desenvolvimento das plantas
  • Tipos de abelhas nativas
  • Hábitos dos diversos tipos de abelhas
  • Meio ambiente e ecologia
  • Animais nativos e animais que vieram de outras partes do planeta (idem quanto a plantas)
  • Relação dos seres humanos com os demais seres vivos.

 

Desafio 2: Abelhas Indígenas

Indicações para produção do programa 2

Jarbas Novelino Barato

 

  O programa 2 deverá mostrar como os alunos vão estudar o assunto e planejar a produção da cartilha. Ou seja, o segundo programa deverá mostrar cenas que dêem uma idéia da dinâmica que professores e alunos estabeleceram para conhecer bem abelhas, particularmente as nativas ou indígenas.

No processo proposto, acontecerão  as seguintes coisas:

  1. O professor apresentará aos alunos um roteiro para ajudá-los a desenvolver o assunto e elaborar a cartilha. Imagem de cartilha já existente, a do Ministério do Meio Ambiente, poderá ser algo que mostre concretamente onde se pretende chegar.
  2. Os alunos conversarão para escolherem de comum acordo o que escolherão para estudos individuais: abelha européia, abelha africana, abelhas nativas, processo de polinização, manejo de abelhas nativas.
  3. O professor mostrará recursos que os alunos poderão utilizar como material de estudo para cada um dos temas escolhidos. Esses materiais poderão ser: sites da internet, vídeos, revistas, livros.[Parte desses recursos podem ser mostrados por meio de imagens].
  4. Depois de estudarem individualmente cada assunto relacionado com o tema, os alunos se reunirão para exporem o que aprenderem. Nessa seção ensinarão e aprenderão uns com os outros.
  5. Na seção seguinte, os alunos poderão realizar um chat para conversar com um cientista da área. Sugere-se que a coordenação ou produção consiga a adesão de um especialista que se disponha a conversar com os alunos. Isso pode ser feito por meio de chat ou talvez por meio de recurso no qual o especialista fale via internet com intermediação de vídeo. De qualquer forma, o que teremos aqui será um contato dos alunos com gente que conhece bem o assunto. Se isso nãom der imagem de TV no próprio processo, os alunos poderão ser entrevistados para contarem como conversaram com um especialista.
  6. Bem informados, os alunos partirão para a produção da cartilha. Num primeiro instante decidirão que conteúdos deverão ser considerados para entrar na cartilha. Uma vez decidido isso, verão como produzir o material, redigindo o material e escolhendo ilustrações que poderão tornar sua cartilha visualmente interessante.
  7. Na fase de produção da cartilha, os alunos poderão consultar um professor de português que os ajudará a resolver problemas de texto ou fazer sugestões de melhoria.

Um processo de produção pode não render boas imagens. Será preciso encontrar um modo de “dramatizar” a história da produção da cartilha.Os alunos provavelmente terão alguma dificuldade para executar o trabalho.Ao mesmo tempo  deverão estar motivados para apresentarem suas sugestões para os adultos. Essa situação pode, talvez, sugerir como abordar o processo a partir de uma pergunta tal como: “que mensagem vocês querem passar para os adultos em sua cartilha?” Outra coisa que pode ser feita  é a de considerar opinião dos professores sobre o desenrolar do processo. Talvez caiba aqui uma pergunta do tipo: “o compromisso de produzir algo significativo melhora interesse e responsabilidade dos alunos? Que diferenças você está observando entre essa experiência e a maneira tradicional de estudar o assunto?

Descrevi aqui as linhas gerais daquilo que vai ser o Processo. A partir disso, espero que a produção de TV encontre caminhos capazes de mostra bem o que os alunos estarão fazendo, que recursos estarão utilizando, e como os professores envolvidos estarão atuando para dar apoio aos alunos.

Desafio 2: Abelhas Indígenas

Indicações para produção do programa 3

Jarbas Novelino Barato

 

  O programa 3 deverá mostrar o resultado final de toda a aventura de enfrentar um desafio de produzir uma cartilha com informações importantes sobre abelhas nativas. Deverá situar como os alunos se sentiram como autores que fizeram uma proposta para que adultos possam tomar providências concretas de conservação da natureza.

Um aspecto interessante a ser registrado é o de verificar o que os alunos acham que aprenderam no projeto todo, o que sabem agora sobre abelhas nativas, o que acham que poderão fazer no futuro para proteger insetos tão importantes na reprodução de muitas plantas raras, etc. Neste sentido, as falas dos alunos podem ser ilustradas com imagens de abelhas nativas, de seu habitat, de seus ninhos, das flores de onde extraem a matéria prima para o mel etc.

Para realizar tomadas na direção do proposto no parágrafo anterior, convêm desde já selecionar imagens de abelhas nativas, vegetação nativa, flores etc.  Há bastante imagens de abelhas nativas na internet. Há um número expressivo de vídeos sobre elas, por exemplo, no Youtube.

Não sabemos ainda como ficará a cartilha. Os alunos serão desafiados a produzir algo bem profissional. De qualquer forma será preciso mostrar o que produziram.

Com de costume, o produto apresentado pelos alunos será avaliado. Resultados da avaliação deverão também ser apresentados. Além disso, convém conversar com professores e alunos para saber com sentiram a experiência.

Após um balanço geral do que foi aprendido, pode se pensar numa Conclusão. A conclusão, no caso, é uma apresentação que tem por finalidade manter o interesse de quem começou a aprender sobre o assunto do desafio. Neste sentido, pode se pensar e apresentar para os expectadores alguma informação nova sobre abelhas nativas.

Uma alternativa de conclusão podem ser informações de pessoas que estão estudando cientificamente as abelhas nativas. Nesse sentido, pode-se aproveitar algum contato com o Laboratório de Abelhas da USP, ou com o responsável pelo apiário de abelhas indígenas do Parque da Água Branca, Waldemar Ribas.

Uma outra sugestão. A famosa chef de cozinha do restaurante Carlota, Carla Pernambuco, fez um registro interessante em seu blog sobre mel de abelhas nativas. Esse registro pode ser visto em

http://carlapernambuco.uol.com.br/?tag=projeto-abelhas-nativas

Pequena entrevista com a Carla, ilustrada com amostra de mel,  poderia ser um fecho interessante para a terceira parte do desafio Abelhas nativas.

Desafio 2: Abelhas Indígenas

Indicações para produção do programa 2

Jarbas Novelino Barato

 

  O programa 2 deverá mostrar como os alunos vão estudar o assunto e planejar a produção da cartilha. Ou seja, o segundo programa deverá mostrar cenas que dêem uma idéia da dinâmica que professores e alunos estabeleceram para conhecer bem abelhas, particularmente as nativas ou indígenas.

No processo proposto, acontecerão  as seguintes coisas:

  1. O professor apresentará aos alunos um roteiro para ajudá-los a desenvolver o assunto e elaborar a cartilha. Imagem de cartilha já existente, a do Ministério do Meio Ambiente, poderá ser algo que mostre concretamente onde se pretende chegar.
  2. Os alunos conversarão para escolherem de comum acordo o que escolherão para estudos individuais: abelha européia, abelha africana, abelhas nativas, processo de polinização, manejo de abelhas nativas.
  3. O professor mostrará recursos que os alunos poderão utilizar como material de estudo para cada um dos temas escolhidos. Esses materiais poderão ser: sites da internet, vídeos, revistas, livros.[Parte desses recursos podem ser mostrados por meio de imagens].
  4. Depois de estudarem individualmente cada assunto relacionado com o tema, os alunos se reunirão para exporem o que aprenderem. Nessa seção ensinarão e aprenderão uns com os outros.
  5. Na seção seguinte, os alunos poderão realizar um chat para conversar com um cientista da área. Sugere-se que a coordenação ou produção consiga a adesão de um especialista que se disponha a conversar com os alunos. Isso pode ser feito por meio de chat ou talvez por meio de recurso no qual o especialista fale via internet com intermediação de vídeo. De qualquer forma, o que teremos aqui será um contato dos alunos com gente que conhece bem o assunto. Se isso nãom der imagem de TV no próprio processo, os alunos poderão ser entrevistados para contarem como conversaram com um especialista.
  6. Bem informados, os alunos partirão para a produção da cartilha. Num primeiro instante decidirão que conteúdos deverão ser considerados para entrar na cartilha. Uma vez decidido isso, verão como produzir o material, redigindo o material e escolhendo ilustrações que poderão tornar sua cartilha visualmente interessante.
  7. Na fase de produção da cartilha, os alunos poderão consultar um professor de português que os ajudará a resolver problemas de texto ou fazer sugestões de melhoria.

Um processo de produção pode não render boas imagens. Será preciso encontrar um modo de “dramatizar” a história da produção da cartilha.Os alunos provavelmente terão alguma dificuldade para executar o trabalho.Ao mesmo tempo  deverão estar motivados para apresentarem suas sugestões para os adultos. Essa situação pode, talvez, sugerir como abordar o processo a partir de uma pergunta tal como: “que mensagem vocês querem passar para os adultos em sua cartilha?” Outra coisa que pode ser feita  é a de considerar opinião dos professores sobre o desenrolar do processo. Talvez caiba aqui uma pergunta do tipo: “o compromisso de produzir algo significativo melhora interesse e responsabilidade dos alunos? Que diferenças você está observando entre essa experiência e a maneira tradicional de estudar o assunto?

Descrevi aqui as linhas gerais daquilo que vai ser o Processo. A partir disso, espero que a produção de TV encontre caminhos capazes de mostra bem o que os alunos estarão fazendo, que recursos estarão utilizando, e como os professores envolvidos estarão atuando para dar apoio aos alunos.

 

Nota sobre primeira parte do programa e introdução ao tema na escola

 

A primeira parte de um Desafio deve buscar interesse. Interesse pelo que? Interesse por um assunto que deve ser estudado. E interesses não nascem de informações sobre o conteúdo, nascem da compreensão de problemas ou de encantamentos sugeridos por determinadas situações.

Não cabe apresentar informações na introdução. Ela não é uma ocasião para instruir, para ensinar. Nela, o que é apresentado deve provocar nos alunos curiosidade, deslumbramento, perguntas. Deve provocar sentimento de que o desafio proposto faz sentido e é uma atividade que vale a pena.

Na Introdução, escola e produção de TV devem escolher modos de apresentação que caminhem na direção do interesse. No caso do bullying, uma das formas de criar interesse é a de oferecer um contexto que mostre problemas de violência física e/ou simbólica contra pessoas ou grupos “diferentes”. Algo que crie algum impacto e mostre a irracionalidade de práticas gratuitas de ataque a pessoas mais fracas ou que tenham alguma característica particular. Nessa parte não se deve apresentar aquilo que os alunos precisam aprender sobre o assunto. Nessa parte, o que importa é que os alunos “comprem” o tema.

Fazer introdução a assuntos de uma Desafio (pelo menos em desafio como o nosso, que segue orientações metodológicas parecidas com as do modelo WebQuest) exige alguma mudança em formas de apresentação. Introduções em materiais didáticos ou em materiais de TV com finas educacionais costumam oferecer uma visão geral do assunto ou antecipar o que vem pela frente. Não é isso que queremos.

O que queremos é uma apresentação que mostre importância do que vamos abordar. E para mostrar importância de algo precisamos, entre outras coisas, emocionar, envolver, indignar, relacionar tema com vida das pessoas.

Para situar o que estou tentando passar, vou oferecer um exemplo concreto. Tom March, autor de ótimas WebQuests, fez uma Introdução excelente para  um trabalho que propunha estudo da ética, tendo como referência questões sociais importantes em nosso mundo. Para tanto, o autor escolheu um caso concreto que envolveu ética e ciência, Tuskeege Tragedy. É preciso reparar que o caso escolhido por Tom não era material para ser estudado. Era um fato da história contemporânea que gerou indignação e levantou bandeiras com relação á ética. Segue o texto de introdução do material em foco:

Introdução

Imagine que você é uma pessoa pobre vivendo em tempos economicamente difíceis. O seu governo lhe oferece tratamento médico gratuito. Parece bom. Mas a verdadeira razão pela qual o governo o procurou é porque você tem certa doença. Em vez de lhe proporcionar assistência médica, os doutores estão apenas acompanhando o que acontece quando a doença observada não é tratada. Suponha que ocorra um milagre e a ciência encontre uma cura para a tal doença. Mas, em vez de lhe dar o novo remédio, os médicos continuam o experimento que tem por objetivo observar o desenvolvimento “natural” da moléstia. Passam-se anos; alguns de seus companheiros, que também estavam sendo objeto de estudo, morrem, outros passam a doença para suas mulheres e filhos. Será que isso é uma sinopse para um novo filme? Será que alguém seria tragado por um roteiro tão inacreditável como esse? Será que esse é mais um caso de “arte que imita a vida”? Deixemos de suspense: aqui está a verdade, de acordo com uma reportagem da CNN:

“No começo da década de 1930, 399 homens foram inscritos pelo Serviço Público de Saúde dos EUA para um plano de assistência médica gratuita. O Serviço estava conduzindo um estudo sobre os efeitos da sífilis no corpo humano. Os homens nunca foram informados de que tinham sífilis. Os médicos lhes disseram que eles tinham “sangue ruim”. Esses sujeitos observados jamais foram tratados, mesmo depois da descoberta da pelicilina em 1947. Quando o estudo tornou-se público em 1972, 28 homens tinham morrido de sífilis, 100 outros tinham falecido por causa de complicações relacionadas com essa doença. Pelo menos 40 esposas tinham sido infectadas, e 19 crianças contraíram a moléstia ao nascerem.”
(Retirado do CNN Interactive’s Tuskegee Study Website)

É difícil imaginar algo tão cruel como essa história. É por isso que muitas pessoas passaram a usar o caso da Pesquisa Tuskegee em comparações com outros tópicos como aborto, controle de armas, e experimentos em campos de concentração. Há razões para esse tipo de comparação? Nesta WebQuest, você decidirá.

No nosso caso (Bullying), a introdução pode ser desenvolvida em atividades que envolvam vídeo e música no âmbito da escola. No programa de TV o que precisa ser mostrado são as situações que serão mostradas aos alunos para que estes vejam que é importante fzaer o que propõe o Desafio. Se conseguirmos provocar interesse, o s alunos estudarão o tema cientes da importância de se prepararem bem para realizar a tarefa que será proposta.

Nota sobre primeira parte do programa e introdução ao tema na escola

 

A primeira parte de um Desafio deve buscar interesse. Interesse pelo que? Interesse por um assunto que deve ser estudado. E interesses não nascem de informações sobre o conteúdo, nascem da compreensão de problemas ou de encantamentos sugeridos por determinadas situações.

Não cabe apresentar informações na introdução. Ela não é uma ocasião para instruir, para ensinar. Nela, o que é apresentado deve provocar nos alunos curiosidade, deslumbramento, perguntas. Deve provocar sentimento de que o desafio proposto faz sentido e é uma atividade que vale a pena.

Na Introdução, escola e produção de TV devem escolher modos de apresentação que caminhem na direção do interesse. No caso do bullying, uma das formas de criar interesse é a de oferecer um contexto que mostre problemas de violência física e/ou simbólica contra pessoas ou grupos “diferentes”. Algo que crie algum impacto e mostre a irracionalidade de práticas gratuitas de ataque a pessoas mais fracas ou que tenham alguma característica particular. Nessa parte não se deve apresentar aquilo que os alunos precisam aprender sobre o assunto. Nessa parte, o que importa é que os alunos “comprem” o tema.

Fazer introdução a assuntos de uma Desafio (pelo menos em desafio como o nosso, que segue orientações metodológicas parecidas com as do modelo WebQuest) exige alguma mudança em formas de apresentação. Introduções em materiais didáticos ou em materiais de TV com finas educacionais costumam oferecer uma visão geral do assunto ou antecipar o que vem pela frente. Não é isso que queremos.

O que queremos é uma apresentação que mostre importância do que vamos abordar. E para mostrar importância de algo precisamos, entre outras coisas, emocionar, envolver, indignar, relacionar tema com vida das pessoas.

Para situar o que estou tentando passar, vou oferecer um exemplo concreto. Tom March, autor de ótimas WebQuests, fez uma Introdução excelente para  um trabalho que propunha estudo da ética, tendo como referência questões sociais importantes em nosso mundo. Para tanto, o autor escolheu um caso concreto que envolveu ética e ciência, Tuskeege Tragedy. É preciso reparar que o caso escolhido por Tom não era material para ser estudado. Era um fato da história contemporânea que gerou indignação e levantou bandeiras com relação á ética. Segue o texto de introdução do material em foco:

Introdução

Imagine que você é uma pessoa pobre vivendo em tempos economicamente difíceis. O seu governo lhe oferece tratamento médico gratuito. Parece bom. Mas a verdadeira razão pela qual o governo o procurou é porque você tem certa doença. Em vez de lhe proporcionar assistência médica, os doutores estão apenas acompanhando o que acontece quando a doença observada não é tratada. Suponha que ocorra um milagre e a ciência encontre uma cura para a tal doença. Mas, em vez de lhe dar o novo remédio, os médicos continuam o experimento que tem por objetivo observar o desenvolvimento “natural” da moléstia. Passam-se anos; alguns de seus companheiros, que também estavam sendo objeto de estudo, morrem, outros passam a doença para suas mulheres e filhos. Será que isso é uma sinopse para um novo filme? Será que alguém seria tragado por um roteiro tão inacreditável como esse? Será que esse é mais um caso de “arte que imita a vida”? Deixemos de suspense: aqui está a verdade, de acordo com uma reportagem da CNN:

“No começo da década de 1930, 399 homens foram inscritos pelo Serviço Público de Saúde dos EUA para um plano de assistência médica gratuita. O Serviço estava conduzindo um estudo sobre os efeitos da sífilis no corpo humano. Os homens nunca foram informados de que tinham sífilis. Os médicos lhes disseram que eles tinham “sangue ruim”. Esses sujeitos observados jamais foram tratados, mesmo depois da descoberta da pelicilina em 1947. Quando o estudo tornou-se público em 1972, 28 homens tinham morrido de sífilis, 100 outros tinham falecido por causa de complicações relacionadas com essa doença. Pelo menos 40 esposas tinham sido infectadas, e 19 crianças contraíram a moléstia ao nascerem.”
(Retirado do CNN Interactive’s Tuskegee Study Website)

É difícil imaginar algo tão cruel como essa história. É por isso que muitas pessoas passaram a usar o caso da Pesquisa Tuskegee em comparações com outros tópicos como aborto, controle de armas, e experimentos em campos de concentração. Há razões para esse tipo de comparação? Nesta WebQuest, você decidirá.

No nosso caso (Bullying), a introdução pode ser desenvolvida em atividades que envolvam vídeo e música no âmbito da escola. No programa de TV o que precisa ser mostrado são as situações que serão mostradas aos alunos para que estes vejam que é importante fzaer o que propõe o Desafio. Se conseguirmos provocar interesse, o s alunos estudarão o tema cientes da importância de se prepararem bem para realizar a tarefa que será proposta.

 

Fora Bullying

 

Nome do grupo: ________________________ Professores:

 

Data : ___________________ Título do trabalho: ___________________

 

Critérios Pontos
1 2 3 4
Criatividade na elaboração de conteúdos.

(peso 5)

Conteúdos apresentados, mesmo que em formatos de material para ato público, parecem ter sido copiados parcial ou integralmente de fontes consultadas. Conteúdos apresentados revelam que o grupo transformou parte das informações estudadas de um modo original. Conteúdos apresentados revelam transformação das informações estudas para os formatos utilizados no ato público. Conteúdos revelam transformação das informações estudadas de modo completamente novo e original, com formas de comunicação criativas. ____
Comunicação oral.

(peso 2)

Nas ocasiões em que o grupo utilizou formas de comunicação oral, pelo menos duas dessas limitações foram observadas:

1. erros excessivos (mais de dez) de concordância ou regência)

2. falas não pareciam espontâneas, mas trechos de discursos decorados.

3. tom de voz muito baixo ou excessivamente alto. 4. ausência de articulação na fala

Nas ocasiões em que o grupo utilizou fala foi registrada uma das características indicadas na célula anterior Nenhuma das características observadas na primeira célula sobre comunicação oral foi observada. Além de não cometer nenhuma das falhas listadas na célula 1, o grupo apresentou uma comunicação oral muito fluente e correta. ____
Qualidade dos materiais visuais utilizados

(peso 1)

Todo o material (faixas, cartazes e outros recursos) pareciam improvisados, escritos com letras desiguais e sem ilustrações.

 

Parte do material revelava alguma das falhas descritas na célula anterior. Nenhum material utilizado tinha falhas como as apontadas na célula 1. Material sem falhas e muito atrativo. ____
Organização

(peso 2)

Materiais e comunicações feitas pelo grupo pareciam improvisados. Parte dos materiais ou das comunicações realizadas revelou cuidados de planejamento. Todas as realizações do grupo pareceram ser resultado de planejamento cuidadoso. Todas as realizações do grupo relaram planejamento cuidadoso. Além disso, tudo foi apresentado com fluência, parecendo ser algo bem ensaiado. ____
Capacidade de convencimento

(peso 3)

O ato público, no seu conjunto, parece não ter sensibilizado o público. Aparentemente os organizadores não transmitiram entusiasmo naquilo que apresentaram. Partes das realizações do grupo revelaram entusiasmo. O ato público, no seu todo, foi feito com entusiasmo. Aparentemente o público ficou sensibilizado. O ato público, no seu todo, teve grande participação do público, sensibilizado com o entusiasmo do grupo. ____
Total—-> ____

Comentário do avaliador:

 

Avaliação no Desafio Abelhas

 

A proposta de avaliação para o Desafio é uma rubrica que procura caracterizar algumas das qualidades a serem verificadas na cartilha escrita pelos alunos. Tal proposta de avaliação procura orientar os alunos sobre os desempenhos apresentados na realização da atividade. Evidências sobre estudo, compreensão e assimilação das informações estudadas aparecem no “produto”. Por essa razão, a sugestão de avaliação não se centra no processo. O que importa é o julgamento de um ou mais juízes que utilizarão a a matriz de avaliação (rubrica) para determinar até onde os autores chegaram em termos de qualidade do produto apresentado.

A matriz foi construída para facilitar o trabalho dos professores. Mas ela não é um documento definitivo. A escola poderá modificá-la com base nos objetivos da atividade, e nos saberes e opiniões dos professores envolvidos.

Convém relacionar alguns aspectos de avaliação por meio de rubricas e da matriz encaminhada:

  • A finalidade da avaliação por meio de rubricas é a de garantir certa objetividade no julgamento de produções apresentadas por alunos. Realizações como a proposta, se não contarem com um instrumento de avaliação, podem resultar em julgamentos sem critérios transparentes.
  • A matriz é um instrumento para ajudar professores a realizar avaliações de caráter orientativo. Nesse tipo de verificação da aprendizagem, a finalidade é a de mostrar para os alunos o nível por eles alcançado e que níveis de desempenho ainda podem almejar.
  • Outra característica da avaliação proposta é a transparência. Os alunos devem saber como serão avaliados desde o início. Por essa razão devem conhecer a matriz de avaliação logo no começo do desafio.

 

  • Na matriz proposta, sugere-se o uso de pesos. Tais pesos são indicados logo após a descrição da qualidade a ser avaliada.
  • Como usar os pesos? É simples, basta multiplicar o número de peso pelo número correspondente à célula na qual o avaliador resolveu classificar o desempenho dos alunos. No caso de Conteúdo (peso 4), se a classificação corresponder à célula 2, o resultado será de 8 pontos (4X2).
  • A matriz propõe verificação de cinco qualidades. Isso não esgota os aspectos que poderiam ser verificados. Mas indicações técnicas no campo da avaliação aconselham a considerar apenas quatro ou cinco qualidades. Assim, caso a escola queira verificar qualidades diferentes das propostas, será preciso retirar um ou mais item proposto de modo que a matriz não fique com um número excessivo de itens.
  • A mesma matriz que é utilizada pelos avaliadores pode ser usada pelos alunos para efeitos de auto-avaliação.
  • Na avaliação proposta não há possibilidade de atribuir a alguma qualidade a cifra zero. Mesmo que classificados na primeira célula de todas as qualidades avaliadas, os alunos sempre obterão uma pontuação bem superior a zero.
  • A pontuação em avaliação por rubrica, como regra geral, não tem por objetivo atribuir notas. Ela é muito mais um recurso para estabelecer comparações de desempenho quando a atividade é feita por mais de um grupo.
  • Nos descritores dos diferentes níveis em cada célula da matriz, deve se evitar palavras com sentido pejorativo ou que sejam indicadores de rótulos que podem marcar negativamente as pessoas avaliadas.
  • Se adequado, a escola poderá solicitar a profissionais externos que utilizem a matriz para avaliar o que os alunos produziram. No caso de Abelhas, a escola poderia, por exemplo, solicitar avaliação de profissionais que trabalham no campo de edição de materiais escritos.
  • Em caso de uso da matriz por diversos grupos de avaliadores (professores, avaliadores externos e alunos), a escola poderá escolher seus próprios critérios para a somatória dos resultados obtidos.

Comentários sobre a proposta de avaliação podem ser dirigidos a

Jarbas.barato@gmail.com

Avaliação no Desafio Fora Bullying

 

A proposta de avaliação para o Desafio é uma rubrica que procura caracterizar algumas das qualidades a serem verificadas na atuação dos alunos durante o julgamento. Tal proposta de avaliação procura orientar os alunos sobre os desempenhos apresentados na realização da atividade. Evidências sobre estudo, compreensão e assimilação dos fatos históricos estudados aparecem no “produto”. Por essa razão, a sugestão de avaliação não se centra no processo. O que importa é a realização do ato público e a confecção do material necessário para promover a manifestração.

A matriz foi construída para facilitar o trabalho dos professores. Mas ela não é um documento definitivo. A escola poderá modificá-la com base nos objetivos da atividade, e nos saberes e opiniões dos professores envolvidos.

Convém relacionar alguns aspectos de avaliação por meio de rubricas e da matriz encaminhada:

  • A finalidade da avaliação por meio de rubricas é a de garantir certa objetividade no julgamento de produções apresentadas por alunos. Realizações como a proposta, se não contarem com um instrumento de avaliação, podem resultar em julgamentos sem critérios transparentes.
  • A matriz é um instrumento para ajudar professores a realizar avaliações de caráter orientativo. Nesse tipo de verificação da aprendizagem, a finalidade é a de mostrar para os alunos o nível por eles alcançado e que níveis de desempenho ainda podem almejar.
  • Outra característica da avaliação proposta é a transparência. Os alunos, desde o início, devem saber como serão avaliados. Por essa razão devem conhecer a matriz de avaliação logo no começo do desafio.

 

  • Na matriz proposta, sugere-se o uso de pesos. Tais pesos são indicados logo após a descrição da qualidade a ser avaliada. O sistema de pesos pode ser modificado pela escola, dependendo de opiniões dos professores envolvidos.
  • Como usar os pesos? É simples, basta multiplicar o número de peso pelo número correspondente à célula na qual o avaliador resolveu classificar o desempenho dos alunos. No caso de Criatividade na elaboração de conteúdos (peso 5) , se a classificação corresponder à célula 2, o resultado será de 10 (5X2).
  • A matriz propõe verificação de cinco qualidades. Isso não esgota os aspectos que poderiam ser verificados. Mas indicações técnicas no campo da avaliação aconselham a considerar apenas quatro ou cinco qualidades. Assim, caso a escola queira verificar qualidades diferentes das propostas, será preciso retirar um ou mais item proposto de modo que a matriz não fique com um número excessivo de itens.
  • A mesma matriz que é utilizada pelos avaliadores pode ser usada pelos alunos para efeitos de auto-avaliação.
  • Na avaliação proposta não há possibilidade de atribuir a alguma qualidade a cifra zero. Mesmo que classificados na primeira célula de todas as qualidades avaliadas, os alunos sempre obterão uma pontuação bem superior a zero.
  • A pontuação em avaliação por rubrica, como regra geral, não tem por objetivo atribuir notas. Ela é muito mais um recurso para estabelecer comparações de desempenho quando a atividade é feita por mais de um grupo.
  • Nos descritores dos diferentes níveis em cada célula da matriz, deve se evitar palavras com sentido pejorativo ou que sejam indicadores de rótulos que podem marcar negativamente as pessoas avaliadas.
  • Se adequado, a escola poderá solicitar aos jurados para avaliar a atividade, utilizando a matriz avaliativa proposta.
  • Em caso de uso da matriz por diversos grupos de avaliadores (professores, avaliadores externos e alunos), a escola poderá escolher seus próprios critérios para a somatória dos resultados obtidos.

Comentários sobre a proposta de avaliação podem ser dirigidos a

Jarbas.barato@gamaisl.com

 

Avaliação no Desafio Fora Bullying

 

A proposta de avaliação para o Desafio é uma rubrica que procura caracterizar algumas das qualidades a serem verificadas na atuação dos alunos durante o julgamento. Tal proposta de avaliação procura orientar os alunos sobre os desempenhos apresentados na realização da atividade. Evidências sobre estudo, compreensão e assimilação dos fatos históricos estudados aparecem no “produto”. Por essa razão, a sugestão de avaliação não se centra no processo. O que importa é a realização do ato público e a confecção do material necessário para promover a manifestração.

A matriz foi construída para facilitar o trabalho dos professores. Mas ela não é um documento definitivo. A escola poderá modificá-la com base nos objetivos da atividade, e nos saberes e opiniões dos professores envolvidos.

Convém relacionar alguns aspectos de avaliação por meio de rubricas e da matriz encaminhada:

  • A finalidade da avaliação por meio de rubricas é a de garantir certa objetividade no julgamento de produções apresentadas por alunos. Realizações como a proposta, se não contarem com um instrumento de avaliação, podem resultar em julgamentos sem critérios transparentes.
  • A matriz é um instrumento para ajudar professores a realizar avaliações de caráter orientativo. Nesse tipo de verificação da aprendizagem, a finalidade é a de mostrar para os alunos o nível por eles alcançado e que níveis de desempenho ainda podem almejar.
  • Outra característica da avaliação proposta é a transparência. Os alunos, desde o início, devem saber como serão avaliados. Por essa razão devem conhecer a matriz de avaliação logo no começo do desafio.

 

  • Na matriz proposta, sugere-se o uso de pesos. Tais pesos são indicados logo após a descrição da qualidade a ser avaliada. O sistema de pesos pode ser modificado pela escola, dependendo de opiniões dos professores envolvidos.
  • Como usar os pesos? É simples, basta multiplicar o número de peso pelo número correspondente à célula na qual o avaliador resolveu classificar o desempenho dos alunos. No caso de Criatividade na elaboração de conteúdos (peso 5) , se a classificação corresponder à célula 2, o resultado será de 10 (5X2).
  • A matriz propõe verificação de cinco qualidades. Isso não esgota os aspectos que poderiam ser verificados. Mas indicações técnicas no campo da avaliação aconselham a considerar apenas quatro ou cinco qualidades. Assim, caso a escola queira verificar qualidades diferentes das propostas, será preciso retirar um ou mais item proposto de modo que a matriz não fique com um número excessivo de itens.
  • A mesma matriz que é utilizada pelos avaliadores pode ser usada pelos alunos para efeitos de auto-avaliação.
  • Na avaliação proposta não há possibilidade de atribuir a alguma qualidade a cifra zero. Mesmo que classificados na primeira célula de todas as qualidades avaliadas, os alunos sempre obterão uma pontuação bem superior a zero.
  • A pontuação em avaliação por rubrica, como regra geral, não tem por objetivo atribuir notas. Ela é muito mais um recurso para estabelecer comparações de desempenho quando a atividade é feita por mais de um grupo.
  • Nos descritores dos diferentes níveis em cada célula da matriz, deve se evitar palavras com sentido pejorativo ou que sejam indicadores de rótulos que podem marcar negativamente as pessoas avaliadas.
  • Se adequado, a escola poderá solicitar aos jurados para avaliar a atividade, utilizando a matriz avaliativa proposta.
  • Em caso de uso da matriz por diversos grupos de avaliadores (professores, avaliadores externos e alunos), a escola poderá escolher seus próprios critérios para a somatória dos resultados obtidos.

Comentários sobre a proposta de avaliação podem ser dirigidos a

Jarbas.barato@gamaisl.com

Julgamento de Calabar
Grupo: ________________________ Professor (es):
Data : ___________________ Papel:___________________
Critérios Pontos
1 2 3 4
Qualidade da argumentação. (peso 4). Caso apresentado sem mostrar evidências sólidas do ponto de vista histórico. Predominam afirmações de senso comum. Há algumas afirmações de senso comum, mas em muitas partes os argumentos apresentados estão baseados em evidências históricas. Caso apresentado recorre a evidências históricas, mostrando boa assimilação de informações estudadas. Caso apresentado com sólidas bases históricas e apresentado de modo muito convincente. ____
Referências sobre colonização portuguesa e colonização holandesa. (peso 4) Apresentação do caso não fornece informação sobre as duas colonizações. Colonização portuguesa e holandesa são consideradas, mas de modo pouco consistente. As duas colonizações são apresentadas de modo consistente, ajudando a entender o papel de Calabar. Ambas as colonizações são apresentadas de modo consistente, mostrando nuances importantes para entender o papel de Calabar. ____
Linguagem (peso 2) Exposição pouco clara (confusa) e/ou com muitos erros de português (oito ou mais. Exposição com certa clareza, mas com alguns pontos confusos, e/ou com número grande de erros de português (de quatro a sete). Exposição clara, com número aceitável de erros de português (dois ou três) Exposição clara, fluente e elegante, com número pouco expressivo de erros de português (zero ou um). ____
Atuação de testemunhas. (peso 3). Depoimentos não mostram entendimento dos fatos históricos em foco. Depoimentos mostram entendimento mediano dos fatos históricos em foco. Os fatos históricos relevantes aparecem claramente nos depoimentos. Depoimentos baseados em fatos históricos relevantes e apresentados com muita clareza. ____
Organização da atividade. (peso 1). Tudo parece improvisado. O ambiente é muito pouco parecido com um tribunal de júri. Ambiente tem algumas características de um tribunal de júri. Ambiente simula com bastante fidelidade um tribunal de júri. Ambiente idêntico a um tribunal de júri. ____
Total—-> ____
Comentários dos avaliadores:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desafio 4

Julgamento de Calabar

Jarbas Novelino Barato

 

Primeira Parte

 

Informação para a escola e educadores.

Este desafio tem por objetivo dramatizar um episódio da História do Brasil, a presença dos holandeses no Nordeste do país durante duas décadas do século XVII. Para tanto, propõe-se a utilização da figura de Calabar como objeto de interesse para as investigações a serem feitas pelos alunos. No processo de estudos, espera-se que os alunos:

  • reúnam informações significativas sobre a presença dos holandeses no Brasil,
  • estabeleçam diferenças entre a colonização portuguesa e holandesa,
  • listem contribuições culturais dos holandeses durante o período em que estiveram no Brasil nos campos da arquitetura, economia, pintura e ciência,
  • mostrem porque, ao contrário do que aconteceu com os países de fala espanhola, o ex-colônia de Portugal manteve sua unidade territorial,
  • reúnam evidências pró e contra a escolha de Calabar (aliança com os holandeses),
  • expliquem algumas das características da colonização (portuguesa e holandesa) promovida num território que hoje é parte de nossa pátria.

A proposta de desafio é similar a algumas experiências que já foram feitas com episódios históricos em outros países. Um exemplo disso é o software educacional Oregon Trail que converte os alunos em “pioneiros em marcha para o oeste”. No nosso caso, parece adequado utilizar a simulação de um julgamento como atividade que exigirá dos alunos  processo investigativo bastante intenso e criação de uma sessão de júri .

O desenvolvimento da atividade deverá ser coordenado por um professor de história. Outros professores – de idiomas, de arte e de informática – deverão compor uma equipe que garantirá o necessário apoio aos alunos.

É importante ressaltar que o levantamento de recursos – livros, sites de internet, vídeos – que os alunos possam utilizar depende muito da equipe de professores que irá atuar no desafio.

Observação. Uma referência interessante para o desafio aqui proposto é a WebQuest “The Amistad Case: A Mock Trial” que pode ser encontrada em:

http://projects.edtech.sandi.net/hoover/amistad/

 

Proposta para a primeira parte (texto para a produção de TV e para a escola)

Segue aqui descrição de contexto. Tal descrição tem por finalidade sugerir caminhos produção de TV no primeiro programa e, ao mesmo tempo, sugerir cuidados de preparação (Introdução) a serem desenvolvidos pela escola.

A América do Sul tem diversos países cujo idioma é o espanhol. Todos eles foram colônias da Espanha. Esse resultado é um pouco diferente do que aconteceu com o Brasil. A antiga colônia de Portugal não se dividiu em diversos países. Temos unidade territorial. Para ver isso, é bom dar uma olhada no mapa do nosso continente e verificar onde estão localizados os países de origem hispânica. E fica aqui uma pergunta: a divisão do território colonizado pelos espanhóis aconteceu por causa da geografia ou da história? Ou será que as causas são mais complexas? E como explicar a unidade da velha colônia americana de Portugal?

Espanha e Portugal dividiram a nova terra descoberta entre si (Tratado de Tordesilhas). Isso pode ser visto num mapa que estabeleceu limites para os dois países. Mas a América do Sul também foi objeto de cobiça de outros países. No nosso caso, em algumas partes do atual território brasileiro, houve presença de colonizadores da França e da Holanda. Fica sempre a pergunta: se holandeses e franceses não houvessem abandonado suas colônias, como seria a América do Sul nos dias de hoje?

A gente faz perguntas sobre destinos da América do Sul que acabaram não acontecendo. Mas os habitantes de nosso território na época da colonização tiveram que escolher. No Nordeste do Brasil – na região onde hoje estão os estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte e Alagoas – os habitantes do lugar tiveram que aceitar, durante um período, um novo colonizador, o holandês. Muitos desses habitantes aliaram-se ao novo colonizador. Como descrever tal aliança? Traição? Escolha de um novo caminho? Interesse econômico? Instinto de sobrevivência?

O caso mais famoso de escolha de um novo caminho é o de Calabar. A história oficial apresenta-o como um traidor, pois ele se uniu aos holandeses. Mas há gente que não vê Calabar com traidor. De certa forma, essa é a interpretação de Chico Buarque e Ruy Guerra na peça Calabar, proibida pela censura militar. Para situar melhor a questão, convém ler matéria que pode ser encontrada em:

http://epoca.globo.com/especiais/500anos/esp20000327.htm

Há uma fonte em vídeo que talvez possa ser aproveitada pela produção e pela escola em termos da criação de interesse pelo tema. Trata-se do documentário Calabar, transmitido pela TV Cultura em 2007. Notícia sobre tal documentário pode ser encontrada no seguinte site:

http://www.overmundo.com.br/blogs/calabar

Se a escola achar conveniente, pode-se examinar a possibilidade dos alunos terem acesso às músicas compostas por Chico Buarque para a peça Calabar. Indicação de tais músicas pode ser encontrada em:

http://www.cliquemusic.com.br/discos/ver/chico-buarque/calabar–o-elogio-da-traicao-ou-chico-canta

[será que é possível utilizar o mesmo recurso na produção de TV?]

Os holandeses ficaram algum tempo no Nordeste (cerca de trinta anos). Será que é possível encontrar alguma lembrança da passagem deles pelo território que hoje é parte de nosso país? Parece quem sim. No Recife deve haver ainda traços do projeto de urbanização holandês para a cidade. E há uma coisa curiosa: muitos brasileiros se chamam Wanderlei. De onde vem esse nome? Provavelmente de Van der Ley, um sobrenome batavo.

Referência sobre origem dos Wanderleys pode ser encontrada em:

http://www.irwanderley.eng.br/Gaspar_Historia_por.htm

 

[seque aqui indicação de obra de um Wanderley que talvez possa ser interessante para o nosso trabalho: http://www.overmundo.com.br/guia/calabar-e-lampiao-em-quadrinhos-de-ruben-vanderley-filho]

Sugestão de desenvolvimento da Introdução

Este texto é um pouco diferente de textos apresentados para os desafios anteriores. Nesta primeira parte, ficaram indicadas algumas possibilidades de apresentar o assunto de modo que se possa ganhar o interesse dos alunos.

Segue aqui uma sugestão de como os elementos até aqui levantados podem se articular numa sequência de introdução ao desafio.

Estão escutando esta música? É “Fado Tropical”, música de Chico Buarque, que faz parte da peça “Calabar”. Prestem atenção na letra. Ela parece ser um comentário sobre o processo de colonização portuguesa no território que hoje chamamos de Brasil. Ela parece também uma crítica meio debochada ao período em que a obra foi criada, nos inícios dos anos de 1970, em plena ditadura. A letra do Chico parece complicada. Fala de muitas coisas de Portugal. Fala de destinos que nosso país teve ou poderia ter. Tudo isso deveria nos deixar curiosos. Nosso colonizador foi o português. Será que isso fez alguma diferença?

Calabar, peça de Chico Buarque e Ruy Guerra faz referência a uma época interessante de nossa história, a época em que parte do nosso território estava ocupada pelos holandeses. Será que os colonizadores batavos eram diferentes dos colonizadores lusitanos? Será que tinham idéias diferentes para suas colônias na América do Sul? E, afinal de contas, por que escolheram o Nordeste de nosso território para se instalarem?

Hoje há muitas diferenças entre Holanda e Portugal. É bom ver o mapa da Europa e verificar onde um e outro estão situados. É bom também ver imagens de suas cidades, paisagens, obras de arte.

Mas voltemos a nosso passado. Estamos no século XVII. Portugal é um dos grandes produtores de açúcar do planeta. E onde era produzido o açúcar português? No Nordeste do Brasil atual. Na época, aliás, a colônia não era portuguesa, era espanhola. Lembram-se disso? De 1580 a 1640, o território brasileiro era uma colônia espanhola. E adivinhem qual o país que era o maior inimigo da Espanha na época? Se vocês disseram Holanda acertaram em cheio. A parte mais rica do território brasileiro na época (1620) foi ocupada pelos holandeses. Tal ocupação aconteceu por causa de um confronto entre Holanda e Espanha. Todos esses acontecimentos parecem enredo de novela. E essa aparência não é casual. A história real muitas vezes, se olharmos para ela com a devida atenção, tem sabor de aventura.

No caso da colônia holandesa em terras de território que hoje é parte do Brasil há mais um ingrediente de muito interesse, a atuação de um dos filhos da terra, Calabar, que se alia aos holandeses, contrariando os interesses da Espanha (ou de Portugal…). Há quem o veja como um traidor. Há quem o veja como um herói. Chico Buarque e Ruy Guerra, autores de música que vocês escutaram, escreveram um musical que sugere que Calabar escolheu apoiar os holandeses porque estes iriam garantir mais liberdade que os portugueses (ou os espanhóis). Além desse musical, há um documentário interessante sobre o mesmo personagem de nossa história. [Se conseguirmos cópia do documentário, os alunos podem ser convidados a assistirem-no, neste momento. Se houver possibilidade, na produção de TV, partes do documentário podem ilustrar a conversa sobre Calabar].

Calabar acabou sendo capturado e morto pelos portugueses. Será que sua condenação foi justa? Será que ele foi mesmo um traidor? Não cabe aqui uma resposta simples. Seria muito bom se Calabar pudesse ser julgado de forma justa. E vocês podem fazer isso enfrentando o Desafio proposto a seguir.

O produtor de teatro quer inovar. Para tanto escolheu Calabar como tema de um concurso. Ele quer que um grupo de especialistas (vocês) prepare um julgamento de Calabar no qual defesa e acusação atuem com argumentos baseados em sólidas evidências históricas. Tal julgamento deverá envolver, além de promotor (responsável pela acusação) e advogado de defesa, três testemunhas de cada lado, juiz, e um corpo de jurados isentos. O veredicto final do julgamento deverá estabelecer com clareza se Calabar foi um herói ou um traidor.

Observação pra a escola: aqui termina a primeira fase do desenvolvimento do desafio. Espera-se que os alunos recebam informações que despertem interesse e tenham clareza do que devem fazer.

Observação para a produção de TV: talvez seja interessante apresentar aqui cenas de julgamento ou fala de um advogado sobre tribunais de júri.

 

Segunda parte

Informações para a escola e educadores

Agora que os alunos já sabem qual desafio irão enfrentar, chegou a hora de organizar as atividades de apoio. Em tal atividade é preciso começar por uma definição de como serão constituídos os grupos de estudo e que temas deverão ser estudados.

Para as atividades de estudo, simulando a formação de um comitês de especialistas capazes de sustentar ataque ou defesa a Calabar, com sólidos fundamentos históricos, pode-se considerar as seguintes áreas de “especialização”

  • Portugal e Holanda hoje. Panorama da economia, educação e cultura (quadro comparativo) entre os dois países europeus.
  • História de Portugal e Holanda. Apanhado da origem dos dois países e caracterização da religião, política, comércio e economia dos dois países no século XVII.
  • Ciclo da Cana de Açúcar. Estudo sobre fase da economia colonial na qual a principal riqueza era produzida pelos engenhos de açúcar.
  • Ocupação holandesa. Um apanhado que mostre motivos, fatos, tipo de governo durante o período colonial batavo. Administração do governo de Maurício Nassau. Etc.
  • Biografia. Importância de sua atuação ao lado das forças holandesas. Motivo da sua adesão ao novo colonizador.

Como o Desafio será concretizado num julgamento, os temas de especialização deverão ser estudados por dois comitês de especialistas, um buscando evidência para mostrar a inocência de Calabar, outro buscando evidências para sustentar a culpa de Calabar.

A necessidade de estudar o assunto a partir de duas perspectivas – Calabar, traidor; ou Calabar, herói – supõe que pelo menos dez alunos deverão estudar o assunto com profundidade.

Cabe esclarecer aqui a necessidade de uma abordagem de aprendizagem cooperativa adotada nos Desafios. Nessa abordagem, o assunto é estudado a partir de diversas perspectivas. Para tanto o material de estudo é dividido em partes a serem aprofundadas por especialistas. Depois do estudo, os resultados da aprendizagem individual deverão ser integrados na elaboração de um produto que exige articulação (cooperação entre especialistas) de diversos saberes. No caso do Desafio “Calabar, Traidor ou Herói”, será preciso preparar uma peça de defesa de um certo ponto de vista para apresentação frente a um júri popular.

Fontes de pesquisa deverão ser definidas para cada um dos tópicos. Há bastante material sobre o assunto na Internet. É bom também relacionar recursos em livros e VT’s.

Observação. O Google books pode ser uma fonte interessante de pesquisa sobre o assunto. Há reprodução de obras integrais sobre Calabar. Um dos exemplos pode ser encontrado em:

http://alturl.com/d95i

Lista de recursos a serem utilizados pelos alunos deve, portanto, ser organizada pela equipe de professores que irá participar do Desafio. Espera-se que os alunos, em cada um dos grupos de especialistas, façam estudos bastante profundos do material disponível.

Se os professores acharem conveniente, os alunos poderão produzir materiais que mostrem seu domínio sobre área de estudo sob sua responsabilidade.  Um exemplo: alunos encarregados de estudar o período de ocupação holandesa no Nordeste poderão produzir uma coleção de lâminas em Powerpoint mostrando realizações nos campos da urbanização do Recife, pinturas de artistas holandeses que estiveram na região, liberdade religiosa (?) no período, etc.

Uma vez terminada a fase de estudos, será preciso preparar o julgamento. Os alunos envolvidos deverão, junto com professores, decidir como a encenação do julgamento de Calabar será efetivada. Como referências, seguem aqui algumas sugestões:

O modelo de júri popular a ser adotado poderá ter funcionar da seguinte forma: 1. Toda a coordenação do julgamento será feita por um juiz imparcial (aluno que não participou do processo de estudo, mas que aprenderá como se comportar numa corte), 2. Advogado de defesa e promotor terão, cada um, vinte minutos de tempo para apresentar seus argumentos, 3. Advogado de defesa e promotor terão, cada um, dez minutos para réplicas, 4. Se adequado e combinado, ambas as partes poderão convocar três testemunhas, 5. O júri popular será composto por sete jurados (alunos que não participaram do processo de estudo, 6. Os jurados, após a sessaão da corte, se reunirão em sala à parte, coordenados pelo juiz para deliberarem sobre condenação ou absolvição de Calabar, com base em encaminhamento de sentenças (duas) preparadas pelo juiz.

No processo de desenvolvimento da atividade aqui proposto, supões-se que os alunos elegerão, em cada comitê, um de seus membros para atuar como advogado (defesa ou atuação para provar que Calabar é inocente ou até mesmo herói) ou promotor (acusação ou atuação para provar que Calabar é culpado ou até mesmo um traidor). Competirá aos alunos escolhidos para cada um desses papéis coordenarem a preparação do material dos argumentos a serem apresentados na sessão de julgamento.

Se possível, o ambiente onde ocorrerá o julgamento, deverá ser uma ambiente bastante (disposição de móveis, mesa para juiz, promotor e advogado de defesa, cadeira do réu, mesas dos jurados, área para observadores) semelhante ao encontrado em tribunais de júri.

Terceira parte

Nos termos aqui propostos, a terceira parte do trabalho será a realização do julgamento de Calabar.

É importante apresentar o veredicto (resultado do julgamento com certa solenidade). A equipe de professores poderá ajudar os alunos a preparar tal final com bastante dramaticidade.

Convém no final do Desafio dizer que o resultado do julgamento não é definitivo. Novas evidências históricas poderão surgir e, de acordo com elas, Calabar será conhecido como herói ou traidor. Se adequado, no final do programa, a produção poderá ouvir um professor de história para que este fale brevemente sobre a importância da ocupação holandesa no Nordeste do Brasil e como a figura de Calabar é controversa. Ou, se possível, a produção poderá obter depoimento de desenhistas de quadrinho que escreveram uma história a apresentado Calabar como herói:

http://www.overmundo.com.br/guia/calabar-e-lampiao-em-quadrinhos-de-ruben-vanderley-filho

Se possível, o livro em quadrinhos de Ruben Wanderley deve fazer parte do material de consulta dos alunos. Se possível, também, figuras do mesmo livro poderia eventualmente ilustrar o assunto na produção de TV.

 

Desafio 5: sugestão inicial.

FORA BULLYING!

 

Jarbas Novelino Barato

São Paulo, 01/10/2009

 

Informação para a escola e educadores

Este desafio tem por objetivo envolver os alunos num ato público de repúdio a práticas de bullying na escola. A atividade abrange julgamento e desenvolvimento ético, exercício de cidadania, história recente do Brasil. Ela requer, como outros desafios que já foram apresentados no programa, capacidade de articular conhecimentos em novos formatos. No processo de estudos, espera-se que os alunos:

  • Sejam capazes de identificar situações que resultam em práticas de bullying.
  • Levantem prováveis práticas de bullying em suas vidas.
  • Criem propostas que possam mostrar para as pessoas os problemas causados por práticas de bullying.
  • Sejam capazes de identificar concretamente questões éticas na relação eu/outro.
  • Entrem em contato com documentos que deixam claros direitos humanos de todas as pessoas;
  • Caracterizem as práticas de cidadania presentes em atos públicos na recente história de nosso país.
  • Planejem um ato público com bons fundamentos éticos, históricos e políticos.
  • Articulem diversas formas de comunicação para mostrar conhecimentos que tenham desenvolvido nos estudos realizados, reunindo fatos e conceitos relacionados com o desafio proposto.

Os objetivos aqui listados e o background a ser explicado na próxima seção indicam que atividade poderá envolver professores de filosofia, estudos sociais ou sociologia, português, inglês e informática. Além disso, se possível, a atividades poderá envolver orientadores educacionais e psicólogos, A presença destes últimos é recomendável porque o tema pode provocar situações que merecem acompanhamento de caráter psicológico.

 

Proposta para a primeira parte

Segue aqui descrição de contexto. Tal descrição tem por finalidade sugerir caminhos de produção de TV no primeiro programa e, ao mesmo tempo, sugerir cuidados de preparação (Introdução) a serem desenvolvidos pela escola.

Já vimos a cena muitas vezes. Um menino forte, bem maior que seus companheiros da mesma idade, elege um menino mais fraco e tímido como vítima. Humilhações, ameaças e até violência física fazem parte do jogo. E pior: outros meninos se divertem com as coisas que o fortão diz e faz. Há um nome para isso: bullying. E muita gente já participou ativa ou passivamente situações que envolvem tais atos de covardia contra pessoa que parece ser diferente.

Para começar conversas sobre a questão, é bom a gente ver clip de uma música muito bonita que mostra situações que todos conhecemos. A música está em inglês. Mas é fácil entender o que se passa. [Entra aqui versão de Don’t laugh at me de Peter, Paul and Mary – download e uso livre segundo termos da fundação DLAM. Será preciso examinar questão de direitos de uso em transmissão aberta, embora o material todo da fundação DLAM tenha sido organizado para que as escolas possam desenvolver um programa contra o bullying e violência em ambientes educacionais.][A Fundação DLAM disponibiliza um clip da música em hip hop, cantada por um adolescente. Sugere-se que os alunos vejam as duas versões como começo de conversa sobre o tema (atenção: não se trata de informar, mas de apresentar um contexto que crie interesse), e a música em questão já faz parte de muitos programas educacionais americanos voltados para o combate à violência nos meios educacionais] [Outra nota: convém que os educadores leiam “Dear Colleague Letter”. (providenciar tradução?).

Se a escola quiser utilizar os subsídios oferecidos pela fundação DLAM (Don’t Laugh at me), segue aqui o link para os materiais que podem ser baixados da internet:]

http://operationrespect.org/curricula/index.php

[Observação incidental. A existência de um material em inglês, com VT e música, pode ser aproveitada para incentivar estudo de idiomas. Professores de inglês podem buscar a letra da música na internet e propor alguma atividade de leitura e tradução para os alunos]

Na produção de TV pode-se pensar em entrevistas com adultos (gente comum) que sofreram bullying na infância e adolescência. [Aconselha-se utilizar técnicas que evitem identificação dos entrevistados. Sugere-se entrevistar adultos para evitar pedido de permissão para divulgar experiências traumáticas de adolescentes. Além disso, o tema é muito sensível para quem está sofrendo violência no momento]. Vídeo de entrevista poderá ter duplo uso: ser uma das peças de introdução para uso na escola, ilustrar a apresentação do tema no primeiro segmento do programa.

Análise de situações de Bullying sugere reflexões éticas de como ver diferenças e pessoas diferentes. Para tratar o tema com leveza, a escola poderá convidar os alunos a assistirem Shrek 1, O filme trata da questão da diferença com muita clareza e com humor. [Considerações sobre uso do Shrek 1 para começar conversas sobre Bullying aparecem num subsídio que elaborei algum tempo atrás. Se a escola quiser considerar a possibilidade de usar o filme para criar interesse pelo estudo do tema, deixo em anexo o texto que escrevi para educadores sobre aproveitamento educacional de Shrek 1]

[Shrek e Don’t laugh at me são sugestões de como criar um ponto de partida que possa gerar interesse pelo estudo do assunto. Bullying é um aspecto mais agudo da questão da violência na escola, Ao mesmo tempo, dada a oportunidade de abordar as diferenças, a presente proposta também pode ser vista como uma forma bastante concreta de introduzir conversas sobre a questão da inclusão no universo escolar.]

Uma possibilidade de introdução pode ser a produção de entrevistas com adultos que sofreram bullying na infância ou adolescência (ou que são pais de crianças que sofrem ou sofreram bullying). Tais entrevistas devem ser feitas com cuidado para que os entrevistados não sejam identificados. Se possível, o teor de tais entrevistas deve ser orientado por um psicólogo. As entrevistas terão dupla função: ilustrar o primeiro programa, oferecer aos alunos participantes casos reais que mostram a gravidade do bullying nas escolas. [Atenção, as entrevistas não devem ser material informativo ou instrucional, mas material cujo impacto crie interesse pelo estudo dos conteúdos relacionados com tal prática].

Volto ao tema e escrevo e redijo mais um texto que pode ser considerado na Introdução.

Somos todos diferentes. Altos, baixos, magros, gordos, rápidos, lentos, fortes, fracos, com ou sem aparelhos nos dentes, com cabelos lisos, com cabelos enrolados. Tudo isso é cantado na música Don’t laugh at me (Não ria de mim). E o que faz a beleza da vida são essas diferenças, Ofender pessoas diferentes, persegui-las é um ato de covardia. Somos todos diferentes. E, num outro sentido, somos todos iguais.

Após todos os contatos com o problema, chegou a hora de propor um desafio para os alunos. Dado o tema, vai aqui uma proposta bastante original de desafio.

Vocês são jovens indignados com a violência praticada contra pessoas consideradas diferentes. Pensam que o problema não é só escolar. Acham que é preciso mostrar para sociedade que o bullying é uma prática que precisa ser combatida. Para tanto, vocês resolveram passar a mensagem com muito impacto. Resolveram organizar um ato público contra práticas do bullying. O que vocês vão fazer deve ter todos os ingredientes de um ato publico: palavras de ordem, discursos, panfletos, faixas etc. O que fazer e o que usar será resultado de planejamento.

O ato público que vocês irão promover não será apenas uma atividade de protesto. Será muito mais que isso. Será uma manifestação bem fundamentada em estudos de filosofia, psicologia e sociologia. Vocês não são apenas pessoas indignadas. Vocês são pessoas que querem mostrar publicamente e com tranqüilidade modos de convivência humana que promovam a aceitação de diferenças.

Atenção: a proposta do Desafio deve fechar o primeiro programa. Deve ficar claro que há uma questão importante – o bullying – que merece atenção das pessoas. Não se deve, porém, nesta primeira parte “dar aulas” sobre bullying. O que se quer, repito, é criar genuíno interesse pelo assunto.

 

Proposta para a segunda parte

Como de costume, a segunda parte do Desafio é o Processo, a fase em que os alunos pesquisam e estudam o tema. Por isso, os professores deverão organizar um roteiro de atividades que ajude os alunos a conhecerem bem o assunto. A primeira providência neste sentido é a de sugerir que os alunos se dividam em grupos de interesse. Ou seja, que escolham um campo especializado de estudos. Neste Desafio, sugere-se que os alunos formem pequenos grupos de estudo para examinar o bullying a partir de:

  • Ética. [Alguns alunos farão papel de filósofos que conhecem bem a relação eu/outro em encontros humanos]
  • Psicologia [Alguns alunos farão o papel de profissionais de psicologia, conhecedores das conseqüências do bullying para a vida das vítimas]
  • [Alguns alunos atuarão como sociólogos que sabem como funcionam os grupos humanos e, mais particularmente, como funcionam grupos utilizam violência para impor suas verdades]

Para justificar a divisão dos alunos em grupo de estudos, algum professor pode dar uma rápida explicação, mostrando que o assunto, no mundo em que vivemos, é estudado por diversos especialistas. E os alunos vão atuar como uma equipe de especialistas na qual uns aprendem com os outros e colaboram na realização de alguma atividade socialmente relevante.

Além de formar grupos de especialistas para estudar materiais selecionados pelos professores, será preciso que todos os alunos estudem manifestações públicas. Na história recente do Brasil, o caso que apresenta formas interessantes de atos públicos para jovens é o movimento dos Caras Pintadas. Tal movimento pode ser um modelo do ato público contra o bullying. Por isso, além das áreas de especialização já assinaladas, seria bom que um grupo de alunos estudasse a história recente do país enfocando o papel dos jovens nos atos públicos em defesa da ética na política.

Para cada grupo de especialistas, será preciso selecionar materiais de estudo. Quase todo material necessário pode ser encontrado na Internet. Para garantir acesso a materiais de qualidade, convém que os professores façam uma seleção das fontes a serrem consultadas no processo de estudo.

Na Internet, a principal fonte de informação sobre o assunto parece ser o material do site Observatório da Infância. Sugere-se que os professores examinem esta fonte e as indicações de artigos e vídeos que ela apresenta. O citado site pode ser encontrado em:

http://www.observatoriodainfancia.com.br/rubrique.php3?id_rubrique=19

No referido site , convém dar uma boa olhada na cartilha:

http://www.observatoriodainfancia.com.br/IMG/pdf/doc-197.pdf

 

No final do site aqui indicado há um vídeo do Jornal Nacional que é um bom ponto de partida para estudos sobre bullying.

Assim como em outros desafios, pode-se contar aqui com pessoas que possam ser entrevistadas pelos alunos e com eles possam colaborar em termos de organização da tarefa, estudos e pesquisas. Duas sugestões: psicólogo e participante do movimento Caras Pintadas.

Um psicólogo poderia atuar no processo como um consultor do alunos ou alguém que mostrasse algumas conseqüência do bullying para que o sofre e para que o promove.

Um participante dos Caras Pintadas poderia contar histórias de como o movimento se organizou, de como os jovens da época inventaram formas originais de mostrarem sua indignação. Poderá ainda funcionar com assessor dos alunos no campo da preparação de atos públicos leves, bem humorados e, ao, mesmo tempo, comprometidos com as causas defendidas.

Cabe aqui uma observação importante. O Desafio não é apenas uma atividade. Ele é uma tarefa que exige trabalho muito bem fundamentado. Por isso, o processo – a fase em que os alunos estudam e pesquisam o assunto – é tão importante.

Proposta para a terceira parte

A terceira parte é a realização de um ato público. Isso vai exigir muito planejamento e conversa entre os alunos. Vai exigir definição de local público apropriado [pode ser no espaço escolar, ou pode ser num local público próximo da escola]. Vai dar bastante trabalho para professores e alunos. Mas vai valer a pena.

Um ato público como o proposto pode incluir diversos elementos: palavras de ordem, faixas, panfletos, músicas (caso haja músicos entre os alunos envolvidos, o grupo pode escolher uma ou mais músicas que possam entra no programa), discursos (discursos devem ser preparados e ditos pelos alunos), performances teatrais etc.

Atos públicos buscam ganhar meios de comunicação. Para tanto, sugere-se que os alunos entrem em contato com a imprensa. Usos de press releases pode ser uma forma de fazer isso. Entrevista é uma outra.

Do ponto de vista da produção de TV, há pouco o que dizer aqui.  Há três momentos que podem compor esta parte final do que será mostrado na TV: a preparação do ato público, a realização do mesmo, e os resultados de avaliação do que os alunos fizeram (isso pode incluir falas avaliativas de alunos e professores, impressões dos convidados para o ato público etc.

 

 

 

 

 

 

Anexo

Vendo Shrek com os Olhos da Ética

 

Jarbas Novelino Barato

 

Shrek, filme infantil de muito sucesso, é puro divertimento. Nada pretende ensinar. Será que pode ser aproveitado em educação? Há alguma coisa no enredo, na trama, nos diálogos ou na história que pode ser objeto de conversa com finalidades de aprendizagem.? Até alguns dias atrás, eu diria que nada há no filme que possa ser aproveitado para fins educacionais. Mas, ao estudar a questão do bullying nas escolas, encontrei uma sugestão em sentido contrário. Alguém propôs que Shrek fosse um ponto de partida para um diálogo sobre a violência física e simbólica da qual são vítimas muitas crianças que apresentam alguma diferença. Por isso resolvi rever o filme e elaborar este pequeno subsídio.

Shrek é uma história que nos mostra muitos encontros com o outro. E nesses encontros, mostra relações de desigualdade que podem gerar espanto, desconforto, estranheza, violência, desentendimentos. O personagem central, aquele ogro simpático, é um outro que é ou perseguido ou temido. Isso o leva a um isolamento quebrado pela estranha invasão de personagens de histórias de contos de fadas. [Estes também outros cuja aceitação pode ser difícil]. O isolamento num lugar pouco atraente, um pântano, é sintoma de fuga. Shrek não quer ser objeto de olhares de susto, estranheza, ódio. Resolve ficar só num espaço assustador ou desagradável para as pessoas normais. O ogro quer paz; e já que não a consegue na convivência, busca-a no pântano, no isolamento. Essa fuga pode ser um dos caminhos buscados por vítimas de bullying. Estas podem construir um espaço de isolamento para viverem em paz, longe de gente normal que as atormenta. E, como na história de Shrek, o espaço escolhido não é necessariamente agradável.

A história de Fiona, a princesa enfeitiçada, sugere mais reflexões sobre a aceitação do outro. No caso dela, um primeiro outro é a figura que a princesa vê no espelho assim que o sol se vai. Fiona sonha com o dia em que o beijo de um cavalheiro apaixonado irá libertá-la do pesadelo da outra assustadora criada por uma maldição. Não passa por sua cabeça que a outra é a princesa da luz do dia, pois esta é aceita por todos. Pessoas não compreendidas ou não aceitas pelos outros podem passar por dramas semelhantes, sonhando com um outro eu que nada tem a ver com elas mas que corresponde aos padrões de aceitação da sociedade. Fogem de si mesmas. Negam suas origens. Têm vergonha de mostrar suas verdadeiras caras. E sofrem muito porque suas supostas monstruosidades não desaparecem. Não passa por suas cabeças que a aceitação de diferenças é o começo de um equilíbrio e felicidade que poderá integrá-las em mundos onde suas diferenças não farão qualquer diferença. Mas é preciso ser justo nesta avaliação: a mudança não depende apenas das vítimas de casos parecidos com o de Fiona.. É preciso que a sociedade se abra para a aceitação das belezas da verdadeira Fiona.

Até o romance do burro com a fêmea de dragão, apesar da ausência de qualquer traço dramático, pode ser visto como uma situação de encontro de outros desiguais. E, como na história, podemos aprender que a convivência, e até o amor, é sempre possível em encontros de seres muitos diferentes.

É interessante notar em Shrek que, ao contrário de certos contos de fadas, a mudança não acontece no sentido da beleza sonhada pela personagem vítima de feitiço. A mudança acontece no sentido da consagração de uma existência a princípio monstruosa. Nenhum personagem ganha a identidade de um outro dos desejos baseados em padrões de beleza inacessíveis à maioria. Seres comuns e até monstruosos podem viver felizes em Shrek. Basta se aceitarem como são. Basta serem aceitos como são. Há muito que aprender com essa história aparentemente tão simples.

 

Abelhas Nativas

 

Nome do grupo: ________________________ Avaliador:

 

Data: ___________________ Título do trabalho: ___________________

 

Critérios Ponto
1 2 3 4
Conteúdo

(peso 4)

Aparentemente copiado de outros materiais. Não mostra claramente abelhas indígenas ou não traz informações sobre como criar os pequenos animais. Material com características de texto original (não copiado). Traz informações sobre como criar os pequenos animais e mostra claramente alguns grupos de insetos melíferos nativos. Texto original e voltado para o leitor alvo. Traz informações relevantes sobre os pequenos animais e como criá-los em pequenas propriedades. Material original, muito claro, com informações bem estruturadas sobre abelhas nativas e como criá-las em pequenas propriedades. ____
Organização do texto

(peso 3)

Material sem sequência clara.Não tem estrutura que seja evidente para o leitor. Muito repetitivo ou confuso Material com sequência, mas alguns trechos  parecem fora de lugar. Há poucas repetições. Material com sequência clara e fluente. Há poucas repetições. Material com sequência clara e estrutura evidente para o leitor. Todo o texto mostra planejamento comunicativo, com poucas repetições. ____
Ilustrações

(peso 2)

Material sem ilustrações. Material com ilustrações, mas estas não estão bem articuladas com o conteúdo. Material ilustrado, articulando de modo adequado figuras e conteúdos. Material ilustrado, adequado e com figuras de muita qualidade estética. ____
Linguagem

(peso 2)

Muito técnica. Provavelmente leitores terão dificuldade para entender. Bastante próxima do modo de falar e vocabulário dos leitores. Reflete modo de falar e vocabulário dos leitores. Reflete modo de falar e vocabulário dos leitores. É um texto elegante e bonito. ____
Correção

(peso 2)

No total, texto tem oito ou mais erros sintáticos ou ortográficos. Texto tem entre quatro e sete erros ortográficos ou sintáticos. Texto tem dois ou três erros de ortografia ou sintaxe. Texto com um ou sem erro ortográfico ou sintático. ____
Total—-> ____

Comentários do avaliador:

 

TV Escola

Rubrica para avaliar Spot de rádio sobre Sangue

 

Nome : ________________________ Professor: ___________________

 

Data: ___________________ Turma: ___________________

 

Critérios Pontos
Estagiário

(1)

Redator júnior (2) Redator sênior (3) Diretor de criação (4)
Locução (1) Locução pouco fluente; percebe-se que locutor está lendo um texto. Locução com certa fluência, mas ainda sugere leitura de um texto. Locução fluente, sem traço de leitura. Locução de qualidade excepcional. ____
Comunicação com o ouvinte. (2) Texto muito formal que não dialoga com o ouvinte. Texto formal, mas percebe-se um tom de conversa com o ouvinte. Texto coloquial, conversa com o ouvinte. Texto coloquial, com toques de originalidade. ____
Correção de linguagem (2) Peça com três ou mais erros de sintaxe e/ou de vocabulário. Peça com dois erros de sintaxe e/ou de vocabulário. Peça com um erro de sintaxe e/ou de vocabulário. Peça sem erros de sintaxe e/ou de vocabulário. ____
Originalidade (4) Peça parece cópia de materiais já existentes, não apresentando evidências de que os autores criaram algo novo. Peça parece ser criação dos autores, mas repete chavões e não apresenta nada novo. Peça é certamente obra original dos autores e tem alguns elementos novos. Peça é certamente obra original e apresenta toda a informação de modo completamente novo. ____
Conteúdo (5) Todo o conteúdo ou boa parte dele não é relevante. Parte do conteúdo é relevante. Todo o conteúdo é relevante. Todo o conteúdo é relevante, com destaques que não estão presentes em materiais mais comuns. ____
Total—-> ____

Comentários do professor:

 

 

 


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