Archive for maio \31\UTC 2010

Mata Atlântica?

maio 31, 2010

Descobri um xará cartunista. Vejam esta obra premiada de Jarbas Domingos. Pode servir para conversas sobre a Mata Atlântica.

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Documentário sobre Barbiana

maio 31, 2010

Seguem aqui dois segmentos do documentário Adieu, Barbiana, com tradução para o espanhol realizada pela TVE. Não consegui ainda o documentário completo, mas creio que esses dois segmentos já passam uma boa idéia da importância educacional de Barbiana e de Don Lorenzo Milani. Insisto para que educadores de agora estudem Don Milani. Ele é uma inspiração para quem deseja fazer uma educação comprometida, digna, respeitosa e exigente.

Aborígenes australianos

maio 28, 2010

Somos um povo isolacionista e arrogante. Pouco conhecemos da arte de quem não é promovido pela mídia anglo-saxônica para consumo imediato. Músicos e cantores da qualidade de um Joaquin Sabina, Soledad, Lluis Llach ou Tish Hinojosa não fazem parte de nossas referências. Preferimos Madonnas e Ladies Gaga. O mercado nos impõe o lixo de gravadoras da Matriz. Mas sempre há esperança. Com a Internet, vez ou outra conseguimos escapar da mesmice das músicas com pouca ou nenhuma qualidade.

Recebi há pouco indicação de um fantástico cantor australiano, Geoffrey Gurrumul Yunupingu. Voz lindíssima. Melodias  idem. Ouvi-lo ajuda-nos a superar nossa imensa ignorância musical. Vai aqui uma mostra do tremendo talento desse moço da Austrália.

Ao ouvir Gurrumul, lembrei-me da extrema crueldade com que os nativos da Austrália foram tratados pelos “civilizados” ingleses. As consequências foram trágicas. Numa breve estada em Darwin, capital do Território Norte da grande ilha australiana, vi pelas ruas da cidade farrapos de gente, andando sem rumo. Eram nativos, perdidos na cidade, sem identidade, sem orgulho de sua cultura, sem dignidade. Cenas muito tristes de como os “civilizados” podem degradar culturas milenares.

No aeroporto da cidade vi um grupo de adolescentes e jovens nativos em torno de um casal inglês. A dupla da terra da rainha tratava aqueles moços como crianças. Retomavam, sob manto de duvidosa bondade, um tratamento de infantilização alimentado pela crença de que os aborígenes são imbecis. Fiquei indignado.

Mas voltemos a Gurrumul. Aqui vai uma outra mostra da grande música desse nativo australiano.

Computadores na sala de aula

maio 27, 2010

Recebi notícia de que a Editora Graó acaba de publicar o livro Ordinadors a les aules, obra coletiva do grupo Webquestcat. Amigos da Catalunha me honraram com inclusão de dois textos meus na obra: Webgimcana: un ús estructurat de la web per a l’educació e L’ànima de les webquestes. O livro tem dupla edição, uma em catalão, outra em castelhano. Os autores são educadores que trabalham com WebQuests e outras soluções de usos estruturados da Internet.

Ordinadors a les aules é apresentado  por Bernie Dodge, professor de tecnologia educacional da San Diego State University e criador do modelo WebQuest. Ainda não recebi exemplar da citada obra. Quando isso acontecer, vou comparecer com mais informações.

Segue o texto informativo que a Editora Graó colocou no ar para divulgar o livro.

Els ordinadors ja hi són o arribaran ben aviat a les aules. Aquest llibre ens ajudarà en els canvis que això representa en el dia a dia i que s’han de sostenir en tres grans columnes: *els continguts, les metodologies, les eines i els recursos tecnològics*. Així, veurem els continguts des d’una mirada competencial; les metodologies que han d’afavorir el pensament científic, la creativitat i la solidaritat i, finalment, les tecnologies de la informació i la comunicació. Aquestes metodologies es caracteritzen pel treball cooperatiu, l’atenció a la diversitat, la recerca, la construcció del coneixement, la creativitat i la interdisciplinarietat. A més, es donen a conèixer algunes de les eines que cal posar en mans dels nois i noies perquè facin les seves creacions, les seves tasques, perquè transformin la informació i construeixin el seu coneixement de manera autònoma.

Introducció: Un llibre amb ànima. · Primera part. TIC i canvi metodològic per a una educació del segle XXI: Educació 2.0. Concretant un currículum competencial. Les competències bàsiques, un pont entre el coneixement i la vida. El professorat com a aprenent amb les TIC. La teoria de les intel·ligències múltiples a l’aprenentatge amb les TIC · Segona part. Propostes metodològiques competencials que utilitzen les tecnologies de la informació i la comunicació: L’ànima de les webquestes. Les webquestes a Catalunya. Volem crear una webquesta. Competències, autonomia i creativitat: la proposta TAF. Com treballar amb ordinadors portàtils a les aules. Aprenentatge basat en problemes i projectes de comprensió. Aprenentatge en xarxa. Webgimcana: un ús estructurat de la web per a l’educació. Webtasques: treballant per tasques a la web. Les caceres del tresor. Com vam arribar a integrar els JClics a les webquestes. L’enregistrament sonor a les aules. Fer ràdio a l’escola. El llenguatge visual a les TIC i a les TAC. «To blog or no to blog», vet aquí la qüestió. Propostes d’activitats TAC. Accessibilitat web, una prioritat a l’aula. El portafolis: un instrument per avaluar. · Glossari. · Font i recursos: Bibliografia. Bibliografia web. · I ara parlem dels autors.

Fui ali e volto já.

maio 26, 2010

O título deste post é criação de um amigo saudoso, Tide Heillmeister. Posso, sem exagero provocado pela saudade, dizer que Tide foi o maior artista gráfico de nosso país. Ah! As palavras do título são a proposta de epitáfio que o artista queria que pussessem em seu túmulo.

Tide faleceu em 2008. Nos últimos anos de vida andava articulando seu talento para realizar colagens com um trabalho educacional muito bonito. Ele ensinava colagem em eventos de desenvolvimento de pessoas. Conversei com ele sobre possíveis projetos nesse campo. Mas, acabei não dando continuidade às nossas conversas. Quis retomar o papo. Tarde demais, Tide nos deixou antes do combinado.

Já registrei aqui minha conversa inacabada com meu amigo artista. Não vou repetir o que já disse. Vou apenas divulgar um vídeo no qual Tide aparece falando de sua obra. É mais uma homenagem que faço a ele. É um momento de saudade que quero compartilhar com amigos.

Saberes Invisiveis

maio 13, 2010

Hoje estou preparando uma aula sobre dualismo epistemológico. Tentarei examinar com meus alunos certos pares antitéticos que refletem preconceitos quando falamos de conhecimento. De uma lado temos mente, teoria, conhecimento; do outro lado, corpo, prática, habilidade. Estes segundos componentes dos pares com os quais pensamos o saber são desvalorizados. São vistos apenas como atividades que dependem dos primeiros.

Não vou aqui falar muito sobre pares antitéticos. Prefiro deixar registrado um texto que escrevi   para apresentar obra de um autor que precisa ser lido, Mike Rose. O nome do livro é O Saber no Trabalho. Se a tradução fosse minha, o título seria outro: O Saber do Tabalho ou o Saber do Trabalhador. Mas isso não importa muito. Importa dividir com vocês o texto que escrevi para apresentar o livro do Mike. Segue aqui o meu escrito:

APRESENTAÇÃO DO LIVRO “O SABER NO TRABALHO”, DE MIKE ROSE

De vez em quando, Neca Barato levava mulher e filhos para ver a obra. Mostrava detalhes do estuque bem feito, da aplicação uniforme de massa fina, dos azulejos assentados com perfeição, das inclinações quase imperceptíveis do piso do banheiro para que a água seguisse caminhos desejados, do prumo impecável das paredes. Seu Neca era um pedreiro que gostava de mostrar os resultados de seu trabalho. Tinha orgulho de sua obra. Ele me ensinou a ver inteligência num trabalho tido como atividade de gente rude, pouco educada e sem grandes conhecimentos. Neca Barato é meu pai.

Durante muito tempo evitei utilizar minhas origens de classe e minha convivência com os profissionais da construção civil em conversas com educadores, embora estes últimos usassem com muita freqüência a figura do pedreiro como exemplo de pessoa intelectualmente limitada. Mas quando mergulhei em estudos sobre o saber técnico de cabeleireiros, garçons, cozinheiros, auxiliares de enfermagem e outros trabalhadores do setor de serviços, julguei que era hora iluminar minhas investigações acadêmicas com as dimensões dos saberes sugeridos pelas obras que meu pai construía.

Começo esta apresentação com minha história pessoal porque O Saber no Trabalho é um livro marcado por experiências de vida parecidas com as minhas. O autor, Mike Rose, é filho de uma garçonete, profissão que nos Estados Unidos é tida como pouco exigente em termos cognitivos. Além disso, ele cresceu entre operários de uma grande ferrovia. E muitos aspectos que desenvolve em seu livro me fizeram compreender melhor o significado da obra como expressão de um saber que não se esgota na execução, mas que se vincula a dimensões axiológicas, estéticas e epistemológicas quase sempre ignoradas pelos educadores.

Os estudos de Rose sobre a profissão da garçonete são surpreendentes. Mostram um conhecimento invisível que só pode ser revelado por pesquisadores capazes de ver o trabalho da garçonete com sensibilidade e empatia, não apenas com as ferramentas supostamente impessoais de pesquisa em ciências sociais. Da conversa do autor com sua mãe emergem saberes de uma psicologia popular aprendida e aplicada em jogos sutis de relacionamento entre clientes e garçonetes; estratégias de planejamento que se estruturam a partir de demandas emergentes nas horas de maior movimento nos restaurantes, com ganho de eficiência no uso de tempo e espaço; capacidades de circular em áreas movimentas carregando com a devida elegância bandejas, pratos, xícaras e talheres; criação de expressões vocabulares que facilitam comunicação entre sala e cozinha; prodígios de memória no manejo de grande diversidade de pedidos e de perfis de clientes atendidos simultaneamente; julgamentos de como conduzir serviço e conversa com os clientes para assegurar maiores ganhos de gorjetas; habilidades de relacionamento entre companheiras e companheiros de trabalho para obter maior fluência no atendimento, e muito mais.

A riqueza cognitiva do ofício de garçonete tem equivalentes em saberes de cabeleireiras, marceneiros, soldadores, eletricistas e encanadores, outras profissões estudadas por Rose. Tem também uma mesma sina: é invisível aos olhos de observadores incapazes de ver o trabalho como desdobramento constante de atos de inteligência. Vale observar que a expressão conhecimento invisível é diferente de uma expressão muito utilizada por pesquisadores da área de educação e trabalho: conhecimento tácito. Este último é visto como um saber não verbalizado, mas que pode emergir a qualquer momento na vida do trabalhador. O primeiro é um saber do qual o trabalhador tem consciência,     de quem as mas que não é evidente para observadores incapazes de examinar as atividades produtivas a partir dos olhar de quem as faz. Essa invisibilidade do trabalho lembra uma outra invisibilidade, a de grupos humanos cuja existência é ignorada pelos poderosos. Lembra a invisibilidade do camponês índio do romance Garabombo, o Invisível, de Manuel Scorza.

O Saber do Trabalho desvela o conhecimento invisível presente em todas as profissões por meio de uma metodologia de pesquisa que não separa mão e cérebro, que não traz para encontros com os trabalhadores molduras interpretativas elaboradas previamente em gabinetes e laboratórios. A investigação de Mike Rose procura apreender o fazer-saber presente nos modos pelos quais os trabalhadores dão sentido às suas obras. Nesse caminho, o autor supera as insistentes dicotomias – teoria e prática, conhecimento e habilidade, saber e fazer – que caracterizam os modos hegemônicos de estudar educação e trabalho.

Fazer, saber, apreciar a obra e agir com responsabilidade profissional articulam-se num todo em cada atividade dos trabalhadores que Rose estuda. A história do aluno que refaz por motivos estéticos uma fiação correta, mas “feia”, que ficaria oculta no interior da parede de uma construção, revela essa articulação entre a técnica (fazer-saber) e as dimensões éticas (responsabilidade profissional) e estéticas (beleza da obra) no trabalho.  Tudo isso é entendido e aprendido como um único saber, definidor da identidade do profissional, revelando uma riqueza de conhecimentos imperceptíveis para quem não foi educado para apreciar obras bem feitas.

Rose sonha com uma educação democrática e com uma formação profissional que não separe mão e cérebro, ensino acadêmico e ensino técnico. Seu livro é referência indispensável para qualquer educador envolvido com formação profissional ou com educação geral de trabalhadores e seus filhos. O Saber no Trabalho abre uma janela importante para que possamos aprender com os trabalhadores. As investigações de Rose procuram entender os processos de fazer-saber formadores de identidades dos trabalhadores, individual e coletivamente. Elas não reduzem saber trabalhar a habilidades ou competências, a parcelas de conhecimento desvinculadas de compromissos sociais e da satisfação de produzir. Este livro de Mike Rose sugere pistas ainda pouco exploradas, mas muito promissoras, em termos de metodologias que privilegiem a obra como ponto de partida e de chegada em educação profissional.

Jarbas Novelino Barato

Avaliação e formação de professores

maio 11, 2010

Faz tempo que acho que faltam em cursos de pedagogia e licenciaturas estudos sobre avaliação. Esse meu achar é uma intuição, baseada em conversas que tenho com meus alunos na universidade. A disciplina “avaliação” não inclui mais técnicas de como avaliar, nem a elaboração de instrumentos. Os alunos aprendem apenas a falar sobre avaliação, sem nunca analisar situações concretas de verificação de aprendizagem.

Em meus tempos de estudante aprendíamos como instrumentar a avaliação  por meio de uma disciplina chamada “Testes e Medidas em Educação”. Alguém dirá que essa velha disciplina trabalhava apenas com uma perspectiva quantitativa. Minha memória diz que tal crítica não procede. Professores que ensinavam como instrumentar a avaliação não eram apenas gente que entendia de estatística e modos de preparar uma boa prova. Discutiam finalidades das práticas avaliativas. E a gente saía do curso com certa bagagem para preparar provas com um mínimo de critério. Hoje, os alunos de cursos de formação de professores ignoram modos de avaliar aprendizagem com alguma fundamentação. Em seu ofício de professores, provavelmente darão provas que servirão apenas para atribuir notas para os alunos, não para verificar aprendizagem.

Resolvi registrar minha opinião sobre o que vem ocorrendo hoje com relação à capacitação de professores no campo da avaliação por causa de um registro sobre estudos de Bernadete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas. Ela, muito melhor que eu, aponta o problema da falta de conhecimento sobre como avaliar nos meios educacionais. Vale a pena conhecer o que Bernadete pensa sobre o assunto. Para tanto, clique no destaque que segue:

Professor não aprende a avaliar: uma análise de Bernadete Gatti.

Timidez é problema?

maio 11, 2010

Anos atrás, uma orientadora pedagógica me chamou para uma conversa sobre uma de minhas filhas. Para minha surpresa, a educadora se disse muito preocupada com a timidez de minha herdeira. Escutei as observações sem nada dizer, mas sai da escola com a impressão de que a orientadora avançou diversos sinais em sua fala. Nunca achei que timidez fosse per se um problema. Se uma criança não se sente à vontade para ser “participativa” não penso que a mesma deva ser pressionada a falar. Muita gente gosta mais de escutar e ficar na dela. Forçar a barra, no caso, é invasão de privacidade. Não me parece que educadores tenham direito de invadir a vida alheia em nome de duvidosos princípios de aprendizagem.

Confesso que fui tímido quase toda a minha vida escolar. Pelo que me recordo, fui falante e particiaptivo apenas no primeiro ano de grupo. Nos anos seguintes me recolhi. Nada perguntava aos professores e não falava a não ser que interrogado. Isso me prejudicou? Talvez sim. Na vida profissional quase sempre tive dificuldade para atuar participativamente de acordo com os modelos sugeridos pelos gurus de administração. Quase sempre preferi ficar na minha.

Sempre que falo em timidez e modelos de participação muito prestigiados no âmbito escolar, lembro-me de um episódio da vida de Charles Horman, jornalista americano assassinado pela ditadura de Pinochet no Chile. A mãe de Charles foi chamada à escola infantil onde estudava o filho, uma instituição de prestígio da comunidade judaica de Nova Iorque. A orientadora entrou com um papo semelhante ao que tive de escutar sobre o comportamento não participativo de minha filha. Ao voltar para casa, com os devidos cuidados, a mãe do futuro jornalista sugeriu que o mesmo participasse mais das atividades escolares. Sugeriu que ele fizesse perguntas (um dos problemas apresentados pela orientadora era o de que Charles nunca fazia perguntas). A resposta do menino foi primorosa: “nada pergunto porque já sei o que a professora vai responder”.

Entro aqui com toda essa conversa sobre timidez e participação porque acabo de aprender uma coisa que, no fundo, já sabia: certa timidez de alunos nas escolas é um comportamento resultante de origem de classe. Os pobres costumam ser tímidos nas escolas porque o tipo de participação que se requer é um treinamento de mando próprio da burguesia. Filhos de papai entram no jogo com facilidade. Filhos de camponenses e operários permanecem calados, pois sabem que sua participação não é esperada. É claro que a timidez de minha filha, assim como a de Charles Horman, não era a mesma que a dos filhos dos trabalhadores. Herdeiros de intelectuais de classe média, minha filha e Charles achavam que a participação esperada era um jogo de cartas marcadas. Preferiam o silêncio, em vez de atuarem num teatrinho cujo script era determinado por educadoras obcecadas com a idéia de que os alunos deviam ser “ativos”.

Fiz até aqui uma longa introdução para falar de uma aprendizagem recente. E me perdi um pouco no falatório. Minha intenção, desde o início foi a de falar sobre timidez a partir de um trecho de Carta a uma Professora, livro escrito por alunos da Escola de Barbiana. No citado trecho, os alunos de Don Lorenzo Milani comentam a questão da timidez na escola a partir da experiência de um deles. Tal trecho iluminou meu entendimento. Aprendi que os pobres se calam na escola quando os professores jogam o jogo da participação. Os alunos das classes trabalhadoras sabem que a participação proposta não é para eles. Aliás, eles não aprendem a ser tímidos quando o jogo participativo ocorre na escola. Eles já chegam ás intituições de ensino convencidos de que não devem “aparecer”.

Foto de abertura: Don Milani conversa com alunos de Barbiana; provavelmente foto dos arquivos da Fundação Barbiana, reproduzida por 1er Circolo Diddatico Statale di Luca. A foto que acompanha o parágrafo introdutório à minha fala sobre Barbiana tem a mesma fonte e mostra o conjunto dos edifícios onde Don Milani desenvolveu sua admirável obra educacional.

Ética do cuidado

maio 9, 2010

Ética é cuidado. Uma dimensão de relação de respeito, consideração, amor pelo outro. Esse modo de ver a ética em ação é sintetizado, em inglês, pelo verbo to care. I care pode ser traduzido de duas formas: 1. eu cuido, 2. eu me importo. Na verdade, I care significa as duas coisas ao mesmo tempo.

Fiz uma introdução necessária para falar de uma linda música de Aleandro Baldi, I CARE.  A obra do cantor e compositor italiano é uma homenagem a Don Lorenzo Milani, criador da Escola de Barbiana. Homenagem linda e justa. A ação de Don Milani em sua escola de Barbiana é um exemplo de cuidado. Ele cuidou (deu apoio e se importou) com os jovens camponeses expulsos das escolas convencionais. Ofereceu a eles cuidado. E a abertura sem reservas para o outro resultou numa educação libertadora que precisa ser mais conhecida.

Indico, a seguir, o registro da canção/homenagem no Youtube. Infelizmente não é possível incorporar o VT a este espaço do Boteco. Você precisará clicar na flecha do vídeo e, uma vez que apareça a mensagem de interdição á incorporação, precisará clicar de novo para ouvir a linda I CARE.

No Youtube, há uma transcrição da letra de I CARE. Com receio de que no futuro a obra possa ser desativada naquele espaço de compartilhamento de vídeos, reproduzo aqui o poema que homenageia uma das mais belas aventuras educacionais do século XX.

I CARE

Cari ragazzi sono qui,
sono tornato,
chiamate tutti gli altri
suonate la campana.
Oggi riapre la scuola
di un povero curato,
un certo Don Milani,
mandato qui a Barbiana.
Anche se col tempo
voi siete un po’ cambiati,
ed i miei occhi
non sono più quelli d’allora,
e se i vostri ginocchi
non sono più sbucciati,
stonati canteremo,
quella canzone ancora:

RIT.
i care,
i care,
c’è bisogno che io
abbia cura di te,
you care,
you care,
c’è bisogno che tu
abbia cura di me,
i care,
i care,
è solo un modo per dire
che d’amore ce n’è,
un bisogno più forte
il più forte che c’è,
i care,
i care,
i care.

Apriamo quella porta
risistemiamo i banchi,
spolveriamo i quaderni
rileggiamo gli appunti.
Forza miei giovani studenti
dai capelli bianchi,
perchè quello che conta
è non darsi mai per vinti,
il mondo è un po’ più ricco
la vita è sempre dura,
e in questa catapecchia
attaccata al monte Giovi,
c’è ancora la canzone
della nostra bocciatura,
che insieme cantavamo,
per non sentirci soli.

RIT.
I care,
i care,
c’è bisogno che io
abbia cura di te,
you care,
you care,
c’è bisogno che tu
abbia cura di me,
i care,
i care,
è solo un modo per dire
che d’amore ce n’è,
un bisogno più forte
il più forte che c’è,
i care,
i care,
i care.

Qui dove sono adesso
non è così lontano,
non fosse per il fatto
che mi mancate tanto,
ed io pur di star con voi
rinuncerei anche al perdono,
e Dio lo capirebbe,
di questo son convinto,
parola mia d’amore,
parola mia Lorenzo.

I care,
i care,
you care,
you care,
abbia cura di me.

Ragazzi sono qui,
sono tornato,
ma lo sapete bene,
che non sono mai partito,
che non sono mai partito.
I care.

WebGincana Mesa Americana

maio 5, 2010

Acabo de publicar no Zunal uma WebGincana com o objetivo de fazer com que os alunos se interessem pela história de nossas Américas por meio de explorações sobre os alimentos que foram descobertos/desenvolvidos no Novo Mundo. O produto não está completamante acabado. Merece ainda algumas melhorias. Se alguém quiser colaborar com críticas, palpites, sugestões, é só entrar em comentários ali em baixo e digitar o que pensa.

Minha pressa tem dois motivos:

1º Colocar no ar um dos componentes da proposta que estou elaborando sobre o Desafio Escolar Mesa Americana, num projeto MEC/FPA.

2º Oferecer para meus alunos mais um exemplo de WebGincana.

Cabem aqui alguns reparos:

  • O material está publicado no Zunal, um ambiente para WebQuests. Fiz, no texto, as necessárias adaptações.
  • Ainda não contamos com um ambiente próprio para publicação de WebGincanas. Se algum webdesigner quiser aventurar-se no ramo, prometo cooperação para que o empreendimento entre no ar.
  • Convém publicar WebGincanas mais sofisticadas numa página Web própria. Com a medida é possível destacar aspectos que não podem sert tratados de modo mais específico num publicador.

Ah! Falta indicar onde é possível encontrar a Webgincana que acabo de publicar. Para tanto, basta clicar sobre o destaque que segue:

WebGincana Mesa Americana