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Avaliação em WebGincanas: questões

maio 9, 2015

Em 2008, fiz um resumo ligeiro de informações que estava passando para meus alunos sobre natureza das questões em WebGincanas. Preocupava-me então a tendência de que as questões tivessem cara de questionário de livros didáticos ou que fossem feitas de tal maneira que o respondedor seria o Google, não os alunos que deveriam pesquisar informações de interesse.

Reproduzo o dito subsídio aqui, pois ele pode ser referência de interesse para quem queira elaborar questões cuja resposta exija “pesquisa” na internet.

Mantive a linguagem coloquial que costumava usar em subsídios que preparava para meus alunos.

Segue, com pequenas mudanças, o texto que escrevi em 2008.

No mundo das técnicas de avaliação, as perguntas a serem feitas em WebGincanas são classificadas como “questões que demandam respostas curtas, objetivas e unívocas”. Respostas curtas são aquelas que não ultrapassam duas ou três palavras. Eventualmente podem ser um número ou um símbolo. Respostas objetivas são aquelas que não dependem de opinião ou interpretação de sujeitos. Finalmente resta comentar as respostas unívocas. Em poucas palavras, unívoco quer dizer aquilo que tem um único significado.

WebGincanas devem ter certo espírito de jogo. Não convém, portanto, que as questões do Desafio sejam formuladas como perguntas de um questionário de livro didático. Assim, não vale a pena entrar num jogo com questões do tipo: Quem descobriu o Brasil? Em que ano aconteceu o golpe militar comandado por Castelo Branco? Etc. Se possível, as questões devem ser formuladas de um modo mais criativo. Eis aqui alguns exemplos:

1. Ela é a única das irmãs Cajazeiras que noivou.
2. Grande poeta brasileiro que deu um tiro no próprio pé numa caçada pelos campos do Brás.
3. Nome do romance que Isaias Pessotti escreveu a partir de seus estudos sobre Eurípides para pesquisa sobre a história da loucura.
4. Música de Lupicínio na qual o narrador manifesta paixão por uma moça que carrega água para os peões.

Nas quatro questões-exemplo que apresentei, a redação tem certo quê de advinhas. Isso é bom. Advinhas são elementos de jogos verbais bastante atrativos. Quebram a monotonia didática daqueles Quem foi? Quantos são? Em que dia ou ano? Qual o nome do primeiro filho de X? Etc.

Se possível as questões das WebGincanas devem exigir leitura, de textos ou de qualquer outra forma de apresentação da informação – imagem, música, símbolos, mapas, VT’s, gravações de conversas ou entrevistas etc. É preciso evitar que o aluno utilize exclusivamente um buscador da Internet (o Google, por exemplo) e responda a questão a partir das informações curtas que acompanham cada indicação de URL listada após uma solicitação. WebGincanas exigem uma leitura de reconhecimento. Nada profundo. Tal leitura é uma necessidade quando pensamos na habilidade de buscar informação nos meios disponíveis.

As questões não precisam ter apenas o estilo de advinhas. Elas podem ser algo com certo teor de desafio como os exemplos que seguem:

1. Veja um vídeo de música de Sidney Miller apresentada no Festival da Record em 1967. Qual a direção da estrada do violeiro indicada na letra cantada pelo compositor?
2. Examine o Enterro do Conde de Orgaz, obra de El Greco, e responda quantos religiosos são retratados na cena?
3. Qual o nome da obra de Josué Guimarães que faz referência a um meio de transporte que não mais atenderá à cidadezinha prestes a submergir nas águas de um imenso reservatório?
4. Professores Apaixonados é uma coleção de slides que você pode encontrar aqui em Recursos. Veja-a e diga qual deve ser o resultado da última conta na cena em que uma professora acompanha o trabalho de um aluno no quadro negro.
5. Angola e Romênia produzem petróleo. Compare a produção dos dois países e responda em que continente está o país que produz maior quantidade da referida fonte de energia.

Até aqui exemplifiquei situações nas quais as questões trabalham o conteúdo de maneira séria. Mas de vez em quando é preciso fazer alguma questão que tenha certo toque de humor ou que instigue a curiosidade do aluno. Nesse último caso, convém, de vez em quando, elaborar alguma questão sobre coisas banais mas que despertam grande interesse. Por exemplo: detalhes sobre a v ida pessoal de um autor, quem se recusou editar um livro que mais tarde se tornou um best seller, nome de um hotel onde um cantor famoso encontrou-se com fulana de tal pela primeira vez etc.

Parte das questões, caso falte inspiração, pode ser feita de modo tradicional. Mas, os autores devem sempre buscar modos de perguntar que agucem a curiosidade e criem interesse.

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Definição de WebQuest

maio 8, 2015

Recupero texto de uma entrevista cuja primeira questão me pedia para definir em poucas palavra o que é WebQuest. Acho que minha resposta ainda vale, por isso publico-a aqui no Boteco.

 

(Entrevistador) Como a WebQuest pode ser definida de maneira
resumida? Seria uma ferramenta?

 

(Jarbas Novelino Barato):

Não, não é uma ferramenta se a considerarmos do ponto de vista da Web. Ou seja, ela não é uma solução capaz de facilitar produção em ambientes da Internet. Mas essa ideia de ferramenta costuma ser a primeira que as pessoas têm quando ouvem a expressão WebQuest.
WebQuest é uma proposta sobre criação de ambientes de aprendizagem para um bom aproveitamento dos recursos de informação existentes na Internet. Mas não é só isso. A proposta inclui alguns princípios que sempre devem ser levados em conta:
• Aprendizagem cooperativa. Ou seja, o ambiente criado pelo educador numa WQ deve exigir que os aprendizes negociem significados para chegar a um resultado, produzir alguma coisa, resolver um problema. As WQs não são propostas para estudos e aprendizagens individuais.
• Transformação de Informação. Uma das coisas que mais perturba os educadores em usos da Internet é o corta-e-cola. Em WQ’s bem planejadas isso é impossível. A situação criada pelo educador, no caso, é a de uma tarefa que exige do grupo de trabalho uma transformação das informações estudadas.
• Autenticidade. Muitas vezes, o modo de dar matéria nas escolas é artificial. O modo como os alunos estudam, os problemas propostos, as produções desenvolvidas são coisas artificiais. Fora da escola ninguém vai exigi-las. Numa WebQuest bem planejada, a tarefa proposta assemelha-se ao que os adultos fazem na vida real. Assim, em vez de uma redação (produto escolar típico), numa boa WQ se pede que os alunos escrevam reportagens, projetos de lei, cartas, etc., produções de texto sempre contextualizadas em ambientes onde fazem sentido.

Você pede uma resposta curta. Não é fácil fazer isso. Uma resposta curta supõe que o leitor esteja bem informado sobre os três princípios que listei ali atrás. Por isso sou tentado a continuar a explicação.

O modelo WebQuest surgiu de modo intuitivo. Ele foi criado num curto espaço de tempo. Surgiu como solução para colocar os professores de um curso de capacitação docente em contato com um software de simulação. Bermie Dodge não queria fazer algo convencional. Queria, ao mesmo tempo, aproveitar os recursos da Internet. Planejou uma aula (de cerca de três horas) centrada numa tarefa: escrever um parecer técnico para um diretor de escola, recomendando ou não o software Archeotype. Tal parecer exigia que uma equipe de “especialistas” examinasse o material a partir de diversas perspectivas. Para “formar especialistas” em tão pouco tempo, Bernie dividiu as fontes disponíveis entre diversas pessoas de uma equipe. Cada pessoa estudava parte do material disponível. Após o estudo, a equipe de especialistas se reunia para planejar e redigir o parecer.

O que rolou foi uma participação muito ativa dos alunos na busca de informações e no trabalho de construir um parecer bem fundamentado. Em tal experiência a tarefa era “autêntica” [especialistas em educação costumam analisar materiais e sugerir ou não seu aproveitamento em escolas], dar conta do recado exigia “cooperação cognitiva” entre os membros de um grupo, os materiais disponíveis não traziam uma resposta pronta [era necessário transformar a informação estudada num novo formato, o tal parecer técnico]. Isso tudo aconteceu em 1995. Logo depois da experiência, construída de modo intuitivo, Bernie começou a elaborar um quadro prescritivo que pudesse ajudar outros educadores a fazerem usos semelhantes dos recursos Web. Para comunicar o que havia desenvolvido, o professor da San Diego Sate Universisty utilizou o termo WebQuest.

Blogs e aprendizagem

maio 7, 2015

Entre os meus guardados há um texto de entrevista que dei para uma publicação da rede Pueri Domus. Nunca soube se meu texto foi publicado, pois a Pueri Domus não me deu feedback depois que lhes enviei respostas às perguntas que recebi. Resolvi retomar aquele velho texto e publicá-lo em pedaços aqui no Boteco Escola. A matéria revela muito do que aprendi publicando blogs no ambiente educacional.

 
Publicação Pueri Domus:
_ Os blogs podem funcionar como uma ferramenta pedagógica eficiente? Qual a vantagem em usar os blogs no ensino? Eles representam uma boa estratégia para atrair os alunos para o estudo?

 
Jarbas Novelino Barato:

 
_ Eu não daria aos blogs o nome de ferramenta pedagógica. Quando se faz isso acontece o empobrecimento de algo que não é bem entendido. Sempre temo a ânsia dos educadores que querem usar novos meios de comunicação humana sem entendê-los muito bem. Isso pode acontecer com os blogs.

Acho que, em primeiro lugar, é preciso ter uma boa visão do que são blogs no campo da comunicação humana. A partir disso, a gente pode conversar sobre possíveis ganhos educacionais em usos de tal alternativa de comunicação em nosso mundo. Pesquisas ressaltam que os blogs são principalmente locais de encontro onde se pode conversar com liberdade, sem imposições, com muita espontaneidade, dizendo a própria palavra. Essa característica dos diários eletrônicos não é evidente. Ela só é percebida quando examinamos, no tempo, o desenvolvimento de blogs de sucesso.

Autores que mostram a importância dos blogs como um local de encontros humanos significativos costumam comparar essa forma de comunicação do ciberespaço com a antiga praça pública (ágora) das cidades gregas. Tal praça era o local onde se exercia uma democracia direta. Há ainda outras comparações muito utilizadas. Uma delas é a que vê os blogs como algo parecido com os cafés do século XIX, espaços públicos de encontro onde se discutia cultura, política, literatura etc. sem qualquer censura.

Conversar, esse é o verbo que melhor define o funcionamento de um blog. E uma característica importante da conversa é o interesse imediato aliado à surpresa. O que quero dizer com isso? Não convém “pedagogizar” os blogs, convertendo-os numa ferramenta para passar conteúdos previamente estruturados. Em bons usos dessa alternativa de cibercomunicação o que se espera são aprendizagens não reguladas. Ou seja, aprendizagens que nascem de um processo que se constrói na direção daqueles famosos versos de Antonio Machado: “caminante no hay camino, se hace camino al andar”. Isso parece muito pouco pedagógico, pois o que estou dizendo aqui é que a aprendizagem será consequência do blogar, mas não é possível prever que resultados serão obtidos desde o começo.

Há muitos blogs que se convertem num instrumento de controle docente e são usados para discutir a “matéria”, passar recados do professor, registrar opiniões dos pais etc. Provavelmente tal modo de usar pode funcionar bem, mas ele empobrece demais a natureza original dos blogs. Melhores usos desse modo de comunicação são aqueles em que a proposta é a de criação de um espaço para conversas sobre temas de interesse do autor (professor e/ou aluno). Isso tem muito pouco a ver com programas escolares. Um autor (individual ou coletivo) desenvolve um blog colocando mensagens (posts) destinadas a um público que tem interesses semelhantes.
A expectativa de todo blogueiro é a de que seus posts serão lidos por interessados e, se possível, comentados. Além disso, os blogueiros esperam que algumas de suas mensagens ecoem pelo ciberespaço (ou seja, a glória de um blogueiro é saber que algo que ele disse está sendo comentado em outros blogs ou páginas da Web).
Convém mostrar, a partir do que disse até agora, algumas características do blogar. Autores de blogs geralmente experimentam:

• um sentimento de que podem se expressar com liberdade
• certa alegria em perceber que seus posts vão clareando (para si próprios) seus interesses, conhecimentos, gostos, modos de pensar
• uma visão do evoluir do próprio pensar na medida releem suas mensagens e veem as direções que elas vão seguindo
• surpresas, na medida em que posts, comentários e outras ocorrências vão lhes trazendo conhecimentos de um modo fluente e sem esforço aparente
• estabelecimento de relações de amizade com parceiros do ciberespaço (blogueiros com interesses semelhantes ou pessoas que lhes passaram informações que ampliaram seus interesses e modo de ver o mundo ou assuntos que rola nos blogs)
• um sentimento de confiança ao saber que suas mensagens sensibilizam pessoas em locais distantes ou até em outros países
• um sentimento de encontrar a “própria turma” no ciberespaço

Acho que poderia listar mais coisas, mas os pontos que levantei já são suficientes para a gente perceber a riqueza educacional dos blogs. Eles são acima de tudo ferramentas que podem colocar as pessoas em encontros no ciberespaço. Essa circunstância provavelmente vai expandir interesses e resultar naquilo que estou chamando de “aprendizagem não regulada”. Essa é a grande vantagem de usar blogs no ensino, pois um bom blogueiro é um aprendiz e ensinante do ciberespaço. Aprende ao tentar dar sentido à sua fala por meio dos posts. Aprende ao receber comentários de seus leitores (companheiros de papo). Ensina ao emitir opiniões, falar que sabe de um modo espontâneo, dar prosseguimento a conversas iniciadas por comentários. Aprende ao conhecer novos sítios e espaços Web indicados por seus leitores. Ou seja, a grande vantagem dos blogs é a de que eles, se usados com liberdade e sem imposições, são um instrumento de ensinar e aprender por meio da conversa. E mais, como são uma dimensão do ciberespaço, proporcionam a seus autores a possibilidade de ingressarem em comunidades virtuais sem muitos limites de idade, formação, nível escolar, espaço etc.

Atrair os alunos para o estudo não me parece ser uma função dos blogs, se a atração no caso for entendida como uma forma de amenizar a necessidade de estudos. Me explico. Há uma tendência de ver o uso novas tecnologias em educação como algo agradável e até divertido. A partir desse entendimento muitas pessoas (meus alunos inclusos) acham que as novas tecnologias podem amenizar a “chatice” do estudo. Há dois equívocos nisso: equiparar estudo a entretenimento (na verdade o estudo está mais próximo do trabalho que do lazer), equiparar diversão a prazer (grandes prazeres nada têm a ver com artes circenses, mas com experiências humanas profundas).

Acho que a grande vantagem das novas tecnologias é a possibilidade de abrir novos campos de aprendizagem. No caso dos blogs, o que mais me encanta é a possibilidade de um aprender completamente diferente daquele proporcionado por ferramentas mais antigas.

068. Exemplo de WebGincana

maio 1, 2015

Quadrinhos e Animação: Mundos de Outras Dimensões

Uma WebGincana para quem gosta de imaginação
[nível secundário ou universitário]

Disciplinas: Arte, História, Ciências Sociais, Comunicação.

Autor: Jarbas Novelino Barato
SENAC São Paulo 2005

[Menu Introdução Desafio Avaliação Conclusão Créditos e Referências]
Observação para autores e educadores

Esta WebGincana é um exercício que desenvolvi para sentir um pouco as possibilidades do modelo. Escolhi o tema quadrinhos e animação porque o mesmo oferece muitas possibilidades de bom uso de recursos disponíveis no espaço web. Nos levantamentos que fiz, constatei que o mundo dos cartoons e das demais produções que dele decorrem pode ser abordado a partir de textos, figuras (of course), sons (programas de rádio, arquivos sonoros de antigos filmes animados etc.), filmes (antigas obras de desenho animado, digitalizadas e disponibilizadas via internet). Além disso, no levantamento que fiz, articulei recursos em três idiomas (inglês, português e francês), circunstância que poderá levar os usuários a se familiarizarem com a diversidade lingüística necessária para um aproveitamento maior de informações disponíveis na rede mundial de computadores.

Cabe aqui uma observação incidental. Meios de comunicação e discursos ideológicos da modernidade costumam ressaltar a necessidade de domínio de dois ou mais idiomas. Navegações na internet mostram que essa voga tem certa dose de razão. Para bem se informar hoje é preciso contar com mais fontes que aquelas disponíveis em nosso idioma nativo. É certo que para obter informações mais completas é preciso navegar por sites e portais em inglês, pois uns oitenta por cento (ou mais) dos conteúdos veiculados pela rede mundial de computadores estão nesse idioma. Para nós, as outras línguas latinas não são muito difíceis. Por isso é preciso pelo menos tentar trabalhar com informações em francês, espanhol, italiano e catalão. Em resumo: quem consegue navegar com alguma compreensão por fontes informativas em inglês e idiomas latinos tem oportunidade de encontrar mais facilmente o que procura. [num futuro próximo, com a melhoria dos tradutores eletrônicos, talvez isso seja uma possibilidade ao alcance de todos]. Com ou sem tradutores eletrônicos, vale a pena desafiar os interessados com materiais em idiomas estrangeiros. Estudos recentes em lingüística mostram que, mesmo sem estudo do idioma alvo, somos capazes de descobrir sentido do texto e adivinhar parte do vocabulário. Tal possibilidade depende de tentativas, entendimento de contexto, método e vontade de desvendar o significado do material disponível. Considerando todos esses argumentos, sugiro que em WebQuests e WebGincanas os autores indiquem em recursos pelo menos dez por cento de fontes em outros idiomas (preferencialmente inglês e espanhol).

Os quadrinhos e a animação são elementos importantes da sociedade da imagem em que vivemos. Eles desempenharam um papel primordial na formação cultural de muitas gerações no século passado [Essa circunstância é explorada com maestria por Umberto Eco em seu romance recente “A Misteriosa Chama da Rainha Loana”, Rio de Janeiro, Editora Record, 2005. Para um comentário na internet sobre o livro do Eco, copio, no final desta seção post do blog do Fantasma que inclui entre os recursos desta WebGincana e pode ser encontrado no seguinte endereço: http://o_fantasma.weblogger.terra.com.br/index.htm ,]. Parece que hoje os quadrinhos perderam muito de sua antiga importância nos meios de comunicação. Em parte foram substituídos pelos personagens dos jogos eletrônicos que tanto atraem os jovens de hoje. Os desenhos animados ainda têm bastante força, sobretudo por causa da televisão e de eventuais filmes de sucesso. Mas nem uma nem outro ocupam o lugar de destaque que já tiveram no século passado.

Histórias em quadrinho e animações são exemplos clássicos da cultura de massas. Como mostra Eco no romance atrás mencionado, esses formatos da mídia ocuparam a imaginação e sentimentos de muitas gerações mundo afora. Embora tenham perdido espaço para a TV e para os computadores, quadrinhos e animações são meios modernos que deram grande destaque a duas mídias hoje também secundarizadas: a imprensa e o cinema.

:: FANTASMA E MANDRAKE, NO NOVO LIVRO DE UMBERTO ECO!
Os leitores do FANTASMA NEWS tiveram o imenso prazer de ler, em nosso post de 28/1/2005, um belíssimo artigo intitulado ‘Mandrake: Um Herói Italiano’, de autoria do grande intelectual italiano Umberto Eco, cuja obra de maior fama é o romance ‘O Nome da Rosa’, posteriormente adaptado para o cinema em um filme estrelado por Sean Connery.
No texto, Eco, em um estilo maravilhosamente saudosista, disserta sobre como os quadrinhos foram fundamentais para a sua formação intelectual e de caráter. Você percebe, em cada linha, uma perfeita compreensão das alegorias e mensagens contidas nos grandes mitos das HQ’s. O Fantasma é carinhosamente citado. Mandrake, também.
E eis que o grande autor italiano nos surpreende, e trás à luz uma obra-prima: seu mais novo romance, ‘A Misteriosa Chama da Rainha Loana’. No livro, novas reminiscências de infância e juventude, vários personagens de quadrinhos citados, tudo isso tendo como pano de fundo histórico a ascensão do fascismo na Itália.
A título de curiosidade, vale dizer que o nome da obra é a mesma de uma aventura dos personagens italianos Cino e Franco: ‘La Misteriosa Fiama Della Regina Loana’.
Confira, abaixo, um resumo do livro, e sua ficha técnica!
“Imagine acordar um dia e perceber que você perdeu a memória. Não sabe onde está, como se chama, quem é sua mulher (ou marido), se é casado ou não, quem são (se é que existem) seus filhos… É o que acontece com Yambo, o protagonista do novo romance de Umberto Eco, ‘A Misteriosa Chama da Rainha Loana’. Yambo lembra-se de Waterloo, de como se dirige um automóvel e se escova os dentes, mas não lembra quem ele é. Permanece a memória semântica (sabe tudo que leu sobre Napoleão ou Julio César e consegue citar trechos inteiros da ‘Divina Comédia’) e automática, mas perdeu-se a memória afetiva, o que constitui seu ser e sua própria história.
Depois do coma que causou a amnésia, por recomendação médica, Yambo viaja para a casa de campo que fora de seu avô (um colecionador de tralhas, quinquilharias, jornais e revistas antigas), nas montanhas do Piemonte, onde passou grande parte de sua infância e adolescência. E é lá que Yambo, na verdade Giambattista Bodoni, um comerciante de livros antigos já na meia-idade, mergulha em sua própria vida. Com a ajuda de músicas, odores, livros e quadrinhos, coisas que viu e tocou há sessenta anos, Yambo tenta retornar para o presente. De Flash Gordon e Dick Tracy ao primeiro amor, Umberto Eco resgata sua própria juventude, misturando-se, página a página, com seu protagonista.
Justificando o subtítulo, ‘Romance Ilustrado’, Eco passou dois anos à procura de imagens e ícones que representassem a memória de Yambo (e a sua própria). ‘A Misteriosa Chama da Rainha Loana’ recompõe a história da Itália dos anos 1930 e 40. Eco traz à tona histórias de Julio Verne; discos de 78 rotações; figurinhas de álbuns famosos; gibis; as obras de Emilio Salgari; canções populares, por onde passam jovens frágeis e inesquecíveis (‘Signorinella Pallida’), outras, apaixonadas (‘C’eravamo Tanti Amati’), ousadas, patriotas (‘Le Ragazze di Trieste’); além dos hinos fascistas, com suas promessas de perenes primavera e juventude (‘Primavera’, ‘Giovinezza’), visando ao fortalecimento moral das fronteiras do Império Italiano. E mais, o rádio de galena, as ondas curtas e a BBC de Londres. Toda uma semiologia que leva aos tempos do Fascismo e às portas da Segunda Grande Guerra. Montado o quebra-cabeça, ‘A Misteriosa Chama da Rainha Loana’ revela-se a autobiografia de uma geração. Um romance-fábula sensível que mostra que, muitas vezes, é preciso revisitar o passado para viver o presente. Um livro emocionante, cheio de calor e lembranças, de suspiros e saudades.”
>>Lançado no Brasil pela Editora Record; 454 Páginas; Tradução de Eliana Aguiar; Preço Médio: R$ 49,90
Introdução
Vivemos cercados por imagens por todos os lados. As imagens são produzidas para nos passar alegria, humor, prazer, graça, informação, valores e muito mais. Essa fartura de reproduções do mundo ou de criações da imaginação começou há uns 160 anos e nunca parou de aumentar. Somos uma Sociedade da Imagem. Assim que a facilidade de produzir imagens para consumo de massas tornou-se possível, surgiram as histórias em quadrinhos. E logo no começo do cinema-espetáculo os quadrinhos migraram para a tela e se tornarem desenhos animados.

Nesta WebGincana vamos mergulhar no mundo fascinante de personagens que marcaram época na vida de cultura e lazer de muitas gerações. Vamos explorar um pouquinho de uma história de beleza, sonho, imaginação num dos setores mais criativos da Sociedade da Informação.

Desafio

Para participar desta WebGincana é preciso formar um time de quatro pesquisadores que juntos enfrentarão as questões propostas a seguir. É bom ler todo o conjunto de perguntas e atividades antes de começar. Depois dessa leitura, convém que o grupo pense algumas formas de distribuir o trabalho entre seus membros para conseguir resultados em menos tempo.

Reparem que algumas questões são aparentemente mais fáceis e dependem apenas de buscas na internet. Outras questões exigem mais. Além de encontrar respostas na internet, elas demandam produção de alguma coisa e buscas em ambientes fora do laboratório e/ou sala de aula. Planejem bem o que fazer para não perderem tempo.

Se vocês já estão prontos para essa aventura no mundo muito imaginativo dos quadrinhos e dos filmes animados, vamos em frente. Tentem vencer, o mais rápido possível, o desafio que segue. Lembrem-se de que todas as respostas das quais vocês precisam podem ser encontradas na lista de sites que aparece na seção Recursos desta WebGincana.

1. Descubram o nome do desenhista de Histoire de M. Jabot, publicada em 1833. [1 ponto]
2. Em O Segredo das Caveiras, antiga história do Fantasma, quem encontra a primeira caveira de cristal no museu etnográfico de Morristown? [3 pontos]
3. Ouçam o programa Archiving Classic Animated Films and Cartoons, da NPR, e descubram o nome da dona de muitas vozes que apareceram nos antigos desenhos animados. Se vocês tiverem dificuldade para descobrir o nome solicitado, é permitido recorrer a amigos ou conhecidos que dominem bem o idioma inglês. Seu professor aceitará como corretas algumas possíveis variações do sobrenome da dona da voz a ser ouvida. [5 pontos]
4. Relacionem os nomes dos deuses e heróis cujas letras iniciais formam a palavra Shazam, fórmula mágica que transforma Billy Batson no Capitão Marvel. [2 pontos]
5. Qual era o nome original (alemão) da famosa história em quadrinhos Os Sobrinhos do Capitão? [1 ponto]
6. Em que ano a tira Mutt e Jeff estreou no San Francisco Chronicle? [1 ponto]
7. Em 1935 a história em quadrinhos Flash Gordon foi adaptada para qual meio de comunicação? [1 ponto]
8. Quem é o autor da arte de Adventures in Synthetic Biology? Essa história em quadrinhos foi publicada na revista científica Nature. Qual o nome dos cientistas que a assinam? [1 ponto]
9. Dois personagens adultos que entram em Os Sobrinhos do Capitão alguns anos depois da criação da história dos gêmeos e passam a fazer parte do elenco permanente de todas as tramas. Quem são eles? [2 pontos]
10. Que personagem Otto Soglow desenhou para o jornal do magnata Hearst antes do Reizinho aparecer na mesma publicação? [1 ponto]
11. Organizem num arquivo Word um álbum eletrônico com sete composições da obra The Little Trapper, de Gustaf Tenggren. Escolham e escrevam um título (da autoria de vocês) para cada composição escolhida. [10 pontos]
12. Encontrem uma reprodução de The Yellow Kid e façam, à mão livre, uma cópia da mesma numa folha de papel. [10 pontos]
13. Encontrem uma “tira” de O Reizinho. Copiem-na, quadro a quadro e na seqüência correta num arquivo Word. Imprimam o resultado numa folha de papel. [5 pontos]
14. Imprimam figuras mostrando cada um dos seguintes personagens: Flash Gordon, Pinduca, Os Sobrinhos do Capitão e Jeff e Mutt. Retirem das cópias qualquer pista escrita que possa revelar os nomes dos personagens. Procurem dez pessoas com mais de quarenta anos e peçam a elas para identificar os personagens mostrados nas cenas (registrem nome, idade e sexo das pessoas entrevistadas, além dos erros e acertos em cada caso). Entreguem o correspondente relatório de pesquisa para seu professor ou professora. Tragam para a escola uma das pessoas que identificou mais personagens e peçam a ela para contar para seus colegas de outros grupos como conheceu os personagens identificados. [47 pontos]
15. Escolham um personagem de histórias em quadrinhos criado antes de 1940. Tentem encontrar (em biblioteca ou em acervos de colecionadores) uma revista ou jornal com uma história do personagem escolhido. Levem o exemplar da publicação até a escola e mostrem-na para o seu professor. [10 pontos]

Recursos

Vocês encontrarão todas as respostas de que precisam nos seguintes endereços da Internet:
• Les Pionniers (1833-1908)
• Fantasma News
• NPR – programs and schedules
• Capitão Marvel
• Opera Graphica
• Burburinho
• Pulp Heroes
• ASIFA- Hollyood Animation Archive
• The R. F. Outcault Gallery
• Bricabrac
• Pulp heroes
• HQcoisa
Guia para Respostas

Esta seção não fará parte da WebGincana dos alunos. Apresento-a aqui como uma referência para professores.
Les Origines: http://www.cyberacadie.com/bd/1.htm
Resposta para pergunta 1: Rodolphe Töppfer:

Segredo das Caveiras : http://fnhq.weblogger.terra.com.br/index.htm
Resposta para a pergunta 2 : Minerva Brooks

Programa NPR : http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=3919181
Resposta para a pergunta 3: June Foray

Shazam : http://www.super-herois.com.br/shazan.html
Resposta para a pergunta 4: Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio.

Sobrinhos do Capitão : http://www.operagraphica.com.br/a_materia/mat_sobri_01.htm
Resposta para a pergunta 5: The Katzenjammer Kids

Mutt and Jeff : http://www.burburinho.com/20020625.html
Resposta para a pergunta 6: 1907.

Flash Gordon : http://home.comcast.net/~cjh5801a/Flash.htm
Resposta para a pergunta 7: rádio.

Aventures in Synthetic Biology : http://www.nature.com/nature/comics/syntheticbiologycomic/index.html
Resposta para a pergunta 8: Chuck Wadey, e Drew Endy & Isadora Deese

Capitão e Inspetor : http://www.operagraphica.com.br/a_materia/mat_sobri_01.htm
Resposta para a pergunta 9: Capitão e Inspetor

O Reizinho : http://www.bricabrac.com.br/reizinho_historia.htm
Resposta para a pergunta 10: O Embaixador

ASIFA- Hollyood Animation Achive : http://www.animationarchive.org/2005/11/media-gustaf-tenggrens-little-trapper.html
Resposta para a pergunta 11: [desenhos de Gustaf Tenggrens]
Galeria Yellow Kid: http://www.neponset.com/yellowkid/gal1.htm
Resposta para a pergunta 12: [Galeria Yellow Kid: várias figuras]

O Reizinho : http://www.bricabrac.com.br/reizinho_historia.htm
Resposta para a pergunta 13: [Clique Aqui para ver cartoon]

Vários sites :
http://home.comcast.net/~cjh5801a/Flash.htm
http://hq.cosmo.com.br/TEXTOS/HQCOISA/h0105_pinduca.shtm
http://www.burburinho.com/20020625.html
Respostas para a pergunta 14 : [figuras correspondentes em vários sites]
Les Pionniers : http://www.cyberacadie.com/bd/1.htm ; Les fondateurs: http://www.cyberacadie.com/bd/2.htm
e vários outros
Resposta para a pergunta 15 : qualquer personagem criado antes de 1940.

Avaliação

Para cada pergunta respondida corretamente, assim como para cada atividade executada de acordo com o solicitado, vocês receberão o ponto ou pontos assinalados logo depois de cada questão/atividade. Em cada questão repondida ou atividade realizada, o grupo que chegar primeiro a uma conclusão correta e aceita pelo professor ou professora receberá um bônus equivalente ao dobro da pontuação assinalada para o item. O grupo vencedor da gincana poderá receber um prêmio oferecido pela escola ou pelo professor ou professora.

Conclusão

Esperamos que vocês tenham percebido que o mundo dos quadrinhos e dos desenhos animados é atraente e maravilhoso. Cada personagem com o qual vocês entraram em contato mostra um aspecto de arte popular, um momento da história, muitas sugestões de sonho e aventuras. Mas essa WebGincana foi só um começo. Se vocês quiserem saber mais sobre o tema há muita coisa para ser vista, estudada e admirada. Conhecer mais os quadrinhos e os desenhos animados é um passo importante para compreendermos a nossa Sociedade da Imagem.

Créditos e Referências

Este trabalho ainda é provisório. Ainda não conversei sobre ele com alguns companheiros da equipe, nem recebi ainda feedbacks ou informações que devam ser regitrados. Por isso, não registrei aqui os devidos créditos e referências.

Conclusâo da primeira versão : São Paulo, 28 de dezembro de 2005.