81. WebGincana no ensino remoto

Cenários e estrutura para WG na internet

Ainda não tenho ideias muito claras de como organizar WebGincanas para uso no ensino remoto. Mas, vou indicar neste texto algumas coisas que ando pensando, sujeitas a chuvas e trovoadas.

Seguem minhas notas para posterior discussão.

Webgincanas estão voltadas para um público. Pode ser uma turma. Pode ser um grupo de diferentes séries. Pode ser um grupo que se associa voluntariamente à proposta. É preciso ter em mente que se trabalha com um público, não com alunos individuais. WG é sempre um jogo coletivo, com participação de um número razoável de pessoas, divididas em equipes que tentam obter a melhor classificação possível no jogo.

Webgincanas podem estar vinculadas a um programa. Nesse sentido, fazem parte de um plano curricular e articulam-se com outras atividades. WebGincanas podem ser independentes. Nesse segundo caso podem ser atividades voluntárias ou recreativas. Podem também ser utilizadas como forma de ambientação num curso, numa escola, numa empresa.

Em WG´s não se pode perder a perspectiva do jogo. Nesse sentido, WG´s não são didáticas. Ou, para dizer de outra forma, é preciso imaginar tal formato muito mais a partir de como se estrutura um bom jogo do que de como se estrutura uma proposta com finalidades didáticas. Preocupações didáticas podem matar o jogo. Preciso explicar um pouco minhas restrições a propósitos didáticos. Explico isso no próximo parágrafo com um exemplo em área completamente diferente, mas que exigia um tratamento que se afastasse da didática tradicional.

Há muitos anos, propus a produção de vídeos-situação para a aprendizagem de anotações de enfermagem. A proposta surgiu a partir da constatação de que se ensina anotações de enfermagem a partir de regras de como essa forma de comunicação deve ser redigida. E isso é feito em sala de aula, como acontece na maioria dos casos de ensino de redação, sem qualquer contato com o contexto concreto que justifica a comunicação escrita. Perde-se, no caso, o que há de mais importante em anotações de enfermagem: comunicação entre profissionais de saúde sobre o que está acontecendo com o paciente. Para redigir uma boa anotação de enfermagem é preciso partir de um evento no qual o profissional de saúde se encontra com o paciente no hospital. A anotação deve refletir o que o profissional observou de relevante e que pode servir de orientação para o outro profissional que contatar o paciente posteriormente. Por isso, imaginei (com uma equipe que comigo trabalhava) que poderíamos produzir diversos vídeos em que um profissional de enfermagem entra em contato com um paciente e realiza o atendimento necessário (verificação de sinais vitais, medicação, cuidados de conforto, banho no leito, conversa com o paciente – observando aspectos psicológicos, etc.). Construímos oito diferentes histórias de pacientes. Essas histórias foram enviadas para uma roteirista de vídeo. E ela nos sugeriu que, em situações críticas, colocássemos um texto no vídeo para orientação dos alunos, chamando atenção para aspectos que merecessem anotações de enfermagem naquele caso. E a moça nos fez tal sugestão porque sentiu que nossa proposta não era didática. Ela não entendeu a proposta. O vídeo não poderia ser didático. O que queríamos era um vídeo que reproduzisse situações que o profissional poderia encontrar num hospital. O que queríamos era que o aluno ou aluna lesse a situação e determinasse o que mereceria anotação – para nós era importante que o aluno julgasse, sem ajuda, o que deveria ser comunicado para o profissional que viesse depois dele. Para isso, qualquer tratamento didático do vídeo seria contraproducente. Par nós, vídeos-situação eram essenciais para que os alunos desenvolvessem capacidade de ler um evento e dele destacassem o que mereceria registro. Vídeos didáticos não seriam adequados para tal fim.

Gastei muito espaço para contar a história dos vídeos que produzimos para desenvolvimento de saberes de anotações de enfermagem. Desculpem-me o textão. Foi necessário para justificar porque estou a dizer que WG´s não devem ser didáticas, mas jogos que valham a pena jogar. E no caso, o que mais se espera com o jogo é criar interesse por um assunto que será mais estudado por outros caminhos que não Webgincanas.

DURAÇÃO

Sugiro experimentalmente 3 horas:

  • 10 minutos: início rápido com todos, com a Introdução e orientação sobre onde os alunos encontrarão as instruções necessárias para participar da WG;
  • 2 horas: trabalho dos alunos para discutir estratégias, responder as questões, elaborar atividades e realizar missões;
  • 50 minutos para encerramento dos trabalhos, com apresentação de atividades e finalização de missões.

INÍCIO

O início de uma WG pela internet deve ser um encontro entre todos os participantes e o coordenador ou coordenadora da atividade. Tal encontro deve ser breve (não mais que 10 minutos), possivelmente para uma mensagem de boas vindas e a Introdução da WG. Para tanto, será preciso pensar que plataformas são as mais adequadas para isso (Zoom? Um vídeo?) Minha preferência é por uma plataforma onde seja possível ver o professor e todos os participantes. Aqui será preciso evitar a tentação de esticar em demasia o contato do docente com os alunos por meio de uma exposição.

ONDE PUBLICAR A ESTRUTURA DA WG

A estrutura geral da WebGincana deverá ser publicada em texto, com possíveis complementos de vídeos, imagens, gráficos, podcasts, e indicação de links. Onde? Eu costumo fazer isso no meu blog. Já fiz em publicadores de WebQuest (Zunal e outros), com as devidas adaptações. Pode também ser uma página produzida em html. Pode ainda ser uma série de lâminas produzidas em Powerpoint (essa era opção muito popular entre meus alunos) e publicadas num site como o Slideshare. O que interessa é que a estrutura da WebGincana esteja em local que os alunos possam acessar sempre que quiserem ou for necessário.

Nos últimos dias, tenho conversado com uma educadora do Vietnã que trabalha de modo muito criativo com WebQuests. Ela e associados estão publicando WebQuests num ambiente de organização de mapas mentais, o OKMindmap. Me parece que a ferramenta pode ser interessante também para publicação de WebGincanas, pois o ambiente facilita integração de todas as outras ferramentas que forem necessárias para investigação dos alunos, contatos das equipes, elaboração de produtos. Essas novas ferramentas não são minha praia, mas acho que muitos dos interlocutores de nosso grupo poderão avaliar o assunto e, se adequado, indicar o que é preciso fazer para produzir WebGincanas num ambiente como o OKMindmap.

Aqui está uma das WebQuests produzidas pela educadora coreana – escolhi a que já tem tradução para o inglês: Explore the Oean.

 

 

TRABALHO DOS ALUNOS

O trabalho dos alunos necessariamente acontecerá em grupos. Sugiro grupos de 4, com possível extensão para um máximo de 5. Fica pergunta sobre como constitui os grupos (escolha livre, sorteio?). O grupo deverá ter um nome de guerra e um líder.

O grupo deverá escolher um espaço para conversas e desenvolvimento do trabalho.

Suponho que o Whatsapp possa funcionar bem pra isso. Nesse caso, convém criar um grupo específico para o trabalho, com todos os membros da equipe e o professor. Além do Whatsapp, será bom contar com um espaço no qual os alunos possam se ver e conversar (sempre com abertura para que o professor também possa participar). O Duo é uma opção neste sentido. Mas, há muitas outras. Uso de múltiplos espaços de trabalho exigirá boa capacidade de planejamento por parte dos alunos e, possivelmente, apoio do professor.

Respostas, uma vez encontradas, deverão ser enviadas para o professor e registradas num lugar de uso comum. Onde alojar este espaço? Email do professor criado especialmente para a WG? Outra opção? Tal espaço é necessário para que se possa aferir correção das respostas e que grupo chegou primeiro à resposta.

As atividades serão preparadas nesta fase, mas apresentadas apenas na fase final para que todos possam ver o que o grupo produziu. Isso significa apresentação pública da atividade no fechamento da WG. Fica aqui indagação de como ocupar o tempo nesse caso se o grupo terminar muito cedo o desafio da WG. Uma sugestão: o grupo poderá obter pontos extras se organizar questões complementares sobre o tema, sugerindo como a Webgincana poderia continuar.

Estou aqui a imaginar como o professor irá atuar nessa fase da WG. Nela, os alunos é que organizam e realizam o trabalho. Em WGs presenciais é muito legal percorrer o espaço e ver o que está acontecendo. Isso nos dá ideias para como melhorar a WG, o modelo e o que propor numa nova WG. Em outras palavras, nessa fase o professor colhe informações interessantes sobre como seus alunos estudam (ou têm dificuldades para estudar)

SESSÃO DE ENCERRAMENTO

Costumo chamar essa parte da WG de show. Nela são apresentadas as atividades das equipes (canções, jograis, performances teatrais, mostra de desenhos, textos curtos – exemplos: microcontos, textos de para-choques de caminhões, novos provérbios, moral da história), powerpoints, fotografias etc. e tudo o mais que autores de WG puderem inventar. Também serão finalizadas as missões com mostra de objetos, gravações de informação de especialistas ou de quem conhece o tema, ou de quem vivenciou da situação, ou presença de algum personagem que pode chegar até o show por meio da internet, vídeos, fotos raras, originais de uma obra literária, etc. [não consegui ainda chegar a uma boa descrição desta parte da WG no ensino remoto, mas tenho certeza que é preciso encontrar formas de compartilhamento das produções num ato público, com todos os particiapantes].

ASSUNTOS PARA SEREM AINDA CONSIDERADOS

Avalição: do professor, dos alunos, de terceiros.

Pontuação: normal e de prêmio

Formas de registro de resultados pelo professor

 


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