Archive for janeiro \31\UTC 2009

Objetos de aprendizagem?

janeiro 31, 2009

birmingham-museumHá material para crianças no portal do museu de Birmingham, premiado, se não me engano num concurso de bons sites por volta de 2005.  Será que alguém os classificaria como objetos de aprendizagem?

Acho que não é preciso dominar o idioma inglês para brincar com as criações do museu britânico. Experimente, por exemplo, vestir um soldado romano, com toda a roupa e equipamento típicos dos homens da infantaria do exército imperial. Para apreciar isso clique aqui, escolha Roman Empire e, na página seguinte, escolha Dress the Roman Soldier. A partir daí, vista na ordem correta o rapaz das forças armadas da velha Roma.

Definição de objetos de aprendizagem

janeiro 31, 2009

Dias atrás escrevi um post sobre recursos web para educação. No texto, levantei a questão da ausência de projetos que selecionam, classificam e indicam recursos em ambientes que possam facilitar a vida dos professores. O Kuller me informou que há, na rede,  projetos como os que eu sugeria inexistirem. Indicou o portal sobre objetos educacionais do MEC. A partir dessa informação, comecei uma navegação para conhecer sites e materiais sobre o assunto. E no caminho levantei a lebre de uma certa confusão entre objetos educacionais e objetos de aprendizagem.

Até a situação lembrada no parágrafo anterior, eu tinha uma noção de objetos de aprendizagem diferente das definições que podem ser encontradas na literatura pertinente. Pensava que objetos de aprendizagem eram apenas pequenos módulos de simulação para apoiar o estudo de determinados conteúdos. Duas coisas explicam minha ignorância: 1. informação insuficiente sobre a matéria, 2. contato inicial com o assunto no campo da física e da química. No primeiro caso, o que eu sabia estava baseado num “ouvi dizer” meio preguiçoso. No segundo caso, minha concepção acabou sendo moldada por um contato com o Cesar Nunes no tempo em que o Lab Virt ainda estava no Instituto de Física da USP.

Aprendi recentemente que objeto digital é

  • Qualquer recurso digital que possa ser reutilizado e ajude na aprendizagem.

Conforme definição qye pode ser encontrada Objetos de Aprendizagem em Ação, artigo de Cesar Nunes.

É uma definição muito ampla. Num artigo sobre a questão, Norm Friesen comenta:

Such a definition–as the IEEE itself says–implies that learning objects can include “multimedia content, instructional content, instructional software and software tools [and] in a wider sense…learning objectives, persons, organizations, or events” (IEEE, 2001). There are few things, in other words, that can not be learning objects. As David Merrill puts it, “No one seems to know what a learning object is in the first place. One of the absurd definitions I heard was, ‘as small as a drop, as wide as the ocean.’ In other words, if everything is a learning object, then nothing is a learning object” (Merrill, as cited in Welsch, 2002).

A citação acima faz parte de uma das referências indicadas por Allyson Bruno cujo comentário esclareceu que objetos educacionais e objetos de aprendizagem são traduções alternativas de uma mesma expressão: learning objects.

Apesar da definição excessivamente inclusiva de objetos de aprendizagem, creio que minha proposta preliminar de levantamento e classificação de recursos web para educação ainda fica de pé. Alguns dos materiais selecionados pelo BLUE WEB’N, por exemplo, não são objetos de aprendizagem. Quase certamente, nenhum membro da comunidade de objetos de aprendizagem catalogaria entre recursos que seleciona ferramenta para preparar cartelas de bingo para serem usadas em sala de aula. Acho, aliás, que nenhum dos recursos oferecidos pelo portal Teachnology seria incluido em listas de objetos de aprendizagem. Fica-me uma dúvida, será que materiais como os produzidos por um projeto científico com Çatalhoyuk são objetos de aprendizagem?catalhoyuk2

Eu não tinha intenção de estudar objetos de aprendizagem. Acabei entrando na dança por causa de um post que pretendia divulgar uma velha proposta desenvolvida na San Diego State University [instituição onde fiz o mestrado em tecnologia educacional décadas atrás…]. A dinâmica toda, constituída por navegações pela web, informação de educadores via comentários, redação de mais posts, ilustra um modo de aprender que rola a partir do blogar e ao qual, nos primeiros tempos deste Boteco, dei o nome de aprendizagem não regulada.

Boteco Escola no optometrista

janeiro 30, 2009

eye-chart

Objetos de aprendizagem: limites na produção

janeiro 30, 2009

Comecei há uns quatro dias a considerar a riqueza de recursos web para educação. Sugeri que são necessários esforços para buscar, classificar e oferecer indicações de uso para que os professores possam fazer boas escolhas sem perder muito tempo em longas navegações. Apontei como exemplo de encaminhamanto de uma solução o projeto BLUE WEB’N. Recebi informações sobre outros projetos com os mesmos fins. Lembrei-me do RIVED- Rede interativa virtual de educação. Examinei algumas indicações feitas por este último e pelo Banco Internacional de Objetos Educacionais . Finalmente, fiz um comentário sobre os limites teóricos que assombram produções de materiais educacionais no formato de programas de computador. Faltou mostrar um caso concreto para ilustrar alguns de meus argumentos e acrescentar mais observações sobre a matéria.

Entrei no RIVED e escolhi ao acaso um dos programas lá disponibilizados. Se você pretende continuar a leitura deste post, é bom dar uma olhada no material. Aponto para o link do mesmo na imagem que segue

capitao-tormenta

Capitão Tormenta é uma série de recursos no campo da geografia física (a bênçao, Aroldo de Azevedo!). O segmento aqui apontado é bem feito, com imagens, cenários e argumentos agradáveis. Seu foco são os movimento de rotação e translação de nosso planeta. O material tem imagem, som, movimento e texto. Muita gente acha que um produto com tais recursos é multimídia. Do ponto de vista de produção Capitão  Tormenta é bem realizado. É possível que professores e alunos gostem dele.

Após andar umas quatro vezes pelo material, fiz as seguintes observações:

  1. Há um grande investimento nos aspectos ilustrativos (movimento, som, acabamento); há pouco investimento em scripts que poderiam resultar em possibilidades  interativas entre os agentes (aluno e programa).
  2. Os textos dos conteúdos tem um layout bastante tradicional, revelando pouco planejamento em termos de tratamento comunicativo das formas de apresentação.
  3. Imagens em movimento  tem apenas função decorativa ou ilustrativa; não há nenhuma possibilidade do aluno manipular figuras para verificar possíveis decorrências em termos de movimento.
  4. Apesar do uso de termos mais populares (charada, por exemplo), a interação do aluno com o conteúdo resume-se a respostas a um teste de múltipla escolha com apenas duas questões.
  5. Na avaliação, as respostas incorretas não recebem qualquer tratamento em termos de feedbacks para o aluno.

No final de minha análise, conclui que esse segmento de Capitão Tormenta é um drill & practice com roupagem elegante de história em quadrinhos. O potencial de uso do computador no caso foi utilizado muito mais para apresentar um  material tecnicamente bem acabado que para apresentar o conteúdo de modo mais desafiador que o usual. Não há nesta análise qualquer intenção de criticar o material. Minha intenção é muito mais a de mostrar dificuldades que os educadores enfrentam para mudar radicalmente modos de fazer educação com utilização de computadores. Procuro, a seguir, falar um pouco mais de tais dificuldades considerando cada um dos pontos que enumerei atrás.

1. Pouco investimento em interatividade. Interatividade em materiais educacionais pode ser definida como oportunidade de manipular conteúdos para ver o que acontece. Os conteúdos sobre os dois movimento do planeta são apresentados de modo tradicional. Os textos migram do papel para a tela sem grande transformação. Não há qualquer possibilidade de intervenção do aluno/leitor.

2. Pobreza no layout dos textos. Nos computadores, o tratamento de textos pode ser bastante rico sem qualquer custo adicional (situação bem diferente daquela que encontrávamos em gravações em papel). No caso, porém, parece que não houve qualquer estudo para aproveitar a flexibilidade “tipográfica” de textos gerados digitalmente. Parece-me que os educadores tem muito que aprender aqui com artistas gráficos (a bênçao, Tide Hellmeister!).

3. Manipulação do movimento. O material tem ilustrações dos movimentos planetários. Mas não dá ao aluno qualquer chance de interferir, levantar hipóteses, fazer testes. Sei que o desafio para planejar e realizar isso não é banal. Mas sei também que uma vez escolhido um bom modelo de simulação, programar alternativas de movimento é relativamente simples. E mais: os computadores são ferramentas que permitem experimentos na direção que estou indicando.

4. Teste de múltipla escolha. No frigir dos ovos, esse segmento de Capitão Tormenta é constituído por uma página e meia de texto, com um exercício de apenas duas questões. O exercício está estruturado como um teste de múltipla escolha. Nada tenho contra este formato de avaliação. Mas a boa técnica sugere que não se pode fazer teste tão reduzido. O que me parece merecer maiores considerações no caso é que as virtudes imitativas do computador permitiriam apresentar questões cujas respostas exigiram manipulação de variáveis, por exemplo. Reduzir tudo a duas questões de múltipla escolha é muito pouco considerado o potencial de representação do computador.

5. Tratamento das respostas incorretas. Nos tradicionais programas de drill & practice, as respostas equivocadas vinham acompanhadas invariavelmente pelo comentário “você errou, tente outra vez”. E é isso que acontece no programa analisado. Em comentários sobre resultados em testes de múltipla escolha, feitos por bons professores, sempre há explicação sobre a razão ou razões que tornam inaceitáveis as respostas consideradas incorretas. Experiência docente e boas teorias sobre cognição humana podem ser utilizadas para prever possíveis comentários para respostas incorretas. Basta efetuar análise e escolher uma ou mais comentários para cada incorreção. Em outras palavras, se conservada a decisão de utilizar testes de múltipla escolha em CapitãoTormenta, seria relativamente fácil fornecer feedbacks adequados para todas as alternativas incorretas.

Já gastei espaço em demasia para divulgar minha análise.Mas ainda preciso oferecer aqui uma conclusão. O que observo é que as produções de “objetos de aprendizagem” ou “objetos educacionais” encontráveis na web carecem, quase sempre, de análise de conteúdo com sólidos fundamentos de design instrucional. Quando aprofundamos a análise, verificamos que há na maior parte dos casos transferências de velhas fórmulas para a tela. Verificamos ainda que o aproveitamento do potencial representativo do computador é pouco explorado. Muitos programas são tecnicamente bem feitos, mas pobres em termos de transformações que seriam possíveis no tratamento das informações.

Alguém pode estar perguntando (minha homenagem às meninas e meninos dos call centers!) o que proponho a partir de minha análise. Não dá para escrever aqui tudo que penso, mas acho que preciso destacar os seguintes pontos:

  • Uma visão crítica e analítica dos recursos disponíveis na web não significa qualquer interdição de uso, mesmo de materiais muito limitados. A regra é: se há material disponível, vamos utilizá-lo; com critério, bom senso, e consciência de suas limitações.
  • Vale aqui a definição do educador como um “descontente criativo” (cf. Bernie Dodge). A maior parte do material não é lá grande coisa, precisamos, por isso, fazer novas propostas, criticar o que está aí, e construir alternativas mais ricas.
  • Parte da pobreza conceitual dos materiais disponíveis deve-se à falta de investimento –  em grana e gente  – no campo de informática e educação. Caminho: cobrar de quem decide mais investimento.

Computadores e educação:limites teóricos

janeiro 29, 2009

Minhas conversas recentes sobre recursos web para a educação me levaram a examinar alguns dos materiais indicados por sites tais como:

Os recursos, no geral, são bem feitos. Mas quanto mais avancei na navegação tanto mais cresceu minha decepção.  Quem chegou até aqui deve estar pensando que estou em estado avançado de contradição. Acho que não estou, todavia preciso me explicar.

Os recursos disponíveis na rede são “legais”. Porém, falta-lhes algo. Feitos em Java ou outra ferramenta própria para a web, eles tem imagem, movimento, som, certo nível de interação, até alguma beleza. São, como se diz, multimídia. Mas… Um adjetivo que me vem à cabeça para caracterizá-los é superficial. Os conteúdos são apresentados de uma forma muito simplista e numa linguagem que parece ter como pressuposto probreza vocabular dos leitores. Essa tendência é  influenciada por um entendimento estreito de didática. Leitores de material assim concebido ou são infantilizados ou se sentem tratados como crianças [BTW, meu filho no tempo de criança odiava professores que utilizavam formas de comunicação demasiadamente infantis].

A linguagem, porém, não é o  X da questão. O problema maior é o aproveitamento quase que nulo do potencial do computador.  A máquina que tudo pode imitar é uma ferramenta capaz de trabalhar o conteúdo de formas que provocam encantamento, ofereçam desafios intelectuais envolventes, ajudem o aprendiz a elaborar novos saberes. Mas essas possibilidades não ocorrem na maioria das vezes. Apesar de suas vestes multimídia, os materiais indicados são exercícios tradicionais, os famosos drill & practice da velha taxonomia de softwares educacionais.

Para chegar a produtos que aproveitem de modo efetivo a riqueza dos ambientes computacionais são necessárias duas condições: 1. modelagens que levem em conta estruturas de saber e cognição humana, 2. programação capaz de converter modelos em ambientes desafiadores que desencadeiem as mais ricas possibilidades de elaboração do saber. Nenhuma dessas condições é banal. Nenhuma delas pode ser atendida por “ferramentas” pré-fabricadas. Ambas exigem invenção, imaginação e solidez teórica. Do ponto de vista programático, o bom aproveitamento do computador em educação resulta na criação de micromundos que podem ser manipulados pelos aprendentes em experimentos para testar hipóteses, verificar resultados, testar previsões, verificar ocorrências que fogem das regras. Quase sempre tais micromundos simulam de modo bastante apropriado os construtos teóricos as quais se referem.

Bons games são micromundos com as características que esbocei no parágrafo anterior. São micromundos baseados em modelos que garantem resultados coerentes no curso das ações próprias do jogo. O grande desafio no caso é a construção de modelos. Isso requer uma elaboração de construtos sofisticados para representar o mundo onde o jogo vai rolar. Simulações bem feitas na área de educação tem as mesmas características. Entre os livros que abordam essa perspectiva de elaboração de programas de computador para educação, recomendo Computer as Cognitive Tools, obra coletiva editada por Susanne P.Lajoie e Sharon J. Derry.

Produtos elaborados com base em modelos nos termos aqui delineados exigem bons investimentos em pesquisa e recursos financeiros. Numa palavra, custam caro. E por isso são cada vez mais raros em planos de usos de computadores em educação. Os produtos que encontramos com mais frequência são obras com certa validade aparente (bem acabados do ponto de vista de layout), mas mutito pobres se considerarmos as possibilidades representacionais dos computadores.

O que me leva a reapresentar o problema aqui é a ausência de debate sobre a matéria nos meios educacionais. Já que restrições teóricas e financeiras criam barreiras para a produção de softwares que incorporem representações teóricas mais robustas, nos contentamos com programas “de boa aparência”, mas limitados em termos de riqueza cognitiva.

Acho que há um caminho para colocar a questão que levanto na ordem do dia. Esse caminho poderia ter seu início em tentativas de elaborar uma nova taxonomia de recursos computacionais para fins educactivos. Talvez um dia eu proponha um primeiro ensaio sobre tal taxonomia. Mas se alguémjpá tiver algo elaborado ou conhecer algum trabalho nesse campo, agradeço desde já a informação.

Cervejas da casa

janeiro 29, 2009

Talvez você seja freguês aqui do estabelecimento. Talvez seja um curioso que está entrando neste Boteco pela primeira vez. Não importa. Em espaços públicos com este, onde a conversa deve correr solta, não pode faltar um cervejinha. Mas há limitações próprias do mundo virtual. Um dia a gente as supera. Enquanto isso, fregueses e amigos podem deliciar-se – virtualmente – com algumas cervejas da casa. No momento, o menu ainda é pequeno. Há três possibilidades de escolha. Veja a que mais lhe apetece.

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No espaço virtual, moderação ainda não é conselho do Ministério da Saúde. Deguste á vontade.

Elaborar os rótulos da necessária cervejinha é muito fácil. Recurso para tanto pode ser encontrado nesta seção do Festisite.

Aprendizagem é paixão

janeiro 28, 2009

Estou estudando um artigo recomendado por meu amigo Bernie Dodge,  Beyond Control and Racionality:  Dewey, Aesthetics, Motivation, and Educative Experience. O texto é um ensaio que busca situar a questão da motivação interna para além da tradição racionalista da filosofia e psicologia que dominam o pensamento ocidental desde Sócrates. Oportunamente pretendo escrever um post apresentando as principais idéias do artigo.

Mas, antes de elaborar minha apreciação do texto, a idéia da necessidade da paixão como condição para a aprendizagem me levou a escrever este post.  David Wong, autor do texto, insiste na idéia de que o aprender tem uma face de sofrimento, de paixão. Não entendamos sofrimento aqui como algo negativo. Entendamo-lo na linha da história das idéias. Exemplo: “Platão sofreu grande influência de Sócrates”. O sofrer no caso denota a influência de elementos externos no processo do aprender. Esses elementos podem ser história, biografia, mestres, sociedade etc. Sofremos influência de tudo isso. Em outras palavras, o aprender se molda também a partir de influências que independem de decisões do aprendiz.

No nível individual, a paixão acaba sendo algo irracional que leva as pessoas mergulharem de corpo e alma em certas experiências. Tal mergulho é um ato de paixão. Não vou elaborar muito as  idéias aqui. Para  quem quiser ver um caso de paixão conduzindo aprendizagem significativa, recomendo  post de uma ex-aluna minha. Leia, no blog da Lélia,  É amor?.

Conclusão provisória: aprendemos verdadeiramente quando o objeto de saber vira caso de paixão. Algumas coisas que chamamos de aprendizagem são na verdade um armazenamento de informação por razões de conveniência.

Objetos de aprendizagem ou educacionais?

janeiro 28, 2009

Em comentário ao post anterior – Recursos web para educação – meu amigo José Antônio Kuller me informa que já há um projeto do MEC que apresenta uma lista de sites selecionados e classificados que podem ser utilizados pelos educadores. Trata-se do

Naveguei um pouco pelo pedaço. Tem bastante coisa interessante e critérios classificatórios que podem ajudar os professores em suas buscas. Mas na minha resposta ao Kuller fiz certa confusão. Achei que o site fosse a face internacional de um outro projeto do MEC voltado para objetos de aprendizagem cujo link indico abaixo.

O RIVED é um projeto voltado para a produção. O Banco Internacional de Objetos Educacionais é um projeto voltado para a seleção de recursos existentes. Entendi. Mas fiquei sem saber se os dois estão articulados internamente no MEC. Além disso fiquei sem saber se o termo objetos educacionais tem algo a ver com objetos de aprendizagem.  Se alguém puder me esclarecer, agradeço.

Independentemente de minhas dúvidas, ambos os portais são fontes de recursos que prestam bons serviços para os educadores.

Recursos web para educação

janeiro 27, 2009

Há uma enormidade de recursos educacionais na web. Mas, como encontrá-los? É quase certo que você poderá encontrar coisas interessantes nos setores educacionais dos grandes museus do mundo; ou então em programas educacionais de serviços de produção audiovisual como:

Porém, mesmo nos portais de organizações como as indicadas, não é fácil para o professor achar material adequado ao seu trabalho. Por isso seria muito bom se a gente pudesse contar com um serviço que selecionasse e classificasse materiais que valem a pena. Essa idéia deu origem a um projeto criado para aplicar grana que uma empresa de comunicações  havia cobrado a mais no Sul da Califórnia no final dos anos de 1980.

O que rolou foi o seguinte. Por causa de um pequeno defeito no sistema de cobrança, a companhia recebeu mensalmente, de cada consumidor, alguns centavos a mais. Quando o erro contábil foi descoberto, a empresa já havia embolsado alguns milhares de dólares extras. O caso foi para a justiça. O juiz avaliou que a aferição e pagamento do dinheiro devido a cada cidadão seriam complicados e custosos. Mas a companhia não podia ficar com a grana. Solução: utilizar os dólares indevidamente cobrados em algum serviço de utilidade pública. Surgiu assim um projeto de apoio à educação no campo das novas tecnologias, bancado com dinheiro cobrado a mais e apoiado do ponto de vista acadêmico pela San Diego State University. Um dos produtos do projeto é uma lista de recursos web, selecionados e classificados por uma equipe de pesquisadores. O resultado desse trabalho pode ser encontrado em

bluewebn_hdrNo começo, o serviço funcionava sobretudo por meio de e-mails. Semanalmente, os educadores interessados recebiam a lista do material pesquisado no período. Acompanhei tal trabalho por um bom tempo. Depois quase que me esqueci dele. Agora vi que o mesmo continua ativo no  site BLUE WEB’N que indiquei acima. São mais de 2000 recursos web classificados por nível de ensino, áreas e formatos. Fiz uma pequena viagem pelo local e examinei os seguintes sites:

  • FunBrain. Um sítio que tem muitos jogos aplicados á educação. Um deles é uma versão do jogo da velha cujas casas devem ser preenchidas com os resultados de operações matemáticas.
  • Between the Lions. Material do PBS, com jogos interessantes no campo da linguagem (inglês), vídeos para crianças, estórias etc.
  • Bright ideas for education.  Site do educador Tom March com textos e dicas sobre tecnologia educacional.

Apesar de tudo estar em inglês, há muitos materiais selecionados pelo BLUE WEB’N, sobretudo recursos de educação infantil, que podem ser utilizados sem grande dificuldade. Sinto falta de empreendimento similar para recursos em português. Elaborar uma seleção como a feita com o apoio da San Diego State University é um desafio que deveria ser assumido por alguma de nossas faculdades de educação.  Será que a Unicamp topa?

Sem palavras

janeiro 27, 2009

É comum a expressão “faltam-me palavras”. Às vezes isso é dito para efeitos de oratória. Outras vezes, porém, a expressão é a mais pura verdade. Estudos sobre ensino e a aprendizagem de  habilidades mostram que é muito difícil colocar processos de execução em palavras (conf. Sennett, The Craftsman) . No caso, é melhor observar quem sabe fazer.

Chovo no molhado. A dificuldade para transferir conhecimento para discurso, sobretudo por quem domina com perícia o assunto, é um dado de senso comum. Mas, com muita frequencia, nos esquecemos de tal circunstância. Além disso, a dificuldade com as palavras pode ser um problema sério no ofício de professor. Toda essa conversa me veio à cabeça quando li observação de uma personagem de Kalki, romance de Gore Vidal. Reproduzo aqui o trecho do citado romance que me levou a este post.

Poucos teóricos do campo da linguística  sentem-se à vontade com a linguagem. Eu observei este fenômeno quando estive numa palestra de Noam Chomsky. Ele encontrava dificuldades para se expressar por meio de palavras. Talvez porque muito soubesse sobre elas para poder colocá-las a seu serviço.