Archive for janeiro \31\UTC 2013

Deixe tecnologia de lado para aprender em profundidade

janeiro 31, 2013

Uso contínuo de meios de informação digitais pode provocar um afastamento do mundo que poderia enriquecer a aprendizagem. Há muita gente que viaja, mas continua presa a sua casa pelos cordões umbilicais dos celulares e outros gadgets eletrônicos. Esses e outros assuntos são objeto de um ótimo artigo cujo link indico a seguir.

Etienne Wenger e Novas Tecnologias

janeiro 31, 2013

Ano passado, Etienne Wenger que, em parceria com Jean Lave, realizou pesquisas importantes e originais sobre comunidades de prática, concedeu entrevista em Portugal. O vídeo tem legendas em português de Portugal. A fala de Wenger pode ser referência interessante para conversas sobre mudanças na aprendizagem em ambientes cada vez mais digitalizados.

Microconto ilustrado

janeiro 30, 2013

Microconto Medo Rodrigo

Escola pública de qualidade

janeiro 25, 2013

Acabo de ler excelente reportagem sobre escolas públicas de qualidade em Portugal. Na matéria, há registros de que o FMI quer acabar com a festa democrática de uma escola que melhora cada vez mais. Os privatistas do Fundo querem convencer o povo de que uma escola privada, financiada pelo Estado, é mais barata e adequada. Este é, aliás, o modelo que o organismo internacional quer empurrar guela abaixo para os países periféricos. O FMI apoiou a medida no Chile. Não consta que o país da América do Sul teve avanços na educação por causa disso.

Soube da reportagem aqui citada por meio de post do meu amigo Vitor Teodoro no Face. Segue link para a matéria:

Exemplos de espaços de aprendizagem

janeiro 23, 2013

Acabo de ver vídeo com informações sobre escolas da Europa e África, desenhadas para criar espaços favoráveis de aprendizagem. São exemplos que vale a pena considerar. O tema arquitetura & educação é muito pouco discutido em faculdades de educação e nas burocracias que coordenam atividades de ensino.

Neste Boteco Escola já abordei o tema muitas vezes. Interessados podem acessar meus posts sobre o assunto a partir da lista cujo link forneço a seguir:

O vídeo ao qual me refiro está no seguinte endereço:

Inteligência das mãos

janeiro 21, 2013

SONY DSC

 Foto de AntonioTedim

O entendimento comum costuma reservar para as atividades manuais um lugar secundário no campo da inteligência. O fazer das mãos é visto como “mera habilidade”. Ou seja, é visto como atividade que não exige muito conhecimento ou até mesmo nenhum conhecimento. Chegamos a isso depois de alguns milênios de elaboração de saberes que privilegia abstrações intelectuais cuja manifestação se reduz a proposições, a discurso.

A desvalorização do trabalho manual é estranha. Em primeiro lugar porque a manifestação mais evidente de inteligência humana é o trabalho. É pelo trabalho que mudamos o mundo. É pelo trabalho que construímos novos mundos que nos transformam. Em segundo lugar porque nossa atuação no mundo é corporal. O mundo ignora o discurso, mas pode mudar em função de movimentos. Os movimentos mais expressivos são os das mãos.

Deixamos de olhar para as mãos. Há quase que uma cegueira social nesse sentido. E isso é engraçado. De vez em quando, nos cafés que frequento, passo longo tempo observando pessoas conversando. Não as ouço, nem quero saber o que falam. Presto atenção no balé das mãos. Essas não param. Enfatizam o discurso. Reforçam explicações. Comunicam os sentidos que a palavra não consegue expressar. Mas, quem fala e quem escuta não percebe toda a expressividade das mãos em diálogos comuns, em conversas do cotidiano.

Ao ver o balé das mãos dos conversadores, confirmo minhas convicções de que na história da nossa espécie os gestos antecederam as palavras. Hoje sobram resquícios da riqueza gestual em movimentos dos quais não tomamos consciência.

Não quero estender em  demasia este post. Quero apenas provocar e propor. A provocação aparece nos parágrafos anteriores. A proposição vem a seguir.

Convido os educadores a olharem para mãos no trabalho. Como isso pode ser demorado, caso procuremos ver trabalhadores em seus locais de trabalho, acho que a solução pode ser um filme. E temos filmes assim. Acabo de ver um deles, In Praise of Hands.

O filme é uma produção de 1974 e mostra gente produzindo em várias partes do mundo: Japão, México, Canadá, Polônia etc. As cenas concentram-se nas mãos, na sua articulação, no seu movimento fluente, na sua influência para que a obra vá ganhando forma. As mãos se movimentam a partir de avaliações constantes das mudanças que vão acontecendo com a matéria prima. Trabalhador, ferramentas e materiais articulam-se com fluência, com aparente naturalidade. Todas as produções são exemplos primorosos de inteligência, de inteligência das mãos.

Paro por aqui, sugerindo aos interessados que vejam o filme com muito carinho e reparando como as mãos expressam um saber que não cabe nos limitados limites do discurso.

Segue link para o filme.

Uma Escola de Meninas

janeiro 18, 2013

Uma escola para meninas. Parece coisa de um passado remoto. Mas, não. Essa história é uma história de agora. Uma história de libertação das mulheres.

Do que falo na abertura deste post? Falo de um vídeo que vi várias vezes: My Journey to Start a School for Girls in Kenya, uma história de coragem contada pela protagonista, Kakenya Ntaya.

Kakenya sonhou um sonho de libertação. Quis estudar, numa situação em que a sociedade não projeta educação escolar para as mulheres. Ela é uma massai, povo alegre, alto e bonito do Kenya. Sofreu mutilação do clítoris em sua inciação como mulher. Negociou com o pai tal iniciação, obtendo como troca a promessa de que poderia prosseguir estudos no nível de segundo grau. Quis mais e obteve bolsa para cursar universidade nos EUA.

Prometeu voltar para seu povo. Cumpriu a promessa. E depois de voltar, abriu uma escola para meninas, já que em sua aldeia achavam que escola era privilégio de meninos. As meninas da escola de Kakenya não sofrem mutilação. Não são obrigadas a se casar precocemente. Vivem um sonho de liberdade.

O depoimento de Kakenya é emocionante e aconteceu num dos eventos do TED. No vídeo é possível acionar legendas em inglês. Isso ajuda a acompanhar a fala da moça africana, embora a transcrição de sua fala tenha diversos problemas.

Ver e ouvir Kakenya é inspirador e emocionate. Belíssima oportunidade de aprendizagem.

Comunicações interessantes

janeiro 16, 2013

Hoje naveguei por um conjunto de vídeos com conferências TED. Interessados poderão ver o material que acabo de examinar clicando lo link que segue:

O material é muito bom para expandir horizontes e, talvez, para atividades de listening and comprehension no estudo de inglês. BTW, é bom ativar legendas para melhor acompanhar as falas.

Recomendo as seguintes comunicações:

>> Nº 2. Uma história interessante sobre liberação das mulheres na África. Um exemplo de vida na área de educação.

>> Nº 3. Comunicação sobre a aterrissagem de um jipe em Marte. O comunicador é um ex-aluno da SDSU, universidade em que fiz o mestrado.

>> Nº 4. Apresentação de uma modelo sobre a importância da imagem no mundo de hoje. Ela critica tal tendência e observa que no mundo da moda a presença de modelos não brancas é ridícula. Bom material para refletir sobre preconceitos sutis.

>> Nº 17. Apresentação do surpreendente modelo de mudança no projeto online da PBS (TV pública americana). Gosto muito da PBS, um projeto de TV que privilegia o público e não didatiza a comunicação com a desculpa de educar.

>> Nº 24. Comunicação sobre projeto voltado para o desenvolvimento de parques onde crianças, jovens e adultos possam brincar e jogar. Ótimas observações sobre a importância do jogo em nossas vidas.

>> Nº 40. Comunicação sobre privacidade num mundo cada vez mais digitalizado, onde informações correm soltas. O conferencista faz observações muito pertinentes sobre o Facebook.

Educação, felicidade, prazer e diversão

janeiro 15, 2013

Acabo de enviar comentário no Face Book, numa conversa com ex-alunas sobre educação, felicidade e diversão. Meu comentário faz referência a artigo da Professora Ariana Cosme. Indico link do referido artigo, publicado pela Folha de São Paulo:

A partir do artigo, escrevi as seguintes considerações:

Li o artigo. Sensato. Mas, para continuar a conversa é preciso estabelecer algumas distinções. A primeira delas é a de que felicidade não é sinônimo de diversão. Há muitos palhaços infelizes. Tédio é um vizinho da infelicidade. Gente entediada não é necessariamente infeliz, mas está no caminho… Excitação produzida por espetáculos não é sinal de felicidade. O espetáculo pode envolver completamente o indivíduo, mas não lhe dá a paz de consciência necessária para ser feliz.

 

A escola pode ser um espaço de infelicidade. Há uma história exemplar sobre isso. Santo Agostinho (o grande africano nascido na Numídia em 354 DC) narra seus dissabores na época em que foi obrigado a aprender as primeiras letras. Em suas Confissões, ele lembra o pavor que sentia diante do mestre escola, um personagem que usava meios violentos para que as crianças “entrassem na linha” (cumpre observar que observação semelhante é feita por Henri Marrou no clássico “História da Educação na Antiguidade”). Para Agostinho, a escola primária foi uma época de pavor. Nela, os alunos eram certamente infelizes.

Há um contraste interessante na vida de Agostinho. Nas mesmas Confissões ele narra o prazer que lhe deu aprender as categorias de Aristóteles, um conteúdo de filosofia que era um desafio quase que intransponível para seus colegas de estudos universitários em Cartago. Vencer o desafio das categorias deu ao rapaz africano grande prazer, embora o estudo do conteúdo fosse exigente, sem qualquer traço de diversão.

 

Na escola, prazer em aprender é motivo para felicidade. A grande questão no caso é como trabalhar para que a aprendizagem seja prazerosa (embora, quase nunca divertida). Há outros elementos necessários no caminho da felicidade, autoestima é um deles e a autora, a meu ver ressalta este ponto ao mostrar que os alunos não são ignorantes. Não sabem tudo. Tem muito que aprender. Mas, isso acontece também com os professores. Outra coisa: qualquer emprego de violência (física ou simbólica) para colocar alunos na linha é motivo de infelicidade.  Hoje a violência física é rara. Mas, a violência simbólica está muito presente. Faz alguns anos que dediquei alguns posts do Boteco Escola a isso, mostrando que a arquitetura escolar quase sempre é manifestação de violência simbólica.

 

Felicidade não é direito apenas do aluno. Felicidade é um direito do cidadão. Há aqui, porém, um problema: o que é felicidade? A autora do artigo parece considerar que a resposta é de todos sabida. Tenho cá minhas dúvidas. E, se não temos ideias muito claras sobre o que é felicidade, podemos correr o risco de confundi-la com diversão. É o que parece estar acontecendo nas faculdades de educação. Há muito investimento em diversão com a vã esperança de que alunos envolvidos com atividades espetaculares serão necessariamente felizes.

Jarbas Novelino Barato (comentário no Face Book, dia 15/01/2013)

Palavra Imagem

janeiro 8, 2013

Uma das atividades que fazia com meus alunos na universidade era o de propor transições da palavra para imagem. Essa é uma atividade muito facilitada hoje pela internet. Basicamente, o desafio consiste em solicitar dos alunos que estes ilustrem um texto. A atividade pode também ser proposta de modo inverso. Nesse segundo caso os alunos selecionam um conjunto de imagens sobre um tema, a fome, por exemplo. Cada coleção criada será lida por um grupo que a vê pela primeira vez; ou seja, alunos são convidados a palavrar as imagens colecionadas e publicadas por colegas seus.

Não vou entrar aqui em detalhes sobre formas de proposr atividades palavra <> imagem. Cada professor pode criar seu próprio caminho nesse campo e possivelmente será surpreendido pela criatividade dos alunos.

Volto a registrar neste Boteco as possibilidades de transição palavra < > imagem, facilitada pela riqueza imagética da internet, para fazer um registro. O que fiz de modo intuitivo há uns seis ou mais anos talvez seja uma prática comum de professores em várias partes do mundo.

Hoje, durante um tempo de recreio, comecei a buscar vídeos com performances do músico León Gieco. Há muito coisa desse grande artista do país do sul na internet. E, no meio de vídeos gravados em shows e programas de TV acabei encontrando um que se diz “casero”.

O VT “casero”, com a música Solo le pido a Dios, interpretada por Gieco, é um trabalho escolar de alunos de sexta série de uma escola pública argentina. Os meninos reuniram uma coleção de imagens para ilustrar a letra da canção. Tudo muito parecido com o que chamo de transição  palavra < > imagem. Vejam o vídeo e, se ainda não experimentaram trabalhar com a transição palavra < > imagem, o trabalho dos alunos da Argentina pode ser uma interessante sugestão do que é possível fazer. Basta usar imaginação.