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Microliteratura para destravar a escrita blogueira

agosto 30, 2007

Uma das dimensões do blogar é a escrita. Não qualquer escrita. Mas uma escrita livre, leve, solta, comunicativa. Volta e meia tento mostrar, para blogueiros e candidatos ao ofício, que no espaço de um blog não cabe um texto sisudo, acadêmico, mal humorado, supostamente sério. Como o espaço é sobretudo de conversa, é preciso oferecer aos leitores textos que sugiram papos interessantes. Tudo isso é relativamente difícil, sobretudo em meios universitários onde os alunos foram orientados e treinados a escrever de modo “científico”.  O resultado é um texto travado, chato, às vezes pernóstico. Assim, uma das coisas que blogueiros e candidatos ao ofício precisam fazer é praticar atos de destravamento. Para tanto, um dos caminhos é a microliteratura.

Em meu encontro com o povo da PUC, mostrei alguns exemplos de microcontos. Na sequência, tinha intenção de pedir aos meus interlocutores que cometessem alguns microcontos. Por questão de tempo, acabei não desafiando os alunos da Católica a cometer atos de microliteratura. Mas ainda é tempo. Se eles passarem por aqui, podem registrar, na forma de comentários, alguns microcontos.

Para que se possa trabalhar com um padrão aceitável, sugiro microcontos com até cento e cinquenta caracteres (pontuação e espaços inclusos). Para ver exemplos, sugiro visitas aos seguintes espaços de microliteratura:

A casa das mil portas

Microcontos do Carlos

Primeiros mil microcontos

Ana Paul

Enquanto ninguém aparece, desafio meus alunos do 4° de pedagogia a cometer microcontos já. É claro que o mesmo vale para frequeses habituais ou eventuais deste Boteco. Praticar microconto é uma forma muito boa de dar asas à imaginação e aprender a blogar com mais leveza.

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Me ajude em conversa com o povo da PUC

agosto 21, 2007

Na próxima segunda (27/08/07), converso com um povo da Faculdade de Matemática, Física e Tecnologia da PUC-SP sobre usos de blogs em educação. O convite é de minha amiga Celina Abar, professora da casa. O grupo é constituído por docentes, alunos e ex-alunos do programa de pós em educação matemática. Entre os participantes sempre há alguém que já foi meu aluno ou aluna na Licenciatura da São Judas ou em cursos de extensão na Escola do Futuro/USP.

Pretendo explorar o conceito de blogs como conversação. Tenho cá minhas idéias do que vem a ser isso, mas leituras na blogosfera estão mostrando que o conceito não é tranquilo como pode parecer à primeira vista. Tenho cá minhas hipóteses para as divergências sobre a matéria, mas não quero adiantá-las. No momento estou interessado em reunir idéias sobre o que falar no encontro com os amigos da PUC. Por isso ando a buscar ajuda. Se você tiver sugestões, deixe-as registradas aqui na forma de comentários. Para não ficar num genérico pedido de sugestões, elenco aqui alguns começos de conversa para a sua contribuição:

  • Exemplo de blog como conversa é a história de um post que escrevi sobre…
  • Depois de publicar meu blog durante X tempo, comecei a perceber que o mesmo inaugurou uma roda de conversa a respeito de…
  • Meu blog me colocou em contato com muita gente que gosta de ……; ou seja, por meio de meu blog ingressei numa comunidade de…
  • Em meu blog tenho oportunidade de conversar de um modo diferente com meus alunos. Exemplifico isso com o seguinte caso…
  • Tentei blogar. A coisa não foi para frente. Não acho que blogs sejam conversação por que…
  • Blogo com certa frequencia, mas não percebo o blogar como conversa. Vejo-o mais como…
  • Meu blog é um texto. Tem alguns leitores, mas definitivamente não tem nada a ver com conversa. minha experiência mostra que blogs são muito mais um(a)…
  • Blogs são uma alternativa para publicações na internet, mas eles não me atraem por que…
  • Quando faço um comentário num blog, sinto que….

Esses começos são apenas sugestões. Interessa mais o que você possa dizer sobre o tema. Sua contribuição poderá me ajudar muito. Poderá também ser “food for thought” para o povo da PUC.

Blog vai. Blog vem.

agosto 20, 2007

Há muita coisa sobre blogs no ciberespaço. Há muita coisa sobre blogs em educação. Mas uma marca da fartura informacional de nosso tempo, a repetição constante de fontes e referências, acontece também no campo de estudos sobre os diários eletrônicos. Um edublogueiro de Caxias do Sul, Irmo Arnado Hubner, constata isso num artigo em um de seus blogs. Para ver a matéria, clique aqui.

Novidades maiores no texto de Irmo Arnaldo são suas reflexões pessoais. Vale a pena prestar a tenção nelas para ver como um professor da “ativa” está experimentando, produzindo e avaliando blogs com seus alunos.

Boa prosa é fundamental

agosto 13, 2007

Blog é prosa. Apesar das aparências, blog não é diário eletrônico. É lugar de conversa. Sua arquitetura, portanto, está voltada para a construção de ambientes que incentivem bons papos. Razões de ordem técnica fazem com que a conversa em blogs seja uma prosa que passa pelo texto. Este último não é fim, é meio. Assim, ao contrário do que muita gente pensa, blogs não são publicações eletrônicas, são espaços onde podemos fazer convites para um prosear sossegado, interessado, gostoso. Por isso, já reparei num outro blog que Paulo Freire seria um blogueiro de primeira, pois era um proseador sempre disposto a promover grandes papos.

Como o texto é o meio dialogal das conversas blogueiras, espera-se que os conversantes tenham uma prosa (literária) atraente. Texto sem sabor, mesmo que o assunto seja interessante, não incentiva o prosear. Escrevo tudo isso pensando no blog de meu amigo Juvenal Alvarenga. O espaço é simplizinho. Não tem qualquer tecnalidade esfuziante. É como aquelas casinhas de planta básica oferecida pela prefeitura. Mas a prosa é deslumbrante. O texto do Juca emociona e convida o leitor a entrar na conversa. Pena que o autor escreva pouco. Para bem apreciar as virtudes de tal blog, convido o leitor a ir até lá e ler um ou mais posts. Recomendo As Cinzas do Meu Irmão. Entre na conversa com o Juca em

Juvenal Alvarenga

Em As Cinzas do Meu Irmâo, meu amigo Juvenal abre-se para uma conversa sobre a solidão de um irmão que se foi, e mesmo na última viagem quer estar sozinho. O texto nos emociona por muitos motivos. O principal talvez seja a nossa descoberta de que as pessoas são mistérios. Na leitura do post percebemos que pouco conhecemos nossos irmãos, pais e filhos. Ou se deles sabemos algo muito especial, pouco entendemos os motivos, as escolhas, as cismas. E tudo isso vai desabrochando por causa da beleza da prosa do Juca.

Quer melhorar o seu blog? Quer ter mais gente na roda de conversa? Quer encantar os interlocutores? Procure produzir boa prosa. Na dúvida, leia e releia com cuidado e gosto os posts do Juvenal.

Movimento na Rede

agosto 8, 2007

Este espaço procura articular experiências de usos de blogs em educação. Converso aqui sobretudo com meus alunos do 4° ano de pedagogia. Eles estão aprendendo a blogar fazendo blogs. Além disso acompanham o que rola aqui no Boteco Escola. Comentei com meus estudantes que os blogs nos colocam numa rede de relações. E, muitas vezes, não sabemos que relações irão desabrochar. Foi o que ocorreu com uma das postagens deste Boteco.

No final do mês de junho coloquei no ar a tradução das duas páginas finais de Left Back, obra de Diane Ravitch que faz uma análise preciosa da história da Escola Nova nos EUA. O texto, 6. A importância das escolas, foi mencionado por um importante blog de ciência editado em Portugal, o De Rerum Natura. A partir de tal menção, o Boteco Escola recebeu cerca de trezentas visitas de blogoleitores de Portugal, sobretudo no final de junho e nas duas primeiras semanas de julho. Além disso, a postagem e/ou o Boteco Escola foram referenciados por blogs lusitanos. Perdi a pista de alguns deles, mas via Tecnorati, sei que o texto de Diane Ravitch e o Boteco Escola aparecem nos seguintes espaços que merecem visita:

Todo esse movimento me colocou em contato com muita gente portuguesa que frequenta a blogosfera e tem preocupações parecidas com as minhas quanto aos desvios escolanovistas que reinam soberanos nos discursos e práticas pedagógicas. Ganhei novas referências na rede. Aprendi bastante. Passei a frequentar uns espaços muito interessantes de ciência, cultura e educação. Sem qualquer previsão, minha intuição de que o texto de Diane Ravitch é de muito interesse acabou abrindo ótimas janelas de diálogo com interlocutores no velho e querido Portugal. Exemplo muito concreto de como funciona a blogosfera.