Archive for março \24\UTC 2008

Livro recomendado

março 24, 2008

Este ano, no meu contato inicial com novos alunos, sugeri leitura de Aqueles Cães Malditos de Arquelau, de Isaias Pesotti. Em meus tempos de estudante em Ribeirão Preto, encontrava sempre o Isaias nos botecos locais. Era uma beleza. Ele tinha uma imaginação incrível e criava jogos verbais que nos ocupavam noite afora. Mas esta história fica para uma outra ocasião. O que quero fazer agora é reforçar minha recomendação. E para tanto, sugiro um pulo até um ótimo blog, onde se pode encontrar bela resenha do Aqueles Cães Malditos de Arquelau.

Gente e Tecnologia

março 18, 2008

Aqui está mais uma preciosidade encontrável no Youtube. Trata-se de documentário sobre Donald Norman, cientista da área das ciências do conhecimento. Depois de uma brilhante carreira na Universidade da Califórnia em San Diego, Don resolveu escrever obras acessíveis sobre a relação das novas tecnologias com gente. O livro que o projetou como um cientista capaz de conversar com pessoas comuns sobre o que anda rolando no campo do desenvolvimento tecnológico é The Psychology of Everyday Things.

Em seu livro, Norman mostra que a falta de cuidado com gente nos desenhos de qualquer artefacto – torneira, maçaneta, geladeira ou computador – cria tremendas dificuldades de uso. Quem já viajou para outros países deve ter passado por situação como a de não saber como mudar o fluxo d água de uma torneira da banheira para o chuveiro. Todas as tentativas fracassam em tais casos. E ficamos com a sensação de que nos falta inteligência. Na verdade, o que falta em tais casos é um desenho cujo formato converse com o usuário, tornando evidente como usar o aparelho ou o objeto.

Tudo isso acontece porque os designers ao projetar uma máquina, uma ferramenta, um objeto qualquer deixam de considerar como os seres humanos funcionam. Os amantes da tecnologia acham que a lógica das coisas precisa ser aprendida. Norman argumenta que isso é bobagem. O que é preciso é planejar as coisas de acordo com a lógica das pessoas, com os modos pelos quais gente vê o mundo.

As implicações das idéias de Norman para o planejamento de produção, incluindo o da produção de materiais para educação, são muitas. Elas mudam completamente modos de ver produtos de tecnologia. Infelizmente ainda não chegamos lá. Continuamos a pensar que a lógica das coisas deve dominar o desenho de tudo o que produzimos. E com isso perdemos a oportunidade de humanizar o uso de toda e qualquer tecnologia.

Ali em páginas coloquei a tradução de alguns trechos do livro famoso de Donald Norman. Os trechos traduzidos tinham por finalidade alimentar um papo com meus companheiros do PIE – Programa de Informática e Educação do Senac de São Paulo. Gentes interessadas em conhecer um pouco das idéias do Norman podem dar um pulo lá no número 011 de páginas .

Música faz bem

março 16, 2008

pauta-musical-2.jpg

Coincidência. Logo depois que escrevi post sobre o blog de minha ciberamiga Carmé Miró, vi uma chamada no noticiário do Yahoo que relata estudos a respeito dos benefícios de “fazer música”. Se estiverem interessados, cliquem aqui.

Blog de Música

março 16, 2008

Já fiz referência a Carmé Miró em mensagens no Aprendente. Educadora da Catalunha, ela desenvolve um trabalho de promoção da música que precisa ser conhecido. Carmé propõe educação musical, não propõe usar música para amenizar transmissão de conteúdos. Ela sabe que a justificativa para ensinar música é própria música. E é disso que precisamos. Visitem o blog da Carmé e vejam a riqueza de informações que há no espaço dessa minha ciberamiga catalã.

Mais uma jóia musical

março 16, 2008

Em minha campanha para que música volte a ser conteúdo importante em educação, ando garimpando preciosidades no Youtube. Não deixe de ver e escutar esta beleza de interpretação de Perhaps Love, de John Denver, simpatia de gente que se foi muito cedo. Você provavelmente conhece a versão desta canção na voz de Plácido Domingo – eleito esta semana o melhor cantor lírico dos últimos cem anos.

Na versão que posto aqui, simples e delicada, John é acompanhado por uma cantora que eu não conhecia: Lene Siel. Lendo comentários sobre o vt no Youtube, descobri que ela é dinamarquesa.

“O autodidata é um ignorante por conta própria”

março 13, 2008

quintana.jpgEu ia dar a este post apenas o nome do grande poeta gaúcho, Mário Quintana. Depois, por motivos que o leitor logo compreenderá, resolvi colocar um texto completo de Quintana no título.

Pensador é um site que seleciona e publica pequenas antologias de grandes escritores. Gosto muito dos textos de Mário Quintana selecionados pelo Pensador. Não apenas porque Quintana é um poeta que merece ser lido, mas também porque muitos de seus textos servem como uma luva a propósitos de exemplificar que escritos se casam bem com a Web.

É possível, tecnicamente, reproduzir qualquer texto na Web. Nela cabem enciclopédias inteiras, dicionários parrudos, calhamaços de qualquer área do saber. Mas o ambiente não é uma área de impressão. É uma tela que pode incluir, além de texto, luz, cor, movimento e ação. Por isso é bom pensar bem que textos convém colocar na Web. Nela os chatos não têm vez. Excluamos pois os textos chatos. Os longos também devem ser evitados. Fora com eles! Os sem sal, nem se diga. Livremo-nos dessas coisas sem sabor. O que sobra? Sobram textos mais curtos, bem humorados, mais imaginativos. Querem ver textos com estas características? Dêem um pulo lá na seleção de textos do Mário Quintana feita pelo Pensador.

Uma delícia, não? Precisamos ler mais coisas assim para buscar inspiração de como escrever no espaço Web. Uma excursão pelos textos de Quintana pode complementar uma outra proposta que já fiz aqui: a de ler e escrever microliteratura. Vejam o que que já escrevi sobre a matéria, clicando bem aqui.

Termino com um pedido. Escrevam em comentários para este post um ou mais microcontos que não ultrapassem os cento e cinquenta caracteres. Vai ser um bom treino em microliteratura. E talvez vocês se encantem com esse modo de escrever que pode nos ajudar muito no caminho de produzir textos mais bonitos e bem alinhados com a estética da Web.

Blogar faz bem

março 6, 2008

Acabo de ler no noticiário do Yahoo nota sobre uma pesquisa realizada na Austrália. Tal pesquisa parece indicar que blogar pode tornar as pessoas mais felizes. Taí. Blog pode ser um santo remédio para o isolamento, falta de oportunidades de encontros sociais e outras cositas mais. Se você quiser ver a notícia toda clique aqui.

The coming of the roads

março 4, 2008

Postei aí em cima um vídeo do Youtube, com Peter Yarrow cantando The Coming of the Roads. Talvez o leitor queira saber quais são minhas motivações para fazer isso. Explico-me.

Este ano, um amigo, o Zé Kuller, colocou no ar um blog destinado a registrar histórias, referências e lembranças dos anos sessenta. Para tanto criou o Arquivo68. Minhas primeiras contribuições para o Arquivo68 foram musicais. Achei que valia a pena rememorar as músicas engajadas dos anos de sonhos e lutas de minha juventude. Lembrei-me de muitas melodias. E auxiliado pela Web, esse repositário de nossa memória coletiva, descobri muita coisa preciosa que talvez eu não tenha ouvido. Mesmo antes de minhas investigações para o blog do Kuller eu já havia feito levantamentos sobre autores e cantores dos anos sessenta. Em tais levantamentos, descobri Judy Collins, cantate maravilhosa do mais puro folk americano. E a mais bela canção de seu album Judy Collins Live at Newport é The Coming of the Roads.

Desde o ano passado tenho insistido com meus alunos sobre a importância da música na educação. Nas primeiras aulas tento identificar gosto musical de meus estudantes e passo para eles algumas de minhas preferências musicais. Sei que é pouco. A educação musical anda muito marginalizada nos dias de hoje. Muito mais deveria ser feito. E ao pensar nessa minha campanha, The Coming of the Roads começou a aparecer recorrentemente na minha cabeça. Eu gostaria muito de compartilhar a interpretação de Judy Collins, imperdível. Mas não a encontrei na Web. No caminho descobri uma gravação de Peter Yarrow que precisa ser ouvida. Foi gravada ao vivo numa festa que promove a natureza. Recomendo-a a todo mundo que tem sensibilidade e acha que música é uma dimensão importante de humanidade.