031. Transformações na Educação e no Trabalho

TRANSFORMATIONS: SKILLS FOR THE TWENTY-FIRST CENTURY

RELATÓRIO DE PARTICIPAÇÃO

O Departamento Regional do SENAC  no Estado de São Paulo foi uma das entidades convidadas para participar do seminário Transformations: skills for the twenty-first century, evento promovido pelo The British Council, de 05 a 07 de julho de 2000, em Birmingham, UK. Este relato procura registrar as principais idéias e tendências discutidas no encontro em pauta.

Além de oferecer um panorama sobre a questão da transformação no Reino Unido, o seminário procurou incentivar o intercâmbio de idéias entre os participantes. Por essa razão, o evento contou com um número relativamente pequeno de convidados (vinte e dois).

O The British Council articulou o seminário com a Feira Nacional de Habilidades (National Skills Festival), criando oportunidade para que os convidados estrangeiros pudessem visitar uma exposição cuja importância cresce ano a ano.

  1. 1. CONFERÊNCIA DE ABERTURA

Transformations foi coordenado pelo Professor Bob Fryer, especialista em Educação Continuada, pesquisador, e membro do Conselho da University for Industry, um projeto nacional cujo papel é articular os cursos superiores com o ambiente de trabalho. Na abertura dos trabalhos, o Dr. Bob Fryer apresentou um conjunto de idéias que resumimos a seguir.

1.1. O elo fraco da cadeia

As transformações que estamos assistindo provocam mudanças profundas na sociedade. Empresas, governos e trabalhadores procuram novos rumos para construir um futuro melhor. Mas há perdas pelo caminho, e o trabalho é setor mais sujeito a perdas.

Para destacar esse ponto, o Professor Fryer citou uma fonte insuspeita, o Banco Mundial:

Transformações envolvem  reformas estruturais profundas. Elas criam novas oportunidades assim como novos riscos, que irão necessariamente gerar vencedores e perdedores… O trabalho tende a sofrer no período inicial de ajustamento, e possivelmente mais que o capital. Assim, quando a economia entra em crise, o trabalho quase sempre sofre o choque, enquanto o capital escapa (fugindo para lugares mais seguros)… Alguns ajustes podem amenizar as perdas do trabalho… Transformações significativas estão associadas com grandes reestruturações do emprego – muitos empregos serão destruídos, muitos serão criados.

Workers in an integrating world, 1995

Com as mudanças observadas no mundo de hoje, as noções de “Trabalho”, “Habilidade”, “Emprego”, “Ocupação” e “Aprendizagem” são re-significadas. Trabalho, por exemplo, era visto até agora como atividade produtiva situada por contrato, local e outras condições características de organização. Tal definição excluía atividades produtivas domésticas e voluntárias. Com as mudanças, porém, a velha definição de trabalho já não se sustenta. Novas formas de contratos (ou até mesmo ausência de qualquer contrato) crescem de modo assustador. Em outras palavras, a categoria trabalho está no centro de uma transformação cujos contornos definitivos ainda não estão estabelecidos.

Bob Fryer examinou outro termo que vem passando por um processo de re-significação: aprendizagem. Os sistemas formais de educação apropriaram-se do termo. De um modo geral, somos levados a pensar que aprendizagem é algo que ocorre nas escolas. Mas com as transformações em curso, fica cada vez mais evidente que aprendizagens significativas acontecem com mais freqüência fora das escolas. Isso coloca um novo desafio para os educadores: como considerar uma aprendizagem integral que abranja tanto a educação escolar como o aprender-fazendo do dia-a-dia?

Nesse campo das definições, o conferencista enfatizou a necessidade de:

. deixar claro o significado dos termos que estamos utilizando

. ser mais inclusivos

. estar atentos para mudanças e suas decorrências

1.2. Considerações sobre habilidades

Com as transformações em curso, surgem novas expectativas quanto às habilidades que os trabalhadores devem desenvolver. Fryer examinou a questão de diversas formas.

Inicialmente o conferencista procurou especificar os fatores determinantes das ocupações e das habilidades. Nesse sentido, desenhou um quadro compreensivo das variáveis relacionadas com destinos ocupacionais e construção de habilidades. Começou pela família e o lar, fator às vezes desconsiderado, embora aspectos como saúde, nutrição e educação emocional na primeira infância tenham um papel determinante no destino profissional das pessoas. Além desse fator, Bob Fryer considerou escolarização e educação fundamental, localização em divisões sociais (gênero, classe, raça, religião), relações com o mercado de trabalho, tecnologias e infra-estruturas, identidades e aspirações, mobilidade social e geográfica, oportunidades de treinamento e de desenvolvimento.

As considerações de Fryer sobre um feixe de variáveis apresentam alguma novidade. No geral os analistas das mudanças examinam apenas a organização das empresas e as instituições de educação formal. Dificilmente, por exemplo, algum analista considera dimensões como identidade e aspirações. Perda de identidade por causa de mudanças significativas na estrutura ocupacional é um problema sério. Apesar disso, faz muito pouco tempo que algumas organizações sindicais britânicas começaram a dar atenção ao problema.

Para Bob Fryer, novas demandas em termos de desenvolvimento de habilidades sugerem reconsiderar toda a organização de educação e trabalho na sociedade. Isso significa rever aspectos tais como:

  • estratégia global de educação & treinamento
  • instâncias de financiamento
  • estrutura legislativa
  • políticas
  • apoio dos empregadores

No movimento de transformação em que vivemos, os empregadores tem grande responsabilidade na definição das habilidades que se requer dos trabalhadores. Tal definição deve, obviamente, balizar mudanças em políticas de recrutamento & emprego, desenvolvimento tecnológico, relações com os sindicatos, e articulação com a comunidade. Em outras palavras, seguindo as indicações de Bob Fryer, é lícito afirmar que um tratamento claro e profissional das competências e habilidades é um papel social das empresas. Não se trata, portanto, de cobrar, de escolas e agências formadoras, determinados tipos de resultados. De acordo com o conferencista, as empresas são parte integrante das instâncias sociais que devem criar condições favoráveis ao desenvolvimento das habilidades que decorrem das transformações que estamos assistindo.

Tarefas similares às apontadas para os empregadores devem ser exercidas, de acordo com Fryer, por sindicatos e associações profissionais.

1.3. Comparações internacionais

Fryer procurou mostrar que as transformações não impactam de modo uniforme países e continentes. Perdas maiores e dificuldades para construir novas habilidades acabam penalizando as regiões mais pobres. Para ilustrar esse ponto, o conferencista utilizou mais uma vez o já citado documento do Banco Mundial. Foram esses os trechos citados por Bob Fryer:

O grupo de trabalhadores mais prósperos do mundo – os profissionais bem capacitados dos países industrializados – ganha agora em média sessenta vezes mais que o grupo mais pobre – os camponeses do Sub-Saara da África.

Nenhuma experiência de um país na administração das transformações será exatamente igual a de outro. Mas cada uma delas irá envolver alguma combinação de macro-estabilização, liberalização do comércio e mercados internos, e reformas institucionais.

1.4. Natureza das mudanças

Apontar mudanças é lugar comum. Fryer evitou um discurso nessa direção. Procurou mais ressaltar a necessidade de um repensar do que é preciso fazer para garantir desenvolvimento das habilidades marcadas pelas transformações. Ele assinalou que as mudanças atingem profundamente instituições políticas, sociais e culturais. Nesse sentido, família, trabalho, política etc. estão ganhando novos contornos. Dentro desse panorama, trabalhadores enfrentam alterações no plano profissional e pessoal. Fryer, assim como muitos especialistas britânicos, insiste na questão da mudança de identidade, pois o fenômeno tem profundas implicações sobre escolha, conversão e requalificação profissional.

Para Fryer há um grande desafio no desenvolvimento de novas habilidades porque a aprendizagem hoje está ocorrendo numa sociedade marcada pelo risco. Predominam no momento incerteza, ambigüidade e imprevisibilidade. Não há fórmulas para aprender numa sociedade em transformação. Conhecimentos são contestados. Há necessidade de cruzar fronteiras; e as novas fronteiras não são bem definidas.

1.5. Funções da aprendizagem em relação à mudança social

O conferencista apontou três importantes aspectos de aprendizagem nesse mundo em transformação. Convém citar aqui as sugestões de Fryer. A importância do aprender hoje tem três eixos principais:

. Para dar sentido à mudança – Isso exige um grande mergulho em informações, idéias, conhecimentos, conceitos e teorias com teor explicativo. E exige também uma mente crítica capaz de avaliar o que está ocorrendo e o que é possível projetar em termos de educação.

. Para adaptar-se à mudança – Maximizando benefícios & minimizando custos. Administrando a mudança. Aplicando conhecimentos.

. Para dar forma à mudança – Precisamos ser autores da mudança, não vítimas, dentro de um projeto democrático.

1.6. Questões ambientais

O conferencista apontou algumas das questões que caracterizam o ambiente de transformação em que vivemos. Tais questões são bastantes conhecidas. No que se refere a mudanças no mercado de trabalho e nos contratos trabalhistas, Fryer listou:

–       Crescimento de uma população que depende de “salário”.

–       Mudanças econômicos do formal para o informal

–       Mudanças na saliência (relativa importância de diversos setores)

–       Diferencial no papel e participação de homens e mulheres

–       Tendência a excessiva capacitação e multi-capacitação em alguns setores

–       Ênfase na “flexibilidade” do trabalho

–       Crescimento dos chamados contratos atípicos (tempo parcial, sazonal, tempo determinado, não formal etc.)

–       Crescimento do uso de Tecnologias da Informação e da Internet

–       Relativo enfraquecimento dos sindicatos

As questões listadas por Fryer, apesar de muito conhecidas, não estão bem equacionadas. O conferencista não as “naturalizou”. Reconheceu-as importantes, mas deixou uma mensagem no sentido de que é preciso conduzir, não sofrer a mudança.

No ambiente descrito por Fryer há necessidade da construção de habilidades mais sólidas para enfrentar as mudanças. Mas, em algumas situações, segundo ele, há barreiras que tornam difícil a tarefa de empresas, escolas e organizações formadoras. Tais barreiras são:

. Educação inicial pobre ou limitada

. As restrições dos papéis tradicionais, das relações inter-pessoais, das identidades e das aspirações.

. Investimentos limitados; limitadas oportunidades para o engajamento em educação de adultos.

. Ausência da criação de postos de trabalho.

. Restrições de custo, tempo, interesse e apoio para os indivíduos.

. Limitações das atuais formas de oferta de educação.

Essas barreiras não podem ser ignoradas. É preciso, obviamente, superá-las. Caso contrário, crescerão os números da contabilidade da exclusão.

1.7. Novas oportunidades para o aprender

As transformações que assistimos hoje trazem mudanças de todos tipos, positivas e negativas. Fryer terminou sua fala enfatizando as mudanças positivas no campo educacional. Essas mudanças, segundo ele são marcantes nas seguintes dimensões:

  • Há um alargamento dos níveis, padrões e propósitos da educação inicial. Ou seja, de um modo geral, as pessoas hoje são formalmente mais educadas, passam mais tempo nas escolas e têm, em tese, maiores oportunidades de aprendizagem.
  • Há maior apoio à família e à educação de adultos. O autor, obviamente, refere-se aos muitos planos de apoio e de educação de adultos que o governo britânico vem oferecendo às famílias que correm riscos de exclusão.
  • Há um avanço da educação comunitária e da capacidade de construir. No caso britânico, tal avanço é verificado tanto em projetos governamentais como em projetos de ONG’s.
  • Há investimentos em habilidades chaves tendo em vista o emprego. Mais uma vez, a referência é o que está ocorrendo na Grã-Bretanha.
  • Há acesso crescente a aprendizagem aberta, a distância e distribuída. Necessidades de pronto atendimento da clientela estão provocando um avanço significativo dessas formas de aprendizagem.
  • Há um aumento do uso de televisão aberta (broadcasting), de tecnologias da informação e da Internet

1.8. Observações finais

A conferência de Bob Fryer teve por objetivo sinalizar os caminhos pretendidos para o seminário Transformations. Tais caminhos, tendo em vista as mudanças em curso, seguem duas direções. A primeira é caracterizada por novos modos de ver a educação e por um uso intensivo de novos meios facilitadores de aprendizagem. A segunda é caracterizada por um cuidado com as populações que correm riscos de exclusão; para Fryer, sociedade e governo precisam antecipar-se com medidas capazes de evitar exclusões que decorram de carências educacionais ou falta de domínio das habilidades requeridas pelo mundo em transformação.

  1. 2. SESSÃO “THE ROLE OF THE STATE AS PROVIDER/REGULATOR – STATE INTERVENTION, PUBLIC/PRIVATE PARTNERSHIPS, MARKET FORCES

A crise do Estado do Bem Estar Social gerou, no Reino Unido, uma situação em que a discussão sobre papéis de órgãos do governo em ajustes para acompanhar as transformações era tabu. Em sua fase mais aguda, essa crise gerou discursos e atitudes contrários a qualquer intervenção do estado. A situação hoje é outra. Há um amplo debate sobre a necessidade de intervenção do estado, sobretudo como instância reguladora.

Na organização atual da estrutura de educação profissional, as representações de entidades empresariais desempenham papel importante. No sistema dos NVQ’s (National Vocational Qualifications), a atuação de entidades patronais é determinante no estabelecimento de padrões de competências e, muitas vezes, nos órgãos encarregados de exames/certificações das competências profissionais. Mas, para além desse papel na estrutura formalizada da educação profissional britânica, muitos setores empresariais investem em iniciativas destinadas a evitar situações de exclusão. Olivia Grant e Lord Haskins dirigem projetos nessa direção, procurando reintegrar trabalhadores desempregados ao mercado de trabalho.

Ambos os representantes de iniciativas empresariais no campo da capacitação profissional reconheceram que as transformações econômicas e sociais produziram desajustes tais como:

  • pressão excessiva sobre os sistemas de treinamento, responsabilizando agências formadoras por algumas dimensões do desemprego.
  • mudanças muito bruscas no movimento que eliminou certas medidas de proteção do trabalho, com a conseqüente abertura em termos de relações laborais.
  • altos índices de desemprego, considerando-se, além do desemprego stricto sensu, as situações de subemprego.
  • paradoxos em muitos setores, uma vez que os efeitos da globalização produzem, ao mesmo tempo, aberturas e faltas de oportunidades.

A questão que se coloca no momento é a da “regulação”. Muita coisa mudou. Novas necessidades surgiram. Não se quer mais uma legislação extremamente protecionista. Mas, ao mesmo tempo, não é desejável uma situação sem regras confiáveis e transparentes. Discutir um papel ativo do estado nesse campo é matéria urgente. As condições de trabalho não podem deteriorar-se por causa das transformações. Nesse sentido, a intervenção de Graham Young, empresário que lidera movimentos de ética nos negócios, foi muito  interessante. A fala de Young pode ser resumida na carta de princípios que ele apresentou sob o título de “You can lead a horse to water but you can’t make it drink”. Nas linhas que seguem, apresentamos uma tradução da referida carta de princípios:

  • Você pode levar um cavalo até a água, não pode, porém, fazê-lo beber.
  • Muitos países têm uma legislação trabalhista progressista, mas condições horrorosas de trabalho nas fábricas e fazendas.
  • É possível utilizar mecanismos de mercado para provocar mudanças (éticas).
  • A Iniciativa de Ética no Comércio (Ethical Trading Iniciative – ETI) usa, no Reino Unido, códigos de prática nas cadeias de distribuição para melhorar as condições de trabalho nos países fornecedores.
  • Uma abordagem “voluntária” de pressão dos clientes e organizações da sociedade civil sobre os distribuidores britânicos provocou, por conseqüência, uma pressão sobre fornecedores estrangeiros.
  • A ETI é uma abordagem de multiacionistas, congregando empresas e organizações não governamentais (ONG’s). A interação entre essas instâncias provoca mudanças de mentalidade e maior reconhecimento da validade dos códigos.
  • Outras empresas mudam  na medida em que seguem exemplos de melhores práticas, ou nas situações em que um caso empresarial fica evidenciado como padrão (O cavalo fica mais inclinado a beber quando vê outros cavalos bebendo).
  • Mas há casos em que medidas de mercado não funcionam; organizações que adotam padrões muito baixos de qualidade para ganhar vantagens competitivas, por exemplo.
  • Por um ou outro motivo, a legislação se faz necessária e, para jogar um jogo em que todos sejam tratados igualmente, as empresas até a solicitam.
  • Mas a legislação deve, sobretudo, encorajar o senso de responsabilidade dos acionistas e requerer transparência quanto a práticas e impactos.
  • (Com empresas responsáveis e legislação reguladora) a sociedade como um todo tem acesso e informação para interagir criativamente e realizar a transformação.

É desnecessário explicitar as idéias de Young. Por isso, talvez, soem repetitivas as seguintes observações:

  • a intervenção do estado, via legislação, não muda atitudes (a lei leva o cavalo até a fonte, mas não consegue fazê-lo beber)
  • uma “regulação ética” nos negócios, tendo como fim evitar exclusões e situações injustas de trabalho, depende de convicções e de pressão social.
  • a regulação do estado deve coibir abusos (casos extremos) e, sobretudo, incentivar iniciativas socialmente responsáveis.

Toby Liden apresentou um panorama visto a partir do Banco Mundial, organização internacional onde trabalha. Da fala de Liden, podem ser destacados os seguintes pontos:

  • Na década de 90:

–     Banco Mundial vinha preferindo investir em educação secundária, em vez de formação profissional.

–     O Banco, à semelhança de outros organismos internacionais, incentivava a participação do setor privado na capacitação profissional.

  • Preferencialmente, as ações do Banco voltavam-se para:

–     educação geral, sobretudo na questão do acesso e da qualidade .

–     verificação de políticas ambientais para aprovar investimentos

–     crescimento de emprego

  • Em estudos recentes (2000) o Banco:

–     considera que a formação profissional vai ficando cada vez mais parecida com educação geral.

–     favorece financiamento público de treinamento desde que haja avaliação de impacto.

–     incentiva competição entre fornecedores (de capacitação e treinamento).

–     verifica que esquemas de treinamentos obrigatórios por lei e taxas compulsórias não melhoram significativamente a capacitação profissional.

–     acha que os governos negligenciaram o papel de facilitar a difusão de informações.

–     verifica que vigorosas respostas do setor privado refutam a idéia de que a iniciativa particular não entraria no setor.

–     acha que vontade política, não capacidade institucional, é o principal obstáculo para a reforma.

  • Numa nota final, Linden ressalta que os principais desafios para os governos são:

–     desempenho, não organização

–     setores informais, e pequenas e médias empresas

–     valor das instituições (não governamentais)

O balanço geral das contribuições do painel mostra que Linden defende idéias mais “liberalizantes” que os três empresários britânicos. Essa conclusão, aliás, era de se esperar.

  1. 3. CASE STUDIES

A última sessão de 6/7 foi dedicada a dois Case Studies: Transformations in traditional industrial communities e Transformations of identities, roles and lives. Registramos aqui observações sobre o último tema.

A sessão foi conduzida pela pesquisadora Jo Morris, socióloga com muita experiência em assessoria sindical no Reino Unido, Europa e África. A Dra. Morris enfatizou as mudanças que vêm ocorrendo por causa de fenômenos tais como: a sociedade 24 horas (não há tempo padronizado para trabalho, lazer e outras atividades), presença maior das mulheres na força do trabalho, aumento crescente de casais trabalhadores etc. Todas mudanças acabam resultando num mundo mais incerto e onde trabalhadores (principalmente as mulheres) tem papéis e responsabilidades conflitantes.

Todo esse painel de transformações na vida, nos tempos de viver e na identidade dos trabalhadores coloca problemas novos para as negociações do trabalho. Em alguns casos, a necessidade de tempos mais flexíveis para as trabalhadoras pode se casar com a de tempos mais flexíveis demandados pelas empresas. Mas tudo isso é muito novo. No caso do Reino Unido, as centrais sindicais apenas começaram a reconhecer que as questões de identidade, tempo e estilo de vida devem integrar pautas de negociação com as empresas.

A conferencista acredita que o tema pode ser de interesse em toda parte. No final do resumo de sua comunicação, ela observa:

No nosso mercado global experimentamos a globalização e preocupações — por todas as partes do planeta a desregulamentação, o conflito de papéis e expectativas de gênero, e o crescente “gap” ricos–em–conhecimento e pobres–em–conhecimento tem profundas implicações para as famílias, as comunidades, o local de trabalho e a oferta de serviços.

Como podem trabalhadores e empregadores agir para que sejam alcançadas transformações positivas e que melhorem a vida?

  1. 4. SESSÕES TRANSFORMATIONS IN LEARNING: THE IMPLICATIONS OF TECHNOLOGICAL DEVELOPMENT ON LEARNING AND SKILLS E TRANSFORMATIONS BY E-LEARNING.

As duas sessões procuraram mostrar as novas possibilidades de aprendizagem continuada que ganham corpo com o uso da Internet. Em ambas as sessões procurou-se destacar as realizações do Reino Unido no setor. Na verdade, realizações sistemáticas de uso da Internet para educação profissional estão começando agora enquanto algo mais amplo. O projeto britânico nessa direção é o Learndirect que, já em seu lançamento, começou a oferecer 300 oportunidades de educação continuada pela Internet.

Vale aqui deixar registradas algumas particularidades de Learndirect:

O projeto possui centros espalhados por todo o país. Em tais centros, localizados em shoppings e bibliotecas públicas, os usuários poderão contar com apoio de especialistas e terão equipamentos à disposição.

Equipes de especialistas estão desenvolvendo cursos especialmente para o projeto. Mas, além disso, Learndirect, por meio de contratos de parceria, está aproveitando muitos programas e softwares já existentes.

Orientações aos usuários podem ocorrer de duas formas: a distância (via fone ou computador) e pessoalmente nos centros espalhados pelo país.

Learndirect, além de ser um projeto de educação a distância, funciona como provedor. Todos os seus alunos passam a ter, via Learndirect, acesso a Web e uma conta de e-mail.

Durante o evento não houve tempo hábil para demonstrações sobre Learndirect. Aparentemente o projeto é algo que deve ser considerado em termos de educação a distância. Apesar de estar apenas começando, Learndirect tem uma oferta significativa. Além disso, os centros de atendimento do projeto são uma solução interessante em termos de acesso. Mesmo no Reino Unido, há muita gente que não tem computadores em casa. Centros de atendimento em locais de grande circulação parecem ser um modo de permitir que mais pessoas tenham acesso a   E-educação.

JARBAS NOVELINO BARATO

APE

29/08/00

Uma resposta to “031. Transformações na Educação e no Trabalho”

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