Archive for the ‘Sócios’ Category

Escola Chata

abril 18, 2012

Alguns de meus ex-alunos publicaram recentemente chamadas no Face Book para dizer que “escola não é circo, professor não é palhaço”. Meus ex-alunos são professores jovens, mas já sentem o desgaste de uma profissão que leva bordoadas de todos os lados. Para homenagear esses valentes jovens que passaram por minhas aulas na última década, entro no tunel do tempo e copio texto que publiquei no Aprendente (um dos meus blogs antigos) em 2006.

 


Semana passada a Folha de São Paulo publicou um registro da sabatina que o jornalão promoveu com o dublê de educador e psicanalista Rubem Alves. Não gostei da chamada da matéria. A Folha destacou da fala do Rubão a afirmação de que “a escola é chata”. No meu modo de ver, constatações como essa reafirmam a prática de chutar cahorro morto. Ato desnecessário. Sinal de uma valentia fácil, pois o cadáver não irá reagir. Mas meu desagrado não para por aí. Preocupa-me sobretudo o outro lado da moeda. Educadores que aceitam sem crítica comentário como o de Rubem Alves costumam achar que a saída é uma escola divertida. Ou seja, na sociedade do espetáculo é hegemônica a idéia de que o bom aprender precisa ser uma atividade circense. Não tenho nada contra o circo, o espetáculo, a diversão. Acho, porém, que é preciso não perder de vista algumas características do aprender. Sirvo-me de um exemplo: cálculo. Vejo meu filho, um físico, trabalhando com cálculo em muitas ocasiões. Um trabalho que exige muita concentração. Um trabalho que apresenta grandes desafios. Conseguir resolver certos problemas certamente é muito prazeroso. Mas a atividade toda não é divertida. Coisa parecida pode ser verificada na aprendizagem musical de alguém que está estudando um peça a ser executada publicamente. Chegar a uma interpretação original e bem executada deve ser uma fonte de grande prazer. Não vejo porém no demorado e exigente processo de ensaiar exaustivamente a peça algo divertido. Resumo da ópera; prazer não é necessariamente diversão. E mais: muitas fontes de prazer exigem altos investimentos de concentração, ensaio, exercício, trabalho.

A aceitação passiva de uma crítica que parece indicar que a boa escola é a divertida sugere que nosso mundo é a concretização perfeita do pesadelo de uma sociedade cujo desejo único é uma diversão contínua, tema central do Brave New World de Huxley.

Bom vinho

maio 17, 2011

Da esquerda para a direita: Alberto Quartim, Jarbas Barato, Irecê, Antônio Morales, José Kuller.

Faz tempo que um grupo de aposentados do Senac.sp e amigos realiza encontros para estreitar velhas amizades e trocar figurinhas. Na foto estou com uma parte dessa turma boa. A reunião aconteceu na casa do Juca (Juvenal Alvarenga), uma dacha às margens da represa de Avaré, SP. A foto, salvo engano, retrata almoço no dia 14/05/11.

Com a idade vamos aprendendo a beber. Quase todos nós apreciamos o velho e bom vinho. A prova está na mesa: dois tintos e um branco. Faço aqui um registro muito especial. Aparentemente nada a ver com educação e tecnologia educacional. Mas, tudo a ver com vida. Um brinde para todos meus amigos que frequentam este Boteco. Evoé, Baco!

Mais uma dose de Filosofia do Vinho

maio 14, 2011

Meu amigo Antôno Morales sugeriu leitura de resenha sobre o livro The Philosophy of Wine de Cain Todd, objeto de meu mais recente post. Aqui vai o link para os interessados:

Galeria de gatos

janeiro 20, 2011

Como já anunciei, vou continuar a conversa iniciada em Urgente, sua gata pariu! Planejo uma série. Para tanto, vou precisar de imagens para ilustrar os posts. Alguns amigos já colaboraram. Entre eles, o grande Ivo Cambui, benemérito de gatos de rua. Na casa do Ivo, três são os felinos. Para animar outros colaboradores, coloco aqui uma foto do Ben, companheiro bichano da família Cambui.

A Morte do Professor

janeiro 16, 2011

Há um discurso hegemônico, herdado da Escola Nova, que sempre elege o professor como principal culpado por quaquer problema em educação. Esse discurso aparece sob vários disfarces. O resultado é sempre o mesmo: em dramas educacionais o vilão maior é o professor. De certa forma, gente que faz tal discurso acha que o professor deveria desaparecer do processo educativo. Daí o título deste post. Acho que tem muita gente torcendo pela morte (figurada) do professor. Mas, o pior já aconteceu, de vez em quando alguns docentes são assassinados por motivos ligados a seu trabalho. Foi o que acontecu recentemente com um professor em Belo Horizonte.

Muitos frequentadores deste Boteco Escola talvez não gostem do que estou falando aqui. A moda é culpar os docentes. A moda é atribuir a eles autoritarismo, educação bancária, imposição de saberes. Dizer basta para o discurso escolanovista, hoje engrossado pela crítica neoliberal ao ensino público, não é elegante. Mas, não me perfilo ao lado de gente que continua a repetir bordões da Escola Nova como se fossem artigos de fé. Acho que é mais do que hora de reivindicar respeito pelos professores.

Fiz uma longa introdução para justificar o que vem a seguir. A Professora Luciana, do Distrito Federal, freguesa desta casa, me solicitou publicação de um artigo sobre o assassinato do Professor Kássio Gomes. Em resposta, disse a ela que abriria o espaço de um post para o artigo. A Luciana acaba de me enviar o texto. Cumpro a promessa. Vejam a matéria que segue.

J’ACUSE !!!
(Eu acuso !)
(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (…) (Émile Zola)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que… estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando…

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente…

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann

Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

PAZ em 2011

dezembro 31, 2010

No post passado escrevi um texto para introduzir a canção Natives na voz de Christy Moore. Repito a dose a título de desejo de Ano Bom. Para tanto, sugiro um vídeo no qual imagens de soldados dos países centrais bombardeiam alguma pobre pátria deste mundo, tendo como fundo sonoro a linda e engajada canção Natives.

Espero que aprendamos civilização e deixemos de lado a barbárie. Espero que a gente em 2011 possa falar num mundo de PAZ.

A música de Gigli

dezembro 28, 2010

Meu amigo Bertelli, ateu convicto, acredita que a música sacra é um presente dos deuses. E ele prova isso com exemplos. Em mensagem recente, Bertelli aponta diversas gravaçõpes de peças sacras feitas pelo tenor Beniamino Gigli. Coisa divina, sem dúvida. Neste tempo de festa e música, achei que ficava bem dividir com os fregueses do Boteco um dos brindes enviado por meu amigo ateu, esteta e respeitador da magnífica arte sacra.

Segue aqui Panis Angelicus, de Cesar Franck, na voz  insuperável de Gigli.

Verdade e novas tecnologias

outubro 11, 2010

Há uns cinquenta ou mais anos, as pessoas acreditavam na palavra escrita. Era comum alguém dizer: “é verdade, deu no jornal”.

Neil Postman, antigo chefe do Departamento de Comunicações da Universidade de Nova Iorque imaginou um experimento interessante. De manhã, ele comentou casualmente na cantina que a produção de carne em árvores acabara de se tornar realidade. Citou suposta pesquisa realizada por uma faculdade pouco conhecida (uma instituição de ensino superior da Dakota do Sul ou um outro estado pouco expressivo em termos acadêmicos). Ao falar sobre a suposta pesquisa, disse que soube da mesma por meio de notícia publicada no New York Times. À tarde, a milagrosa pesquisa era uma “verdade” comentada por toda parte na universidade. A credibilidade da história inventada por Postman era sustentada sobretudo pelo argumento de que “deu no New York Time”.

A credibilidade dos jornais impressos talvez não seja a mesma. As fontes de informação de agora são aquelas que aparecem em telas da TV e dos computadores. É muito comum nos dias de hoje a expressão “deu na Internet”.

O que nos deve preocupar é um movimento que confere aos meios de comunicação a virtude de apresentar a verdade. Em vez de pensar a verdade a partir de critérios racionais de verificação, acostumamo-nos a pensar que qualquer coisa que mereça destaque  na tela (antes era no papel) é a “realidade”.

Em post passado, reproduzi uma charge que sugere discussões sobre o assunto (cf. Platão, mito da caverna e TI). Ao comentar o assunto, uma das mais assíduas clientes deste Boteco, Conceição Rosa, disse que a professora de Filosofia de sua escola havia abordado o mito da caverna a partir de uma historinha do Maurício de Sousa. Conceição indicou onde o material poderia ser encontrado. Vi a historinha (publicada em vídeo no Youtube) e gostei muito. Aproveito a oportunidade para agradecer publicamente o comentário da professora Conceição Rosa. E mais, aproveito para divulgar o citado vídeo.

Aldeia Global

julho 16, 2010

Esta é Itirapuã, cidade onde fui registrado (nasci na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, numa casa de meieiro de café). Na época de meu nascimento ela ainda não era cidade, era apenas distrito de Patrocínio Paulista

Hoje comecei a buscar informações sobre Mario Kaplún. A busca teve como ponto de partida um pio de @tiscar, jornalista, educadora e blogueira de Espanha. No pio, Tíscar recomendou como indispensável o livro Una Pedagogía de la Comunicación, obra do Mario, disponível na Web para leitura e cópia. Os pios da minha concidadã da blogosfera costumam indicar ótimas fontes. Além disso, o sobrenome do autor me chamou atenção. Saberes del Ócio o Saberes del Trabajo?, livro meu publicado em espanhol pelo Cinterfor, foi prefaciado por um Kaplún, professor da Universidade da República do Uruguai. Por alguns segundos cheguei a pensar que se tratava da mesma pessoa. Depois me lembrei de que o autor daquele prefácio se chama Gabriel Kaplún.

Na busca por Mario Kaplún encontrei alguns vídeos. Pude então vê-lo, escutá-lo e e conhecer suas idéias no campo da comunicação e educação. Veja esta entrevista do Mario;

Mas restava uma dúvida: qual a relação entre Mario e Gabriel Kaplún? Em pouco tempo, graças às poderosas virtudes buscadoras do Google, descobri que Gabriel Kaplún é o filho mais velho de Mario Kaplún. Não parei a busca com essa descoberta. Quis saber o que Gabriel anda fazendo na área de educação. Entre outras coisas, fiquei sabendo que ele escreveu um livro sobre novas tecnologias: Aprender y enseñar en tiempos de Internet: Formación profesional a distancia y nuevas tecnologías. Essa obra de Gabriel Kaplún está disponível na Web.

Esta conversa sobre Mario e Gabriel Kaplún mostra um mundo cada vez menor, onde a gente encontra gente de toda parte do mundo em pouco tempo. Fica parecendo que os dois autores citados, assim como a Tíscar, moram na mesma quadra que eu. Essa quase intimidade entre mim, os Kaplúns e a Tíscar tem cara de conversa de moradores de uma cidadezinha como minha Itirapuã, um aglomerado urbano que não chega a três mil habitantes. Chegamos finalmente à Aldeia Global pintada por McLuhan .

Esta conversa aldeã tem outros personagens. Faz pouco mais de um mês que encontrei, na Web, Liv Mejelde, pesquisadora norueguesa da área de educação e trabalho. Eu conhecia um excelente artigo dela, From Hand to Mind, publicado no livro Critical Pedagogy & Cultural Power. Esse escrito da professora Mjelde está entre as referências do meu livro publicado pelo Cinterfor. Talvez, por causa disso a autora andava à minha procura.

Liv não me encontrou porque não tinha meu novo endereço eletrônico. Buscou outras maneiras de falar comigo. Entrou no Google e encontrou o Primeiros Mil Microcontos. Deixou lá, em comentário para um dos posts, mensagem dizendo que gostaria de fazer contato comigo. Demorei a ver a mensagem dela, pois aquele blog não anda muito ativo. Mas, assim que vi a solicitação de contato, escrevi para ela. Neste último mês conversamos bastante, trocamos figurinhas e prometemos cooperar numa área de interesse comum: educação tecnológica. Tudo via Internet. Se bateu alguma curiosidade sobre quem é Liv Mjelde, indico aqui uma obra dela: The magical properties of workshop learning. Se você ainda não está satisfeito, veja a Liv neste vídeo

Pois é. Liv é mais uma da turma. Vizinha. Na Aldeia Global mora na mesma rua que eu e Gabriel Kaplún. Se Liv cruzar com obras do falecido Mario Kaplún saberá apreciá-las, elas tem gosto de uma terra comum para todos nós, moradores da rua educação tecnológica dessa aldeia que até pouco tempo atrás era chamada de Planeta Terra.

Ordinadors a les aules

junho 30, 2010

Acabo de receber da Editora Graó dois exemplares de Ordinadors a les aules: La clau és la metodologia. O livro, obra coletiva da Comunitat Catalana de Webequest, traz dois capítulos meus, um sobre WebGincanas, outro sobre a alma das WebQuests.

Ordinadors a les aules é um belo livro, feito com  muito carinho por um grupo admirável de educadores da Catalunha que tenho privilégio de chamar de amigos. A primeira versão da obra apareceu em catalão. Dentro de alguns meses a Editora Graó lançará versão em espanhol. Interessados em adquirir o livro podem fazê-lo via Web por meio de serviço da própria editora

Aproveito a oportunidade para agradecer publicamente a Carmé Barba e Sebastià Capella, coordenadores da publicação, o convite que me fizeram para escrever capítulo sobre WebGincanas. Agradeço também o privilégio de ver meu artigo El Alma de las WebQuest, que apareceu originariamente em Quaderns Digitals, incluído no livro.

Minhas amizades catalãs nasceram há muitos anos. Quando organizei, em 2002,  as informações que integraram o site WebQuest da Escola do Futuro da USP, convidei Carmé Barba para escrever um depoimento sobre o modelo criado por Bernie Dodge. Ela atendeu a meu pedido prontamente. Desde então, mantemos contatos regulares via Web, além de eventuais encontros em Barcelona. O culpado final por tudo isso é Bernie Dodge, pois meus contatos com os educadores da Catalunha nasceram a partir de conversas sobre WebQuest, a criação genial de meu amigo da San Diego State University. Bernie, assim como eu, tem o privilégio de ser membro da Comunitat Catalana de WebQuest e escreveu o prólogo de Ordinadors a les aules.