Archive for the ‘Recreio’ Category

Liberdade e comunicação

julho 3, 2017

Esta charge mostra um caminho. Infelizmente sou dependente. Uso computadores o dia todo. Mas, sou um anticelular raro. Até tento usar o tal de mobile. Porém, uma resistência de velho ou de inconformista (talvez as duas coisas…) me afasta do aparelhinho.

ovelha negra

Seguido por robôs

junho 3, 2017

A gente publica em blogs para conversar com interessados. Um dos caminhos para a conversa é o comentário. E, no meu caso, a possibilidade de comentários está aberta para todo mundo que por aqui passa. Mas… há sempre um mas. Inventaram no ciberespaço  robôs que produzem comentários genéricos de posts sorteados ao acaso ou identificados a partir de palavras chave. Esses comentários são escritos de tal maneira que servem para qualquer coisa que escrevemos em nossos blogs. Quem os assina não leu certamente nosso escrito. Acabo de receber um desses comentários e o reproduzo aqui sem mencionar fonte:

>>> Adorei o texto, você expressou tudo de ótima forma e é bastante recreativo escoltar sua postagem.

Essa fórmula, aparentemente simpática, serve como comentário para qualquer escrito. O  citado comentário chega a ser engraçado. Elogia a forma e diz algo meio estranho, diz que meu texto é “bastante recreativo”. Juro que não escrevo para recrear ninguém… Mas, ao que tudo indica, o termo recreativo foi utilizado para captar textos com essa intenção e o robô acabou encontrando o tag “recreio”que utilizo para classificar algumas coisa que escrevo neste Boteco. Mas o rótulo de recreio é utilizado no lugar de generalidades, não no de diversão. Finalmente não entendi o que é “escoltar sua postagem”. Provavelmente, na pressa, o cara que escreveu isso cometeu um erro de digitação.

Porque usam robôs assim? Provavelmente para que os autores de blogs selecionados automaticamente apreciem obras de quem utiliza tal artifício para aumentar sua presença na Web. Mas, os robôs não funcionam comigo. Jogo fora comentários assim produzidos,

BTW, dou taguear essa mensagem como recreio…

Última jataí

maio 4, 2017

jatai microconto

ESPANTO

abril 24, 2017

Microconto que escrevi anos atrás e que recebeu ilustração do meu sobrinho, Rodrigo Barato.

 

ESPANTO

Gagos: uma nota interessante

abril 23, 2017

marilyn

Li hoje no New York Review of Books matéria sobre gagueira. Esse distúrbio da fala é um assunto interessante. Há quem pense que os gagos são pessoas preguiçosas que não se esforçam o suficiente para superarem o problema. Há gente que se diverte com o drama dos gagos. O comediante José Vasconcelos, por exemplo, fazia um tipo muito engraçado, o locutor esportivo gago.
O artigo começa contando história de aluno que levantava a mão para fazer perguntas para seu professor de história. Este ignorava o gesto do rapaz, pois ele era gago. O docente julgava que gagueira do moço atrapalharia a aula. Essa não era a opinião dos alunos que diziam que o colega sempre tinha questões interessantes e suas dificuldades de fala não causariam problemas no andamento da aula. O rapaz reclamou com o diretor da escola e este, covardemente, encontrou forma de resolver a questão sem conflitar com o professor intolerante. Transferiu o aluno para outra turma, coordenada por uma professora capaz de lidar com o problema e permitir que o moço pudesse participar ativamente das aulas.
Muita gente famosa enfrentou problemas de gagueira. Entre outros, a matéria cita Aristóteles, Virgílio, Charles Darwin, Winston Churchill e Marilyn Monroe. Já na velha Mesopotâmia o problema preocupava. Foi encontrada uma prece em caracteres cuneiformes implorando aos deuses cura para a gagueira.
Outros famosos gagos eram escritores. Entre eles, a matéria cita Somerset Maughham, Lewis Carroll, Henry James, John Updike. Henry James, era gago em sua língua nativa, o inglês, mas não gaguejava em francês, idioma no qual era fluente. Já George Vassiltchikov, intérprete que trabalhava na ONU, gaguejava em todos os idiomas nos quais era fluente: russo, alemão, francês e inglês. Nenhum gago enfrenta problemas quando canta. Um dos nossos grandes cantores, Nelson Gonçalves era gago, mas ao cantar não enfrentava qualquer problema com as palavras. Era, aliás, exemplo de boa dicção no mundo da musica.
Durante muitos séculos, a gagueira foi considerada um problema fisiológico. Aristóteles achava que ela era provocada por uma língua muito grossa, “incapaz de acompanhar a velocidade da imaginação”. Galeno, o grande médico helenista, entendia que a gagueira se devia a uma língua muito húmida e fria. Mais recentemente, um médico alemão começou a fazer cirurgias, seccionando certos músculos linguais, pois acreditava que a má formação do órgão fonador era responsável pela gagueira. O procedimento ganhou o mundo, e muitas cirurgias foram feitas na Europa e Estados Unidos sempre com resultados desastrosos. Os operados não saravam, sofriam muita dor e até corriam perigo de vida por causa do procedimento.
Não há conhecimento muito claro quanto às causas da gagueira. Parece que a mesma resulta de algumas dificuldades na articulação de certos fonemas. Mas os fonemas que desafiam os gagos variam muito caso a caso. No geral, terapeutas da fala, tentam identificar que dificuldades enfrentam os seus clientes. E a partir do diagnóstico planejam estratégias que possam ajudar os gagos a se comunicarem sem tropeçar nas palavras. Caso célebre nessa direção foi o do rei do Reino Unido, George VI. O drama linguístico do monarca foi tema do filme The King’s Speech.
A grande maioria dos gagos são homens. Raras são as mulheres gagas. Cientistas tentam explicar o porquê disso, mas as explicações não são muito convincentes.
Tratamentos para resolver problemas de gagueira evoluíram bastante. Mas, não há propriamente cura para esse distúrbio da fala. Há técnicas que funcionam bem com algumas pessoas, mas não com outras. De qualquer forma, já não estão mais em voga métodos mais radicais como o de utilizar pedrinhas sob a língua para superar o problema como o fez, segundo a lenda, o maior de todos os oradores gregos, Demóstenes.
Marilyn Monroe tinha o distúrbio da fala que chamamos de gagueira. El foi acentuado na infância da atriz. Menos grave n juventude, mas às vezes aparecia no set de filmagem. O artigo termina com a história de que Marilyn gravou quarenta s sete vezes a cena famosa em que diz “It’s me sugar” em Like It Hot. Tragicamente, a gagueira da atriz se agravou nos últimos e conturbados anos de sua vida.

Matemática interessante

janeiro 21, 2017

game

Ontem comecei a folhear Laws of the Game: How the principles of nature govern chance. Li tal obra há uns trinta anos. E fiz algumas anotações no texto. Uma delas na forma de várias interrogações num trecho que conta a história de Ali Baba e os Trinta e Nove Camelos. A narrativa analisa interessante problema matemático e sua solução. A gente lê e fica achando que o viajante que resolveu o problema deve ter usado mágica. Mas, não. Ele usou apenas um princípio matemático.

Para aqueles que, como eu, são analfas em matemática, reproduzo aqui numa tradução adaptada da história contada em Laws of the Game.

Ali Baba tinha quatro filhos. Quando morreu, deixou trinta e nove camelos para seus herdeiros, e no seu testamento estabeleceu a divisão que segue. O filho mais velho receberia metade da herança; o segundo, um quarto; o terceiro, um oitavo; e o mais novo, um décimo.

Os quatro irmãos não sabiam o que fazer. A vontade do velho parecia indicar que alguns camelos seriam sacrificados para que cada um dos herdeiros recebesse sua justa parte. Isso não fazia sentido. Surgiu então, montado sobre seu camelo, um viajante que disse saber como o problema deveria ser resolvido.

O viajante juntou seu próprio animal à herança de Ali Baba. Com isso, a tropa passou a ser de quarenta camelos. A partir daí, a divisão foi efetuada. O irmão mais velho recebeu vinte camelos; o segundo irmão, dez; o terceiro irmão, cinco; e o irmão mais novo, quatro. Sobrou um camelo, o animal que pertencia ao viajante. E este então subiu sobre sua montaria e voltou para a estrada.

Admirados, os quatro irmãos viram o viajante partir. E começaram a verificar o resultado da partilha. No princípio acharam que o irmão mais velho levou vantagem. Mas, logo depois, viram que todos eles acabaram ganhando e recebendo mais do que o previsto

Música de rua

dezembro 8, 2016

Linda performance, na clarineta e na voz. Vale ouvir muitas vezes. E perguntar-se: como tanta gente sem talento faz sucesso e gente como essa, imensamente talentosa, tenha que ganhar uns trocados na rua?

 

Domesticado em grandes cidades

setembro 27, 2016

Em dois blogs antigos eu me definia como “menino da roça, domesticado em grandes cidades”. Resolvi oferecer aqui evidência empírica desse meu detalhe biográfico. A foto que trago para cá é de Itirapuã, cidade em que fui registrado. Nasci nas lonjuras desses horizontes roceiros, na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, propriedade do Chico Coelho, de quem meu pai era meieiro de café. Pouco ficou de minhas raízes. Aos três anos fui para uma cidade grande. Aos onze para uma maior. Aos vinte para essa loucura que é São Paulo. Estive por duas vezes fora de São Paulo por uns tempos, quatro anos em Ribeirão Preto, dois anos em San Diego na Califórnia. Virei bicho urbano.

 

itirapua

Leitura e comunicação

junho 27, 2016

Nos velhos tempos, leitura era um ato público, uma comunicação. Ou seja, um ato de compartilhar informações. A leitura solitária e silenciosa é uma invenção que se tornou generalizada com a imprensa, a partir do século XVI. Digo tudo isso porque achamos que a leitura “sempre foi assim”. Esse achismo não tem base histórica. As relações das pessoas com o texto mudaram muito no tempo e com novas tecnologias. Certamente hoje deve estar acontecendo mudanças no ler com as tecnologias digitais da comunicação e informação. Nós é que não sabemos muito bem como identificar as diferenças que vão surgindo.

No parágrafo anterior propus um começo de conversa que pode ir muito longe. Neste parágrafo, introduzo um vídeo. O ator é uma criança que ainda não chegou aos dois anos, mas já viu muita gente lendo. E ela sabe imitar direitinho certos leitores. Vale a pena ver.

Uma estrela de amor

junho 16, 2016

Lindo e premiado curta produzido por uma estudante da China. Imagens e história de muita delicadeza. Vale ver.