Archive for the ‘Recreio’ Category

Matemática interessante

janeiro 21, 2017

game

Ontem comecei a folhear Laws of the Game: How the principles of nature govern chance. Li tal obra há uns trinta anos. E fiz algumas anotações no texto. Uma delas na forma de várias interrogações num trecho que conta a história de Ali Baba e os Trinta e Nove Camelos. A narrativa analisa interessante problema matemático e sua solução. A gente lê e fica achando que o viajante que resolveu o problema deve ter usado mágica. Mas, não. Ele usou apenas um princípio matemático.

Para aqueles que, como eu, são analfas em matemática, reproduzo aqui numa tradução adaptada da história contada em Laws of the Game.

Ali Baba tinha quatro filhos. Quando morreu, deixou trinta e nove camelos para seus herdeiros, e no seu testamento estabeleceu a divisão que segue. O filho mais velho receberia metade da herança; o segundo, um quarto; o terceiro, um oitavo; e o mais novo, um décimo.

Os quatro irmãos não sabiam o que fazer. A vontade do velho parecia indicar que alguns camelos seriam sacrificados para que cada um dos herdeiros recebesse sua justa parte. Isso não fazia sentido. Surgiu então, montado sobre seu camelo, um viajante que disse saber como o problema deveria ser resolvido.

O viajante juntou seu próprio animal à herança de Ali Baba. Com isso, a tropa passou a ser de quarenta camelos. A partir daí, a divisão foi efetuada. O irmão mais velho recebeu vinte camelos; o segundo irmão, dez; o terceiro irmão, cinco; e o irmão mais novo, quatro. Sobrou um camelo, o animal que pertencia ao viajante. E este então subiu sobre sua montaria e voltou para a estrada.

Admirados, os quatro irmãos viram o viajante partir. E começaram a verificar o resultado da partilha. No princípio acharam que o irmão mais velho levou vantagem. Mas, logo depois, viram que todos eles acabaram ganhando e recebendo mais do que o previsto

Música de rua

dezembro 8, 2016

Linda performance, na clarineta e na voz. Vale ouvir muitas vezes. E perguntar-se: como tanta gente sem talento faz sucesso e gente como essa, imensamente talentosa, tenha que ganhar uns trocados na rua?

 

Domesticado em grandes cidades

setembro 27, 2016

Em dois blogs antigos eu me definia como “menino da roça, domesticado em grandes cidades”. Resolvi oferecer aqui evidência empírica desse meu detalhe biográfico. A foto que trago para cá é de Itirapuã, cidade em que fui registrado. Nasci nas lonjuras desses horizontes roceiros, na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, propriedade do Chico Coelho, de quem meu pai era meieiro de café. Pouco ficou de minhas raízes. Aos três anos fui para uma cidade grande. Aos onze para uma maior. Aos vinte para essa loucura que é São Paulo. Estive por duas vezes fora de São Paulo por uns tempos, quatro anos em Ribeirão Preto, dois anos em San Diego na Califórnia. Virei bicho urbano.

 

itirapua

Leitura e comunicação

junho 27, 2016

Nos velhos tempos, leitura era um ato público, uma comunicação. Ou seja, um ato de compartilhar informações. A leitura solitária e silenciosa é uma invenção que se tornou generalizada com a imprensa, a partir do século XVI. Digo tudo isso porque achamos que a leitura “sempre foi assim”. Esse achismo não tem base histórica. As relações das pessoas com o texto mudaram muito no tempo e com novas tecnologias. Certamente hoje deve estar acontecendo mudanças no ler com as tecnologias digitais da comunicação e informação. Nós é que não sabemos muito bem como identificar as diferenças que vão surgindo.

No parágrafo anterior propus um começo de conversa que pode ir muito longe. Neste parágrafo, introduzo um vídeo. O ator é uma criança que ainda não chegou aos dois anos, mas já viu muita gente lendo. E ela sabe imitar direitinho certos leitores. Vale a pena ver.

Uma estrela de amor

junho 16, 2016

Lindo e premiado curta produzido por uma estudante da China. Imagens e história de muita delicadeza. Vale ver.

Net Emotions

janeiro 19, 2016

A cultura da internet tem suas particularidades. Uma delas é a dos símbolos que vão se integrando aos sistemas de comunicação na rede. A tais símbolos se tornam tão comuns que passam desapercebidos. Talvez esse seja o caso da carinhas dos emotions que aparecem em muitas mensagens de internautas.

Também é parte da cultura da internet a produção de coisas que procuram negar a ordem estabelecida. Às vezes isso acontece como brincadeira. Às vezes, como assunto muito sério.

Hoje, numa visita ao Stax, site pelo qual passo com muita frequência, encontrei uma produção de imagens que parece brincadeira, humor inocente. Mas, nenhum humor é inocente, pois, como diziam os velhos latinos, ridendo castigat mores (tradução muito livre: ” coisas que fazem rir criticam a ordem estabelecida”).

Acho que as imagens publicadas pelo Stax são um material útil para quem queira trabalhar com abordagens críticas da cultura da rede. Por essa razão, vou reproduzi-la aqui para quem possa se interessar.

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Natalie Merchant na NPR

janeiro 12, 2016

O National Public Radio, em All Songs Considered, tem um segmento chamado Tiny Desk Concert. O endereço que indico aqui tem um pequeno concerto da Natalie Merchant. Lindo!

http://www.npr.org/event/music/462277254/natalie-merchant-tiny-desk-concert?utm_source=facebook.com&utm_medium=socia

Celulares e almas perdidas

janeiro 7, 2016

O uso de celulares no espaço público mudou completamente comportamento de muitas pessoas. Um desses usos resulta na mania do sefie. Tem gente que fotografa tudo. Fotografam até o ato de fotografar. O que vemos hoje é a epítome da Sociedade da Imagem. Daniel Boorstin, em seu clássico The Image, nunca imaginou que sua descrição de uma sociedade que elegeu a imagem como forma predominante de comunicação e significação chegaria a tal ponto.

Trago para cá um vídeo que aborda isso com muito humor. Tal vídeo vale mais que um tratado sobre o assunto, pois, como diziam os latinos, ridendo castigat mores.

Som da saudade

janeiro 1, 2016

De vez em quando me vem grande saudade de Mary Travers. Vou ao Youtube e busco gravações dela com PPM. É recreio. Mas, é também um mergulho em sentimentos que nos fazem humanos. Esse é importante papel da música, desde que sejam belezas como Mary cantava.

Filosofia do Vinho: Resenha

dezembro 23, 2014

PhilOfWine-COVER-front.inddTempos atrás publiquei aqui uma nota sobre um belo livro, The Philosophy of Wine, de Cain Todd. É uma obra filosófica mesmo, não um título elegante para se falar de enologia. Este ano, dado um pedido de produção de resenha para uma revista acadêmica, resolvi resenhar a obra com bastante liberdade. Acho que o texto ficou bom. Tento passar a mensagem de Todd, ressaltando que a apreciação do vinho tem dimensões estéticas, epistemológicas e até ontológicas.

Para os amigos interessados, deixo aqui link para a resenha que escrevi. Boa leitura!

>>> The Philosophy of Wine: A case of truth, beauty and intoxication