Archive for the ‘liberdade’ Category

Todos pela educação

maio 15, 2019

Hoje, 15/05/2019, professores, estudantes e cidadãos preocupados com o futuro de seus filhos estão se manifestando contra a destruição da educação que o desgoverno de Bolsonaro vem promovendo. Faço este registro para mostrar que este Boteco Escola é também um espaço de defesa da educação pública de boa qualidade.

Hora de união

maio 5, 2019

Estamos no começo de maio de 2019. A loucura de um desgoverno destrutivo está criando bases para uma união nacional de resistência. Eu não saberia como colocar isso em palavras, mas felizmente encontrei um texto do Antônio Prata que diz tudo o que precisa ser dito. Copio Antônio Prata.

Bolsonaro vai unir o Brasil

Acabou o flá-flu: agora é todo mundo contra o Olaria

Devo admitir que pelo menos uma coisa boa o Bolsonaro conseguiu neste início de governo: pacificou meus grupos de WhatsApp. Havia dez anos que o flá-flu vinha corroendo os grupos da família, do trabalho, da faculdade; o grupo Réveillon 2012, cujo momento de maior tensão tinha sido um impasse sobre leite integral ou desnatado transformou-se, a partir de 2013, em mais um campo de batalha entre coxinhas e petralhas.

Na terra de ninguém do meu celular, a guerra chegou ao ápice logo depois das eleições, quando o tio Eurípedes perguntou o que podia levar pro Natal da tia Eugênia, o tio Agenor falou “Leva mortadela, não é disso que VOCÊS gostam?!” e o peru subiu no telhado. (Nomes e situações foram ligeiramente alterados para o bem do meu convívio familiar).

Então Bolsonaro assumiu e, diante do seu show de horrores, começou a pacificação. Até fevereiro ainda se lia nos meus grupos um ou outro “Mas e o PT, hein?!”, “E o Lula, hein?!”. Em algum momento, porém, entre o vídeo do “golden shower” e a fala sobre gays, turistas & sexo, até o tio Agenor deu o braço a torcer: “Gente, esse homem é louco ou burro?”.

O burro, percebo agora, se parece com o gênio. Ele é imprevisível, surpreendente, criativo: o burro vê o que ninguém mais vê. Bolsonaro é como um Picasso que realmente enxergasse o mundo retorcido. Ou plano? É como uma criança de dois anos que não pode ficar só, sob risco de botar a Presidência na tomada, engasgar com uma reforma, emporcalhar com guache todas as instituições, botar fogo na casa.

Ilustração
Adams Carvalho/Folhapress

Fosse um burro feliz, feito um Forrest Gump, menos mau. Acontece que, como escreveu aqui na Folha Sérgio Rodrigues, o ethos deste governo é o ressentimento. Do ressentimento brota o ódio ao conhecimento, à arte, à diversidade, a qualquer forma de dissenso. Resultado: no grupo da família, tio Agenor e tio Eurípedes sentem-se tão diferentes da atual gestão que esqueceram as próprias diferenças.

Não é só nos grupos de WhatsApp que sinto os antigos flás e flus se unirem diante da ameaça do tenebroso Olaria que tomou a política nacional. Vejo Renato Janine Ribeiro, por exemplo, buscando pontos de concordância numa entrevista do Luciano Huck. Amigos de esquerda dando share nas colunas do Reinaldo Azevedo. Eu mesmo concordo com tudo o que o Demétrio Magnoli escreve e dou like atrás de like nos tuítes do meu ex-antípoda Carlos Andreazza. Mudou a esquerda? Mudaram estes colunistas? Eu? Talvez um pouco de cada, mas mudou sobretudo o cenário. O buraco, agora é bem mais embaixo.

Quem sabe o tiro da arminha de mão não esteja saindo pela culatra e Bolsonaro consiga o que o PSDB e o PT não conseguiram: juntar no mesmo barco todos os que, mesmo que com diferentes visões de mundo, tenham apreço pela democracia, pelas leis, pelos direitos humanos, enfim, por todo esse mimimi efeminado chamado civilização.

Precisamos de um movimento como o das Diretas Já. Do sociólogo ao metalúrgico. Da feminista negra ao pastor. Do banqueiro ao tio Agenor. (Não podemos deixar de fora o tio Agenor, todos os tios Agenores: acorda, esquerda! Vocês precisam conquistar o eleitor não bolsonarista-raiz do Bolsonaro e não espezinhá-lo com posts lacradores tipo “Bem feito!”, “Eu avisei!”).

Podem me chamar de ingênuo, mas acho que tal união é possível: contrastados com a barbárie do Bolsonaro, começo a enxergar pontos de convergência entre pessoas tão distantes quanto Boulos e Arminio Fraga. Espero que eles também enxerguem —antes que a burrice, o ressentimento e o ódio passem por cima de todos nós.

Antonio Prata

Maio 68

maio 1, 2018

Tenho entre meus guardados documento da UEE sobre o Primeiro de Maio de 1968 em São Paulo. Reproduzo aqui as duas páginas de tal documento.

maio 68

maio2 68

Jovem Urgente

setembro 21, 2017

Fui aluno do Paulo Gaudêncio, psiquiatra da hora nos anos de 1960. Ele era um professor que não prepara suas aulas, improvisava, contando histórias sobre suas experiências no consultório.

Gaudêncio foi convidado para fazer um programa para a moçada. Surgiu então Jovem Urgente, um dos grande sucessos na história da TV Cultura de São Paulo. Eu gostaria de rever alguns dos programas do Gaudêncio, mas via Google consegui encontrar apenas acesso a um deles, uma versão mais cuidado com participação do Mutantes, de Tom Zé e dos Novos Baianos. Um dos pontos altos do programa, além dos comentários fantásticos do Gaudêncio, são as músicas do Tom Zé.

Trago o vídeo para cá, pois ele é um episódio exemplar da TV brasileira. Há muita coisa a ser conversada a partir das falas do Gaudêncio e dos então jovens artistas como Tom Zé, Rita Lee e Moraes Moreira.

Luto

julho 12, 2017

lutoluto

Ontem, 11/07/2017, o senado aprovou lei que acabará com a CLT. Nas relações com os patrões, os trabalhadores estarão profundamente enfraquecidos. No campo de direitos dos cidadãos regredimos um século ou mais. Triste.

Greve geral

abril 27, 2017

Dia 28 de abril de 2017 será dia de luta contra golpes contra direitos históricos dos trabalhadores. Tais direitos foram resultado de muita luta. Agora um grupo de golpistas, com a pressa típica de gatunos, querem fazer os direitos trabalhistas regredirem ao começo do século passado. Registro qui uma chamada bem humorada para o evento.

 

greve geral

Henfil vive

janeiro 29, 2017

henfil

No momento, a chamada da hora é Fora Temer. Na internet, volta e meia, alguém anuncia, lembra, relembra, declara que Temer precisa sair de cena, pois está desempenhando um papel para o qual não tem talento nem aceitação do público.

Minha amiga Helerina Novo me mandou esse Fora Temer, lembrando o Henfil. Nada mais on the target. Se estivesse entre nós, o genial Henfil estaria nos lembrando de muitas formas que é preciso insistir nesse Fora Temer.

Fujo um pouco da linha desse blog ao registrar o desenho que poderia ser de um dos mais geniais filhos de Minas Gerais. E faço isso por dois motivos: acho que é preciso continuar a campanha com o Fora Temer;  entendo que  merece registro a chamada que, como disse no começo, é um dos hits da internet nos dias de hoje.

Deveres pra casa: uma bobagem

outubro 1, 2016

tonucci

O grande educador italiano, Francesco Tonucci, tem opiniões que costumam contrariar o pensamento hegemônico. Um delas é o de que od dever de casa é uma bobagem. Mais do que isso, é uma atividade que nada acrescenta aos alunos mais favorecidos e é um castigo para os alunos menos favorecidos. Tonucci opina que tudo oque é preciso fazer em termos de compromissos de educação deve acontecer no tempo escolar, não em casa. Além disso, o educador italiano não tem qualquer simpatia pela escola de tempo integral. Ele acha que as crianças precisam de um tempo diário para brincar. E brincar sem supervisão de adultos, usando sua imaginação, sua criatividade. Assim, terão o que contar na escola.

As ideias de Tonucci sobre deveres de casa, brincadeira independente e outros comentários muito pertinentes sobre o educar aparecem numa entrevista recente em Espanha. Deixo aqui link no qual está reproduzido o texto da entrevista e um vídeo curto em que Tonucci fala sobre a bobagem que é o dever de casa.

Clique aqui para acessar o link.

 

 

 

 

 

 

 

O Ócio, em diálogos impertinentes

dezembro 10, 2015


Finalmente colocaram na internet este Diálogos Impertinentes do qual participei dialogando com Claudia Costin sobre o ócio. Oportunamente quero comentar mais o vídeo e minha participação.

Escola Fortaleza

dezembro 7, 2015

school securityAs escolas se parecem cada vez mais com fortalezas. Muros altos. Vigilantes em todos os portões. Restrição a saídas dos alunos sem acompanhamento de adultos. Circuitos internos câmaras de TV. Catracas. Em algumas escolas americanas há inclusive controle para verificar se alunos não carregam algo de metal. E os pais aparentemente apoiam tais medidas. Querem mais e mais segurança para seus herdeiros. Como diz o título deste post, as escolas de hoje são fortalezas.

A escola fortaleza, entre outras coisas, se propõe a proteger os alunos contra os perigos da cidade. O pressuposto é o de que as cidades são locais violentos, impróprios para crianças. Estas vêm de casa protegidas por adultos, quase sempre em veículos que estacionam em frente do portão de entrada, evitando que estudantes circulem, mesmo que seja por alguns metros, pelas calçadas.

É comum ouvir-se a afirmação de que é preciso tirar as crianças das ruas. Tal bordão refere-se a crianças das classes populares. O que está por trás disso é outra ideia do perigos das ruas: um lugar onde se aprende apenas o que não presta. Por isso, é preciso substituir a vida nas ruas por “sadias” aprendizagens dentro dos muros escolares. Tirar crianças das ruas, nessa direção, é uma forma de proteger a sociedade.

A escola fortaleza decreta o fim de aprendizagens autônomas das crianças. Estas, segundo o pensamento hegemônico, devem viver sempre protegidas em casa e na escola. Eventualmente poderão ir a playground, outro local que fica cada vez mais “seguro” e onde as crianças só brincam sob estrita vigilância de adultos.

Preocupações com segurança como as aqui indicadas acabam criando crianças com muita dependência, excessivamente protegidas. Nessa história, aprendizagens autônomas vão para o brejo.

O educador Francesco Tonucci propõe um caminho completamente diferente das rotas hegemônicas que resultam na escola fortaleza. Ele acha que as crianças também devem aprender nas ruas. Devem circular com independência pelas cidades. Devem ir sozinhas para a escola.

As ideias de Tonucci podem ser concretizadas num projeto chamado de Cidade das Crianças (La Città dei Bambini). No âmbito desse projeto, as crianças desempenham um ativo papel na humanização do tecido urbano. Exigem mais espaço para brincar nas ruas. Exigem diminuição de espaço para automóveis. Circulam livremente pelas ruas. E para espantados adultos, Tonucci diz que não é muito difícil mudar as coisas em nossas cidades. Caso haja vontade política, ele calcula que em dois ou três meses haverá condições para que as crianças possam andar pela cidade sem serem vigiadas.

O educador italiano afirma que o medo é muito maior que os perigos da cidade. E o medo prospera, pois políticos e meios de comunicação o promovem. Os políticos usam o medo para prometer medidas de segurança. Para eles, o medo é um ótimo ingrediente para criar dependência nos eleitores. Os meios de comunicação usam o medo como atração, como componente de um espetáculo. Basta dar uma olhado no sucesso de qualquer programa que dá grande destaque para a violência. A consequência é um cuidado exagerado com as crianças, privadas de qualquer oportunidade para experimentarem situações em que possam vivenciar o mundo sem a vigilância dos adultos.

Tempos atrás, numa estada no Chile para promover seu projeto da Cidade das Crianças, Tonucci concedeu uma entrevista de quinze minutos a um programa de TV. Trago para cá tal entrevista, pois assim interessados poderão conferir as ideias do educador italiano a favor de uma cidade mais humana e contra a escola fortaleza.