Archive for the ‘liberdade’ Category

Jovem Urgente

setembro 21, 2017

Fui aluno do Paulo Gaudêncio, psiquiatra da hora nos anos de 1960. Ele era um professor que não prepara suas aulas, improvisava, contando histórias sobre suas experiências no consultório.

Gaudêncio foi convidado para fazer um programa para a moçada. Surgiu então Jovem Urgente, um dos grande sucessos na história da TV Cultura de São Paulo. Eu gostaria de rever alguns dos programas do Gaudêncio, mas via Google consegui encontrar apenas acesso a um deles, uma versão mais cuidado com participação do Mutantes, de Tom Zé e dos Novos Baianos. Um dos pontos altos do programa, além dos comentários fantásticos do Gaudêncio, são as músicas do Tom Zé.

Trago o vídeo para cá, pois ele é um episódio exemplar da TV brasileira. Há muita coisa a ser conversada a partir das falas do Gaudêncio e dos então jovens artistas como Tom Zé, Rita Lee e Moraes Moreira.

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Luto

julho 12, 2017

lutoluto

Ontem, 11/07/2017, o senado aprovou lei que acabará com a CLT. Nas relações com os patrões, os trabalhadores estarão profundamente enfraquecidos. No campo de direitos dos cidadãos regredimos um século ou mais. Triste.

Greve geral

abril 27, 2017

Dia 28 de abril de 2017 será dia de luta contra golpes contra direitos históricos dos trabalhadores. Tais direitos foram resultado de muita luta. Agora um grupo de golpistas, com a pressa típica de gatunos, querem fazer os direitos trabalhistas regredirem ao começo do século passado. Registro qui uma chamada bem humorada para o evento.

 

greve geral

Henfil vive

janeiro 29, 2017

henfil

No momento, a chamada da hora é Fora Temer. Na internet, volta e meia, alguém anuncia, lembra, relembra, declara que Temer precisa sair de cena, pois está desempenhando um papel para o qual não tem talento nem aceitação do público.

Minha amiga Helerina Novo me mandou esse Fora Temer, lembrando o Henfil. Nada mais on the target. Se estivesse entre nós, o genial Henfil estaria nos lembrando de muitas formas que é preciso insistir nesse Fora Temer.

Fujo um pouco da linha desse blog ao registrar o desenho que poderia ser de um dos mais geniais filhos de Minas Gerais. E faço isso por dois motivos: acho que é preciso continuar a campanha com o Fora Temer;  entendo que  merece registro a chamada que, como disse no começo, é um dos hits da internet nos dias de hoje.

Deveres pra casa: uma bobagem

outubro 1, 2016

tonucci

O grande educador italiano, Francesco Tonucci, tem opiniões que costumam contrariar o pensamento hegemônico. Um delas é o de que od dever de casa é uma bobagem. Mais do que isso, é uma atividade que nada acrescenta aos alunos mais favorecidos e é um castigo para os alunos menos favorecidos. Tonucci opina que tudo oque é preciso fazer em termos de compromissos de educação deve acontecer no tempo escolar, não em casa. Além disso, o educador italiano não tem qualquer simpatia pela escola de tempo integral. Ele acha que as crianças precisam de um tempo diário para brincar. E brincar sem supervisão de adultos, usando sua imaginação, sua criatividade. Assim, terão o que contar na escola.

As ideias de Tonucci sobre deveres de casa, brincadeira independente e outros comentários muito pertinentes sobre o educar aparecem numa entrevista recente em Espanha. Deixo aqui link no qual está reproduzido o texto da entrevista e um vídeo curto em que Tonucci fala sobre a bobagem que é o dever de casa.

Clique aqui para acessar o link.

 

 

 

 

 

 

 

O Ócio, em diálogos impertinentes

dezembro 10, 2015


Finalmente colocaram na internet este Diálogos Impertinentes do qual participei dialogando com Claudia Costin sobre o ócio. Oportunamente quero comentar mais o vídeo e minha participação.

Escola Fortaleza

dezembro 7, 2015

school securityAs escolas se parecem cada vez mais com fortalezas. Muros altos. Vigilantes em todos os portões. Restrição a saídas dos alunos sem acompanhamento de adultos. Circuitos internos câmaras de TV. Catracas. Em algumas escolas americanas há inclusive controle para verificar se alunos não carregam algo de metal. E os pais aparentemente apoiam tais medidas. Querem mais e mais segurança para seus herdeiros. Como diz o título deste post, as escolas de hoje são fortalezas.

A escola fortaleza, entre outras coisas, se propõe a proteger os alunos contra os perigos da cidade. O pressuposto é o de que as cidades são locais violentos, impróprios para crianças. Estas vêm de casa protegidas por adultos, quase sempre em veículos que estacionam em frente do portão de entrada, evitando que estudantes circulem, mesmo que seja por alguns metros, pelas calçadas.

É comum ouvir-se a afirmação de que é preciso tirar as crianças das ruas. Tal bordão refere-se a crianças das classes populares. O que está por trás disso é outra ideia do perigos das ruas: um lugar onde se aprende apenas o que não presta. Por isso, é preciso substituir a vida nas ruas por “sadias” aprendizagens dentro dos muros escolares. Tirar crianças das ruas, nessa direção, é uma forma de proteger a sociedade.

A escola fortaleza decreta o fim de aprendizagens autônomas das crianças. Estas, segundo o pensamento hegemônico, devem viver sempre protegidas em casa e na escola. Eventualmente poderão ir a playground, outro local que fica cada vez mais “seguro” e onde as crianças só brincam sob estrita vigilância de adultos.

Preocupações com segurança como as aqui indicadas acabam criando crianças com muita dependência, excessivamente protegidas. Nessa história, aprendizagens autônomas vão para o brejo.

O educador Francesco Tonucci propõe um caminho completamente diferente das rotas hegemônicas que resultam na escola fortaleza. Ele acha que as crianças também devem aprender nas ruas. Devem circular com independência pelas cidades. Devem ir sozinhas para a escola.

As ideias de Tonucci podem ser concretizadas num projeto chamado de Cidade das Crianças (La Città dei Bambini). No âmbito desse projeto, as crianças desempenham um ativo papel na humanização do tecido urbano. Exigem mais espaço para brincar nas ruas. Exigem diminuição de espaço para automóveis. Circulam livremente pelas ruas. E para espantados adultos, Tonucci diz que não é muito difícil mudar as coisas em nossas cidades. Caso haja vontade política, ele calcula que em dois ou três meses haverá condições para que as crianças possam andar pela cidade sem serem vigiadas.

O educador italiano afirma que o medo é muito maior que os perigos da cidade. E o medo prospera, pois políticos e meios de comunicação o promovem. Os políticos usam o medo para prometer medidas de segurança. Para eles, o medo é um ótimo ingrediente para criar dependência nos eleitores. Os meios de comunicação usam o medo como atração, como componente de um espetáculo. Basta dar uma olhado no sucesso de qualquer programa que dá grande destaque para a violência. A consequência é um cuidado exagerado com as crianças, privadas de qualquer oportunidade para experimentarem situações em que possam vivenciar o mundo sem a vigilância dos adultos.

Tempos atrás, numa estada no Chile para promover seu projeto da Cidade das Crianças, Tonucci concedeu uma entrevista de quinze minutos a um programa de TV. Trago para cá tal entrevista, pois assim interessados poderão conferir as ideias do educador italiano a favor de uma cidade mais humana e contra a escola fortaleza.

Celular e dependência

novembro 16, 2015

celular

A dependência do celular está aumentando. Vejo nas ruas pessoas absolutamente concentradas em suas telinhas, ignorando entorno. Só estão atentas para o que circula na rede. Parece que o quadro é irreversível. Velhos modos de se comunicar estão morrendo. E o pior é que há gente que vê nisso avanço e melhoria. Tenho cá minhas duvidas.

Discurso de Formatura

agosto 8, 2014

Faz tempo que prometi tornar público o meu discurso na formatura de Pedagogia, 1972. Cumpro agora essa promessa.

Antes de reproduzir o discurso, alguns esclarecimentos. Minha turma era a da tarde. Alguém sugeriu meu nome para orador da turma. Pedi às minhas amigas e meus amigos que não fizessem isso. Todos sabiam que eu não era bem visto pela repressão e pela direção da faculdade. Eu disse que não gostaria de passar por constrangimentos. No ano anterior, eleito representante de classe, não pude exercer minhas funções. Fui destituído pelo diretor da faculdade antes de tomar posse. Minhas explicações foram aceitas e fiquei tranquilo. Duas semanas depois, o convite de formatura trazia meu nome como orador da turma.

Conversei com a comissão de formatura da minha classe. Reclamei. Fui então informado de que a decisão de colocar meu nome no convite fora da turma da noite. Numa classe que não era a minha, fui eleito por unanimidade. Não tive mais o que fazer, fui preparar o discurso.

Escrevi um discurso que fugia um pouco do convencional. Mas, não fui muito longe. Não queria qualquer problema com a repressão e, ao mesmo tempo, precisava elaborar uma fala que correspondesse ao desejo da maioria dos meus colegas. Não compus uma grande peça de oratória, mas acho que dei conta do recado.

Alguns dias antes da formatura, num gesto de calculada rebeldia, fui até a sede da circunscrição militar de Ribeirão e entreguei cópia do meu discurso ao coronel que me vigiava. Disse a ele que o militar a ser destacado para ouvir minha fala na formatura já iria sabendo o que eu ia dizer.

Na foto, apareço discursando, com mesa das autoridades e coral ao fundo.

formatura 04

 

DISCURSO DE FORMATURA: TURMA DE PEDAGOGIA DA FFCL BARÃO DE MAUÁ
RIBEIRÃO PRETO – DEZEMBRO DE 1972
JARBAS NOVELINO BARATO

Queremos, inicialmente, agradecer. Agradecer nossos pais, direção da faculdade, professores e todos que, de uma ou de outra maneira, tornaram possível este momento. Gostaríamos de deixar lavrado um agradecimento todo especial. Nesta hora de reconhecimento de nossa dívida pessoal para com todos que participaram diretamente da nossa formação, não poderíamos deixar de reconhecer nossa dívida social para como povo brasileiro. Graças a esse povo que tem construído este país com sacrifício e suor – e mesmo com sangue – foi possível que ocupássemos por tanto tempo os bancos escolares, embora uma maioria significativa deste mesmo povo tenha tido até hoje pouca ou mesmo nenhuma oportunidade de educação escolar. A esse povo, o nosso povo, o agradecimento de todos nós.

Certamente todos aqui presentes gostariam de saber o que nós pretendemos profissionalmente e o que nós pensamos a respeito da Educação. Tentaremos responder essas questões. Porém, sabendo que as palavras são insuficientes, queremos reafirmar o princípio já conhecido de que não há melhor resposta para tais questões que o trabalho, a ação. Esperamos, em nossa vida profissional, poder colocar em prática os princípios que julgamos corretos na ação educativa. E, ao mesmo tempo em que solicitamos a todos que exijam de nós coerência entre ideais e ação, pedimos que nos dêem oportunidades para realizar aquilo que pretendemos.

Nossas pretensões profissionais não dependem apenas de nossa boa vontade ou de nosso preparo profissional. Numa hora de mudanças no campo da Educação, como está ocorrendo hoje, depende da efetivação dos projetos de Reforma. Os ideais reformistas, desde a Lei de Diretrizes e Bases, têm reconhecido a importância significativa dos diplomados em pedagogia nas diversas áreas da ação educativa. Entretanto, a concretização dos projetos reformistas tem sido morosa e os lugares que deveriam ser ocupados pelos pedagogos, em grande parte, estão sendo ocupados por pessoas de outras áreas ou estão esperando uma regulamentação para que possam vir a ser ocupados por nós. Tal situação gera um clima de angústia entre os formados em pedagogia, que constrangidos pela falta de oportunidades de trabalho dentro de sua própria área, apesar da necessidade premente de pedagogos em campos específicos, vêem-se obrigados a procurar trabalho em áreas que não lhes são próprias.

Ao constatarmos aqui a situação dos formados em pedagogia, não pretendemos iniciar uma ação reivindicatória em termos de oportunidades de trabalho. Gostaríamos apenas que as exigências da realidade educacional fossem atendidas o mais breve possível. Acreditamos que nosso problema pessoal seria então resolvido e a angústia gerada pela incerteza diante do amanhã seria substituída pela esperança de poder trabalhar na área que nós escolhemos e para a qual nos preparamos na faculdade.

Cercados por tantos mitos a respeito da Educação, não cremos que ela seja uma espécie de missão quase que sagrada e que nós sejamos sacerdotes leigos da deusa cultura. Não acreditamos numa educação que se assemelhe a uma cerimônia mágica capaz de libertar o homem. Pensamos que a ação educativa deve ser perpassada por um humanismo realista e, acima dos sistemas e das estruturas sociais, pretendemos colocar o homem. Pedimos que todos vejam nesse nosso compromisso com o ser humano, o nosso compromisso profissional. E, novamente, achamos que a resposta mais significativa para esse compromisso deverá ir além do que aqui dizemos para se tornar uma resposta na ação.

Talvez nossa pretensão de uma educação humanística deva ser melhor explicitada. Numa época de tantos “humanismos” confessamos que nossa pretensão é modesta: pretendemos apenas que a educação se volte para as necessidades de cada homem. Não sonhamos elaborar complicados esquemas conceituais a respeito do destino da humanidade. Queremos partir de um humanismo terra-a-terra sem os grandes vôos de um otimismo utópico. Bastará que nos lembremos de que todos os homens são irmãos e que merecem igual respeito e que devem ter os mesmos direitos. Renunciamos a quaisquer ideologias que, apesar de sua beleza aparente, escondem interesses particulares e não têm o seu ponto de partida nas necessidades reais de cada ser humano.

Confessar uma atitude humanista em qualquer área de ação é hoje um lugar comum. É quase que uma resposta de etiqueta à expectativa social. Não queremos ser enquadrados entre aqueles que se confessam humanistas por conveniência. Mais ainda, pedimos que o uso constante desta palavra não desgaste o seu conteúdo. Confessamos, ao mesmo tempo, que não estaremos livres do manejo quase que demagógico desta palavra para acobertar uma ação que não vise em primeiro lugar o ser humano. Por isso, mais uma vez, pedimos que todos nos cobrem coerência entre ideais e a ação.

Ao lado da confissão, lugar comum, acima apontada, espera-se outra: a confissão de fé cristã. Faremos também essa confissão, mas seremos realistas. Há entre nós muitos que são cristãos de fato e outros que não o são.

Essa situação não impede uma confissão humanista de nossa parte, não elimina nossa unidade de propósitos.

O reconhecimento da nossa diversidade de crença exige uma permissão para que falemos como cristãos; não para cumprir as exigências do segundo lugar comum esperado, mas para deixar claros certos equívocos correntes. Renunciando as conveniências de uma fé tradicionalista, não queremos batizar nenhuma instituição. Nós acreditamos na ação de cristãos, mas não cremos em instituições cristãs.

Procuramos com essa atitude fugir da idolatria das coisas feitas cristãs, tais como: cultura cristã, filosofia cristã, educação cristã, país cristão. Consagrar tais instituições como cristãs faz esquecer o próprio Deus e, conseqüentemente, o próprio homem. Não queremos tornar Deus um prisioneiro daquilo que construímos em seu nome, como também não queremos tornar o homem escravo daquilo que inventamos para colocar a seu serviço. Portanto, ao confessamos a nossa fé, não queremos sacralizar o mundo, mas servir ao homem. E nessa tarefa, cristãos ou não, estaremos todos unidos.

Cristãos ou não, achamos que caberia, no final de um compromisso com o humanismo, a lembrança de uma oração, antiga e ao mesmo tempo atual, de apelo a Deus para que o mundo se torne mais humano.
Salmo 84
Justiça e Paz

Senhor, sempre foste amigo dos homens,
tantas vezes mudaste a sorte do teu povo:
nossas culpas foram perdoadas,
nossos pecados, esquecidos.
Retiraste tuas ameaças,
aplacaste o furor da tua cólera

Quero ouvir o que o Senhor vai dizer.
Certamente, nos vai falar de Paz,
a nós, seu povo e seus amigos,
Sim, a salvação está muito perto dos que o temem,
e nossa terra verá de novo a sua presença radiante

Nesse dia,
amor e fidelidade se encontrarão,
Justiça e Paz se abraçarão.
Como chuva, a justiça descerá do céu,
e da terra brotará a fidelidade.
Deus mesmo dará os seus dons,
e nossa terra dará os seus frutos.
À sua frente, o Senhor enviará sua justiça,
abrindo entre nós um caminho para a Paz.

 

A escola que eles querem.

agosto 4, 2014

De vez em quando alguns políticos criam projetos de lei para colocar novas disciplinas nas escolas. Um desses projetos é o Projeto de Lei nº 2 de 2012 do Senado, tornando obrigatória em todas a as séries o ensino fundamental a disciplina Cidadania Moral e Ética. Penso que uma boa ilustração para tal proposta é um desenho de FRATO que reproduzo logo abaixo.

marionetes