Archive for the ‘Grandes Professores’ Category

Ciência e Espiritualidade

novembro 7, 2018

Registro aqui um podcast de entrevista com Alan Lightman na qual o conhecido físico e autor de ficção conversa sobre espiritualidade e ciência. O interessante da conversa é a profunda espiritualidade de um ateu que sabe apreciar a grandeza do universos e de seus mistérios. Vale ouvir. Para tanto, clique aqui.

Anúncios

Uma fala de Mike Rose

agosto 3, 2018

Jovem Urgente

setembro 21, 2017

Fui aluno do Paulo Gaudêncio, psiquiatra da hora nos anos de 1960. Ele era um professor que não prepara suas aulas, improvisava, contando histórias sobre suas experiências no consultório.

Gaudêncio foi convidado para fazer um programa para a moçada. Surgiu então Jovem Urgente, um dos grande sucessos na história da TV Cultura de São Paulo. Eu gostaria de rever alguns dos programas do Gaudêncio, mas via Google consegui encontrar apenas acesso a um deles, uma versão mais cuidado com participação do Mutantes, de Tom Zé e dos Novos Baianos. Um dos pontos altos do programa, além dos comentários fantásticos do Gaudêncio, são as músicas do Tom Zé.

Trago o vídeo para cá, pois ele é um episódio exemplar da TV brasileira. Há muita coisa a ser conversada a partir das falas do Gaudêncio e dos então jovens artistas como Tom Zé, Rita Lee e Moraes Moreira.

Deveres pra casa: uma bobagem

outubro 1, 2016

tonucci

O grande educador italiano, Francesco Tonucci, tem opiniões que costumam contrariar o pensamento hegemônico. Um delas é o de que od dever de casa é uma bobagem. Mais do que isso, é uma atividade que nada acrescenta aos alunos mais favorecidos e é um castigo para os alunos menos favorecidos. Tonucci opina que tudo oque é preciso fazer em termos de compromissos de educação deve acontecer no tempo escolar, não em casa. Além disso, o educador italiano não tem qualquer simpatia pela escola de tempo integral. Ele acha que as crianças precisam de um tempo diário para brincar. E brincar sem supervisão de adultos, usando sua imaginação, sua criatividade. Assim, terão o que contar na escola.

As ideias de Tonucci sobre deveres de casa, brincadeira independente e outros comentários muito pertinentes sobre o educar aparecem numa entrevista recente em Espanha. Deixo aqui link no qual está reproduzido o texto da entrevista e um vídeo curto em que Tonucci fala sobre a bobagem que é o dever de casa.

Clique aqui para acessar o link.

 

 

 

 

 

 

 

Coração de professora

janeiro 1, 2016

Trago para cá uma caricatura que diz muito em poucos traços e num comentário curto e certeiro. Com o registro homenageio minhas professoras primárias: Elza, Marina, Mariana e Maria Aparecida. A personagem é uma mulher, professora. Mas, minha homenagem precisa incluir também um homem, Professor João Madureira, meu mestre no quarto ano de grupo.

Coração de professora

Educação Popular: Barbiana

março 21, 2015

Ontem vi que o documentário Adieu, Barbiana agora aparece completo no Youtube. Trago-o para cá, pois a Escola de Barbiana é uma das mais belas experiências educacionais do século XX. Faz bastante tempo que aqui no Boteco, em minhas aulas e em outros cantos do ciberespaço insisto sobre a importância do pensamento e experiência educacional de Don Lorenzo Milani. O VT completo de Adieu, Barbiana me dá oportunidade de voltar ao assunto. Conheçam e estudem Barbiana. Vale a pena.

Para quem quiser saber mais sobre a Escola de Barbiana e Don Lorenzo Milani, seguem aqui algumas indicações:

A escola que não frequentei

junho 17, 2014

No post anterior falei de minha escola primária, o Grupo Escolar Coronel Francisco Martins. Era um escola ótima e o acesso a ela era muito democrático.

Na minha infância, grande parte das crianças sonhava apenas em tirar o primário, um diploma de quatro anos de escola. Aprendia-se a ler, escrever e contar. E com isso, partia-se para a vida. No caso de Franca, partia-se para a fábrica de sapatos, destino ocupacional da maioria da população operária da cidade. Pobres não sonhavam em tirar o ginásio, os quatro anos de escolaridade para adolescentes  dos 11 aos 15 anos. Muito menos sonhavam com o colegial.

Para ingressar no ginásio era preciso passar no exame de admissão. Quem tinha recursos,  pagava um curso preparatório para os filhos. Quem não tinha buscava meios para que os filhos aprendessem uma profissão. Em 2006 escrevi sobre essa situação num artigo que recebeu o título de A Volta do Aprendiz. Logo na abertura do texto, eu descrevia nosso destino depois do grupo da seguinte forma:

Corria o ano de 1952 numa pacata cidade do Interior de São Paulo. A mãe operária entra numa oficina mecânica e conversa com o dono, seu Belloni. Uma prosa comum: a chuvarada do fim de ano, crise nos curtumes, briga dos velhos leiteiros com a usina, o padre novo da matriz. Já de saída, a mãe faz um pedido: “eu queria que o senhor arrumasse um lugar para o Tavinho aqui na oficina”. Seu Belloni diz que não sabe se tem vaga para mais um moleque. A comadre insiste: “não tem precisão de pagar nada para ele, a gente só quer que o menino aprenda o ofício”.

Tavinho ia completar doze anos. Tinha acabado de tirar o diploma do curso primário. Ir para o ginásio era impossível, pois a família não podia pagar o curso de admissão. Sobravam poucas saídas: trabalhar de engraxate na praça, vender doces da tia Olga de casa em casa, conseguir vaga de ajudante na oficina mecânica do seu Belloni ou na gráfica do Aristarco. Se nada disso fosse possível, o destino era a vida vadia até os quatorze anos à espera de emprego nas fábricas para ganhar um salário de menor.

Seu Belloni arrumou a vaga pedida, mas avisou que nada podia pagar. A família agradecida começou a sonhar com o ofício que o menino iria aprender. E os bons sonhos ganharam corpo e vida. Tavinho não só aprendeu o ofício como se tornou um operário da indústria automobilística. Hoje, aposentado, ele ainda trabalha na sua própria oficina mecânica ali na Barra Funda.

Não cheguei a sonhar com o ginásio. No quarto ano de grupo, meu professor, João Madureira, já nos havia dito que estávamos destinados à vida de trabalho. Ele, porém, nos disse que tal destino nada tinha a ver com inteligência. Nós éramos, segundo ele, tão ou mais inteligentes que os meninos que iriam para o ginásio. Nosso problema, nos dizia o bom Madureira, era a origem operária e a falta de condições de estudo em nossas casas.

As crianças pobres da década de 1950 já podiam ter acesso a boas escolas primárias. Mas, o ginásio e o colegial eram praticamente inacessíveis para elas. Vale dizer que em todos os casos estou falando de escolas públicas. Havia ginásios e colégios públicos de boa qualidade. Todos eles, porém, tinham quase que exclusivamente filhos de classes abastadas. Nós, para evitar ingresso precoce no mercado de trabalho tínhamos uma única saída: o seminário. Fui para o seminário.

A história que estou contando não é apenas um detalhe da minha biografia. Ela é um momento importante da história da educação no Brasil. Havia na época escolas de qualidade. Mas o acesso a elas era muito difícil. No campo e em cidades sem muitos recursos, os pobres sequer conseguiam cursar o grupo escolar de quatro anos. Por toda parte, os meninos pobres não conseguiam chegar ao ginásio.

Não vou me deter em análises sobre qualidade da educação e qualidade das escolas públicas. O tema é um assunto interessante, mas fica para outra ocasião. Por ora quero apenas terminar este post indicando o que foi que o motivou. No grupo Apaixonados por Franca do Facebook foi colocada uma foto do Instituto de Educação Torquato Caleiro, o IETC. Vi a foto e me lembrei que o IETC no meu tempo de menino não era para o meu bico. Só filhos de gente com dinheiro conseguiam entrar lá. Por isso ela foi uma escola que não frequentei. Para curiosos ou amigos que conheceram o IETC de Franca, segue aqui a foto que encontrei no Facebook.

ietc

A escola para amanhã segundo Tonucci

dezembro 16, 2013

Uma bela conferência do educador italiano Francesco Tonucci. Não farei comentários introdutórios. Faço apenas a indicação.

Tonucci tem diversas obras fundamentais para quem trabalha com educação de crianças. Recomendo particularmente Com Olhos de Criança.

 

Caipira fui e sou…

janeiro 5, 2013

Nasci caipira na fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Itirapuã, SP. Depois, ainda caipira, mas em processo de urbanização, vivi em Franca, numa fazenda de Guará e novamente em Franca. Isso resume minha história até os onze anos de idade.

Ainda me lembro de muitas expressões, do vocabulário, dos valores, dos costumes, da vida caipira. Assim como Antonio Cândido, ainda sou caipira, no bom e no mau sentido da palavra.

Por causa da minha caipirice, resolvi trazer para cá uma maravilhosa aula de Antonio Cândido. Convido os frequentadores deste Boteco apreciarem tal maravilha.

 

Música e Educação

setembro 17, 2012

Já escrevi sobre música e educação diversas vezes neste Boteco. Desta vez pretendo escrever menos e apresentar exemplos que podem ser úteis em conversas sobre como a música deve ingressar nas escolas. Tenho receio de que o ensino de música se torne um troço chato. Alguns amigos meus já me disseram que as aulas de música que tiveram nos idos de 1950/1960 eram um horror. Por essa razão, precisamos de bons exemplos. Vou apresentar dois deles aqui.

O primeiro exemplo chama-se Bolton Project e foi desenvolvido em escolas públicas de Wiston-Salem, no EUA. A alma do projeto foi o maestro Peter Perret. Há um ótimo livrinho que conta a história do projeto e mostra como fazer música numa escola fundamental. O nome desse livrinho é “A well-tempered mind: using music to help children listen and learn”. Para quem estiver interressado, indico resenha da obra, texto que escrevi faz alguns anos. Para tanto basta clicar no destaque que segue:

Seguem algumas indicações sobre o Bolton Project (todas em inglês):

Outro exemplo é o PS22 Chorus, um grupo formado por alunos de uma escola pública, a Public School 22 in Graniteville, Staten Island (New York). O coro, que congrega cerca de sessenta crianças daquela escola de Staten Island, foi criado em 2000 por um professor de música, Gregg Breinberg. Gregg começou a fazer vídeos da atuação de seus alunos, com o objetivo de mostrar para os pais o que os filhos eram capazes de criar. Posteriormente, os vídeos foram para o Youtube e se tornaram un fenômeno na internet. Personalidades da mídia e cantores começaram a promover o PS22 Chorus, e a música dos meninos pobres de Staten Island foi para a TV,  para teatros, praças públicas.

Vejam e ouçam o PS22 Chorus cantando Imagine:

Vejam o PS22 Chorus cantando Viva la Vida:

Para se ter uma idéia do trabalho de um fantástico professor, vejam esta entrevista com o criador do PS22 Chorus, Gregg Breinberg: