Archive for the ‘Família’ Category

Santo e Luigia Barato

novembro 1, 2017

A qualidade da imagem não é das melhores, mesmo assim trago para cá registro da chegada de meus bisavós italianos, Santo e Luigia Barato, à cidade de São Paulo em 19/12/1890. Neste dia eles deram entrada na hospedaria dos imigrantes. Alguns dias depois seguiriam para uma fazenda de café na Serra da Mantiqueira, região de Guaxupé, MG. Não tenho dados muito seguros de onde moraram. Sei que na última fase da vida eles estavam em Itirapuã, SP, onde tinham um pequeno sítio. Meu bisavô descansa no cemitério dessa pequena cidade paulista. No mesmo túmulo está meu avô, Luis Barato, e meu pai, Joaquim Santos Barato.

Fotocópia de registro da passagem de Santo e Luigia Barato pode ser encontrada no site do Museu do Imigrante. Vejam a imagem aqui.

 

 

santo barato

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Minhas origens

dezembro 30, 2013

 

Hoje consegui encontrar referência sobre meus bisavós paternos que vieram da Itália. Primeiro encontrei o registro de chegada a São Paulo do meu bisavô, Santo Barato. A seguir, encontrei referência à minha bisavó, Luigia Barato. Eles chegaram ao Brasil, já casados, em dezembro de 1890, ele com 27, ela com 25 anos, ainda sem filhos. Meu avô, Luiz Barato, e meus tios (Napoleão, Antônio, Maria e Luiza) nasceram no Brasil. Não sei quanta marca genética tenho de meus ancestrais italianos. Mas carrego sobrenome de um casal que veio do Vêneto em 1890.

Para minhas outras origens, não tenho fontes históricas confiáveis.

Minha avó Paterna, Tereza, conhecida como Fiica, tinha origem cabocla. Meus ancestrais caboclos viveram muito tempo em Minas. Creio que, no tronco português, chegaram da terrinha no final dos seiscentos ou começo dos setecentos. Presumo que se casaram ou se amasiaram com índias nos inícios de 1700. Assim, acho que as raízes portuguesas da minha avó paterna podem ser situadas no século XVII. E no mesmo século ou no seguinte houve alguns índios e mestiços na família. Traços índios eram perceptíveis em Dona Fiica.

Tenho ascendência negra por parte de mãe. A avó de minha bisavó era escrava e teve um filho com seu senhor, um fazendeiro de Passos, MG, por volta de 1860. O menino foi dado a um casal de agregados do fazendeiro e criado como liberto. Casou-se com uma mulher de cor clara (talvez cabocla, talvez galega).  Sua neta, minha bisavó, Dona Valdomira, era uma mulata clara, casada com alguém de origem cabocla ou portuguesa. Resumo da ópera: minhas origens africanas aconteceram por volta de 1840, caso a avó de minha bisavó tenha vindo da África, ou por volta de 1820, caso ela tenha sido filha de africanos.

Minha avó materna, Dona Patrocínia, aparentemente era de origem portuguesa. Ela era uma mulher de cabelos e olhos claros. Uma galega, como dizem os nordestinos. Acredito que os avós ou bisavós dela vieram de Portugal no final dos setecentos ou começo dos oitocentos. Acho improvável a presença de caboclos neste ramo da família. Resumo desse capítulo: tive ascendentes portugueses que chegaram ao Brasil por volta de 1800.

Com a evidência histórica da chegada do meu bisavô italiano ao Brasil, e com especulações que posso fazer a partir de histórias que escutei de minha mãe, sou um mestiço que carrega sobrenome vêneto e tem as seguintes origens:

·         Italiana: com data de início aqui na terra em 1890.

·         Negra: com chegada de meus ancestrais africanos por volta de 1820 ou de 1840.

·         Índia: com provável começo por volta de 1720.

·         Portuguesa (no caso da família da minha avó paterna): começo incerto, mas com uma aposta razoável de ocorrência no final do século XVII.

·         Portuguesa (no caso da minha avó materna): por volta de 1800.

Minhas especulações têm vários buracos. Não consigo determinar com mais segurança minhas origens índias. Talvez elas tenham mais raízes que as percebidas no caso da minha avó paterna, pois a dinâmica da ocupação do território em torno da Serra da Canastra, área onde viveram muitos de meus ancestrais, foi marcada por inúmeros cruzamentos de portugueses com índios. Embora haja elementos para precisar o nascimento do mulato que deu origem ao ramo da família de Vó Valdomira, é bastante difícil encontrar qualquer indicação mais segura sobre a chegado do meu avô negro ao Brasil.

Inclusão e educação

maio 7, 2011

Um princípio básico de educação democrática é do respeito às diferenças. Uma das formas de concretizar tal princípio é a de não segregar pessoas diferentes em instituições ditas “especializadas”. Essa concretização de um direito fundamental dos seres humanos nem sempre é fácil. Velhos preconceitos ainda predominam. Além disso, educadores e escolas precisam aceitar as diferenças e fazer com que o cotidiano escolar favoreça integração de todos.

Destaco a questão da inclusão aqui por causa de uma campanha que uma amiga e ex-aluna, Cláudia Caro, está promovendo. Ela teme que o movimento segregador que se esconde sob a desculpa de oferta de educação especial afaste de escolas ditas “normais” crianças que apresentem alguma diferença. Para tanto, Cláudia tomou a iniciativa de um abaixo-assinado. Assinei a petição. Peço a amigos deste Boteco que entrem na campanha. É uma causa nobre e justa. Faço isso na forma sugerida pela ferramenta que gera petições como as encaminhadas por minha amiga:

Meus Amigos / Minhas Amigas,

Acabei de ler e assinar o abaixo-assinado online: «MANIFESTO – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – CUMPRA-SE!» 

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=INCLUSAO

Eu concordo com este abaixo-assinado e acho que você também pode concordar. 

Assine o abaixo-assinado e divulgue para seus contatos. Vamos juntos fazer democracia!

Obrigado,
Jarbas Novelino Barato

Criança Feliz, Feliz a Cantar…

outubro 12, 2010

Este Boteco comemora o dia da criança. Mas, como fazer isso? Achei que um bom caminho seria o de falar de algo relacionado com a infância de meus filhos.

Meus herdeiros já são adultos. André, o mais novinho, tem 28. Taís, a mocinha do meio, chegou aos 30. Nara, a primogênita, fez 33 recentemente. Para pai e mãe, os filhos sempre parecem crianças. Talvez esse modo de ver os filhos seja uma fuga para não enfrentar a realidade de anos que passam velozmente. Afinal de contas, parece que foi ontem que íamos nos maravilhando com as descobertas de nossos herdeiros. De um dia para o outro, nos dávamos conta de que as crianças conheciam todas as cores e sabiam nomeá-las. Num outro dia, para nossa surpresa, a mocinha mais velha lia sem gaguejar frases inteiras.

Nara, minha filha mais velha, foi alfabetizada nos Estados Unidos. Aprendeu a escrever em inglês e acho que não sabia como grafar palavras de nosso idioma. Além disso, ela transitava de um idioma para outro sem se dar conta de que estava falando português ou inglês. Ficamos sabendo disso por causa de um episódio familiar.

Em casa, o papo corria solto em português. Falávamos das escolas frequentadas por nossas filhas. Nara começou a contar fatos acontecidos em sua sala de aula. Á certa altura, começou a contar as diabruras de um coleguinha pelo qual não tinha muita simpatia. Falava de coisas que o menino aprontava contra as meninas. A história chegou num ponto em que a professora entrou na roda para chamar a atenção do moleque. A narrativa de minha filha começou a acontecer em dois idiomas. Ao se dirigir a mim e a minha mulher ela falava em português. Ao reproduzir as falas do menino e da professora, ela utilizava o inglês. Ela não estava reproduzindo literalmente os diálogos ocorridos na escola. Automaticamente, quando os persongens tinham o inglês como língua nativa, não os via falando português. Por isso, a narrativa dela acontecia da seguinte forma:

O menino puxou o cabelo da Joeleen. Aí a professora disse:

_ Mike, don’t do that. I’m seeing you.

A narrativa em dois idiomas continuou até que não nos seguramos mais. Começamos a rir. Mesmo assim, minha filha não percebeu o que estava acontecendo. Para ela era natural falar português com os velhos e construir narrativas em inglês de fatos acontecidos com seus coleguinhas e a professora. Um comportamento típico de pessoas bilíngues. Mas, não me preocupo aqui com aspectos relacionados com idiomas. Conto essa história para fazer um registro de situação que curti na infância de meus herdeiros.

Em minha volta no tempo para rever meus filhos ainda bem pequenos, lembrei-me de outro episódio no qual minha primogênita foi personagem principal. Em 1983, o HBO passava um filme produzido na Austrália: Dot and the Kangaroo. As crianças adoravam Dot, uma menina que se aventurou na selva e conheceu diversos animais interessantes da fauna australiana. O filme combinava a paisagem natural de árvores, rios, lagoas com desenhos dos personagens. A música era suave, apoiando a narrativa com bastante sutileza. Nara, assim que o filme terminava, queria vê-lo de novo. Deve ter visto a história algumas dezenas de vezes e sempre chorava no final porque sabia que tinha de esperar um ou mais dias pela reprise.

No início deste post eu queria apenas fazer um registro do dia da criança colocando aqui a abertura de Dot and the Kangaroo. Mas, para contextualizar minha escolha tive que contar fiapos de histórias acontecidas na infância de meus herdeiros. Isso faz bem. Ao contar histórias, voltamos àquele tempo em que aprendíamos a aventura da vida como nossos filhos.

Para comemorar a data e as proezas de meus filhos, aqui vai o trecho inicial de Dot and the Kangaroo.

Tese do André

julho 17, 2010

Nesta sexta, André, meu filho caçula defendeu tese de doutorado na Universidade de Wurzburg. Como qualquer pai babão, fiquei muito feliz. Afinal de contas meu herdeiro se doutorou num dos centros planetários mais importantes no campo da física.

Aproveito a oportunidade para cometer um exagero de pai coruja: publico aqui capa e abstract da tese do menino.

Julius-Maximilians-Universit¨at W¨urzburg
Fakult¨at f¨ur Physik und Astronomie
Nonequilibrium phase transitions and surface
growth
Andre Cardoso Barato
Betreuer: Prof. Dr. Haye Hinrichsen
Dissertation zur Erlangung des
naturwissenschaftlichen
Doktorgrades
der Julius-Maximilians-Universit¨at
W¨urzburg
W¨urzburg
2010

Abstract
This thesis is concerned with the statistical physics of various systems far
from thermal equilibrium, focusing on universal critical properties, scaling
laws and the role of fluctuations. To this end we study several models
which serve as paradigmatic examples, such as surface growth and
non-equilibrium wetting as well as phase transitions into absorbing states.
As a particular interesting example of a model with a non-conventional
scaling behavior, we study a simplified model for pulsed laser deposition by
rate equations and Monte Carlo simulations. We consider a set of
equations, where islands are assumed to be point-like, as well as an
improved one that takes the size of the islands into account. The first set of
equations is solved exactly but its predictive power is restricted to the first
few pulses. The improved set of equations is integrated numerically, is in
excellent agreement with simulations, and fully accounts for the crossover
from continuous to pulsed deposition. Moreover, we analyze the scaling of
the nucleation density and show numerical results indicating that a
previously observed logarithmic scaling does not apply.
In order to understand the impact of boundaries on critical phenomena, we
introduce particle models displaying a boundary-induced absorbing state
phase transition. These are one-dimensional systems consisting of a single
site (the boundary) where creation and annihilation of particles occur,
while particles move diffusively in the bulk. We study different versions of
these models and confirm that, except for one exactly solvable bosonic
variant exhibiting a discontinuous transition with trivial exponents, all the
others display a non-trivial behavior, with critical exponents differing from
their mean-field values, representing a universality class. We show that
these systems are related to a (0 + 1)-dimensional non-Markovian model,
meaning that in nonequilibrium a phase transition can take place even in
zero dimensions, if time long-range interactions are considered. We argue
that these models constitute the simplest universality class of phase
transition into an absorbing state, because the transition is induced by the
dynamics of a single site. Moreover, this universality class has a simple field
theory, corresponding to a zero dimensional limit of direct percolation with
L´evy flights in time.
Another boundary phenomena occurs if a nonequilibrium growing interface
is exposed to a substrate, in this case a nonequilibrium wetting transition
may take place. This transition can be studied through Langevin equations
or discrete growth models. In the first case, the Kardar-Parisi-Zhang
equation, which defines a very robust universality class for nonequilibrium
moving interfaces, is combined with a soft-wall potential. While in the
second, microscopic models, in the corresponding universality class, with
evaporation and deposition of particles in the presence of hard-wall are
studied. Equilibrium wetting is related to a particular case of the problem,
corresponding to the Edwards-Wilkinson equation with a potential in the
continuum approach or to the fulfillment of detailed balance in the
microscopic models. In this thesis we present the analytical and numerical
methods used to investigate the problem and the very rich behavior that is
observed with them.
The entropy production for a Markov process with a nonequilibrium
stationary state is expected to give a quantitative measure of the distance
form equilibrium. In the final chapter of this thesis, we consider a
Kardar-Parisi-Zhang interface and investigate how entropy production
varies with the interface velocity and its dependence on the interface slope,
which are quantities that characterize how far the stationary state of the
interface is away from equilibrium. We obtain results in agreement with the
idea that the entropy production gives a measure of the distance from
equilibrium. Moreover we use the same model to study fluctuation
relations. The fluctuation relation is a symmetry in the large deviation
function associated to the probability of the variation of entropy during a
fixed time interval. We argue that the entropy and height are similar
quantities within the model we consider and we calculate the Legendre
transform of the large deviation function associated to the height for small
systems. We observe that there is no fluctuation relation for the height,
nevertheless its large deviation function is still symmetric.

Pós-doc em Trieste

março 2, 2010

André, meu filho mais novo, deve defender seu doutorado em física, na Universidade de Wurzburg, por estes dias. Mas não volta para o Brasil tão cedo. Fica mais uns meses em Wurzburg, Alemanha, como pesquisador associado e já foi aceito para um programa de pós-doc no International Center for Theoretical Physics (ICTP), em Trieste, Itália. Por volta de setembro ele se junta ao grupo de pesquisa em matéria condensada no ICTP. E acho que deverá permanecer em Trieste por uns dois anos.

Nos últimos três anos, André já publicou sete artigos científicos em revistas internacionais de física [veja aqui o mais recente]. No geral, trabalha cerca de dez horas por dia, sempre fazendo pesquisa teórica num ramo bastante exigente de sua ciência. Quando vejo a carreira que meu filho vem construindo, olho com desconfiança para quem se diz pesquisador porque lê alguns artigos e raros livros, e cuja atividade investigativa se resume a discussões num grupo de estudos.

Brinquedo e desenvolvimento infantil

novembro 28, 2009

Pais de classe média querem dar de tudo para os filhos. Quartos de pimpolhos e pimpolhas são depósitos de montes de brinquedos que não foram manusaedos sequer uma vez. A expressão mais comum utilizada por tais crianças no Twitter é : “que tédio!”  Falta-lhes aventura e invenção. Falta-lhes chances de mudar o mundo para ver no que dá. Papais e mamães querem que brinquem com todas as novidades do mercado de produtos infantis. Algumas dessas novidades prometem milagres de aprendizagem, vantagens competitivas. E o que rola, conforme o dito das próprias crianças, é tédio.

Numa resenha que fiz do livro Com o Olhar da Criança, de Frato (Francesco Tonucci), está a seguinte observação:

Talvez o capítulo mais expressivo da obra seja A brincadeira.
Em várias charges, o autor mostra situações em que pais
presenteiam filhos com quantidades enormes de brinquedos
sofisticados. Os filhos ou vêem tudo aquilo com indiferença
ou sonham com coisas mais simples, produtos de sua própria
invenção. A denúncia de Tonucci desvela o equívoco de acreditar
que a posse de muitos brinquedos aumentará a felicidade das
crianças. Em todas as situações, a imaginação e o gosto infantil
são ignorados. Há muitos desenhos abordando o tema. Convém
citar um deles para exemplificar as reflexões de Frato. Um casal
pergunta à filha: “Neste Natal queremos realizar um desejo seu: que
brinquedo você quer? A criança, com cara alegre, responde: “Poças de
água e barro?” A ideia de brinquedo como produto que pode ser
comprado, em vez da exploração do mundo a partir da imaginação
infantil, predomina, segundo Frato, entre os adultos. Além
disso, quase sempre os pais parecem ignorar que a brincadeira
é uma oportunidade de criação de fortes laços afetivos com as
crianças. Brincar converteu-se em obrigação. Exemplo disso é
uma charge em que uma criança roda tristemente seu carrinho
entreouvindo a conversa dos pais. No quadro a mãe fulmina
o pai: ” Nada disso, você não vai sair. Hoje é seu dia de brincar, afinal
ontem e anteontem fui eu que brinquei!”

Interessados em ler a resenha inteira, podem clicar no link que segue.

Blog, conversa e vida pessoal

setembro 27, 2009

Em regulamentos para julgar blogs candidatos a prêmios, geralmente há normas que sugerem eliminação de diários eletrônicos que não mantenham certa linha “editorial”. Uma das sugestões mais frequentes nessse sentido é a de que blogs dedicados a determinado assunto (educação, tecnologia, arte etc.) não devem ter posts sobre aspectos da vida pessoal de seus autores.

Discordo inteiramente da orientação acima descrita, pois ela parece ignorar a natureza dos blogs. Estes são um local de conversa, não uma alternativa para publicação de ensaios, artigos, reportagens e assemelhados. Esses formatos eliminam a conversa e convertem os blogs em meros substitutos de publicações regidas por normas da cultura tipográfica.

Por causa de sua natureza conversacional, os blogs exigem uma “redação” diferente daquela que aprendemos para utilizar o papel como meio comunicativo. Não sigo em frente com comentários sobre isso por falta de tempo e espaço.

Além da questão da linguagem, blogs exigem uma outra coisa: precisam ser um espaço muito pessoal. Ou seja, precisam ser um espaço no qual o autor mostre sua cara. E uma das formas de mostrar a cara é falar de quando em vez de assuntos que nada tem a ver com o tema ou foco blog. Aprendi isso em comentários da Miriam e da Suzana. Há tempos, de maneiras um pouco diferentes, ambas chamaram atenção para um sentimento que leitores de blog têm, o sentimento de que o autor é um amigo cuja vida pessoal importa.

De autores de blogs que leio quero saber sempre algumas coisas: pra que time torcem, como são os filhos, de onde vieram, como vêem certas situações políticas etc. Não espero comunicações pessoais muito constantes. Mas, espero algumas conversas que mostrem faces das pessoas que falam de educação, tecnologia, arte, literatura ou outro assunto qualquer. Lilia Efimova, pesquisadora rigorosa dos blogs como ferramenta comunicativa, eventualmente fala de A, seu filho, de visita de sua mãe, de dúvidas sobre seu trabalho, de expectativas de carreira. E o tema central do espaço da Lilia é a natureza dos blogs. Ela não deixa, porém, de inserir, entre mensagens de muito apuro acadêmico, fiapos de conversa sobre sua vida pessoal. Seus leitores, sentem por isso, que estão falando com uma amiga.

Faço todos esses registros não para justificar eventuais notas pessoais que aparecem neste Boteco, mas para indicar uma das características que, a meu ver, são próprias dos blogs.  E isso cabe bem num espaço que se propõe a produzir “ensaios sobre blogs em educação”.

Família materna

setembro 25, 2009

Sempre quis divulgar esta foto quase centenária. Nela, minha bisavó materna, Waldomira, reúne os filhos, uma nora (minha vó) e um genro. A menina de vestido branco, à direita, é minha avó, Patrocínia, ao lado de meu avô, José, que não conheci (morreu aos vinte e dois anos). Acho que ele era o filho mais velho de Dona Waldomira, a mulher severa no centro da foto. No outro extremo, está tia Maria e o marido. Não sei nomear outros personagens, a não ser tio Sebastião, o menino sentado na frente de minha bisavó. Do lado dele está o caçula cujo rosto não pode ser visto. Segundo minha mãe, o menino acabara de receber uns puxões de orelha para ficar quieto.Vingou-se sabotando a foto na hora do “olha o passarinho”.

Na fotografia, guardada com carinho por minha mãe, acho que Vó Patrocínia devia ter uns quinze anos. Meu avô não teria mais que dezoito. Eram recém-casados. Na parte traseira da obra há um carimbo com os dizeres Venefredo Faria, Photographo. Como em Capetinga não havia retratistas, pressumo que o registro fotográgico desses Queirós do Sul de Minas foi feito ou em Cássia ou em São Sebastião do Paraiso.

Vó Waldomira