Archive for the ‘Botecos’ Category

Boteco fino

maio 4, 2011

Bottega Veneta. Marca de artigos finos de vestuário. Em tradução direta seria Boteco Veneziano. Como já anotei aqui outras vezes, a velha Apoteke, um tipo de armazém que existia no porto de Atenas deu origem a designações de estabelecimentos comerciais em diversos idiomas europeus. Em português gerou boteco, buteco, bodega, butique. Acabo de descobrir agora este novo uso, Botteca, em italiano para uma marca chic de bolsas, sapatos e outros artigos finos para senhoras. Vi a expressão em algumas lojas nas ruas (calles) mais elegantes de Veneza. Fotografei. Como vêem, esta prima do boteco é coisa sofisticada.

Fiz o registro fotográfico da Bottega Veneta. Com isso mostro que boteco pode ser coisa fina, sofisticada, de extremo bom gosto. Espero que tal registro faça com que muitos pedagogos deixem de ver o nome deste blog como ofensa à nobre causa da educação. O Boteco Escola tem bons companheiros no campo etimológico.

Segue mais uma foto. O nome Bottega Veneta aparece como destaque na vitrine de outra loja.

Anúncios

Geografia com recursos Web

agosto 10, 2010

Já faz algum tempo que postei aqui matéria a respeito de portais que oferecem informações interativas sobre conteúdos de geografia física e política. Entre os posts publicados, destaco:

Esses meus posts foram objetos de uma conversa recente com Ricardo Carvalho, estágiario de jornalismo da revista  Carta Capital na Escola. Ricardo é mais um aprendiz de jornalismo que entra em contato comigo para conversas sobre matérias de tecnologia educacional na citada revista.

Registro todas essas informações para falar um pouquinho de blogs. Diversas vezes escrevi neste Boteco que os blogs são locais de encontro, e que os posts são convites para conversas. Nessa trilha, meus ciberamigos da Carta Capital entraram em contato comigo a partir de alguma informação que publiquei no blog. As conversas seguem caminhos diversos. Aparecem na forma de comentários. Ás vezes, continuam via telefone. Quase sempre passam por troca de mensagens via email. Eventualmente podem render mais um post. Muitas vezes viram matéria na revista, em versão impressa e on line.

O Ricardo já é o quarto estágiário da Carta Capital com quem converso de vez em quando. Não tive o prazer de vê-lo pessoalmente, assim como nunca me encontrei com os demais estagiários que o precederam. É quase certo que jamais saberia da existência desses meninos talentosos se não fosse autor de um blog. Mas, minha atividade na Web acaba gerando oportunidade de cooperar com estudantes que estão experimentando fazeres profissionais pra valer.

Atualmente, minhas conversas com estágiários de jornalismo ganham maior interesse. Desde o ano passado estou dando aula de Filosofia para alunos de Comunicação Social. Assim, conversas com estudantes que precisam preparar matérias sobre uma de minhas áreas de conhecimento – tecnologia educacional – são sempre um prazer e um modo de saber mais sobre os jovens que escolheram o campo da informação como destino profissional.

Se você está pensando em publicar um blog, o exemplo aqui registrado ilustra um  dos resultados que podem acontecer a partir de seus convites para conversas no ciberespaço. Na história que estou contando, fica claro que uma mensagem (post) pode desencadear muita prosa sobre o assunto e criar oportunidades para que você exerça uma nova forma de fazer amigos por meio de papos cibernéticos. Em alguns casos, esses papos podem até ter um complemento numa rodada de chope em algum boteco decente.

Falta uma informação final. A partir de um papo inicial comigo, o Ricardo produziu uma reportagem interessante sobre Internet e ensino de Geografia. Vale a pena ver o matéria que ele escreveu. Para tanto, clique no link que segue.

Aprendizagem em botecos: Eduardo Galeano

fevereiro 9, 2010

Acabo de ler texto de Eduardo Galeano por indicação de @tiscar. No escrito, o grande autor uruguaio relata que boa parte de sua aprendizagem ocorreu nos velhos cafés de Montevidéu.  Essa declaração tem parentesco com diversas observações que já fiz neste Boteco sobre a natureza dos blogs, botecos internéticos. Por essa razão, resolvi reproduzir aqui o escrito de Galeano:

Sobre mi aprendizaje

Eduardo Galeano

Yo no tuve la suerte de conocer a Sherezade.

No aprendí el arte de narrar en los palacios de Bagdad.

Mis universidades fueron los viejos cafés de Montevideo.

Los cuentacuentos anónimos me enseñaron lo que sé.

En la poca enseñanza formal que tuve, porque no pasé de primero de liceo, fui un pésimo estudiante de historia.

Y en los cafés descubrí que el pasado era presente, y que la memoria podía ser contada de tal manera que dejara de ser ayer para convertirse en ahora.

No recuerdo la cara ni el nombre de mi primer profesor.

Fue cualquier parroquiano de esos que todavía se reúnen, en los pocos cafés que quedan, para evocar los tiempos en que había tiempo para perder el tiempo.

Él contó una historia, ahí en la rueda de amigos donde yo estaba de colado. Era una historia del año 1904.

Por la edad se veía que él no había ni nacido en aquel entonces, pero la contaba como si hubiera estado allí. Fue mi primera lección: el arte es una mentira que dice la verdad.

Y escuchando aprendí que se puede contar lo que pasó de tal manera que vuelva a ocurrir cuando uno lo cuenta, y que uno pueda escuchar ese remoto trueno de los cascos de los caballos, y que uno pueda ver sus huellas en la arena, aunque el suelo sea de baldosa o madera.

Y aquel hombre, para decir la verdad, mintió que él había recorrido las praderas ensangrentadas, después de una batalla, y había visto los muertos. Y uno de los muertos, dijo, era un ángel. Un muchacho bellísimo, con la vincha blanca roja de sangre. Y la vincha decía: «Por la patria y por ella», y la bala había entrado en la palabra «ella».

Esta é a primeira parte de um texto que traz belas declarações do autor sobre palavra, comunicação, história e verdade. Se você quiser ver o escrito completo, clique aqui.

Aproveito a ocasião para um brinde: um VT no qual Galeano fala sobre o mundo de hoje.

Botecos chiques

janeiro 23, 2010

O jornal de livros The New York Review of Books acaba de publicar uma resenha sobre Koestler: The Literary and Political Odyssey of a Twentieth-Century Skeptic, uma biografia de Arthur Koestler. O herói da história é um dos intelectuais do século XX com uma das vidas mais agitadas. Ele bebeu com quase todos os grandes escritores de sua época. Teve vida amorosa com mais aventuras que a de Picasso. Participou de movimentos sociais e políticos  expressivos do século, muitas vezes mudando radicalmente de lado. Em resumo, foi um figura tão interessante quanto personagem de ficção aventurosa.

Além de romances e reportagens, Koestler escreveu obras sobre psicologia, sociologia, cultura, filosofia da ciência. Li, faz tempo, seu The Act of Creation, um livro indispensável para discussões sobre criatividade nas ciências, nas artes, na vida. Lembro-me bem do primeiro capítulo da obra, The Jerster, no qual Koestler procura explicar como se dá e “explosão” de um ato criativo. Ele mostra que a estrutura do humor pode iluminar nossa compreensão. Pense numa piada, por exemplo. A história, no seu desenrolar parece algo banal, o desfecho, porém, surpreende, muda radicalmente para outro campo de significado, provoca um entendimento que dá sentido à graça da piada. Tal estrutura é muito parecida com as metáforas que estiveram presentes em grandes descobertas científicas. Metáforas, ao transitarem de um para outro campo semântico, criam o novo assim que as entendemos [assim que a explosão de entendimento que elas provocam dão sentido a uma nova descoberta ou a uma nova maneira de ver o mundo]

Ao escrever este post, dei uma olhada nas avaliações do The Act of Creation na Amazon Books. Descobri que um dos avaliadores manifesta opinião parecida com a minha. Afirma que a obra é um clássico sobre criatividade e estranha que livros atuais sobre o assunto ignoram Koestler:

Recently, I have read a lot of books on Creativity and Innovation. My big surprise is that virtually none of them mention Koestler’s The Act of Creation. This is unfortunate because this book is probably the most authoritative examination of creativity. Attention to this classic is worth reviving.

Mas, não devo continuar com consideraçoes sobre a obra do autor. Preciso falar do que o título deste post promete: botecos chiques.

Koestler era um grande bebedor (pelos nossos padrões seria visto hoje até como um alcoólatra). Bebeu com muita gente famosa em botecos badalados da velha Europa. Na biografia citada, há uma história que resumo a seguir.

Numa noite de 1946, em Paris, Koestler e sua namortada Mamaine Paget sairam para uma noitada com Jean Paul Sartre , Simone de Beauvoir, Albert Camus e Carmine (esposa de Camus). Jantaram num bistrô argelino. Do restaurante sairam para uma casa de danças, com lluminação de luzes de neon rosa e azul. Dali, por sugestão de Koestler, o grupo foi para um boteco russo. A última escala da noitada, por volta das quatro da matina,  foi o Chez Victor no Les Halles,onde Koestler e amigos ilustres tomaram sopa de cebola e vinho branco.

A bebida correu o tempo todo. A turma inteira estava bêbada e  conversava sobre política, cultura e assuntos corriqueiros. No final, já ao amanhecer, percorriam as margens do Sena. Sartre era o único com compromisso imediato: iria dar uma palestra de manhã sobre a Responsabilidade do Escritor, na Sorbonne. Ao saber do compromisso, Camus disse: faça isso “sem mim” – sans moi. Sartre comentou: “eu também gostaria que a minha palestra fosse sans moi“. O autor de Le Mur tomou umas “bombas” para se manter acordado e amenizar a bebedeira. Foi para a Sorbonne e palestrou. Ao finalizar a narrativa do episópodio, o biógrafo de Koestler comenta: “não é possível, mesmo para um existencialista, palestrar para os estudantes sans moi“.

Os intelectuais citados eram botequeiros. Bebiam pra valer. Bêbados trocavam figurinhas muito diferentes das sérias obras que escreveram. Ao ler a resenha, fiquei imaginando que botecos frequentavam. Não eram pelo jeito casas sofisticadas. Mas deviam ser lugares que ficavam chiques por causa da gente que por eles passavam. Naquela época a produção intelectual não ficava só nas academias, os botecos desempenhavam papel importante na vida de Sartre, Beauvoir, Camus, Koestler e muitos outros gênios da cultura em meados do século XX. Evoé, Baco!

A expressão final deste post foi uma lembrança de versos de Bandeira. Reproduzo-os para o prazer do leitor:

Quero beber! cantar asneiras
    No esto brutal das bebedeiras
    que tudo emborca e faz caco...
          Evoe' Baco!

Música de boteco

janeiro 13, 2010

A primeira vez que vi o fado fiquei em estado de graça.

Você deve estar estranhando a frase que abre este post. Talvez tenha me corrigido inconscientemente trocando o vi por ouvi. Mas não há erro não. Vi o fado pela primeira vez em 1979, em Lisboa. Antes já ouvira fados.

Fado é uma música para ser vista, como o tango. Gestos, expressão facial do cantante ou da cantante, roupa apropriada, cara e jeitão dos músicos, jogos de meia luz. Tudo isso é essencial para entender o fado. Conclusão: o fado é cantado para ser visto. Quem nunca viu o fado pouco conhece dessa maravilha portuguesa.

Fiz uma longa introdução para dizer que em alguns casos – e em algumas casas – o fado pode ser música de boteco. Não um boteco qualquer. Mas qualquer boteco na beira do cais de Lisboa. Enquanto espero nova oportunidade para ver um fado, contento-me com a performance de Ana Moura, apresentada a seguir.

Comida de boteco

janeiro 12, 2010

Meu amigo Antônio Morales me manda mais uma notícia interessante: lá em Bauru acabam de inventar a lasanha bauru. O novo prato tem os ingredientes originais do famoso sanduiche do Ponto Chic. Divulgo a invenção. Deve ser muito bom comer lasanha bauru acompanhada por um tinto honesto  e um papo legal. Coisa de boteco.

Boteco: uma instalação de arte

janeiro 11, 2010

Meu amigo Antônio Morales acaba de enviar notícia a respeito de evento cultural sobre botecos. Trata-se de instalação que pode ser vista no SESC de Bauru por estes dias. Fiel ao propósito de divulgar informações sobre botecos, reproduzo aqui matéria publicada pelo Jornal da Cidade [de Bauru], Suplemento Cultura, de 11/01/2010.

Antes de reproduzir a matéria, repito idéia que divulgo desde a inauguração deste Boteco Escola. Há espaços privilegiados para a conversa. No nosso meio, o melhor espaço para um papo livre, descontraído, autêntico, descompromissado, inteligente, engraçado, vivo, apoiado por petiscos e cerveja é o boteco.

O botequim da Internet é o blog. Às vezes alguém se esquece disso e cria blogs acadêmicos, sisudos, na contramão da boa conversa. Por isso vale a pena sempre voltar aos botecos onde é possível tomar uns tragos com o umbigo colado num balcão, colocando o papo em dia e fazendo novas amizades. Essa volta aos botecos originais faz com que reavivemos os blogs como espaços de conversa.O texto enviado pelo Morales diz isso muito melhor que eu. Vamos a ele.

O que em Portugal era botica,
loja onde se vendia mantimentos
e miudezas, no Brasil se
popularizou, virou boteco, um dos
espaços onde mais se revela a cultura
popular. De política a futebol, passando
pela música e por assuntos
sentimentais, tudo se discute no bar.
Há até quem considere que frequentar
botequim equivale a uma terapia.
“Se chego nervoso, logo
descontraio. Alguém faz uma brincadeira,
uma piada, e se esquece do
problema”, explica o chaveiro José
Carlos de Oliveira Campos, que se
considera um botequeiro de
carteirinha. Pelo menos uma vez por
semana, tem de ir para o bar. É entre
uma cerveja e outra, que põe o papo
em dia com os amigos, faz novas
amizades, come um petisco e volta
para casa relaxado.
Por defender que boteco é espaço
familiar sim, José Carlos, que entre
outros estabelecimentos frequenta o
Bar da Rosa, costuma levar os filhos
consigo. “Hoje eles – são quatro – já
são adultos, mas quando eram menores
também me acompanhavam.
Bar é onde encontro amigos e faço
novos. Falo da minha vida e ouço
muito. Só tem de saber entender todo
mundo”, afirma.
Como ele, são muitos os
frequentadores de boteco. Em Bauru
são cerca de 600 estabelecimentos denominados
bares e lanchonetes, segundo
o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes,
Bares e Similares. Esse caldeirão
cultural que é o botequim, que pode
ser muito simples, rústico ou sofisticado,
é tema de instalação no Serviço
Social do Comércio (Sesc) de Bauru.
Quem visitar o Sesc até o dia 28 de
fevereiro poderá conferir a instalação
das artistas plásticas Gigi
Manfrinato e Sandra Lee, que é composta
por 16 personagens-esculturas
em tamanho natural, e que retratam
situações cotidianas de um bar. ❝
Fala-povo
“Significa reunir os amigos,
distração.”
❝ Rafael João de Lion
“O fechamento de um
dia inteiro de trabalho.”
Vinicius Biondo
 Ricardo Lion
“Colocar o papo em dia,
trocar ideias.”
O que
significa
frequentar
bar?
IEDA RODRIGUES
Boteco, um espaço de cultura popular
Os visitantes também poderão conferir
alguns dos bonecos que pertencem à
famosa exposição “A Fila” e outros da
última intervenção das artistas, “Cenas
Corriqueiras”.
Com forte influência da linguagem pop,
as esculturas estabelecem uma rápida ligação
entre o espectador e o objeto, levando
o público a interagir com os bonecos,
tornando-se parte deles. Em entrevista ao
Sesc, Sandra e Gigi revelam que seus trabalhos
retratam situações rotineiras, pois o
público sempre se identifica com os personagens
e ao final acabam se confundindo
com eles, criando um diálogo.
Para a confecção dos bonecos foi utilizada
a técnica do empapelamento, em
que a estrutura é feita com um mistura de
cola, gesso, papel machê, fibra de vidro e
tinta para dar o acabamento. Em média,
os bonecos consumiram três meses e
meio de trabalho das artistas plásticas.
Serviço
A instalação “Botequim”, no Sesc
de Bauru, segue até 28 de fevereiro.
Grátis. O Sesc fica na av. Aureliano
Cardia, 6-71. Mais informações pelo
telefone (14) 3235-1750, de terça a
sexta, das 13h às 21h30, e sábado,
domingo e feriado, das 9h30 às 18h.

Blogs na educação

novembro 20, 2009

Faz algum tempo que dei uma entrevista para a jornalista que cuidava da divulgação de um evento sobre tecnologia educacional. Infelizmente nada do que escrevi em resposta às perguntas que a moça me fez por escrito foi aproveitado. Eu não disse nada que pudesse dar manchete ou alimentar chamadas na direção das expectativas populares quanto a novas tecnologias. Essa é uma das dificuldades de conversa com quem só pensa em notícia, em vez de valorizar informação.

Numa das respostas, exemplifiquei meu modo de pensar com um longo comentário sobre uso de blogs em educação. Minha fala repete algumas coisas que já disse aqui no Boteco. Mas, há nela alguns aspectos novos. Para que minha proposta de conversa não se perca, e para obter feeback de alguns leitores que queiram prosear, aqui vai o que disse na ocasião:

[…]Pelo que escrevi até agora, a primeira pergunta não deveria ser uma indagação sobre imaginação pedagógica. Essa não é a questão central em usos das novas tecnologias da informação e comunicação em educação. O que está em jogo é uma compreensão do que é tecnologia educacional. Em conversas com meus alunos, tenho insistido numa definição enganosamente simples, a fórmula TC=F+I. Ou seja, Tecnologia Educacional (TC) é o resultado de uma fusão das ferramentas (F) com a imaginação (I). Simples uso de ferramentas não é tecnologia educacional. Em outras palavras, tecnologia educacional é conhecimento, não máquinas e equipamentos.

Temo que essa crítica ao deslumbramento satisfeito, que acha que materiais bem arrumados na Web, atividades de educação à distância, softwares de multimídia etc. são avanço tecnológico significativo, seja ignorada.  Ela não é óbvia, evidente. A convicção generalizada é a de que simples usos dos equipamentos é tecnologia. A imaginação é uma insigne ausente no caso.

Deixe-me apresentar um pequeno exemplo. Num trabalho de uso de blogs em educação, percebi que muitas pessoas simplesmente transcrevem textos didáticos para os posts. O resultado é uma obra sem agilidade, sem atração, sem a marca de conversação que caracteriza os weblogs.

Blogs são sobretudo espaços de encontro para a negociação de significados. Para que tal característica exista, é preciso que os textos possuam certas virtudes literárias. Mas não é só isso. Blogs são instrumentos numa rede de informação e comunicação. Por isso os textos precisam ser escritos com hiperlinks que bem aproveitem as informações disponíveis na Web. Mas isso não pode ser feito apenas “tecnicamente”. Usar hiperlinks é atividade que supõe construção de textos com possibilidades de leituras em camadas. Por isso é preciso produzir textos que dêem ao leitor possibilidades de explorar o ambiente informativo da Web (tal circunstância muda muito como escrever; produzir textos para serem colocados numa tela e, além disso, ligados a muitos outros textos ao alcance de uma clicada muda muito (ou deveria) o ato de escrever).

Exige-se aqui um discurso diferente daquele produzido em papel. E mais, o autor precisa construir um texto integrado com possíveis imagens. Outra coisa, comunicações em blogs são convites para uma conversa; o autor, portanto, precisa pensar em iniciar algo que terá desdobramentos nos comentários feitos por outros. Os comentários, no geral difíceis de prever quanto a conteúdo, ênfases, estilos etc, farão parte de uma obra que sempre poderá ser revista, alterada, enriquecida pelo autor e pelos leitores. As ferramentas disponíveis possibilitam todas as coisas que mencionei aqui, mas concretizá-las depende de talento do autor ou autores.

Acrescento mais algumas considerações sobre os blogs. Aparentemente essa ferramenta é um local onde autores podem publicar textos na forma de diários. Por isso, muitos educadores vêem os blogs como um bom instrumento para desenvolver capacidades de redação. Mas a idéia é muito limitada.

Blogs são sobretudo um ponto de encontro, um espaço público de conversação. Assim, a melhor metáfora para os blogs não são os diários. É mais adequado pensar os blogs como locais onde as pessoas podem dizer a própria palavra. Eles, assim, podem ser comparados com a praça pública (“a praça é do povo”) ou com a velha ágora grega, o local público onde os cidadãos se encontravam para exercer a democracia direta por meio da palavra e do voto. Outra possibilidade: os blogs se assemelham aos velhos cafés parisienses do século XIX, espaços públicos importantes onde a conversa era livre. Indo mais longe: blogs são como botecos, onde a conversa corre solta e onde qualquer assunto é bem vindo. A escrita, posts e comentários, os links, as imagens são apenas aparências que encobrem a realidade mais profunda dos blogs, um espaço virtual de encontros humanos.

Todas essas idéias sobre os blogs são frutos de criações que foram se desenvolvendo no tempo. Hoje, educadores que queiram utilizar blogs em seu ofício precisam saber que a ferramenta gerou um modo de comunicação inicialmente inesperado. As aparências enganam…

Box 32: cachaça e comentário

agosto 8, 2009

Box 32 Cachaça GarrafaO Box 32 tem uma cachaça com sua marca. É pinga encomendada a um engenho catarinense. Boa. Sempre que passo por lá compro uma ou duas garrafas. Tomar uma dose no local é de lei. O leve calor provocado pela aguardente é um motivo a mais para aquele chope bem tirado. Mais informações, supostamente imparciais como as minhas, podem ser obtidas no blog de onde retirei a imagem que ilustra o começo desta conversa.

Box 32

agosto 7, 2009

box floripaPrometi, nos inícios deste Boteco, postar vez ou outra indicação de botecos que valem a pena. Faço isso muito raramente. Não por falta de conhecimento da matéria. Mas, por esquecimento do compromisso. Agora, revendo meu Primeiros  Mil Microcontos, encontrei notícia que vou reproduzir aqui. Na foto, como registro, estão meus amigos June e Bernie Dodge. Posso assegurar que os gringos amaram o pedaço. Ano retrasado levei até o Box 32 outro moço de fora, o Professor Pacheco da Escola da Ponte. Botequeiro, quase que o portuga perde o vôo. Queria ficar no Box até a madrugada.

Volto ao post original, publicado pela primeira vez no meu blog de microcontos

Olha nóis aí num papo legal no Box 32, Floripa, 2005. Meus parceiros de conversa, dois velhos amigos de San Diego: June e Bernie Dodge. Os conversantes estão num escurinho. O grande destaque é o fundo do Box 32, lugarzinho porreta para grandes papos, acompanhados por boa cachaça, chope bem tirado e pastéis de camarão. Recomendo, e olha que nada ganho de comissão. O lugar merece mesmo indicação. Se for a Floripa, não deixe de dar um pulinho até o velho mercado para experimentar as delícias de um boteco exemplar.