Archive for the ‘Botecos e similares’ Category

Boteco estoniano

janeiro 27, 2018

Quando inaugurei este Boteco, minha amiga Ana Scatena enviou esclarecimento quanto à origem da palavra. Boteco vem de apotheke, termo grego que designava armazéns do porto do Pireu. Apotheke virou bodega, virou boteco, virou botequim. Em muitos idiomas, apotheke é farmácia. Na foto que trago para cá, feita por uma amiga de Facebook, pode-se ver claramente como ficou apotheke no idioma da Estônia: apteek. E, pelo símbolo que acompanha a palavra, fica fácil deduzir que se trata de uma farmácia.

 

boteco 3

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Boteco Germânico

agosto 22, 2014

Quando inaugurei este Boteco, minha amiga das letras, Ana Scatena, esclareceu em comentário, que a palavra boteco vem do grego Apotheke. O termo original designava os armazéns do porto do Pireu, centro do comércio internacional da cidade de Atenas. Nosso boteco tem um pouco do apotheke grego, é um lugar de encontros, de trocas.
Em viagens fora do país, sempre que acho algum empreendimento comercial que tenha nome que se aproxime de boteco ou apotheke, saco uma foto. Em Wurzburg, na Alemanha, descobri que o termo apotheke designa farmácias. A ideia de local de encontro ainda continua. Érico Verríssimo em seus romances costuma ambientar encontros para rodas de chimarrão na parte de trás das farmácias das pequenas cidades gaúchas. O fundo de algumas farmácias era, para Érico, o boteco do lugar. Nada sei sobre as farmácias alemãs, mas fantasio que elas também já foram botecos.

Segue foto de uma apotheke de Wurzburg.
europa019

Blogs e educação: as aparências enganam

janeiro 4, 2013

Em meu trabalho de uso de blogs em educação, percebi que muitas pessoas simplesmente transcrevem textos didáticos para os posts. O resultado é uma obra sem agilidade, sem atração, sem a marca de conversação que caracteriza os weblogs.

Blogs são, acima de tudo, espaços de encontro para a negociação de significados. Para que tal característica exista, é preciso que os textos possuam certas virtudes literárias. Mas não é só isso. Blogs são instrumentos numa rede de informação e comunicação. Por isso os textos precisam ser escritos com hyperlinks que bem aproveitem as informações disponíveis na Web. Mas, isso não pode ser feito apenas “tecnicamente”. Usar hyperlinks é atividade que supõe construção de textos com possibilidades de leituras em camadas. Por isso é preciso produzir textos que dêem ao leitor possibilidades de explorar o ambiente informativo da Web (tal circunstância muda muito como escrever; produzir textos para serem colocados numa tela e, além disso, ligados a muitos outros textos ao alcance de uma clicada muda muito (ou deveria) o ato de escrever). Exige-se aqui um discurso diferente daquele produzido em papel. E mais, o autor precisa construir um texto integrado com possíveis imagens.

Outra coisa, comunicações em blogs são convites para uma conversa; o autor, portanto, precisa iniciar algo que terá desdobramentos nos comentários feitos por outros. Os comentários, no geral difíceis de prever quanto a conteúdo, ênfases, estilos etc, farão parte de uma obra que sempre poderá ser revista, alterada, enriquecida pelo autor e pelos leitores.

As ferramentas disponíveis possibilitam todas as coisas que mencionei aqui, mas concretizá-las depende de talento do autor ou autores.

Acrescento mais algumas considerações sobre os blogs.

Aparentemente essa ferramenta é um local onde autores podem publicar textos na forma de diários. Por isso, muitos educadores vêem os blogs como um bom instrumento para desenvolver capacidades de redação. Mas, a idéia é muito limitada. Blogs são, sobretudo, um ponto de encontro, um espaço público de conversação. Assim, a melhor metáfora para os blogs não são os diários. É mais adequado pensar os blogs como locais onde as pessoas podem dizer a própria palavra. Eles, assim, podem ser comparados com a praça pública (“a praça é do povo”) ou com a velha ágora grega, o local público onde os cidadãos se encontravam para exercer a democracia direta por meio da palavra e do voto.

café by lautrecOutra possibilidade: os blogs se assemelham aos velhos cafés parisienses do século XIX, espaços públicos importantes onde a conversa era livre. Indo mais longe: blogs são como botecos, onde a conversa corre solta e onde qualquer assunto é bem vindo. A escrita, posts e comentários, os links, as imagens são apenas aparências que encobrem a realidade mais profunda dos blogs, um espaço virtual de encontros humanos.

Todas essas ideias sobre os blogs são frutos de criações que foram se desenvolvendo no tempo. Hoje, educadores que queiram utilizar blogs em seu ofício precisam saber que a ferramenta gerou um modo de comunicação inicialmente inesperado. As aparências enganam…

RAZÕES PARA BLOGAR

novembro 14, 2011

Faz algum tempo que uma estudante de pós, Candice, me pediu para responder a algumas questões sobre blogs. Respondi. Não sei se minhas respostas foram de alguma valia para trabalho que ela estava elaborando. De qualquer forma, para registro, divulgação e compartilhamento, reproduzo aqui parte de minhas respostas.

Em relação ao seu blog

Conte-nos as razões pelas quais você bloga, as [des]vantagens e como este espaço tem impactado em sua vida profissional?

Blogo por diversos motivos:

 1.      Como forma de participar ativamente do ciberespaço. Com a Internet e a Web, entendo que as pessoas não podem ficar apenas no papel de usuários. Elas precisam ser autoras. O blog permite isso. Quem publica um blog vê-se como cidadão ativo no ciberespaço.

2.      Para conversar com pessoas que tem interesses similares. Em blogs, por meio de posts, a gente propõe conversa. Me interessa, portanto, descobrir, no país e no Exterior, pessoas que queiram conversar sobre assuntos que julgo importantes. Por outro lado, o blog é um instrumento para que eu possa conversar com outros autores de blogs que fazem parte de minhas escolhas e/ou indicações

3.      Para me divertir. Algumas vezes a gente quer compartilhar coisas alegres ou simplesmente “jogar conversa fora”. Blogs servem para isso em conversas no ciberespaço. E acho que isto deve acontecer mesmo em blogs ”sérios”.

4.      Para conhecer pessoas. Trocas de informação com outros blogueiros, links do meu blog na Web e comentários no meu blog muitas vezes acabam estabelecendo laços de amizades “virtuais”. Por meio do blog estabeleci laços de amizade com pessoas que, provavelmente, nunca encontrarei  face a face. Muitas dessas amizades virtuais incluem pessoas de outros países, particularmente Espanha e Portugal.

5.      Como forma de manter contatos com pessoas que já conheço há muito tempo. Amigos de longa data muitas vezes estão longe. O blog é um meio de comunicação com eles. O que posto dá-lhes idéia do que ando pensando e fazendo. Sei disso porque acompanho a vida de alguns velhos amigos distantes por meio de seus blogs.

6.      Para registrar algumas coisas que estou estudando ou pensando. Nesse sentido, o blog funciona como um diálogo comigo mesmo.

7.      Com a finalidade de aperfeiçoar minha capacidade de escrever. Como o blog é um convite à conversa, tenho que caprichar nos posts, tentando produzir comunicações inteligíveis, elegantes, claras, interessantes. Tudo isso pode acontecer se o texto tiver qualidade.

Escrevi, no Boteco Escola, uma relação de motivos para blogar inspirado por  blogueira que acompanho há bastante tempo, Lilia Efimova. Com base em estudos que Lilia fez para sua tese de doutorado, escrevi matéria intitulada “Blogar para que?”. Você pode ver o texto em:

 

https://jarbas.wordpress.com/2009/11/20/blogar-pra-que-2/

 

Você pergunta por vantagens. Vamos lá.

 1.      Uma primeira vantagem: ficar conhecido no ciberespaço. Blogueiros ativos costumam deixar alguma marca nos espaços virtuais. Por isso se tornam mais conhecidos. Isso pode nos favorecer profissionalmente, pois a produção apresentada no blog é uma referência para convites de todo tipo: palestras, produção de artigos, seminários etc.

2.      Conhecer pessoas. Isso acontece principalmente por meio de conversas que se estabelecem a partir de comentários aos posts.

3.      Acompanhar pessoas que produzem conhecimento que é de nosso interesse. Acompanho, por exemplo, Diane Ravitch e Mike Rose, autores que admiro e promovo em meu trabalho.

4.      Divulgar trabalhos que realizo. A divulgação pode resultar em interessantes trocas de informação e experiência. Um exemplo. Criei um material sobre redação cooperativa. Esse material acabou sendo utilizado ou servido de referência para duas experiências de ensino de redação em Portugal. Foi muito compensador trocar informações sobre o tema e ver meu trabalho utilizado por profissionais de um país distante.

5.      Observar como minhas idéias sobre assuntos que abordo sofrem mudança no tempo. 

 

Não aponto qualquer desvantagem no blogar.

Você acredita que os temas que aborda no blog são baseados na sua formação e/ou no seu cotidiano? você lê o seu blog e os outros blogs? Com que frequência?

O que abordo no meu blog reflete, claro minha formação, meus estudos, minhas convicções etc. Por outro lado, blogs são instrumentos muito vinculados ao cotidiano. Leitura de jornal, noticiário da TV, conversas com amigos e muitas outras coisas que rolam no dia-a-dia podem resultar em posts opinativos ou provocativos.

Sim, leio outros blogs. Leio os blogs que relaciono na minha coluna de blogrolls. E leio blogs que pesquiso para saber mais sobre a arte de blogar. Talvez eu não leia blogs tanto quanto devia. No geral, leio matérias de três ou quatro blogs semanalmente.

Em relação a sua audiência

Quem você acredita que sejam seus leitores? Com quem você gostaria de dialogar através deste canal? O que muda para você o fato de saber que está sendo lido?

Boa parte de meus leitores é constituída por pessoas que trabalham em educação. Mas, tenho leitores de outras áreas. Como utilizo a metáfora do boteco para definir blogs, muitos “botequeiros do ciberespaço” freqüentam meu espaço. E eu, o deles. No geral quero dialogar com educadores ou com pessoas da área de comunicação social.

 

Ser lido cria responsabilidade. Ao mesmo tempo, nos anima a continuar com o blog, a escrever, a encontrar matérias interessantes. Ser lido significa que a proposta de conversa está chegando lá.

Você acredita que os temas que aborda são relevantes para a sua audiência promovendo um espaço que compartilha conhecimentos?

Acho que muitos dos assuntos que abordo geram interesse de pessoas com quem quero conversar. Não sou uma boa fonte para julgar se o que escrevo é “relevante”. Acho que muito do escrevo, repito, pode ser interessante para muitos leitores. Interesse e conversas em torno de temas que proponho concretizam um compartilhamento de conhecimentos.

Música de botequim

agosto 23, 2011

Sidney Miller é um dos grandes nomes da MPB nos anos 60. Além de belas melodias, suas letras eram poesias tocantes e bonitas. Hoje me lembrei dele e, para não ficar apenas na lembrança, convidei amigos do Facebook para apreciar “Pois é, pra que?”, uma de suas obras, interpretada pelo MPB4. Isso rendeu alguma conversa e mais audições de outras músicas de Sidney Miller.

Meu amigo Antôno Morales, ao examinar VTs disponíveis de obra do Sidney, encontrou um samba chamado Botequim Nº 1. Conclui que o samba precisava estar aqui, pois este Boteco prestigia boa música e elenca canções que falem de botecos, botequins e assemelhados. Por isso, com vocês, Botequim Nº 1:

Chope bem tirado

agosto 15, 2011

Aprende-se muito nos bares da vida. Por isso, este estabelecimento é Boteco Escola. Por época da inauguração da casa, conversei com leitores-frequentadores sobre o nome desse blog. Poupo-os de reiterações e vou direto ao assunto que interessa: como tirar um bom chope.

Acabo de ver em De Rerum Natura, blog de ciência e cultura, indicação interessante da Professora  Helena Damião, da Faculdade de Educação da Universidade de Coimbra: um vídeo que ensina como tratar bem o chope. Além de importância em estudos de botecologia, o material indicado por Helena é exemplo de bom material didático.

O personagem e narrador da história é Raul Solnado, humorista português bastante conhecido aqui na Terra de Santa Cruz. Afine bem o ouvido antes de ver o vídeo.O português de Portugal fica cada vez mais distante do português que falamos por aqui.

Por que blogo

junho 12, 2011

Tempos atrás, aluna de mestrado que está estudando blogs me encaminhou algumas perguntas sobre meus motivos para blogar. Encaminhei respostas para as questões que ela propôs. Acho que a moça enviou as mesmas perguntas para outros edublogueiros.

Não sei que aproveitamento a perguntante fará de minhas respostas. Nem sei se um dia terei acesso à dissertação que pode fazer referência ao Boteco Escola.

Para que os amigos conheçam minhas respostas, reproduzo-as aqui.

Em relação ao seu blog

Conte-nos as razões pelas quais você bloga, as [des]vantagens e como este espaço tem impactado em sua vida profissional?

Blogo por diversos motivos:

 

  1.   Como forma de participar ativamente do ciberespaço. Com a Internet e a Web, entendo que as pessoas não podem ficar apenas no papel de usuários. Elas precisam ser autoras. O blog permite isso. Quem publica um blog vê-se como cidadão ativo no ciberespaço.
  2.   Para conversar com pessoas que tem interesses similares. Em blogs, por meio de posts, a gente propõe conversa. Me interessa, portanto, descobrir, no país e no Exterior, pessoas que queiram conversar sobre assuntos que julgo importantes. Por outro lado, o blog é um instrumento para que eu possa conversar com outros autores de blogs que fazem parte de minhas escolhas e/ou indicações.
  3.   Para me divertir. Algumas vezes a gente quer compartilhar coisas alegres ou simplesmente “jogar conversa fora”. Blogs servem para isso em conversas no ciberespaço.E acho que isto deve acontecer mesmo em blogs ”sérios”.
  4.    Para conhecer pessoas. Trocas de informação com outros blogueiros, links do meu blog na Web e comentários no meu blog muitas vezes acabam estabelecendo laços de amizades “virtuais”. Por meio do blog estabeleci laços de amizade com pessoas que, provavelmente, nunca encontrarei em encontros face a face. Muitas dessas amizades virtuais incluem pessoas de outros países, particularmente Espanha e Portugal.
  5.  Como forma de manter contatos com pessoas que já conheço há muito tempo. Amigos de longa data muitas vezes estão longe. O blog é um meio de comunicação com eles. O que posto dá-lhes idéia do que ando pensando e fazendo. Sei disso porque acompanho a vida de alguns velhos amigos distante por meio de seus blogs.
  6. Para registrar algumas coisas que estou estudando ou pensando. Nesse sentido, o blog funciona como um diálogo comigo mesmo.
  7. Com a finalidade de aperfeiçoar minha capacidade de escrever. Como o blog é um convite à conversa, tenho que caprichar nos posts, tentando produzir comunicações inteligíveis, elegantes, claras, interessantes. Tudo isso pode acontecer se o texto tiver qualidade.

Escrevi, no Boteco Escola, uma relação de motivos para blogar inspirado por  blogueira que acompanho há bastante tempo, Lilia Efimova. Com base em estudos que Lilia fez para sua tese de doutorado, escrevi matéria intitulada “Blogar para que?”. Você pode ver o texto em:

 

https://jarbas.wordpress.com/2009/11/20/blogar-pra-que-2/

 

Você pergunta por vantagens. Vamos lá.

 

  1. Uma primeira vantagem: ficar conhecido no ciberespaço. Blogueiros ativos costumam deixar alguma marca nos espaços virtuais. Por isso se tornam mais conhecidos. Isso pode nos favorecer profissionalmente, pois a produção apresentada no blog é uma referência para convites de todo tipo: palestras, produção de artigos, seminários etc.
  2. Conhecer pessoas. Isso acontece principalmente por meio de conversas que se estabelecem a partir de comentários aos posts.
  3. Acompanhar pessoas que produzem conhecimento que é de nosso interesse. Acompanho, por exemplo, Diane Ravitch e Mike Rose, autores que admiro e promovo em meu trabalho.
  4. Divulgar trabalhos que realizo. A divulgação pode resultar em interessantes trocas de informação e experiência. Um exemplo. Criei um material sobre redação cooperativa. Esse material acabou sendo utilizado ou servido de referência para duas experiências de ensino de redação em Portugal. Foi muito compensador trocar informações sobre o tema e ver meu trabalho utilizado por profissionais de um país distante.
  5. Observar como minhas idéias sobre assuntos que abordo sofrem mudança no tempo. 

 

Não aponto qualquer desvantagem no blogar.

Você acredita que os temas que aborda no blog são baseados na sua formação e/ou no seu cotidiano? você lê o seu blog e os outros blogs? Com que frequência?

O que abordo no meu blog reflete, claro minha formação, meus estudos, minhas convicções etc. Por outro lado, blogs são instrumentos muito vinculados ao cotidiano. Leitura de jornal, noticiário da TV, conversas com amigos e muitas outras coisas que rolam no dia-a-dia podem resultar em posts opinativos ou provocativos.

Sim, leio outros blogs. Leio os blogs que relaciono na minha coluna de blogrolls. E leio blogs que pesquiso para saber mais sobre a arte de blogar. Talvez eu não leia blogs tanto quanto devia. No geral, leio matérias de três ou quatro blogs semanalmente.

Em relação a sua audiência

Quem você acredita que sejam seus leitores? Com quem você gostaria de dialogar através deste canal? O que muda para você o fato de saber que está sendo lido?

Boa parte de meus leitores é constituída por pessoas que trabalham em educação. Mas, tenho leitores de outras áreas. Como utilizo a metáfora do boteco para definir blogs, muitos “botequeiros do ciberespaço” freqüentam meu espaço. E eu, o deles. No geral quero dialogar com educadores ou com pessoas da área de comunicação social.

 

Ser lido cria responsabilidade. Ao mesmo tempo, nos anima a continuar com o blog, a escrever, a encontrar matérias interessantes. Ser lido significa que a proposta de conversa está chegando lá.

Você acredita que os temas que aborda são relevantes para a sua audiência promovendo um espaço que compartilha conhecimentos?

Acho que muitos dos assuntos que abordo geram interesse de pessoas com quem quero conversar. Não sou uma boa fonte para julgar se o que escrevo é “relevante”. Acho que muito do escrevo, repito, pode ser interessante para muitos leitores. Interesse e conversas em torno de temas que proponho concretizam um compartilhamento de conhecimentos.

Em relação ao Portal do Professor

Como o seu blog foi colocado no portal? Você estava a par dos critérios de avaliação para a seleção do seu blog?

Não, não conhecia os critérios do portal para relacionar blogs. Provavelmente o Boteco Escola foi relacionado porque já fora apontado na Web diversas vezes como um espaço que pode ser interessante para educadores.

Desde que seu endereço foi listado entre os blogs do Portal do Professor você recebeu algum contato da equipe responsável? Você acredita que exista alguma política interna sobre temas que não podem/devem ser tratados e/ou um controle do que é postado?

Não, Os responsáveis pelo Portal do Professor nunca entraram em contato comigo.

 

Entendo que a Internet é um espaço de liberdade. Nesse sentido não deve ter controles. No caso de blogs, o limite é a responsabilidade dos autores. Qualquer controle externo, no caso, quase certamente resultará em censura.

Bom vinho

maio 17, 2011

Da esquerda para a direita: Alberto Quartim, Jarbas Barato, Irecê, Antônio Morales, José Kuller.

Faz tempo que um grupo de aposentados do Senac.sp e amigos realiza encontros para estreitar velhas amizades e trocar figurinhas. Na foto estou com uma parte dessa turma boa. A reunião aconteceu na casa do Juca (Juvenal Alvarenga), uma dacha às margens da represa de Avaré, SP. A foto, salvo engano, retrata almoço no dia 14/05/11.

Com a idade vamos aprendendo a beber. Quase todos nós apreciamos o velho e bom vinho. A prova está na mesa: dois tintos e um branco. Faço aqui um registro muito especial. Aparentemente nada a ver com educação e tecnologia educacional. Mas, tudo a ver com vida. Um brinde para todos meus amigos que frequentam este Boteco. Evoé, Baco!

Mais uma dose de Filosofia do Vinho

maio 14, 2011

Meu amigo Antôno Morales sugeriu leitura de resenha sobre o livro The Philosophy of Wine de Cain Todd, objeto de meu mais recente post. Aqui vai o link para os interessados:

Filosofia do Vinho

maio 14, 2011

Acabo de ler The Philosophy of Wine, de Cain Todd. Quando encomendei a obra, achei que o termo filosofia no caso era utilizado de maneira genérica. Esperava um livro no qual o autor desenvolveria temas de enologia com certa dose de sofisticação intelectual. Estava enganado. A obra é filósofica naquele sentido de ciência rigorosa da definição de Edmund Husserl. Ao mesmo tempo, o autor viaja com gosto e competência pelos campos da enologia. Delícia de livro.

Para justificar apreciações e julgamentos de vinhos, Todd sugere abordagens bastante originais no campo da Filosofia. Comenta que as práticas de produção, degustação e avaliação da charmosa bebida sinalizam necessidades de um exame mais detido de duas áreas do filosofar: Epistemologia e Estética. No campo epistemológico, as práticas que envolvem o vinho mostram um conhecimento que as abordagens tradicionais não consideram. O exame do objeto vinho acontece com base em informações olfativas e degustativas. Isso propõe uma pergunta: olfato e gosto podem ser bases para a verdade? Estamos acostumados a priveligiar vista e ouvido como fontes de saber verdadeiro e objetivo. Considerar gosto e olfato em reflexões epistemológicas é uma novidade (essa novidade pode ter desdobramentos em muitas áreas, educação é uma delas). É, ao mesmo tempo, sugestão que aponta para visões (olha aí o predomínio da visão em nossa linguagem sobre o saber!) mais completas de mundo. Em síntese: o vinho sugere pistas muito interessantes do ponto de vista epistemológico.

No campo estético o desafio também é bonito (desculpem este toque de redundância). Talvez mais que no campo da Epistemologia, a Estética é uma reflexão filosófica que privilegia visão e ouvido. Quando falamos em arte, geralmente falamos em pinturas, esculturas e músicas. Olho e ouvido. Pensar em perfume, vinhos e comida com objetos estéticos é um desafio e tanto. Rompe com nosso senso comum. Assim como no campo epistemológico, a discussão sobre um objeto distinto que independa do sujeito é algo bastante desafiador na área da Estética. Cabem perguntas sobre possibilidade de arte na produção e degustação de vinho.

Todd faz uma reflexão filosófica rigorosa, mas sempre ao alcance dos não-filosófos. Articula viagens epistemológicas e estéticas com casos famosos de apreciação e julgamento de vinhos. A obra toda, com já disse, é uma delícia. Merece degustação.

Eu não precisaria justificar este post aqui no Boteco Escola, mas vou fazê-lo. Talibans da tecnologia educacional podem me acusar de desvio intolerável. Onde já se viu falar de vinhos num blog que se dedica a educação, a informática e educação, e, mais particularmente, a blogs e educação. Meus argumentos de defesa:

  1. O livro de Todd é uma obra filosófica séria. Sugere reflexões instigantes no campo da Epistemologia e da Estética. É um texto que gente de tecnologia educacional deve ler para não se prender a tecnalidades bobas e entender melhor o que é ser humano.
  2. Iso aqui é um boteco. E quer ser um boteco fino. Por isso, certo saber enológico não pode ficar ausente deste blog. De vez em quando, fregueses aqui da casa precisam degustar um vinho de boa safra, capaz de preencher necessidades de prazer que só uma obra de arte pode garantir. Para isso, como diz Cain Todd em seu livro, é preciso conhecimento.