Archive for the ‘Arquitetura e Educação’ Category

Imagens de escolas rurais

fevereiro 18, 2020

Estou relendo Small Wonder: The little red schoolhouse in history and memory, de Jonathan Zimmerman. No livro há muitas referências sobre imagens das Little Red Schools, pinturas e fotos. As pinturas, geralmente, passam uma imagem idealizada das escolas rurais. As fotos, se recentes, mostram prédios recuperados que não são mais utilizados em educação, mas funcionam como museus para atrair turistas interessados na antiga cultura rural dos EUA.

Percorri na web diversos sites com imagens de escolas rurais. Com isso, creio que construi certa visão de como eram as escolas rurais americanas, ou como os americanos idealizam uma de suas instituições nacionais, a Little Red Schoolhouse.

Selecionei algumas imagens que trago para cá, como registro do que estou estudando, e como mostra de imagens que podem ajudar prováveis leitores a a apreciarem a escola de sala única.

log radical

Começo com um log cabin, uma cabana de toras, que foi bastante comum nas áreas pioneiras. A construção era rústica e aproveitava material disponível, árvores, sem necessidade de grandes transformações.

log school 1

Aqui está outra log cabin school, menos rústica que a primeira.

log school 2

Como se vê, esta log cabin está abandonada. É rústica como as demais, tem poucas janelas. Estudar dentro dela não devia ser muito confortável.

log school 3

Esta imagem é um pintura. Mostra uma cabin log que talvez não fosse uma escola, mas uma moradia. De qualquer modo, a imagem capta bem o tipo de construção que se fazia com troncos de árvores.

log school 5

Essa é uma cabin log school impressionante. Está num terreno pouco atraente. A hora do recreio nessa escola não devia ser muito convidativa. É preciso registrar que muitas dessas escolas não tinham banheiros. A introdução de “casinhas”, uma para meninos e outra para meninas, só acontece na segunda metade do século XIX.

log school turistica

Essa não é a imagem de uma log cabin autêntica. Trata-se de uma construção recente que procura mostrar como eram as antigas escolas rurais americanas. Reparem que as professoras estão vestidas a caráter. Nesse prédio acontecem performances que emulam o ensino que se fazia nas velhas escolas rurais. Visitantes podem passar por parte do curso que faziam os alunos da roça no século XIX.

red 1

No imaginário americano, as escolas rurais de sala única eram vermelhas. Porém, poucas eram as escolas dessa cor no campo. Essa é uma little red school. É autêntica e corresponde ao padrão das antigas escolas rurais. Tem uma pequena torre onde poderia se alojar um sino. Como tal objeto era caro, nem sempre chegava a ser instalado. Os sinais da escola eram comandados pela sineta manual do professor ou professora. Esse prédio parece abandonado. Provavelmente não funciona mais como escola.

red 2

O cartaz diz que esta é uma little red school. Ela, porém, não é vermelha. Na origem deve ter sido branca, mas o tempo a coloriu de preto. Detalhe, essa escola está sendo deslocada de seu terreno original. Provavelmente está sendo deslocada para área em que pode ser mostrada mais facilmente para turistas. Cabe reparar que as escolas quase sempre eram construídas em terrenos inóspitos, porque mais baratos.

red 4 cruzamento

Mais uma little red school, certamente recuperada para atrair turistas. Esta construção retrata uma das particularidades da maioria das escolas rurais: elas ficavam em cruzamentos de estradas.

red homer 1

A imagem acima é um quadro do pintor Winslow Homer, o artista que mais contribuiu para a romantização das escolas rurais, com destaque para sua apresentação como prédios vermelhos.

red homer 2

O destaque aqui, também numa pintura de Homer, é a professora, não o prédio escolar. Dois detalhes: durante muito tempo (no século XIX), as professoras não podia ser casadas; em razão da primeira condição, as mestras geralmente eram adolescentes (muitas vezes, ensinavam para alunos mais velhos que elas).

red modernizada

Esse é o interior de uma red little school interinamente modernizada. Provavelmente funciona como museu para atrair turistas.

red old

Eis outra imagem de uma little red school autêntica. Está abandonada.red school white 3 painting

Essa é uma pintura de uma little red school. Reparem que ela não é vermelha, mas branca…

red school yellow

Outra pintura de antiga escola rural. A cor é amarela…

red white

E esta é branca…

rural brasil 1

Esta não é uma escola americana, é brasileira e atual. Há muitas escolas assim no Norte do país. Vale estuda-las. Cabe aqui uma olhada sobre reportagem que aborda condições das escolas rurais no Brasil

rural brasil 2

Foto de outra escola rural brasileira, em funcionamento nos dias de hoje.

schoo inside 3

Interior de uma little red school. Nenhum conforto. pouco recursos.

school inside 1

Outra foto de interior de uma little red school. Reparem que há mais conforto que na imagem anterior.

school inside 2

Interior de uma escola de sala única, pintura de Homer. Não há carteiras. As mesinhas dos alunos estão voltadas para a parede. Os bancos não têm encosto. A imagem retrata uma little red school da metade do século XIX.

school discipline

Desenho do século XIX. A disciplina nas little red school podia ser rigorosa e os castigos físicos eram muito comuns.

Apresentei aqui uma seleção de imagens que andei pesquisando. Espero que o conjunto nos ajude a compreender melhor a histórias das escoas rurais, particularmente das escolas que os gringos chama de little red schools.

Escola de roça

fevereiro 18, 2020

No velhos tempos, com uma população que vivia no campo, desenvolveram-se escolas de  sala única, nas quais apenas um professor ou professora era responsável pelo ensino de alunos de diferentes níveis. Nos Estados Unidos essas escolas acabaram sendo conhecidas como Little Red Schoolhouse. Na metade do século XIX, havia mais de duzentos e cinquenta mil escolas de sala única no país do Norte.

A maior parte das escolas de sala única não era vermelha, mas a imagem das red schoolhouse acabou predominando no imaginário da população. E isso foi reforçado por pintores. O caso mais famoso nessa direção é uma pintura de Winslow Homer. Trago para cá essa pintura famosa.

little school

Reparem nos meninos descalços se divertindo num gramado florido. O espaço é masculino. As meninas aparecem no fundo, brincando de maneira contida. E no centro da obra está a Little Red School.

Essa imagem bonita da escola de roça pouco corresponde à realidade. As condições dos espaços escolares não eram lá muito boas. A disciplina era rígida. Os castigos corporais eram comuns. Mas, tudo isso foi esquecido depois que a ideia de uma escola de sala única romantizada passou a predominar no imaginário dos americanos.

A escola rural atraente e memorável acabou também sendo celebrada na música. No começo do século passado, Gus Edward, autor de musicais, compôs uma música que celebra a Little Red School: School Days. Mais de dois milhões de cópias da partitura dessa música foram comercializadas. E depois, com o advento do cinema e do disco, ela foi gravada muitas vezes. Segue aqui uma das gravações, com imagens da partitura e com a letra da música famosa. Há quem diga que ela foi uma das mais importantes melodias do século XX nos EUA.

 

Meu objetivo neste post foi o de mostrar como as artes e os meios de comunicação promoveram uma imagem positiva da Little Red School. Devo essas informações a Nathan Zimmerman, autor de Small Wonder: The Little Red Schoolhouse in HIstory and Memory, livro que merece leitura dos educadores.

Arquitetura e educação, nova informação

janeiro 20, 2020

arqunova

Já publiquei aqui diversos posts sobre arquitetura e educação. Ontem vi no Face nova matéria sobre o assunto – Projeto de escolas: a arquitetura como ferramenta educacional. O texto está centrado em ideias de que é possível planejar um espaço educacante em si e ignora, a meu ver, determinações históricas e sociais. É uma abordagem bastante diferente das que andei divulgando aqui. Por outro lado, vale ler a matéria, pois a mesma tem informações interessantes é é ilustrada por imagens também de muito interesse.

Vale contrastar a matéria aqui indicada com o resenha que escrevi sobre o tema tempos atrás. Para ver a resenha, clique em Espaço e Educação.

Pés descalços na escola

junho 14, 2018

coronel 3

Talvez eu já tenha divulgado esta foto aqui. Na dúvida, resolvi registra-la, mesmo que haja repeteco. Ela retrata professores e alunos do Grupo Escolar Coronel Francisco Martins em 1920, Franca, SP. Estudei nessa mesma escola de 1953 a 1956. Tiriei lá o primário. Era uma ótima escola que hoje, com as políticas da Secretaria de Educação de São Paulo, corre o perigo de fechar suas portas.

Na foto aparecem vários alunos descalços. Certamente não tinham sapatos. Mesmo em meus tempos de Coronel, nos anos de 1950, ainda havia alunos de pé no chão. A foto mostra aspectos importantes da história da educação no país. Uma história que não se ensina nas faculdades de Educação.

Escrita e tecnologia

janeiro 28, 2018

Para facilitar aprendizagem da escrita foram criados vários instrumentos. Um deles era um painel de cera no qual o estudante podia escrever com um estilete. O painel tinha duração ilimitada e era também usado em rascunhos de escritores profissionais. Faço esses comentários lembrando-me de descrições feitas por Dom Paulo Evaristo Arns em seu magnífico livro A Técnica do Livro Segundo São Jerônimo. Para quem quiser mais saber sobre a obra de Dom Paulo, sugiro olhada em resenha que escrevi sobre a mesma tempos atrás.

Este é um post rápido no qual associo duas coisas que me fascinam, a arquitetura escolar em suas relações com os significados que se dão à educação, os apoios utilizados pelos alunos na aprendizagem da escrita. Para conversas sobre arquitetura e educação, acho que esta foto é um ponto de partida interessante. Para conversas sobre aprendizagem da escrita, acho que essa lousa individual, avó distante do laptop, é um instrumento que merece exame.

 

laptop

Arquitetura e Educação: Catherine Burke

agosto 10, 2013

Já postei aqui muitas mensagens sobre arquitetura e educação. O que despertou meu interesse pelo tema foi o livro School, escrito pelos arquitetos Catherine Burke e Ian Grosvenor. Catherine Burke fez uma bela exposição sobre o tema na Faculdade de Educação da Universidade de Cambridge. Por acaso encontrei o roteiro de tal exposição no formato de pdf.

O roteiro da arquiteta tem muitas fotos de escolas cuja construção procurou criar ambientes de aprendizagem na direção de pedagogias avançadas. Vale ver:

Exemplos de espaços de aprendizagem

janeiro 23, 2013

Acabo de ver vídeo com informações sobre escolas da Europa e África, desenhadas para criar espaços favoráveis de aprendizagem. São exemplos que vale a pena considerar. O tema arquitetura & educação é muito pouco discutido em faculdades de educação e nas burocracias que coordenam atividades de ensino.

Neste Boteco Escola já abordei o tema muitas vezes. Interessados podem acessar meus posts sobre o assunto a partir da lista cujo link forneço a seguir:

O vídeo ao qual me refiro está no seguinte endereço:

TIC’s e arquitetura escolar

julho 27, 2012

Hoje, no Face, conversei com Marcia Padilha Lotito e Cristiana Mattos Assumpção sobre TIC’s e arquitetura, comentando o vídeo que segue.

Por causa da conversa, resolvi traduzir dois trechos que li ontem em School, obra sobre arquitetura e educação que costumo recomendar. Sem muito tempo para fazer algo no capricho, traduzi sem o necessário cuidado tais trechos, pois acho que eles podem colocar um pouco mais de tempero na conversa. Noutra ocasião, voltarei ao material traduzido para editá-lo comme il faut. De qualquer forma, acho que minha versão ligeira do material não trará prejuízos para a compreensão e ficou melhor que produções de tradudores digitais…

As escolas começaram a se transformar por causa do compromisso cada vez mais comum de governos com a aprendizagem assistida por computadores,  mas, nem sempre de maneira  benéfica para todos aqueles que ocupam prédios escolares durante longas horas por dia. Salas de aula, que não foram, em sua origem, planejadas tendo em mente computadores, tornaram-se espaços confusos e muito quentes. Diversos analistas comentam que, apesar da aparência de mudança, a escola continua a ser uma instituição notavelmente intacta. (p. 154)

[…] As escolas desta virada de milênio em muitos sentidos se assemelham às escolas construídas nos inícios do século passado. No geral, os alunos ainda se movimentam em massa  em intervalos regulares, interrompidos pela campanhinha, e são despejados nos corredores ao mesmo tempo. Alunos ainda são separados e segregados de acordo com noções de capacidade, e ‘nós ainda definimos sucesso como consequência do permanecer sentado numa pequena carteira, escrevendo furiosamente por duas ou três horas’. Ao mesmo tempo, o locus da aprendizagem está mudando. E alguns analistas observam que a linha de frente da aprendizagem não é mais a escola; mas, o quarto e a sala de estar. A introdução das tecnologias da informação e comunicação dá a impressão de modernização e mudança. Porém, salvas raras exceções, os elementos essenciais da escola permanecem – prédios, salas de aula, corredores, quadros de horário, campanhinhas e dispositivos de segurança. Na Microsoft School of the Future em Filadélfia, os alunos e suas mochilas passam por controles, na entrada , nada diferentes dos controles de quem vai embarcar num aeroporto internacional. (p. 160)

No finalzinho do texto, os autores introduzem uma observação sobre excesso de segurança nas escolas. Na continuação da história- que não traduzi – eles vão aprofundar essa característica que, com uso de novas tecnologias, passa para os alunos a impressão, cada vez maior, de que a escola está se convertendo num presídio sofisticado.

Escola fria

julho 27, 2012

Em re-leitura de School, ótimo livrinho sobre arquitetura e educação, me chamou atenção comentário sobre High School, documentário realizado por Fred Wiseman em 1968. Os autores dizem que o filme retrata frieza e severidade de salas de aula e corredores da escola.

Encontrei no Youtube um segmento do documentário no qual uma professora de literatura trabalha com versos de um álbum de Simon e Garfunkel. As imagens são interessantes para que a gente possa examinar ambiente da sala de aula, jeitão dos alunos, recursos disponíveis etc. Bom reparar nas paredes, nos móveis, nos recursos audio-visuais. Além disso, a música é ótima.

Além oferecer dados com informação sobre aspectos arquitetônicos de uma scola dos anos sessenta, esse segmento do filme é uma fonte bem interessante para que a gente possa entrar em contato com um esfoço de uma professora que usa cultura popular para que seus alunos apreciem poesia.

Computadores, cooperação e isolamento

maio 8, 2012

A foto que abre este post é ilustração publicada em Boletim do Instituto Claro, numa matéria sobre inclusão digital promovida por uma ONG em Minas Gerais. Copio o primeiro parágrafo da matéria:

Há educadores e especialistas em TICs que defendem que o laboratório de informática na escola, naquele modelo tradicional, montado em uma sala em separado e com computadores lado a lado, é algo ultrapassado. Na Escola Municipal Maria Coeli Ribas Andrade e Silva, em Pirapora (MG), as máquinas estão assim dispostas, mas basta chegar ao laboratório e acompanhar o trabalho que lá é feito para se ter certeza de que o termo ultrapassado, ao menos ali, não se encaixa.

Faço parte do time dos educadores que criticam laboratórios de informática. Sempre reparo que em usos de computadores, a unica área que insiste em laboratóriso é a de educação. Em todas as outras áreas o computador está onde ele é necessário para o trabalho ou atividade fim.

Na foto há um detalhe que sempre me irrita: o design de interiores que coloca computadores voltados para a parede. Esse é um modelo muito comum em laboratórios financiados pelo MEC. Certo dia, perguntei a um coordenador de NTE (Núcleo de Tecnologia Educacional) por que as máquinas estavam voltadas para a parede. O coordenador me disse que isso acontece porque fica mais fácil (e barato) distribuir tubos e fios, necessários para alimentar as máquinas com energia e cabeamentos da rede interna e externa.

O design de interiores com computadores voltados para a parede coloca conveniências de engenharia acima de conveniências educacionais. Em muitos lugares em que desenvolvi workshops e cursos, essa disposição das máquinas é um sério problema para trabalhos em equipes. O design dificulta muito conversas para trocas de idéias. Em poucas palavras, a disposição das máquinas favorece apenas trabalhos individuais, ou reduz a possibilidade de cooperação a parceiros que estejam utilizando alguma rede. Ao que tudo indica, propostas de cooperação, tendo o computador como uma ferramenta utilizada por um grupo de trabalho, não fizeram parte do planejamento do laboratório.

Já observei diversas vezes neste blog que a arquitetura passa mensagens importantes em educação. Assim, mesmo que os educadores tenham ótimas intenções, o ambiente fala mais alto que discursos e exortações. No caso de laboratórios de informática com máquinas voltadas para a parede fica muito evidente a mensagem de que o que importa é uma aprendizagem individual na qual a cooperação, quando existente, acontece exclusivamente por meio de recursos digitais.

Minha inteção aqui não é  a de analisar a questão, mas apenas a de propor uma conversa sobre a criação de ambientes hostis a cooperação in loco. Por isso, paro por aqui, esperando comentários de quem trabalha no  ramo.