Archive for 2 de setembro de 2022

Beleza que destrói o planeta

setembro 2, 2022

Designer são convidados a conceber coisas belas. E eles fazem isso. Basta ver, por exemplo, um produto da Apple. Basta lembrar famosos versos de Vinicius de Moraes. Tudo parece que vai bem, mas não vai. Beleza está destruindo o planeta. É isso que está acontecendo na produção de aparelhos eletrônicos, principalmente os celulares. Eles são feitos com materiais cuja mineração compromete a Natureza. E mais, a acelerada obsolescência dos aparelhinhos gera montanhas de lixo eletrônico.

Você pode pensar que o que escrevi acima é observação de um sisudo e mal humorado filósofo. Não é. Tais ideias foram apresentadas pelo cientista de TI que já trabalhou na Apple e na HP, Donald Norman.

Norman observa que as coisas podem seguir outro caminho. E uma das chaves para isso é o design que leva em consideração o meio ambiente. Isso evitaria, por exemplo, a devastação de grandes áreas em busca de lítio. Isso evitaria a acelerada obsolescência, quase sempre artificial, dos aparelhinhos. A mudança não será fácil, pois designers conscenciosos contrariam os interesses imediatos do Capital. Enquanto isso, nos iludimos com ideias de que é preciso trocar o celular em prazos cada vez mais curtos.

Paro por aqui e sugiro ao leitor que veja o vídeo que segue.

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Crimes contra a memória

setembro 2, 2022

Na vida pessoal é triste perder a memória, o esquecimento anula parte da história que as pessoas construíram, com amor, tristeza, alegria, prazer, paixão. Com a perda de memória, as pessoas deixam de saborear experiências acumuladas na aventura do viver.

Desastres de perda de memória acontecem também no plano social e histórico. Fatos relevantes do passado são ignorados. Eventos trágicos, ignorada a história, tendem a se repetir como comédia. Falta de memória prejudica a aprendizagem.

Desrespeito à memória pode resultar em entendimento ridículo do patrimônio arquitetônico da humanidade. A imagem que segue busca mostrar graficamente este ridículo

Em Franca, cidade em que passei a infância, um dos atos criminosos contra a memória histórica foi a demolição do Hotel Francano, obra de1928, símbolo do esplendor da economia cafeeira. No seu lugar, ergueu-se uma monstruosidade modernosa em concreto aparente para abrigar agência do Banco Itaú.

Segue imagem do Hotel Francano.