Formação de docentes em EPT

Como já anunciei aqui, a UNESCO acaba de publicar novo livro meu. A obra pode ser encontrada com um clique aqui.

Preparei um resumo do livro com os seguintes dizeres:

Esta obra apresenta a síntese dos resultados de investigação sobre a atuação de docentes da educação profissional e tecnológica que ensinam técnicas de trabalho, assim como de desempenho de estudantes em oficinas, laboratórios e salas de aula. O objetivo principal do estudo foi verificar como os professores ensinam em oficinas e como os estudantes aprendem em tais ambientes. Verificações do mesmo tipo foram realizadas de forma complementar em laboratórios e salas de aulas.

A partir das observações efetivadas, a obra indica vários aspectos que podem integrar uma didática voltada para aprendizagens do e no trabalho, fornecendo elementos importantes para a formação de professores que conduzem tais aprendizagens em ambientes oficinais.A didática tradicional não vê as oficinas como espaços em que transita um conhecimento diferente daquele desenvolvido em ambientes tipicamente escolares, as salas de aula. Predomina a ideia de que há uma divisão entre teoria e prática. A primeira, desenvolvida nas salas de aula, é vista como fundamento da prática. A segunda, desenvolvida em oficinas, é vista como aplicação da primeira e destituída de qualquer status epistemológico.

Os dados da investigação realizada para este estudo mostram um caminho diferente. Mostram que a ação, a atividade, o fazer são conhecimentos que não decorrem da teoria, mas têm status epistemológico próprio. E para ver como esses conhecimentos emergem é preciso considerar atuação de professores e estudantes nas oficinas. Nestas, o conhecimento se desenvolve tendo em vista a produção de obras. Ambientes, equipamentos, normas de trabalho, valores das comunidades de prática (prática social) são elementos mediadores do conhecimento, sempre tendo no horizonte a produção de obras. Em oficinas, a meta não é produzir explicações, mas produzir obras. Essa característica do conhecimento oficinal sugere dinâmicas completamente diferentes daquelas que a didática construiu a partir do ensino escolar, concretizado em salas de aula. A investigação conduzida para este estudo mostra que aprender trabalhando – a dinâmica que predomina nas oficinas – indica a necessidade da construção de uma didática voltada para a produção de obras.

Este estudo sugere que, para formar professores que atuarão em oficinas, é preciso considerar o fazer como conhecimento, não como aplicação da tecnologia e da ciência. Sugere também a necessidade de aprofundamento de uma epistemologia que supere os pares antitéticos teoria/prática, conhecimento/habilidade, mente/corpo. Contudo, ele não se detém em explorações de caráter epistemológico. A partir do pressuposto de que a aprendizagem é uma função de tipos de conhecimento, sugere que aprender a trabalhar decorre do saber fazer, não de generalidades que podem ser aplicadas a um grande número de situações. Em decorrência disso, o contextoé um elemento primordial na elaboração do saber do trabalho. E a análise do que acontece em oficinas fornece indicações preciosas sobre contextos significativos em aprendizagens vinculadas ao trabalho.

Durante a investigação, observações de atividades em oficinas de diversas áreas profissionais evidenciaram aspectos interessantes da construção do conhecimento do trabalho por parte de estudantes e docentes. Evidenciaram que a técnica é um conhecimento vinculado a resultados que seus praticantes veem como uma arte. Evidenciaram que os aprendizes veem seus fazeres, mesmo que incipientes, como forma de pertencer a uma comunidade de prática. Evidenciaram que professores, mesmo sem formação pedagógica, encontram modos de avaliação apropriados ao saber do trabalho. Por fim, evidenciaram muitas soluções didáticas que decorrem do aprender a trabalhar.A investigação que deu origem a esta obra procura apontar para uma pedagogia construída por trabalhadores, para formar trabalhadores. Tal pedagogia deve ser evidenciada, para que os professores que ensinam ou irão ensinar técnicas de trabalho não escolarizem as oficinas, influenciados por pedagogias que nasceram de experiências nas salas de aula.

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