Mãos parceiras

Ao fazer mise en place, garçons costumam colocar garfo à esquerda do prato, e a faca à direita. Porque será? Alguém diria que isso é um convenção. Não é não. Há um bom motivo para isso. A maioria das pessoas tem como dominante a mão direita. Se forem cortar carne ou outro alimento, utilizarão a faca nesta mão e utilizarão garfo na esquerda para fixar o que está sendo cortado.

Mas a gente acaba invertendo faca e garfo para outras operações. Pra levar arroz e feijão à boca, quase sempre utilizaremos garfo na mão direita, utilizando eventualmente a faca na esquerda para acomodar porções e apoiar o movimento do garfo.

Tudo que descrevi acima muda se a pessoa é canhota. Vale registrar que se for observador, o garçom colocará garfo à direita e faca à esquerda quando perceber que o freguês é canhoto.

Se alguém ler o que estou escrevendo aqui pode se perguntar que importância tem essa história de garfo e faca. Afinal de contas, mise en place é assunto que interessa apenas a garçons e maitres. Ledo engano. Considerações sobre mise en place podem ser um ponto de partida importante para pensarmos como utilizamos as mãos. Falamos muito nas maravilhas do cérebro. Mas, tão maravilhosas como ele são nossas mãos. Acontece que elas funcionam de modo tão inconscientente que não nos damos contas de como elas são extremamente sofisticadas.

Lembrei-me da mise en place dos restaurantes ao ler o capitulo sobre a mão direita em The Hand, de Wilson. Quero, em outra ocasião, comentar aqui o conteúdo de tal capítulo. Por ora fico apenas com uma observação feita no livro. Ao comentar as proezas da mão (ou da mão dominante), o autor observa que a mão esquerda também tem um papel relevante na maior parte das coisas que fazemos. Consideremos, por exemplo, execução de muitos instrumentos musicais. No momento estou ouvindo e vendo Verônica Ferriani numa live. Ela canta e toca violão. Mão esquerda vai percorrendo posições para produzir as necessárias harmonias. E a mão direita tange as cordas para produzir e ritmar o som. No caso, a mão dominante depende muito da mão de apoio. Ao mencionar coisas com essa, Wilson sugere que passemos a ver as mãos como parceiras. Isso nos obriga a ver com mais cuidado o que faz nossa mão esquerda em atividades em que a direita brilha como primeira bailarina.

Fico por aqui. Não aprofundei a coisa. Apenas indiquei um ponto de partida para começo de conversa. Voltarei ao assunto.

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