Trabalho é arte 2

Já desenvolvi algumas ideias sobre trabalho como arte em Fazer Bem Feito: Valores em educação profissional e tecnológica. No livro, escrevi um capítulo ao qual de dei o título de Trabalho e Arte. Na referida obra ainda não avanço o entendimento que agora me parece mais adequado. Entendo agora que não há apenas uma associação importante entre trabalho e arte. Entendo agora que trabalho é arte. Isso muda um pouco as coisa e exige algum avanço nas análises que já fiz num capítulo em Fazer Bem Feito. Por ora, cito pequeno trecho do que escrevi no dito livro:

A palavra arte, em sua associação com o trabalho, tem significado mais amplo que forma de expressar beleza. Rugiu (1998) faz uma abordagem de tal significado que é oportuno resumir aqui. Na história do trabalho, a palavra arte designa todas as relações de saber de um grupo profissional. O termo tem cono-tações culturais, epistemológicas e sociais. No âmbito cultural, a associação entre arte e trabalho se refere a um saber compartilhado por um grupo profissional; em termos da linguagem hoje utilizada, arte é a cultura própria de uma comunidade de prática no campo do trabalho. Do ponto de vista epistemológico, arte é um saber fazer cuja referência é a obra. Rugiu aborda esse entendimento de arte citando Le Goff: “Uma arte é uma atividade justa do espírito aplicado à fabricação de instrumentos, sejam materiais, sejam intelectuais: é uma técnica inteligente do fazer. Ars est recta ratio factibilium” (LE GOFF apud RUGIU, 1998, p. 31). Do ponto de vista social, arte se confunde com o que mais tarde veio a ser chamado de corporação; ou seja, arte é uma dimensão de existência com normas e costumes construídos historicamente por um grupo comprometido com saberes constituídos em experiências vivenciais.

A expressão latina utilizada por Le Goff e citada por Rugiu – Ars est recta ratio factibilium – pode ser traduzida por “uma arte é a razão correta do fazer”. Mas essa tradução talvez não revele integralmente o sentido de recta ratio. Recta não é apenas uma qualidade de correção técnica. Recta é também indicação de compromisso com a obra; e mais, é um compromisso ético de fazer as coisas de acordo com os padrões elaborados e aceitos pela corporação. A arte, nesse sentido, envolve seu praticante, exigindo correção de saberes e correção de comportamento. Quando praticada pelo trabalhador, é uma forma de expressão capaz de garantir a identidade que ele constrói constantemente por meio de suas obras. (p. 91)

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