Redação Cooperativa: Novas Histórias

O Trompetista sem Ritmo

 

Tudo está preparado para a grande noite. A orquestra sinfônica da pequena cidade de Barben finalmente vai tocar no palácio de Ethanis. O maestro, antes da viagem, faz mais um ensaio geral e descobre que nem tudo vai bem. Um trompetista está sem noção de ritmo. Às vezes se adianta aos demais. Às vezes se atrasa. E com isso, a harmonia fica comprometida. O grupo viaja amanhã. Não é possível substituir o trompetista desritmado.

O maestro pensa em caminhos possíveis. Um deles é o de combinar com o trompetista que ele irá para o palco com a orquestra e simulará que está tocando. Assim, com seu trompete mudo, a harmonia da orquestra estará garantida. Outra possibilidade é a de insistir em ensaios individuais com o músico sem ritmo até o momento do concerto, na esperança de que ele entrará no tempo certo na hora do espetáculo. Há ainda mais uma possibilidade: o músico sem ritmo seguirá com o grupo para o palácio de Ethanis, mas ficará na plateia, sem comprometer o desempenho da orquestra. O maestro precisa escolher um caminho. Mas a escolha não resolve tudo. Ele ainda não sabe como reagirá o trompetista. Não sabe também como reagirão os demais músicos depois de tanto ensaio e da proximidade do sonho de subirem ao palco do palácio de Ethanis.

 

 

Depois do Rio no Meio do Caminho

 

Eles são cinco, dois rapazes e três moças. Estão bem preparados para o exame que lhes dará o direito de representar a arte de Ethanis em outra galáxia. Mas, ainda estão no começo da viagem para a capital. Acabam de chegar às margens de um grande rio, muito largo e profundo. Não há pontes. Não há barcos. Do grupo, dois sabem nadar, um rapaz e uma moça. Os nadadores são muito experientes e podem carregar os companheiros, um por vez, até a outra margem. É uma operação com certo perigo, mas as águas são calmas. A solução, porém, pode custar caro. Como a operação será demorada, o grupo talvez não chegue a tempo à capital para o exame. A moçada não conhece o rio, mas desconfia que em algum ponto ele talvez dê vau. Se estiverem com sorte, poderão encontrar tal ponto logo e atravessar o rio em segurança. Se a sorte não ajuda-los, a busca por um vau no rio poderá ser muito demorada, atrasando em demasia a ida para a capital.

Os dois nadadores lideram o grupo e precisam fazer uma escolha. A primeira delas é a de seguirem caminho, deixando para trás os companheiros que não sabem nadar. A segunda é a de planejar e executar a travessia levando, um por vez, os amigos que não sabem nadar. Finalmente, podem desistir da travessia a saírem em busca de um ponto onde haja vau. A gloriosa vida de artistas representantes de Ethanis está ainda num horizonte distante e é preciso tomar uma decisão para seguir viagem.

 

Orelhas Grandes

 

Em Ethanis, o povo tem orelhas pequenas, delicadas. Mas, Marenka, recepcionista do escritório dos entases (um grupo importante da moda em Ethanis) tem orelhas imensas (pelo menos para os padrões do planeta). Os entases em cargos gerenciais estão reunidos informalmente para trocar impressões sobre o trabalho. E, entre uma e outra taça do excelente vinho ethaniano, falam de Marenka. Ridicularizam as imensas orelhas da moça, Riem. O diretor geral acompanha a divertida conversa com um sorriso de aprovação. Savenko, gerente de produtos, fica incomodado, ele não acha certo que as orelhas de Marenka sejam objeto de riso. E fica mais incomodado ainda quando percebe que o diretor geral está dando corda a seus subordinados para que eles, cada vez mais, inventem uma nova gracinha para falar da aparência da recepcionista.

Savenko está numa situação incômoda. Ele não acha certo que características físicas das pessoas sejam tratadas daquela maneira. Mas, até o diretor geral está se divertindo com as piadas sobre Marenka. O que fazer? Savenko pode ficar quieto e apenas não participar daquela conversa que, para ele, tem traços de crueldade, para depois, privadamente, dizer a colegas mais chegados que aquele não era um comportamento que ele esperava de gerentes. Ou Savenko pode ser ousado e interromper toda aquela diversão dizendo ao diretor geral que o que estão fazendo é um massacre cruel contra pessoa que faz bom trabalho e apenas tem orelhas grandes. Isso lhe custará perda de pontos para a esperada promoção. E não é  mais possível esperar, Savenko tem que tomar uma decisão.

 

A Fada que Procurava Emprego

 

Chamava-se Anne Krissimina e era uma fadinha nova. Tinha só mil e duzentos anos. Apesar de nova, era muito experiente. Fez um sapo virar príncipe. Encantou um rei com sua voz maravilhosa. Cachorros bravos ficavam mansinhos quando a viam. Ajudou muitas outras fadas em histórias que toda criança conhece. Mas os tempos mudaram. Ninguém mais acredita em fadas. E já faz mais de dez anos que Anne Krissimina está desempregada. Procurou emprego em toda parte, mas não há serviço para fadas em Ethanis.

Um dia, a fadinha andava pela rua distraída. Olhava as naves espaciais estacionadas lendo as placas para saber se existiam mais números ímpares ou números pares. Os ímpares estavam vencendo. Numa nave antiga, cor de rosa e placa de número ímpar, ela viu um adesivo que a deixou animada. Nele estava escrito; “eu acredito em fadas”. Anne Krissimina voltou a ter esperanças. Quem sabe o dono ou dona daquela nave não poderia lhe arrumar trabalho de fada. A fadinha ficou aguardando, tinha certeza que sua vida ia mudar.

Tiscar, a dona da nave, estava mesmo procurando uma fada e empregou Ana Krisimina imediatamente. A fadinha, porém, não teria vida fácil. Tiscar a desafiou com problemas muito sérios. O que queria a patroa? Queria que Ana indicasse meios para que as pessoas deixassem de sujar o planeta com tanto lixo. Algumas possíveis soluções estavam fora do jogo. Nada de leis. Nada de punições. Nada de campanhas nos meios de comunicação. Nada de sermões sobre a poluição. Tiscar queria que Ana Krissimina inventasse soluções novas que garantissem que a poluição iria sumir de Ethanis. Começava assim o maior desafio na vida da fadinha.

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Uma resposta to “Redação Cooperativa: Novas Histórias”

  1. Delia Hilda Ortiz Says:

    Una forma interativa de estimular la expresion escrita.

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