WebGincanas: Um Artigo

Encontrei na internet  artigo que aborda usos de WebGincanas no ensino superior. Título: WebGincana: Potencialidade de uma Estratégia Didática Fundada no Uso das TIC para o Ensino Superior. Li a matéria e vi nela alguns problemas.

Começo pelo título. Não cabe falar em estratégia fundada em uso das tecnologias da informação e comunicação. Decisões no campo da didática devem se fundar em compreensão de como aprendemos. E estratégias no campo da didática devem estar voltadas para criação de ambientes que possam favorecer aprendizagem. Ou seja, não é o uso das TIC que serve de base para propostas didáticas. E, mais especificamente, meus argumentos sobre o desenho do modelo WebGincana tem a ver com reflexões sobre percursos de aprendizagem na busca e uso de informações. Assim como Bernie Dodge observou no caso da WebQuests, não é o instrumento que determina a busca e transformação de informações. Tanto assim, que o mesmo modelo que ele elaborou poderia ser BiblioQuest, caso a gente decidisse que a busca de informação teria como ambiente preferencial a biblioteca. Na mesma direção, poderíamos ter uma BiblioGincana. Como observa meu amigo Steen Larsen, as referências sobre aprendizagem em propostas didáticas precisam ser mais sofisticadas que os instrumentos tecnológicos que utilizamos. Minha tentativa, como a do Bernie, foi a de criar modelos que incorporassem algumas das direções sugeridas pelos atuais modos de entender a aprendizagem humana.

Minha segunda observação tem a ver com as referências que a autora utilizou para apresentar o background de sua proposta. Ela, por exemplo, dá grande destaque ao Perrenoud. Ele nada tem a ver com WebGincanas e com as análises que apresento para justificar o modelo. Mas, ao que parece, as demandas da academia fizeram com que a autora buscasse oferecer uma fundamentação baseada em bibliografia dos ícones das TIC no Brasil. Assim, o grande cenário que ela estabelece para justificar o uso de WebGincanas está muito distante das razões bem concretas que utilizei na concepção do modelo, analisando a questão de acesso à informação, interpretação de informações e constituição de um saber pessoal a partir do uso das informações.  Cabe observar que autora não se deu ao trabalho de considerar nenhuma das obras que cito, talvez porque a maior parte delas está em inglês. Além disso, não há no artigo qualquer menção aos aspectos motivacionais presentes em propostas que recorrem ao jogo como elemento motivacional importante.

Minha terceira observação tem a ver com os créditos que me são atribuídos pela criação do modelo. A autora os reconhece com certas restrições. Entendo e acho graça. Nunca consegui publicar textos sobre WebGincanas no Brasil, modelo de uso da internet que criei com meus alunos e com o apoio do meu amigo Carlos Seabra. Acabei publicando o texto que a autora usa na Espanha, atendendo a convite feito por amigos meus, educadores da Catalunha. O texto acabou sendo conhecido no Brasil, pois o livro em que ele foi publicado na Espanha acabou sendo traduzido para o português em edição da ARTMED. Cabe notar que o tradutor não me procurou para cotejar tradução com o original que escrevi em português. Ele traduziu a tradução do meu texto para o espanhol…

Minha quarta observação refere-se à promessa feita no titulo e não satisfeita no texto. A autora faz um resumo do modelo WebGincana, mas não avança qualquer direção de usos do mesmo no ensino superior.

Para interessados, segue link para o artigo. Para tanto, cliquem aqui.

Anexo aqui imagem da capa do livro em que meu texto sobre WebGincanas foi publicado originariamente na Espanha, na versão catalã.

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