Inclusão e educação

Recentemente comentei aqui palestra de Francesco Tonucci (cf. Escola do Futuro: Conversa com Francesco Tonucci). Um dos pontos mais importantes da fala do educador italiano é a insistência de que a escola deve ser espaço de diferentes. Tonucci diz isso contrapondo-se ao pensamento hegemônico que insiste numa escola de iguais. Volta e meia a gente ouve dizerem que seria muito bom ter classes homogêneas. Isso quer dizer ter classes com alunos iguais quanto a idade, níveis de interesse, níveis de inteligência, origem étnica etc. E ainda não desapareceu do horizonte a expectativa de que nas escolas comuns os alunos devem ser normais.

Nesses dias, assistimos a uma discussão sobre um projeto que se baseia numa escola para iguais, o projeto de reorganização das escolas paulistas proposto pelo governador Alckmin. Os defensores de tal projeto dizem que escolas separadas por ciclos, fundamental I, fundamental II e médio, terão rendimento melhor que as escolas onde convivem alunos de idades muito diferentes (dos o6 aos 17 anos). Essa visão de escola como fábrica especializada em produtos específicos é uma das dimensões daquilo que Tonucci chama de escola de iguais. Convém anotar que essa ideia não é nova. A separação por ciclos era praticada na educação militarizada da velha Esparta, separando em três grupos distintos os educandos (dos 8 aos11, dos 12 aos 15, e dos 16 a 20). (cf. História da Educação na Antiguidade).

Há muitos diferentes no mundo. Um dos grupos de diferentes é constituído por pessoas com a síndrome de Down. Há uma história longa de escolas de iguais para crianças com tal síndrome. Uma escola de iguais com sinal trocado. Em vez de ser uma escola para alunos normais, tal escola é um local para alunos que precisam de tratamento especial. Nessa perspectiva, um aluno com síndrome de Down não pode frequentar classe de alunos normais. Ele não poderia acompanhar o avanço de tais alunos. Seria um estorvo.

Faz pouco tempo que alunos com síndrome de Down estão sendo integrados a classes em escolas comuns, rompendo com a ideia de uma escola de iguais. Mas, ainda há muita gente que não concorda com tal medida. E quem não concorda com tal medida certamente tem cabeça parecida com a senhora que aparece num vídeo recente dialogando com uma moça com síndrome de Down. Vale ver o vídeo e meditar um pouco sobre a necessidade de uma escola de diferentes.

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