Encantamento com novas tecnologias

De vez em quando leio ou ouço declarações de muito entusiasmo sobre uso de novas tecnologias em educação. Ouço e leio também promessas de um novo paraíso educacional caso as escolas embarquem na nova era da informação. Infelizmente, tanto otimismo não se confirma na prática. Não há, até o momento, dados confiáveis de que usos de novas tecnologias tenham produzido educação de qualidade muito superior ao que se conseguia antes com recursos modestos como livros, quadros negros, aulas magistrais etc.

Não sou inimigo das novas tecnologias. Acredito que elas têm potencial enorme em termos de tratamento da informação para fins de aprendizagem. E, inclusive, já produzi bastante coisas utilizando novas tecnologias de comunicação e informação. Mas, sempre tenho um pé atrás quando vejo declarações demasiadamente entusiasmadas sobre computadores, internet, tecnologias digitais and so on.

Algumas vezes os entusiastas vão longe demais. Num evento da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional, ali pelo ano de 1987, meu amigo Jorge Fróes me recomendou a comunicação de uma professora que estava utilizando de modo muito criativo o Apple IIe. Aceitei a sugestão do Fróes e fui para a sala onde a moça iria fazer sua exposição. O trabalho que ela fazia nada tinha de excepcional. Ela usava softwares educacionais bem limitados, não por culpa dela, mas pela própria limitação do Apple IIe, assim como pela falta de imaginação dos autores dos programas educacionais para aquela saudosa maquininha. Mas, o entusiasmo da moça era muito grande. Aquilo me incomodou. E acabei saindo da sala antes do final da comunicação, quando a professora declarou “encontrei Deus no computador”.

Não vou aprofundar esses meus comentários sobre entusiasmos desmedidos com as novas tecnologias. Eu apenas introduzi o tema para deixar aqui registrada uma observação do meu amigo Steen Larsen sobre fascinação com os novos meios de informação e comunicação. Vamos pois à observação do grande educador dinamarquês.

Não há dúvida de que as novas tecnologias da informação abrem portas para que possamos alcançar melhores resultados em educação, mas isso não é garantido. No momento vemos uma fascinação planetária com as novas tecnologias que ocasionalmente tem cara de messianismo e onipotência. Novas tecnologias [dizem os entusiastas] irão resolver todos os problemas, e miraculosamente converter as salas de aula tradicionais em áreas poderosas de aprendizagem…

Fascinação sempre se baseia numa certa dose de ignorância. Quanto menos você sabe, mais você será uma vítima dessa fascinação que se apresenta de dupla forma: como deslumbramento de tecnófilos, ou como resignação de fatalistas que acham que a tecnologia tudo pode. (Steen Larsen)

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