Avaliação em WebGincanas: questões

Em 2008, fiz um resumo ligeiro de informações que estava passando para meus alunos sobre natureza das questões em WebGincanas. Preocupava-me então a tendência de que as questões tivessem cara de questionário de livros didáticos ou que fossem feitas de tal maneira que o respondedor seria o Google, não os alunos que deveriam pesquisar informações de interesse.

Reproduzo o dito subsídio aqui, pois ele pode ser referência de interesse para quem queira elaborar questões cuja resposta exija “pesquisa” na internet.

Mantive a linguagem coloquial que costumava usar em subsídios que preparava para meus alunos.

Segue, com pequenas mudanças, o texto que escrevi em 2008.

No mundo das técnicas de avaliação, as perguntas a serem feitas em WebGincanas são classificadas como “questões que demandam respostas curtas, objetivas e unívocas”. Respostas curtas são aquelas que não ultrapassam duas ou três palavras. Eventualmente podem ser um número ou um símbolo. Respostas objetivas são aquelas que não dependem de opinião ou interpretação de sujeitos. Finalmente resta comentar as respostas unívocas. Em poucas palavras, unívoco quer dizer aquilo que tem um único significado.

WebGincanas devem ter certo espírito de jogo. Não convém, portanto, que as questões do Desafio sejam formuladas como perguntas de um questionário de livro didático. Assim, não vale a pena entrar num jogo com questões do tipo: Quem descobriu o Brasil? Em que ano aconteceu o golpe militar comandado por Castelo Branco? Etc. Se possível, as questões devem ser formuladas de um modo mais criativo. Eis aqui alguns exemplos:

1. Ela é a única das irmãs Cajazeiras que noivou.
2. Grande poeta brasileiro que deu um tiro no próprio pé numa caçada pelos campos do Brás.
3. Nome do romance que Isaias Pessotti escreveu a partir de seus estudos sobre Eurípides para pesquisa sobre a história da loucura.
4. Música de Lupicínio na qual o narrador manifesta paixão por uma moça que carrega água para os peões.

Nas quatro questões-exemplo que apresentei, a redação tem certo quê de advinhas. Isso é bom. Advinhas são elementos de jogos verbais bastante atrativos. Quebram a monotonia didática daqueles Quem foi? Quantos são? Em que dia ou ano? Qual o nome do primeiro filho de X? Etc.

Se possível as questões das WebGincanas devem exigir leitura, de textos ou de qualquer outra forma de apresentação da informação – imagem, música, símbolos, mapas, VT’s, gravações de conversas ou entrevistas etc. É preciso evitar que o aluno utilize exclusivamente um buscador da Internet (o Google, por exemplo) e responda a questão a partir das informações curtas que acompanham cada indicação de URL listada após uma solicitação. WebGincanas exigem uma leitura de reconhecimento. Nada profundo. Tal leitura é uma necessidade quando pensamos na habilidade de buscar informação nos meios disponíveis.

As questões não precisam ter apenas o estilo de advinhas. Elas podem ser algo com certo teor de desafio como os exemplos que seguem:

1. Veja um vídeo de música de Sidney Miller apresentada no Festival da Record em 1967. Qual a direção da estrada do violeiro indicada na letra cantada pelo compositor?
2. Examine o Enterro do Conde de Orgaz, obra de El Greco, e responda quantos religiosos são retratados na cena?
3. Qual o nome da obra de Josué Guimarães que faz referência a um meio de transporte que não mais atenderá à cidadezinha prestes a submergir nas águas de um imenso reservatório?
4. Professores Apaixonados é uma coleção de slides que você pode encontrar aqui em Recursos. Veja-a e diga qual deve ser o resultado da última conta na cena em que uma professora acompanha o trabalho de um aluno no quadro negro.
5. Angola e Romênia produzem petróleo. Compare a produção dos dois países e responda em que continente está o país que produz maior quantidade da referida fonte de energia.

Até aqui exemplifiquei situações nas quais as questões trabalham o conteúdo de maneira séria. Mas de vez em quando é preciso fazer alguma questão que tenha certo toque de humor ou que instigue a curiosidade do aluno. Nesse último caso, convém, de vez em quando, elaborar alguma questão sobre coisas banais mas que despertam grande interesse. Por exemplo: detalhes sobre a v ida pessoal de um autor, quem se recusou editar um livro que mais tarde se tornou um best seller, nome de um hotel onde um cantor famoso encontrou-se com fulana de tal pela primeira vez etc.

Parte das questões, caso falte inspiração, pode ser feita de modo tradicional. Mas, os autores devem sempre buscar modos de perguntar que agucem a curiosidade e criem interesse.

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