Definição de WebQuest

Recupero texto de uma entrevista cuja primeira questão me pedia para definir em poucas palavra o que é WebQuest. Acho que minha resposta ainda vale, por isso publico-a aqui no Boteco.

 

(Entrevistador) Como a WebQuest pode ser definida de maneira
resumida? Seria uma ferramenta?

 

(Jarbas Novelino Barato):

Não, não é uma ferramenta se a considerarmos do ponto de vista da Web. Ou seja, ela não é uma solução capaz de facilitar produção em ambientes da Internet. Mas essa ideia de ferramenta costuma ser a primeira que as pessoas têm quando ouvem a expressão WebQuest.
WebQuest é uma proposta sobre criação de ambientes de aprendizagem para um bom aproveitamento dos recursos de informação existentes na Internet. Mas não é só isso. A proposta inclui alguns princípios que sempre devem ser levados em conta:
• Aprendizagem cooperativa. Ou seja, o ambiente criado pelo educador numa WQ deve exigir que os aprendizes negociem significados para chegar a um resultado, produzir alguma coisa, resolver um problema. As WQs não são propostas para estudos e aprendizagens individuais.
• Transformação de Informação. Uma das coisas que mais perturba os educadores em usos da Internet é o corta-e-cola. Em WQ’s bem planejadas isso é impossível. A situação criada pelo educador, no caso, é a de uma tarefa que exige do grupo de trabalho uma transformação das informações estudadas.
• Autenticidade. Muitas vezes, o modo de dar matéria nas escolas é artificial. O modo como os alunos estudam, os problemas propostos, as produções desenvolvidas são coisas artificiais. Fora da escola ninguém vai exigi-las. Numa WebQuest bem planejada, a tarefa proposta assemelha-se ao que os adultos fazem na vida real. Assim, em vez de uma redação (produto escolar típico), numa boa WQ se pede que os alunos escrevam reportagens, projetos de lei, cartas, etc., produções de texto sempre contextualizadas em ambientes onde fazem sentido.

Você pede uma resposta curta. Não é fácil fazer isso. Uma resposta curta supõe que o leitor esteja bem informado sobre os três princípios que listei ali atrás. Por isso sou tentado a continuar a explicação.

O modelo WebQuest surgiu de modo intuitivo. Ele foi criado num curto espaço de tempo. Surgiu como solução para colocar os professores de um curso de capacitação docente em contato com um software de simulação. Bermie Dodge não queria fazer algo convencional. Queria, ao mesmo tempo, aproveitar os recursos da Internet. Planejou uma aula (de cerca de três horas) centrada numa tarefa: escrever um parecer técnico para um diretor de escola, recomendando ou não o software Archeotype. Tal parecer exigia que uma equipe de “especialistas” examinasse o material a partir de diversas perspectivas. Para “formar especialistas” em tão pouco tempo, Bernie dividiu as fontes disponíveis entre diversas pessoas de uma equipe. Cada pessoa estudava parte do material disponível. Após o estudo, a equipe de especialistas se reunia para planejar e redigir o parecer.

O que rolou foi uma participação muito ativa dos alunos na busca de informações e no trabalho de construir um parecer bem fundamentado. Em tal experiência a tarefa era “autêntica” [especialistas em educação costumam analisar materiais e sugerir ou não seu aproveitamento em escolas], dar conta do recado exigia “cooperação cognitiva” entre os membros de um grupo, os materiais disponíveis não traziam uma resposta pronta [era necessário transformar a informação estudada num novo formato, o tal parecer técnico]. Isso tudo aconteceu em 1995. Logo depois da experiência, construída de modo intuitivo, Bernie começou a elaborar um quadro prescritivo que pudesse ajudar outros educadores a fazerem usos semelhantes dos recursos Web. Para comunicar o que havia desenvolvido, o professor da San Diego Sate Universisty utilizou o termo WebQuest.

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