Ciência e escrita

 

Fazer ciência é uma paixão. Cientistas dignos do nome são apaixonados pelas áreas de saber que estudam e pesquisam. É justo, portanto, que a gente espere textos apaixonantes quando descobrimos alguma investigação que nos interessa. Mas, no geral, textos escritos por pesquisadores são imensamente chatos. Há exceções. Mas, a regra é a chatice.

Muita gente explica a qualidade intragável dos textos científicos por causa da necessidade de uma linguagem que evite as imprecisões do discurso comum. Confesso que isso não me convence. Mas, as praxes da Academia já consagraram certas regras que barbarizam textos em nome da cientificidade. Um horror!

O pior de tudo é que o discurso acadêmico acaba caracterizando como científicos textos sobre supostas investigações. Ou, em outras palavras, há um enorme volume de produção acadêmica, escrita de acordo com um discurso esotérico, que não tem qualquer mérito científico.

Já abordei o assunto em outras ocasiões. Voltei ao tema agora por causa de um escrito que acabo de ler.

Ao ver na revista Arterfactum artigo sobre Facebook e pensamento crítico, me animei a ler. Na leitura me decepcionei. A definição do foco da investigação aponta para irrelevâncias. O texto, pomposamente acadêmico, afasta o leitor. Cito dois pequenos trechos:

Faz parte da natureza humana o pensar, portanto todo mundo pensa.

“Esto”, diriam meus amigos espanhóis, “es verdad a Pero Grullo“. Ou, na nossa tradição portuguesa: isto é profundamente acaciano. Será que algum leitor tem qualquer dúvida quanto a tal verdade? O argumento não caberia sequer num artigo sem pretensões científicas.

Para esse estudo, optou-se por uma pesquisa qualitativa por buscar-se aprofundamento na compreensão de um fenómeno, desvendando encontros e desencontros da prática e por esta, ser orientada para análise de casos concretos.

O trecho tem vários problemas de redação. Não vou comentá-los aqui. Além disso, esse modo de enunciar metodologia é bastante obscuro. Uma pena! Eu tinha esperança de encontrar matéria que pudesse abrir caminhos interessantes para usos do Face em educação. Não foi desta vez.

Segue link para o artigo:

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