Corte, cole e mude um pouquinho

Recentemente li um trabalho acadêmico sobre WebQuests. Numa parte do trabalho, a autora cita trecho de um artigo que descreve as vantagens educacionais das WebQuests. Tal artigo é assinado por dois respeitáveis nomes da Academia. Achei que o texto citado tinha muito a ver com um estilo que conheço bem, o meu estilo, embora, contrariando uma decisão que tomei em traduções e comentários sobre o modelo criado por Bernie Dodge, os tais acadêmicos usam o masculino em vez do feminino para designar WebQuests. Esclareço que tive uma conversa com Bernie Dodge sobre que artigo usar antes de WebQuest. Decidimos que um a seria mellhor que um o. Bernie se encantou-se com a ideia de que sua criação fosse feminina nos idiomas latinos (em espanhol, as WebQuests também são femininas).

Não vou revelar o nome dos copiadores. Mas, vou registrar aqui o trecho copiado. Os autores, escrevem o que segue como se fosse da lavra deles:

Garantir acesso a informações autênticas e atualizadas

– conteúdos publicados na Internet em outros recursos tecnológicos, refletem saberes e informações recentes. Além disso, são produtos autênticos que fazem parte do dia-a-dia das pessoas.

Romper as fronteiras da aula

– ajuda o aluno a entender que a escola vai mais além do que asquatro paredes na qual assiste uma aula num determinado horário, que o que aprende dentro dasala de aula o ajuda a entender o mundo, que toda a informação que recebe por diversos meios ao longo do dia formam um conjunto de saberes e conhecimentos que explicam outras realidades e abrem novos e fascinantes caminhos.

 Promover aprendizagem cooperativa

 – os Webquests estão fundados na convicção de que aprendemos mais e melhor com os outros, não individualisticamente. Aprendizagens mais significativas são resultados de atos de cooperação.

 Desenvolver habilidades cognitivas

– o modo de organizar Tarefa e Processo numa Webquest pode oferecer oportunidades concretas para o desenvolvimento de habilidades do conhecer que favorecem o aprender a aprender.

 Transformar ativamente informações (em vez de apenas reproduzí-las)

– o importante é acessar, entender e transformar as informações existentes, tendo em vista uma necessidade, problema ou meta significativa.

Incentivar criatividade

– se bem concebida, a Tarefa planejada para uma Webquest engaja os

alunos em investigações que favorecem criatividade

Favorecer o trabalho de autoria dos professores

– Webquests devem ser produtos de professores e alunos, oferecendo oportunidades concretas para que os professores se vejam e atuem como autores de sua obra.

Favorecer o compartilhar de saberes pedagógicos concebidos como publicações típicas do espaço Web (abertas, de acesso livre, gratuitas etc.),

– os Webquests constituem uma forma interessante de cooperação e intercâmbio docente

Bonito, não? Acontece que boa parte disso foi escrito por mim e publicado no site sobre WebQuest que Carlos Seabra e eu organizamos na Escola do Fururo da USP. Lá, em Objetivos Educacionais, lê-se o seguinte:

Objetivos educacionais
O modelo criado por Bernie Dodge pode ajudar educadores a alcançarem, entre outros, os seguintes objetivos:Modernizar modos de fazer educação

As WQ’s fornecem direções bastante concretas para tornar possível e efetivo o uso da Internet. E isso, na forma e na essência, é uma maneira de praticar uma educação sintonizada com nosso tempo.

Garantir acesso a informações autênticas e atualizadas

Conteúdos publicados na Internet, sobretudo os produzidos profissionalmente, refletem saberes e informações recentes. Além disso, são produtos autênticos que fazem parte do dia-a-dia das pessoas.

Vale observar que a característica de autenticidade lembra um traço da Pedagogia Freinet que desaconselha o uso de livros didáticos, uma vez que estes são elaborados exclusivamente para fins escolares. Manuais didáticos estão, geralmente, muito distantes das publicações científicas. Além disso, na vida, as informações não são tratadas para (supostamente) facilitar aprendizagens. Se quisermos que nossos alunos usem fontes autênticas, é preciso colocá-los em contato com elas desde o início.

Promover aprendizagem cooperativa

As WQ’s estão fundadas na convicção de que aprendemos mais e melhor com os outros, não individualisticamente. Aprendizagens mais significativas são resultados de atos de cooperação.

Desenvolver habilidades cognitivas

O modo de organizar Tarefa e Processo numa WebQuest pode oferecer oportunidades concretas para o desenvolvimento de habilidades do conhecer que favorecem o aprender a aprender.

Transformar ativamente informações (em vez de apenas reproduzi-las)

Na educação tradicional, parece que a preocupação central é armazenar e reproduzir “matéria”. Na perspectiva sugerida por Dodge, o importante é acessar, entender e transformar as informações existentes, tendo em vista uma necessidade, problema ou meta significativa.

Incentivar criatividade

Se bem concebida, a Tarefa planejada para uma WebQuest engaja os alunos em investigações que favorecem criatividade.

Favorecer o trabalho de autoria dos professores

WebQuests devem ser produtos de professores, não de especialistas ou técnicos. Essa marca da abordagem metodológica criada por Bernie Dodge tem como meta oferecer oportunidades concretas para que os professores se vejam e atuem como autores de sua obra.

Favorecer o compartilhar de saberes pedagógicos

Concebidas como publicações típicas do espaço Web (abertas, de acesso livre, gratuitas etc.), as WebQuests são uma forma interessante de cooperação e intercâmbio docente.

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4 Respostas to “Corte, cole e mude um pouquinho”

  1. Margarete Barbosa Says:

    Olá, Jarbas!
    É uma pena que “acadêmicos” tenham a necessidade de ‘copiar e colar’ mudando bem pouquinho os conteúdos copiados. É uma lástima, pois demonstra a preguiça mental dos ‘cérebros pensantes’.E o pior é que ainda conseguem o título de Mestre ou Doutor e se acham no direito de ‘ensinar’ nas Universidades sem serem questionados por algum estudante um pouco mais atento e curioso. É lamentável…

  2. docarmocosta Says:

    Olá, caro Jarbas!
    Você sabe que uma colega da pós ead publicou no fórum trechos de um artigo meu (que já havia sido postado no fórum) e eu lhe alertei sobre o fato (meu artigo e já publicado no mesmo fórum)… Recebi como resposta “copiamos do mesmo site” eu, que não perco a oportunidade respondi “Não, você é quem copiou do MEU blog o MEU artigo e, além disso, não mencionou a fonte”… Essa colega é uma educadora???? Pode????
    Recomendarei esse texto a ela rsrssr

  3. araujodoralice Says:

    Já passei por sofrida experiência de roubo autoral, prezado Jarbas. A sua postagem acima, meu amigo, remexeu as tristes lembranças que eu tenho do fato. Saiba, entretanto, que faço uma dedicada exortação aos meus alunos de redação com relação aos conteúdos que articulam: citar a fonte é algo imprescindível! É o começo de uma atitude de respeito pelo conhecimento.

    Receba o meu abraço e obrigada pela companhia blogueira inspiradora.

  4. Camila Delmondes Says:

    Prezados,
    Até 9 de agosto, estudantes regularmente matriculados no 8º e 9º anos do ensino fundamental e demais séries do ensino médio, de escolas públicas e privadas de todo o Brasil, poderão se inscrever na 5ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), uma iniciativa da Universidade Estadual de campinas (UNICAMP). Alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) também poderão participar. A primeira fase iniciará em 19 de agosto, Dia do Historiador. Acesse: http://www.olimpiadadehistoria.om.br

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