A inteligência das mãos

Trabalhei trinta anos no SENAC. Depois de bastante tempo na instituição comecei a pensar que a fórmula teoria & prática é um equívoco. A desconfiança de que algo estava errado com o uso desse par antitético me levou a estudar a epistemologia do fazer-saber. E tal estudo acabou sendo sitematizado numa tese de doutorado que defendi na Unicamp.

Minha tese foi publicada na forma de livro, com o título Educação Profissional: Saberes do Ócio ou Saberes do Trabalho? A proposta fundamental que faço é a de que é necessário abandonar a idéia de que o saber técnico deve ser dividido em teoria e prática, com a primeira sempre precedendo a última nos percursos de aprendizagem. Reproponho o modo de ver a questão, sempre insistindo que o que chamam de prática é um conhecimento com status epistemológico próprio que em nada depende do saber que chamam de teoria.

No percurso investigativo entrei em contato com muitas obras interessantes. Uma delas é o livro The Hand, de Frank Wilson. A mão, como mostra o autor, é uma maravilha que nos passa desapercebida. Só notamos sua importãncia quando vemos um músico ou um artesão impossibilitado de usá-la. Em situações de crise, como em doenças neorológicas, que nos impedem de usar a mão propriamente, sentimos como ela nos faz tão especiais. Wilson, médico neurologista, começou a perceber isso quando músicos famosos vieram procurá-lo para recuperar movimentos finos das mãos. O drama deles não era apenas motor. Era um drama de vida, pois eles eram o que suas mãos conseguiam realizar.

Mais recentemente, tomei conhecimento de uma frase de Anaxágoras, filósofo que viveu há mais de 2.500 anos: “somos o animal mais inteligente porque temos mãos”. Em outras palavras, somos o resultado daquilo que nossas mãos são capazes de fazer.

Não vou aqui amolar o amável leitor com mais explicações. Tudo o que esrevi até este ponto foi uma explicação preliminar para fazer um convite. Convido todos os interessados a  refletir sobre  inteligência a partir de uma conjunto de belas imagens sobre velhos ofícios. As ditas imagens não são acompanhadas por palavras. Falam por si mesmas. Dispensam discurso. Vejam quantas inteligência há nas mãos dos trabalhadores mostrados no power point cujo link segue abaixo:

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