Microcontos e educação

Hoje pensei em escrever uma nota sobre microcontos, sugerindo linhas gerais de aproveitamento dos mesmos em atividades educacionais. Acabei não escrevendo tal nota. Descobri que já havia feito isso em 2008, num subsídio para minhas aulas de tecnologia educacional.

Acho que o dito subsídio passa bem o que eu quis escrever hoje. Por essa razão, e também por causa de alguma preguiça, reproduzo-o aqui.

Microcontos

 

Microconto é uma forma bem moderna de fazer literatura. Tudo nele é muito contido. Tudo é feito para caber em pequenos espaços – uma tela de celular, uma camiseta, um adesivo. Tudo é feito para leitura rápida. Por isso precisa ser micro. Mas precisa ter virtudes: humor, beleza.

Em qualquer microconto, o autor precisa contar ou sugerir uma história. Nessa forma de microliteratura, portanto, é preciso ter personagem ou personagens, movimento. É preciso ter alguma história.

Há diversas formas de definir limites para um microconto. Vamos utilizar a definição que diz que um microconto é uma história (ou sugestão de história) contada em até cento e cinqüenta caracteres (espaços e pontuações inclusos).

 

Exemplos:

 

Ela beijou o sapo. Hoje é mãe de dez girinos. (j. novelino)

 

Trabalhavam na mesma empresa. Ele gerente, ela secretária. Casaram-se para evitar rumores de assédio sexual. (Senir Fernandez)

 
Pela última vez, escreveu seu nome na orla da praia e ficou vendo as ondas o apagarem para sempre. (C. Seabra)

As chamas queimaram tudo. Nos escombros do prédio, aquela privada, branca e reluzente, não fazia o menor sentido. (C.. Seabra)

 

Bígamo e muito devoto, ele frequenta duas igrejas. (j. novelino)

 

No desastre, o motorista perdeu o caminhão e a fé em São Cristóvão. (j. novelino)

 

O músico era tão perfeccionista que naquela tarde, quando seu gato miou uma oitava acima, não hesitou em atirá-lo pela janela. (Zezé Pina)

 

Quando soube da verdade, gelou. Era verdade! (Zeca Ildefonso)

 

Era loira, sensível, culta, inteligente e muito bonita. Fingia-se de burra para não desagradar a seu marido empresário. (Erre Erre)

 

Abraçou fortemente a sua solidão com a certeza de que nunca mais seria por ninguém abandonado. (Erre Erre)

Exorcista famoso, mundialmente reconhecido, dorme abraçado aos demônios que durante o dia expulsa e se embriaga com a água benta que sobra. (Erre Erre)

 

 

Finalidades:

 

  • ·        Destravar quem tem medo de escrever
  • ·        Oferecer resultado rápido e completo de redação
  • ·        Exercitar imaginação dentro de um quadro de restrições bem claro
  • ·        Oferecer um desafio que tenta as pessoas

 

Usos:

 

  • ·        Redação
  • ·        Levantamento de idéias dentro de determinado assunto
  • ·        Diversão
  • ·        Motivação
  • ·        Cooperação (em produções conjuntas)
  • ·        Desafio de imaginação
  • ·        Uso criativo do Word
  • ·        Etc.

 

 

Jarbas Novelino Barato

Tecnologia Educacional

28/03/2008

 

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