Escola e (é) prisão

Entre sites da lista dos meus favoritos no começo dos anos 2000, há um comentário de Gilson Schwartz sobre meu primeiro livro. Reproduzo aqui  a matéria, observando que não subscrevo todas as posições que o Gilson me atribuiu.

26/11/2002 – 02h45

As Escolas são Presídios

GILSON SCHWARTZ
colunista da Folha de S.Paulo

As escolas servem para tirar as crianças das ruas, moderando a pressão dos que buscam empregos no mercado e, ao mesmo tempo, preparando-as para uma certa disciplina a ser praticada nas organizações (empresas, repartições públicas etc.). Na montagem e gestão de escolas, o fluxo linear e massificado de “matérias” serve, em primeiro lugar, ao objetivo industrial de lidar com essas massas de alunos. Na prática, as escolas se converteram em presídios, e cada “turma” funciona mais ou menos como um pavilhão. Tudo ali está desenhado para reduzir os riscos de um protagonismo (no caso, juvenil) que colocaria riscos para o sistema.

Essa visão amarga e, ao mesmo tempo, inquietantemente realista do mundo escolar é apresentada por Jarbas Novelino Barato, um dos mais experientes educadores brasileiros, que atua há quase 30 anos no Senac de São Paulo. Para ele, a escola já morreu.

Talvez haja mais que análise e crítica nos textos de Barato, afinal ele é um profissional da educação que atua fora dos muros escolares e pode ter uma inclinação a olhar com desprezo o mundo quadrado das instituições escolares.

Mas Barato não está sozinho e invoca, em defesa do seu laudo sobre o falecimento da escola, a opinião de “legistas” como Postman, para quem a escola se perde no confronto entre as tecnologias da imprensa e da imagem. As primeiras foram a base do seu surgimento. Mas as tecnologias da imagem tornaram-se hegemônicas. Aí entra a internet. E, por mais que se adapte, nesse mundo o professor está condenado. A escola do futuro não será uma escola, ao menos se quiser (e puder) ir além do modelo correcional.

Será, então, o quê? Redes de aprendizado permanente. Redes cujas existências dependem menos da disponibilidade de computadores e conexões à internet do que se costuma imaginar. Para que as redes de aprendizado surjam e cresçam, é preciso revalorizar a convivência. E nada garante que a melhor receita de convivência seja colocar pessoas da mesma idade, aprendendo a mesma “matéria” ao mesmo tempo, na mesma sala.

Claro que pensar redes de aprendizado como espaços de convivência já nos coloca praticamente fora da rede escolar e dentro, talvez, de organizações como o Senac. Provocar essa mudança rapidamente é impossível. Mas ela já está ocorrendo, de modo gradual e difuso, com a multiplicação de universidades corporativas ou de ONGs que, em quase todas as áreas sociais, fazem da ação educativa um instrumento político e cultural.

Gilson Schwartz, 42, economista e sociólogo, é criador e diretor acadêmico da Cidade do Conhecimento da USP (www.cidade.usp.br). É autor do livro “As Profissões do Futuro” (Publifolha, 2001).
E-mail – schwartz@usp.br

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