Escola Nova: um passo à frente

Costumo fazer notas de leitura em meus livros de estudo com a intenção de aprofundar aspectos que me chamam atenção. Mas, sempre me falta tempo para voltar às notas e aprofundar a matéria. Com isso, muitas coisas anotadas passam apenas a integrar meus conhecimentos tácitos. Mas, para meus interlocutores, algumas de minhas referências não ficam evidentes. Vou divulgar neste Boteco Escola algumas dessas minhas notas de leitura.

Começo com uma nota que fiz ao ler Common Knowledge: : The Development of Understanding in the Classroom, obra de Derek Edwards e Neil Mercer. Nas página  35-36, os autores fazem uma observação importante sobre Escola Nova e perspectiva sócio-construtivista (a la Vigotsky). À margem da observação, fiz a seguinte nota de leitura: Ensino & Aprendizagem: educação tradicional, educação progressista (Escola Nova) e comunicação….  O trecho marcado sugere, com muita clareza, necessidade de superar crença da Escola Nova: a educação centrada no aluno. Essa crença é poderosa e continua a ser um dos artigos de fé dos educadores progressistas. E muita gente acha que ela é um dos pilares do construtivismo, ignorando suas raízes escolanovistas. Uma das consequências disso é uma epistemologia equivocada que entende o saber como algo exclusivamente individual e subjetivo.

No parágrafo anterior esbocei o tema que gostaria de elaborar a partir de minha nota de leitura. Teria de dispor de mais tempo para tanto. Mas, enquanto não embarco num texto mais elaborado, divulgo aqui a observação de Edwards e Mercer para incentivar conversas sobre o assunto.

Ao relatar pesquisas que fizeram sobre a implementação de uma reforma educacional supostamente inspirada por Piaget, os autores fazem o seguinte comentário:

… a ideologia de ensino esposada pelos professores que observamos é puramente um fenômeno local. Os princípios centrail dessa ideologia, onde quer que seja praticada,  são aqueles da educação progressista ou educação ‘aberta’ [Escola Nova]. E, como veremos, esses princípios incorporam alguns pressupostos psicológicos particulares e questionáveis.

Convém ressaltar neste ponto do livro que não estaremos propondo nenhuma crítica  à educação progressista [Escola Nova] para argumentar a favor dos métodos didáticos tradicionais. O movimento progressista estava correto em seus argumentos a favor do engajamento ativo dos alunos em sua própria educação. O que precisamos defender é um terceiro passo, na direção de um modelo cultural-comunicativo da educação.  Ao rejeitar o modelo tradicional e ao enfatizar o desenvolvimento cognitivo das crianças, o movimento progressista desconsiderou a importância da transmissão cultural. O que precisamos é de um entendimento da educação como um processo no qual as crianças são ajudadas e guiadas na direção de uma participaçãpo ativa e criativa em sua cultura. A visão tradicional estava voltada para o ensino, e progressista para a aprendizagem. Precisamos de uma nova síntese, na qual educação seja vista como desenvolvimento de um saber coparticipativo. (p. 35-36)

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