Archive for 5 de janeiro de 2012

História Viva

janeiro 5, 2012

No post anterior trouxe pra este Boteco  um vídeo que mostra o Grupo Escolar Romão Puiggari, a primeira escola pública do Brás. Ao percorrer o Youtube para ver material sobre a escola, acabei descobrindo uma sequência de belos vídeos que contam a história do bairro mais italiano da cidade de São Paulo. Os vídeos estão baseados numa crônica de Lourenço Diaféria. O conjuto todo é um material riquíssimo para dar vida a aulas de história. Bom para quem mora no Brás. Bom para quem queira conhecer um pouco da história da cidade de São Paulo. Bom para quem queira conhecer um pouco da história dos italianos em nossa terra.

Espaço escolar e dignidade

janeiro 5, 2012

Aqui neste Boteco já anotei diversas observações sobre arquitetura e educação, tema que deveria merecer mais atenção dos educadores. Um aspecto importantíssimo é o das mensagens que o espaço escolar transmite.

Alumas vezes, educadores ilustres se equivocam e elegem soluções arquitetônicas muito pobres para espaços escolares. Esse é o caso, por exemplo, de Moacyr de Góes em seu belíssmo “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler”. Nessa obra, ele fala com entusiasmo de barracões de palha que foram utilizados como escolas nos bairros periféricos de Natal, RN, durante o governo de Djalma Maranhão (começo dos anos 60). Confesso que achei que aqueles barracões, fruto de recuperação de técnicas de cosntrução popular, eram um resposta adequada para a falta de escolas. Muitos anos depois da publicação de “De Pé no Chão…” conversei com Moacyr sobre os barracões. Chegamos à conclusão de que aquela solução aquitetônica nada tinha de progressista. Ela marcava a educação popular como uma educação pobre.

Prédios escolares precisam mostrar a importância da educação. Um prédio digno educa muito mais que discursos bem intencionados de educadores. Ele mostra para os alunos como eles são “considerados”. Um prédio mal construído ou soluções de emergência como as escolas de lata ensinam o contrário. Ensinam a “desconsideração”.

Não vou insistir no tema. Acho melhor mostrar. Acabo de ler “Italianos no Brás: Imagens e Memórias”, de Suzana Barreto Ribeiro, obra que articula fotos e história oral para mostrar um momento -década de 1920 a 1930 – da cultura italiana no bairro paulistano do Brás. O livro narra que a maior parte das crianças do bairro era educada no Grupo Escolar Romão Puiggari, uma escola bonita, projetada por Ramos de Azevedo e construída no final do século XIX.

O Romão Puiggari ainda está de pé e funcionando com escola pública. Fotos dele sugerem que as crianças de um bairro operário receberam a mesma atenção que as crianças da elite paulistana que estudava no Caetano de Campos. Como disse, é melhor mostrar. Vejam o Romão Puiggari neste vídeo: