Gardner e a educação

Gardner ganhou imenso espaço entre educadores e treineiros no final do século XX por causa de suas considerações sobre inteligências. No geral, sua teoria foi utilizada de modo equivocado para apoiar movimentos que pretendiam destronar a razão no campo da educação e desenvolvimento humano.

Ao contrário de suas idéias sobre inteligência, as propostas de Gardner sobre educação não mereceram o devido destaque. Aqui na terra, nunca ouvi educadores ou treineiros falarem sobre o Gardner educador. Uma pena.

Em 1999, Gardner publicou um livrinho dedicado inteiramente à educação. Na obra, o autor expressa, como ele mesmo diz, desejos de como deveria ser a educação escolar de seus filhos. Título do livro: The Disciplined Mind.

Logo no primeiro capítulo, Gardner afirma que a educação deve procurar apenas três grandes metas: a verdade, a beleza, a bondade. A verdade tem tudo a ver com o desenvolvimento de uma visão de mundo apoiada pela ciência. A beleza tem a ver com o desenvolvimento de capacidades que proporcionem às pessoas oportunidade de apreciar as artes. A bondade tem a ver com o desenvolvimento de pessoas capazes de compaixão, vivendo de acordo com princípios de uma moralidade respeitosa e inclusiva. É interessante observar que os discursos modernos sobre educação, quase sempre inspirados por abordagens baseadas em competências, ignoram completamente as três dimensões que Gardner apresenta como essenciais na formação dos seres humanos.

Eu gostaria de traduzir e comentar textos de Gardner sobre educação. Mas, falta-me tempo para tanto. De qualquer forma, para que o leitor tenha uma idéia do que o autor pensa sobre verdade, bondade e beleza na educação, reproduzo aqui trecho do primeiro capítulo de The Disciplined Mind, publicado pelo New York Times:

I want everyone to focus on the content of an education—the meat and potatoes: on how that content should be presented, mastered, put to use, and passed along to others. Specifically, I believe that three very important concerns should animate education; these concerns have names and histories that extend far back into the past. There is the realm of truth—and its underside, what is false or indeterminable. There is the realm of beauty—and its absence in experiences or objects that are ugly or kitschy. And there is the realm of morality—what we consider to be good, and what we consider to be evil.

    To make clearer what I include in these realms, let me mention three topics that I would like individuals to understand in their fullness. My example in the realm of truth is the theory of evolution, as first articulated by Charles Darwin and as elaborated upon by other scientists over the last one hundred and fifty years. This is an important area of science, with particular significance for a developmental psychologist like me. Unless one has some understanding of the key notions of species, variation, natural selection, adaptation, and the like (and how these have been discovered), unless one appreciates the perennial struggle among individuals (and populations) for survival in a particular ecological niche, one cannot understand the living world of which we are a part.

    The processes of evolution are fascinating in their own right, as countless budding scientists have discovered. But such understanding has also become necessary if one is to participate meaningfully in contemporary society. Absent a grasp of evolution, we cannot think systematically about a whole range of topics that affect human beings today: the merits and perils of cloning; the advisability of genetic counseling, gene therapy, and various forms of eugenics; assertions that “lifelike entities” have been created computationally and that these entities evolve in a manner similar to organic matter; claims that human behavior is best explained by sociobiology or evolutionary psychology.

    As my example in the realm of beauty, I select the music of Mozart: to be specific, his opera The Marriage of Figaro. This choice begins in the personal. I love classical music, and in particular the works of Mozart; for me, at least, they represent the pinnacle of beauty fashioned by human beings. I believe that everyone ought to gain an understanding of rich works like Figaro—their intricate artistic languages, their portrayals of credible characters with deeply felt human emotions, their evocation of the sweep of an era.

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