Ilha de Curaçao

Este é um momento de puro recreio no Boteco Escola.

Saldo uma dívida antiga. Estou lendo finalmente um dos clássicos das ciências sociais brasileiras, Geopolítica da Fome, de Josué de Castro.

Na página 90 da segunda edição da obra em português (1952), li  história que quero contar aqui. Josué de Castro narra episódio no qual um grupo de marinheiros portugueses, embarcados em navio de uma das viagens de Colombo à América, é acometido por uma doença terrível, o escorbuto. A doença era um dos terrores dos mares na época das grandes navegações. Ela acabou com a vida de milhares de marinheiroros. Para não se tornarem alimento dos peixes do Caribe, os lusitanos pediram para serem deixados numa ilha, em local aparentemente desabitado. Queriam morrer em terra firme, com alguma dignidade. Colombo lhes fez as vontades.

Reproduzo desfecho da história na linguagem elegante e deliciosa do próprio Josué de Castro:

Estes [os marinheiros], enquanto aguardavam a morte certa, foram-se alimentando de folhas, frutos e brotos silvestres, dos quais a terra era fértil. Meses depois, quando o barco regressava pela mesma rota, ao passar pela ilha antes  deserta, o piloto avistou gente fazendo sinais em terra. Abordada a costa, lá foram encontrados, cheios de vida e saúde, todos os marinheiros deixados como mortos e que se haviam milagrosamente curado com o uso de alimentos frescos. A ilha, onde se processou o milagre da ressureição daqueles condenados à morte pelo escorbuto, estava situada na região tropical a 12º de latitude Norte e chama-se hoje ilha do Curaçao, graças ao episódio, desde que “curação”, em português, significa cura. Ilha da milagrosa cura do escorbuto.

Como veem é uma história do tipo “nice to know” (not necessaraly “need to know”). Ou, falando português claro, é uma história boa para momentos de jogar conversa fora em qualquer boteco. Eu não sabia que essa era a origem do nome Curaçao. E vocês?

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2 Respostas to “Ilha de Curaçao”

  1. Flaviana Says:

    Também, como não se curar numa ilha tão linda como essa? É a própria visão do paraíso!
    Abração, professor!

  2. Antonio Morales Says:

    Está lá na página sobre o Josué de Castro que você forneceu o link:

    ” Após uma longa carreira de êxitos científicos, Josué de Castro teve seus direitos políticos cassados pelo regime militar que dominou o País a partir de 1964. Exilou-se em Paris onde passou a lecionar na Sorbonne., e onde morreu em 1973, sem ter voltado vivo ao seu País. morreu sem mesmo ter recebido oficialmente e nominalmente anistia . O cidadão do mundo Josué de Castro não viveu para ver restabelecida sua condição de cidadão brasileiro.”

    Um exemplo dos estragos que a ditadura militar(que durou mais de 20 anos) causou a muitos brasileiros e ao Brasil.

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