Dona Verdade: tema de redação cooperativa

Em 2009, para verificar como andava o desenvolvimento de conceitos no campo da Epistemologia, propus a meus alunos um exercício que deveria ser feito num processo de redação cooperativa.

Tal processo começa com um trecho escrito pelo professor. Os alunos se dividem em grupos de cinco e dão continuidade ao escrito. A cada parágrafo escrito, os alunos mudam de computador e continuam a história no ponto em que esta parou. Na quinta troca será preciso dar um fecho para o escrito. Com isso, chega-se à produção de cinco histórias diferentes. Cada grupo examina os resultados e decide qual das histórias ficou melhor. A história escolhida passa a ser o texto “oficial” do grupo. É essa história que deve ser entregue ao professor ou divulgada para conhecimento de toda a classe.

Fiz a introdução acima para solicitar um favor a leitores do Boteco Escola. Vou reproduzir aqui o começo da história que utilizei em exercício com meus alunos. Quem quiser e puder poderá me ajudar continuando a história em comentário para este post. Alguém mais organizado pode até propor uma redação que conte com a colaboração de outras pessoas conhecidas.

Espero que a proposta esteja clara. Aqui vai o trecho inicial de nosso exercício:

Dona Verdade Chegou

Ela é uma senhora. Bonita. Vivida. Bem humorada. Nasceu muito longe, numa outra galáxia. E ninguém sabe por que ela resolveu fixar residência no planeta Terra. Ah! O nome dela? Dona Verdade.

Faz alguns anos que Dona Verdade anda por aqui. Já visitou todos os países. Já participou de muitos eventos históricos. Sempre desejou ser bem conhecida, mas, numa entrevista, declarou que muita gente sequer olha para ela. E tudo que ela quer é estar presente na vida de todos.

Nos últimos tempos, Dona Verdade parece muito preocupada. Na maior parte dos lugares por onde passa ninguém lhe dá a mínima. Ela até andou pensando que o problema é de aparência. “Talvez eu esteja ficando velha”, pensou a bela senhora. Considerou fazer uma plástica e até uma lipo. Porém, depois de muito pensar, ela chegou a uma conclusão terrível. Ninguém mais a vê. Ela ficou invisível.

As coisas precisam mudar, pensa Dona Verdade. Para tanto, ela começou a conversar com seus vizinhos, amigos e conhecidos dos velhos tempos: pensamento, percepção, razão etc. Ela acha que vai encontrar um modo de recuperar a visibilidade.

Começou assim uma grande aventura. No fim desta história saberemos se Dona Verdade tem ou não chances de recuperar sua visibilidade.

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Uma resposta to “Dona Verdade: tema de redação cooperativa”

  1. Conceição Rosa Says:

    Dona Verdade expôs sua situação a Dona Percepção, amiga de longa data, e esta ficou preocupada: por quais caminhos Dona Verdade tornara-se invisível às pessoas?
    Dona Percepção constatou sua responsabilidade parcial em relação ao problema: quantas vezes ela própria não contribuiu para que a imagem da Dona Verdade fosse distorcida ora em figura, ora em fundo, dando-lhe relevância ou irrelevância segundo os olhos de quem a visse, relativizando-a? Ou fechando-a em figuras cujas formas davam-lhe uma existência que não era realmente de sua amiga? Como era fácil confundir as pessoas através das imagens!..
    Sem dúvida havia contribuído para que Dona Verdade ficasse, no mínimo, escondida a olhos desavisados, às pessoas que predominantemente olham, mas não vêem porque se fixam apenas nas aparências. Dona Percepção deu-se conta de que seria necessário que as pessoas reeducassem o olhar, para trazer novamente Dona Verdade ao foco de suas atenções – era preciso reconhecer os enganos da visão.
    Mas Dona Percepção tinha seus limites. Nem sempre a Dona Verdade tinha contato direto com todas as pessoas. Para muitas, muitas delas, a amiga era conduzida através das visões e imagens, palavras, pensamentos, intenções e mãos de outras. Por vezes Dona Verdade lhes chegava irreconhecível, como um Frankenstein costurado em partes, ou apenas como uma sombra do que realmente era. Com estas intermediações, Dona Verdade fora se tornando cada vez mais intangível – e invisível. Tornara-se uma abstração para todas aquelas pessoas! Alguns diziam, absurdamente, que ela era uma mentira forjada pela imaginação, apenas um desejo dos Homens, um ET!
    Dona Percepção precisaria contar com mais do que cinco sentidos apurados e atentos para ajudar sua amiga. Ela precisaria recorrer ao Sr Pensamento e sua companheira, a Reflexão, para trazer visibilidade à Dona Verdade. E quem sabe, precisaria recorrer também àquela outra amiga, controversa, que costumeiramente é chamada de “o sexto sentido”?

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