Comunicação: quais são os limites?

Para fazer comunicação usamos sinais: sons, letras, expressão facial, desenhos, figuras etc. Ao utilizar qualquer sistema de comunicação, quase sempre empregamos mais sinais que os necessários para passar dada informação. Ou seja, no geral somos redundantes. Essa explicação está meio abstrata. É melhor ilustrá-la com um exemplo.

Um dos meus amigos, o escritor Márcio Jabur Yunes, utiliza um caso que ilumina a questão.  Antes de apresentar o exemplo sugerido pelo Jabur, acho que é bom comentar um pouco explicações que ele dá para bobagens redundantes de nossa gramática. Em português, indicação de plural numa frase costuma ser hiper-redundante. Para seguir as normas da boa sintaxe, indicamos plural com mudança de flexões no artigo, no substantivo, no adjetivo, no verbo. Uma abundância de inflexões desnecessárias [isso resulta numa dificuldade que derruba muita gente bem educada: a maldita concordância]. Bastaria, segundo ele, indicar plural no artigo.

Vamos ao exemplo do Jabur. Ele costuma dizer que nossos caipiras do Interior são muito mais elegantes e econômicos no uso da linguagem. Ou seja, não utilizam informações desnecessárias. Dizem:

  • Os home bão.

Flexionam o artigo.  Substantivo e adjetivo não mudam. Quem os escuta entende que estão falando de um coletivo de gente boa. A sintaxe oficial nos obriga a carregar muito mais informações que as necessárias para que haja entendimento. A expressão correta, segundo Napoleão Mendes de Almeida, gramático que assombrou minha vida de estudante nos quatro anos de ginásio, é:

  • Os homens bons.

Vejam vocês, o gramaticalmente correto implica uso de dois esses a mais. Necessários para o entendimento? Não!

As divagações aqui registradas nasceram de uma leitura do livro The Information, de James Gleick. No capítulo sobre a fala dos tambores africanos, o autor aborda a questão da redundância. Essa, às vezes é necessária. Mas, outras vezes pode ser dispensada sem prejuízo para o entendimento. Do ponto de vista técnico, os estudos sobre informação, que têm como objeto determinar melhor formas realizar comunicação nos meios eletrônicos, buscam encontrar modos de evitar redundância. Menos redundância significa economia e diminuição de ruídos na comunicação. Mas, essa é uma  história sobre a qual a gente pode conversar em outra ocasião.

Em seu livro, para mostrar que a retirada de muitos elementos redundantes não traz prejuízo para a comunicação, Gleick oferece um exemplo bem legal. Para falantes da língua inglesa, diz ele que não há qualquer dificuldade para entender a seguinte mensagem que aparecia em cartazes do metrô novaiorquino nos anos 70:

if u cn rd ths

u cn gt a gd jb w hi pa!

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